22
Jan 10
publicado por Era uma vez na América, às 21:32link do post | comentar | ver comentários (4)

O Era uma vez na América foi bem recebido na blogosfera portuguesa. Gostaríamos de agradecer em primeiro lugar à Sapo, que nos colocou em destaque na plataforma de blogues e também na sua homepage. Estendemos os nossos agradecimentos à Cátia Nunes e à Maria João Nogueira, que nos ajudaram a construir este blogue. E depois ao Henrique RaposoLuís Naves, Afonso Azevedo Neves, Tiago Moreira RamalhoJoão Miranda, Miguel Noronha, Leonel Vicente, Maria João Marques, Paulo SousaLuís de Aguiar Fernandes, Eduardo Pitta, Miguel Galrinho, Carla Hilário Quevedo e a todos os que nos referenciaram. Esperamos poder contribuir para o debate em Portugal sobre a sociedade americana.


publicado por Nuno Gouveia, às 15:42link do post | comentar | ver comentários (2)

A reforma do sistema de saúde americano foi um temas que mais ocupou a agenda interna de Barack Obama neste primeiro ano. E depois de negociações difíceis, foram aprovadas duas leis, primeiro na Câmara dos Representantes (CR) e depois no Senado, com a oposição quase unânime dos republicanos (apenas um congressista do Lousiana deu o seu voto na CR). Mas a lei ainda não está pronta para ser enviada para a Casa Branca, pois necessita de ser uniformizada pelas duas câmaras. Depois da eleição de Scott Brown, que fez da reforma da saúde uma das promessas principais da sua campanha (kill the bill), esta iniciativa democrata está em perigo.

A maneira mais fácil de passar seria aprovar na CR a lei que passou no Senado. Desta forma não seria necessário voltar a ir a votos no Senado, e não se arriscavam ao fillibuster republicano, agora possível com o voto de Brown. Mas a lei do Senado não tem condições de passar na CR, como ontem afirmou a Speaker Nancy Pelosi. Os democratas estão numa encruzilhada, e os próximos dias serão fundamentais para perceber qual o caminho que irão escolher: aprovar a lei através da reconciliação ou voltar ao inicio. Se optarem pelo método da reconciliação, para voltar a passar a lei no Senado, apenas precisam dos votos de 51 senadores. A dúvida em seguirem esta via é que a reforma é bastante impopular e há muitos democratas com receio das consequências para o seu futuro político. Por outro lado, se optarem por deixar cair a lei, terão de enfrentar a fúria dos sectores mais à esquerda da sociedade americana. Ainda ontem Paul Krugman apelava à passagem da lei e vários comentadores afirmaram que seria uma vergonha não o fazerem.


publicado por José Gomes André, às 00:54link do post | comentar | ver comentários (6)

O Nuno apresentou aqui uma leitura rigorosa sobre a importância desta eleição surpreendente. Gostaria de a complementar reflectindo sobre as eventuais vantagens que, indirectamente, a vitória Republicana poderá ter para o Partido Democrata. Com efeito, embora humilhados, os Democratas poderão retirar importantes lições políticas e eleitorais do resultado no Massachusetts. Por três razões principais:

 

1. Este resultado serviu como um reality-check. Entusiasmados com as vitórias de 2006 e 2008, e alimentados por várias narrativas teóricas que sugeriam um período de dominação "azul" para os próximos anos, os Democratas assumiram uma postura arrogante, esquecendo a complexa realidade eleitoral americana. Talvez esta derrota os recorde que o Partido Republicano tem um peso significativo específico, algo erodido pelos erros da Administração Bush, é certo, mas que permanece vivo na sociedade americana.

 

2. A derrota no Massachusetts recorda a importância das batalhas eleitorais propriamente ditas. Martha Coakley perdeu, acima de tudo, porque não se preparou para o combate eleitoral. Confiante no perigoso conceito de "safe seat", não programou eventos, não definiu uma estratégia, não se preocupou em angariar fundos. Muitos Democratas em situação similar estarão agora mais precavidos para as (difíceis) eleições de Novembro.

 

3. Os Democratas serão agora obrigados a regressar ao fundamento do processo político na América - negociando com os seus adversários. Turvados pelo seu predomínio nas instituições federais, os Democratas esqueceram a importância de obter compromissos, rejeitando o diálogo com os Republicanos. Este erro estratégico criou dificuldades ao processo legislativo (não existindo disciplina partidária nos EUA) e gerou anti-corpos na imprensa e no próprio eleitorado.

 

P.S. Ainda sobre a vitória de Brown, ler esta entrevista a Michael Baum (Professor de Ciência Política em Dartmouth), que o André Freire nos traz no "Ladrões de Bicicletas".


