24
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 02:02link do post | comentar

Estreia em Março, no canal americano HBO. 

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23
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:37link do post | comentar

 

Era inevitável. Depois da subida de Ron Paul nas sondagens no Iowa, a atenção mediática virou-se para ele. E por enquanto, ainda são poucos os adversários que o têm atacado. Mitt Romney simplesmente ignora-o (dá-lhe muito jeito esta subida de Paul), Rick Perry e Newt Gingrich têm dedicado mais tempo a Romney e apenas Bachmann e Santorum têm falado mais de Ron Paul. Mas os media começaram agora um escrutínio ao passado de Ron Paul, nomeadamente sobre umas infames newsletters racistas enviadas na década de 90 em nome do candidato libertário. O assunto não é novo, mas agora que Paul tem hipótese de vencer os caucuses do Iowa, é esperado que temas destes, bem como posições mais afastadas do mainstream sejam exploradas pelos media. E na verdade, como diz Charles Krauthammer neste comentário, Ron Paul não tem reagido bem a este escrutínio público. Durante uma entrevista na CNN com Gloria Borger, Paul cometeu o "pecado" de deixar a comentadora a falar sozinha. Mas esta questão será suficiente para o abater no Iowa? Com a máquina que tem no terreno, e com a divisão do eleitorado tradicional do Partido Republicano por vários candidatos, Paul pode mesmo conseguir vencer com pouco mais de 20 por cento. E aí sim, os ataques à sua campanha começariam a sério, vindos de todos os lados. Até lá, acredito que Paul irá conseguir sobreviver. 

 

Algumas notícias negativas para a campanha de Ron Paul:


In ad for newsletter, Ron Paul forecast "race war", Reuters;

TNR Exclusive: A Collection of Ron Paul’s Most Incendiary Newsletters, The New Republic;

The Company Ron Paul Keeps, Weekly Standard;

Mark Steyn on Ron Paul’s worldview: ‘Sheer stupid, half-witted parochialism, Daily Caller.


22
Dez 11
publicado por Alexandre Burmester, às 19:34link do post | comentar

 

Já ninguém decerto arrisca um prognóstico acerca de quem será finalmente o vencedor dos "Iowa caucuses" do Partido Republicano. Com efeito, depois de recentemente as sondagens terem vindo a dar a vantagem a, sucessivamente, Newt Gingrich e Ron Paul, eis senão quando aquele que menos favoritismo sempre angariou para esta corrida eleitoral, o antigo Governador do Massachusetts, Mitt Romney, surge numa sondagem da Rasmussen à frente das intenções de voto dos, pelos vistos, imprevisíveis eleitores daquele estado, o primeiro a realizar uma primária, no próximo dia 3 de Janeiro.

 

Com efeito, a Rasmussen dá a Romney 25% das intenções de voto, seguido de Paul com 20% e de Gingrich com 17%. Sem dúvida que esta reviravolta deve ter ficado a dever-se à autêntica barragem de propaganda anti-Gingrich a que recentemente se tem assistido, mas uma vitória de Romney naquele estado poderia ser um forte golpe psicológico nos seus opositores, até porque, logo a seguir, a 10 de Janeiro, decerto vencerá em New Hampshire.

 

Ao abrigo das novas regras que regem as primárias do G.O.P., só as efectuadas a partir de 1 de Abril outorgam ao vencedor todos os delegados do respectivo estado. Nas primárias efectuadas antes dessa data os delegados serão divididos entre os candidatos proporcionalmente ao seu número de votos. Estas regras não são completamente rígidas, pois os caucuses do Iowa, por exemplo, não são vinculativos em termos da selecção de delegados.

 

Seja como for, o efeito Iowa e New Hampshire, apesar de largamente psicológico (são dois pequenos estados) não é nem nunca foi despiciendo, especialmente o segundo. E uma vitória de Romney nos dois dar-lhe-á certamente um impulso importante. 

