14
Ago 12
publicado por Alexandre Burmester, às 22:45link do post | comentar | ver comentários (2)

"Miami and the Siege of Chicago" é o título de um "romance não-ficcional" do grande romancista, jornalista e polemista americano Norman Mailer (1923-2007).

 

Agora que se aproxima a época das convenções partidárias americanas, parece-me interessante e revelador revisitar 1968, porventura o ano mais turbulento da política americana desde 1945. E foi sobre as convenções desse ano que Mailer se debruçou ao escrever esta sua notável obra, no estilo "New Journalism", na qual mistura a sua argúcia, o seu partidarismo ideológico, a sua imaginação e o seu enorme talento de escritor.

 

"Miami", porque foi naquela cidade da Flórida que o Partido Republicano se juntou para escolher o seu candidato; "Chicago", porque foi o local da homóloga assembleia democrática (quanto ao "cerco", já lá irei).

 

O Chicago Tribune resumiu bem o valor de "Miami and the Siege of Chicago" nestas linhas:

 

 

 "Don't skim...if you dash your way through 'Miami and the Siege of Chicago,' Mailer's masterful account of the upheaval that occurred 40 years ago when Republicans and Democrats met in those two cities, there to select their presidential nominees, you'll miss a lot. First published in 1968, and reissued earlier this month by New York Review Books, Mailer's report glows with descriptions of the people and the places whose permanent identities were forged in the hot furnace of that tragic, fateful year. To understand 1968, you must read Mailer..." 

 

 

O ano de 1968 foi particularmente trágico e agitado, de facto. Além das cada vez mais veementes manifestações contra a Guerra do Vietname ("hey, hey, LBJ, how many kids did you kill today?"), ocorreram os assassínios de Robert Kennedy, um dos principais candidatos democráticos - o Presidente Lyndon Johnson retirara-se da corrida depois de uma mal-sucedida primária de New Hampshire - e do Rev. Martin Luther King, este último tendo dado origem a motins em mais de 100 cidades.

 

 

Mailer era um liberal - no sentido americano - um homem de esquerda, portanto. Como tal, não deixa de ser curiosa a apreciação que acaba por revelar por Richard Nixon, um homem seis anos antes "condenado" ao esquecimento pela generalidade dos comentadores políticos, após a sua dupla derrota nas presidenciais de 1960 e na eleição para Governador da Califórnia em 1962, após a qual declarara retirar-se da política, depois de um agreste ataque aos jornalistas. No fundo, Mailer apreciava a personalidade de Nixon, ao mesmo tempo que o detestava politicamente. Traça umas linhas pouco abonatórias acerca do favorito à nomeação republicana no início da convenção de Miami, mas, ao ver as suas atraentes filhas, de 22 e 20 anos, desabafa para com os seus botões - e os seus leitores: "Um homem com duas filhas tão bonitas não pode ser assim tão mau!"

 

 

 

 

 

 1968 foi também o último ano em que as máquinas partidárias - particularmente a democrática - tiveram decisiva influência na escolha do respectivo candidato. Já havia eleições primárias, claro, mas nem todos os estados as organizavam, pelo que uma boa parte dos delegados às convenções tinham de ser "convencidos" na própria convenção.

 

Richard Nixon chegara à convenção de Miami com um bom "farnel" de delegados, adquiridos em primárias. Dados os seus mais recentes fracassos eleitorais, após um fulgurante início de carreira, sabia que tinha de provar aos eleitores republicanos que era novamente capaz de ganhar eleições. Ocupava uma posição charneira no leque dos candidatos do G.O.P.: à sua esquerda o Governador do Estado de Nova Iorque Nelson Rockefeller, e à sua direita o Governador da Califórnia Ronald Reagan. Com o seu profundo instinto político - Nixon dispensava "estrategas": era o seu próprio "Karl Rove" - e colhendo os benefícios das suas incansáveis campanhas por inúmeros candidatos republicanos em 1964 e 1966, incluindo pelo candidato presidencial republicano de 1964, Barry Goldwater, homem com quem pouco simpatizava política e pessoalmente - acabou por vencer a nomeação no primeiro escrutínio, o que era fundamental, pois após esse escrutínio, se não houver uma maioria para um candidato, os delegados ficam desobrigados.

 

Para a História, aqui ficam os resultados:

 

Nixon: 692 votos; Rockefeller 277; Reagan 182. Houve ainda votos para oito outros candidatos, entre os quais o Governador do Michigan George Romney, pai de Mitt Romney, que angariou 50 votos. "Tricky Dick" ganhara de novo.

 

Mas Miami é a parte mais plácida do "romance" de Mailer. Em Chicago, nesse ano, convergiram todas as frustrações políticas do radicalismo americano. Por um lado, era o Partido Democrático que ocupava a Casa Branca, por outro, aquele é o partido das causas "progressistas" e, como tal, a esquerda mais radical sentia-se por ele particularmente traída. Além da Guerra do Vietname, havia os ventos do Maio de '68 em Paris, e todo um "caldo de cultura" prestes a estourar. A "revolta" das universidades americanas aprestava-se a desembarcar em Chicago.

