15
Abr 13
Por Nuno Gouveia, às 23:17 | comentar | ver comentários (1)

Aqui


17
Fev 13
Por Nuno Gouveia, às 11:17 | comentar | ver comentários (4)

 

Não foi durante a Administração Obama que eles começaram a ser utilizados, mas esse será um dos seus legados quando daqui a décadas se falar no nome do actual Presidente. Utilizados inicialmente apenas para eliminar alvos terroristas no estrangeiro, o seu uso tem-se intensificado a outros sectores (na perseguição de criminosos ou na vigilância, por exemplo). No ano passado foi tornado público que o Presidente Obama mandou matar mais de 100 terroristas da Al Qaeda através do recurso aos Drones, incluindo dois cidadãos americanos que viviam no Iémen. E apesar de nas últimas semanas ter havido um debate sobre o tema, porque será que esta questão nunca suscitou grande polémica nos Estados Unidos, sobretudo nas facções mais liberais e de defesa dos direitos humanos? Está certo, a ACLU tem criticado a utilização de Drones na vigilância de cidadãos americanos, mas a esmagadora maioria das organizações ligadas ao Partido Democrata têm estado em silêncio, quando sabe-se que se estivesse no poder uma Administração Republicana este assunto seria alvo de critica violenta por parte deles. Ao mesmo tempo, os republicanos são genericamente apoiantes. Dick Cheney disse esta semana que a eliminação de terroristas por Drones é um bom programa e, em regra, os republicanos têm estado de acordo com as políticas do Presidente nesta matéria. Resultado deste consenso? No futuro os Drones serão uma realidade massificada, e o seu uso vai alargar-se a outras áreas. Obama, com o beneplácito dos republicanos e apoio dos democratas, institucionalizou a utilização de Drones para qualquer utilidade que lhe possam dar. Se isso será positivo ou negativo, o futuro o dirá. 


13
Jan 13
Por Nuno Gouveia, às 22:43 | comentar | ver comentários (4)

 

Zero Dark Thirty, um filme de Kathryn Bigelow que está nomeado para os Óscares, está desde já envolto em polémica devido ao tema da tortura e das técnicas de interrogatório utilizados pela CIA durante os anos que se seguiram ao 11 de Setembro. O filme conta a história de alguns elementos da CIA na caça de Osama Bin Laden, que culminou em 2011 com a eliminação do líder da Al-Qaeda no Paquistão. Zero Dark Thirty, que contou com a colaboração de informações vindas da Administração Obama, esteve para estrear antes das eleições presidenciais, mas acabou por ser exibido apenas recentemente nos Estados Unidos devido às criticas de sectores conservadores na época, que temiam fosse um acto de propaganda em favor de Barack Obama. Na realidade, essas críticas mostraram-se completamente infundadas, pois o que é relatado no filme, a acreditar na sua história, é apenas a história dos elementos da CIA que desde 2001 lideraram a caça a Bin Laden e poucas referências são feitas às administrações Bush e Obama.

 

O inicio do filme é poderoso e marcante, e que provoca a polémica actual. Nessas primeiras cenas vemos um elemento da Al-Qaeda a ser interrogado por dois operativos da CIA num seus dos famosos black sites, sendo que um deles recorre ao Waterboarding, à privação do sono e à música de heavy-metal para quebrar o prisioneiro. Não sendo bem claro no filme se foram estes métodos que levaram à informação sobre o correio de Bin Laden, a realidade é quem visiona o filme fica claramente com a sensação que o prisioneiro cede ao interrogatório e revela o nome da pessoa que viria a levar a CIA, anos depois, até à casa onde Bin Laden se refugiava no Paquistão. E é aqui que a polémica rebenta: os senadores John McCain (R), Diane Feinsten (D, e Carl Levin (D) criticaram violentamente o filme por mostrar que as técnicas de interrogatório da CIA contribuíram decisivamente para eliminar Bin Laden. Na verdade, as informações que têm saído sobre este tema nos últimos anos têm sido contraditórias: vários membros da Administração Bush, como o antigo director da CIA, Michael Hayden ou o Procurador Geral, Michael Mukasey, têm afirmado que esses métodos foram importantes para o processo Bin Laden, o que tem sido negado por vários políticos com acesso à informação privilegiada, como os referidos senadores. E em quem acreditar nesta história toda? Isso fica para cada um decidir de acordo com as informações conhecidas publicamente.

