21
Jul 16
publicado por Nuno Gouveia, às 21:13link do post | comentar | ver comentários (9)

 

Ted Cruz está nos antípodas do que defendo. Aliás, a sua carreira política desde 2012 está intimamente ligada ao descalabro em que caiu o Partido Republicano. Assumiu posições polémicas e muito longe do centro-direita que defendo. Mas ontem conquistou algum do meu respeito, ao deslocar-se à Convenção do Partido Republicano e ter proferido um discurso anti-Trump (sim, defendeu algumas coisas que discordo) em que muitas passagens estão de acordo com o conservadorismo tradicional americano, como o respeito pela liberdade religiosa e pelos diferentes credos (ou ateísmo, como ele referiu) ou na defesa da liberdade individual e das minorias contra o poder dos aprendizes de tiranos. Até teve algumas passagens contra o divisionismo da sociedade americana para que ele tanto tem contribuído. Não sei se terá sido um mea culpa. Mas o grande momento (diría único) da sua carreira foi ontem, quando perante assobios de uma assistência de "Trumpians" recusou-se a apoiar Trump e defendeu que as pessoas deviam votar segundo a sua consciência. Saiu sob um ruidoso coro de criticas, mas um dia poderá dizer que não pactuou com Trump. Muitos outros republicanos não poderão dizer o mesmo. E apesar de esperar que Cruz nunca venha a ser o líder do Partido Republicano, ontem esteve bem e merece o meu aplauso. Dizer não a um proto-tirano na sua cara nunca é fácil, mas Cruz fê-lo. Não deixa de ser sintomático que até a sua esposa teve de ser escoltada para sair da Convenção, pois estava a ser alvo da fúria dos "Trumpidians". Eu, que estive nas duas últimas convenções republicanas, lamento profundamente o circo de horrores que está a ser esta convenção. Que em Novembro Trump tenha uma derrota avassaladora é o meu único desejo.

 

 
 

04
Mai 16
publicado por Alexandre Burmester, às 15:25link do post | comentar | ver comentários (3)

 

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E, finalmente, o adjectivo "inevitável" aplica-se sem discussão a Donald Trump. Ao vencer a primária do Indiana, um estado, do ponto de vista teórico,  geográfica e demograficamente adverso às suas pretensões, e por uma clara margem de 53%-37% sobre Ted Cruz, Trump terminou efectivamente com a discussão, e Cruz, inclusivamente, retirou-se da corrida.

 

No último mês, mas particularmente nas duas últimas semanas, houve uma clara deslocação de intenções de voto entre os republicanos para o magnata dos casinos. Até à primária de Nova Iorque, a 17 de Abril, Trump nunca conseguira atingir os 50% dos votos, pelo que se argumentava que ele tinha um limite entre os 35% e os 40%, e que era beneficiado pelo facto de não enfrentar uma oposição unida, o que era verdade e tinha especial incidência nos estados que atribuem a totalidade dos seus delegados ao vencedor da respectiva primária . Pode argumentar-se que Nova Iorque e os cinco estados que votaram na semana passada faziam parte do hinterland de Trump, em particular Nova Iorque, seu estado natal e de residência. Mas o Indiana é um caso completamente diferente.

 

A que ficou, então, a dever-se esta súbita mudança de uma parte substancial do eleitorado republicano? A primeira, e mais óbvia, explicação, é esse eleitorado ter-se finalmente rendido à mensagem e discurso de Trump. Será uma explicação óbvia, mas não me parece a mais provável ou a mais importante. É difícil tanta gente mudar de opinião em tal matéria em tão pouco tempo. Provavelmente, outros factores tiveram mais peso. Desde logo, a famosa dinâmica da campanha, o momentum. Não só Trump venceu os seis estados atrás referidos, como o seu principal opositor ficou em terceiro em cinco deles. Nesta fase das primárias, ficar em terceiro não é propriamente a maneira mais fácil de mobilizar o respectivo eleitorado. E a percepção da dinâmica de uma competição é muito importante. Ted Cruz terá errado ao empenhar-se pouco nas campanhas nesses estados, pensando que os eleitorados de primárias posteriores seriam imunes aos respectivos resultados. Porque não há muitas dúvidas de que, se a primária do Indiana tivesse tido lugar há três semanas, por exemplo, Trump dificilmente a teria ganho e, muito provavelmente, tê-la-ia perdido, tal como perdera, e com clareza,  no Wisconsin. A juntar a isto, temos o cansaço do eleitorado com o arrastar da decisão sobre quem seria o candidato republicano e, talvez mais importante, a aversão de muitos a uma convenção disputada, especialmente a uma na qual o candidato com mais votos e delegados poderia vir a ver-lhe negada a nomeação. E as notícias sobre a luta surda na angariação de delegados, na qual o campo de Ted Cruz estava a ser muito bem sucedido, podem ter criado no eleitorado a sensação de que a importância dos seus votos estava a ser secundarizada, em favor dos jogos de bastidores.

