17
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:26link do post | comentar | ver comentários (1)

Adriano Cesar Gomes, do Gazeta do Povo, o maior jornal do Paraná e com sede em Curitiba, entrevistou-me para uma reportagem sobre os trágicos acontecimentos de Tucson, Arizona. Deixo aqui o link para o pdf, para quem tiver interesse. Em alternativa, podem ler aqui e aqui.

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publicado por José Gomes André, às 02:53link do post | comentar | ver comentários (1)

Prestes a comemorar dois anos de mandato, o Presidente parece estar a conhecer uma ligeira subida na "aprovação popular", segundo as sondagens. Embora as alterações sejam pouco expressivas, o facto de várias empresas registarem em simultâneo uma subida daquela "aprovação" merece relevo. Esta melhoria é particularmente visível nos estudos da Gallup, cujo último registo apresenta uma taxa de aprovação de 49% (42% de desaprovação), o melhor valor para Obama desde Maio de 2010.

 

A que se deve esta "recuperação"? É impossível tirar conclusões seguras (até porque não sabemos se estamos perante uma nova tendência ou uma mera circunstância). De qualquer forma, atrevo-me a dizer que, se estes valores positivos se mantiverem, eles resultam de um conjunto alargado de factores, dos quais se destacam:

 

- os feitos alcançados pelo Congresso nos dois últimos meses, nomeadamente a aprovação do Tratado START com a Rússia e a revogação da premissa "don't ask, don't tell" (sobre a presença dos homossexuais no exército);

- os sinais de ligeira recuperação económica nos EUA e o aumento dos índices de confiança do consumidor;

- uma curiosa tendência própria da cultura política e social norte-americana: quando um evento particularmente traumático atinge o país, a nação une-se em torno dos seus líderes (é certo que as referidas sondagens ainda não contabilizam os potenciais efeitos do discurso de Obama em Tucson, mas os eventos aí ocorridos serão por si só suficientes para produzirem aquela interessante consequência).

 


15
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 13:02link do post | comentar

 

Reince Priebus, o até agora desconhecido responsável do GOP no Wisconsin, foi ontem eleito Chairman do Republican National Committee, derrotando, entre outros, Michael Steele. Priebus tem no seu currículo as grandes vitórias obtidas pelo Partido Republicano neste último ciclo eleitoral, ganhando vários lugares na Câmara dos Representantes, o governo estadual e ainda o lugar do histórico senador democrata, Russ Feingold. Isto num estado que nos últimos anos se tinha deslocado para o lado democrata. Devo dizer que o cargo não representa muito na balança de poder da política americana, mas não deixa de ser uma plataforma importante para a organização e angariação de fundos dos partidos. Até ontem não conhecia Priebus, mas ainda durante o dia recebi uma notificação via email que Dick Morris o estava a apoiar, e na altura pensei: deve ser este o sucessor de Steele. Acertei.

 

Uma palavra para Steele. O anterior chairman já era um político bastante conhecido antes de chegar ao RNC. Apesar do sucesso do partido eleitoral do seu mandato, nunca conseguiu agarrar o partido, especialmente naquilo que o RNC é importante: na capacidade de angariar dinheiro para os candidatos. Envolvido em alguns episódios menos dignos, a sua derrota já era esperada. Resta saber se volta a candidatar-se a um cargo público no seu Estado, Maryland, um território nada fácil para republicanos.


14
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 10:31link do post | comentar | ver comentários (4)

Herman Cain, antigo CEO da Godfather's Pizza, é o primeiro republicano a anunciar a intenção de concorrer à nomeação presidencial de 2012. Apesar de ser desconhecido do grande público, Cain fez furor no ano passado no movimento tea party. As suas hipóteses são diminutas, mas não deixará de animar a corrida e granjear apoio dentro dos sectores mais conservadores do GOP.


13
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:12link do post | comentar | ver comentários (6)

Na cerimónia de homenagem às vitimas do ataque de Tucson, Barack Obama regressou ao seu estilo da campanha presidencial de 2008. Criticando aqueles que tentam retirar "dividendos políticos" desta tragédia, o Presidente fez um apelo a união do povo americano. Este discurso contrasta com o de Palin no mesmo dia e oferece uma pequena ideia do que seria um confronto entre os dois: um desastre para o Partido Republicano.