 

Que houve elementos da Al-Qaeda que foram submetidos a actos questionáveis, como o Waterboarding ou a privação de sono, isso é um facto. Se esses métodos foram eficazes na obtenção de informação relevantes, penso que nunca saberemos com toda certeza. O que temos assistido é que quem defende a utilização desses métodos em situações extremas afirma que foram eficazes. Quem é contra, diz que o inverso. Estes métodos deixaram de ser sancionados pelo governo americano nos últimos anos de Bush. A luta contra o terrorismo prosseguiu nos últimos anos, com a Administração Obama a aumentar a utilização de Drones para eliminar terroristas da Al-Qaeda, com grande sucesso, sendo que a sua captura deixou de ser uma prioridade. O que seria melhor? Capturá-los para retirar informações ou simplesmente eliminá-los? Um debate que ganha contornos ainda mais interessantes, quando Obama nomeou para a CIA John Brennan, que esteve directamente envolvido na espionagem da agência nos anos Bush. Zero Dark Thirty estreia esta semana em Portugal, sendo que tem recebido boas críticas. A ver e retirar ilacções. 


22
Out 11
Por Nuno Gouveia, às 12:17 | comentar | ver comentários (2)

 

Uma das guerras mais difíceis da história norte-americana está a ter o seu último capítulo. Barack Obama anunciou ontem que até ao final do ano todas as tropas de combate irão retirar do Iraque, ficando para trás apenas uma guarnição de 200 Marines na Embaixada. Além disso, manterão no Iraque um número não divulgado de consultores militares. No entanto, isto não significa um abandono do país, pois permanecerão no local mais de 16 mil americanos, entre diplomatas e civis. George W. Bush tinha assinado um acordo que previa esta retirada total até ao fim de 2011, mas era esperado que um número significativo de soldados ficasse no país a pedido dos iraquianos. Obama que, ao contrário de Bush, nunca se deu bem com o Primeiro-ministro Maliki, negociou durante meses o número de soldados que ficariam no Iraque, mas no fim nao chegou a acordo. 

 

Apesar das evoluções positivas dos últimos anos, o Iraque ainda não é uma democracia estável nem consolidada. A violência sectária ainda afecta algumas regiões do país e o terrorismo continua a ser um problema. Todos os dirigentes iraquianos, à excepção dos Curdos, defenderam abertamente esta retirada total das forças americanas, mas sabemos, pela história destes últimos oito anos, que nem sempre o que se defende em público representa os verdadeiros desejos deles. O antigo Primeiro-ministro Ayad Allawi, líder do maior bloco da oposição e pró-americano, considerou que era tempo dos americanos retirar, pois terão de ser as forças de segurança iraquianas a garantir a paz. Perante a oposição dos partidos iraquianos, e sabia-se que dificilmente passaria no Parlamento um extensão da presença militar americana no Iraque, Obama tomou a decisão de retirar, cumprindo os desejos dos iraquianos. 

 

Obama apresentou esta retirada como uma vitória dos Estados Unidos e e também o resultado de uma promessa efectuada durante a campanha de 2008. Mas nem tudo corre bem para Obama. Os comandantes militares no Iraque aconselhavam uma presença de 10/15 mil soldados americanos para ajudar os iraquianos nos próximos meses. Republicanos como Mitt Romney e John McCain já acusaram Obama de colocar em risco os avanços alcançados nos últimos anos. Se nos próximos 12 meses o Iraque permanecer relativamente estável e no caminho da recuperação política e económica, Obama poderá contar isto como mais um trunfo na frente externa. Se o Iraque regressar a um clima de 2004/2006 e as forças iraquianas forem incapaz de controlar a violência, será um problema para a Administração Obama. 