 

Seja como for, e embora Trump esteja ainda aquém da maioria dos delegados vinculados, isso trata-se agora de uma questão académica. John Kasich, curiosamente, ainda nada disse sobre o resultado de ontem, mas mesmo que se mantenha na corrida, não se afigura que consiga travar a marcha imparável de Trump para a nomeação automática.

 

A questão agora será essencialmente até que ponto os republicanos, muitos dos quais detestam Trump visceralmente, serão capazes de se unirem em torno da sua candidatura. O único factor capaz de conseguir tal feito será o nome da candidata democrática, a qual atinge níveis de repulsa entre o eleitorado republicano que, em comparação, fazem de Trump popularíssimo. Diga-se que não há memória de dois candidatos com índices negativos tão grandes entre o eleitorado geral.

 

Finalmente, a habitual palavra para Bernie Sanders, cuja campanha insurreccional não tem tido o devido destaque, principalmente por causa do inusitado fenómeno-Trump. Mais uma vez desafiando as sondagens, Sanders venceu o Indiana (53%-47%). E há dias garantiu que a convenção democrática será uma convenção contestada, pois não está disposto a abandonar a corrida, e o grande número de super-delegados na convenção democrática está a impedir a antiga Secretária de Estado de garantir a maioria antes da convenção, devido também, claro, ao forte desempenho de Sanders.


02
Mai 16
publicado por Alexandre Burmester, às 16:17link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

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Desde as mais recentes vitórias de Donald Trump - as obtidas em seis primárias no Nordeste - que se vem notando uma atmosfera de resignação, de alto a baixo, no Partido Republicano. O fervor anti-Trump de semanas anteriores parece estar a abater, e uma espécie de realismo, também em nome da unidade do partido, começa a fazer-se sentir.

 

Efectivamente, a até agora escassa lista de apoiantes de Donald Trump entre a elite republicana, embora continue magra, tem tido a adição de alguns membros da Câmara dos Representantes, a qual, ao que consta, poderá vir a aumentar no caso de uma vitória do magnata novaiorquino na primária de amanhã no Indiana. E na crucial luta pelos delegados em caso de convenção aberta - uma a que nenhum candidato chega com a maioria dos delegados - alguns dos que pareciam firmes no campo de Ted Cruz, parecem estar  agora a oscilar.

 

A invulgar indecisão da campanha das primárias - há 40 anos que não há uma convenção aberta - estará já a saturar muita gente no G.O.P., e muitos, mesmo sem particular entusiasmo pelo homem que lidera a corrida, parecem estar a coalescer em torno dele, basicamente porque desejam evitar uma convenção caótica que poderia afectar seriamente a unidade do partido para as eleições de Novembro. E isto, mesmo perante a possibilidade de uma nomeação de Trump poder não só significar uma derrota pesada, como colocar em risco a maioria republicana no Senado, cerca de um terço do qual será renovado em Novembro, sendo a maioria dos lugares em disputa actualmente detida por republicanos, muitos deles eleitos na onda anti-Obama de 2010 (os mandatos no Senado são de seis anos).

 

Recentemente, Trump tem adoptado uma postura mais moderada, do ponto de vista retórico e em comparação com os seus anteriores padrões, e até apresentou a sua visão sobre política externa a convite do Center for the National Interest (CFTNI), o antigo Nixon Center, um think-tank criado por Richard Nixon e Henry Kissinger em defesa do "realismo" em política externa, em contraste com os intuitos mais belicistas dos neoconservadores. Ou seja, parte do establishment, mesmo estando longe de estar convencido das qualidades de Trump e das suas possibilidades eleitorais em Novembro, parece estar a adoptar uma atitude apenas realista perante ele. Diga-se, contudo, que a diferença de Trump para Hillary Clinton, num hipotético confronto entre os dois em Novembro, tem vindo a cair, havendo até sondagens recentes que os colocam praticamente lado a lado, uma das quais apurou haver mais democratas dispostos a votarem em Trump, que republicanos em Clinton.

 

Por trás do "novo Trump" e dos seus ganhos entre o establishment está o dedo do seu mais recente guru, Paul Manafort , um homem que, positivamente, não brinca em serviço, e que será talvez a única pessoa capaz de fazer eleger o magnata. Entre os seus clientes contaram-se Mobutu Sese Seko, Ferdinand Marcos, Teodoro Obiang e Viktor Yanukovych, não propriamente uma galeria de democratas, mas um símbolo da atracção exercida pelas artes mágicas de Manafort. Mais prosaicamente, Gearld Ford, Ronald Reagan, ambos os Bush e John McCain também recorreram aos seus serviços.