 

Devo aqui fazer um breve parêntesis para mencionar um facto que exacerbara as tensões "de rua" na convenção democrática: o Vice-Presidente Hubert Humphrey era o claro favorito à nomeação, sem ter disputado uma primária que fosse. Por outro lado, o Senador Eugene McCarthy ("the good Senator McCarthy", em contraste com o falecido Senador Joe McCarthy, o homem da "caça às bruxas" dos anos '50) tinha um bom pecúlio eleitoral em matéria de primárias, e era o candidato anti-guerra. Acrescia ainda a candidatura do Senador George McGovern, também ele um candidato anti-guerra, de que se ouviria falar de novo quatro anos mais tarde.

 

 

 

 

Perante este cenário surgia a figura do famoso Mayor de Chicago, Richard Daley, cuja influência na "mobilização" - digamos assim - do eleitorado democrático fora fulcral na decisiva vitória de John Kennedy no Illinois na renhidíssima eleição de 1960 (que causara um rancor inesgotável no já de si rancoroso Richard Nixon). Daley jurara que a sua cidade não seria tomada pelos milhares de manifestantes que se anunciavam. Pois bem, aqui Norman Mailer entra no seu melhor. É impiedoso em relação a Humphrey - no fundo, sentia-se traído por um "dos seus" - mergulha "na rua", e chega a ser detido pela polícia. Na referida "rua" travam-se autênticas batalhas campais entre os manifestantes e a polícia de Chicago, auxiliada pela Guarda Nacional do Illinois. O gás lacrimogénio lançado pela polícia chega a afectar o desamparado Hubert Humphrey no seu quarto de hotel.

 

Entretanto, no pavilhão da convenção, as coisas não estavam muito mais calmas que na rua. O famoso Dan Rather, na altura repórter da CBS, foi agredido pela polícia no pavilhão, e quando o Senador Abraham Ribicoff utilizou o seu discurso de apoio a McGovern para falar do que se passava nas ruas, dizendo que, com McGovern, tais tácticas "de Gestapo" não teriam lugar, Richard Daley exclamou do seu lugar: "“F... you, you Jew son of a bitch! You lousy motherfucker! Go home!”

 

Tudo isto Mailer cobre com um entusiasmo e um talento notáveis, prendendo o leitor ao livro (umas 200 páginas) de princípio ao fim. 

 

Poucos dias depois do "Cerco de Chicago", Richard Nixon, velha raposa, fez uma digressão e um comício na cidade, defendendo "a lei e a ordem". Desta vez, nem a "capacidade mobilizadora" de Richard Daley o impediria de ganhar o Illinois.

 

 

 

 

Fotos: em cima: a família Nixon a caminho da Casa Branca; ao meio: o Vice-Presidente Hubert Humphrey.

 

 

 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 12:28link do post | comentar | ver comentários (3)

 

Começam a ser conhecidos os últimos nomes que vão discursar em Tampa Bay. Sem surpresas, o governador de New Jersey, Chris Christie, será o Keynote Speaker, que deverá decorrer na noite de terça-feira, dia 28 de Agosto. Este é o tradicional discurso de maior importância, exceptuando do candidato presidencial e do seu Vice Presidente, e que normalmente atrai as atenções do aparato mediático. Recordo que os democratas já anunciaram a sua opção para este ano, o Mayor de San António, Julian Castro. Também hoje foi anunciado que Marco Rubio, Senador da Florida, irá apresentar Mitt Romney na quinta-feira, discursando imediatamente antes deste. Grande destaque dado a estas duas novas estrelas do Partido Republicano, que emergiram à ribalta já durante o mandato de Barack Obama.

 

De todos os nomes conhecidos, pode-se dizer que há uma grande aposta na nova geração de republicanos, nomeadamente em Scott Walker, Susana Martinez, Rand Paul, Kelly Ayotte e Nikki Haley, também eles eleitos em 2010. Até ao inicio da próxima semana deverão ser conhecidos todos os nomes, bem como o horário das suas intervenções. No Partido Democrata, ainda não conhecidos muitos nomes, mas já se sabe que além de Barack e Michele Obama, Joe Biden, Julian Castro, irão intervir Bill Clinton, Elisabeth Warren, candidata ao senado no Massachusetts e ainda Jimmy Carter, através de uma mensagem de vídeo. Nas últimas semanas foi revelado que haverá em palco um republicano desavindo, sendo que os nomes mais referidos são os antigos senadores Chuck Hagel e John Warner.

 

 


13
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:24link do post | comentar | ver comentários (3)

 

Passados dois dias do anúncio já se pode fazer uma análise ao modo como Paul Ryan foi recebido na corrida. A primeira conclusão (aparente) é que todos ficaram satisfeitos. Poucos nomes teriam o condão de unir o Partido Republicano como o congressista do Wisconsin. Desde os moderados, como David Brooks, que anteriormente já tinha apoiado o seu famoso Path to Prosperity, os media conservadores da Weekly Standard ou Wall Street Journal que tinham pedido o seu nome, até aos sectores mais conservadores afiliados com o Tea Party, todos apoiarão a escolha de Mitt Romney. Ao contrário de 2008, quando John McCain escolheu Sarah Palin, houve uma reacção inicial de surpresa, de agrado da base conservadora, mas também uma quase revolta nos sectores moderados e intelectuais contra a opção, que cresceu durante a campanha eleitoral. Desta vez ninguém espere que vozes próximas do Partido Republicano se insurja contra Paul Ryan, como aconteceu há quatro anos. Ryan é, talvez juntamente com Chris Christie, o único republicano que consegue recolher simpatias em todo o espectro conservador. Ao contrário do que vou lendo em alguns espaços, o problema não é o conservadorismo de alguns candidatos. Em 2010 alguns candidatos afiliados do Tea Party perderam eleições, mas não por serem muito conservadores. Foi precisamente porque eram incompetentes e sem qualificações. Pelo contrário, Marco Rubio na Florida  e recentemente Scott Walker no Wisconsin venceram em swing-states porque, apesar de pertencerem à ala conservadora do GOP, demonstraram qualidades  e souberem apresentar a sua agenda aos eleitores. Mitt Romney poderá perder as eleições, mas não acredito que seja por causa do conservadorismo de Paul Ryan. Diria que muitas vezes na América as qualidades dos candidatos são bem mais importantes do que a sua ideologia mais ou menos conservadora ou liberal. Como é que é possível que Barack Obama tenha ganho um estado tão conservador como o Indiana em 2008?