21
Jan 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:10link do post | comentar

A regulação do financiamento político conheceu hoje um sério revés, com a decisão do Supremo Tribunal de Justiça a considerar ilegais os limites impostos às empresas de investir o seu dinheiro em campanhas políticas. A lei McCain/Feingold perde assim um dos seus elementos mais relevantes, que serviu para impor alguns limites ao financiamento partidário. Uma decisão com grandes implicações na vida política norte-americana.

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publicado por Nuno Gouveia, às 14:59link do post | comentar

Em Novembro os americanos regressam às urnas depois da histórica eleição de Barack Obama em 2008. As Intercalares irão marcar o ano político nos Estados Unidos, e foi também essa uma das motivações para arrancarmos com este blogue. Por isso mesmo, será tema de análise recorrente aqui. Depois do que aconteceu no Massachusetts, são umas eleições completamente imprevisíveis. Neste momento os ventos sopram em favor dos republicanos, e tudo pode acontecer, mesmo improváveis mudanças de maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. Se alguma coisa podemos depreender das últimas três eleições que se realizaram (Massachusetts, Virgínia e New Jersey), é que existe um grande descontentamento com o partido no poder, e se algo não mudar nos próximos dez meses, o Partido Republicano poderá obter grandes vitórias.

 

Apesar de tudo, neste momento não me parecer crível que os republicanos recuperem a maioria no Senado. Para tal acontecer, teriam de “roubar” 9 lugares aos democratas, algo que só aconteceu uma vez, em 1980, e em circunstâncias muito especiais (ano da vitória de Ronald Reagan sobre Jimmy Carter). Mas a possibilidade de ganharem a Câmara dos Representantes não estará assim tão afastada, precisando para isso de recuperar 40 lugares. As eleições para esta câmara são sempre mais disputadas, onde a alternância do partido vencedor sucede mais vezes. Mas a análise a estas eleições ficará para outra altura. 

 

Ainda vão realizar-se várias primárias para os partidos escolherem os seus candidatos, mas deixo aqui uma previsão do que poderá acontecer em Novembro no Senado, baseada naquilo que tenho lido pela imprensa americana. Com uma premissa relevante: ainda faltam dez meses, o que em politica é uma eternidade. Veja-se o exemplo da eleição especial do Massachusetts.

 


publicado por Nuno Gouveia, às 01:42link do post | comentar | ver comentários (1)

O prémio nobel da economia de 2008 colocou este post há minutos no seu blogue. Sinais das crescentes dificuldades que Barack Obama vai enfrentar no próximo ano. 

 

Health care reform — which is crucial for millions of Americans — hangs in the balance. Progressives are desperately in need of leadership; more specifically, House Democrats need to be told to pass the Senate bill, which isn’t what they wanted but is vastly better than nothing. And what we get from the great progressive hope, the man who was offering hope and change, is this:

I would advise that we try to move quickly to coalesce around those elements of the package that people agree on. We know that we need insurance reform, that the health insurance companies are taking advantage of people. We know that we have to have some form of cost containment because if we don’t, then our budgets are going to blow up and we know that small businesses are going to need help so that they can provide health insurance to their families. Those are the core, some of the core elements of, to this bill. Now I think there’s some things in there that people don’t like and legitimately don’t like.

In short, “Run away, run away”!

Maybe House Democrats can pull this out, even with a gaping hole in White House leadership. Barney Frank seems to have thought better of his initial defeatism. But I have to say, I’m pretty close to giving up on Mr. Obama, who seems determined to confirm every doubt I and others ever had about whether he was ready to fight for what his supporters believed in.


20
Jan 10
publicado por José Gomes André, às 20:50link do post | comentar | ver comentários (13)

  

  

1. Passou apenas um ano. A voragem mediática conduz a análises permanentes de uma actividade que, em muitos casos, se dirige a problemas de médio ou longo-prazo.

 

2. Do que se viu até agora, estamos perante um mandato com várias promessas por cumprir. O que é diferente de falarmos em promessas não-cumpridas. Obama tem seguido à risca o seu programa eleitoral, mas assumiu demasiadas frentes de batalha para poder apresentar, nesta fase, resultados concretos na maioria delas.

 

3. O seu maior fracasso residiu na incapacidade de estabelecer pontes com os Republicanos e com os sectores mais conservadores do Partido Democrata, sendo incapaz de superar um forte bipolarismo sócio-político que se verifica na América.

 

4. As principais conquistas assentam num inequívoco espírito reformador. Obama não tem demonstrado receio em sujar as mãos, lutando por alterações políticas em áreas sensíveis como a educação, o ambiente, a energia ou o sistema de saúde. Em tempos difíceis, seria fácil invocar as dificuldades para alegar incapacidade, mas Obama tem resistido a esse álibi político.

