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Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:17link do post | comentar

 

Uma das guerras mais difíceis da história norte-americana está a ter o seu último capítulo. Barack Obama anunciou ontem que até ao final do ano todas as tropas de combate irão retirar do Iraque, ficando para trás apenas uma guarnição de 200 Marines na Embaixada. Além disso, manterão no Iraque um número não divulgado de consultores militares. No entanto, isto não significa um abandono do país, pois permanecerão no local mais de 16 mil americanos, entre diplomatas e civis. George W. Bush tinha assinado um acordo que previa esta retirada total até ao fim de 2011, mas era esperado que um número significativo de soldados ficasse no país a pedido dos iraquianos. Obama que, ao contrário de Bush, nunca se deu bem com o Primeiro-ministro Maliki, negociou durante meses o número de soldados que ficariam no Iraque, mas no fim nao chegou a acordo. 

 

Apesar das evoluções positivas dos últimos anos, o Iraque ainda não é uma democracia estável nem consolidada. A violência sectária ainda afecta algumas regiões do país e o terrorismo continua a ser um problema. Todos os dirigentes iraquianos, à excepção dos Curdos, defenderam abertamente esta retirada total das forças americanas, mas sabemos, pela história destes últimos oito anos, que nem sempre o que se defende em público representa os verdadeiros desejos deles. O antigo Primeiro-ministro Ayad Allawi, líder do maior bloco da oposição e pró-americano, considerou que era tempo dos americanos retirar, pois terão de ser as forças de segurança iraquianas a garantir a paz. Perante a oposição dos partidos iraquianos, e sabia-se que dificilmente passaria no Parlamento um extensão da presença militar americana no Iraque, Obama tomou a decisão de retirar, cumprindo os desejos dos iraquianos. 

 

Obama apresentou esta retirada como uma vitória dos Estados Unidos e e também o resultado de uma promessa efectuada durante a campanha de 2008. Mas nem tudo corre bem para Obama. Os comandantes militares no Iraque aconselhavam uma presença de 10/15 mil soldados americanos para ajudar os iraquianos nos próximos meses. Republicanos como Mitt Romney e John McCain já acusaram Obama de colocar em risco os avanços alcançados nos últimos anos. Se nos próximos 12 meses o Iraque permanecer relativamente estável e no caminho da recuperação política e económica, Obama poderá contar isto como mais um trunfo na frente externa. Se o Iraque regressar a um clima de 2004/2006 e as forças iraquianas forem incapaz de controlar a violência, será um problema para a Administração Obama. 


Eu por acaso duvido que uma eventual deterioração da situação no Iraque possa prejudicar seriamente Obama em termos eleitorais. Os americanos, de um modo geral, estão cansados do Iraque e do Afeganistão, tal como estavam cansados do Vietname em 1973 e não se importaram muito que os EUA retirassem e fechassem os olhos" à presença de um contingente maciço de tropas do Vietname do Norte em território do Vietname do Sul, o que dava a entender que os acordos de paz nunca seriam cumpridos, como não foram. Também não houve grande comoção quando Saigão caiu em 1975.
Alexandre Burmester a 22 de Outubro de 2011 às 13:29

Prejudicar gravemente também acho que não. Até porque o principal tema vai ser a economia. Mas sendo a política externa um campo onde Obama parece levar vantagem, um recuo no Iraque poderá prejudicar isso. De resto, também considero que nao sera grande assunto de campanha.
Nuno Gouveia a 23 de Outubro de 2011 às 22:09

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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