09
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:07link do post | comentar

Barack Obama tem sido comparado a Bill Clinton em 1994, por ter-se movido para o centro, neste recente acordo dos "Bush Tax Cuts". Eu também aqui acenei com esse cenário. Mas há quem discorde dessa ideia, e talvez não estejam desprovidos de razão.

 

Dick Morriso, o arquitecto da triangulação de Bill Clinton, não é um analista imparcial nesta questão. Nos últimos anos, assumiu-se como uma voz conservadora no panorama mediático americano, e não é parte desinteressada na luta política. Como já disse anteriormente, não ficaria totalmente surpreendido se regressasse ao activo nesta próxima campanha presidencial, trabalhando ao lado de um candidato republicano. Mas o seu argumento tem alguma lógica. Segundo Morris, Bill Clinton moveu-se para o centro, chegando a acordo em áreas que faziam parte da sua agenda, como o combate ao crime ou o equilíbrio do orçamento. Morris defende que a estratégia de Obama não é a mesma, pois adoptou medidas que sempre discordou, faltando a uma promessa emblemática da sua campanha.

 

Jon Meacham, em artigo assinado no NY Times, também concorda com Morris. Meacham, biógrafo de George H. Bush, defende que, tal como o Presidente republicano, Obama quebrou uma promessa, ao aceitar a manutenção da baixa de impostos para os mais ricos. A famosa frase de H. Bush, "read my lips: no new taxes", faz eco na ideia de Meacham, e para ele, a comparação de Obama deve ser feita com o 41º Presidente e não com o 42º.



08
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:15link do post | comentar

Escrevi que o acordo entre republicanos e democratas era um regresso ao bipartidarismo tradicional de Washington. Nos comentários, o Miguel Madeira alertou-me que a aprovação no Congresso não estava garantida. Respondi-lhe que duvidava que tal acontecesse. Apesar do Politico afirmar que já haverá os votos suficientes de republicanos e democratas para aprovar o acordo, hoje não tenho assim tanta certeza disso.

 

Do lado republicano, as criticas têm sido mais suaves, mas pelo menos Jim DeMint já disse que votará contra no Senado. Além disso, Sarah Palin saiu hoje a terreiro a criticar o acordo da liderança republicana com Obama. Interessante saber quem acompanhará os die hard conservatives nesta questão no Congresso. Mas as maiores divergências surgem no Partido Democrata, onde muitos congressistas se têm insurgido contra o acordo, nomeadamente contra a cedência nos cortes de impostos aos mais ricos. A ala mais à esquerda tem manifestado a sua oposição. Na imprensa "liberal" americana lêem-se hoje vários ataques a Barack Obama. Howard Fineman alerta para a possibilidade de Obama repetir a saga de Jimmy Carter, e Matt Bai fala no perigo de oposição nas primárias democratas de 2012. Foi anunciado que a votação poderá ocorrer já na próxima sexta-feira.

 

Uma coisa é certa: Obama arriscou enfurecer a sua base com este acordo, e com isso, tenta também demonstrar ao povo americano que está disposto a dar a mão aos republicanos. Não sei se é o inicio de uma estratégia Clintoniana, mas é algo diferente do que tinha ensaiado nos últimos dois anos. Se o acordo for reprovado pela ainda maioria democrata, isso poderá representar um sério revés para Obama.



publicado por Era uma vez na América, às 15:13link do post | comentar

O programa Combate de Blogues, da TVI24, está a promover a escolha de blogs do ano. O Era uma vez na América foi nomeado para a categoria de Blog Revelação do Ano. Obrigado aos autores do programa pela preferência. A votação está a decorrer online aqui.


