06
Jun 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:13link do post | comentar | ver comentários (3)

 

O republicano Scott Walker infligiu ontem uma severa derrota ao Partido Democrata, aos sindicatos e, em última análise, também a Barack Obama. Depois de meses de conflito devido a uma polémica reforma que afectou sobretudo os sindicatos públicos, o governador do Wisconsin venceu confortavelmente, com 53% contra 46% do democrata Tom Barrett. Independentemente de algumas considerações laterais e do spin de ambos os lados, estas eleições mostram-nos os desafios que Barack Obama enfrenta. Esta eleição evidenciou que a base republicana está mesmo motivada para este ciclo eleitoral, e a elevada afluência às urnas ontem é prova disso. Num estado que não vota republicano em eleições presidenciais desde 1984, ontem os republicanos conseguiram ultrapassar os democratas nos esforços de Get Out The Vote. Um aviso para Obama, o que se pode complicar se estes sinais se materializarem nos outros estados democratas da região: Michigan e Pensilvânia. Alguns democratas desvalorizaram esta vitória, como o fizeram aquando das vitórias republicanas para os governos de New Jersey e Virgínia em 2009 e de Scott Brown para o senado no Massachusetts em 2010. Com os resultados que vimos nas eleições intercalares de 2010. Não quer isto dizer que Obama vá perder o Wisconsin ou até as eleições. Nas sondagens que foram efectuadas ontem dão vantagem a Obama, mas é preciso recordar que ele venceu neste estado com 14 pontos de vantagem sobre McCain. Mesmo uma vitória renhida no Wisconsin significará, inapelavelmente, uma diminuição do voto a nível nacional. Obama não perdeu as eleições ontem, mas se tal suceder, poderemos dizer que foi nesta semana que as começou a perder: a subida do desemprego, as declarações de Bill Clinton sobre Mitt Romney e a derrota no Wisconsin poderão ser factores decisivos.

 

A um outro nível, esta vitória de Scott Walker significa também que os sindicatos perderam alguma legitimidade eleitoral. Tendo apostado tudo no derrube do governador que atacou os direitos dos sindicatos, a derrota de ontem voltará a colocar esta questão em debate a nível nacional e haverá a tentação de outros governadores seguirem o exemplo de Walker. Uma boa noite para a agenda republicana. 

 

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04
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 09:39link do post | comentar

 

Mitt Romney venceu ontem as primárias de Maryland, DC e Wisconsin, amealhando a esmagadora maioria dos delegados em causa - 85 contra seis de Santorum, faltando ainda atribuir seis no Wisconsin. Com estas vitórias, Romney assegura ainda maior vantagem nestas primárias, confirmando que está cada vez mais próximo da nomeação. Já ninguém acredita noutro cenário, e a dúvida é apenas quando o conseguirá alcançar. Santorum continua a dizer que não desiste e irá prosseguir. O problema para Santorum? As próximas primárias, que se realizam a 23 de Abril, são quase todas favoráveis a Romney: Nova Iorque, Connecticut, Rhode Island e Delaware. Pensilvânia, o estado natal de Santorum, será a excepção. Mas se por acaso não conseguir vencer em casa, Santorum deixará de ter argumentos para continuar até às primárias de Maio.


01
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:53link do post | comentar

Na próxima terça-feira realizam-se mais umas primárias: Maryland (37 delegados) e DC (17) e Wisconsin (42). Se nos dois primeiros estados Romney irá vencer com facilidade, no Wisconsin a situação permanece de alguma forma dúbia. Isto apesar das sondagens indicarem que Romney é o claro favorito, e nos últimos dias tem recebido apoios de peso. Além do já citado Marco Rubio, ganhou ainda dois importantes aliados no estado do Wisconsin. Na sexta-feira o congressista Paul Ryan, importante figura do movimento conservador americano, colocou-se ao lado de Romney e apareceu a seu lado em diversos eventos públicos e na Fox News. Este Domingo foi a vez do senador republicano Ron Johnson. Bem sei que os endorsements neste ciclo eleitoral têm contado muito pouco, mas com vários republicanos conservadores a transmitirem ao eleitorado o sinal que estas primárias terminaram, desta vez pode ser diferente. Se Romney vencer no Wisconsin com valores perto dos 50%, será devastador para a campanha de Rick Santorum, que ainda tenta resistir até às primárias sulistas de Maio. Veremos se passa de Abril. 


17
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:48link do post | comentar

Esta semana os democratas receberam o prémio da nomeação de Cristine O´Donnell no Delaware. Uma eleição que estava perdida passou a estar quase ganha. A outra boa notícia veio do estado de Washington, onde a senadora Pat Murray ganhou uma importante vantagem nas sondagens sobre Dino Rossi, com três a dar-lhe uma vantagem entre 5 e 9 por cento. Caso os democratas ganhem estas duas eleições, será quase impossível aos republicanos assumirem a maioria no Senado. Mas fora estas duas notícias, tudo o resto foi mau para o Partido Democrata.

