04
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 00:43link do post | comentar

Num ano normal, os endorsements de senadores, congressistas e governadores costumam ser um bom indicador para sabermos quem irá obter a nomeação. Estes são importantes para obter apoio nos diferentes estados, pois apesar dos políticos terem relativamente má imagem na generalidade da sociedade, os americanos gostam dos seus eleitos (as taxas elevadas de reeleição assim o provam). Esta campanha republicana tem sido atípica e não é por acaso que  tem havido poucos endorsements, comparativamente com outros anos eleitorais. Do lado democrata, Hillary tem uma vantagem avassaldora sobre Bernie Sanders.

 

Nate Silver tem um endorsement tracker e anunciou hoje que Marco Rubio passou para a liderança do lado republicano, depois de ter recebido o apoio do senador da Pensilvânia, Pat Toomey e de mais dois congressistas. O segundo classificado é Jeb Bush, apesar dos seus apoios terem sido quase todos recebidos na fase inicial desta campanha. Desde Dezembro apenas recebeu o apoio do senador Lindsay Graham, depois deste ter desistido da eleição. De resto, destaque para Donald Trump, que não tem um único apoio de eleitos republicanos, enquanto Ted Cruz apenas tem o apoio de congressistas. Marco Rubio recebeu hoje também o apoio de Rick Santorum, que anunciou a sua desistência da corrida presidencial. Do lado democrata, não há duvidas de que lado está o Partido: no ranking de Silver, Hillary Clinton tem 465 pontos contra dois de Bernie Sanders, que correspondem ao apoio de dois congressistas. Depois do New Hampshire, a sucessão de endorsements deverá aumentar, sobretudo do lado republicano. 


02
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 21:28link do post | comentar

Nos últimos meses prognostiquei, e também aqui, que estas eleições iriam ser decididas entre Ted Cruz e Marco Rubio (com vantagem para este último) e que Hillary Clinton teria uma nomeação mais ou menos facilitada. Apesar dos últimos tempos terem desmentido parcialmente essa minha previsão, mantenho a minha aposta quanto aos nomeados. Se isso suceder, então as regras não escritas das primárias ainda contarão alguma coisa, e Rubio será o escolhido porque é aquele quem tem mais hipóteses de unir as facções do partido e de vencer as eleições gerais, enquanto Hillary, que está há mais de uma década a concorrer, desta vez não falhará a nomeação. Se analisarmos o estado da corrida, mesmo depois dos resultados do Iowa, encontramos algumas fragilidades nessa minha previsão inicial, é verdade. O radicalismo de ambos os lados, com a candidatura insurgente de Bernie Sanders, o candidato mais à esquerda desde George McGovern em 1972, e com o populismo xenófobo de Donald Trump e o radicalismo ideológico de Ted Cruz, está a ameaçar o status quo partidário americano. Mas vamos por partes. 

 

Hillary Clinton ontem apenas venceu no Iowa devido a tecnicalidades (consta-se que ganhou seis caucus com moeda ao ar) e parte para o New Hampshire em maus lençóis. Isto apesar de manter uma grande vantagem nos estados seguintes, na Carolina do Sul e Nevada, e liderar confortavelmente as sondagens nacionais. Mas tudo pode precipitar-se após o New Hampshire, onde é esperada uma vitória de Bernie Sanders. Este, com um discurso populista (recorde-se que o candidato afirma-se socialista, uma palavra maldita no mainstream americano), propõe-se a liderar uma revolução contra Washington - ele que está lá desde 1991, primeiro no Congresso e depois no Senado. Ontem teve o apoio entusiástico da juventude, com mais de 84% dos votos dos eleitores com menos de 30 anos, a fazer recordar as votações de Obama em 2008. Mas o problema para Sanders é que ele, velho senador de 74 anos, não mostrou ainda que tem condições para replicar a coligação de Obama, ao não captar o voto das minorias étnicas e das mulheres. O voto da juventude será escasso para o levar à nomeação. Precisará de alargar o seu apoio, sobretudo em relação às minorias, sem as quais não conseguirá obter a nomeação. Nas próxima semanas, Hillary Clinton terá de fazer o seu trabalho: tentar perder por pouco no New Hampshire e selar vitórias categóricas no Nevada a 20 de Fevereiro - onde ganhou em 2008 -  e na Carolina do Sul a 27, onde é amplamente favorita, dado a elevada população afro-americana. Se for assim, chegará à Super Terça-feira, a 1 de Março, com reais hipóteses de selar a nomeação nessa semana. Repito, isto é o cenário mais plausível. Não quer dizer que vá acontecer, principalmente se Bernie Sanders começar a crescer nos inquéritos nacionais e no Nevada e Carolina do Sul. É que apesar de ter perdido ontem por poucos, a sua cobertura mediática foi positiva e isso pode catapultá-lo para outros voos. Improvável, mas possível.

 

No Partido Republicano, é bem mais complicado tentar adivinhar os próximos passos. É bem possível que após o New Hampshire haja uma total redefinição do leque de candidatos, com vários abandonos, e que fique uma corrida a três, entre Ted Cruz, Donald Trump e Marco Rubio. Só no final desta semana é que começarão a sair sondagens efetuadas após o Iowa, e é preciso esperar para analisar os estudos estaduais e nacionais. Diria que Marco Rubio e Ted Cruz tenderão a crescer e Donald Trump a descer. O senador do Texas irá competir no New Hampshire, mas a sua cabeça passará a estar na Carolina do Sul, onde os evangélicos representam mais de 60% do eleitorado e que lhe podem dar uma vitória a 20 de Fevereiro. Trump tentará obter uma vitória no New Hampshire e até tem tido uma grande vantagem nas sondagens neste estado, mas resta ver o quanto irá descer depois da derrota de ontem. Marco Rubio não precisa de ganhar, embora se tal acontecesse, assumiria desde logo o estatuto de principal favorito e partiria para a Carolina do Sul com grande força para derrotar Ted Cruz. Mas o principal objectivo de Rubio será ficar bem acima dos 20% e eliminar já no New Hampshire a concorrência pelo estatuto de candidato das elites e do mainstream do partido. Para isso, terá que anular John Kasich, Chris Christie e Jeb Bush. Estes tiveram resultados péssimos no Iowa, mas isso já era esperado, e jogam tudo no New Hampshire. Não parece credível, no entanto, que algum destes candidatos mais centristas consigam sobreviver nas próximas semanas. Isto quererá dizer que Marco Rubio será a última esperança dos republicanos moderados, um cenário que já se vem desenhando há algum tempo. Ted Cruz seria o candidato mais à direita do Partido Republicano desde 1964. Donald Trump, bem, seria o elemento mais estranho de sempre a ser nomeado por um dos dois partidos do sistema político americano. O mais parecido que apareceu foi George Wallace, o antigo democrata que se candidatou como independente numa plataforma racista em 1968. De qualquer forma, parece que esta vai ser uma corrida longa e será difícil que a 1 de Março haja vencedor definitivo. Prevejo uma longa corrida, com Rubio a vencer no final Cruz e/ou Trump. A menos que Rubio consiga vencer no New Hampshire e Carolina o Sul, imitando Mitt Romney e John McCain. Improvável, mas possível.

