Apesar do seu "sucesso" na CPAC Ron Paul permanece tão representativo dos sectores conservadores e republicanos quanto o Rev. Al Sharpton o é dos sectores liberais e democráticos. Um "crackpot", é como ele é visto por muito boa (e talvez ajuizada;-)) gente.
Alexandre Burmester a 23 de Fevereiro de 2010 às 21:37
Boa analogia, Alexandre. Só não percebo como tanta gente continua a acreditar que ele pode ser um candidato viável...
A ideia que eu tenho é que grande parte dos "Paul-istas" apoia-o mais como um candidato "educativo", cujas campanhas irão divulgar as ideias anti-FED, anti-IRS, anti-imperialismo, etc., do que propriamente para ganhar eleições.
Concordo, caro Miguel. Mas com este recente triunfo na straw poll da CPAC, acho que os "paulistas" ficaram entusiasmados e já se falava na net em candidatura presidencial viável. O que me parece francamente utópico. Abraço!
Talvez ainda seja menos, já que ao menos as posições de Sharpton são uma versão extrema das posições do "Democrata estereotípico"; no caso de Ron Paul, nalgumas coisas defende quase o oposto do "Republicano estereotipico"
Concordo que mais do que uma hipotética candidatura presidencial, mais relevante é a difusão das suas ideias.
Que são absolutamente necessárias, para um mundo mais livre.
Quanto a ser um «radical», não duvido que o sistema assim o encare, pois este prefere instituições federais que controlem os mercados financeiros criando e fomentando bolhas a gosto de investidores, aprecia bailouts à custa dos contribuintes, pelam-se por uma boa guerra, acreditam em criar sociedades livres a partir do nada, enfim... depois o radical é RP! É de rir!
Caro Gabriel, num espectro político, as ideias de Paul estariam seguramente situadas num ponto extremado. Isso faz dele um "radical", em termos políticos. Se ser "radical" é bom ou mau já é outra discussão. A meu ver é mau porque considero as suas doutrinas insustentáveis, destruidoras do regime federal e nocivas no plano internacional, mas sei que o Gabriel discorda... Abraço!
O isolacionismo não é algo excêntrico nos EUA, ou sequer original. É uma das linhas constantes da visão americana do mundo, não necessariamente da texana. Veja-se o artigo de Samuel Berger, AmericanPower: Isolacionism, Hegemony or Engagement. A posição teve sempre seguidores não só nos conservadores como no campo dos radicais democratas, dos quais o mais famoso é óbviamente Gore Vidal.
M.Ribeiro a 25 de Fevereiro de 2010 às 16:44
Obrigado pelo comentário. O isolacionismo per se não será propriamente excêntrico (embora pouco frequente), sobretudo se referente a uma lógica de não-intervencionismo (que é o que defende Vidal, por exemplo). Já o isolacionismo "a la Paul", incluindo a cessação de acordos internacionais e a saída de organizações fundamentais como a ONU ou a NATO parece-me ser coisa muito mais rara. Abraço!
José,
O radicalismo de Paul é por muitos visto como excêntrico porque ele é coerente, somente por isso. Se fosse excêntrico, veríamos os seus oponentes com fortes argumentações contrárias. Ora, o que se vê normalmente é o escárnio e o desprezo, numa atitude de "o moderado sou eu".
Denis Kucinich também é moderado?
Refiria-me aos moderados do GOP.
Caro Filipe, julgo que tenho outra leitura, mas compreendo a tua. A mim parece-me que Paul é excêntrico "de facto", quer pela maneira de expor as suas ideias, quer pela sua "personalidade". Agora, concordo contigo que é crucial rebater as suas ideias com argumentos e não com simples rótulos. Abraço!
Não sei. Vendo um debate entre republicanos no distrito em que concorre Ron Paul, parece-me que o estilo dele será bastante normal, até poderá mesmo ser visto como calmo e sério. :)
Olha o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=mQfu6lXrwtY
Mas ainda bem que concordas na necessidade de opositores rebaterem-lhe as posições. Algo que, espero, veremos caso ele se decida recandidatar às primárias republicanas.
Quis dizer que talvez o estilo no Texas seja assim para o "excêntrico". Mas admito contraditório, afinal até George W. Bush, um homem de brandos costumes e moderado foi eleito para Governador desse Estado... ;)
Eu não estou a demonizar o homem ou a dizer que ele é doido varrido. Disse que ele defende ideias políticas excêntricas, o que me parece indesmentível. Se está correcto ou errado é outra discussão... (como sabes, para mim está errado, como procurei demonstrar).
