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Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 00:02link do post | comentar

As eleições presidenciais de 1824 foram umas das mais controversas de sempre da história americana. Apesar de perder na contagem de votos populares e no colégio eleitoral, Jonh Quincy Adams, filho do segundo Presidente, John Adams, acabaria por ser eleito Presidente. 

 

Nestas eleições, que se destinavam a substituir o Presidente James Monroe, candidataram-se quatro políticos, todos do Partido Republicano-Democrático, já em profunda desagregação: John Quincy Adams, com um longo currículo de embaixador em países como a Holanda, Inglaterra, Prússia, Reino Unido e Rússia, Senador do Massachusetts e ainda Secretário de Estado durante os oito anos da Presidência Monroe; Andrew Jackson, herói da batalha de Nova Orleães contra os Ingleses em 1815, governador da Florida e ainda senador e congressista do Tennessee; Henry Clay, congressista do Kentucky e Speaker da Câmara dos Representantes; e por fim, William Crawford, Secretário da Guerra e do Tesouro durante os mandatos de James Monroe, embaixador na França e Senador pela Georgia. Quatro fortes candidatos que dividiram o apoio entre si, fazendo com que nenhum deles conseguisse ultrapassar os 50 por cento no colégio eleitoral. 

 

Como sempre na época, os candidatos representavam diferentes zona do país, e a campanha era feita sobretudo nos jornais, que eram amplamente partidários. Histórias deste período relatam graves acusações que os jornais lançaram contra os candidatos que não apoiavam, que certamente fariam corar as campanhas mais negativas da actualidade. Adams foi vilipendiado por ter uma esposa inglesa e por vestir-se mal, Clay foi chamado de bêbado e de viciado no jogo, Crawford apelidado de corrupto e Jackson foi acusado de ser um assassino.

 

No final das eleições, Andrew Jackson ficou à frente com 151.363 votos e 37,9 por cento do colégio eleitoral e John Quincy Adams com 113.142 votos e 32,2 no colégio eleitoral. Os outros dois candidatos ficaram com perto de 15 por cento em ambas as votações. Segundo a 12ª Emenda, e repetindo a situação de 1800, a decisão passou para a Câmara dos Representantes, onde cada estado tinha um voto. E foi aí que terá acontecido aquilo que ficou conhecido como o "acordo corrupto". Na primeira votação, Clay foi afastado e decidiu apoiar John Quincy Adams, seu colega na Administração Monroe. Nunca foi provado que Clay realizou algum acordo, e até era conhecida a profunda antipatia que nutria por Jackson, quem ele considerava populista e perigoso para os interesses da União. Mas a verdade é que foi depois Secretário de Estado na Administração Quincy Adams. Os jornais da época da oposição fizeram grande escândalo sobre o eventual acordo, e estas eleições marcariam também o inicio do actual Partido Democrata, fundado depois destas eleições por Andrew Jackson, que viria a derrotar Jonh Q. Adams em 1828. As suas palavras sobre Clay ficaram registadas para a eternidade: "The Judas of the West [Clay] has closed the contract and will receive the thirty pieces of silver."

 

Estas eleições foram também um importante marco na história eleitoral americana. Pela primeira vez, um número bastante considerável de estados recorreram ao voto popular (ainda que com as restrições da época) para eleger o Presidente (18 em 24 estados). Até aí, a maioria escolhia o colégio eleitoral através das assembleias estaduais. Aliás, dizem os historiadores que se não fosse esta votação popular, provavelmente o eleito teria sido William Crawford, o preferido do establishment da altura.


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