01
Out 11
Por Nuno Gouveia, às 11:27 | comentar | ver comentários (4)

 

Na disputa presidencial de 2008, uma das principais críticas que os republicanos disparavam contra Barack Obama é que este seria prejudicial à luta contra o terrorismo. Os republicanos temiam que Obama fosse abrandar o combate ao extremismo islâmico. Mas a um ano dos americanos irem novamente às urnas, este será, quase de certeza, uma não tema durante a campanha. Ao endurecer o programa de Drones Predators e os assassinatos selectivos contra a Al-Qaeda, os Estados Unidos têm vindo a eliminar um a um os seus líderes. A morte de Bin Lade foi o apogeu, mas os americanos não dão sinal de abrandar. Como disse Mark Halperin na Time, os Estados Unidos têm enviado um sinal poderoso aos seus inimigos:  there's nowhere to run and nowhere to hide. Ontem foi conhecido que um ataque de Drones matou Anwar al-Awlaki no Iémen, um líder da Al-Qaeda que nasceu nos Estados Unidos e que esteve por trás de diversos atentados terroristas. Mais um a juntar à longa lista de sucessos alcançados pelas forças militares americanas nos últimos três anos. 

 

Este sucesso na guerra contra o terrorismo, que muitos duvidariam no inicio do seu mandato, apagou por completo as críticas dos republicanos. Aliás, se há aspecto em que Obama tem sido elogiado pelos seus adversários é precisamente pela forma como a Administração tem combatido a Al-Qaeda. Se a segurança nacional e política externa tem sido um bónus para os republicanos em todas as recentes eleições presidenciais, em 2012 esse não será e o caso. E o mérito é todo de Barack Obama, que tem sabido lidar muito bem com a ameaça terrorista. 


12
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 20:09 | comentar | ver comentários (4)

Ontem assinalou-se o décimo aniversário dos ataques do 11 de Setembro. Com a Al-Qaeda muito fragilizada e à beira do abismo, Barack Obama tem neste capítulo uma vitória para apresentar ao povo americano. E Obama bem precisa de vitórias. Todas as sondagens apontam para uma taxa de aprovação inferior a 50 por cento, com valores muito baixos nas diferentes áreas. Por exemplo, se olharmos para a Gallup de Agosto, Obama tinha uma aprovação de 24 por cento no combate ao défice, 26 por cento na economia e 42 por cento na política externa. A única área em que recebe a aprovação da maioria do povo americano é precisamente no combate ao terrorismo, com 53 por cento a aprovar e 40 a reprovar. E o que Obama tem feito nesta área? Pois é, ao contrário do que vamos lendo por aí numa certa corrente de opinião, é precisamente nesta área que a Administração Obama pouco mudou em relação à anterior. Senão vejamos o que tem sido feito nestes últimos três anos. 

 

Muito se verberou contra a prisão de Guantánamo. Obama, no meio da retórica da sua campanha presidencial, prometeu fechá-la imediatamente. Mas o choque com a realidade foi demasiado forte para manter essa promessa, e na verdade, Guantánamo continua aberta e em pleno funcionamento. Houve coisas que correram mal na prisão cubana? Sem dúvida, mas na verdade, esses erros já tinham sido corrigidos antes de Obama entrar na Casa Branca. Hoje continua um dos baluartes do esforço americano contra o terrorismo. E já ninguém fala disso.

 

O Patriot Act foi um pacote legislativo que teve um apoio bipartidário aquando da sua aprovação, ainda na ressaca do ataque do 11 de Setembro. As forças de autoridade viram simplificado o seu papel na demanda por actividades terroristas, o que, segundo alguns, constituiu um ataque às liberdades dos cidadãos. No meio da fúria anti-George W. Bush que varreu o planeta, o Patriot Act era um dos alvos preferidos dos seus detratores. E o que fez Obama? Pediu ao Congresso a sua prolongação.

 

Os ataques de Drones Predators, iniciados em 2004 por ordem de George W. Bush para matar suspeitos de terrorismo, ganharam um novo fôlego com a Administração Obama. Desde 2009, os ataques com Drones aumentaram de forma substancial no Paquistão, tendo o seu âmbito sido alargado a outras regiões, como no Iémen ou na Somália. Estes ataques têm sido eficazes na eliminação de vários dirigentes da Al-Qaeda. Ainda recentemente o número dois, Atiyah abd al- Rahman, foi eliminado no Paquistão. 

