20
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 21:32link do post | comentar

Não é por acaso que Bill Clinton venceu duas eleições presidenciais, e apesar dos problemas que passou durante os seus mandatos, continua a ter elevados níveis de popularidade nos Estados Unidos. Após dois anos de confrontação com o eleitorado, que culminaram com a derrota nas intercalares de 1994, Clinton assumiu uma postura mais dialogante e consensual com a sociedade americana, sendo facilmente reeleito em 1996 e aguentou-se bem, apesar do processo de impeachment que passou. Ontem Bill Clinton falou sobre o tea party e as preocupações que estão subjacentes ao movimento. E ao invés de "massacrar" o tea party, Clinton apostou numa abordagem mais "suave", dizendo que compreende as preocupações que as pessoas estão a demonstrar na opinião pública, apesar de discordar das suas reinvindicações contra o papel do governo. Isto num dia em que o NY Times publicou uma peça sobre a estratégia que estava a ser delineada pela Casa Branca para estas eleições, entretanto desmentida. O que se nota é que ninguém parece saber o que fazer com o tea party: nem o establishment republicano nem os democratas.


publicado por Nuno Gouveia, às 17:06link do post | comentar

O The Hill revela que na próxima quinta-feira, o Partido Republicano irá apresentar na Virgina um novo "Contract with America", revitalizando a ideia promovida pelos republicanos em 1994, quando assumiram o controlo da Câmara dos Representantes. Ao contrário do que existe na Europa, as eleições legislativas nos Estados Unidos são altamente descentralizadas em candidaturas bastante diferentes entre si, pelo que normalmente não existe um programa comum em cada partido. Mas esta ideia de apresentar um programa de governo pretende transmitir uma ideia do que poderá ser uma maioria republicana no Congresso. Uma das linha de ataque dos democratas tem sido precisamente a falta de ideias dos republicanos, que, segundo eles, se limitam a atacar a agenda dos democratas sem oferecer uma alternativa. Este novo contrato pretende ser uma plataforma de governo. Não terá grandes novidades e será, certamente, uma súmula do que os republicanos têm vindo a dizer ao longo dos últimos dois anos. Mas será um bom momento mediático para os republicanos, que dessa forma tentarão demonstrar ao povo americano que estão prontos para regressar ao governo. Resta saber se John Boehner terá o mesmo sucesso que Newt Gingrich em 1994


19
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 19:25link do post | comentar

George Will, David Sanger, Peter Beinart e Tom Ross discutiram o Tea Party esta manhã no This Week da ABC.


18
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 00:59link do post | comentar

Retirada do Ben Smith.


17
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:33link do post | comentar

Por estes dias só de fala do Tea Party, uma força que está a mudar radicalmente o panorama político americano. Aqui ficam algumas visões diferentes:

 

Republicans serve the devil his Tea, Robert Shrum, The Week

The Buckley rule, Charles Krauthammer, Washinton Post

The Backlash Myth, David Brooks, New York Times

Why It's Time for the Tea Party, Peggy Noonan, Wall Street Journal


publicado por Nuno Gouveia, às 15:48link do post | comentar

Esta semana os democratas receberam o prémio da nomeação de Cristine O´Donnell no Delaware. Uma eleição que estava perdida passou a estar quase ganha. A outra boa notícia veio do estado de Washington, onde a senadora Pat Murray ganhou uma importante vantagem nas sondagens sobre Dino Rossi, com três a dar-lhe uma vantagem entre 5 e 9 por cento. Caso os democratas ganhem estas duas eleições, será quase impossível aos republicanos assumirem a maioria no Senado. Mas fora estas duas notícias, tudo o resto foi mau para o Partido Democrata.