 

Outro factor importante nesta aparente aquiescência do establishment republicano, ou de parte dele, em torno de Trump é a alternativa: Ted Cruz. É que, de facto, para muitos membros do tão decantado establishment, trata-se de um caso de "venha o diabo e escolha", pois o senador texano é uma figura que colhe a quase unanimidade em termos de (im)popularidade nesse meio, nomeadamente entre os seus colegas do Senado, altamente críticos das suas tácticas naquela assembleia. Além disso, Cruz é a personificação do político apoiado pelo Tea Party, uma entidade que conta nas suas características uma feroz oposição ao status quo de Washington. Isso, contudo, também lhe garante uma vasta rede de operacionais no terreno, para os quais o purismo ideológico conservador transcende a unidade do partido e Donald Trump é um verdadeiro anátema.

 

O próximo combate, no Indiana, será decisivo para Cruz. Os últimos números das sondagens são pouco propícios às suas aspirações, mesmo depois do seu acordo com John Kasich e da sua escolha de Carly Fiorina para "running mate". A partir de 4ª feira, Trump poderá tornar-se mesmo "inevitável". E daí...

 

 


28
Abr 16
publicado por Alexandre Burmester, às 16:33link do post | comentar

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No domingo passado, as campanhas de Ted Cruz e John Kasich anunciaram uma espécie de acordo com especial incidência na primária do Indiana no próximo dia 3 (o acordo também se estende ao Novo México e ao Oregon, mas a atribuição proporcional de delegados nesses dois estados torna-o menos importante aí). Essa súbita aliança foi por muitos interpretada como sinal de desespero das duas campanhas nos seus esforços em barrarem o caminho a Donald Trump.

 

Entretanto, tiveram lugar cinco primárias em estados do Nordeste, todas ganhas por Trump com larga vantagem. Nada de imprevisível sucedeu nessas eleições, mas a "narrativa" é sempre influenciada pelos resultados eleitorais, com a tendência e tentação dos media em utilizarem adjectivos como "inevitável", "imparável", etc., para descreverem a campanha do vencedor.

 

E ontem, num comício em Indianapolis, Cruz sacou, digamos assim, um coelho da cartola: numa acção sem precedentes a esta distância da convenção, especialmente para um candidato que não lidera a corrida, anunciou Carly Fiorina como sua escolha para candidata a Vice-Presidente, no caso de ser ele o nomeado republicano.

 

É fácil classificar esta iniciativa como "desesperada" (o que não quer dizer que o não seja, claro), mas será mais interessante tentar analizar-se o que Fiorina poderá trazer ou não à campanha de Cruz. Foi CEO da Hewlett-Packard (com um desempenho sobre o sofrível, segundo muitas opiniões), candidata derrotada ao Senado pela Califórnia em 2010 (estamos, contudo, a falar de um estado cada vez mais dominado pelos democratas) e foi um dos inúmeros candidatos republicanos no início das primárias deste ano. Nos debates, deixou boa impressão e foi um dos primeiros republicanos a atacarem Trump seriamente (também tinha sido uma das primeiras vítimas da língua viperina do bilionário novaiorquino, diga-se). Debate bem, tem uma visão positiva das coisas e é conservadora. Mas, tirando uns breves instantes depois dos primeiros debates em que participou, a sua popularidade nunca foi grande, e acabou por desistir depois de um desempenho fraco no New Hampshire. Em Março declarou o seu apoio a Ted Cruz, e desde então tem feito campanha pelo senador do Texas. E, claro, é mulher e é da Califórnia, e isso decerto terá pesado na decisão de Cruz, embora o peso de Fiorina no eleitorado californiana seja duvidoso.

 

Não creio que esta escolha possa ter algum peso importante na primária do Indiana, mas é possível que, apesar de tudo, algum venha a ter na da Califórnia, a 7 de Junho. Além disso, se Cruz for o nomeado republicano, Fiorina poderá ser útil na campanha contra Hillary Clinton, que poderá atacar sem correr o risco de imediatamente receber como resposta o epíteto de "sexista".

 

Richard Nixon, um homem que sabia muito destas coisas, disse um dia que um candidato vice-presidencial pouco pode favorecer uma candidatura presidencial, mas em contrapartida, pode prejudicá-la grandemente. Não me parece que Fiorina possa vir a cair na segunda categoria, mas quanto à primeira, estou com Nixon. Mas, essencialmente, a oportunidade da sua escolha tem em vista o que resta das primárias e a luta pela nomeação.


25
Abr 16
publicado por Alexandre Burmester, às 21:45link do post | comentar

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O Senador Ted Cruz e o Governador John Kasich anunciaram no domingo um acordo que tem o óbvio objectivo de impedir Donald Trump de alcançar a maioria dos delegados à convenção republicana: Kasich não fará mais campanha no Indiana (que vota a 3 de Maio) e Cruz retribuirá na mesma moeda no Novo México e no Oregon (17 de Maio e 7 de Junho, respectivamente).

 

Basicamente, a questão é esta: o Indiana atribui os seus delegados (57) ao vencedor a nível do estado e dos seus círculos eleitorais. Uma derrota aí, impossibilitará praticamente Trump de atingir o número mágico. Houve, até agora, poucas sondagens no "Hoosier State", mas a média das que houve dá uma ligeira vantagem a Trump, ultrapassável nem que apenas metade dos que dizem tencionar votar em Kasich vire o seu voto para Cruz.