 

Por fim, a morte de Osama Bin Laden foi o culminar de uma longa operação iniciada ainda durante a Administração Bush. Obama teve o mérito de dar total liberdade à CIA, bem como optar pela operação terrestre, em vez de mandar bombardear o local onde Bin Laden estava refugiado. Este é talvez um dos maiores méritos reconhecidos da sua presidência. 

 

A gigantesca máquina contra o terrorismo criada pela Administração Bush, nomeadamente o Department of Homeland Security, novas agências federais ou aumento da coordenação entre os serviços de espionagem, em nenhum momento foi colocada em causa pela Administração Obama. Se foram cometidos erros no combate ao terrorismo nestes últimos 10 anos? Muitos. Mas a verdade é que essa política global tem resultado e os Estados Unidos nunca mais foram atacados desde 2001. E ninguém pense que foi por falta de tentativas. Obama percebeu isso e continuou basicamente com as mesmas políticas anti-terror de George W. Bush. Que pouca gente tenha percebido isso por estes lados é um verdadeiro mistério. Ou talvez não.

 

Publicado no 31 da Armada


06
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 22:54 | comentar

George Friedman, CEO da Stratfor, analiza os últimos 10 anos e o esforço de guerra americano

 

9/11 and the Successful War

Yet there have been no further attacks. This is not, I think, because they did not intend to carry out such attacks. It is because the United States forced the al Qaeda leadership to flee Afghanistan during the early days of the U.S. war, disrupting command and control. It is also because U.S. covert operations on a global scale attacked and disrupted al Qaeda's strength on the ground and penetrated its communications. A significant number of attacks on the United States were planned and prosecuted. They were all disrupted before they could be launched, save for the attempted and failed bombing in Times Square, the famed shoe bomber and, my favorite, the crotch bomber. Al Qaeda has not been capable of mounting effective attacks against the United States (though it has conducted successful attacks in Spain and Britain) because the United States surged its substantial covert capabilities against it.

O historiador Niall Fergusson oferece uma visão da história alternativa, se o 11 de Setembro não tivesse sucedido. 

 

What If 9/11 Had Never Happened?

Let’s start in January 2001 and thwart the 9/11 attacks by having Condi Rice and Paul Wolfowitz heed Richard Clarke’s warnings about Al Qaeda. The game starts off well. Al -Qaeda is preemptively decapitated, its leaders rounded up in a series of covert operations and left to the tender mercies of their home governments. President Bush gets to focus on tax cuts, his first love.

But then, three years later, the murky details of this operation surface on the front page of The New York Times. John Kerry, the Democratic candidate for the presidency, denounces the “criminal conduct” of the Bush administration. Liberal pundits foam at the mouth. Ordinary Americans, unseared by 9/11, are shocked. Osama bin Laden issues a fierce denunciation of the U.S. from his Saudi prison cell. It triggers a wave of popular anger in the Middle East that topples any regime seen as too close to Washington.


01
Ago 11
Por Nuno Gouveia, às 18:00 | comentar

Uma bela reportagem na New Yorker, de Nicholas Schmidle, sobre a operação que culminou com a morte de Osama Bin Laden.


28
Mai 11
Por Nuno Gouveia, às 10:50 | comentar

Esta semana o Senado votou favoravelmente a extensão do Patriot Act até 2015, numa resolução que colheu amplo apoio bipartidário. Ao todo votaram a favor 74 senadores, com 13 a votarem contra (10 democratas e 3 republicanos) e ainda um voto de "presente" de Rand Paul (R). 12 senadores não participaram na votação. A lei anti-terrorista aprovada inicialmente por George W. Bush após o 11 de Setembro, que criou situações de excepção na luta contra o terrorismo, expirava esta semana.

 

O Patriot Act tem sido contestado por algumas associações dos direitos civis, como violadora da constituição americana. No entanto, até ao momento, a lei não foi colocada em causa pelo Tribunal Constitucional, e é considerada uma ferramenta fundamental na luta contra o terrorismo. Basicamente, esta lei, citando esta notícia da AFP, cria três mecanismos fundamentais: a "vigilância móvel" das comunicações de suspeitos que utilizam várias linhas telefônicas; o princípio do "lobo solitário", que permite investigar um suspeito de atividades terroristas por conta própria, e a possibilidade de acesso das autoridades a "todo dado tangível" relativo ao suspeito, incluindo e-mails.