 

Barack Obama ganhou no Ohio com 51% e este estado tem sido na última década um dos grandes campos de batalha entre democratas e republicanos. Até há bem poucas semanas pensava-se que a luta iria ser renhida para o senado, entre Rob Portman e Lee Fisher, e também para o cargo de governador, entre John Kasich e o incumbente Ted Strickland. Mas as últimas sondagens que foram divulgadas não deixam grandes margens para dúvidas: os republicanos devem vencer em toda a linha, num estado onde a impopularidade de Obama atinge neste momento os 60 por cento. E atenção às várias eleições competitivas para a Câmara dos Representantes.

 

Na Florida Marco Rubio tem vindo a liderar confortavelmente as sondagens, com a queda abrupta de Charlie Crist. Neste momento será díficil dar a volta a esta dinâmica, pois Rubio tem ganho o apoio esmagador dos eleitores republicanos e tem conseguido ir buscar muito apoio aos independentes, dividindo o eleitorado preferencial de Crist. Ao contrário do que o candidato democrata tem tentado demonstrar, o eleitorado tem percepcionado esta eleição entre dois democratas e um republicano, o que dificulta imenso a vida de Crist. Até pode ser que Kendrick Meek consiga ultrapassar Crist e venha a ser ele a disputar a eleição com Marco Rubio. Ainda é cedo para atribuir a vitória a Rubio, mas neste momento está numa posição muito confortável.

 

O Wisconsin seria sempre um "long shot" para os republicanos. Mas hoje saiu uma sondagem que dá uma vantagem de 7 pontos a Ron Johnson contra o senador Russ Feingold. Por fim no Conecticut, onde a milionária Linda McMahon não surge á frente de Mark Blumenthal em nenhum estudo de opinião, mas que se tem aproximado nas últimas semanas. O The Cook Political Report passou esta corrida para empate técnico esta semana.


14
Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:08link do post | comentar | ver comentários (3)

Os anúncios que George Pataki e Tommy Thompson não vão concorrer ao Senado por Nova Iorque e Wisconsin são excelentes notícias para o Partido Democrata. Outrora considerados lugares seguros, nos últimos meses surgiram notícias que se esses dois republicanos se candidatassem tinham francas possibilidades de ganhar.

 

George Pataki, antigo governador de Nova Iorque, ao recusar avançar quase que oferece este lugar aos democratas, pois o outro nova-iorquino com possibilidades, Rudy Guiliani, há muito tinha deixado claro que não iria concorrer. Especula-se que Pataki poderá se candidatar à nomeação republicana de 2012, e talvez por isso, recuse neste momento tentar roubar o lugar a Kirsten Gillibrand. A confirmar-se esta notícia, não deverá haver surpresas nesta eleição.

 

Tommy Thompson, antigo governador do Wisconsin, está neste momento no sector privado e por lá deverá continuar. O senador Russ Feingold tem a vida mais facilitada, mas como já aqui defendi, o seu lugar pode continuar em perigo. O Wisconsin não é um Blue State como Nova Iorque, e o tempo que ainda falta até Novembro poderá ser aproveitado pelo candidato republicano. Mas sem dúvida que tudo seria mais complicado para os democratas com Thompson na corrida.


Depois de várias semanas a receber más notícias, o Partido Democrata pode finalmente respirar um pouco. E ontem ganharam a eleição especial para o Congresso na Florida, um resultado sem surpresas.


06
Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:39link do post | comentar | ver comentários (3)

Russ Feingold é um dos símbolos liberais do Partido Democrata no Senado. Em Washington desde 1993, Feingold terá uma dura campanha pela reeleição em Novembro, conforme apontam todos os estudos de opinião. Considerado seguro até há bem pouco tempo, na verdade tudo mudou nos últimos meses, nomeadamente devido à contestação à reforma da saúde de Barack Obama. E já não é só a perspectiva do antigo governador republicano do estado, Toomy Thompson, entrar na corrida. Patrick McIlheran, jornalista do Milwaukee Journal Sentinel, escreve hoje sobre o cenário negro para Feingold nas próximas eleições. Nesta fase da corrida, e ainda sem opositor definido, as sondagens indicam que o seu lugar pode mesmo estar em perigo sem Thompson na corrida. Essa perspectiva é confirmada também pela publicação de mais uma sondagem que dá uma vantagem a Thompson de 12 pontos e um empate técnico com os restantes aspirantes à nomeação republicana.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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