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Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:21link do post

 

Barack Obama há um ano prometeu apoiar a criação do estado da Palestina, num discurso nas Nações Unidas. Não foi novidade, pois já anteriormente George W. Bush tinha apoiado semelhante proposta. Mas todos os envolvidos sabem que o estado da Palestina depende sobretudo de um acordo de paz negociado entre palestinianos e israelitas. Por isso, esta semana Obama teve de dizer, no mesmo palco, que os Estados Unidos não apoiam a criação unilateral de um estado, e se tal for necessário, irão vetar tal proposta no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Portanto, após um ano em que o processo de paz esteve parado, os palestinianos tentaram encostar Obama à parede, e este não cedeu e manteve o apoio inequívoco a Israel. Os Estados Unidos têm liderado pressões internacionais para que a Autoridade Palestiniana não avance com o pedido de adesão à ONU, para não forçar o veto americano. 

 

Sem querer tecer grandes considerações sobre o processo em si, interessa analisar esta posição de Obama enquadrada na situação política americana. Os judeus americanos são historicamente democratas. Mas nos últimos meses têm surgido sinais que nas próximas presidenciais Obama poderá perder parte desse apoio tradicional. Esta decisão da Autoridade Palestiniana surge na pior altura para Obama, que tem vindo a ser acusado pelos opositores de ter cedido em relação a Israel. E isto depois de uma semana em que os democratas perderam uma eleição para o Congresso num distrito com uma grande comunidade judia, onde não perdiam desde a década de 20 do século passado. A pressão do Congresso para que Obama adopte esta posição tem sido fortíssima, com vários republicanos e democratas a ameaçar a Autoridade Palestiniana com o corte do subsídio anual na ordem dos 600 milhões de dólares, caso avancem para o Conselho de Segurança. Nada menos que 88 dos 100 senadores apoiaram esta orientação. E em plena campanha, os principais candidatos republicanos, Rick Perry e Mitt Romney, teceram esta semana duras críticas à política da Administração. Os detractores acusam o Presidente de ter criado as condições, com os seus discursos ambíguos em relação a Israel ao longo destes anos, para a Palestina ter avançado com esta posição unilateral nas Nações Unidas.

 

Na verdade, desde há muitas décadas, que a política externa americana colecciona fracassos no processo de paz israelo-árabe. Com algumas excepções, como os acordos de paz de Camp David em 1978 com Jimmy Carter e os acordos de Oslo com Bill Clinton em 1993. E Obama, que se comprometeu fortemente com o processo de paz, mostrando talvez uma abordagem mais independente do que os seus antecessores, não se tem dado bem. Agora, com esta ameaça formal de veto, deixa bem evidente que os Estados Unidos são, e serão, o mais fiel aliado de Israel. Rodeado de países inimigos e com o crescente perigo da radicalização do Egipto e da Turquia, Israel sabe com quem pode contar nas horas difíceis.


Bom, eu diria que o "coração" de Obama está com os palestinianos e o cérebro com o eleitorado judaico americano (demograficamente pouco significativo, diga-se, e concentrado em estados tradicionalmente democráticos, como Nova Iorque, Illinois e Califórnia - este não tão tradicionalmente democrático, mas que votou republicano para a Casa Branca pela última vez em 1988).

Não me parece que esta súbita posição de força de Obama lhe vá valer a renovada amizade da comunidade judaica, porque esta pensará que foi a anterior atitude "permissiva" do Presidente que provocou esta desnecessária confrontação propagandística na ONU - que é para isso que a organização essencialmente serve, diga-se, para largar soundbites ".
Alexandre Burmester a 22 de Setembro de 2011 às 22:43

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