 

Este acordo Cruz-Kasich não deixa, contudo, de ser ambíguo, pois o Governador do Ohio já declarou contar na mesma com os seus votos no Indiana, apenas suspendendo a sua campanha naquele estado. No Novo México e no Oregon a atribuição de delegados é proporcional, pelo que aí o impacto da "ausência" de um dos dois candidatos será menor.

 

Para alguns, nomeadamente o campo de Trump, trata-se de uma manobra desesperada; para outros, mormente gente chegada ao movimento #NeverTrump, só peca por tardia.


06
Abr 16
publicado por Alexandre Burmester, às 17:30link do post | comentar

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As primárias de ontem no Wisconsin terão, pelo menos num aspecto, sido decisivas: é cada vez mais difícil Donald Trump obter a maioria dos delegados até ao final das primárias republicanas, a 7 de Junho, na Califórnia.

 

Até há cerca de um mês, Trump era o favorito para vencer este estado mas, entretanto, uma série de episódios degradantes para a sua imagem e, a meu ver principalmente, a saída de Marco Rubio da corrida, alteraram as coisas. No final, Ted Cruz obteve uma vitória sólida (48% contra 35% de Trump e 14% de John Kasich) e conquistou 36 dos 42 delegados do estado. 

 

Dado que a obtenção de uma maioria de delegados por Trump será sempre uma tarefa árdua, o facto de aqui ter ficado aquém do até há pouco previsível (o site de análise e estatística fivethirtyeight , por exemplo, chegou a atribuir-lhe 25 delegados) só poderá ter complicado essa tarefa. Acresce a isso a excelente e minuciosa operação no terreno da campanha de Ted Cruz, que vem "trabalhando" os delegados de Trump, com vista a obter o seu apoio a partir do segundo escrutínio da Convenção de Cleveland (e, muitos deles, diga-se, não se farão rogados em desertarem o campo do magnata de Nova Iorque, ao qual só estão ligados no primeiro escrutínio por obrigação regulamentar).

 

A vitória de Ted Cruz não foi apenas significativa pelo momento e pela margem, mas também pelo domínio do senador pelo Texas em várias faixas demográficas onde normalmente não tem ganho. Isto poderá significar uma de duas coisas: ou que o eleitorado republicano anti-Trump está a convergir em Cruz, ou que está a votar tacticamente, podendo noutras corridas tidas como mais propícias a John Kasich mudar o seu voto para o Governador do Ohio. Inclino-me mais para a primeira hipótese.

 

Segue-se, no dia 19, o estado de Nova Iorque, terreno favorável a Donald Trump, mas onde os delegados são atribuídos, grosso modo, proporcionalmente, o que poderá permitir a Cruz e Kasich limitarem os desgastes de uma previsível vitória do novaiorquino.

 

No campo democrático, mais uma vitória - a sétima nas últimas oito eleições - para Bernie Sanders. O seu contínuo bom desempenho já fez também alterar a perspectiva dos seus apoiantes. O director de campanha, Jeff Weaver, declarou hoje que, "super-delegados" à parte, nem Sanders nem Hillary Clinton chegarão a Filadélfia, local da respectiva convenção, com a maioria dos delegados e que "os super-delegados não contam até votarem e só votam quando chegarem à convenção. Portanto, será uma convenção aberta".  

 

Um ano muito especial, portanto, este ano presidencial de 2016.


12
Mar 16
publicado por Nuno Gouveia, às 10:00link do post | comentar | ver comentários (9)

Nem estas intervenções, de grande qualidade de Ted Cruz e Marco Rubio, salvam a honra do Partido Republicano. Donald Trump, o provável nomeado do partido, está a levar o partido de Abraham Lincoln e Ronald Reagan para a extrema-direita xenófoba e populista. Será que o GOP tem salvação? Tenho muitas dúvidas. 

 


27
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 09:00link do post | comentar | ver comentários (2)

As campanhas presidenciais americanas têm muitas regras não escritas que normalmente funcionam. Mas Trump está a revolucionar a política presidencial e todas têm vindo a ser derrubadas. Bem, todas menos uma regra fundamental: quem vence as primeiras eleições, normalmente conquista uma dinâmica de vitória capturando um apoio exponencial nas eleições seguintes. A única vez que tal não sucedeu foi em 1992 no Partido Democrata, quando o nomeado, Bill Clinton, apenas ganhou a sua primeira eleição (e mesmo assim, única nesse dia) na super terça-feira. De resto, sempre que alguém ganha o estatuto de frontrunner após as primeiras eleições, acaba por ser o nomeado. Trump tem cometido gaffes atrás de gaffes, proferido declarações bombásticas, demonstrado uma total ignorância sobre os princiais dossiês, feito propostas simplesmente inexequíveis, tem sido largamente ultrapassado nos gastos financeiros pelos seus adversários, declarou guerra à Fox News e é o candidato que tem menos apoios no Partido. Nesta fase, tudo isto significaria que não teria a mínima hipótese. E, no entanto, é o óbvio frontrunner e favorito para obter a nomeação. Será muito difícil travá-lo.

