02
Mar 16
publicado por Alexandre Burmester, às 13:43link do post | comentar | ver comentários (2)

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A Super Terça Feira de 1 de Março, se bem que não contrariando as expectativas gerais face às 

sondagens, acabou por ser melhor para Hillary Clinton que para Donald Trump.

 

Efectivamente, a favorita à nomeação democrática, tendo embora perdido para o seu concorrente Bernie Sanders quatro estados (Vermont, Oklahoma, Colorado e Minnesota) dominou completamente - e arrazadoramente -  nos estados do Sul e conseguiu até uma vitória tangencial no Massachusetts, terreno favorável ao seu rival.

 

Já no campo republicano, Trump venceu, de facto, sete dos onze estados em competição, mas antes da votação havia quem previsse, sem ser preciso grande arrojo, que poderia vencer nove, ou até dez estados. Ted Cruz acabou por ganhar confortavelmente o seu estado do Texas (44% v 27%), quando nos úlimos dias havia sondagens que davam os dois candidatos praticamente empatados. Além disso, Cruz venceu também o vizinho estado de Oklahoma e o Alasca. A vitória no Oklahoma tem um significado especial: tratava-se do único estado em que apenas republicanos podiam votar na primária do partido, e Cruz venceu com 34% contra 28% de Trump e 26% de um revitalizado Rubio. Este último conseguiu finalmente uma vitória, ao vencer o Minnesota (37% contra 29% de Cruz e 21% de Trump). O resultado do Minnesota mostra a potencial fraqueza de Trump no Midwest, como já anteriormente demonstrado nos caucuses do Iowa. Além disso, na Virgínia, onde as sondagens davam uma vantagem de 14 pontos a Trump, a sua vitória - sobre Rubio - acabou por ser apenas por uns apertados 3 pontos. A isto acresce a luta renhida que John Kasich opôs a Trump no Vermont, perdendo apenas por 2,3% dos votos.

 

O mais importante continua a ser, contudo, a acumulação de delegados às convenções nacionais por parte dos candidatos dos dois partidos, e foi aí que esta noite eleitoral não foi um retumbante sucesso para Donald Trump. Estavam em disputa 595 delegados do lado republicano, e Trump terá conseguido uns 245, o cenário mais pessimista, do seu ponto de vista, nas previsões pré-eleitorais. Além disso, a soma dos delegados conseguidos por Cruz, Rubio e Kasich - uns 320 - foi superior à de Trump. E, no cômputo geral de delegados até agora conquistados, Trump lidera, claro, mas com apenas 316 dos 1.237 delegados necessários a garantir a vitória. A partir de 15 de Março a maioria dos estados atribui a totalidade dos seus delegados ao vencedor da respectiva primária, o que poderá possibilitar a Trump um aumento da sua margem. A possibilidade de uma "brokered convention", uma convenção onde nenhum candidato chega com a maioria dos delegados, não é ainda de excluir totalmente, portanto, embora o favoritismo de Trump não tenha propriamente sofrido um sério abalo. Até porque, mantendo-se as candidaturas de Cruz e Rubio ambas em jogo, a unificação do bloco não-Trump continua adiada. Mas mais uma vez se viram os limites do apelo de Trump: a média da sua votação na noite de ontem foi de 36%, números bem aquém do normal para um líder das primárias nesta altura da campanha.

 

Já no lado democrático, a aritmética está a favorecer Clinton claramente: dos 2.382 delegados necessários a uma maioria, a antiga Secretária de Estado já angariou  1.000, contra apenas 371 de Sanders. Este continuará decerto na corrida, enquanto tiver fundos - e tem bastantes - e a sua rival não tiver conseguido a maioria dos delegados. E pode até fazer ainda alguns brilharetes. No final, tentará que algumas das suas propostas façam parte da plataforma democrática para a eleição geral, o que normalmente é pouco mais que simbólico.

 

 


29
Fev 16
publicado por Alexandre Burmester, às 22:53link do post | comentar | ver comentários (1)

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Umas linhas para fazer uma análise acerca das perspectivas para esta Super Terça-Feira, entre os republicanos, e suas consequências.

