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Out 15
publicado por Alexandre Burmester, às 15:38link do post | comentar

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Em todos, ou quase todos, os ciclos eleitorais presidenciais nos EUA surgem candidatos não tidos por favoritos que dominam durante um certo período de tempo as sondagens do respectivo partido. Há quatro anos, por exemplo, tal sucedeu, no campo republicano, com a congressista Michelle Bachman e com o antigo "speaker" da Câmara dos Representantes Newt Gingrich. Há oito anos, o antigo mayor de Nova Iorque Rudy Giuliani ocupou essa posição durante largos meses. Todos acabaram por "desaparecer".

 

Daí que, perante a persistente posição cimeira do excêntrico e extravagante não-político Donald Trump muitos tenham vaticinado que essa bolha estouraria em devido tempo. Mas sucede que estamos agora a pouco mais de três meses dos "caucuses" do Iowa e da primária de New Hampshire, os tiros de partida na campanha oficial, e Trump permanece no topo das preferências republicanas, se bem que com menos percentagem que há uns meses e com outro "rebelde", o antigo neurocirurgião pediátrico Ben Carson, perto dele (27%/21% na actual média do site realclearpolitics.com, com o Senador Marco Rubio num distante terceiro lugar com 9%).

 

Muitos analistas e estrategas começam a ponderar seriamente a possibilidade de Trump durar para lá do início das primárias e até - quem sabe! - disputar a nomeação. Eu continuo a achar que a nomeação republicana acabará por decidir-se entre os dois candidatos da Florida, o Senador Rubio e o ex-Governador Jeb Bush, filho e irmão dos dois anteriores presidentes do mesmo nome.

 

Além de Trump e Carson, também a ex-CEO da Hewlett-Packard Carly Fiorina, que já em 2010 se candidatou, sem sucesso, a Senadora pela Califórnia, faz parte deste grupo de não-políticos em destaque entre o numeroso grupo de candidatos republicanos (uns quinze actualmente, depois das desistências do Governador do Wisconsin Scott Walker e do ex-Governador do Texas Rick Perry), embora Fiorina tenha vindo a perder gás, por assim dizer.

 

Como explicar esta popularidade de candidatos de fora do espectro partidário no campo republicano? Uma explicação por alguns avançada é a de que estamos perante uma crise de sucesso do Partido Republicano. Efectivamente, talvez nunca, ou raramente, o partido do elefante tenha exercido tanto domínio na cena política americana: 54 dos 100 senadores, 247 dos 435 membros da Câmara dos Representantes (a sua mais larga maioria desde 1928!) e 31 dos 50 governadores estaduais. Falta, portanto, apenas a Casa Branca. Perante isto, as bases mais conservadoras (alguns diriam "radicais") acham legítimo pensar que as suas políticas mais caras sejam postas em prática, mas vêem essa expectativa frustrada por aquilo que consideram ser a excessiva acomodação dos legisladores republicanos uma vez chegados a Washington. Daí as inúmeras revoltas que nos últimos anos têm ocorrido a nível de primárias do partido em eleições para as duas câmaras do Congresso, e daí, também, a popularidade dos candidatos anti-establishment na actual campanha. Surgiu até, entre as bases republicanas mais aguerridas, o acrónimo RINO ("Republican in name only") para classificar aqueles republicanos que essas bases consideram não serem fiéis aos princípios básicos que elas defendem.

 

O Partido Republicano tem a fama - e o proveito - de, na hora da verdade, escolher praticamente sempre o candidato com mais possibilidades de vencer. Mas uma coisa também não deve perder-se de vista: em sondagens com vista à eleição geral, Donald Trump tem também surgido bem posicionado face à provável (hesito cada vez mais em usar este adjectivo neste caso, mas isso é outro assunto) candidata democrática Hillary Clinton, embora aí Carson e Bush tenham melhores números que ele.

 

Não faltam muitos meses para termos respostas concretas a estas questões.

 

 

Foto: Donald Trump e Ben Carson

 


Bom artigo.
O sucesso republicano é relativo pois se baseia mais na grande vantagem natural que possui nas disputas poe vagas no Congresso (o modo como se elege os congressistaa torna a esquerda americana subrepresentada)do que em meritos do partido em si. Seolharmos o Cook PVI veremos que oa nnúmeros que os republicanos possuem não são muito melhores do que deveriam ter em um cenario que seria o normal.É exactamente por isso que o GOP não possui a Casa Branca, pois essa vantagem inexiste na disputa presidencial. Eu chamaria ess
Emerson a 22 de Outubro de 2015 às 00:40

Continuando
Eu chamaria esa crise republicana mais de crise de ilusão. Se acham que com Trump e seus discursos "politicamente incorretos" tem sua melhor chance de Vitória, passarão mais 4 anos longe da Casa Branca. Porém também acho que no fim a disputa ficará entre outeoa dois candidatos. Pra mim serão Rubio e Kasich
Emerson a 22 de Outubro de 2015 às 00:53

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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