07
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:42link do post | comentar

Ontem tinha sido anunciado que Elizabeth Edwards, ex-mulher de John Edwards, tinha parado os tratamentos contra o cancro. Há minutos foi anunciada a sua morte. Os seus últimos anos de vida não foram fáceis. Aliada de Edwards na ambição de chegar à Casa Branca, Elizabeth chegou a ser uma verdadeira força dentro do Partido Democrata. No entanto, os relatos conhecidos das traições e mentiras do antigo candidato presidencial acabaram por "ofuscar" a imagem dela. Que descanse em paz.


publicado por Nuno Gouveia, às 16:04link do post | comentar | ver comentários (4)

Os últimos dois anos foram particularmente complicados para a democracia americana. Habituada a ter os dois partidos a trabalharem em conjunto para aprovarem legislação, praticamente tudo o que passou no Congresso teve apenas o apoio em bloco dos Democratas. E grandes medidas legislativas, como o Plano de Estímulos ou a Reforma da Saúde, foram aprovadas nestes últimos dois anos. Se olharmos para trás apenas 10 anos, verificamos que os grandes pacotes legislativos, como os “Bush Tax Cuts”, o “No Child Left Behind” ou o “TARP” tiveram apoio bipartidário. As grandes maiorias democratas no Congresso nos últimos dois anos, e a feroz oposição republicana, paralisaram os compromissos partidários. Barack Obama, diga-se, não contribuiu também para o regular funcionamento do Congresso. Este acordo anunciado ontem por Barack Obama marca o regresso ao bipartidarismo.

 

A vitória republicana do passado mês de Novembro já introduziu alterações na luta politica de Washington. Apesar dos novos congressistas ainda não terem entrado em funções, os dois partidos sentiram a necessidade de negociar e chegar a um acordo. Enquanto os democratas cedem na extensão dos cortes de impostos aos mais ricos, os republicanos concordaram em alargar o apoio aos desempregados. E se pode considerar-se que foi Obama quem mais cedeu (durante a sua campanha eleitoral tinha dito que nunca apoiaria o alargamento dos Bush Tax Cuts para os mais ricos), todos ganham alguma coisa. Os americanos estão fartos de retórica e de guerras partidárias sem fim. Votaram maioritariamente nos republicanos porque se cansaram da agenda democrata. Mas isso não significa carta branca para os republicanos. Ambos os partidos têm “pena suspensa” até 2012. Veremos quem mais faz para captar a confiança dos eleitores até lá.


publicado por Nuno Gouveia, às 15:18link do post | comentar | ver comentários (2)

Até ao momento as reacções mais agressivas têm vindo sobretudo de republicanos e conservadores. Mas hoje Dianne Feinstein, senadora democrata da Califórnia, assina no WSJ um artigo onde pede ao Departamento de Justiça para acusar Julian Assange de espionagem. Além de ser uma das vozes mais respeitadas da esquerda do Partido Democrata, Feinstein é ainda a responsável pelo Senate Intelligence Committee.

 

This latest WikiLeaks release demonstrates Mr. Assange's willingness to disseminate plans, comments, discussions and other communications that compromise our country. And let there be no doubt about the depth of the harm. Consider the sobering assessment, delivered in an email to employees of U.S. intelligence agencies late last month, by Director of National Intelligence James Clapper: "The actions taken by WikiLeaks are not only deplorable, irresponsible, and reprehensible—they could have major impacts on our national security. The disclosure of classified documents puts at risk our troops, law enforcement, diplomats, and especially the American people."


06
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:33link do post | comentar

Desde o mês passado que se sabia que o Presidente Obama ia chegar a acordo com os republicanos sobre os "Bush Tax Cuts". Esta era uma certeza depois das declarações de David Axelrod. O NY Times avança hoje que o acordo prevê a extensão de todos os cortes de impostos dos anos Bush, e os republicanos irão ceder no prolongamento dos apoios aos desempregados. Esta pode ser considerada uma vitória para os republicanos, que desde sempre defenderam que os impostos não deveriam aumentar para nenhum americano, contrariando uma promessa de Obama durante a campanha eleitoral, que sempre disse que não apoiaria a extensão destes cortes para os mais ricos. Este acordo marca também o inicio de uma nova era no Congresso, onde republicanos e democratas terão de chegar a acordos para aprovar iniciativas legislativas nos próximos dois anos.