 

Se isto tudo não tiver passado de um grande entretenimento, então teremos Hillary Clinton de 68 anos contra Marco Rubio de 44 anos. Um grande gap geracional em confronto. O inverso que tivemos em 2008, com John McCain de 71 anos e Obama, de 46 anos.

 


publicado por Nuno Gouveia, às 10:18link do post | comentar | ver comentários (8)

1 - O Partido Republicano suspirou de alívio ontem depois da derrota de Donald Trump. Apesar do vencedor, Ted Cruz, ser também um político odiado, a derrota de Trump e o forte terceiro lugar de Marco Rubio alivou muita gente. A votação recorde no Iowa demonstrou também que houve uma grande mobilização para derrotar Trump, o que pode ser replicado noutros estados. Essa foi a grande notícia para a máquina republicana. 

 

2- Ted Cruz e Marco Rubio emergiram como grandes vencedores nos caucuses do Iowa. Este estado, que nos dois anteriores ciclos eleitorais deu vitórias a evangélicos, manteve a recente tradição e deu uma vitória inesperada a Cruz. Rubio ao conseguir um terceiro lugar, muito perto de Trump, solidifica a sua posição como candidato do establishment e pode, já na próxima semana, “arrumar” com Jeb Bush, Chris Christie e John Kasich, os adversários neste campo. Se é verdade que desde 1964 os republicanos optam sempre pelo candidato melhor posicionado para as eleições gerais, este ano poderá não ser diferente.

 

3 - Donald Trump afinal é um "perdedor", palavra que ele detesta. Se até há uns meses atrás, a esmagadora maioria dos analistas (e eu também) não acreditava nas suas hipóteses de obter a nomeação, nos últimos tempos essa percepção foi alterada. A sua derrota no Iowa coloca novamente em causa essa possibilidade, e atira uma enorme pressão para cima dele no New Hampshire. À entrada para esta semana, ele liderava confortavelmente as sondagens aí, mas até como vimos no Iowa, elas podem falhar e os movimentos de última hora, podem-lhe retirar a vitória. Se não vencer no New Hampshire, a sua candidatura estará praticamente terminada. 

 

4 - Marco Rubio irá agora competir no New Hampshire, não propriamente para ganhar, mas para eliminar a concorrência próxima. Ficaria surpreendido se a vitória no New Hampshire não fosse discutida entre Rubio e Trump. Ontem foi anunciado que o popular senador negro da Carolina do Sul, Tim Scott, irá declarar-lhe o seu apoio e nos próximos dias devemos ver um movimento de figuras do Partido Republicano a colocarem-se ao seu lado. Depois desta vitória, e acreditando que alguém tão conservador como Ted Cruz dificilmente terá uma hipótese no moderado New Hampshire, este irá deslocar-se rapidamente para a Carolina do Sul. Aí, podemos ter uma luta a três (se Trump vencer no New Hampshire) ou a dois, caso Rubio consiga ganhar. Tudo em aberto, mas para o resultado final, apostava em Marco Rubio para nomeado republicano. 

 

5 - No lado democrata, a confusão está instalada. Hillary Clinton já se declarou vencedora com 49,9% contra os 49,5% de Bernie Sanders, mas este ainda não aceitou a derrota. Uma vitória é uma vitória e Hillary Clinton ter-se-á salvado de nova derrota no Iowa, depois de há quatro anos ter sido esmagada por Barack Obama e John Edwards. Um resultado que não pode deixar descansado o campo de Hillary, pois há um ano tinha uma vantagem de mais de 50% sobre Sanders neste estado.

 

6 - Para a próxima semana, Bernie Sanders poderá obter uma vitória confortável no New Hampshire. Os resultados do Iowa não darão "momentum" a Hillary Clinton. Mas parece-me que Bernie precisava de vencer aqui para transformar-se num candidato nacional, o que não sucedeu. Muita gente a comparar com o que aconteceu com Obama, que quando chegou ao Iowa também estava atrás de Hillary em quase todos os estados e nas sondagens nacionais. Mas foi essa vitória que o fez crescer. Parece-me muito complicado para Sanders replicar. A seguir ao New Hampshire, segue-se a Carolina do Sul, onde Hillary Clinton é super favorita. 

 

7 - Caso não exista nenhum movimento extraordinário pró-Sanders nas sondagens nacionais e noutros estados, Hillary Clinton poderá fechar a nomeação na super terça-feira em Março. Mas entrará relativamente frágil nas eleições gerais. Ontem os jovens votaram de uma forma avassaladora em Sanders, e com os problemas todos que Hillary tem tido, não terá vida fácil em Novembro. A sua campanha tem dado sinais que o candidato que mais a preocupa é Marco Rubio. Precisamente aquele que parece emergir do outro lado. 


31
Jan 16
publicado por Nuno Gouveia, às 12:57link do post | comentar | ver comentários (3)

Depois de meses de campanha, de sondagens e de casos, os americanos começam amanhã a escolher os nomeados dos dois partidos para disputarem a sucessão de Barack Obama. E as coisas não podiam começar de forma mais surpreendente, com Hillary Clinton numa eleição competitiva e Donald Trump a liderar as sondagens republicanas. A verdade é que nem Hillary tem a nomeação garantida e Trump, ao contrário do que muitos vaticinaram (como eu), tem mesmo uma real hipótese de obter a nomeação, isto se não for já o favorito.  A última sondagem publicada no Iowa, do credível Des Moines Register, coloca Hillary três pontos à frente de Bernie Sanders e Trump cinco pontos à frente de Ted Cruz. Mas antes de perspectivar cenários em ambos os partidos, uma nota histórica:

Há quatro anos, a mesma sondagem dois dias antes dava os seguintes resultados: Mitt Romney 24%, Ron Paul 22% e Rick Santorum 15%. O vencedor acabou por ser Rick Santorum, com 25%, que nunca tinha liderado nenhuma sondagem e acabou por fazer uma grande recuperação nos últimos dias da campanha. Em 2008, a última sondagem dava a Barack Obama 32%, a Hillary Clinton 25% e a John Edwards 24%. Aqui a sondagem ficou muito próxima, com Obama a ter 37% e Clinton com 32%. Do lado republicano, a sondagem do DMR colocava Micke Huckabee com 32%, Mitt Romney com 26%, John McCain com 13% e Fred Thompson com 9%. No final, Huckabee venceu com 34%, Romney com 25%, Thompson com 13% e Mccain em 4º com 13%. 

Esta última sondagem, até pela proximidade dos candidatos, deixa ainda espaço para surpresas de última hora, mas a acreditar nestes números, Clinton poderá confirmar o favoritismo que tem tido ao longo desta campanha, e Trump poderá mesmo vencer no Iowa e tornar-se um pesadelo do establishment e das elites do partido. Acredito que se Trump vencer no Iowa e na semana seguinte, no New Hampshire (onde também tem liderado as sondagens), a sua candidatura poderá mesmo tornar-se muito forte de parar. 

