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Mar 16
publicado por Alexandre Burmester, às 17:17link do post | comentar

32016-Elections-What-Are-Primaries-and-Caucuses-65

 

Das cinco primárias ontem disputadas (Florida, Ohio, Carolina do Norte, Illinois e Missouri), Donald Trump venceu quatro. Um "score" assinalável é certo, mas:

 

- No Missouri venceu apenas por 0,2% 

- Na Carolina do Norte venceu apenas por 3,4%

 

Nestes dois estados, segundo as sondagens à boca das urnas, Ted Cruz (segundo em ambos), teria sido o vencedor se Marco Rubio tivesse já saído da corrida (fê-lo ontem á noite). No Missouri ainda não está feita totalmente a atribuição de delegados (alguns estados que atribuem todos os delegados ao vencedor fazem-no círculo a círculo, além de atribuirem delegados a nível estadual, o que significa que um candidato derrotado no estado, caso vença num ou mais círculos, angaria também delegados). A Carolina do Norte atribui-os proporcionalmente, pelo que a diferença de delegados entre Trump e Cruz foi de apenas dois (29-27).

 

- No Ohio, estado que atribui todos os delegados ao vencedor, sem consideração por círculos eleitorais, John Kasich, ao vencer, angariou a totalidade dos 66 delegados do estado.

 

Já na Flórida e no Illinois, o êxito do magnata de Nova Iorque foi assinalável em termos de delegados mas, mais uma vez, e muito principalmente no segundo desses estados, beneficiou da divisão entre os seus adversários (votação no Illinois: Trump 39%, Cruz 30%, Kasich 20%, Rubio 9%).

 

A percentagem média de votos de Trump teve ontem uma boa subida (na Flórida, por exemplo, teve 46% dos votos - Kasich conseguiu 47% no Ohio, já agora). A sua média no total de primárias e "caucuses" já disputados está agora nos 37%. Este número explica também por que motivo Trump continua aquém de um número de delegados que lhe permita desde já cantar vitória, embora, depois de ontem, as suas perspectivas tenham melhorado. De facto, conquistou até agora cerca de 47% dos delegados, precisando, portanto, de conquistar 54% dos ainda por atribuir. Daqui para a frente há terreno que se lhe tem revelado desfavorável e terreno onde tem tido bons resultados. Tudo dependerá também do modo como se articular a oposição a Trump, ou seja, dos votos tácticos e da permanência ou não do Governador do Ohio na corrida.

 

Parece, pois, bastante provável, que Trump chegue à convenção republicana em Cleveland com o maior alfobre de delegados, mas continua a ser incerto que lá chegue com a maioria deles, ocorrendo assim a tão falada "brokered convention". O próprio Trump não parece muito seguro de obter a maioria, pois já recentemente disse que o partido deveria nomear quem tivesse mais delegados e ontem advertiu para o perigo de motins em Cleveland, caso não seja ele o nomeado.

 

Entre os democratas, Hillary Clinton venceu as cinco primárias, embora, tal como no campo republicano, o resultado no Missouri tenha sido muito renhido (os mesmos 0,2% de diferença!), e no Illinois tenha ganho por apenas 2%. Mas depois do "susto" do Michigan, conseguiu evitar semelhante desfecho em estados com semelhanças, como os dois que referi. Bernie Sanders está, claramente, cada vez mais numa luta inglória.

 

Termino com a situação actual em termos de delegados, dos dois lados:

 

Republicanos (1.237 dão maioria): Trump 661, Cruz 406, Rubio 169 (campanha suspensa), Kasich 142

Democratas ( 2.382 dão maioria): Clinton 1599, Sanders 844 

 

 

 


Caro Alexandre Burmester,
Crê mais numa nomeação de Trump ou numa Brokered Convention?
André a 17 de Março de 2016 às 16:54

Se quer que lhe diga, caro André, não tenho palpite formado. Acho que as duas hipóteses terão a mesma possibilidade de ocorrerem.

Mas repare que não são incompatíveis: se Trump chegar à convenção de Cleveland sem a maioria dos delegados, teremos uma "brokered convention" mas, teoricamente, nada impede essa convenção de nomear o próprio Trump.

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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