No debate desta quinta-feira Marco Rubio e Ted Cruz finalmente partiram ao ataque contra Trump, expondo as suas óbvias fragilidades como candidato. A crítica americana foi quase unânime em declarar que, pela primeira vez nesta campanha presidencial, Trump foi ridicularizado num debate e que a dupla Rubio/Cruz foi eficaz ao irem atrás do nova iorquino. Mas a mesma crítica também manifestou sérias dúvidas se este ataque frontal a Trump não terá sido demasiado tarde, pois o "momentum" de Trump parece ser quase imparável. E ontem, depois de uma manhã desastrosa nos media, Trump apresentou ao inicio da tarde o apoio de Chris Christie, que quebrou com a cobertura do debate. É verdade que finalmente as Super Pacs estão a atacar Trump (a de Rubio angariou 20 milhões de dólares esta semana para esse objetivo), mas também pode ser tarde demais. Um dos grandes mistérios destas eleições é que dos mais de 200 milhões de dólares já gastos nestas primárias em anúncios televisivos, apenas uma ínfima parte desse dinheiro foi gasto contra Trump. O maior alvo foi mesmo Marco Rubio, que foi massacrado por Jeb Bush, Chris Christie e Ted Cruz. Hoje no Twitter famosos activistas conservadores atacaram Trump e há uma revolta contra a possibilidade da sua nomeação. Mas se há umas semanas tivesse que apostar, colocaria o meu dinheiro num candidato que não Trump, neste momento, e pelo que tenho visto nas sondagens dos próximos estados, já não o faria.

A menos que o debate tenha mudado alguma coisa, Trump deverá vencer a maioria dos estados na próxima terça-feira (acredito que se tiver uma "má" noite, terá mesmo assim mais de 50% dos delegados em disputa) e se conseguir fazê-lo no Texas, Ted Cruz poderá mesmo ver-se obrigado a desistir (neste momento, Cruz vai à frente). Rubio poderá ficar em segundo na maior parte dos estados, mas caso não vença nenhum, que hipóteses terá? Vencer a maior parte dos estados que atribuem os delegados todos ao vencedor? Talvez, mas conseguirá vencê-los, contrariando a única regra que ainda não foi quebrada nestas primárias? Não me parece... Mas estas não são umas primárias iguais às que já vimos no passado, por isso, nunca se sabe. 

 

PS: hoje realizam-se as primárias da Carolina do Sul no Partido Democrata e Hillary Clinton é a clara favorita. Depois de algum momentum de Bernie Sanders, diria que a menos mude alguma coisa, Clinton deverá fechar a sua nomeação na super terça-feira. O #FeelTheBern caiu muito esta semana. 


21
Fev 16
publicado por Alexandre Burmester, às 14:56link do post | comentar | ver comentários (5)

HANOVERIAn_BARON.gif-456789.jpg

 

Uma vez que se perde na noite dos tempos a última vez que o nomeado republicano não venceu Iowa nem New Hampshire (e, muito menos, esses dois estados mais a Carolina do Sul); uma vez que o Iowa está pejado de cadáveres de candidatos que lá ganharam, mas que acabaram por soçobrar; uma vez que Donald Trump venceu já New Hampshire e Carolina do Sul, e Ted Cruz venceu no Iowa; uma vez que o "terceiro homem", o melhor que até agora conseguiu foi um segundo lugar (por uma unha negra) na Carolina do Sul - é legítimo dizer-se, sob o ponto de vista convencional, que Trump é agora o claro favorito.

 

Mas se este ano de 2016 desafia as convenções no tipo de candidatos que surgiram de ambos os lados, nada impede que as não venha a desafiar na escolha do candidato vencedor da nomeação republicana (pelo menos nesta).

 

O número substancial de candidatos republicanos, mesmo reduzidos a seis antes da Carolina do Sul, dá mais relevo aos resultados até agora obtidos por Donald Trump do que teria provavelmente sucedido se eles fossem apenas uns três. Na realidade, Trump parece já ter demonstrado que o seu limite de votação está na casa dos 30%, o que significa que cerca de dois terços dos votantes o não têm apoiado (e a pouca simpatia que uns 40% dos republicanos dizem às sondagens por ele nutrirem não augura nada de bom para uma sua eventual candidatura).

 

A maioria das primárias até 15 de Março atribui delegados proporcionalmente à votação, embora com limites mínimos de 15% ou 20% para que essa atribuição proporcional tenha lugar (a Carolina do Sul, que ontem votou, atribui-os todos ao vencedor). Isto significa que as vitórias obtidas até essa data têm mais efeito na dinâmica da corrida que na angariação de delegados propriamente dita. Jeb Bush acaba de desistir, o que poderá favorecer Marco Rubio em termos de apoios financeiros e de transferência de votos. O Governador do Ohio, John Kasich, que obteve um pírrico segundo lugar em New Hampshire e ontem terminou praticamente empatado com Bush, parece decidido a continuar, esperando melhores dias em terrenos mais favoráveis para ele, como Michigan e, claro, Ohio. O seus apoiantes seriam também potenciais votantes em Marco Rubio. Ben Carson também não dá sinais de desistir, mas o seu apoio parece estar a diluir-se. O perfil dos seus votantes é mais parecido com os de Cruz que com os de Rubio.