Hillary Clinton tem tudo para ganhar, pois apesar do entusiasmo que tem gerado Bernie Sanders, tem no terreno uma máquina muito eficaz e, segundo a sondagem do DMR, os seus apoiantes são os que estão mais motivados a participarem nos caucuses. Como tem sido dito na imprensa americana, no final isto tudo vai ser definido pela afluência, e aí, Clinton poderá ter vantagem. Até porque estão previstas fortes tempestades de neve amanhâ à noite no estado do Iowa, o que poderá fazer com que os eleitores menos comprometidos poderão ficar em casa. 

Essa pode também ser uma ameaça para Donald Trump, que segundo a mesma sondagem, tem os apoiantes menos "comprometidos", apesar da liderança na sondagem, e quer Ted Cruz, quer Marco Rubio têm uma hipótese. Juntando as primeiras e segundas opções, Cruz tem 40% e Rubio 35%, o mesmo valor do que Trump. Nas últimas semanas falou-se muito de um crescimento de Rubio no Iowa, e apesar de na média de sondagens haver uma subida do senador da Florida, parece-me curto para sequer chegar ao segundo lugar.

 

Nota sobre os caucuses:

* É um sistema bastante complexo, que elegerá 50 delegados no Partido Democrata e 30 delegados do lado republicano. As votações começam às 19h00 (2h00 de Lisboa). Os caucuses são reuniões dos comités eleitorais locais dos partidos em que um candidato é escolhido sem uma votação propriamente dita. Neste sistema, os eleitores de cada partido encontram-se em várias reuniões, para debaterem a nomeação dos delegados e escolherem os seus representantes. Estas reuniões ocorrem em igrejas, escolas ou casas particulares. Qualquer pessoa pode participar, desde que esteja inscrito nos cadernos eleitorais como republicano ou democrata, conforme for o caso. Nos Estados Unidos, em alguns estados, o recenseamento eleitoral implica ficar registado como Republicano, Democrata ou Independente. Durante estas reuniões, os participantes debatem política e as suas opções, escolhendo os seus representantes, que depois, a nível distrital irão escolher os delegados para a convenção estadual, que finalmente irão nomear os delegados para a convenção nacional do partido. 


21
Jan 16
publicado por Nuno Gouveia, às 21:34link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Estamos a dez dias das primeiras eleições destas primárias, os caucuses do Iowa, onde no próximo dia 1 de Fevereiro os eleitores de ambos os partidos vão a votos. E as coisas não estão fáceis para os líderes partidários, com candidaturas insurgentes a terem fortes intenções de voto. Se o vencedor no Iowa nem sempre tem sido o nomeado, o resultado destes caucuses têm sido quase sempre fundamentais para o rumo das primárias. Se é verdade que há eleições iguais, é sempre útil conhecer a história. 

No Partido Democrata, a última vez que o vencedor do Iowa não foi o nomeado foi em 1988, quando Dick Gephardt ganhou, mas foi Michael Dukakis o eleito das primárias. Em 1992, o vencedor foi Tom Harkin, mas dado que era nativo do Iowa, Bill Clinton  e os restantes candidatos abdicaram de competir lá. Desde então, Al Gore em 2000 derrotou Bill Bradley e desfrutou um verdadeiro passeio nas primárias; em 2004, John Kerry derrotou o então favorito Howard Dean e acabou nomeado. Em 2008, a histórica vitória de Barack Obama catapultou-o para a nomeação, apesar de vir a perder na semana seguinte no New Hampshire para Hillary Clinton. 

No Partido Republicano, as coisas nem sempre têm sido tão simples. A última vez que o vencedor do Iowa foi o nomeado foi em 2000, quando George W. Bush derrotou John McCain. Na verdade, desde 1976, o ano em que o Iowa tornou-se competitivo, apenas mais duas vezes o nomeado ganhou no Iowa: Gerald Ford em 1976 e Bob Dole em 1996. Nas duas últimas eleições: em 2008 Mike Huckabee venceu no Iowa, com o nomeado John McCain a ficar apenas em quarto, e em 2012, o vencedor foi Rick Santorum, com o Mitt Romney a ficar ligeiramente atrás. 

 

Olhando para as sondagens no Hawkeye State, ambos os partidos devem estar à beira de um ataque de nervos, especialmente no Partido Republicano.

Bernie Sanders, que tem poucas semelhanças com Barack Obama, está a "imitar" a campanha insurgente de 2008 e colou-se a Hillary Clinton nas intenções de voto. Hoje mesmo saiu uma sondagem que dá oito pontos de vantagem a Sanders no Iowa. Disse anteriormente que a única hipótese do senador do Vermont seria vencer nos dois primeiros estados e acabar com a inevitabilidade de Hillary. Se no New Hampshire é claramente o favorito, esta aproximação no Iowa está a colocar em estado de nervos a campanha Clinton e nos próximos dias podemos esperar num ataque fortíssimo contra Sanders. A dinâmica das primárias muitas vezes altera-se radicalmente depois destes primeiros dois estados a votar, e será mais complicado para Clinton derrotar Sanders se não vencer nenhum destes dois estados. Os líderes democratas não podem estar satisfeitos, pois estas primárias foram preparadas para ser um processo de coroação a Hillary Clinton, mas Sanders arrisca-se mesmo a estragar a festa. E se é verdade que neste momento Sanders apresenta excelentes números contra todos os candidatos republicanos, caso fosse o nomeado as suas posições mais esquerdistas, ainda desconhecidas do grande público, seriam facilmente exploradas pelos republicanos.

Em muito pior estado está o Partido Republicano no Iowa, “entalado” entre o populista e radical Donald Trump e Ted Cruz, um político brilhante mas detestado nas elites do partido pelas suas posições demasiado à direita e intolerantes. Nas sondagens no Iowa, o magnata nova iorquino recuperou a liderança nas últimas semanas, depois de Ted Cruz ter estado na frente nas últimas semanas. Quer um quer outro representam um perigo para as aspirações republicanas em recuperar a Casa Branca e nenhum candidato do pack "center-right" se tem destacado, de onde têm saído todos os nomeados nas últimas décadas. Donald Trump permanece também como favorito nas sondagens do New Hampshire, o que complica imenso as contas que a maioria dos analistas fazia até semanas atrás. Se as sondagens estiverem certas (e elas nas primárias em edições passadas têm falhado imenso), um dos dois vai ganhar no Iowa, e as elites republicanas podem mesmo confrontar-se com estes dois candidatos como os "finalistas" das primárias. Se o mainstream Partido Republicano quer derrotar o populismo e o extremismo, precisará de fazer muito mais. A primeira é unir-se em redor de um candidato logo após o New Hampshire. Que poderá ser Marco Rubio - que tem perdido algum elã nas últimas semanas; Chris Christie -que apenas tem feito campanha no New Hampshire; John Kasich - que está a crescer no New Hampshire; ou até Jeb Bush - que pode renascer, caso existam milagres na política (e às veze existem mesmo). O que não podem é ficar a assistir ao partido de Reagan ser entregue a um destes dois candidatos. Note-se que nem Cruz nem Trump tem nenhum senador ou governador a apoiá-los. O nova iorquino não tem mesmo nenhum político eleito a nível estadual o federal a seu lado.

 

PS: Nada mais elucidativo do que o endorsement de Sarah Palin esta semana a Donald Trump, mostrando, de facto, que a lunatic wing do partido está unida em redor de Trump. 