 

As últimas sondagens dão um significativo apoio a Donald Trump:

 

- CNN/ORC (sondagem nacional): Trump 49%, Rubio 16%, Cruz 15%

- Texas (Emerson): Cruz 35%, Trump 32%, Rubio 16%

- Texas (ARG): Cruz 33%, Trump 32%, Rubio 17%

- Alabama (Monmouth): Trump 42%, Rubio 19%, Cruz 16%, Carson 11%

- Oklahoma (Monmouth): Trump 35%, Cruz 23%, Rubio 22%

- Georgia (Trafalgar Group - R): Trump 39%, Rubio 24%, Cruz 21%

- Massachusetts (UMass Amherst): Trump 47%, Rubio 15%, Cruz 15%, Kasich 11%

- Michigan (MRG): Trump 33%, Rubio 18%, Cruz 18%, Kasich 10%

- Kentucky (Western Kentucky Univ): Trump 35%, Rubio 22%, Cruz 15%

(dados do Real Clear Politics)

 

A sondagem nacional poderá ser um "outlier", para usar jargão dos técnicos de sondagens, ou seja, uma sondagem isolada que vai contra a tendência geral, e , como tal, não ser muito credível. A ser fidedigna, representa um substancial aumento do apoio a Donald Trump.

 

A nível dos estados que nesta terça-feira vão às urnas, as sondagens a que dou mais relevo são as do Texas, muito semelhantes uma à outra. Mostram que Ted Cruz corre o risco de não ganhar o seu próprio estado, o que poderia representar o fim da sua corrida (se tal prognóstico se pode fazer num ano como este) e mostram ainda que Marco Rubio poderá não angariar nenhuns delegados nesse estado (o mais importante dos que votam nesta terça-feira), pois o Texas exige um mínimo de 20% dos votos para atribuir delegados.

 

Dado que há estados que exigem 15% e outros 20% como mínimo para a atribuição de delegados, Cruz e Rubio correm o risco de, em alguns estados, não conseguirem qualquer delegado. E, a partir de 15 de Março, as primárias passam a atribuir a totalidade dos delegados ao vencedor em cada estado.

 

O racional para a continuidade de John Kasich na campanha é a expectativa de conseguir bons resultados nos estados industrializados do Norte e do Midwest, mas olhando para as sondagens de Michigan e Massachusetts, esse seu objectivo parece utópico.

 

Acho que a Super Terça-Feira de 1 de Março poderá ser uma autêntica avalanche favorável a Donald Trump.

 


27
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 09:00link do post | comentar | ver comentários (2)

As campanhas presidenciais americanas têm muitas regras não escritas que normalmente funcionam. Mas Trump está a revolucionar a política presidencial e todas têm vindo a ser derrubadas. Bem, todas menos uma regra fundamental: quem vence as primeiras eleições, normalmente conquista uma dinâmica de vitória capturando um apoio exponencial nas eleições seguintes. A única vez que tal não sucedeu foi em 1992 no Partido Democrata, quando o nomeado, Bill Clinton, apenas ganhou a sua primeira eleição (e mesmo assim, única nesse dia) na super terça-feira. De resto, sempre que alguém ganha o estatuto de frontrunner após as primeiras eleições, acaba por ser o nomeado. Trump tem cometido gaffes atrás de gaffes, proferido declarações bombásticas, demonstrado uma total ignorância sobre os princiais dossiês, feito propostas simplesmente inexequíveis, tem sido largamente ultrapassado nos gastos financeiros pelos seus adversários, declarou guerra à Fox News e é o candidato que tem menos apoios no Partido. Nesta fase, tudo isto significaria que não teria a mínima hipótese. E, no entanto, é o óbvio frontrunner e favorito para obter a nomeação. Será muito difícil travá-lo.

No debate desta quinta-feira Marco Rubio e Ted Cruz finalmente partiram ao ataque contra Trump, expondo as suas óbvias fragilidades como candidato. A crítica americana foi quase unânime em declarar que, pela primeira vez nesta campanha presidencial, Trump foi ridicularizado num debate e que a dupla Rubio/Cruz foi eficaz ao irem atrás do nova iorquino. Mas a mesma crítica também manifestou sérias dúvidas se este ataque frontal a Trump não terá sido demasiado tarde, pois o "momentum" de Trump parece ser quase imparável. E ontem, depois de uma manhã desastrosa nos media, Trump apresentou ao inicio da tarde o apoio de Chris Christie, que quebrou com a cobertura do debate. É verdade que finalmente as Super Pacs estão a atacar Trump (a de Rubio angariou 20 milhões de dólares esta semana para esse objetivo), mas também pode ser tarde demais. Um dos grandes mistérios destas eleições é que dos mais de 200 milhões de dólares já gastos nestas primárias em anúncios televisivos, apenas uma ínfima parte desse dinheiro foi gasto contra Trump. O maior alvo foi mesmo Marco Rubio, que foi massacrado por Jeb Bush, Chris Christie e Ted Cruz. Hoje no Twitter famosos activistas conservadores atacaram Trump e há uma revolta contra a possibilidade da sua nomeação. Mas se há umas semanas tivesse que apostar, colocaria o meu dinheiro num candidato que não Trump, neste momento, e pelo que tenho visto nas sondagens dos próximos estados, já não o faria.