 

Em Janeiro votarão ainda a Carolina do Sul (a 21) e a Florida (a 31), estados, tal como o Iowa, em princípio mais favoráveis aos candidatos mais conservadores. Mas com o referido impulso, e seguindo o ditado de que "everybody likes to follow a winner", quem poderá nesta altura garantir que Romney não será pelo menos muito competitivo nestes dois estados?


publicado por Nuno Gouveia, às 19:33link do post | comentar

Admito que é sem surpresa que leio esta notícia. O Presidente George H. Bush declarou hoje o seu apoio formal a Mitt Romney. Não valerá (muitos) votos, mas volta a colocar na ordem do dia a inevitabilidade da nomeação de Romney. Com o leque de apoios que já recebeu (e ainda irá receber), será possível este Partido Republicano nomear outro candidato? Na política americana tudo é possível, mas... No final das primárias veremos se estou certo ou errado.


publicado por Alexandre Burmester, às 00:04link do post | comentar | ver comentários (4)

 

 

 

 

Como sabemos - ou presumo que se saiba deste lado da "poça" - a eleição presidencial americana não é uma eleição directa. De facto, trata-se de uma eleição indirecta, através de um colégio eleitoral onde o peso de cada estado da União, em termos demográficos, é tido em conta. Esta é mais uma das facetas onde a sabedoria constitucional americana é peculiar. Embora raramente isso se tenha verificado - a última vez em 2000, na vitória de George W. Bush sobre Al Gore - é possível um candidato vencer o voto popular e não vencer a eleição presidencial, isto porque o sistema eleitoral americano procura preservar os direitos dos estados sobre o todo federal.

 

Vem isto a propósito das contas que a campanha do Presidente Obama tem de fazer para garantir a maioria de votos - 270 - no Colégio Eleitoral.

 

E a coisa não se apresenta fácil, independentemente das sondagens a nível nacional que apontam para uma derrota de Obama contra um republicano "genérico", e lhe dão vitórias mais ou menos "suadas" contra os mais proeminentes candidatos republicanos.

 

Independentemente da característica americana , porventura herdada dos seus avós britânicos, de que só se muda se for garantidamente para melhor, a verdade é que os estados cruciais para a eleição de 2012 - os chamados "battleground states" - pendem neste momento claramente para os republicanos. Em 2008 Obama triunfou sobre John McCain com uma vantagem de 365 contra 173 votos no Colégio Eleitoral. Nesta altura da corrida, qualquer prognosticador moderadamente prudente aventaria uma vitória do candidato republicano nos seguintes estados ganhos por Obama em 2008 (entre parêntesis o número de votos de cada um desses estados no referido Colégio Eleitoral): Nevada (5), Iowa (7), Indiana (11), Ohio(20), Florida (27), New Hampshire (4), Virginia (13) e Carolina do Norte (15). A confirmar-se, isto traria o total eleitoral de Obama para os 263 votos e, consequentemente, o do seu rival republicano para os 275, ou seja, uma vitória republicana. E nem sequer estou aqui a incluír outros estados que Obama venceu em 2008 e onde poderá ter muitas dificuldades em 2012, tais como Colorado (9), Pensilvânia (21), Minnesota (10) e Wisconsn (10). Diga-se desde já que uma vitória republicana na Pensilvânia significará a conquista da Casa Branca sem mais rodeios.

 

Mas, para além da aritmética eleitoral, há a questão das minorias e dos grupos etários mais jovens, de há muito entre os principais suportes do Partido Democrático. Se Obama pode contar em 2012 com a tradicional votação maciça dos negros no candidato democrático, o mesmo já se afigura mais difícil, em comparação com 2008, com o maior grupo entre as minorias, os chamados "hispânicos", pois convém não esquecer que George W. Bush, na sua reeleição em 2004, conseguiu nesse grupo um score superior a 40%, e que um resultado semelhante do candidato republicano em 2012 muito provavelmente significaria uma derrota de Obama, tendo em atenção, especialmente, o peso desse eleitorado em "battlegrounds" como Nevada, Colorado e New Mexico (este último nem sequer incluído nas contas que acima fiz). Temos ainda o sector dos "eleitores jovens" (entre os 18 e os 29 anos), também um dos pilares da eleição de Obama em 2008. Pois bem, neste momento, nesse segmento do eleitorado, a popularidade do Presidente está abaixo dos 50%.