 

Na prática, estaremos agora a entrar numa corrida a três, uma vez que é expectável a perda de força por parte das campanhas de Kasich e de Carson. Num cenário desses, e uma vez que Trump pouco mais tem conseguido que 1/3 dos votos, poderemos vir a assistir a disputas mais renhidas. Mas Cruz e Rubio parecem mais entretidos em degladiarem-se do que em enfrentarem Trump directamente, o que poderá causar danos àquele dos dois que, eventualmente, possa sobrepôr-se a Trump.

 

Finalmente: não chega ter boas e promissoras prestações. Um destes dias, Marco Rubio terá de ganhar uma primária.

 

 


06
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 22:22link do post | comentar | ver comentários (1)

Estamos a três dias das primárias do New Hampshire e já se podem retirar ilações dos resultados do Iowa. Esta noite ainda teremos, a partir das 01h00 (de Lisboa), um debate republicano transmitido pela ABC, mas mesmo acreditando que poderá haver alterações nos próximos três dias, será difícil que Bernie Sanders e Donald Trump não saiam vencedores na terça-feira. 

Bernie Sanders continua a surpreender, e depois do empate técnico que alcançou no Iowa, a sua situação melhorou. No New Hampshire, e apesar de uma ligeira recuperação de Hillary Clinton, deverá alcançar uma vitória confortável, que o poderá catapultar para outros voos. A sua vitória não parece estar  em causa, mas a diferença vai ser relevante para o seu futuro. Fala-se muito na firewall de Hillary Clinton na Carolina do Sul, mas há três semanas que não se fazem lá sondagens e em 2008 também havia esta segurança e depois foi o que se viu. Clinton continua a enfrentar muitos problemas devido ao caso dos emails e esta semana voltaram a ser referidos os chorudos pagamentos que recebeu de discursos que efectuou depois de sair do Departamento de Estado. Num estudo da Quinnipiac, foi colocada atrás sete pontos de Marco Rubio e a desconfiança dos americanos tem crescido. O entusiasmo neste momento está do lado de Sanders e Clinton precisa urgentemente de "perder por poucos" no New Hampshire e vencer na Carolina do Sul, para repor alguma normalidade nestas primárias. Caso contrário, deve mesmo preparar-se para uma longa campanha. 

No Partido Republicano, Marco Rubio cresceu, quer no New Hampshire quer a nível nacional, mas será muito difícil que possa vencer já na terça-feira. Donald Trump permanece como o grande favorito para vencer no New Hampshire, e outro resultado será um desastre para ele. Ted Cruz joga "fora de casa" e tentará obter um bom resultado para a seguir tentar vencer na Carolina do Sul, onde a demografia lhe é mais favorável. Mas as primárias republicanas, que chegaram a ter 15 candidatos, dificilmente não serão uma longa caminhada que se pode arrastar até Junho. Numas primárias republicanas existem sempre dois lados: os conservadores contra o establishment. Este ano surgiu uma linha diferente, com o populismo de Donald Trump. Do lado conservador, Ted Cruz já emergiu como vencedor (eliminando Huckabee, Santorum, Perry, Jindal, Paul e está prestes a acabar com Ben Carson). Marco Rubio precisa agora de fazer o mesmo com John Kasich, Chris Christie e Jeb Bush, e será esse o grande ponto de interesse destas primárias. Se, como esperado, Marco Rubio conseguir um bom segundo lugar, a corrida irá continuar a três: Donald Trump, Ted Cruz e Marco Rubio. E é aí que Rubio poderá emergir como potencial vencedor, apesar de previsivelmente não vencer nenhuma das duas primeiras eleições. Esta semana já recebeu o apoio de dois antigos concorrentes, Bobby Jindal e Rick Santorum, que por pertencerem à ala mais conservadora, poderão ajudá-lo na união das várias facções do partido. Isto, claro, se não houver surpresas na terça-feira

 


02
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 10:18link do post | comentar | ver comentários (8)

1 - O Partido Republicano suspirou de alívio ontem depois da derrota de Donald Trump. Apesar do vencedor, Ted Cruz, ser também um político odiado, a derrota de Trump e o forte terceiro lugar de Marco Rubio alivou muita gente. A votação recorde no Iowa demonstrou também que houve uma grande mobilização para derrotar Trump, o que pode ser replicado noutros estados. Essa foi a grande notícia para a máquina republicana. 