14
Jan 16
publicado por Nuno Gouveia, às 01:25link do post | comentar | ver comentários (1)

Barack Obama proferiu esta terça-feira o seu último discurso do Estado da União. Foi uma intervenção a olhar para o futuro, com várias referências ao passado, defendendo o seu legado e tudo aquilo que alcançou. Obama desde o início da sua carreira política nacional se apresentou como uma figura transfiguradora e ambiciosa, com o óbvio intuito de colocar-se na galeria histórica dos grandes presidentes dos Estados Unidos. Foi muitas vezes acusado de governar para a história e não para os americanos. O discurso de ontem foi precisamente para se colocar ao lado de outros grandes presidentes e, não por acaso, teve direito a referências a Lincoln e Roosevelt. Obama quis demonstrar assim que os seus mandatos mudaram a América. Mas pouca gente acredita que os historiadores terão essa visão tão benigna. Obama teve sucessos e fracassos, mas não mudou decisivamente a América e o mundo. Os oceanos não recuaram, como tinha prometido em 2008.  Mas Obama pode ser uma importante figura no Partido Democrata nas próximas décadas e figurar no imaginário democrata como um presidente que defendeu as suas causas e que obteve importantes sucessos progressistas. Um pouco à semelhança do que Ronald Reagan representa hoje em dia para os republicanos.

 

Este discurso não trouxe grandes novidades e ninguém terá ficado particularmente impressionado com ele. Obama preocupou-se em mostrar que no seu mandato alcançou imensos sucessos, como a recuperação económica, a legislação da saúde, a aposta nas energias renováveis, o alargamento do casamento gay aos 50 estados ou os acordos com o Irão e Cuba. Foi um Presidente optimista que se apresentou perante os americanos, disposto a mostrar que os seus dois mandatos valeram a pena e que é importante não destruir aquilo que alcançou. Por um lado, Obama deixou um aviso aos republicanos que ainda pretende actuar em diversas áreas, como na imigração, na restrição ao uso de armas, no acordo de comércio livre com os países do pacífico, no encerramento de Guantánamo e no levantamento do embargo a Cuba. Dificilmente o Congresso lhe dará alguma vitória nestes pontos, com excepção da autorização formal da guerra contra o ISIS e o acordo de comércio livre. Obama poderá ainda tentar fechar Guantánamo por ordem executiva, mas não terá vida fácil no Congresso dominado pelos republicanos. Por outro lado, a sua principal preocupação foi enfatizar o que considera que foram os sucessos da sua administração e que os americanos não devem colocar em causa esses sucessos, elegendo um republicano em Novembro. Obama sabe bem que é importante que seja um democrata a suceder-lhe na Casa Branca, pois caso seja um republicano, muito do que fez poderá cair, como é o caso da lei da saúde, os acordos internacionais com o Irão e em relação às alterações climáticas ou a sua legislação sobre regulações económicas e comerciais. 

 

Houve, no entanto, uma novidade no seu discurso: Obama assumiu que fracassou na promessa de unir os americanos. Se os Estados Unidos eram um país dividido após os oito anos de George W. Bush, mais ficaram após a era Obama. Um sintoma disso é a popularidade de Donald Trump, que pode ser considerado como uma reposta furiosa da direita mais radical ao divisionismo dos anos Obama. Além disso, também no lado democrata se nota isto, com a ascensão de Bernie Sanders apoiado pelos sectores mais radicais à esquerda. Hoje a América é um país mais dividido e radicalizado, e Obama, apesar de não ser o único, tem também muitas responsabilidades nisso. A tarefa do próximo presidente, seja ele republicano ou democrata, não será fácil de lidar com esta América cada vez mais vermelha e azul.


09
Jan 16
publicado por Nuno Gouveia, às 23:30link do post | comentar

Devido ao espectáculo (ou tragédia) proporcionado pelas primárias do Partido Republicano e a campanha de Donald Trump, pouco ou nada se tem dito ou escrito sobre as primárias democratas. Nos Estados Unidos, mas também em Portugal, pouco se tem falado desta contenda.

 

Hillary Clinton permanece como a grande favorita para vencer a nomeação democrata (e se os republicanos não escolherem alguém credível, diria que, apesar de tudo, também para vencer as eleições gerais). Apesar de haver uma pequena margem de esperança para Bernie Sanders, as suas hipóteses são muito curtas. Mas vamos por partes.

 

Longe vão os tempos dos índices de popularidade elevados quando foi Secretária de Estado. Entretanto foi afectada por diversos escândalos e eles aparentam não querer ir embora. Quase todas as semanas têm sido divulgados novos pormenores que a colocam em grandes dificuldades e recordam os eleitores que Hillary é sinónimo de escândalos. Tivesse ela uma outra oposição, dentro e fora do partido, e provavelmente já não existia politicamente. Esta semana foram divulgados novos emails classificados que mais uma vez não a favorecem. Nas sondagens para as eleições gerais, Hillary está mesmo atrás de Ted Cruz e Marco Rubio e apenas ligeiramente à frente de Donald Trump (!). O senador da Flórida lidera mesmo sete das últimas oito sondagens. Apesar destas sondagens nacionais não serem muito relevantes nesta altura, indiciam nitidamente as enormes fragilidades de Hillary Clinton. Mas se enfrenta assim tantos obstáculos, porque é que quase ninguém considera credível o cenário dela perder as primárias?

 

A resposta estará mesmo na falta de competitividade na luta pela nomeação democrata. O antigo governador do Maryland, Martin O’Malley não conta e Bernie Sanders, que tem atraído milhares de pessoas aos seus comícios e já angariou mais de 73 milhões de dólares, terá muitas dificuldades em obter a nomeação. Além de ter já 74 anos, Sanders é considerado demasiado à esquerda para ser elegível em Novembro e tem quase todo o establishment do partido contra ele. Quais são as suas reais hipóteses? Bernie neste momento está bastante atrás no Iowa e lidera no New Hampshire. Para fazer frente a Hillary, o senador do Vermont precisaria de vencer logo nos caucuses do Iowa e derrubar Hillary nas primárias do New Hampshire, para se tornar como candidato credível e com capacidade de colocar em causa o super favoritismo de Hillary. Alguém acredita nisso? Neste momento muito poucos, mas milagres acontecem e com a descrença que existe também na base democrata em Clinton e os seus sucessivos escândalos, nunca se sabe. Além disso, a cólera neste ciclo eleitoral não é exclusiva da direita. Eu continuo a acreditar que, apesar de tudo, Hillary será entronizada a nomeada democrata rapidamente (talvez na super terça-feira), mesmo que perca no New Hampshire, como é bastante previsível. Depois nas eleições gerais, o seu futuro político dependerá muito de quem os republicanos designarem.


16
Dez 15
publicado por Nuno Gouveia, às 00:18link do post | comentar

 

William F. Buckley estaria horrorizado a assistir a esta campanha republicana. O intelectual que ajudou a "limpar" o movimento conservador americano da extrema-direita, colocando movimentos como a John Birch Society fora do âmbito de influência do Partido Republicano, ficaria, certamente, decepcionado. Não digo que Donald Trump vá ganhar. Continuo a acreditar que até nem deve ganhar uma só eleição. Mas temos assistido a coisas impensáveis ainda há poucos anos.