 

Atendendo às previsões económicas e às opiniões dos vários segmentos do eleitorado, nesta altura do "campeonato", ou seja, a pouco mais de 10 meses das eleições, eu diria que o mais provável é Obama ser derrotado em Novembro de 2012. Mas claro que há sempre imponderáveis - como, especialmente, os de política externa, não mencionando as famigeradas "October Surprises" - que podem alterar estas perspectivas. Isto sem falar, claro, de quem será o seu opositor - um homem de carne e osso como ele, e não um "republicano genérico".

 

 

Nota: Utilizei os números do Colégio Eleitoral de 2008; entretanto houve um recenseamento que poderá ter alterado o peso relativo dos estados por mim mencionados, embora, penso, sem impacto significativo nos meus cálculos acima descritos.

 

 

 


21
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:42link do post | comentar | ver comentários (5)

Um europeu dificilmente compreende este aproveitamento das esposas numa campanha eleitoral. Mas nos Estados Unidos, é culturalmente e socialmente relevante esta participação política. E quando falamos numa campanha presidencial, as esposas ganham uma importância ainda maior. Esta semana foram lançados três anúncios nas televisões do Iowa de Mitt Romney, Rick Perry e Newt Gingrich com as suas esposas. As senhoras Romney e Perry aparecem sozinhas, enquanto Callista Gingrich aparece junto ao seu marido. Quem vencerá a batalha das esposas?

 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 19:02link do post | comentar

O estado da corrida no Iowa, analisado por Charles Krauthammer, A.B. Stoddard e Stephen Hayes.


20
Dez 11
publicado por José Gomes André, às 12:55link do post | comentar

Na boa companhia de Márcia Rodrigues e Vítor Gonçalves, estive no programa da RTP "Olhar o Mundo", onde se abordou sinteticamente a "popularidade" de Obama e o estado da campanha Republicana. O vídeo da emissão aqui.


19
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:31link do post | comentar

 

Sem surpresa para mim, Newt Gingrich tem vindo a cair abruptamente nas sondagens. Não sendo nada de novo nestas primárias (antes Bachmann, Perry e Cain também sofreram do mesmo mal), é indicativo de duas características importantes destas primárias: a base republicana não é grande adepta do presumível nomeado - Mitt Romney - e o leque de candidatos é fraco.

 

Parece ser uma evidência que desde o inicio que Mitt Romney nunca granjeou grande apoio dentro do Partido Republicano. Numa primeira fase assistimos ao establishment do partido a procurar uma alternativa credível a Romney. Daí as potenciais candidaturas de Mitch Daniels, Harley Barbour, Paul Ryan ou Chris Christie, por exemplo. Falhadas essas tentativas de sectores poderosos do GOP, o establishment tem vindo a juntar-se ao lado de Romney, como a melhor alternativa para derrotar Barack Obama. Mas a base eleitoral ainda não está convencida. E por isso temos vindo a assistir a este desfilar de subidas e descidas de alguns candidatos ao estatuto de líder nas sondagens. E aí entra a segunda característica destas primárias: a maioria dos candidatos apresenta grandes debilidades, que não resistem ao escrutínio rigoroso que todos os líderes das sondagens sofrem nos media. E é isso que está a suceder a Newt Gingrich, o que era algo expectável dado o seu longo passado político. Neste momento é Ron Paul que parece ter algum momentum nos dois primeiros estados a ir a votos: Iowa e New Hampshire. Por enquanto, a máquina republicana tem deixado passar esta subida de Ron Paul. Até porque ajuda imenso Mitt Romney, o seu preferido. Mas se alguma vez Ron Paul emergir como um perigo, facilmente será abatido. Das suas posições de política externa extremamente impopulares para a maioria da base conservadora até a umas misteriosas newsletters racistas da década de 90 publicadas em seu nome, tudo irá servir para o derrubar eleitoralmente. Para se vencer umas primárias, republicanas ou democratas, é preciso ter capacidade para ultrapassar os violentos ataques que surgem numa campanha desta natureza. E poucos são os que o conseguem. Jon Huntsman poderia ter emergido como alternativa a Romney. Mas ao colocar-se na corrida pela esquerda de Romney, ele que até tem um currículo conservador no Utah, estragou essas hipóteses. E Tim Pawlenty? Onde estaria ele nesta altura, que não apresentava as debilidades de Gingrich, Perry, Bachmann ou Cain? Uma lição para o futuro: não desistir até os votos começarem. 