 

Conforme apontam os estudos académicos efectuados sobre os candidatos a Vice Presidente, raramente estes tiveram influência directa no resultado final. Os eleitores acabam por decidir sobretudo sobre o candidato presidencial. No entanto, esta opção de Romney terá sempre algum impacto na sua campanha: grande entusiasmo, mais dinheiro a entrar e um candidato que sabe, acima de tudo, apresentar a agenda republicana de forma articulada e sem a "raiva" ou o "radicalismo" de outros republicanos. Ninguém espere que Paul Ryan cometa erros infantis como Sarah Palin ou até Joe Biden. O debate entre Vice Presidentes será extremamente interessante, e apesar de ser o menos decisivo dos quatro, será uma oportunidade para Ryan se superiorizar perante Biden e conquistar pontos para o seu lado. Apesar desta expectativa, convém não menosprezar Biden, que já provou que consegue ser um político eficaz. Será um grande momento desta campanha.

 

O Partido Democrata também ganhou aqui um balão de oxigénio, como os diversos ataques lançados ao Plano Ryan o demonstram. Como sempre tentaram fazer desta eleição uma opção entre duas visões diferentes para a América, em vez de ser um referendo aos quatro anos de Obama, ter Ryan no ticket adversário irá ajudar nesse plano. Os cortes defendidos por Paul Ryan nas despesas sociais são também eles galvanizadores para a base democrata, até agora pouco entusiasmada com esta eleição. Os media afiliados com os democratas não se têm cansado de lançar para a opinião pública dados e informações sobre o pretenso radicalismo de Paul Ryan, numa tentativa de assustar os eleitores. Pode ser uma estratégia que tenha sucesso em alguns importantes swing-states, como na Florida, Ohio e Pensilvânia, mas recordo que em 2010 também utilizaram a mesma táctica e acabaram por ser derrotados em larga escala.

 

Com o quase empate técnico em que esta campanha se encontra (hoje saíram três sondagens: Gallup empate, Rasmussen, +2 para Romney e Politico + 1 para Obama), todos os pormenores vão contar e é difícil prever o que vai decidir esta eleição. Mas ainda é cedo para dizer se Paul Ryan irá ajudar ou prejudicar Mitt Romney, e sequer, se terá uma real influência nesta eleição. Como dizia alguém na imprensa americana, o mais certo é que daqui a dois meses Ryan tenha o mesmo destaque do que Biden tem tido nesta campanha. Ou seja, nenhum. Os números que li das sondagens assinalam que Paul Ryan ganhou popularidade depois da sua selecção, mas também indicam que é o candidato a VP que menos aprovação recebeu desde 2000. O que obteve melhores respostas foi John Edwards em 2004. Diria que é de esperar que Mitt Romney suba ligeiramente nas sondagens nos próximos dias, sendo até expectável que venha a assumir a liderança até ao final do mês (tempo da Convenção de Tampa). Mas depois virá a Convenção Democrata e a partir de Setembro é que teremos de olhar com atenção para as sondagens. 


12
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:10link do post | comentar | ver comentários (3)

Terminaram hoje os Jogos Olímpicos de Londres, onde os Estados Unidos voltaram à liderança do ranking das medalhas, ultrapassando novamente a China, depois de em Pequim terem ficado em segundo lugar. Foi na natação e no atletismo que brilharam, como habitualmente, com  31 e 29 medalhas respectivamente, totalizando estas quase metade da totalidade de sucessos americanos. Com as 46 medalhas de ouro conquistadas, os Estados Unidos bateram mesmo o recorde, ultrapassando as 45 que tinham ganho nos Jogos Olímpicos de Paris em 1924 e na Cidade do México em 1968. Michael Phelps e Missy Franklin na natação, Allyson Felix no Atletismo, Alexandra Raisman e Gabrielle Douglas na ginástica foram as estrelas da companhia. Não esquecer o Dream Team no basquetebol, que deu espectáculo ao longo da competição, apesar da final vencida à Espanha ter sido bastante renhida. 

 

Longe das rivalidades do passado, nomeadamente com a União Soviética e com a República Democrática Alemã, os Jogos Olímpicos, hoje estão confinados à rivalidade desportiva, sem a carga política do passado. É assim que deve ser. No entanto, haverá sempre alguma nostalgia pelos lendários embates entre soviéticos e americanos, onde uma medalha representava bem mais do que uma vitória desportiva. No Rio de Janeiro há mais. 

