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Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 21:32link do post

Mitt Romney tem-se mostrado bastante vulnerável nestas primárias. Numa era dominada pelo soundbites estridentes e pelo conservadorismo exacerbado da base republicana, Romney ainda não arrancou para uma liderança incontestável nas sondagens. Mesmo tendo sido sempre, de longe, o melhor candidato em todos os debates já realizados. Olhando para as fraquezas de todos os candidatos, e Romney também apresenta bastantes, nomeadamente as mudanças de posição em relação a temas chave no Partido Republicano, como aborto e reforma da saúde, acredito que será, quase inevitavelmente, o adversário de Obama. Jon Huntsman, o mais moderado, não consegue descolar, e por isso, é difícil encará-lo como credível para vencer a nomeação. Bachmann e Santorum são simplesmente inelegíveis. Newt Gingrich, apesar das inegáveis qualidades intelectuais que possui, é considerado como uma figura do passado e encarado com desprezo pelo eleitorado independente e moderado. Herman Cain, apesar de liderar neste momento algumas sondagens nacionais, tem apresentado debilidades inacreditáveis e evidenciado confusões no seu pensamento político, que aliados à total ausência de experiência política, o desqualificam como candidato ao cargo mais importante dos Estados Unidos. Por fim, Ron Paul, está muito desfasado do pensamento mainstream do Partido Republicano para poder ser o nomeado. Resta Rick Perry, que com o currículo de governador do Texas ao longo dos últimos 11 anos, poderia ser considerado uma boa alternativa. Mas estes primeiros dois meses de campanha destruíram, talvez definitivamente, a sua credibilidade nacional. Com prestações risíveis nos debates, declarações bombásticas e até patéticas - recentemente afirmou que tinha abordado o assunto da certidão de nascimento de Obama porque... era divertido gozar com o Presidente - Perry afundou-se nas sondagens e dificilmente conseguirá recuperar. Neste leque de candidatos, resta Mitt Romney, que apesar de não encantar nem galvanizar a base conservadora, tem mantido números interessantes nas sondagens e poderá ser um adversário temível para Obama nas eleições gerais. Com um candidato a VP que entusiasme a base, e isso não será difícil de conseguir (Rubio? Christie? Ryan?), Romney terá o caminho livre para conquistar o eleitorado independente e moderado. 

 

Apesar das sondagens nacionais terem muito destaque nos media, a história ensina-nos que o mais importante é estar atento ao que vai acontecendo no Iowa (IA), New Hampshire (NH), Carolina do Sul (SC), Florida (FL) e Nevada (NV), os primeiros estados a votarem. Basta recordar 2008. Hillary Clinton teve sempre grandes vantagens nas sondagens nacionais sobre Barack Obama, mas tudo mudou depois de ser derrotada por Obama no Iowa. Ao mesmo tempo, Rudy Guiliani teve sempre boas sondagens nacionais, mas depois de ter maus resultados no Iowa e New Hampshire, a sua campanha desabou. Ontem a Time publicou sondagens dos quatro primeiros estados a irem a votos (Iowa, NH, SC e FL), onde Romney aparecia à frente em todas. Se a dinâmica da corrida não se alterar muito, acredito que depois destas cinco eleições, Romney estará bem posicionado para obter a nomeação. A minha previsão é que fique perto da vitória no Iowa, muito próximo do opositor mais conservador. Neste momento Cain ocupa o lugar mas Rick Perry ainda pode regressar ao topo. E curiosamente, se nenhum destes se destacar, ainda poderemos ver Gingrich a brilhar. Depois deverá ter uma vitória confortável no New Hampshire, e terá um bom resultado na Carolina do Sul, onde poderá disputar a vitória. Finalmente, deverá vencer na Florida e no Nevada. Com estes resultados, a nomeação dificilmente escapará a Romney. Neste momento, diria que Romney tem mais de 75% de possibilidades de ser o opositor de Barack Obama nas eleições gerais. 


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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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