publicado por Nuno Gouveia, às 17:01link do post | comentar

Na era da Internet, a televisão continua a ser o principal custo de uma campanha política americana. Recordo que em 2008 Obama angariou muito dinheiro na Internet, mas os principais beneficiados desses investimentos foram os meios de comunicação social tradicionais. Este ano o cenário não mudou muito. Chuck Todd, jornalista da NBC, dá conta do valor dos investimentos para esta semana só no Iowa, o principal local de combate nas próximas duas semanas. Mitt Romney lidera, sem surpresas, com perto de 1 milhão de dólares combinados entre a sua campanha e a Super Pac que o apoia, enquanto Rick Perry investiu mais de 600 mil dólares. Mais atrás surgem Rick Santorum com 100 mil dólares, Ron Paul com 63 mil e Newt Gingrich com apenas 21 mil dólares. 

 

Uma dúvida que tenho é se estes valores avultados que se investem em anúncios televisivos continuam a ter a mesma eficácia na era da Internet do que tinham na era televisiva. Em 2008, Barack Obama teve muito mais dinheiro ao seu dispôr do que os seus adversários (Clinton e McCain), e de facto, segundo as leituras que fiz, isso deu-lhe alguma vantagem em certos swing states. Mas olhando para estes valores, será que Romney e Perry, ao investirem tanto dinheiro, irão transformar a vantagem financeira em votos nos caucuses? Recordo que há quatro anos, um Mike Huckabee, que praticamente não investiu financeiramente no Iowa, derrotou Mitt Romney, que nesse ciclo eleitoral apostou tudo no Iowa, inclusive 10 milhões de dólares. 

 

PS: Entretanto, mais um republicano junta-se à campanha de Mitt Romney. O senador Mark Kirk, do Illinois, irá declarar hoje o seu apoio ao antigo governador do Massachusetts, e cada vez mais favorito a vencer a nomeação republicana. 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 14:33link do post | comentar | ver comentários (1)

Quando a série estreou, logo antevi que estavamos perante um caso sério. Mas passado os oito primeiros episódios da primeira temporada, devo confessar que a série conseguiu ultrapassar as minhas já excelentes expectativas. Não por acaso encontro dois dos melhores especialistas portugueses em comunicação política apaixonados pela série. Compreendo-os bem. E venha rapidamente a segunda temporada. 


18
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:19link do post | comentar

 

Mitt Romney recebeu ontem mais uma importante notícia vinda do maior jornal do estado do Iowa: o endorsement do Des Moines Register. Numa bela tradição americana, o jornal explica em editorial as razões do seu apoio a Romney, em detrimento dos outros candidatos. Mas quer isto dizer que Romney fica com uma vantagem para vencer os caucuses? Nem sempre. Apesar de lhe dar uma imensa publicidade positiva nos media americanos durante este fim de semana (o endorsement do DMR é noticiado por todo o lado), a história indica-nos que nas três últimas eleições não acertarem em nenhum vencedor. Será este ano diferente?

 

Outra nota. No mesmo jornal, ontem foi publicado um anúncio de Bon Dole a declarar o seu apoio a Mitt Romney na corrida presidencial. Dole, o candidato derrotado por Bill Clinton na sua campanha de reeleição, venceu duas vezes os caucuses do Iowa (1988 e 1996).