 

Barack Obama ganhou no Ohio com 51% e este estado tem sido na última década um dos grandes campos de batalha entre democratas e republicanos. Até há bem poucas semanas pensava-se que a luta iria ser renhida para o senado, entre Rob Portman e Lee Fisher, e também para o cargo de governador, entre John Kasich e o incumbente Ted Strickland. Mas as últimas sondagens que foram divulgadas não deixam grandes margens para dúvidas: os republicanos devem vencer em toda a linha, num estado onde a impopularidade de Obama atinge neste momento os 60 por cento. E atenção às várias eleições competitivas para a Câmara dos Representantes.

 

Na Florida Marco Rubio tem vindo a liderar confortavelmente as sondagens, com a queda abrupta de Charlie Crist. Neste momento será díficil dar a volta a esta dinâmica, pois Rubio tem ganho o apoio esmagador dos eleitores republicanos e tem conseguido ir buscar muito apoio aos independentes, dividindo o eleitorado preferencial de Crist. Ao contrário do que o candidato democrata tem tentado demonstrar, o eleitorado tem percepcionado esta eleição entre dois democratas e um republicano, o que dificulta imenso a vida de Crist. Até pode ser que Kendrick Meek consiga ultrapassar Crist e venha a ser ele a disputar a eleição com Marco Rubio. Ainda é cedo para atribuir a vitória a Rubio, mas neste momento está numa posição muito confortável.

 

O Wisconsin seria sempre um "long shot" para os republicanos. Mas hoje saiu uma sondagem que dá uma vantagem de 7 pontos a Ron Johnson contra o senador Russ Feingold. Por fim no Conecticut, onde a milionária Linda McMahon não surge á frente de Mark Blumenthal em nenhum estudo de opinião, mas que se tem aproximado nas últimas semanas. O The Cook Political Report passou esta corrida para empate técnico esta semana.


16
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:39link do post | comentar

 

O DNC lançou um novo site por estes dias, com um rebranding também à sua imagem de marca. Uma imagem bastante agradável e competente, apesar que, admito, o "D" faz-me lembrar demasiado o simbolo do "Metro". Sobre o site, aconselho a leitura deste post no TechPresident, onde são explicadas algumas das suas características. Gosto particularmente do sistema de identificação da localidade do visitante e da interligação com a rede social de Obama, MyBO. E ainda um aspecto que se encontra logo em qualquer site americano: a chamada para o envolvimento dos cidadãos. A Internet, mais do que servir para informar, é utilizada pelos políticos americanos envolver e mobilizar os americanos. Neste site são várias os espaços precisamente dedicados a esse propósito. Eles sabem bem o que fazem.


publicado por Nuno Gouveia, às 16:15link do post | comentar | ver comentários (5)

Nem todos consideram que O´Donnell não tem hipóteses de vencer. Mark Halperin não a risca liminarmente do mapa. Pelo menos para já.


publicado por Nuno Gouveia, às 10:33link do post | comentar | ver comentários (20)

Karl Rove esteve ontem à noite novamente na Fox News a "arrasar" a candidata Christine O´Donnell. Isso quer dizer que a sua análise na noite de terça não surgiu por acaso, como nunca acontece com ele. Rove entende os perigos para o futuro do GOP caso o tea party venha a comandar o processo de nomeação presidencial de 2012. Ao mesmo tempo que reforçava o seu papel na ajuda a candidatos como Ken Buck ou Sharron Angle, fornecia argumentos que não deixarão de ser usados pelos democratas na eleição do Delaware. Rove sabe o que faz.


15
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:21link do post | comentar

Após um longo período de primárias nos 50 estados (o Hawaii ainda vai a votos no Sábado), os partidos escolheram os seus candidatos e os dados estão lançados para Novembro. Provavelmente há muitos anos que não havia uma época tão animada e cheia de surpresas como esta.


O Partido Democrata, que tantas vezes no passado enveredou por um caminho ideológico, fez escolhas bastantes pragmáticas. Se recordarmos o grande leque de primárias, nomeadamente no que diz respeito ao senado e a governadores, as opções foram quase sempre de encontro aos objectivos eleitorais. A única verdadeira surpresa foi a vitória do congressista Joe Sestak na Pennsylvania, derrotando o incumbente Arlen Spector. Mas mesmo aqui não se pode dizer que a escolha foi má, pois em termos eleitorais ambos já apresentavam dificuldades contra o republicano Pat Toomey. De resto, opções quase sempre consensuais e de acordo com a vontade dos líderes do partido em Washington. Não será por aqui que o Partido Democrata irá perder em Novembro, pois o pragmatismo dominou a os votos dos eleitores.