09
Mai 11
Por Nuno Gouveia, às 01:16 | comentar

O correspondente do Expresso nos Estados Unidos, Ricardo Lourenço, realizou uma entrevista em exclusivo ao antigo director da CIA entre 2006 e 2009. Um excelente relato de quem comandou o inicio da operação que culminou com a morte do líder da Al-Qaeda. 

 

Enquanto director da CIA, o senhor iniciou a operação que terminou no domingo com a execução de Osama Bin Laden. Pode descrever os primeiros passos dessa investigação?

Em 2007, o chefe da Unidade Bin Laden, o corpo de agentes especiais da CIA com a missão exclusiva de capturar ou executar o líder da Al-Qaeda, revelou-me que tinha começado a vigiar possíveis elementos da rede de comunicações da Al-Qaeda, nomeadamente homens que Bin Laden usava como mensageiros. Definimos uma abordagem que eu poderia classificar como sendo uma abordagem indirecta ao alvo (Bin Laden). Em vez de irmos à sua procura e mais cedo ou mais tarde confrontá-lo, perseguimos a sua rede de comunicações. Sabíamos que ele continuava em contacto com as várias células da Al-Qaeda, mas que essa comunicação não era electrónica. Ela só podia estar a ser passada boca a boca. A decisão por esta pista foi muito difícil, quase um tiro no escuro. Tudo foi feito de uma forma muito lenta e cada etapa foi ultrapassada sempre de forma a não comprometer a etapa seguinte. Mas, pouco a pouco, reconstruímos a rede de comunicações de Bin Laden. Tínhamos alguma informação que nos fora dada por vários elementos da Al-Qaeda capturados pelas forças americanas. Graças ao programa de interrogatórios da CIA, começámos a construir a investigação, partindo dessas informações. Costumo dizer que esta operação não foi construída peça por peça, nem sequer tijolo por tijolo; foi pedrinha por pedrinha. Foi este processo que nos permitiu detectar o homem de confiança de Osama Bin Laden, o tal kuwaitiano que servia de mensageiro ao líder da Al-Qaeda. A partir daí foi fácil descobrir a casa em Abottabbad e começar a preparar a operação.

 

Ler entrevista completa


Por Nuno Gouveia, às 00:52 | comentar

Não é todos os dias que tal acontece, mas hoje vários republicanos elogiaram Barack Obama. O tema não podia deixar de ser "Osama Bin Laden", mas foram vários que neste domingo, nos programas da manhã, proferiram palavras positivas para o Presidente. Na CBS, no "Face The Nation" esteve o antigo Secretário da Defesa, Donald Rumsfeld. No "Meet the Press" da NBC estiveram Rudy Giuliani, Michael Chertoff, antigo Secretário da Segurança Nacional e Michael Hayden, o director da CIA nomeado por George W. Bush. Por fim, até Dick Cheney, um crítico acérrimo de Obama nos primeiros meses em assuntos de segurança nacional, teve palavras simpáticas para o Presidente, apesar de ter defendido os métodos de interrogação aplicados durante os anos W. Bush. 


04
Mai 11
Por Nuno Gouveia, às 09:50 | comentar

Se não há nada a apontar à operação militar que terminou com a vida de Osama Bin Laden, erros foram cometidos nas horas seguintes. Mark Halperin, com a perspicácia habitual, aponta cinco. Não comprometem o sucesso da missão, mas ofuscam um pouco o grande momento. Por considerar relevante, transcrevo aqui a opinião de Halperin. 

 

No one can question the heroism of the US military, the doggedness of the intelligence community, or the cajones of the President in making the call. But the administration has since made real errors, some with political costs, some with substantive costs, and some with both. The major errors so far:

 

1. Not getting its story straight: Was bin Laden armed or not? What woman served as a human shield? Who actually was killed beyond the main target? The administration deserves mountains of credit for its painstaking, conspicuous effort to brief the world on the mission, knowing a lot of information would have to be held back to protect sources, operatives, methods, and sensitive data. Which makes the carelessness of the errors somewhat surprising. The costs: the media coverage sours, the President’s opponents (especially on talk radio) go crazy, other details of the mission unfairly get called into question, and the wild theories of global enemies and conspiracy seekers get a foothold.

