
Em boa hora Pedro Marques Lopes, citando Andrew Sullivan, recordou a excentricidade das ideias políticas de Ron Paul, das quais se destacam o isolacionismo, a pretensão de retirar os EUA das grandes organizações internacionais (como a ONU ou a NATO) e o desejo de eliminar os impostos directos sobre rendimentos e a extinção de instituições de regulação financeira (como a Reserva Federal), entre outros disparates que demoliriam o Estado federal e destruiriam por fim a credibilidade dos Estados Unidos no mundo.
Sem surpresas, Paul entusiasma os fóruns libertários, os quais por sua vez têm uma grande presença na internet e uma notável capacidade de organização - quer na angariação de fundos, quer na publicitação das suas ideias na comunicação social. Mas uma coisa é saber dinamizar uma mensagem, outra é recolher aceitação política junto do eleitorado. E aí - pese embora os esforços dos voluntários ou o entusiasmo recente da CPAC - Ron Paul tem sido pouco mais que nulo, de um ponto de vista nacional (basta recordar que nas Primárias Republicanas de 2008 Paul obteve somente 1,6% dos delegados à Convenção Nacional).
Num país globalmente conservador (e utilizo aqui o termo para designar uma perspectiva cautelosa que domina a mundividência popular), imaginar que um político tão radical pudesse chegar à Casa Branca - ou que o Congresso estaria disponível para prosseguir a sua agenda - não passa de pura ficção.