Os Estados Unidos, como grande parte dos países europeus, incluindo Portugal, vivem uma grave crise das contas públicas. Lá, como cá, grande parte do debate público é sobre o combate a este problema. E como sempre sucede na luta política, ambos os partidos esgrimem argumentos pela conquista da opinião pública. Barack Obama anunciou esta semana o seu plano de combate ao défice, o que se consubstancia no orçamento federal para 2012. Mas, segundo os analistas, esta proposta é curta e não resolve nada.
No Wisconsin, o recente eleito governador Scott Walker, republicano, apresentou um plano de austeridade que prevê o aumento das contribuições dos empregados estaduais para a segurança social e para o plano de saúde. A resposta democrata e dos sindicatos não se fez esperar, com ruidosas manifestações nas ruas. A Casa Branca, numa medida arriscada, tomou as dores dos manifestantes na oposição ao governador.
Não sei quem vai ganhar a batalha pela opinião pública. Se os líderes que desejam enfrentar o problema de frente (e não são só republicanos, pois nos governos estaduais de Nova Iorque e Califórnia, liderados por Democratas, as medidas vão no mesmo sentido draconiano), ou se os Democratas de Washington, que parecem querer deixar o problema para lá de 2013. Os republicanos no Congresso têm manifestado vontade de avançar para grandes cortes nos sectores deficitários (saúde, segurança social e defesa), mas a verdade é que ainda não apresentaram um plano sustentado. Parece haver receio em Washington que quem avançar primeiro com cortes nestes sectores vá perder o apoio público. Se o descontrolo das contas públicas é uma ameaça real à estabilidade do país, talvez, digo eu, os americanos prefiram que se enfrentem os problemas com coragem. Será que haverá essa liderança em Washington, como alguns governadores têm demonstrado?