 

2. Not giving George W. Bush enough credit for helping bring bin Laden to justice: Even if the White House believes the previous occupant had nothing to do with OBL’s ultimate demise, it would have been better for national unity and Obama’s own political fortunes if he had gone out of his way to thank 43. His invitation to Bush to join the event Thursday at Ground Zero (an offer declined) was the right idea, but belated.

 

3. Letting the photo debate get out of control: The decision about whether to release images of a dead bin Laden is not an easy one. But the administration’s conflicting statements and public agonizing has created an extended distraction. The White House has stumbled by violating one of Washington’s iron rules: when something becomes famous inside the Beltway for not being released, the pressure from the media to release it becomes unrelenting.

 

4. Letting the debate about the war in Afghanistan get out of control: There are signs that some of the president’s advisers are looking to scale back the commitment in Afghanistan sooner rather than later. But by failing to go on the offensive in defining and defending whatever policy the President wants to pursue, the White House has allowed those pressing for an end of the war to use bin Laden’s death as rhetorical leverage.

 

5. Letting the debate about Pakistan get out of control: The congressional and media demand for a radical change in America’s relationship with Pakistan is burning like wildfire. The administration knows that a shift in policy is complicated and compromising, and not necessarily in the United States’ interest. Stoking the problem: executive branch officials, publicly and privately, are expressing incredulity that the Pakistanis were unaware bin Laden was hiding in plain sight in their country. There should be and will be a debate about all this, but the administration’s actions and inactions is making it less likely it will be on their terms.


03
Mai 11
Por Nuno Gouveia, às 20:27 | comentar

(Credit: DigitalGlobe)

On a moonless night eight months later, 79 American commandos in four helicopters descended on the compound, the officials said. Shots rang out. A helicopter stalled and would not take off. Pakistani authorities, kept in the dark by their allies in Washington, scrambled forces as the American commandos rushed to finish their mission and leave before a confrontation. Of the five dead, one was a tall, bearded man with a bloodied face and a bullet in his head. A member of the Navy Seals snapped his picture with a camera and uploaded it to analysts who fed it into a facial recognition program.

 

A história toda da morte de Bin Laden, no New York Times. 


02
Mai 11
Por Nuno Gouveia, às 17:23 | comentar | ver comentários (3)

 

Como referi anteriormente, a relação com o Paquistão está cada vez mais perigosa. O anterior presidente Pervez Musharraf, aliado dos americanos, já veio dizer que este ataque é uma violação à integridade territorial do país. E não deixa de ser verdade, pois as autoridades do país não foram informadas do raide militar. Mas Obama não tinha outra solução, e até já o tinha avisado ainda durante a campanha presidencial de 2008. Num debate, penso que com Hillary Clinton, Obama tinha dito que se recebesse informações que Osama Bin Laden estava escondido no Paquistão, daria ordens às forças militares para o capturar ou matar. Foi precisamente isso que aconteceu. Pedir a colaboração aos paquistaneses significaria provavelmente que a operação não seria bem sucedida. 

 

Mas esta questão é problemática, pois há muitos anos que se conhece as relações próximas entre oficiais paquistaneses a a Al-Qaeda e os Talibans. O facto de Bin Laden estar instalado numa cidade com uma base militar, conhecida por ser a "West Point" paquistanesa, deixa pouca margem para dúvidas que estava a ser protegido por altos quadros do exército. As tensões, que nos últimos tempos tinham vindo a subir devido aos ataques dos Drones, entre os Estados Unidos e o Paquistão vão subir ainda mais. Mas ninguém espere uma quebra entre estes dois países. Um Paquistão nuclear e vizinho do Afeganistão é demasiado importante para ser deixado sem apertada vigilância. Esta relação é um dos grandes desafios da Administração Obama. 