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05
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:41link do post | comentar

Os senadores Jon Kyl (R) e Richard Durbin (D) estiveram hoje a debater no Face The Nation os assuntos de momento nos Estados Unidos: a extensão dos "Bush Tax Cuts" e o Wikileaks.


03
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:30link do post | comentar | ver comentários (2)

O Wikileaks continua a dominar as atenções mediáticas nos Estados Unidos. Charles Krauthammer, no Washington Post, lança um aviso a Julian Assange e aos seus associados: "WikiLeaks founder Assange ought to be hiding from America".

 

First, quite specific damage to our war-fighting capacity. Take just one revelation among hundreds: The Yemeni president and deputy prime minister are quoted as saying that they're letting the United States bomb al-Qaeda in their country, while claiming that the bombing is the government's doing. Well, that cover is pretty well blown. And given the unpopularity of the Sanaa government's tenuous cooperation with us in the war against al-Qaeda, this will undoubtedly limit our freedom of action against its Yemeni branch, identified by the CIA as the most urgent terrorist threat to U.S. security.

(...)

Throw the Espionage Act of 1917 at them. And if that is not adequate, if that law has been too constrained and watered down by subsequent Supreme Court rulings, then why hasn't the administration prepared new legislation adapted to these kinds of Internet-age violations of U.S. security? It's not as if we didn't know more leaks were coming. And that more leaks are coming still.


02
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:10link do post | comentar

A NASA anunciou hoje que descobriu uma nova forma de vida... mas na Califórnia: uma bactéria que se alimenta de arsénio. Esta nova descoberta irá aumentar o leque de opções na procura de vida fora da Terra, pois até ao momento apenas se conhecia vida com base em seis elementos: carbono, oxigénio, hidrogénio, azoto, enxofre e fósforo. Ainda nao foi desta que se descobriu provas de vida extraterrestre, mas para lá caminhamos.


publicado por Nuno Gouveia, às 15:25link do post | comentar | ver comentários (2)

A NASA voltou esta semana às primeiras páginas dos jornais mundiais, com o anúncio de uma conferência de imprensa hoje (às 19h00 de Lisboa). Segundo o que é conhecido, esta conferência terá consequências históricas para a procura de vida extraterrestre. Nenhuma organização americana consegue colocar o mundo a sonhar como a NASA. Depois de nos últimos anos ter estado mais desaparecida do radar mediático, esta é uma oportunidade de ouro para a NASA. A conferência será transmitida em directo no site da NASA.


publicado por Nuno Gouveia, às 14:54link do post | comentar

Sem surpresa, as críticas vão aumentando de tom dentro do Partido Republicano sobre Sarah Palin. Se ela avançar para uma candidatura, a sua força irá residir especialmente nos movimentos populares e bem longe da cúpula partidária. O establishment, a máquina republicana e os profissionais da política estarão ao lado de outros candidatos. Ed Rollins, antigo conselheiro de Ronald Reagan e que trabalhou com Mike Huckabee na última campanha presidencial (este artigo não será totalmente desinteressado) junta-se a mais vozes do partido, como Chris Cristie, Karl Rove, Peggy Noonan, George. H. Bush ou Joe Scarborough, nas criticas públicas a Sarah Palin. Este é particularmente demolidor, com o título "Palin, I knew Reagan. You're no Reagan":

 

If you want to be a player, go to school and learn the issues. Put smart people around you and listen to them. If you want to be taken seriously, be serious. You've already got your own forum. If you want to be a serious presidential candidate, get to work. If you want to be an imitator of Ronald Reagan, go learn something about him and respect his legacy.



publicado por Nuno Gouveia, às 14:33link do post | comentar

O Washington Post publicou hoje um artigo assinado por cinco antigos Secretários de Estado de Administrações republicanas a pedir a ratificação do START pelo Senado. Henry Kissinger, George Shultz, James Baker III, Lawrence Eagleburger e Colin Powell lembraram os esforços dos Presidentes Nixon, Reagan, H. Bush e W. Bush no passado. Com esta tomada de posição, a pressão está toda do lado republicano para acederem aos desejos de Barack Obama.


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