 

5. Na política externa o saldo é ligeiramente positivo, tendo a conciliação entre pragmatismo e retórica multilateralista gerado acordos relevantes (com a Rússia e a China, entre outros). A atitude perante o Irão promete igualmente ganhos a médio-prazo. E a assunção mista de uma postura de liderança com o reconhecimento de que é necessário ouvir os demais representa uma nova e correcta dinâmica da política externa americana.

 

6. Os próximos seis meses serão decisivos. Em Novembro há eleições intercalares, pelo que os Democratas em risco rejeitarão certamente a agenda de Obama se sentirem que a mesma é impopular no seu distrito/Estado. Caso não obtenha uma vitória política significativa e se assista a uma recuperação económica relevante, o próprio Obama será certamente forçado pelo Partido Democrata a reorientar as suas prioridades para evitar um desastre eleitoral.

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publicado por Nuno Gouveia, às 17:01link do post | comentar | ver comentários (1)

 

A Sapo dedica aqui uma página ao primeiro ano de Obama. Lá podemos encontrar alguns dos acontecimentos mais relevantes do último ano. A visitar.


publicado por Nuno Gouveia, às 15:34link do post | comentar | ver comentários (1)

O senador democrata do Indiana, Evan Bayh disse ontem, ainda antes do resultado ser conhecido, que havia sinais de catástrofe, acrescentando que “se perdemos no Massachusetts e isso não é considerado uma chamada para acordar, então não há esperança de acordarmos.” A derrota dos democratas num dos estados mais à esquerda dos Estados Unidos é um sério aviso para as eleições intercalares que têm lugar em Novembro. Se o lugar de Ted Kennedy passou para as mãos dos republicanos, então todos podem estar em risco.

 

Há uns dias estava a fazer um exercício do que poderia acontecer nas eleições para Novembro, olhando somente para os lugares em disputa no Senado. Mas parece-me que agora esse exercício está condenado ao fracasso, dado que tudo pode mudar depois de ontem. Será que Evan Bayh tem razão, e nenhum senador democrata está livre de perder a reeleição? Não será bem assim, mas a verdade é que os democratas, que ontem perderam a maioria anti-fillibuster, podem mesmo ser arrasados se algo não se alterar nestes próximos meses.

 

Scott Brown conduziu uma campanha inteligente, assentando a sua mensagem em três pontos fundamentais: a reforma da saúde (que prometeu reprovar), a economia e a segurança nacional. Apesar de ser pró-choice, e de estar distante da mensagem mais conservadora do Partido Republicano, não tocou sequer nesses assuntos. E fez da sua campanha um referendo às politicas dos democratas e de Barack Obama. Ganhou em toda a linha, e mostrou também aos membros do seu partido como se pode ganhar eleições em regiões tradicionalmente democratas. Terá sido também uma lição para o Partido Republicano. Não por acaso, ontem vi Rick Santorum, antigo senador republicano da Pennsylvania, da ala mais conservadora do GOP, a defender a teoria da Big Tent, algo que me surpreendeu bastante. Esta campanha, a exemplo do que já tinha sucedido com as vitoriosas campanhas de Jon Corzine em New Jersey e Bob McDonnell na Virgínia, irá contribuir para pacificar as guerrilhas internas entre conservadores e moderados no Partido Republicano, dirigindo as suas baterias para os democratas. A política é tramada, e as vitórias podem unir aquilo que seria impensável noutros tempos.

 

Em abono da verdade, a democrata Martha Coakley fez uma péssima campanha. Assente na verdade absoluta, ontem desmentida, que um democrata ganharia sempre esta eleição especial, tirou férias depois de vencer as primárias realizadas no mês de Dezembro. Nessa altura teria uma vantagem de mais de 30% sobre o seu adversário.  O agora Senador Scott Brown não deixou de fazer o seu trabalho, explorando bem o sentimento anti-governo que da população. Quando foi publicada uma sondagem da Rasmussen, no dia 4 de Janeiro, em que apenas tinha 9% de vantagem, soaram os alarmes no quartel-general democrata, mas ai já era tarde. Os republicanos já se tinham preparado para atacar estas eleições. Conforme se pode ver nesta sucessão de sondagens, a subida de Brown foi imparável. Coakley ainda teve o apoio de pesos pesados, como Bill Clinton e Barack Obama, e pelo meio foi cometendo gaffes embaraçosas, como a de ter chamado a Curt Schilling um “Yankee Fan”, ele que é uma lenda dos Boston Red Sox. A candidata era má, mas o que a derrotou foi o enorme descontentamento que existe nos Estados Unidos sobre as políticas da liderança democrata. E isso irá, sem dúvida, mudar a agenda da Administração Obama.Ou pelo menos, nada ficará igual depois de ontem. 

