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Out 11
publicado por Alexandre Burmester, às 11:51link do post | comentar

Estamos a pouco mais de um ano das eleições presidenciais americanas e algumas questões se colocam, a começar pelas que derivam da chamada "sabedoria convencional" ("conventional wisdom"). Dizia esta que Harry Truman seria derrotado por Thomas Dewey em 1948, que John Kennedy não seria eleito em 1960 porque nunca nenhum católico o havia sido, que Richard Nixon, depois das suas derrotas nas presidenciais de 1960 e na eleição para governador da Califórnia em 1962, se tornara um "eterno perdedor" e não tinha possibilidades de ser escolhido de novo para candidatos do seu partido, muito menos ser eleito presidente, que Ronald Reagan era um "extremista" sem hipóteses de algum dia chegar à Casa Branca, que George H.W. Bush estava condenado à derrota em 1988 porque, depois da Guerra, nenhm partido ocupara a Casa Branca por mais de dois mandatos consecutivos, que Bill Clinton, com as revelações inoportunas acerca da sua falta de fidelidade conjugal, durante a campanha de 1992, estava "arrumado", que Hillary Clinton era a mais que certa candidata do Partido Democrático em 2008 (e mais que provável vencedora em Novembro, fosse quem fosse o desamparado candidato republicano) e, finalmente, que a América era demasiado "racista" para eleger um "afro-americano".

 

Outro aspecto da "sabedoria convencional" é o dizer-se que "os presidentes dos EUA são sempre reeleitos" (fenómeno diferente do português, onde o Presidente não é o chefe do executivo, sendo mais encarado como um monarca constitucional). Pois bem, dos últimos seis (por ordem cronológica, Ford, Carter, Reagan, Bush I, Clinton e Bush II), três deles perderam as eleições.

 

 

 

Truman exibe a capa do jornal que anunciara a vitória de Dewey em 1948

 

Concordo que Gerald Ford era um caso especial - completava o segundo mandato de Richard Nixon, após este se ter demitido - e George H.W. Bush cumpria o terceiro mandato consecutivo do mesmo partido na Casa Branca. Só Jimmy Carter pode comparar-se a Barack Obama: nenhum deles sucedeu a um correligionário.

 

É claro que Barack Obama está em posição muito difícil - segundo as sondagens e as perspectivas da economia americana - e acho que nenhum potencial candidato republicano pode ser considerado sem hipóteses. A história recente mostra-nos que os "sem hipóteses" (especialmente Reagan, Clinton e Obama) são muitas vezes os vencedores. Ou seja, embora Mitt Romney seja o claro favorito dos analistas, não é de excluir que alguém como o inesperado Herman Cain consiga a nomeação (por esta altura em 2007, quem dava hipóteses a Obama?). E se Cain for o candidato republicano, por mais que a "sabedoria convencional" possa dizer o contrário, eu acho que ele ganhará.

 

A ver vamos.

 

PS Numa coluna na revista inglesa The Spectator, o historiador Andrew Roberts disse recentemente que, numa festa em Martha's Vineyard (local privilegiado para reuniões da elite democrática, e onde os republicanos são tão assíduos como os pinguins na Florida) Bill Clinton lhe confidenciou qualquer coisa acerca de um dos principais candidatos republicanos que, a ser verdade, significará que a corrida no  G.O.P. estará em aberto.

 

 


Obrigado, Nuno.

De notar que em parte alguma Andrew Roberts, ou eu, dissemos que a inconfidência de Clinton (o qual, decerto, terá experiência suficiente para ajudar a vítima da mesma a safar-se do "libelo") dissemos que o alvo era Romney.

PS Sou assinante do Spectator há muitos anos.
Alexandre Burmester a 16 de Outubro de 2011 às 19:57

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