Nos últimos tempos foram publicadas sondagens catastróficas para as aspirações democratas nas intercalares de Novembro. A 9 meses das eleições, ninguém parece seguro no lado dos senadores democratas, e alguns estados que eram considerados "Solid Democrat" ainda há poucas semanas, podem estar agora no alvo dos republicanos. Siga-se estes exemplos.
Evan Bayh, senador do Indiana, que já esteve para se candidatar a Presidente dos Estados Unidos, e que ainda em 2008 esteve na shortlist final de 3 nomes para Barack Obama escolher como candidato a Vice-presidente, pode ser derrotado em Novembro. Algo impensável antes de Scott Brown. Uma sondagem da semana passada mostrou que o senador está vulnerável, e apesar da recusa do congressista republicano Mike Pence em concorrer (seria o mais forte candidato), surgem movimentações no GOP para lutar por este lugar.
No Blue State de Washington, foi hoje publicada uma sondagem que dá empate técnico entre o actual senador democrata Pat Murray e o challenger republicano Dino Rossi. Uma grande reviravolta, se confirmar-se que esta eleição será renhida.
Outro histórico em perigo é Russ Feingold do Wisconsin, que pode ter a concorrência do antigo governador do estado, o republicano Tommy Thompson. Uma sondagem publicada na semana passada apontava uma ligeira vantagem para o potencial candidato.
Se já havia indícios que alguns tradicionais estados democratas teriam corridas competitivas, como a Califórnia, Delaware, Illinois ou Nova Iorque, estas sondagens indicam que o ano poderá ser de terror para os democratas. Ainda hoje foi publicada uma sondagem da PPP que dá um atraso de 23 por cento à senadora Blanche Lincoln do Arkansas. Mas a história ensina-nos que devemos ser muito cautelosos nestas previsões. Em nove meses, a popularidade dos democratas pode subir substancialmente e a Administração Obama já está a colocar em prática uma nova estratégia: ao mesmo tempo que tentam implementar a sua agenda, vão obrigar os republicanos a adoptarem uma postura mais construtiva e cooperante. De forma que, se a situação do país não melhorar até lá, os republicanos também possam ter a sua quota parte da responsabilidade. Outro dado novo a ser introduzido no tabuleiro é que a Administração Obama não irá entregar as campanhas eleitorais aos candidatos, como fez recentemente no Massachusetts. Não por acaso, David Plouffe será o responsável da Casa Branca pelas intercalares. O único aspecto que se afigura muito complexo é a dificuldade de recrutamento de candidatos no actual cenário, com os republicanos a conseguirem convencer muitos políticos a avançar, que, noutro contexto, nunca se arriscariam a concorrer. E isso, já significa uma grande vantagem para Novembro.