16
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:14link do post | comentar

 

Ainda recentemente referi aqui uma lista de dez políticos que podem fazer a diferença nestas primárias. E como suspeite na altura, as peças começaram a cair para o lado de Romney. Esta manhã, Nikki Haley, a governadora republicana da Carolina do Sul, declarou o seu apoio a Mitt Romney. Apesar de já ter tido melhores dias em termos de popularidade, Haley será um reforço importante para as primárias que se vão realizar no dia 21 de Janeiro, após o Iowa e New Hampshire. Desde 1980 que o vencedor desta eleição tem sido o nomeado republicano. Neste momento é Newt Gingrich que lidera as sondagens no estado, mas estas terão nesta fase pouco signifcado. Tudo poderá mudar depois do Iowa e New Hampshire. Em 2008 Mitt Romney ficou em quarto lugar, atrás de Fred Thompson, Mike Huckabee e John McCain. 


publicado por Nuno Gouveia, às 08:20link do post | comentar

O jornal conservador Washington Examiner declarou ontem o apoio formal a Mitt Romney na corrida à nomeação republicana. E o editorial de apoio começou logo por invocar William F. Buckley, um dos país do conservadorismo americano moderno.  "Support the most conservative candidate who is electable". Suspeito que nos próximos tempos vamos ouvir muito falar desta "lei". 


15
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:54link do post | comentar | ver comentários (16)

 

A poucos meses de completar nove anos do inicio do guerra do Iraque, os Estados Unidos dão finalmente por terminada a intervenção militar mais polémica desde o Vietnam. Foi um conflito com altos e baixos para os interesses americanos, e nesta hora de retirada é ainda difícil afirmar a forma como esta será avaliada pela história. Esta foi uma guerra extremamente difícil e com um elevado custo para os americanos. Mais quatro mil e quinhentos mortos, cerca de 30 mil feridos e 800 mil milhões de dólares depois, as tropas regressam finalmente a casa. Não entrando na discussão sobre os méritos ou deméritos desta operação, é hoje possível identificar vários erros cometidos nos primeiros anos da guerra, nomeadamente durante o consulado de Paul Bremer (nestes livros encontramos uma descrição fidedigna desses anos conturbados), e verificar que tudo poderia ter sido diferente. Os americanos abandonam Bagdad ainda sem uma democracia consolidada, a paz interna continua presa por arames e nem tudo está bem no país. No entanto, Barack Obama honrou o plano de retirada delineado ainda pela Administração Bush e conta aqui com uma promessa cumprida para apresentar ao povo americano. Ele, que se opôs à surge liderada por David Petraeus, acaba por ser o maior beneficiado, politicamente falando, desse volte face que permitiu aos americanos sair com dignidade do Iraque. Resta saber se Obama terá cometido um erro ao não forçar perante o governo iraquiano a presença militar durante mais algum tempo. Mas isso só o tempo o dirá. 


publicado por Nuno Gouveia, às 19:49link do post | comentar

 

Realiza-se esta noite o último debate antes dos caucuses do Iowa. Numa altura em que já se nota uma ligeira queda de Newt Gingrich em algumas sondagens, esta é a ultima oportunidade para os candidatos marcarem a agenda antes das eleições. Na guerra contra Newt, é esperado que os candidatos centrem os seus ataques nele. A excepção deverá ser Jon Huntsman, que ao contrário do último debate de sábado, também realizado no Iowa, desta vez irá participar e estará mais vigilante em relação a Mitt Romney. O debate é transmitido pela Fox News às 02h00 (de Lisboa). 