No Partido Republicano a história foi bem diferente. A guerra entre o establishment e o tea party fez bastantes vítimas. Dois senadores foram derrotados por candidatos do tea party, no Alaska e no Utah. Estas derrotas pouco significarão em Novembro, pois ambos os estados são conservadores o suficiente para eleger um republicano em Novembro. Mas várias foram as vitórias dos candidatos do tea party que prejudicam as hipóteses do partido para Novembro: no Colorado e Kentucky as sondagens têm mostrado que Ken Buck e Rand Paul deverão ser eleitos senadores. Mas os outros nomes das primárias venceriam mais facilmente. No Nevada, e especialmente no Delaware, as vitórias dos candidatos do tea party transformaram duas corridas que facilmente cairiam na coluna republicana em verdadeiros infernos. No Delawere, os democratas quase de certeza que irão vencer. Mas nem todas as primárias dificultaram o trabalho dos republicanos para Novembro. No New Hampshire, Indiana, Wisconsin, Illinois e Washington, os candidatos apoiados pelo establishment acabaram por vencer, o que mantém os republicanos com fortes possibilidades de sucesso nestes swing (os dois primeiros) e blue states.


O tea party foi a grande força para os republicanos nestas primárias, e provavelmente vão sê-lo novamente em Novembro. A sua capacidade de mobilização, de angariação de voluntários e dinheiro fará a diferença em muitos estados. Nesse aspecto faz-me lembrar o exército que levou Barack Obama à presidência. Mas a sua influência nefasta também se fez sentir em algumas eleições, nomeadamente na de ontem, que dificulta imenso a conquista de uma maioria no Senado. Muito do futuro do GOP irá jogar-se nestas intercalares. Se o partido conquistar a maioria no Senado, mesmo depois destas escolhas arriscadas, as primárias de 2012 irão transformar-se num concurso ideológico: “quem é o mais puro conservador?”. Em muitas destas primárias tivemos um purismo ideológico como há muito não se via na política americana (talvez desde os tempos de McGovern que não se via nada assim) e que perseguiu todos aqueles que se desviaram um milímetro dessa agenda. Acredito que o pior que pode acontecer ao Partido Republicano para os próximos anos é ficar refém de alguns destes candidatos do tea party, suportados por Sarah Palin. Não é uma relação fácil entre os republicanos e o tea party: por um lado são importantes para vencer, mas se forem eles a escolher os candidatos, será muito difícil vencer as eleições gerais em muitos swing states. E já nem falo dos blue states. Será uma relação interessante a seguir no futuro.


Apesar do tea party, e ao contrário do que sucedeu do lado democrata, apareceram bons valores e que poderão ser muito importantes para o futuro do Partido Republicano. A começar por Marco Rubio, um jovem descendente de cubanos que de certeza irá transformar-se numa importante voz do movimento conservador americano. No Ohio, um swing state relevante, Rob Portman, que parece ter sobrevivido à Administração Bush, vai transformar-se num dos republicanos mais importantes do Midwest. Na poderosa Califórnia, Carly Fiorina (apesar da difícil corrida que tem pela frente) será sempre alguém relevante no GOP. Dos candidatos do tea party, Rand Paul poderá ser uma das figuras mais interessantes a emergir deste ciclo eleitoral. Depois do seu inicio desastrado após vencer a primária, tem feito uma campanha interessante e poderá transformar-se no líder da corrente libertária do GOP dos próximos anos. Quatro figuras a seguir atentamente caso saiam vencedores.


publicado por Nuno Gouveia, às 18:54link do post | comentar | ver comentários (4)

Confirma-se a vitória de Kelly Ayotte nas primárias do New Hampshire, a candidata do establishment republicano. O congressista democrata Paul Hodes enfrenta assim Ayotte, a Procuradora-geral do estado, que nos últimas sondagens apresentava uma vantagem entre 8 e 13 pontos. Possivelmente, e ao contrário do que foi previsto depois da retirada do actual senador Judd Gregg (R), este lugar deverá manter-se no lado republicano.