 

2- Ted Cruz e Marco Rubio emergiram como grandes vencedores nos caucuses do Iowa. Este estado, que nos dois anteriores ciclos eleitorais deu vitórias a evangélicos, manteve a recente tradição e deu uma vitória inesperada a Cruz. Rubio ao conseguir um terceiro lugar, muito perto de Trump, solidifica a sua posição como candidato do establishment e pode, já na próxima semana, “arrumar” com Jeb Bush, Chris Christie e John Kasich, os adversários neste campo. Se é verdade que desde 1964 os republicanos optam sempre pelo candidato melhor posicionado para as eleições gerais, este ano poderá não ser diferente.

 

3 - Donald Trump afinal é um "perdedor", palavra que ele detesta. Se até há uns meses atrás, a esmagadora maioria dos analistas (e eu também) não acreditava nas suas hipóteses de obter a nomeação, nos últimos tempos essa percepção foi alterada. A sua derrota no Iowa coloca novamente em causa essa possibilidade, e atira uma enorme pressão para cima dele no New Hampshire. À entrada para esta semana, ele liderava confortavelmente as sondagens aí, mas até como vimos no Iowa, elas podem falhar e os movimentos de última hora, podem-lhe retirar a vitória. Se não vencer no New Hampshire, a sua candidatura estará praticamente terminada. 

 

4 - Marco Rubio irá agora competir no New Hampshire, não propriamente para ganhar, mas para eliminar a concorrência próxima. Ficaria surpreendido se a vitória no New Hampshire não fosse discutida entre Rubio e Trump. Ontem foi anunciado que o popular senador negro da Carolina do Sul, Tim Scott, irá declarar-lhe o seu apoio e nos próximos dias devemos ver um movimento de figuras do Partido Republicano a colocarem-se ao seu lado. Depois desta vitória, e acreditando que alguém tão conservador como Ted Cruz dificilmente terá uma hipótese no moderado New Hampshire, este irá deslocar-se rapidamente para a Carolina do Sul. Aí, podemos ter uma luta a três (se Trump vencer no New Hampshire) ou a dois, caso Rubio consiga ganhar. Tudo em aberto, mas para o resultado final, apostava em Marco Rubio para nomeado republicano. 

 

5 - No lado democrata, a confusão está instalada. Hillary Clinton já se declarou vencedora com 49,9% contra os 49,5% de Bernie Sanders, mas este ainda não aceitou a derrota. Uma vitória é uma vitória e Hillary Clinton ter-se-á salvado de nova derrota no Iowa, depois de há quatro anos ter sido esmagada por Barack Obama e John Edwards. Um resultado que não pode deixar descansado o campo de Hillary, pois há um ano tinha uma vantagem de mais de 50% sobre Sanders neste estado.

 

6 - Para a próxima semana, Bernie Sanders poderá obter uma vitória confortável no New Hampshire. Os resultados do Iowa não darão "momentum" a Hillary Clinton. Mas parece-me que Bernie precisava de vencer aqui para transformar-se num candidato nacional, o que não sucedeu. Muita gente a comparar com o que aconteceu com Obama, que quando chegou ao Iowa também estava atrás de Hillary em quase todos os estados e nas sondagens nacionais. Mas foi essa vitória que o fez crescer. Parece-me muito complicado para Sanders replicar. A seguir ao New Hampshire, segue-se a Carolina do Sul, onde Hillary Clinton é super favorita. 

 

7 - Caso não exista nenhum movimento extraordinário pró-Sanders nas sondagens nacionais e noutros estados, Hillary Clinton poderá fechar a nomeação na super terça-feira em Março. Mas entrará relativamente frágil nas eleições gerais. Ontem os jovens votaram de uma forma avassaladora em Sanders, e com os problemas todos que Hillary tem tido, não terá vida fácil em Novembro. A sua campanha tem dado sinais que o candidato que mais a preocupa é Marco Rubio. Precisamente aquele que parece emergir do outro lado. 


01
Fev 16
publicado por Era uma vez na América, às 15:16
Nuno Gouveia às 15:32link do post | comentar

Sem Título.pngOntem escrevi que o movimento nas sondagens em favor de Rubio não indicavam que fosse suficiente para chegar ao segundo lugar. Mas há pouco estive a consultar as sondagens e  verifiquei que houve, de facto, um movimento em prol de Rubio nos últimos dias. Na sondagem da Opinion Savvy, Rubio surge mesmo empatado com Ted Cruz e apenas a um ponto de Donald Trump. E na Emerson, aparece apenas quatro pontos atrás de Cruz e cinco de Trump. Quer isto dizer que pode ganhar? Muito, muito improvável. Mas o segundo lugar já não está assim tão distante. A acompanhar de perto nesta próxima madrugada. 

 

PS: no lado democrata, o ligeiro favoritismo de Hillary Clinton mantém-se. 


21
Jan 16
publicado por Nuno Gouveia, às 21:34link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Estamos a dez dias das primeiras eleições destas primárias, os caucuses do Iowa, onde no próximo dia 1 de Fevereiro os eleitores de ambos os partidos vão a votos. E as coisas não estão fáceis para os líderes partidários, com candidaturas insurgentes a terem fortes intenções de voto. Se o vencedor no Iowa nem sempre tem sido o nomeado, o resultado destes caucuses têm sido quase sempre fundamentais para o rumo das primárias. Se é verdade que há eleições iguais, é sempre útil conhecer a história. 