 

PS: Portugal teve uma actuação discreta nestes Jogos. Parabéns a todos os atletas que estiveram presentes em Londres, e melhor sorte para os próximos. 


publicado por Nuno Gouveia, às 22:00link do post | comentar

Foto EPA


Dificilmente poderiam ter escolhido melhor cenário para apresentar publicamente Paul Ryan como candidato a Vice Presidente: a base naval de Norfolk, na Virginia, com o USS Wisconsin atrás do palco. 


11
Ago 12
publicado por José Gomes André, às 16:18link do post | comentar | ver comentários (8)

Prós

 - jovem, bem-parecido, carismático

- reforça a base conservadora (nomeadamente do Tea Party)

- forte nos temas fiscais e económicos (questões essenciais desta eleição)

- inteligente e articulado, eleva a qualidade do debate político

- recoloca o Wisconsin em jogo e pode ter influência eleitoral no Midwest

 

Contra

 - impopularidade junto dos independentes

- posições polémicas em temas sensíveis (corte a apoios federais na saúde e privatização da segurança social)

- inexperiência na ocupação de cargos executivos

- inexperiência em segurança nacional e política externa (uma das fraquezas de Romney)

- ticket com um mórmon e um católico: como reagirão os evangélicos?

 

Dez vídeos para conhecer melhor as posições de Paul Ryan e o link do seu site oficial.


publicado por Nuno Gouveia, às 10:23link do post | comentar | ver comentários (8)


Paul Ryan, congressista do Wisconsin, foi a escolha de Mitt Romney para candidato a Vice presidente. Ryan, de quem ouviremos falar muito nos próximos dias, é considerado um dos líderes desta nova geração de republicanos, tendo apresentado ano passado um plano de combate ao défice que enfrentava de frente os problemas estruturais da despesa federal americana. Se em 2008 os republicanos apostaram no desconhecido (e tiveram azar com Sarah Palin), este ano Mitt Romney apostou no seguro. Ryan tem apenas 42 anos e já está no Congresso desde os 29. Não será uma escolha consensual e certamente receberá muito fogo dos democratas, mas deverá ser uma das grandes surpresas (pela positiva) desta campanha presidencial. 

 

Como ontem escrevi aqui, esta escolha irá injectar uma dose de entusiasmo inacreditável nesta campanha e introduzir na discussão temas como o combate ao défice, a reforma estrutural dos programas sociais e a economia. Apesar de ser uma escolha que agrada à base, há outro tipo de republicanos que vão ficar extremamente satisfeitos. Nos últimos dias, vários conservadores do establishment escreveram artigos a pedir a Mitt Romney para seleccionar Ryan. Na Weekly Standard, Bill Kirstol e Stephen Hayes, aconselharam a escolha de Ryan ou de Marco Rubio, e o Wall Street Journal, esta quinta-feira num editorial, lançou um apelo à selecção de Ryan. Nos meios conservadores, Paul Ryan era, juntamente com Marco Rubio, o nome mais requisitado. Pois bem, Mitt Romney deixou de lado as opções mais convencionais, Portman e Pawlenty, e ambicionou algo mais: mudar radicalmente a campanha desta eleição. Além disso, Romney terá agora mais hipóteses de vencer o Wisconsin, estado onde neste momento Obama tem apresentado ligeira vantagem.

 

Paul Ryan não é um político qualquer. Tendo começado a sua carreira política a trabalhar em Washington para políticos como Jack Kemp, Bob Kasten ou Sam Brownback, aos 28 anos decidiu deixar os gabinetes do congresso e candidatou-se a um lugar na Câmara dos Representantes. É considerado um dos líderes intelectuais do Partido Republicano e as suas intervenções públicas são habitualmente carregadas de elevação e qualidade. Ninguém espere dele declarações bombásticas. Ficou célebre a sua interlocução com o Presidente Obama durante um encontro na Casa Branca para discutir a reforma de saúde. Actualmente é o líder da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes. O seu orçamento "Path to Prosperity", considerado um plano corajoso mas arriscado, será o principal ângulo de ataque dos Democratas. Mas Mitt Romney, ao escolher Paul Ryan, saberia disso melhor do que ninguém. 

 

Uma nota: Mitt Romney é considerado um político calculista e pouco dado a opções arriscadas. Diria que, entre as opções "entusiasmo", Ryan era a mais segura. Rubio e Christie estão há muito pouco tempo na arena política nacional e Bobby Jindal tem evidenciado falta de "brilho" nas intervenções públicas. Ao escolher Ryan, um político com quem tem uma química muito forte, Romney está a revolucionar esta campanha eleitoral, está a agradar a base republicana, o establishment de Washington e ainda  a aumentar o apelo da sua candidatura no Midwest. Será interessante verificar nos próximos dias a barragem de críticas que vão surgir do lado democrata, mas esta opção não deixa de ser muito estimulante para a campanha. 

 

Em jeito de provocação, o Wall Street Journal dizia esta semana que  Mitt Romney não se atreveria a escolher Paul Ryan. "Too risky, goes the Beltway chorus. His selection would make Medicare and the House budget the issue, not the economy. The 42-year-old is too young, too wonky, too, you know, serious. Beneath it all you can hear the murmurs of the ultimate Washington insult—that Mr. Ryan is too dangerous because he thinks politics is about things that matter. That dude really believes in something, and we certainly can't have that. All of which highly recommend him for the job." Bem, certamente já abriram uma garrafa de champanhe na redacção do WSJ. 