Se usaste "excêntrico" nesse sentido, retiro o que disse. Embora ache que "excêntrico" tem carga pejorativa, que "radical" não tem (terá no discurso corrente talvez).
Não sejas picuínhas... Excêntrico quer dizer excêntrico, não quer dizer lunático.
As ideias ronpaulianas não são rebatíveis, porque estão "certas". Discutir com libertários é tão útil como discutir com marxistas. Só dá para gozar mesmo.
É excêntrico chamar isolacionista a Ron Paul, que recusa a NAFTA e outros supostos acordos com milhares de páginas de regulação socialista, dando a imagem de "livre comércio".
Quanto ao padrão-ouro, é preciso ter lata chamar de excêntrico a um sistema que vigorou por séculos e acabou pela força, nacionalizando o ouro da população e proibindo o seu uso.
Ron Paul desafia as pessoas a terem um mínimo de independência de espírito.
Caro Carlos, não está a sugerir que quem discorda de Ron Paul não tem independência de espírito, pois não? :)
Não. Estou a dizer que muitas das vozes discordantes limitam-se a por-se na posição confortável de "ele tem opiniões não maistream", sem análise de mérito, e algo receoso de se poder confundir com algo que esse "mainstream" não compreende e vê como ameaça.
Esse tipo de análise é mesmo aquela que nunca detecta qualquer mudança significativa social ou política. Só quando a mudança se dá e passa a definir um novo "mainstream" ocorre depois a mudar-se (aconteceu isso com Reagan, Ron Paul apoiou Reagan quando apareceu pondo em causa o establishment com um discurso apontado como"radical" por todo o Partido Republicano - ROn Paul foi um dos únicos 4 Congresistas que o apoiaram na altura).
A "Revolução" está mesmo a passar-se. Passou a existir um segmento político e ideológico, bem fundado em sólidos princípios económicos, que desconfia de todo o poder político e das suas ligações à economia.
Quem não vê isso dificilmente veria outros tipos de mudanças nascentes, porque todas as mudanças põem em causa o status do momento.
Outro pormenor é interpretar as posições de Ron Paul como "isolacionista".
Ron Paul é pelo comércio livre". É a favor da diplomacia internacional e contactos abertos com as outras culturas.
O problema do "isolacionismo" de Ron Paul para alguns, é apenas ser A favor de uma interpretação mais restrita do que é segurança nacional e isso põe em causa todo o edifício proto-neo-conservador que tem sucessivamente conduzido os EUA para desastres.
"A "Revolução" está mesmo a passar-se.". Tenho a impressão de que isto é mais wishful thinking que outra coisa, mas posso estar enganado. Sobre o isolacionismo discordo redondamente da sua interpretação. O que Paul pretende é romper com toda a lógica de cooperação internacional existente a um nível institucional. Sobra o "comércio livre"? Talvez. A política externa vai muito para além disso. E sem enquadramento institucional voltamos aos "acordos de boa-fé" de outras eras. Que tiveram resultados excelentes, como sabemos.
Ron Paul é um defensor acérrimo da Constituição americana, o documento fundador dessa grande Nação. Como tal, apenas deseja manter o governo federal dentro dos seus limites constitucionais, defendendo ao máximo a independência dos estados que constituem a União.
Concordo que possa ser chamado de excêntrico e radical: são poucos os políticos com um pensamento livre e coerente, e que tenham estudado tão aprofundadamente as teorias económicas (e escrito sobre elas, em especial as da Escola Austríaca) como RP o fez. Claro que no mundo podre que aceita os lóbis, a captura do Estado por grupos de interesse bem relacionados, a ingerência externa dos EUA, a guerra perpétua, etc..., RP é verdadeiramente um caso exótico.
Rxc a 26 de Fevereiro de 2010 às 09:32
O tema do "originalismo" e do debate constitucional americano é fascinante, mas receio que não seja o mais adequado para uma caixa de comentários... Em todo o caso, observo que a sua leitura do quadro federal americano aponta mais para a confederação dos Artigos de 1781 do que propriamente para o modelo fixado em 1787 e que estabelece um sistema cooperativo, e não a "independência dos estados que constituem a União".