03
Mar 11
publicado por Nuno Gouveia, às 13:43link do post | comentar

 

James Carville já é uma lenda da comunicação política americana. Este documentário, da autoria de D. A. Pennebaker e Chris Hegedus, contribuiu um pouco para essa reputação. Filmado nos bastidores da campanha presidencial de Bill Clinton em 1992, acompanha o dia a dia da "sala de guerra" da campanha, onde têm lugar as decisões de comunicação, sempre sob a pressão constante dos acontecimentos. Além de Carville, George Stephanopoulos é outra das estrelas do documentário, hoje destacado jornalista da ABC. Seguindo estes dois estrategas, desde as primárias do New Hampshire até à vitória final de Novembro, ficamos com uma visão muito aproximada de como foi possível levar Bill Clinton, um político desconhecido no inicio das primárias, até à Casa Branca.

 

Vários momentos comunicativos de uma campanha política são aqui observados: como responder à crise de comunicação gerada pelo episódio de Gennifer Flowers, uma estratégia de campanha negativa contra os republicanos, o brainstorming para a realização de um anúncio comercial, a elaboração de um discurso de Bill Clinton, a preparação para os debates e até a escolha das cores das placas de apoio na Convenção Nacional. A relação com os jornalistas e a comunicação com o grande público através dos meios de comunicação é uma constante. Não raras vezes, vemos Carville e Stephanopoulos a a conversarem com jornalistas, e há um pormenor delicioso, quando Carville passa uma informação para a ABC sobre um escândalo de George Bush.

 

James Carville é a verdadeira estrela do documentário. Irascível, apaixonado, comprometido e brilhante, é através dele que temos algumas das melhores tiradas do filme. A sua vida pessoal também é abordada, com a sua relação amorosa com Mary Matalin, na altura estratega da campanha de George Bush, a ser explorada várias vezes durante o filme. Carville representa também uma categoria muito particular, e relevante, da política americana: um consultor de comunicação que não se limita a trabalhar  apenas para ganhar dinheiro. Há uma componente muito forte de comprometimento ideológico e pessoal nestas campanhas. Não digo que sejam todos. Mas a ideia que tenho, e essa é uma vantagem dos profissionais de comunicação política nos Estados Unidos, é que trabalhar para um político não é a exactamente a mesma coisa do que trabalhar para um vendedor de sabonetes. E por isso existem os consultores democratas e republicanos, e que raramente atravessam as linhas partidárias. Estes consultores "vendem" ideias e políticos; mas fazem-no com políticos em que acreditam.

 

Um filme que aconselho a apaixonados do política americana, mas também a todos que se interessam pela comunicação. Como nota final, resta referir que foi nomeado para o Óscar de melhor documentário em 1994.

tags:

Olá! que legal esse blog! Estou estudando Português e, em seguida, desculpa meus erros! Virei visitá-lo
museo del prado a 7 de Março de 2011 às 21:40

Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
ver perfil
ver posts
Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
ver perfil
ver posts
Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
ver perfil
ver posts
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog