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Out 11
publicado por José Gomes André, às 20:55link do post

Recentemente, Mitt Romney fez um discurso sobre política externa onde advogava o reforço do papel dos EUA no quadro internacional, dizendo mesmo que este teria de ser um "século americano". Entre outras frases, Romney referiu-se ainda à importância de os EUA serem uma "nação liderante" e não apenas "seguidora", devendo "guiar o mundo" e difundir os ideais políticos e económicos americanos.

 

Rapidamente surgiram críticas a este discurso, acusando Romney de regressar à ideologia neo-conservadora ou de adoptar uma retórica intervencionista aparentemente posta em causa por Obama. Parece-me uma abordagem demasiado ligeira a este tema, porque centrada numa perspectiva ideológica. Ora, na verdade, esta questão ultrapassa em muito aspectos da política contemporânea, remetendo antes para a essência da identidade norte-americana.

 

Referimo-nos à ideia do “excepcionalismo americano”, doutrina fundadora do “Novo Mundo”, que destaca a forma como os primeiros colonos viam a sua presença na América como a oportunidade de fundar uma nova comunidade livre das práticas corruptas europeias, um pacto moral e religioso que reproduzia uma outra aliança descrita no Antigo Testamento. Esta visão messiânica viria a traduzir-se num discurso de John Winthrop, o primeiro Governador do Massachusetts, que afirmava em 1630: “Nós seremos como uma cidade sobre uma colina. Os olhos de todo o mundo estão voltados para nós”.

 

Esta visão ecoa reiteradamente na cultura e histórica política norte-americanas, seja na Revolução de 1776 (justamente contra a opressão britânica), na expansão para Oeste (com a tese do “destino manifesto”), no idealismo wilsoniano, nos discursos de Reagan, nas aventuras intervencionistas de George Bush ou até mesmo nas palavras do Presidente Obama, que recentemente repetiu a ideia de que “a América deve liderar pelo exemplo”. Em suma, este discurso transcende em muito a separação "esquerda/direita" ou as preguiçosas separações entre "democratas" e "republicanos", não sendo expressão de uma qualquer iminente reviravolta na política externa dos EUA, mas sim a mera reafirmação de um ideal há muito partilhado pelos americanos em geral.

 


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