 

As primárias deste ciclo eleitoral terminaram. Tempo de fazer um balanço e tentar perspectivar o que irá acontecer em Novembro, especialmente depois das surpresas que aconteceram em vários estados.


publicado por Nuno Gouveia, às 17:37link do post | comentar


publicado por Nuno Gouveia, às 14:59link do post | comentar | ver comentários (14)

Não se pode considerar uma grande surpresa, mas a candidata do Tea Party, Cristine O´Donnell derrotou o favorito Mike Castle nas primárias republicanas do Delaware. Esta vitória significa que um lugar que quase de certeza iria cair na coluna republicana vai manter-se na posse dos democratas. Por exemplo, no The Cook Political Report esta corrida passou de Lean Republican para Likely Democrat depois desta noite eleitoral*. Ao contrário de outras vitórias de candidatos apoiados pelo Tea Party, esta ameaça quebrar a unidade dentro do Partido Republicano. Ontem à noite, o programa de Sean Hannity na Fox News ofereceu um sinal do que poderá acontecer. Dana Perino (antiga porta-voz de George W. Bush) e Karl Rove atacaram fortemente a decisão de Sarah Palin e Jim DeMint (e o Tea Party) de se terem envolvido nesta eleição, por terem provavelmente acabado com as hipóteses do Partido Republicano de conquistar a maioria no Senado. A descrição de Rove sobre O´Donnel não deixa margem para dúvidas sobre o sentimento que grassa em muitos republicanos: "she does not evince the characteristics of rectitude and sincerity and character that the voters are looking for"; ""there's just a lot of nutty things she's been saying". Numa eleição em que votaram cerca de 50 mil eleitores, a mobilização eleitoral do tea party foi fundamental para derrotar Mike Castle, um republicano que vence eleições há mais de 30 anos num estado que é considerado um dos mais à esquerda dos Estados Unidos. Não por acaso, ontem os mais satisfeitos da noite foram os democratas. Sobre esta verdadeira guerra civil que afecta o GOP e que ameaça contaminar as primárias de 2012, voltarei mais tarde.

 

No New Hampshire, outra eleição que suscitava dúvidas, a candidata do establishment, Kelly Ayotte, lidera neste momento a contagem dos votos sobre Ovide Lamontagne, o favorito do Tea Party. Mas ao contrário do Delaware, esta eleição é provável que se mantenha na coluna republicana independentemente do seu vencedor.

 

*Adenda: a PPP publicou uma sondagem que dá uma vantagem ao democrata Chris Coons de 15 pontos (50-35) sobre O´Donnell. Mike Castle teria uma vantagem de 10 pontos (45-35).


14
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:54link do post | comentar

Mark Halperin diz tudo sobre o que está em causa nestas primárias.


publicado por Nuno Gouveia, às 12:28link do post | comentar

Hoje realizam-se as últimas primárias deste ciclo eleitoral. As mais relevantes realizam-se no New Hampshire e Delaware no campo republicano, onde os favoritos para as eleições gerais podem ser derrotados pelos candidatos conservadores. No New Hampshire, Kelly Ayotte enfrenta oposição de Ovide Lamontagne, o preferido do Tea Party. Neste estado qualquer um dos nomes poderá vencer em Novembro, mas o mesmo não se passa no Delaware, onde uma obscura candidata, apoiada por Sarah Palin e pelo Tea Party, poderá derrotar o congressista Mike Castle e acabar com a possibilidade do GOP conquistar este lugar, que foi ocupado nas últimas décadas por Joe Biden.