 

A apresentação será às 9h00(hora local) deste sábado em Norfolk, onde a dupla irá iniciar um périplo de quatro dias pelos estados da Virginia, Ohio, Carolina do Norte e Florida. 


10
Ago 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:05link do post | comentar | ver comentários (12)

Sairam ontem duas sondagens que davam folgada margem ao Presidente Obama, uma da CNN/Opinion Research (Obama 52%, Romney 45%) e outra da Fox News/Anderson Robbins Research (D)/Shaw & Company Research (R) (Obama 49%, Romney 40%).

 

Numa altura em que as sondagens, dêem elas vantagem a um ou outro dos candidatos, têm sido quase sempre renhidas - e muitas dentro da margem de erro - estas duas são particularmente surpreendentes, e, a serem correctas, seriam sem dúvida um forte estimulo para a recandidatura do Presidente.

 

Só que, no mesmo dia, a Gallup Tracking Poll dá a Obama apenas 2% de vantagem (47%/45%) e a Rasmussen Tracking Poll dá hoje uma vantagem de 4% a Romney (47%/43%).

 

Acresce que a sondagem da CNN é baseada em adultos (estejam ou não recenseados , embora grande parte da amostra seja de recenseados), e a da Fox em recenseados (tal como a da Gallup). Já a da Rasmussen foca-se apenas em votantes prováveis, uma medida mais rigorosa, como já tenho referido.

 

Há ainda a questão das ponderações partidárias, e outras, das amostras, às quais não tive acesso, e que permitiriam uma melhor análise.

 

Eu diria, pelos números que têm sido publicados ao longo dos últimos meses, que as sondagens da Gallup e da Rasmussen estarão mais em linha com o sentimento público, do que as publicadas pela CNN e pela Fox, que me parecem claramente "outliers".


publicado por Nuno Gouveia, às 15:10link do post | comentar | ver comentários (2)

Com o fim da silly season da campanha presidencial americana, vamos entrar na sua recta final, com os principais pontos de interesse: a escolha do VP de Romney, as convenções e os debates. Até ao momento, os sinais parecem favoráveis a Obama. Lidera ligeiramente nas sondagens nacionais e nos swing-states, e a sua estratégia de Verão tem corrido bem. Mas agora entramos na fase decisiva. Deixo de parte as convenções e os debates, e centro-me sobretudo na escolha de Mitt Romney para seu parceiro no ticket republicano. 

 

A opção de Mitt Romney, mesmo que não tenha grande impacto na decisão final de Novembro (e acredito que terá alguma), será sempre decisiva para a narrativa histórica que se fizer da sua campanha presidencial. E, apesar dessa narrativa revelar-se apenas depois do desempenho da sua escolha durante a campanha, a opção em si acarretará um significado simbólico. Considero que Mitt Romney tem três opções em cima da mesa, com vantagens e desvantagens, e que terão influência no resto da sua campanha. 

 

Convencional

Os nomes mais apontados para esta opção são Rob Portman, senador do Ohio, e Tim Pawlenty, antigo governador do Minnesota. Ambos enquadram-se naquilo que os analistas americanos consideram o "homem branco aborrecido e competente". Com muita experiência política, ninguém colocaria em causa as suas habilitações para ocuparem o cargo de Presidente, reforçariam o epíteto de uma candidatura pronta para governar e poderiam aumentar o apelo do ticket no Midwest. Portman seria uma ajuda para vencer o Ohio (nenhum republicano foi eleito Presidente sem vencer o estado) e Pawlenty poderia colocar o Minnesota em disputa, apesar dos republicanos não vencerem aqui desde 1972. Diria que analisando o percurso político e de vida de Romney, estas são as opções mais fortes.

 

Entusiasmo

Marco Rubio, Bobby Jindal, Chris Christie e Paul Ryan. Qualquer um destes nomes iria transformar esta eleição e iria introduzir uma dose enorme de energia na campanha de Mitt Romney. O senador da Florida, descendente de pais cubanos e favorito do Tea Party, tem uma história de vida formidável e, quase de certeza, ajudaria Romney a conquistar o seu estado natal. É carismático, tem o dom da oratória e tem apenas 41 anos. Seria muito atacado pela sua inexperiência, mas penso que seria extremamente positivo para os republicanos nos hispânicos em alguns swing-states (além do seu estado, Colorado, Nevada e Novo México). Com a mesma idade, Paul Ryan, congressista do Wisconsin, poderia ajudar a transformar o seu estado mais competitivo, e introduziria no debate temas como a reforma estrutural dos programas sociais e o combate ao défice. Os democratas gostariam desta opção, pois consideram que as suas propostas são impopulares no eleitorado independente. Mas Paul Ryan, um dos líderes intelectuais do GOP, teria um impacto extraordinário nesta campanha. Chris Christie, o bombástico governador de New Jersey, é um dos líderes desta nova geração de republicanos. Seria um acréscimo de qualidade no debate político, e o confronto político ganharia com a sua escolha. Além disso, poderia ajudar Romney no seu estado, apesar das possibilidades de vencer são diminutas. Os democratas pensam que poderiam ganhar pontos devido ao estilo conflituoso de Christie, mas basta observar os índices de popularidade dele no seu estado, tradicionalmente democrata, para pensar-se que talvez não seja bem assim. Por fim, Bobby Jindal, que não acrescenta grande coisa em termos regionais, pois a Louisiana, onde é governador, ou o Sul, é território seguro para os republicanos. Mas com a sua experiência aos 41 (já foi congressista, membro da administração e está no segundo mandato) fortaleceria Romney e iria receber amplo apoio da base conservadora. 

