Um dos dados estruturais que permitem antever um resultado negativo para o Partido Democrata em Novembro reside no domínio alargado que este usufrui no Congresso. Depois de um período de maior influência Republicana, os Democratas encetaram recuperações notáveis em 2006 e 2008. Na Câmara dos Representantes conquistaram 53 lugares em duas eleições (21 em 2006, 32 em 2008). E no Senado, passaram de 45 membros (em 2004) para 51 (2006) e, em 2008, para uma bancada muito alargada (que chegou a ser de 60 membros e é agora de 59, depois da derrota no Massachusetts).
Em sentido inverso, os Republicanos estão num dos pontos mais baixos da sua representação política federal em muitos anos. Na verdade, a sua bancada actual na Câmara dos Representantes é a mais diminuta desde 1992; e no Senado só encontramos situação tão calamitosa (41 membros) há mais de três décadas.
Em suma, os Democratas atingiram com as vitórias claras de 2006 e 2008 um tal domínio no Congresso, que poderíamos designá-lo de "máximo valor possível", especialmente num quadro bipolarizado que caracteriza a política americana. Da mesma forma, os Republicanos partem de uma situação tão frágil que se torna quase inevitável que recuperem vários lugares em ambas as câmaras. Naturalmente, a dimensão desta recuperação será determinante para avaliar a importância da sua vitória, mas esta torna-se também explicável - desde já - pela desproporcionalidade de forças que se verifica actualmente no Congresso.