13
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:02link do post | comentar | ver comentários (2)

Ron Paul, ao contrário de há quatro anos, está a fazer uma excelente campanha e montou duas operações no terreno que lhe podem dar frutos: no Iowa e New Hamsphire. E por isso, sobretudo no primeiro estado, pode fazer a diferença nesta campanha. Ao contrário de Newt Gingrich, que não tem uma grande máquina no Iowa, Paul tem um fiel leque de seguidores no terreno que lhe podem ser importantes no dia dos caucuses. Apesar da vantagem de Newt nas sondagens no estado, é provável que até 3 de Janeiro ainda caia nas sondagens. Além disso, normalmente ganha os caucuses quem tem a campanha mais organizada e com maior capacidade de mobilização. E neste momento, há dois candidatos organizados no Iowa: Ron Paul e Mitt Romney. Além disso, Michele Bachmann, Rick Santorum e Rick Perry, que estão a dar tudo no estado, também podem ajudar a roubar votos a Gingrich, que apenas recentemente começou a colocar recursos no estado. E por isso Ron Paul, que neste momento está em segundo lugar nas sondagens, pode alcançar uma surpresa e vencer no Iowa. E se Mitt Romney conseguir um segundo ou terceiro lugar, partirá com larga vantagem sobre Newt Gingrich para o New Hampshire, onde ainda lidera com alguma vantagem. 

 

O Carlos discorda aqui do favoritismo que ainda atribuo a Mitt Romney. Este post é precisamente sobre isso. Neste momento não dou grande valor às sondagens nacionais, porque tudo irá mudar a partir do momento em que os resultados começarem a surgir. E recordo que desde 1976 que nenhum candidato republicano vence as duas primeiras eleições. Mesmo que Gingrich vença no Iowa, é provável a sua derrota no New Hampshire, passando o momentum para o lado de Mitt Romney. Além do mais, Newt não tem máquina eleitoral nem dinheiro para competir com Mitt Romney numa longa campanha, como se está a prever. E acredito que estas próximas semanas serão terríveis, com o establishment republicano a massacrar Newt Gingrich publicamente. Depois da sua passagem tumultuosa por Washington na década de 90, e com o desejo que os republicanos têm de derrotar Barack Obama, os sectores mais poderosos do partido tudo irão fazer para derrotar Newt. Posso estar enganado, mas o dinheiro, os apoios e a máquina de campanha ainda acabarão por desequilibrar a corrida para o lado de Romney. E atenção aos endorsements das próximas semanas. 


12
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:41link do post | comentar

 

O actual líder da corrida à nomeação republicana está a deixar Washington num estado de nervos. A quatro semanas dos caucuses do Iowa, Newt lidera todas as sondagens no estado do Midwest e o tempo é cada vez menor para o abater. Os democratas alegram-se com a possibilidade de enfrentar uma velha cara dos anos 90, enquanto os republicanos assustam-se com a possibilidade de o ter como nomeado do seu partido. Na verdade, Newt Gingrich conseguiu o incrível de estar a concorrer pela plataforma conservadora e populista do partido, explorando o forte sentimento anti-Washington na base conservadora, apresentando-se neste momento como o candidato outsider do sistema político. Mas como é que um político que chegou à Câmara dos Representantes em 1979, tendo estado durante vinte anos como representante do sexto distrito da Geórgia, Speaker durante quatro anos, e tendo sido na última década representante de diversas empresas, nomeadamente da entretanto caída em desgraça Freddie Mac, conselheiro da Administração Bush e ainda autor de diversas campanhas nacionais ao lado de figuras como Nancy Pelosi ou Al Sharpton? Isto só é possível com uma conjugação de factores, uns por responsabilidade de Newt, mas principalmente devido ao ambiente que se vive no movimento conservador americano. 

 

Desde que anunciou a sua candidatura, na Primavera passada, Newt tem vindo a posicionar-se como o candidato das ideias conservadoras. O intelectual na corrida. Tendo escrito diversos livros nas últimas décadas, Newt é um profundo conhecedor da história americana. E percebeu que em tempos de crise, uma figura carismática como ele poderia granjear apoio no eleitorado republicano. Não se deixou abater quando em Junho a sua campanha desabou, com os seus assessores a demitirem-se em bloco, e continuou a participar nos debates da melhor maneira que sabe: com substância e conhecimento dos dossiers. Com algumas tiradas bombásticas (um dos seus maiores defeitos), foi ganhando simpatia de alguns conservadores desavindos com o leque de candidatos, e conseguiu posicionar-se como o intelectual na corrida. Algo que muitos dos seus adversários contestam. Não teve receio de enfrentar de frente as suas posições do passado mais controversas, e foi mantendo-se à margem dos diferentes despiques que foram surgindo entre os seus colegas republicanos. Sem máquina de campanha nem dinheiro, Newt ascendeu à liderança das sondagens depois da queda abrupta de Herman Cain. 