 

Surpresa

Sarah Palin em 2008 foi uma enorme surpresa e essa experiência é hoje considerada um fracasso. Não é de prever que Mitt Romney volte a optar num total desconhecido para o cargo, sendo que há duas opções, que têm sido muito pouco faladas e se enquadram nesta categoria: o governador de Porto Rico, Luis Fortuño e Kelly Ayote, senadora do New Hampshire. As hipóteses destes dois nomes são ínfimas, mas nunca se sabe se a campanha de Romney arrisca. Se a opção for de risco total, apostaria nestes dois nomes.  Outras surpresas seriam os nomes de Condoleezza Rice, do general David Petraeus ou do governador da Virgínia, Bob McDonnel. 


08
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:59link do post | comentar | ver comentários (9)

Mitt Romney Basically Killed a Woman é o título que a New York Magazine atribui a este anúncio da Super Pac de Obama, PAC Priorities USA Action. Este é apenas o mais recente vídeo que a equipa de Obama está a divulgar em alguns swing-states e que tem como característica principal a tentativa de assassinato de carácter de Mitt Romney. O anúncio contém várias falsidades e é deliberadamente manipulado, como aponta aqui esta reportagem da CNN, mas a equipa de Obama até ao momento não teceu comentários negativos sobre este anúncio. Como já tínhamos visto na época das primárias, as Super Pacs têm sido utilizadas para os anúncios mais violentos e as campanhas sempre podem dizer que não têm nada a ver com o seu conteúdo. 

 

Não tenhamos ilusões: a política americana é brutal e todos os candidatos utilizam anúncios negativos para atacar os adversários. Em 2008 Obama também o fez, mas em menor número do que John McCain, talvez porque tenha estado quase sempre na liderança. Mas este ano a equipa de Obama tem feito uma campanha extremamente negativa, representando o fim da "inocência" do candidato que prometeu mudar Washington e acabar com a América dividida. Sempre pensei, e escrevi-o aqui, que com a economia a derrapar, a única salvação para Obama seria destruir Mitt Romney através de uma campanha deste género. E talvez seja por isso que Obama tem conseguido manter-se ligeiramente à frente nas sondagens. Mas existe uma linha muito ténue entre o que é aceitável ou não. Este anúncio tem sido denunciado por todas as organizações noticiosas como desonesto e mentiroso. O mesmo já sucedeu a outros (e também a anúncios de Romney). Os eleitores independentes podem ser convencidos através de campanhas negativas, como tem evidenciado a literatura académica sobre o tema. Mas o problema é que também podem convencer os indecisos a votar no outro candidato. 


publicado por Alexandre Burmester, às 12:46link do post | comentar

Na sequência da notícia ontem publicada no Drudge Report acerca da possibilidade de Mitt Romney querer escolher o Gen. David Petraeus para seu candidato a Vice-Presidente, baseada numa suposta confidência do próprio Presidente Obama, a Casa Branca já desmentiu que Obama algum dia tenha dito tal coisa, um porta-voz da CIA negou que o General tenha qualquer interesse numa carreira política, e Mitt Romney esquivou-se a comentar a notícia quando a tal instado.

 

Estes desmentidos têm sempre um valor de certo modo relativo, mas não é de facto muito crível que Petraeus venha a ser o candidato, embora não seja nada de excluir que Romney nele tivesse pensado e até o desejasse como companheiro de lista.

 

Tem sido comentado o receio de Obama numa incursão de Petraeus pela política, e houve divergências entre os dois homens acerca do calendário de retirada do Afeganistão, que o actual Director da CIA, na altura comandante das forças americanas naquele país, considerou prematuro - posição por ele próprio referida aquando da sua audiência de confirmação no Senado para o seu actual cargo. 

 

Possivelmente, esta notícia de Matt Drudge terá algum fundo de verdade - na parte relativa ao interesse de Romney no General - e um pouco de táctica dissimulatória - com o objectivo de desviar as atenções dos media de outros possíveis candidatos, numa altura em que o anúncio deve estar iminente.


07
Ago 12
publicado por Alexandre Burmester, às 17:34link do post | comentar | ver comentários (4)

 

 

 

 

 

Também eu segui uma das recomendações de Mark Halperin, segundo o artigo do Nuno Gouveia de ontem acerca deste tema, e fui espreitar o que teria o Matt Drudge para nos dizer, em termos de sugestões e fintas.

 

Pois bem, tal como o Nuno já aqui referiu no artigo anterior, aquele conhecido compilador noticioso diz-nos que o Presidente Obama terá sussurrado a um seu importante angariador de fundos que Mitt Romney pretende escolher o General David Petraeus, actual Director da CIA e antigo comandante das forças americanas no Iraque no tempo da famosa "surge" que garantiu alguma acalmia naquele país e acabou por permitir a retirada das tropas americanas.

 

Resta saber, para seguir os palpites de Halperin, se esta "drudgiana" notícia é uma sugestão ou apenas uma finta. Mas a escolha deste general enquadrar-se-ia certamente na tradição de surpresas nas escolhas dos candidatos vice-presidenciais, além de ser potencialmente uma selecção popular. Mesmo assim, não creio que Petraeus venha a ser o candidato. Como já referi, penso que Tim Pawlenty será o escolhido.