 

Adenda: um bom resumo aqui sobre o que está em causa hoje.


13
Set 10
publicado por José Gomes André, às 02:32link do post | comentar

12
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:03link do post | comentar

Visit msnbc.com for breaking news, world news, and news about the economy

No Meet The Press desta semana, Dee Dee Myers (membro da Admnistração Clinton), Ron Browstein (jornalista do National Journal), Reza Aslan (editor do Daily Beast e Mike Murphy (consultor republicano) discutiram o estado da economia e a resposta da Administração Obama.


09
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:05link do post | comentar | ver comentários (7)

Ao longo deste ano eleitoral muito se tem escrito sobre o tea party e a energia que introduziu na política americana. Este não é um movimento homogéneo e estruturado, funcionando com diversos grupos capazes de influenciar o desfecho de eleições. Não tenho dúvidas que a sua influência irá ajudar imenso os candidatos republicanos em Novembro. Mas ao lado deste aspecto positivo, também têm prejudicado as possibilidades de vitória em alguns estados. Se ainda hoje discutimos as eleições para o Senado no Nevada, no Colorado ou até no Kentucky, isso deve-se aos candidatos apoiados pelo tea party terem vencido estas primárias republicanas. O caso mais grave até será no Nevada, onde Sharron Angle tem feito uma campanha miserável e não tem conseguindo concentrar a campanha em Harry Reid e nas suas fragilidades eleitorais.

 

Na próxima semana o blue state Delaware irá a votos para escolher o candidato republicano. Mike Castle, um republicano típico da Costa Leste e congressista desde a década de 80, é o claro favorito para vencer a eleição geral de Novembro. Mas nas últimas semanas, uma obscura candidata profissional (já foi candidata ao senado em 2006 e 2008), que tem cometido gaffes atrás de gaffes e tem um passado económico bastante duvidoso, tem atraído o interesse do Tea Party Express (que tem sido fundamental em diversas primárias), sugerindo que poderá derrotar o favorito Castle. Hoje, Sarah Palin, em mais uma demonstração de fraco faro político*, declarou o apoio a Christine O´Donnell, lançando ainda mais confusão nestas primárias. Uma coisa não tenho dúvidas: se O´Donnell derrotar Castle, este lugar irá para o democrata Chris Coons. E a maioria republicana passará a ser uma miragem. Recordo aqui o conselho de William Buckley Jr., que li neste artigo que o Alexandre Burmester me passou esta semana: "his policy was to vote for the most conservative candidate who could win". O pragmatismo, ou a falta dele, poderá derrotar o GOP neste ciclo eleitoral.

 

*Sarah Palin poderá não ter faro político para ajudar a conquistar uma maioria para o GOP. O objectivo dela, neste tipo de endorsements, é presicamente fortalecer a sua  uma base de apoio para as primárias de 2012. Não está a pensar propriamente em derrotar o Partido Democrata, mas sim no seu próprio projecto político. Não sei se isso a ajudará em 2012, se as coisas correrem mal.


publicado por Nuno Gouveia, às 19:48link do post | comentar

Não faz muito sentido dar conta aqui de todas as sondagens que vão sendo publicadas nos Estados Unidos sobre este ciclo eleitoral, pelo que aconselho a visita desta parte do Real Clear Politics para quem tiver interesse. Mas há algumas eleições do Senado que têm vindo deslocar-se para um dos lados. Destaco estas:

 

Lugares ocupados por republicanos:

 

Florida: Durante o Verão Charlie Crist liderou consistentemente todas as sondagens, mas nas últimas semanas o cenário alterou-se. Marco Rubio tem vindo a subir, enquanto Crist está a baixar. O democrata Kendrick Meek está em alta. Isto pode querer dizer que, atacado por ambos os partidos, Charlie Crist poderá ser mesmo relegado para terceiro lugar, perdendo as hipoteses de vencer esta eleição. Isso será o fim da sua carreira política. Por outro lado, Marco Rubio é hoje claramente o favorito, com o RCP a considerar esta corrida como Lean Republican.