 

 

O segundo ano começa da pior forma para Barack Obama. Mas este resultado pode também ter efeitos positivos para os democratas. Ontem na MSNCB, um dos comentadores afirmava que esta derrota pode contribuir para impedir o desastre em Novembro. Resta saber como irá Barack Obama reagir, e corrigir o rumo mais à esquerda que tinha vindo a evidenciar na politica interna. 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 02:05link do post | comentar | ver comentários (11)

O impensável aconteceu. O Partido Republicano elegeu um senador no estado do Massachusetts, na eleição especial que se realizou ontem. Para quem não percebe o alcance deste resultado, este lugar era ocupado desde 1953 pela família Kennedy, e desde 1972 que os republicanos não venciam uma eleição para o senado neste estado. Scott Brown venceu a democrata Martha Coakley, a super-favorita até há duas semanas atrás. Durante o dia faremos a análise a este resultado, e as implicações que poderá ter na agenda da Administração Obama. 


publicado por Nuno Gouveia, às 01:00link do post | comentar | ver comentários (2)

Esta é a terceira avaliação que faço do mandato de Barack Obama. Primeiro foram os 100 dias, depois o aniversário da sua eleição, e agora o ano completo de mandato. A agenda mediática é tramada para datas, e eu, como não consigo fugir dela, deixo aqui algumas impressões sobre o primeiro ano de Barack Obama na presidência americana. Um pouco contrariado diga-se, porque na verdade, ao avaliar o trabalho de um ¼ do mandato, poderei ser pouco rigoroso, e facilmente desmentido daqui a alguns meses. Quando Ronald Reagan completou um ano na Casa Branca, os seus níveis de aprovação eram apenas ligeiramente superiores aos de Barack Obama, e estou certo que na altura terão aparecido muitos profetas da desgraça a condenar a sua Administração, que viria a ser considerada como uma das mais bem sucedidas do século XX. Hoje ninguém se lembra desses problemas. A outra dificuldade que encontro é tentar escrever um post abrangente, o que seria condenado ao fracasso, tantas foram as áreas e problemáticas que afectaram o mandato de Obama até ao momento. Optei por centrar-me nas principais razões das dificuldades que a Administração enfrenta. Que, diga-se, são muitas.

 

 Na altura em que escrevo este texto ainda não sei dos resultados da eleição especial para preencher o lugar no Senado de Ted Kennedy. Mas mesmo que o republicano Scott Brown não vença a eleição no Massachusetts, o facto desta eleição ser disputada é a prova das imensas dificuldades de Obama ao fim de um ano. Numa eleição em que os assuntos discutidos foram essencialmente nacionais (reforma da saúde, economia e segurança nacional), e mesmo apesar da fraca prestação da candidata democrata, esta eleição será considerada por muitos como um referendo às politicas seguidas pelos democratas. Isto no estado provavelmente mais à esquerda dos Estados Unidos, e que não elege um republicano para o senado desde 1972. Parece-me evidente que algo correu mal a Obama neste primeiro ano. Os motivos? Vários, e nem todos da responsabilidade da Administração, mas centram-se especificamente nas opções de política interna.


19
Jan 10
publicado por José Gomes André, às 21:51link do post | comentar | ver comentários (9)

O blog que hoje nasce é fruto de uma americanofilia que venho há muito partilhando com o Nuno Gouveia, com quem inicio um novo projecto. Este será um local de reflexão e informação sobre a política norte-americana, centrado na análise dos principais eventos da actualidade e dos processos eleitorais, sem esquecer diversos elementos da valiosa herança histórica, cultural e filosófica dos Estados Unidos.

 

Embora nos últimos anos se tenha assistido à ascensão de países outrora quase irrelevantes no panorama mundial, os Estados Unidos continuam a ocupar um lugar singular no quadro internacional, pelo seu dinamismo económico, competência tecnológica e poderio militar, bem como pela sua sociedade vibrante, multicultural e empreendedora. E todavia, por motivos históricos, geográficos ou culturais, a maior potência mundial é, em grande parte, nossa desconhecida. De algum modo, este espaço procurará contrariar esse estranho distanciamento, criando um veículo de proximidade com aquela que é, ainda, a "nação indispensável" de que Madeleine Albright falava há uma década atrás.

 

Se existe uma mensagem intemporal no "sonho americano", ela reside na exaltação da capacidade do sujeito para superar os mais temíveis desafios, e assim realizar a humanidade de cada um num palco colectivo. No "Era uma vez na América", procuraremos honrar a essência dessa mensagem, que não só é um guia inspirador para os tempos conturbados em que vivemos, como expressa uma ideia adequada ao espírito deste projecto: a criação de um espaço informativo e reflexivo partilhado, mas onde coexistirão duas opiniões individuais. Procuraremos ser rigorosos e objectivos, mas seguindo naturalmente as nossas visões particulares, em jeito de complemento e debate.


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