 

Quem acompanha a política norte-americana, e principalmente as primárias, saberá que normalmente aparecem candidatos "extremistas" que por vezes até surgem à frente nas sondagens. Mas, mal começam a ser conhecidos, ou a dizer barbaridades, desaparecem. Em 2012 tivemos o caso de Michelle Bachmann, por exemplo. Mas não este ano. Trump tem proferido mil e uma declarações que o desqualificam como candidato a Presidente dos Estados Unidos. Ideias racistas, misóginas ou simplesmente patetas, que derrubariam qualquer outro candidato. Se é verdade que há um grande descontentamento entre a base republicana com os líderes do partido, não é menos verdade que Trump é um demagogo que nem sequer representa o conservadorismo que essa base desafecta apregoa.

 

Por outro lado, o verdadeiro perigo de Trump é que as suas ideias têm trazido para o mainstream político aquelas correntes que Buckley afastou do GOP. Movimentos ligados aos White Supremacists têm elogiado abertamente Trump e o próprio foi entrevistado por Alex Jones, um conspiracionista muito popular entre os meios extremistas. Ontem, num comício, um apoiante gritou "sieg heil" e vários manifestantes têm sido agredidos por apoiantes de Trump, a lembrar tempos de má memória. Trump usa a retórica do ódio e do medo, assemelhando-se a um qualquer político da extrema-direita clássica. Um candidato que quer expulsar 12 milhões de ilegais, que diz que vai construir um muro em toda a fronteira com o México (e que vai colocar este a pagar) e que quer barrar a entrada nos Estados Unidos de todos os muçulmanos, incluindo cidadãos americanos que se tenham ausentado do país, não deveria ser levado a sério. Mas os seus 30% nas sondagens nacionais (que não são muito relevantes nesta fase), a sua liderança confortável no New Hamsphire e o empate com Ted Cruz no Iowa, indiciam o contrário. Neste momento, uma fatia considerável do eleitorado republicano a pensar em votar nele. E isso é uma desgraça.

 

A campanha mais parecida que há memória foi a do candidato segregacionista, o democrata George Wallace, que em 1968 se candidatou como independente, vencendo em cinco estados do Sul. Mesmo que campanha termine como é mais expectável (ou seja, com uma corrida entre Ted Cruz e Marco Rubio ou até Chris Christie, que parece renascer no New Hampshire), o Partido Republicano vai precisar de atacar as razões que permitiram a Trump granjear de algum apoio depois das barbaridades que tem dito. Caso contrário, um dia cairão mesmo nas mãos de um demagogo de extrema-direita.

 

(Post escrito antes do debate desta noite)


12
Dez 15
publicado por Nuno Gouveia, às 16:06link do post | comentar

Entrevista ao Francisco Castelo Branco sobre as primárias republicanas.


05
Dez 15
publicado por Nuno Gouveia, às 16:06link do post | comentar

Esta semana foram publicadas duas sondagens nacionais entre Hillary Clinton e os seus potenciais opositores republicanos. Se é verdade que neste momento não devemos ligar muito a estas sondagens, principalmente porque do lado republicano a indefinição ainda é grande, estes números não são muito animadores para a antiga Secretária de Estado. Por um lado, a animosidade do lado republicano faz com que os eleitores do seu partido ainda não se tenham colocado atrás de um só candidato. Por outro, Hillary já é a quase certa nomeada democrata (digo quase, porque Bernie ainda tem uma remota hipótese e escreverei em breve sobre isso), e o seu eleitorado já estará todo alinhado atrás dela. O que esta sondagem da CNN e a da Quinnipiac nos dizem é que, no momento, os dois republicanos com melhores hipóteses são Marco Rubio e, algo surpreendente, Ben Carson. Mas o mais interessante de ambas as sondagens são os indices de favorabilidade dos candidatos da Quinnipiac. Donald Trump é, de longe, o candidato mais impopular, com 35% de opiniões favoráveis contra 57% de desfavoráveis. Segue-se Clinton com 44-51, e já em terreno positivo, Carson com 40-33 e Rubio com 37-28. Ted Cruz fica-se pelos 33-33. Estes números dizem-nos que se a esmagadora maioria dos americanos já têm uma opinião sobre Clinton e Trump (e ela não é positiva, sobretudo em relação ao republicano), Rubio, Carson e Cruz precisam ainda de maior notoriedade, o que quer dizer que as opiniões sobre os três ainda não estão consolidadas. 

Estas sondagens corroboram a minha tese que Rubio é o melhor candidato republicano  e que Trump, apesar de liderar a corrida republicana, terá muitas dificuldades em ser eleito. É que os americanos conhecem-no bem, e a maioria não gosta dele. Os republicanos tradicioais até podem estar dispostos a votar nele nas eleições gerais, mas penso que Hillary Clinton, apesar de também estar em terreno negativo, facilmente exporia as óbvias fraquezas de Trump. E eles sabem disso


03
Dez 15
publicado por Nuno Gouveia, às 22:54link do post | comentar

Podem consultar na newsletter diária do Paulo Querido, Hoje, um trabalho feito pelo Francisco Castelo Branco, onde respondi a algumas perguntas. 


23
Nov 15
publicado por Nuno Gouveia, às 23:07link do post | comentar

O establishment republicano está preocupado com a ascensão de Donald Trump. E tem boas razões para isso. A super PAC de apoio John Kasich anunciou hoje que vai investir 2,5 milhões de dólares a divulgar este anúncio. Mais anúncios de outras candidaturas devem-se seguir a este.  


22
Nov 15
publicado por Nuno Gouveia, às 20:59link do post | comentar

Primeiro, como apontamento histórico, recordo aqui uma sondagem desta semana em 2007: Rudy Giuliani 27%, Fred Thompson 13%, Mitt Romney 12%, John McCain 11%, Mike Huckabee 10%. No final, Mccain foi o nomeado e teve como principais adversários Romney e Huckabee, que venceu no Iowa. Isto para dizer que devemos ter alguma reserva quando olhamos para as actuais sondagens. E de recordar que em 2008, os caucuses do Iowa foram logo no inicio de Janeiro. 

Dito isto, estamos a quase dois meses das primeiras eleições das primárias republicanas e, neste momento, a corrida está centrada em quatro políticos: Donald Trump, Ben Carson, Marco Rubio e Ted Cruz. O drama para o establishment republicano? Destes, apenas Marco Rubio é considerado elegível num confronto com Hillary Clinton. Apesar do que dizem algumas sondagens nacionais (e que valem pouco nesta fase da corrida), poucos acreditam que os inexperientes Trump e Carson, que têm cometido gafes atrás de gafes e com um discurso bombástico e muitas vezes de ódio, tenham capacidade de derrotar Clinton. Ted Cruz, mais jovem e acutilante, formado em Princeton e Harvard, é considerado demasiado radical para o eleitorado centrista que normalmente decide as eleições em estados decisivos como Ohio, Florida ou Virginia. O que resta destes quatro? Marco Rubio, talvez o mais brilhante político desta geração, mas que é considerado por muitos como demasiado novo e inexperiente. O descendente de cubanos é talvez o nome mais perigoso para a equipa de Hillary Clinton, como recentemente recordou James Carville.

