
Deverá ou não um Presidente dos Estados Unidos receber o Dalai Lama? George W. Bush fê-lo em quatro ocasiões, sem consequências de maior para as (boas) relações entre americanos e chineses, embora também sem que daí resultassem efeitos positivos para a condição dos tibetanos. Obama começou por recusar esta hipótese (em Outubro do ano passado), mas dentro de alguns dias terá um encontro com o líder máximo budista, em Washington.
Eis um tema difícil, que o aspecto concreto do exercício de poder transforma em verdadeiro dilema. Por um lado, aceitar o encontro hostiliza as autoridades chinesas (como as próprias sublinham), num momento em que a China é o maior parceiro económico e também o maior credor dos Estados Unidos. Por outro lado, recusar essa audiência não só representa uma negação dos valores essenciais que fundam a experiência americana, como implica um sinal de fraqueza da maior potência mundial.
As hesitações de Obama revelam como os dois argumentos expostos são simultaneamente pertinentes. E porque é tão complexo tomar uma decisão equilibrada e taxativa nesta matéria.