 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 17:03link do post | comentar

OBAMA: ROMNEY WANTS VP PETRAEUS

 

**Exclusive** 

President Obama whispered to a top fundraiser this week that he believes GOP presidential hopeful Mitt Romney wants to name Gen. David Petraeus to the VP slot! 

"The president wasn't joking," the insider explains to the DRUDGE REPORT. 

A Petraeus drama has been quietly building behind the scenes. 

Romney is believed to have secretly met with the four-star general in New Hampshire. 

The pick could be a shrewd Romney choice. A cross-party pull. The Obama administration hailed Petraeus as one of history's greatest military strategists. Petraeus was unanimously confirmed as the Director of the CIA by the US Senate 94-0. 

But Petraeus has categorically asserted that he has NO political ambitions. And Team Obama stands prepared to tie one of their own to "Bush wars." A Petraeus pick could been seen as simply shuffling the decks of power in DC. 

"He's a serious man, for seriously dangerous times," notes a top Republican. 

A DRUDGE POLL on Tuesday morning showed readers split on if Romney should give it a go. 

And the calendar is running out of days. 

No Drudge Report

 

No entanto, ninguém acredita que tal suceda, desconfio que nem o Matt Drudge. Recordo o que disse Mark Halperin ontem, no post que citei aqui: estejam atentos ao Drudge Report, tanto às pistas como aos sinais errados. Não me parece difícil saber onde podemos enquadrar esta notícia.   


publicado por Nuno Gouveia, às 15:21link do post | comentar

A equipa de Romney parece apostada em dominar as atenções mediáticas com as suas escolhas para a Convenção Nacional Republicana. Hoje foi a vez de anunciarem mais quatro nomes que vão discursar em Tampa: o antigo Governador da Florida, Jeb Bush, o candidato presidencial Rick Santorum, a governadora do Oklahoma, Marry Fallin e o Senador Rand Paul, do Kentucky. A escolha em destaque, apesar de esperada, é de Rand Paul, filho do candidato Ron Paul, que tem um enorme leque de seguidores e que ainda não declarou o seu apoio a Romney. Colocar Rand Paul no palco é um prémio à ala libertária do Partido, mas pode não chegar. Rand é um político diferente do pai, que tem tido o cuidado de não fugir muito das posições mainstream do partido. Mas este apoio não será o suficiente para captar o voto dos seguidores mais fervorosos de Ron Paul, que têm exigido um papel para o congressista do Texas na Convenção.

 

Colocar Ron Paul no palco de Tampa acarreta riscos, pois ele não é político para se submeter aos ditames do nomeado republicano. As Convenções são grandes espectáculos mediáticos, encenadas ao pormenores e destinadas a promover o candidato perante o povo americano. Para muitos eleitores, este é o primeiro momento em que olham para os candidatos com atenção e começam a definir o seu sentido de voto. Há quem pense dentro do Partido Republicano que colocar Paul em Tampa pode ser um desastre mediático, desviando as atenções da agenda de Romney. Ron Paul tem posições radicalmente diferentes de Romney em áreas como a política externa e alguns assuntos sociais, como a liberalização das drogas, e a sua visão libertária, apesar de ter conquistado influência dentro do GOP, é ainda ultraminoritária na sociedade americana. Em 1992 George H. Bush ofereceu um lugar na Convenção a Patrick Buchanan, seu adversário nas primárias, que proferiu um discurso polémico que terá sido prejudicial ao candidato republicano. A dúvida é se Romney irá querer arriscar: por um lado, se Paul tiver lugar na convenção, poderá ser uma surpresa positiva, se enfatizar apenas os temas em que concorda com Romney e declarar-lhe o seu apoio. Por outro lado, se não tiver estas garantias, é provável que Ron Paul fique fora da convenção. Mas atenção: com Rand Paul a posicionar-se no establishment republicano, não é de esperar nenhum movimento agressivo de Ron Paul perante Mitt Romney neste ciclo eleitoral, ao contrário de 2008, quando declarou o apoio a diversos candidatos radicais, da esquerda à direita.

 

No entanto, Mitt Romney tem outros problemas para a convenção. Ron Paul não é o único nome polémico. Há outros que certamente desejam um convite do nomeado republicano, nomeadamente Sarah Palin, Newt Gingrich, Donald Trump e Herman Cain. Qualquer um destes nomes tem o potencial de "estragar" os planos da equipa de Romney, pois são conhecidos pelos seus discursos explosivos. Não serão decisões fáceis para Romney. 