Os republicanos tinham à partida vários nomes fortes e de créditos firmados: o governador do Wisconsin, Scott Walker; o governador do Ohio, John Kasich; o governador de New Jersey, Chris Christie; e o antigo governador da Florida, Jeb Bush. Mas tudo tem corrido mal com a revolta dos sectores mais à direita e anti-sistema, o que tem catapultado para a ribalta outros nomes. 

Depois da queda de Scott Walker, o próximo a cair pode mesmo ser Jeb Bush, que entrou nesta campanha como o principal favorito à nomeação. A descer abruptamente nas sondagens e com financiadores a abandonar a sua campanha, Jeb está em grandes dificuldades. Os outros potenciais candidatos do establishment, John Kasich e Chris Christie, ainda não sairam do fundo da tabela das sondagens. O governador de New Jersey foi mesmo afastado do último debate republicano. Dois meses são uma eternidade e muito ainda pode acontecer. Bush pode renascer e até Christie ou Kasich podem começar a subir. Mas se nada mudar, a minha previsão é clara: vamos assistir a uma aposta frontal do establishment e dos grandes financiadores em Marco Rubio e este, provavelmente, vai ter como grande opositor Ted Cruz. É uma aposta arriscada, olhando para todas as sondagens. Mas fica feita aqui a minha previsão. 

Deixo também uma nota do mercado de "previsões": Rubio é o favorito com 48%, Trump com 22% e Cruz com 14%. 

 

 


26
Out 15
publicado por Nuno Gouveia, às 13:29link do post | comentar

Mitt Romney fala sobre o actual estado do GOP, critica a deriva radical de ambos os partidos e elogia Marco Rubio, Jeb Bush, John Kasich e Chris Christie. Tudo para ouvir no "The Axe Files" de David Axelrod, resumidos aqui. Esta intervenção do nomeado de 2012 "apanha" bem os actuais problemas do Partido Republicano e que partilho inteiramente. 


25
Out 15
publicado por Nuno Gouveia, às 22:18link do post | comentar

O Partido Republicano tinha (e ainda tem) tudo para vencer as eleições presidenciais de 2016. Primeiro, por razões históricas: nas últimas décadas, apenas uma vez, em 1988, um partido que ocupou a Casa Branca após oito anos conseguiu eleger um novo Presidente, quando George H. Bush derrotou Michael Dukakis. Mesmo após mandatos considerados de sucesso, como foram os casos de Ike Eisenhower ou de Bill Clinton, os partidos opostos saíram vencedores das eleições. Segundo: a fraqueza do adversário. Como se viu no recente debate do Partido Democrata, Hillary Clinton é a única candidata viável. Mas após diversos escândalos revelados dos últimos meses, a popularidade de Clinton perante o eleitorado americano caiu a pique, e temos até algumas sondagens a indicar que até para Donald Trump poderia perder as eleições (não acredito nisto, pois num confronto entre os dois, Hillary sairia facilmente vencedora). Sendo a superfavorita do lado das primárias democratas, poderá, no entanto, entrar na campanha para as eleições gerais muito fragilizada. 

 

Mas porque é que está numa encruzilhada? A resposta não é simples, mas o facto de Donald Trump estar a liderar as sondagens nacionais e, muito mais importante, nos primeiros estados a irem a votos (Iowa, New Hampshire e Carolina do Sul), é o mais grave sintoma dessas dificuldades. Nos últimos anos, a radicalização do Partido Republicano já deixava antever que nestas primarias poderia aparecer um forte candidato contra o mainstream republicano. As apostas iam sobretudo para os senadores do Texas, Ted Cruz e do Kentucky, Rand Paul. Mas após as vitórias retumbantes nas eleições intercalares de 2010 (onde recuperaram a Câmara dos Representantes) e de 2014 (obtiveram a maioria no Senado), a base republicana mais radical, tem manifestado uma insatisfação brutal perante os seus líderes de Washington, por não conseguirem apresentar os resultados. Esquecem-se que, pela própria organização do sistema político delineado pelos Pais Fundadores, ninguém com 2/3 do poder consegue fazer tudo o que deseja: é fundamental ter o apoio do Presidente. Além que algumas das suas exigências não são sequer aceitáveis. 

 

Mas nestes tempos de radicalismo irresponsável, onde os novos media digitais e as televisões amplificam a mensagem radical, pouco interessa em saber se os republicanos de Washington podiam ou não fazer mais. O que interessa é que não apresentam os resultados desejados. Com candidatos que noutros tempos seriam considerados boas opções para a Casa Branca, como Jeb Bush, Marco Rubio, John Kasich ou até o já desistente Scott Walker, quem lidera as sondagens são dois outsiders: Ben Carson e Donald Trump. Acredito que ambos seriam facilmente derrotados numas eleições gerais contra Hillary Clinton, pois não têm experiência política e, principalmente, defendem coisas inacreditáveis. Dois exemplos: Trump quer expulsar 11 milhões de ilegais. Carson chegou a dizer que um muçulmano não poderia ser Presidente segundo a Constituição. Para alegrar a base mais radical do Partido, apelam a sentimentos xenófobos e perigosos para os Estados Unidos. Este tipo de sentimentos não obteria o voto de mais de 50% dos americanos. 

 

O que pode ou deve acontecer? Desde 1964 que o Partido Republicano nomeia o melhor candidato para as eleições gerais, como referiu o Alexandre no post anterior. A excepção desse ano foi Barry Goldwater que foi "arrasado" nas urnas por Lyndon B. Johnson. Até 2012, os republicanos escolheram sempre o candidato mais viável e apoiado pelo establishment republicano. Neste momento, e a pouco mais de três meses dos caucuses do Iowa (recordo que a primeira eleição é apenas em Fevereiro), a menos que haja alguma reviravolta, apenas estão na corrida dois nomes viáveis (Kasich ou até Christie não terão força para chegar lá): Marco Rubio e Jeb Bush, sendo que este último passa por grandes dificuldades para manter viabilidade financeira na sua candidatura. Se o nomeado for um destes, a regra não escrita desde 1964 irá manter-se (e é o que acredito que irá acontecer). Mas caso o GOP escolha Donald Trump, Ben Carson ou até Ted Cruz, o mais certo é termos um verdadeiro passeio dos Democratas e uma crise aberta no seio dos republicanos de proporções épicas. Mas isto é um aviso: os moderados, também nos Estados Unidos, estão fora de moda.


01
Fev 15
publicado por Nuno Gouveia, às 21:21link do post | comentar | ver comentários (2)

O Partido Republicano nos últimos anos tem tido direito a um verdadeiro freak show nas suas primárias,  a terem vários candidatos que apenas se apresentam na corrida para ganhar dinheiro ou estatuto mediático. O ano de 2012 foi disso o maior exemplo, com apenas um candidato a ter reais hipóteses de ser Presidente, Mitt Romney, enquanto os restantes nunca foram considerados reais candidatos. Longe vão os tempos de 1980, quando Ronald Reagan venceu as primárias a antigo diretor da CIA, George H. Bush, ao líder republicano no Senado, Howard Baker ou ao antigo governador do Texas, John Connaly. Nos últimos anos, têm aparecido vários candidatos/oportunistas, o que tem prejudicado imenso o Partido Republicano, pois normalmente adoptam posições coladas ao extremo político e arrastam o debate para questões laterais e que não interessam à grande maioria dos americanos. Em 2012, percebia-se que Romney era o único que poderia chegar a presidente, mas mesmo assim, teve de debater com candidatos como Rick Santorum, Newt Gingrich, Herman Cain ou Ron Paul. Rick Perry foi um desastre nos debates, Tim Pawlenty desisitiu ainda no Verão e Jon Hunstman era demasiado moderado para o GOP. 