A menos que o debate tenha mudado alguma coisa, Trump deverá vencer a maioria dos estados na próxima terça-feira (acredito que se tiver uma "má" noite, terá mesmo assim mais de 50% dos delegados em disputa) e se conseguir fazê-lo no Texas, Ted Cruz poderá mesmo ver-se obrigado a desistir (neste momento, Cruz vai à frente). Rubio poderá ficar em segundo na maior parte dos estados, mas caso não vença nenhum, que hipóteses terá? Vencer a maior parte dos estados que atribuem os delegados todos ao vencedor? Talvez, mas conseguirá vencê-los, contrariando a única regra que ainda não foi quebrada nestas primárias? Não me parece... Mas estas não são umas primárias iguais às que já vimos no passado, por isso, nunca se sabe. 

 

PS: hoje realizam-se as primárias da Carolina do Sul no Partido Democrata e Hillary Clinton é a clara favorita. Depois de algum momentum de Bernie Sanders, diria que a menos mude alguma coisa, Clinton deverá fechar a sua nomeação na super terça-feira. O #FeelTheBern caiu muito esta semana. 


07
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 08:40link do post | comentar | ver comentários (7)

Mitt Romney venceu no crucial estado do Ohio e acabou a noite como o grande vencedor da super terça-feira. Apesar de ter vencido apenas por 12 mil votos (em mais de 1,2 milhões), Romney ganhou ontem seis estados (Alaska, Ohio, Idaho, Virgínia, Vermont e Massachusetts), arrecadou mais delegados do que todos os outros, e segue na liderança confortável para a nomeação republicana. Sendo provável que a luta prossiga durante mais algum tempo, é difícil, senão impossível mesmo, visualizar um cenário onde Romney não seja o nomeado. No entanto, Santorum com três vitórias (Oklahoma, Dakota do Norte e Tennessee) e Gingrich com a Geórgia, conseguem cumprir os objectivos minímos. A luta prossegue.

 

(Foto do Drudge Report que representa a vitória do Ohio)


publicado por Nuno Gouveia, às 02:18link do post | comentar

Romney venceu no Massachusetts, Vermont e Virgínia. Rick Santorum ganhou no Oklahoma e Tennessee. Newt Gingrich conquistou o seu estado natal, Geórgia. O resultado do Ohio irá ditar o vencedor da noite (pela narrativa mediática, já que no que concerne aos delegados, Romney irá ganhar essa batalha). Idaho, Akaska e Dakota do Norte irão completar o leque de resultados. A verificar pela contagem dos votos no Ohio, a noite vai ser longa e será preciso um photo finish para decretar o vencedor. Uma coisa parece certa: a corrida vai prosseguir e já no próximo Sábado temos caucuses no Kansas (40 delegados), Guam (9), Ilhas Marianas (9), Ilhas Virgens (9) e Wyoming (29). 

 

PS: Karl Rove e Joe Trippi disseram há pouco que pelos locais que ainda faltam contar os votos, Romney deverá vencer no Ohio. Amanhã de manhã verei o resultado. 


publicado por Nuno Gouveia, às 01:09link do post | comentar

Dada a característica destas primarias, o mais importante a reter desta noite é a contagem de delegados. E parece que as coisas neste sentido irão correr muito bem a Mitt Romney, independentemente de vencer no Ohio. Li agora que é provável que conquiste todos os 41 delegados em disputa no Massachusetts. No Ohio Rick Santorum não é elegível para 18 delegados, o que quer dizer que a maioria dos 66 delegados irão para a coluna de Romney, mesmo que perca aqui. Na Virgínia também é provável que conquiste a esmagadora maioria dos 49 delegados em disputa. Apostaria que no final desta noite, Romney terá mais de metade dos 424 delegados em disputa. Mas veremos. 


publicado por Nuno Gouveia, às 00:56link do post | comentar

Os primeiros cinco resultados da noite não trazem novidades. Mitt Romney venceu na Virginia, Vermont e Massachussetts, Newt Gingrich na Georgia e Rick Santorum no Oklahoma. A grande questão da noite é o Ohio, onde Romney tem uma ligeira vantagem sobre Santorum nas exit polls. Se isto concretizar-se, Romney "só" precisa de vencer no Dakota do Norte, Alaska e Idaho para "cantar" vitória esta noite. Santorum precisa de segurar o Tennessee para manter-se vivo. 


06
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 11:51
José Gomes André às 23:06link do post | comentar | ver comentários (4)

Horários das urnas e número de delegados por estado hoje em disputa na Super Terça-feira.


publicado por Nuno Gouveia, às 10:46link do post | comentar

Um trabalho do P3.


05
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 21:00link do post | comentar

Neste segmento do The Daily Rundown da MSNBC. A partir do 1,40m. 


01
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:03link do post | comentar

 

Na próxima terça-feira realizam-se 10 primárias que, talvez pela primeira vez deste 1984 quando foi "instituída" a super terça-feira, não irão decidir a nomeação republicana. Mitt Romney parte como favorito para arrecadar mais delegados, mas devido ao sistema proporcional das eleições, isso não lhe vai assegurar a nomeação. Além disso, este ano apenas 10 estados vão a votos nesta super terça, menos do que os 23 em 2008. Apesar da vantagem evidente que Romney ostenta, prevê-se que enfrente obstáculos muito complicados. 

 

Virgínia (49 delegados), Massachusetts (41) e Vermont (17) - Três estados onde Romney deverá vencer com facilidade. Na Virgínia, a vitória não vai fugir de Romney, onde apenas tem a oposição de Ron Paul, pois Newt Gingrich e Rick Santorum não conseguiram inscrever-se a tempo. No Massuchusetts Romney joga em casa e deverá obter um resultado acima dos 60%. Já no Vermont, um dos estados mais "liberais" da União, Romney também deverá arrecadar a maioria dos delegados. 

 

Alaska (27), Dakota do Norte (28), Idaho (32) - Aqui há uma grande incerteza em relação ao resultado final. Não há sondagens conhecidas nestes estados, e o facto de serem caucuses pode baralhar as contas finais. Romney venceu em 2008 no Idaho e Alaska, mas atenção a Ron Paul, que tem vindo a desenvolver uma campanha agressiva nestes estados. Salvo alguma surpresa, são os dois favoritos a vencer nos três estados. 

 

Geórgia (76) - O grande prémio desta super terça-feira é o estado natal de Newt Gingrich. Tem liderado todas as sondagens e é o favorito a vencer aqui. Ainda hoje disse que não poderia continuar se não conseguir vencer na Geórgia. A minha aposta vai para ele. A luta mais interessante neste estado deverá ser entre Santorum e Romney para o segundo lugar. 

 

Oklahoma (43) e Tennessee (58) - Rick Santorum tem liderado as sondagens nestes dois estados, mas não considero totalmente liquido que Santorum consiga ganhar ambos. As vitórias de Romney desta semana deram-lhe um balão de oxigénio e acredito que irá competir nestes estados. 

 

Ohio (66) - Esta é a luta mais interessante desta super terça-feira. Rick Santorum tem liderado as sondagens, mas aguardo com expectativa novos estudos de opinião pós Michigan. Mitt Romney tem investido imenso neste estado (tal como no Oklahoma e Tennessee) e é bem possível que vença no Ohio, o que pode representar um sério revés para Santorum. 

 

Acreditando que Romney irá vencer pelo menos cinco estados, a narrativa desta super terça feira, mais do que os delegados conquistados, irá ser construída muito a partir do resultado do Ohio. Uma vitória de Romney dar-lhe-á uma dinâmica de vitória para as restantes eleições do mês de Março e aumentará ainda mais o cenário de inevitabilidade da sua candidatura. Mas, como se pode observar pelo breve resumo que fiz, nada ficará decidido neste dia. Poderá é ser o inicio do fim destas primárias. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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