 

Missouri: No inicio do Verão, este seria certamente um dos lugares que os democratas tinham esperança de roubar aos republicanos. Mas as últimas sondagens não deixam margem para dúvidas: Roy Blunt deverá mesmo ser o próximo Senador do estado, mantendo este lugar na coluna do GOP.

 

Ohio: Os últimos meses foram positivos para o antigo membro da Administração Bush, Rob Portman. Depois de algum tempo a aparecer empatado com Lee Fisher, Portman tomou a dianteira com uma vantagem confortável. Dificilmente perderá em Novembro.

 

Se os democratas não roubarem nenhum destes lugares, dificilmente conseguirão ganhar outro. Resta-lhes as possibilidades do Kentucky e New Hampshire. E se no primeiro estado, Rand Paul parece segurar a liderança, no segundo apenas falta saber o resultado das primárias. Se a vencedora for Kelly Ayotte, como se prevê, dificilmente o GOP perderá essa eleição.

 

Lugares ocupados por democratas:

 

Pennsylvania: Pat Toomey tem uma vantagem de 8% na média do RCP sobre Joe Sestak. No final de Julho estavam praticamente empatados.

 

West Virginia: Não é fácil prever o resultado desta eleição especial, que poderá transformar-se num pesadelo para o Partido Democrata. O governador da West Virginia, Joe Machin, tinha niveis de popularidade acima dos 70 por cento. Depois da morte do senador Robert Byrd, decidiu convocar as eleições para este ano, avançando ele próprio como candidato pelo Partido Democrata. Mas num estado tipicamente republicano, e no actual contexto eleitoral, isso poderá não chegar para ele vencer. Hoje foi publicada uma sondagem que apenas lhe dá 5 por cento de vantagem sobre o opositor republicano, o que poderá indicar que este é mais um lugar em perigo. Provavelmente  em breve seja colocado na coluna de Toss Up (empate técnico) pelos experts. A ver vamos.

 

Confirmando aquilo que escrevi na semana passada, há uma tendência pró-republicana que se tem vindo a acentuar nas últimas sondagens. O quadro do RCP já indica como prováveis 48 senadores para os democratas e 46 para os republicanos, com apenas seis eleições em estado de empate técnico. A conquista da maioria no Senado já não é uma miragem, apesar de ser bastante dificil.


07
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:33link do post | comentar

Se isto não é para ser anunciado...

 

No Museu da Baleação, em New Bedford (Massachusetts), há uma lista dos marinheiros do baleeiro Acushnet, que partiu para os Mares do Sul, em 1841. Entre os nomes, os dos portugueses George Galvan e Joseph Luis, do Faial, e John Adams, de Cabo Verde, e o do americano Herman Melville. Nessa viagem, Melville aprendeu para escrever Moby Dick. Dos seus companheiros portugueses fica a grafia manhosa dos nomes, o que era comum: os dois primeiros assentos de baptismo católico em New Bedford são de John e Lucia, filhos de "Ennis Leeshandry", dislexia do sacristão perante um Inácio Alexandre. Apesar desses desencontros, New Bedford, que foi a capital mundial da baleia, foi também a mátria da emigração lusa na América. Os baleeiros com tripulação mínima fundeavam ao largo do Faial, da Madeira ou de São Vicente, os rapazolas metiam-se nos botes, subiam a amurada e entregavam-se a percorrer os mares na caça da baleia. O seu porto passava a ser New Bedford, dali escreviam cartas de chamada e a emigração para a América começou - por ironia, à custa de uma indústria fundada por português de outras origens, o judeu sefardita Aaron Lopez. Esse Museu da Baleação dedicado à primeira grande indústria americana só mostrava difusa memória portuguesa, como a lista do Acushnet. A partir da próxima sexta-feira vai ter, de forma permanente, uma galeria dedicada aos baleeiros portugueses.

 

Crónica de Ferreira Fernandes, no DN


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