A perspectiva para 2016, nesse aspecto, parece ser bem melhor, com "sérios" candidatos, como Marco Rubio, Jeb Bush, Chris Christie ou Scott Walker, isto para referir aqueles que me parecem terem mais hipóteses de obter a nomeação. E numa segunda linha, aparecem vários candidatos minimamente credíveis para manter um bom debate, como Rand Paul ou até Lindsey Graham. Onde está o problema? É que Ted Cruz, Mike Huckabee, Rick Santorum ou até mesmo Ben Carson também ameaçam concorrer, o que poderá provocar novamente um debate encostado à direita, prejudicando a imagem do GOP. Não que isso não suceda também no Partido Democrata, mas protegidos pelos media, os Democratas conseguem mais facilmente escapar deste tipo de debate. 

Ainda não temos um campo de candidatos totalmente definido, muita tinta vai correr até aos debates começarem, mas muito do que se passar nas eleições de 2016 poderá ser definido pelo rumo das primárias. Principalmente numas eleições que se preveem renhidas. Deixo apenas um exemplo: será que George W. Bush teria derrotado Al Gore se o seu principal adversário nas primárias não tivesse sido um moderado como John McCain?


19
Jan 15
publicado por Nuno Gouveia, às 21:43link do post | comentar

América de 2016. Jeb Bush, irmão do Presidente 43 e filho do 41, disputa a presidência com Hillary Clinton, esposa do 42. Nas primárias, Hillary derrota os seus opositores com facilidade e Bush, após a mais dura campanha de primárias de que há memória no Partido Republicano, acaba por se impor devido à enorme vantagem financeira que conquistou em relação aos seus adversários. Quem irá suceder a Barack Obama? Clinton ou Bush? 

Qual é problema com este cenário? Bem, do ponto de vista de análise de possibilidades, nenhum. Diria mesmo que a esta distância, seria uma aposta relativamente segura (especialmente do lado de Hillary). Confesso que o meu problema é outro. Não haverá na política norte-americana outros nomes e famílias para conquistar o poder? Estaremos a assistir a uma aristocratização nos Estados Unidos? Na verdade, sempre existiram famílias poderosas na história política do país. Recordemos os Adams (presidentes John e John Quincy, pai e filho), os Roosevelt (presidentes Teddy e Frank, primos afastados), os Kennedy ou os Taft. E a nível regional, há exemplos diversos, como os Udall no Oeste, os Daley no Illinois ou os Rockefeller na costa leste. Mas nunca esta concentração foi tão evidente. Mesmo que só um deles se candidate, isso quererá dizer que nas 10 presidenciais entre 1980 e 2016, apenas em 2012 não terá havido um Bush ou Clinton a candidatar-se a presidente. Mais, nesses anos, apenas em 2008 e 2012 não terá existido nenhum num dos tickets presidenciais.

Não coloco em causa nenhum dos dois nomes: pelo contrário, ambos me parecem ter a experiência e qualidades políticas para chegaram à Casa Branca. Mas parece-me que a América dos Pais Fundadores merecia outros protagonistas para o século XXI. E até se pode dizer que há estrelas em ascenção em ambos os lados, como Elisabeth Warren no Partido Democrata, e especialmente no GOP, como Marco Rubio, Chris Christie, Rand Paul, Scott Walker ou Bobby Jindal. Se do lado republicano, e agora com o ressurgimento de Mitt Romney, a nomeação é muito incerta para Jeb Bush, Hillary Clinton, uma figura que está na vida política americana há mais de 20 anos, parece ter a nomeação bem encaminhada. Definitivamente a renovação parece não estar na ordem do dia nos Estados Unidos.

PS: Este post marca o meu regresso ao blogue, que foi relançado na semana passada com o post do Alexandre


02
Fev 14
publicado por Nuno Gouveia, às 19:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Obama tem ainda mais três anos na Casa Branca, mas a sua sucessão já está na ordem do dia. É óbvio que tudo o que se diga por esta altura é altamente provável de ser desmentido pela realidade, e bastará recuar até ao inicio de 2006 para nos recordarmos o que se dizia então: Hillary Clinton era a quase nomeada pelo Partido Democrata e Rudy Giuliani era o favorito do lado republicano. Atualmente, diria que do lado democrata, a história repete-se: a antiga Primeira Dama é a grande favorita à nomeação, enquanto do lado republicano, depois do escândalo que afectou Chris Christie, não há favorito. 

 

Se é verdade que o Partido Democrata poderá ser prejudicado pela previsível impopularidade da Administração Obama em 2016, neste momento apresenta o candidato mais forte. Hillary Clinton continua muito popular, e, sinceramente, não se vê ninguém do lado democrata capaz de a derrotar nas primárias. Neste momento não existe nenhuma estrela em ascensão no partido e nenhum dos potenciais candidatos, como Joe Biden ou Andrew Cuomo, não têm o star power de Obama em 2006. Hillary tem a máquina (que já está no terreno), tem o apoio da base e tem ainda outra coisa: há uma espécie de remorso ente muitos do partido por não a terem eleito em 2008, e desta vez não haverá muitos políticos conhecidos do Partido Democrata a apoiar outro candidato, como sucedeu em 2008 com Obama. Mesmo que o Presidente chegue a 2016 muito impopular, é provável que Hillary se apresente na condição de favorita para ser eleita Presidente. É óbvio que irá deparar-se com muitas dificuldades, Bill Clinton pode ser uma nuvem sombria, como o foi em 2008, o escândalo de Benghazi vai andar por aí, e depois haverá sempre a condicionante do nome republicano. Dito isto, o que acontecerá se Hillary não se candidatar? Haverá muitos mais candidatos e a corrida será completamente imprevisível. Num cenário sem Hillary, o Partido Democrata estará muito mais fragilizado e o nível de popularidade de Obama poderá ser muito mais decisivo na eleição. Além dos nomes já citei, fala-se da senadora do Massachusetts, Elisabeth Warren, do antigo governador do Montana, Brian Schweitzer ou do governador de Maryland, Martin O'Malley. Mas nenhum destes candidatos tem um nome nacional (nomeadamente na base democrata). A eleição de um Presidente democrata será bem mais difícil  neste cenário (os democratas não ganham três eleições seguidas desde Truman em 1948 – na verdade tinham ganho cinco).