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publicado por Nuno Gouveia, às 11:45link do post | comentar

Rudy Giuliani esteve em Portugal esta semana e deu uma entrevista ao Diário Económico, onde avança que está a pensar em candidatar-se a Presidente em 2012. Penso que será a primeira vez que assume esta pretensão de forma tão clara. De resto, uma boa entrevista, dividida entre assuntos nacionais e americanos. (retirada do União de Facto)


12
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:04link do post | comentar | ver comentários (5)

Entrevista com um amigo do assassino, que não deixa margem para dúvidas sobre quem é Jared Lee. "He did not watch TV. He disliked the news. He didn't listen to political radio. He didn't take sides. He wasn't on the left, he wasn't on the right."



publicado por Nuno Gouveia, às 22:55link do post | comentar | ver comentários (2)

Depois de vários dias a ver o seu nome atirado para a lama por uma parte da esquerda americana, Sarah Palin decidiu falar sobre o massacre de Tucson. E a resposta está, como tudo que Palin faz, a gerar bastante polémica. Não me parecendo que tenha cometido algum erro grave neste vídeo, Palin esteve ao seu estilo: agressiva e provocatória em relação aos seus adversários. Talvez não tenha sido um passo muito inteligente. Mas uma coisa é verdade: tudo que Palin faz recebe uma resposta negativa dos media.


publicado por Nuno Gouveia, às 13:00link do post | comentar | ver comentários (4)

 

Numa época em que tanto se tem falado da agressividade nas relações entre políticos, uma história de civilidade. São famosas as cartas que os Presidentes deixam para os seus sucessores na Sala Oval. Mas o seu conteúdo nunca é revelado ao grande público. George Stephanopoulos Tapper revela aqui a carta que George H. Bush deixou para Bill Clinton quando abandonou a Casa Branca. Mesmo depois de uma campanha bastante agressiva entre ambos, o Presidente Bush deixou esta mensagem:

 

January 20, 1993
Dear Bill,
When I walked into this office just now I felt the same sense of wonder and respect that I felt four years ago. I know you will feel that too.
I wish you great happiness here. I never felt the loneliness some Presidents have described.
There will be very tough times, made even more difficult by criticism you may not think is fair. I’m not a very good one to give advice; but just don’t let the critics discourage you or push you off course.
You will be our President when you read this note. I wish you well. I wish your family well.
Your success now is our country’s success. I am rooting hard for you.
Good luck –
George



11
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:30link do post | comentar | ver comentários (6)

Excelente artigo de Josh Kraushaar, do National Journal, sobre a reacção dos políticos e dos media ao massacre de Tucson. Um os melhores que já li até ao momento. Só agora o li, mas o cronista desenvolve algumas coisas que escrevi no post anterior. E de facto só posso concordar com ele: os políticos reagiram muito bem a esta tragédia e os media não. Que sirva de lição para o futuro.

 

Algumas passagens do artigo:

 

Ironically, even as politicians have been scrutinized for overheated rhetoric, it's the political class that reflected the country's mood best in the aftermath of this weekend's senseless shootings. From President Obama's pitch-perfect speech to the nation, to House Speaker John Boehner and Minority Leader Nancy Pelosi working together to reassure members and staff, there was little hint of the blame game that fueled much of the media's coverage.

 

It’s becoming increasingly clear that overheated political vitriol played virtually no role in Jared Lee Loughner’s shooting spree. His political thinking is hardly coherent, and his obsession with Giffords predated the tea party and Sarah Palin’s emergence in national politics. One of his few close friends told Mother Jones that he became fixated on the congresswoman when he asked her a question at a 2007 town hall about "the government having no meaning" and felt she didn’t answer. His killing spree wasn’t motivated by disagreement with her positions on health care or immigration.

 

Violent metaphors are all over our culture, in politics and outside of it, and that won’t be changing anytime soon. The political lexicon is awash in gun metaphors -- from campaign committee lists of top “targets” to political “showdowns” to “battleground districts” to challengers “playing defense,” just to name a few. If this were a crime, the political media would be as guilty as anyone.



publicado por Nuno Gouveia, às 15:03link do post | comentar | ver comentários (5)

A última década tem sido de uma agressividade inacreditável na política americana. Primeiro nos anos Bush, agora com Obama, o discurso das oposições tem sido de uma violência exagerada em alguns sectores radicais. Basta olhar para os cartazes das manifestações da última década, primeiro contra Bush e recentemente contra Obama, para verificar isto. Outra das características da política americana, esta bem mais antiga, é a utilização de linguagem de guerra. "War Room" era como o circulo restrito de Bill Clinton se identificava. "Targeting" é uma denominação que muitos consultores utilizam há décadas. Obama ainda recentemente utilizou este tipo de linguagem "If they bring a knife to the fight, we bring a a gun". Que isso leva a actos criminosos como o de Tucson? Não. Se na parte sobre a violência verbal, parece-me aconselhável e até desejável que se modere a linguagem, não vejo problemas na utilização de metafóras de guerra, que fazem parte da retórica política. Já agora, de onde virá a palavra "campanha"?

 

Um dos aspectos que mais me impressionou nesta tragédia, obviamente além da mortandade e do atentado contra a democracia americana, foi a reacção de alguns sectores mais à esquerda. Estava no Twitter quando se soube do ataque à congressista Giffords. E logo após o crime, enquanto a maioria dos americanos que sigo pedia orações* pelas vitimas, começaram a surgir ataques raivosos contra o tea party e as vozes mais populistas do movimento. Apesar de não saberem nada sobre o assassino e se este tinha alguma relação com o tea party (como hoje é quase certo que não tem), iniciaram o jogo da culpa sobre os adversários políticos sem se questionarem um minuto a pensar no que realmente tinha sucedido. O popular blogue de esquerda, o Daily Kos, que dois dias antes tinha publicado um post com um título do género, (For me Congresswoman Gabrielle Giffords is DEAD), por esta ter votado contra Nancy Pelosi como Speaker este mês, liderou a ofensiva contra a violência verbal do tea party e Sarah Palin. Chegou-se mesmo a dizer que Palin tinha as mãos manchadas de sangue, uma expressão injusta e desadequada ao momento. Todas as informações já conhecidas apontam para que Jared Lee tenha actuado sobretudo devido às suas condições mentais instáveis. Um ateu, registado como eleitor independente que nem sequer votou em 2010, fã de Karl Marx e Adolf Hitler e que glorifica a queima da bandeira americana, não se enquadra em nenhum perfil político definido, muito menos na direita conservadora do tea party.

 

Que esta tragédia sirva para ataques políticos é lamentável. Que se discuta o nível de civilidade no debate político, essa é outra questão e que deve e pode ser discutida. Como não gostava de ver nas ruas americanas a comparação entre Bush e Hitler ou a pedirem o assassinato do Presidente, também não gosto de ver agora Obama a ser comparado com Hitler ou a agenda democrata a ser considerada equivalente ao nazismo ou ao comunismo. Simplesmente não este tipo de argumentação não tem lógica. E os líderes de ambos os partidos têm o dever de desligarem-se deste tipo de provocações. O que nem sempre tem sucedido.

 

* Deu para ver que os americanos são de facto uma nação de fé. Desde a esquerda à direita, quase todos os americanos que sigo (jornalistas, políticos, consultores de comunicação, académicos e bloggers) diziam que era necessário "rezar" pelas vítimas.


publicado por Nuno Gouveia, às 09:15link do post | comentar

Jonathan Ernst/ Reuters


10
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:28link do post | comentar | ver comentários (12)

Os últimos dias têm sido pródigos em análises estapafúrdias sobre o trágico acontecimento de Tucson. Antes mesmo de se saber quem é Jared Lee Loughner e o que o terá levado a cometer este acto bárbaro, um ataque contra a democracia americana, leu-se coisas verdadeiramente absurdas, com alguns a tentarem retirar dividendos políticos desta tragédia. Quem é o lunático? Bem, não é fácil responder a esta pergunta, mas para perceber melhor aconselho a leitura deste artigo do Mother Jones e este do Wall Street Journal. Voltarei a este assunto mais tarde.


publicado por Nuno Gouveia, às 00:31link do post | comentar

George Will, Donna Brazile, George Stephanopoulos e Dick Armey sobre a tragédia de Tucson.