 

E aqui reside talvez a verdadeira razão do sucesso (até ver) de Newt. Com um leque de candidatos fraco, desde o inicio se desenhou que alguém teria de assumir a bandeira anti-Romney, o favorito à nomeação do establishment republicano. E os eleitores foram testando outras hipóteses. Primeiro Michele Bachmann, depois Rick Perry e finalmente Herman Cain. Mas nenhum destes candidatos se mostrou capaz. Um atrás do outro foram sucumbindo à pressão de uma campanha exigente, e rapidamente se percebeu que não tinham condições para enfrentar Barack Obama. E, testados todos os possíveis nomes, restou Newt Gingrich, que se mantinha no mesmo sitio desde o inicio da campanha. Foi infiel no seu casamento? Trabalhou como lobista da Freddie Mac? Andou em campanhas nacionais com Nancy Pelosi a favor do aquecimento global? Ou a favor de uma reforma na educação com Al Sharpton? Recentemente entrou em conflito com a jovem estrela republicana Paul Ryan por causa da reforma da segurança social? Neste momento tudo isso parece não interessar, pois o seu nome não é Mitt Romney, o moderado na luta pela nomeação (isto porque Jon Hutnsman parece não ter hipótese). 

 

Continuo a acreditar que Mitt Romney continua a ser o mais provável nomeado, e no final, o dinheiro, os apoios e a elegibilidade acabarão por fazer a diferença. Mas as coisas já estiveram bem mais fáceis para ele. Até porque Newt Gingrich não é nenhum Herman Cain ou Rick Perry. Tem qualidades políticas inatas e sabe do que fala. Mesmo quando exagera. 


09
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:47link do post | comentar

A Super Pac* de apoio a Mitt Romney lançou um violento anúncio contra Newt Gingrich que irá ser transmitido nas televisões do Iowa. Um pequeno exemplo do que vai acontecer nos próximos 25 dias (já estamos perto do caucus do Iowa), com Gingrich a ser bombardeado por todos os lados, agora que é líder nas sondagens. A equipa de Romney terá demorado demasiado tempo a reagir ao crescimento de Gingrich. Veremos se ainda vão a tempo de o derrubar. 

 

*Super Pac são organizações que podem ser criadas para apoiar campanhas políticas que podem receber contribuições ilimitadas e não são obrigadas a anunciar publicamente o nome dos financiadores. Vão ser uma das imagens de marca das próximas eleições.


08
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:33link do post | comentar

 

Os Estados Unidos têm muitos defeitos. Como qualquer país. E o seu sistema de justiça também não é perfeito. Longe disso. Mas há um aspecto em que a justiça americana é um exemplo para todo o mundo: seja rico ou pobre, poderoso ou não, o longo braço da justiça chega a todos. Leio no Público que o antigo governador do Illinois, um dos maiores estados da União, foi condenado a 14 anos de prisão. Rod Blagojevich, que foi o político mais poderoso deste estado do Midwest durante seis anos, tendo mesmo sido importante na ascensão de Barack Obama na política nacional, foi apanhado numa série de escândalos de corrupção e punido por isso. Ao contrário de Portugal, onde a posição, o estatuto ou amigos são muito importantes, para Blagojevich o cargo que ocupava ou os amigos poderosos que tinha no Partido Democrata não lhe valeram de nada. Primeiro foi afastado do cargo de governador, depois levado a tribunal e por fim condenado. E não se pense que este é um caso único. Na última década, vários políticos influentes, incluindo o antigo Speaker republicano Tom DeLay, foram julgados e condenados por corrupção. Em Portugal ainda se anda a tentar prender um político que já foi condenado a pena de prisão efectiva. 

 

Publicado originalmente no Cachimbo de Magritte

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