No Partido Democrata, a última vez que o vencedor do Iowa não foi o nomeado foi em 1988, quando Dick Gephardt ganhou, mas foi Michael Dukakis o eleito das primárias. Em 1992, o vencedor foi Tom Harkin, mas dado que era nativo do Iowa, Bill Clinton  e os restantes candidatos abdicaram de competir lá. Desde então, Al Gore em 2000 derrotou Bill Bradley e desfrutou um verdadeiro passeio nas primárias; em 2004, John Kerry derrotou o então favorito Howard Dean e acabou nomeado. Em 2008, a histórica vitória de Barack Obama catapultou-o para a nomeação, apesar de vir a perder na semana seguinte no New Hampshire para Hillary Clinton. 

No Partido Republicano, as coisas nem sempre têm sido tão simples. A última vez que o vencedor do Iowa foi o nomeado foi em 2000, quando George W. Bush derrotou John McCain. Na verdade, desde 1976, o ano em que o Iowa tornou-se competitivo, apenas mais duas vezes o nomeado ganhou no Iowa: Gerald Ford em 1976 e Bob Dole em 1996. Nas duas últimas eleições: em 2008 Mike Huckabee venceu no Iowa, com o nomeado John McCain a ficar apenas em quarto, e em 2012, o vencedor foi Rick Santorum, com o Mitt Romney a ficar ligeiramente atrás. 

 

Olhando para as sondagens no Hawkeye State, ambos os partidos devem estar à beira de um ataque de nervos, especialmente no Partido Republicano.

Bernie Sanders, que tem poucas semelhanças com Barack Obama, está a "imitar" a campanha insurgente de 2008 e colou-se a Hillary Clinton nas intenções de voto. Hoje mesmo saiu uma sondagem que dá oito pontos de vantagem a Sanders no Iowa. Disse anteriormente que a única hipótese do senador do Vermont seria vencer nos dois primeiros estados e acabar com a inevitabilidade de Hillary. Se no New Hampshire é claramente o favorito, esta aproximação no Iowa está a colocar em estado de nervos a campanha Clinton e nos próximos dias podemos esperar num ataque fortíssimo contra Sanders. A dinâmica das primárias muitas vezes altera-se radicalmente depois destes primeiros dois estados a votar, e será mais complicado para Clinton derrotar Sanders se não vencer nenhum destes dois estados. Os líderes democratas não podem estar satisfeitos, pois estas primárias foram preparadas para ser um processo de coroação a Hillary Clinton, mas Sanders arrisca-se mesmo a estragar a festa. E se é verdade que neste momento Sanders apresenta excelentes números contra todos os candidatos republicanos, caso fosse o nomeado as suas posições mais esquerdistas, ainda desconhecidas do grande público, seriam facilmente exploradas pelos republicanos.

Em muito pior estado está o Partido Republicano no Iowa, “entalado” entre o populista e radical Donald Trump e Ted Cruz, um político brilhante mas detestado nas elites do partido pelas suas posições demasiado à direita e intolerantes. Nas sondagens no Iowa, o magnata nova iorquino recuperou a liderança nas últimas semanas, depois de Ted Cruz ter estado na frente nas últimas semanas. Quer um quer outro representam um perigo para as aspirações republicanas em recuperar a Casa Branca e nenhum candidato do pack "center-right" se tem destacado, de onde têm saído todos os nomeados nas últimas décadas. Donald Trump permanece também como favorito nas sondagens do New Hampshire, o que complica imenso as contas que a maioria dos analistas fazia até semanas atrás. Se as sondagens estiverem certas (e elas nas primárias em edições passadas têm falhado imenso), um dos dois vai ganhar no Iowa, e as elites republicanas podem mesmo confrontar-se com estes dois candidatos como os "finalistas" das primárias. Se o mainstream Partido Republicano quer derrotar o populismo e o extremismo, precisará de fazer muito mais. A primeira é unir-se em redor de um candidato logo após o New Hampshire. Que poderá ser Marco Rubio - que tem perdido algum elã nas últimas semanas; Chris Christie -que apenas tem feito campanha no New Hampshire; John Kasich - que está a crescer no New Hampshire; ou até Jeb Bush - que pode renascer, caso existam milagres na política (e às veze existem mesmo). O que não podem é ficar a assistir ao partido de Reagan ser entregue a um destes dois candidatos. Note-se que nem Cruz nem Trump tem nenhum senador ou governador a apoiá-los. O nova iorquino não tem mesmo nenhum político eleito a nível estadual o federal a seu lado.

 

PS: Nada mais elucidativo do que o endorsement de Sarah Palin esta semana a Donald Trump, mostrando, de facto, que a lunatic wing do partido está unida em redor de Trump. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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