06
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:23link do post | comentar | ver comentários (9)

Segundo os media, Rob Portman, Tim Pawlenty, Bobby Jindal, Marco Rubio e Paul Ryan serão os mais fortes candidatos a serem escolhidos por Mitt Romney para Vice presidente, mas não ficarei surpreendido se a escolha recair num outro nome. O jornalista Mark Halperin, um dos tipos mais espertos da imprensa americana, escreve hoje sobre o que se vai passar nos próximos dias, nomeadamente sobre o que vai dominar a imprensa e as jogadas de bastidores. A ter em conta:

 

  • Romney’s advisers can manipulate the guessing game effortlessly, and they know it. Many political reporters trying to break the story will take any morsel and go with it.
  • Boston will almost certainly engage in some feints in order to build up suspense and throw the media off the scent.
  • Watch Drudge closely for both hints and feints.
  • Unless you have been directly involved in one of these, you can’t believe the number of calls and emails that will go from journalists to Romney campaign officials from now until the pick is made public, with pleas such as “My career will be hurt if I don’t break this,” “My career will be made if I break this,” and “I don’t need to break it, but please be available to confirm the story right away for me if someone else breaks it.”
  • We’ve never had a veepstakes like this, with so much new media and social media. That gives Boston fresh opportunities, and also presents new challenges for keeping the pick a secret.
  • Just because the Romney campaign announces some future scheduled events doesn’t mean they can’t cancel them.
  • One big variable: does Boston want to keep the identity of the selectee a secret until the morning of the announcement? If so, they have to be clever about moving bodies around — unless the pick is not someone the media is currently tracking/watching.
  • If Romney calls the runner-up short-listers to tell them they aren’t being picked, he will almost certainly not tell them whom he is picking.
  • Smart news organizations will track charter planes, the schedules and movements of the adult children of potential picks, hairdressers, and printers.
  • Given modern technology, the length and depth of preparation, and the ethos of the Obama campaign, Romney’s pick will be hit harder and faster than any selection ever.

publicado por Nuno Gouveia, às 10:47link do post | comentar

Começam a ser conhecidos os nomes dos oradores da Convenção Republicana de Tampa Bay, com vários nomes que fazem parte da nova geração de líderes do GOP. Sem surpresa, podemos incluir as governadoras da Carolina do Sul, Nikki Haley e do Novo México, Susana Martinez ou os também eleitos em 2010, os governadores John Kasich do Ohio, Rick Scott da Florida. John McCain, o nomeado de 2008, irá intervir no Tampa Bay Times, tal como o seu adversário Mike Huckabee. Condoleezza Rice, antiga Secretária de Estado, irá estrear-se numa convenção este ano. Estes nomes irão ocupar espaço no prime-time, notando-se a ausência neste primeiro leque de óbvios candidatos a VP: Tim Pawlenty, Paul Ryan, Bobby Jindal, Marco Rubio, Chris Christie, Kelly Ayotte, Rob Portman e Bob McDonnell. Especula-se que poderá ser ainda esta semana que Mitt Romney anuncie a sua escolha para VP.

 

 


03
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:26link do post | comentar | ver comentários (19)

 

O Politico, em colaboração com o Tampa bay Times e o The Charlotte Observer, lançou um espaço dedicado às duas convenções, que se realizam na última semana de Agosto (Republicana) e primeira semana de Setembro (Democrata). A RCN realiza-se em Tampa Bay, na Florida e a DNC em Charlotte, Carolina do Norte. Recordo a todos os interessados que estarei presente na Convenção Nacional Republicana, onde terei a oportunidade de publicar as minhas impressões sobre o evento, por aqui e pelo 31 da Armada.


01
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:04link do post | comentar | ver comentários (20)

Julian Castro: AP Photo/Pat Sullivan


Esta semana o nome de Julian Castro, mayor de San Antonio, no Texas, saiu do anonimato ao ser anunciado como Key Note Speaker da Convenção Nacional Democrata de Charlotte, que se realiza em Setembro. Com apenas 37 anos, este democrata formado em Stanford e Harvard, e descendente de mexicanos, é a grande aposta do seu partido para a convenção. Este discurso, se correr bem, poderá catapultar Castro para outros voos. Recordo que em 2004 ninguém conhecia o desconhecido Barack Hussein Obama quando foi convidado para John Kerry para proferir discurso idêntico na convenção. 

 

Ontem, Ted Cruz, descendente de cubanos e formado em Princeton e Harvard, venceu ontem no Texas a nomeação republicana para o Senado, o que na prática quer dizer que irá viajar para Washington em Janeiro do próximo ano para substituir Kay Bailey Hutchison no Senado americano. Solicitador-Geral entre 2003 e 2008, chegou também a fazer parte da Administração Bush, foi ganhou as primárias ao preferido pelo establishment estadual do GOP, mas obteve o apoio do Tea Party e das figuras mais proeminentes da ala conservador do Partido Republicano. Uma figura a ter em atenção no futuro.

 

A estes dois exemplos revelados esta semana junta-se Marco Rubio, o jovem senador da Florida que tem sido insistentemente apontado pelos media americanos como candidato a Vice Presidente de Mitt Romney; Susana Martinez, governadora republicana do Novo México e também ela tem constado na shortlist de Mitt Romney, Brian Sandoval, também ele eleito governador republicano do Nevada em 2008, Antonio Villaraigosa, mayor democrata de Los Angeles e provável futuro governador do estado. A ascensão de políticos hispânicos não surge por acaso: este é o grupo demográfico em maior crescimento no país e a sua influência na sociedade americana não vai parar de crescer nos próximos anos. Se os Estados Unidos elegeram pela primeira vez um afro-americano em 2010, não deverá estar muito longe a leição de um hispânico. Diria que, caso Obama seja reeleito, isso pode bem suceder já em 2016, com a provável candidatura de Marco Rubio. Destes nomes que referi, apenas Cruz nunca poderá candidatar-se ao cargo de Presidente, pois nasceu no Canadá, quando os seus pais estavam exilados de Cuba. 

 


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