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Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:58link do post | comentar

Os Estados Unidos, como grande parte dos países europeus, incluindo Portugal, vivem uma grave crise das contas públicas. Lá, como cá, grande parte do debate público é sobre o combate a este problema. E como sempre sucede na luta política, ambos os partidos esgrimem argumentos pela conquista da opinião pública. Barack Obama anunciou esta semana o seu plano de combate ao défice, o que se consubstancia no orçamento federal para 2012. Mas, segundo os analistas, esta proposta é curta e não resolve nada.

No Wisconsin, o recente eleito governador Scott Walker, republicano, apresentou um plano de austeridade que prevê o aumento das contribuições dos empregados estaduais para a segurança social e para o plano de saúde. A resposta democrata e dos sindicatos não se fez esperar, com ruidosas manifestações nas ruas. A Casa Branca, numa medida arriscada, tomou as dores dos manifestantes na oposição ao governador.

Não sei quem vai ganhar a batalha pela opinião pública. Se os líderes que desejam enfrentar o problema de frente (e não são só republicanos, pois nos governos estaduais de Nova Iorque e Califórnia, liderados por Democratas, as medidas vão no mesmo sentido draconiano), ou se os Democratas de Washington, que parecem querer deixar o problema para lá de 2013. Os republicanos no Congresso têm manifestado vontade de avançar para grandes cortes nos sectores deficitários (saúde, segurança social e defesa), mas a verdade é que ainda não apresentaram um plano sustentado. Parece haver receio em Washington que quem avançar primeiro com cortes nestes sectores vá perder o apoio público. Se o descontrolo das contas públicas é uma ameaça real à estabilidade do país, talvez, digo eu, os americanos prefiram que se enfrentem os problemas com coragem. Será que haverá essa liderança em Washington, como alguns governadores têm demonstrado?


"No Wisconsin, o recente eleito governador Scott Walker, republicano, apresentou um plano de austeridade que prevê o aumento das contribuições dos empregados estaduais para a segurança social e para o plano de saúde. A resposta democrata e dos sindicatos não se fez esperar, com ruidosas manifestações nas ruas"

Penso (pelo pouco que tenho lido) que a causa prinicipal das manifestações não é tantos os aumentos das contribuições mas a interodução de limites à "contratação colectiva".
Miguel Madeira a 21 de Fevereiro de 2011 às 19:32

É verdade. Os motivos também passam pela redução do poder dos sindicatos nas negociações com o governo estadual. Penso que o que se está a passar é um prelúdio do que irá acontecer em muitos governos estaduais liderados por republicanos, e provavelmente irá ter consequências no debate de 2012.
Nuno Gouveia a 21 de Fevereiro de 2011 às 23:33

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