 

Sobre esta captura, aconselho a leitura deste artigo da The New Yorker. (de onde retirei essa fotografia)


Por Nuno Gouveia, às 11:48 | comentar | ver comentários (6)

 

Foi neste tom que Obama comunicou a morte de Osama Bin Laden. Há poucas alturas em que o povo americano se une em relação a um tema. Raramente é por boas razões, mas a morte do líder da Al-Qaeda recolheu o apoio quase unanime da sociedade americana. Da esquerda à direita, todos se uniram para felicitar o Presidente e o exército americano por esta operação militar*. Barack Obama obteve uma grande vitória para a sua Administração e para os Estados Unidos. Não tenhamos dúvidas: ontem assistimos a um pedaço muito importante da história do século XXI. 

 

Osama Bin Laden era procurado pelos Estados Unidos desde a década de 90, mas depois dos atentados do 11 de Setembro transformou-se no inimigo número um do país. George W. Bush avisou que era procurado "morto ou vivo", mas nem sempre os serviços secretos americanos foram competentes. Apesar dos rumores que vivia em grutas no Afeganistão, Bin Laden foi morto numa vivenda no Paquistão. Pelas informações já disponibilizadas, sabe-se que a casa onde habitava foi construída em 2005 e que estava rodeada de fortes medidas de segurança. Os americanos chegaram a Bin Laden através da ajuda de informações recolhidas em Guantanamo há alguns anos. Depois de meses de planeamento, Obama deu ordens às forças especiais atacarem o complexo onde o líder da Al-Qaeda se escondia. Sabe-se ainda que Obama recusou o bombardeamento do complexo por Drones, pois preferiu uma operação terrestre para se obterem provas da sua morte. Na operação foram ainda mortas mais quatro pessoas, incluindo um dos filhos de Bin Laden. Nenhum soldado americano foi ferido ou morto. 

 

Esta morte terá sérias implicações na condução da política externa. A zona Paquistão/Afeganistão permanece como uma das grandes dores de cabeça para a Administração Obama. Durante anos, responsáveis paquistaneses garantiram que Bin Laden não vivia no seu território. Mas alguém acredita que vivia calmamente num complexo bem guardado numa cidade paquistanesa sem cobertura das forças de segurança ou militares? Não por acaso, os Estados Unidos conduziram esta operação em solo paquistanês sem informar as autoridades locais. A relação com este país está cada vez mais perigosa. 

 

Por outro lado, o desaparecimento de Bin Laden servirá como balão de oxigénio para prosseguir a guerra no Afeganistão. Além disso, com Bin Laden morto, poderá ser mais fácil trazer forças afegãs para o campo americano, a exemplo do que sucedeu no Iraque depois da morte de Musab Al Zarqawi. Na luta contra o terrorismo, isto significa uma poderosa vitória simbólica, mas na prática  cenário não se altera radicalmente. As operações da Al-Qaeda já não dependiam directamente de Bin Laden e está muito enfraquecida depois dos reveses que sofreu nos últimos dez anos. Mas é de esperar actos terroristas nos próximos tempos para "vingar" a sua morte. Por fim, será importante estar atento às reacções no mundo muçulmano. Bin Laden ainda é uma figura popular na rua árabe, e será interessante verificar como a sua morte será interpretada pelos líderes e populares.

 

Nota final para Obama: esteve perfeito na sua actuação como Comandante em Chefe. Além do plano por ele aprovado ter corrido na perfeição, teve a cortesia de informar previamente os Presidentes Bill Clinton e George W. Bush da morte de Bin Laden e a sua comunicação ao país foi efectuada no tom que se exigia. Não foi excessivamente triunfalista e alertou para os perigos que o país continua a enfrentar. Nota 20 para o Presidente dos Estados Unidos. Mas é extemporâneo, como tenho lido, afirmar que esta morte garante a sua reeleição. Se tivesse sido morto perto das eleições, a história seria outra. Mas a 18 meses das eleições gerais, poderá não terá grande impacto na opção de voto. Não tenhamos ilusões: a sua popularidade vai subir nas próximas semanas, mas daqui a uns meses, se os problemas na economia, no desemprego ou nos preços dos combustíveis persistirem, voltará a descer. Não foi por ter capturado Sadam Hussein, outra "besta negra" para o povo americano, que George W. Bush venceu as eleições e na altura das pessoas votarem, esse factor nunca esteve em cima da mesa. Agora provavelmente irá suceder o mesmo. 

 


 

 

*Li agora que a operação foi liderada pela CIA, com recurso a forças especiais.

 


Por Nuno Gouveia, às 03:51 | comentar | ver comentários (2)

Ossama Bin Laden foi morto no Paquistão por uma equipa de forças especiais. Ainda não há muitas informações, mas diversos órgãos de comunicação social estão a informar que os Estados Unidos estão na posse do corpo de Bin Laden. Uma grande vitória para os Estados Unidos e para a Administração Obama, que assim consegue eliminar o líder espiritual da Al-Qaeda e arquitecto dos infames ataques do 11 de Setembro. Durante o dia terei a oportunidade de debruçar-me mais sobre este assunto. 


04
Abr 11
Por Nuno Gouveia, às 10:30 | comentar

Há uns meses, um lunático chamado Terry Jones anunciou que ia queimar o livro do Corão, como forma de protesto contra o terrorismo islâmico. Agora, sem aviso, o Pastor da Florida queimou mesmo o livro sagrado do Islão. Num mundo globalizado onde a informação circula rapidamente, esta situação foi explorada pelos Talibans para lançar o caos no Afeganistão. Nestes últimos dias, acções de manifestantes, infiltradas por membros do antigo regime afegão, provocaram a morte de várias pessoas, entre eles, vinte funcionários das Nações Unidas em Mazar-i- Sharif. Os responsáveis militares no Afeganistão temem, e com razão, que este tipo de acções complique ainda mais a situação no terreno. E ninguém ficará surpreendido se mais violência irromper noutros países árabes. 

 

Isto demonstra duas situações complementares. Por um lado, o poder que um "maluco" pode ter no mundo. Mas também a intolerância que existe em certas partes do mundo islâmico. Já tínhamos tido uma evidência disso aquando do episódio dos cartoons dinamarqueses, com a violência que explodiu no mundo muçulmano. Vivendo nós (o mundo ocidental) em regime de liberdade de expressão, é inconcebível que exista poder na lei para impedir este tipo de situações. Se no caso dos cartoons, não vi mesmo nada de mal (afinal de contas, todos dias vemos caricaturas do género sobre outras religiões, nomeadamente sobre a cristã), neste caso, a acção é irresponsável e errada. No entanto, o lunático terá o direito de o fazer. É triste, perigoso e até mesmo demente, mas temos de nos preparar para este tipo de situações no futuro. 


02
Mar 11
Por Nuno Gouveia, às 23:28 | comentar

A gunman shouting "Allahu Akbar" opened fire on a bus carrying U.S. airmen in Frankfurt, Germany, killing two and wounding two others before his gun jammed and he was subdued, officials said. Na Abc News

 


17
Fev 11
Por Nuno Gouveia, às 23:34 | comentar

O encerramento da prisão de Guantanamo foi uma das promessas emblemáticas de Barack Obama durante a campanha de 2008. Mas nas próximas presidenciais, Obama vai ter de assumir que não cumpriu. Estas declarações de Robert Gates não deixam grandes margens para dúvidas. A verdade é que Obama fez uma promessa que não sabia se podia cumprir. Ninguém, a começar pelo Secretário da Defesa, sabe onde colocar os terroristas capturados no estrangeiro, e Guantanamo parece ser o local mais apropriado. Mas também não será grande problema para a sua campanha de reeleição: os grandes opositores da prisão cubana estão na base de apoio do Presidente.


10
Jan 11
Por Nuno Gouveia, às 20:28 | comentar | ver comentários (12)

Os últimos dias têm sido pródigos em análises estapafúrdias sobre o trágico acontecimento de Tucson. Antes mesmo de se saber quem é Jared Lee Loughner e o que o terá levado a cometer este acto bárbaro, um ataque contra a democracia americana, leu-se coisas verdadeiramente absurdas, com alguns a tentarem retirar dividendos políticos desta tragédia. Quem é o lunático? Bem, não é fácil responder a esta pergunta, mas para perceber melhor aconselho a leitura deste artigo do Mother Jones e este do Wall Street Journal. Voltarei a este assunto mais tarde.


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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