09
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 01:14link do post | comentar

Hoje um lunático atacou uma sessão pública da congressista democrata Gabrielle Giffords em Tucson, Arizona. No ataque morreram várias pessoas, entre elas uma criança de nove anos e um juiz federal nomeado por George W. Bush. A congressista foi operada esta tarde e os médicos mostraram-se optimistas em relação à sua recuperação.


05
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:08link do post | comentar


publicado por José Gomes André, às 01:19link do post | comentar | ver comentários (4)

 

... obter a nomeação Republicana em 2012 são muitas, escreve Nate Silver. Dos vários factores que lhe podem ser favoráveis, destaco dois. Por um lado, o facto de as Primárias mobilizarem sobretudo as bases partidárias, os indefectíveis. E esses, no Partido Republicano, tendem a ser cada vez mais próximos de uma ala conservadora que se revê em Palin. Por outro lado, e ao contrário do que se possa pensar, Palin vai ter os media ao seu lado (pelo menos durante as Primárias). Goste-se ou não, Sarah Palin tem um apelo mediático colossal e um possível confronto com Obama - outro autêntico "icon pop" - seria ouro sobre azul para a comunicação social, permitindo um duelo com proporções "emocionais" e "mediáticas" quase épicas.

 

O que tem contra si? Para além da falta de talento político e intelectual (propriedades que valorizo, mas que estão fora de moda), julgo que o principal problema de Sarah Palin é mesmo o calendário eleitoral. No Iowa, onde tudo começa, Huckabee parte como favorito (venceu aí em 2008). Segue-se o New Hampshire, que em princípio terá uma Primária aberta (ou seja, na qual Democratas e independentes podem votar) e onde tradicionalmente ganham moderados (como McCain). E depois temos o caucus do Nevada, que Romney limpou em 2008 (51% dos votos, metade dos quais de mórmones). Mesmo que ganhe na Carolina do Sul (e cuidado com Huckabee), Palin arrisca-se a chegar a Março completamente encostada às cordas...

 


04
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:11link do post | comentar | ver comentários (1)

Os republicanos passam a partir deste mês a partilhar o poder em Washington. John Boehner já traçou o primeiro voto do ano: a revogação da lei da saúde está agendada para dia 12 de Janeiro. Não duvidando do sucesso imediato da iniciativa legislativa republicana, esta tende sobretudo a marcar a agenda política para o novo ciclo. Sabendo que esta revogação nunca passará no Senado dominado por democratas, os republicanos dão assim inicio à campanha presidencial de 2012. O debate irá estender-se ao longo dos próximos dois anos, pois a única hipótese viável de tal revogação suceder será os republicanos conquistarem a Casa Branca, bem como a maioria no Senado.

 

O outro sinal que tem vindo do lado republicano é que este Congresso irá activamente investigar a Casa Branca. O novo líder do Comité responsável, Darrel Issa, tem vindo a dar entrevistas sobre os seus potenciais alvos das audições: corrupção no Afeganistão, Wikileaks e papel das agências do governo, são algumas da áreas que a nova Câmara dos Representantes poderá investigar. E será aqui que os republicanos poderão causar maiores dificuldades à Administração Obama.

 

Serão dois anos muito interessantes para seguir em Washington, e por ora, as conversações bipartidárias estão em segundo plano. Mas ainda neste primeiro trimestre deverá começar a negociação do plano financeiro protagonizado por Paul Ryan, o congressista republicano do Wisconsin, para sanear as contas públicas americanas. Com cortes previstos em quase todos os sectores da Administração Pública, o Roadmap de Ryan será um teste à verdadeira motivação dos políticos de ambos os partidos para controlarem o défice estrutural dos Estados Unidos.



03
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:29link do post | comentar

Já estamos em 2011 e onde estão os candidatos republicanos? A resposta, neste debate no This Week da ABC, com George Will, Donna Brazile, Major Garret e Amy Walter.


publicado por José Gomes André, às 03:51link do post | comentar

Depois de uma longa ausência, por motivos profissionais, prometo voltar a este cantinho blogosférico - que o Nuno Gouveia tem, felizmente, animado com a qualidade e entusiasmo que os nossos leitores conhecem. A ver se o consigo acompanhar em 2011...


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