 

No Partido Republicano há uma certeza: depois de 2012, onde apenas Mitt Romney era qualificado para ser Presidente (os restantes candidatos não tinham estatuto para isso e muitos foram mesmo confrangedores durante a corrida), no próximo ciclo eleitoral haverá certamente muita qualidade no terreno. Neste momento há poucas certezas, mas Chris Christie, governador de New Jersey (se sobreviver ao atual escândalo de New Jersey), Scott Walker, governador do Wisconsin, o senador Marco Rubio da Florida, Paul Ryan do Wisconsin ou Jeb Bush, antigo governador da Florida serão todos eles nomes capazes de vencer as primárias e chegar à Casa Branca. Quando a máquina republicana começar a despejar dinheiro num candidato, qualquer um destes pode ser o seu escolhido. Apesar de tudo o que se tem dito nas últimas décadas sobre o Partido Republicano, o vencedor das primárias tem sido sempre a escolha do establishment e aquele que se apresenta durante as primárias como o mais bem preparado para ser Presidente. Na ala mais populista e libertária, Rand Paul ou Ted Cruz são nomes a ter em conta, sobretudo porque são políticos muito hábeis e poderão constituir uma ameaça aos candidatos mais mainstream. Entre outros potenciais candidatos, fala-se do governador do Ohio, John Kasich, Bobby Jindal, governador da Louisiana, da senadora do New Hampshire, Kelly Ayote ou novamente de Mike Huckabee, do Arkansas. Depois de oito anos de Obama, diria que um governador terá mais hipóteses de ser o nomeado pelo Partido Republicano, pois apresentará experiência executiva, algo que Obama não teve antes de ser Presidente. No Congresso, diria que Marco Rubio, apesar de ter perdido apoio na base conservadora depois de se ter envolvido activamente na reforma da imigração, é o que tem mais hipóteses, pois consegue bem fazer a ponte entre os sectores mais à direita com a máquina republicana. Chris Christie era considerado o favorito antes dos problemas no seu estado, e tem já um estatuto nacional. Se ultrapassar esta fase menos positiva, poderá ser um candidato fortíssimo. Jeb Bush poderá ser um candidato forte, apesar do seu apelido constituir um problema.  


18
Jan 14
publicado por Nuno Gouveia, às 20:01link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Robert Gates, Secretário da Defesa de George W. Bush e Barack Obama, publicou um livro de memórias onde critica severamente a última administração a que pertenceu, onde Joe Biden, Hillary Clinton e o próprio Presidente ficam muito mal na fotografia. Através de excertos e de entrevistas de Gates, ficamos a saber que os anos em que passou no Pentágono a servir Obama terão sido repletos de discussões constantes com a Casa Branca. Obama é considerado um líder fraco, que não acreditava nas decisões militares que tomou em relação ao Afeganistão, e que desconfiava abertamente das intenções dos líderes militares. Revela ainda que os spin doctors da Casa Branca tentaram, muitas vezes com sucesso, orientar decisões sobre segurança nacional baseados em intenções políticas, e que a própria Hillary Clinton e Obama terão assumido que a oposição à "surge" no Iraque em 2007 do Presidente W. Bush deveu-se sobretudo a tácticas eleitorais. Joe Biden é descrito como um político ineficaz que esteve errado em todas as grandes opções americana de política externa dos últimos 40 anos. A crítica mais dura que faz ao Presidente é que ele não sentia grande empatia pelos soldados americanos envolvidos em combate, e que nunca respeitou as lideranças militares, apesar de, como é óbvio, apoiar os soldados. 

 

Estas revelações causaram um profundo impacto no debate público americano, pois não é normal que um presidente em exercício seja confrontado com críticas de antigos membros da sua administração. São acusações graves, pois Barack Obama aumentou o contingente militar americano no Afeganistão em cerca de 30 mil soldados, quando aparentemente não acreditava nessa solução. Se não acreditava, para quê mandar soldados morrer em combate? No entanto, e como bem recordou John McCain, crítico do Presidente Obama, esta não é a melhor altura para Gates lançar um livro de memórias. Estando ainda os Estados Unidos envolvidos no Afeganistão, e numa luta sem quartel contra a Al-Qaeda, estas críticas de Gates diminuem o status do Presidente e colocam em causa o prestigio de Obama perante os militares. Robert Gates, que serviu presidentes como Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush, W. Bush e Obama, sempre foi cauteloso e discreto, muito respeitado em Washington. Não se percebe porque decidiu agora sair desse formato e apresentar-se desta maneira. Penso que teria sido mais correcto ter esperado pelo fim do mandato do Presidente Obama. A lealdade com que sempre serviu os presidentes americanos assim o exigiria. 


04
Jan 14
publicado por Nuno Gouveia, às 17:44link do post | comentar | ver comentários (5)

 

 

Fallujah foi um dos mais importantes campos de batalha da guerra do Iraque, e um dos locais mais emblemáticos dos combates contra a Al-Qaeda. Foi palco de várias ofensivas e só no inicio de 2007 as tropas americanas e iraquianas recuperaram o controlo da cidade. Esta semana foi anunciado que a cidade voltou a estar sob controlo da Al-Qaeda. 

 

Quando Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos, o Iraque já tinha desaparecido das primeiras páginas dos jornais. A "surge" do general David Petraeus tinha sido um sucesso e a guerra parecia ganha. George W. Bush já tinha negociado com o Primeiro-ministro Maliki um calendário para a retirada militar do Iraque, e apenas tinha sido deixado por negociar o número das forças residuais americanas que iriam ficar no país. Independentemente da má condução da guerra e do caos pós-invasão, que apenas foi quebrado após a "surge", a situação no Iraque parecia bem encaminhada. Mas Obama, que começou a sua carreira política na arena nacional por ser contra a guerra do Iraque (e que fez valer isso na sua corrida contra Hillary, que tinha apoiado a intervenção), acabou por cometer um erro de cálculo ao sair do Iraque da forma como o fez. 

 

Em 2011 Obama não conseguiu concluir um acordo com a liderança iraquiana para manter uma força residual no Iraque. O que estava previsto, e que era desejado pela liderança iraquiana, era manter um pequeno contingente militar que os auxiliasse na luta contra o terrorismo e que funcionasse como força dissuasora perante a violência sectária entre sunitas e xiitas. Além disso, manteriam o apoio ao treino das forças iraquianas. Esse era também o desejo de importantes sectores da administração Obama, que pretendiam manter o país calmo e longe do terrorismo, e afastar ao mesmo tempo a crescente influência iraniana no país. Mas algo correu mal, e Obama acabou por se precipitar e retirar totalmente. Nessa altura a Al-Qaeda estava completamente destruída no país e a violência sectária era reduzida. Independentemente do juízo que se possa fazer da intervenção no Iraque, essa era a postura correta a tomar, até para proteger os interesses americanos e dos aliados na região. 

 

Hoje a Al-Qaeda está a operar novamente em força no país, como se prova pelo controlo de Fallujah, e serve como base também à sua intervenção na vizinha Síria. O erro de Obama foi pensar que os interesses americanos estariam protegidos se deixasse os Iraquianos entregues a si mesmo. No Afeganistão Obama está empenhado em não cometer o mesmo erro, não retirando totalmente do país. Aí está a agir correctamente. 

 

PS: este post marca o meu regresso aqui ao Era Uma Vez na América, onde tentarei postar de forma regular. 


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
ver perfil
ver posts
Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
ver perfil
ver posts
Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
ver perfil
ver posts
arquivos
2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds