09
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 13:06link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Esta semana foi noticia um pouco por todo o mundo, e Portugal não foi excepção, o filibuster de Rand Paul no Senado à nomeação de John Brennan para liderar a CIA. Confesso que nem concordo com a posição de Paul, mas esta colocou em evidência toda a hipocrisia que reina em Washington, onde salvaram-se, além do próprio Paul, alguns republicanos como John McCain e Lindsay Graham, democratas como Ron Wyden e algumas vozes da esquerda americana. Recorde-se: Paul insurgiu-se contra Brennan por este ter sido o responsável pelo sistema de eliminação de terroristas através de Drones, e pelo facto da Administração ter dado a entender que Obama tinha a autoridade para mandar assassinar cidadãos americanos em solo nacional. Não tenhamos dúvidas: a esmagadora maioria dos democratas, incluindo o próprio Presidente Obama, estaria ao lado de Rand Paul se o presidente ainda se chamasse George W. Bush. Isto para não falar do barulho estridente que se ouviria por parte dos media, das organizações americanas “liberais” e da comunidade internacional, incluindo em Portugal. Por outro lado, os republicanos que agora apoiaram, timidamente ou não, Rand Paul, estariam a defender o programa de Drones se o presidente fosse um dos deles. Por isso, o meu aplauso para Rand Paul, que quase de certeza faria o mesmo em qualquer circunstância, e também para John McCain e Lindsay Graham, que não tiveram problemas em defender o Presidente no Senado, mantendo uma coerência que é rara nos dias de hoje. 

 

Em relação ao programa de Drones e à possível eliminação de cidadãos americanos em solo nacional, parece-me que Rand Paul exagerou nos termos em que colocou a situação. Mas este é um debate que a sociedade americana deveria ter, pois é uma questão fundamental sobre o futuro dos Estados Unidos: deverá o Presidente ter a autoridade para eliminar cidadãos sem julgamento? Em que circunstâncias isso pode acontecer? Hoje falamos de terrorismo, mas no futuro poderá ser outro motivo qualquer. E, não esqueçamos, outros países irão ter a mesma capacidade para eliminar alvos deste modo.

 

O filibuster é uma das maravilhas da democracia americana e já não se via um deste género há imenso tempo. Mr Rand Paul went to Washington e agora cuidado com ele em 2016. Não penso que terá força política para vencer a nomeação, mas três anos é muito tempo, e não se sabe para que direcção vai evoluir o Partido Republicano e a sociedade americana, e estas posições são extremamente populares entre os mais jovens. Uma coisa é certa: ninguém pense que Rand Paul irá ter o papel menor que o pai teve nas duas últimas primárias. 


02
Fev 13
publicado por Nuno Gouveia, às 12:47link do post | comentar

O Bernardo Pires de Lima certeiro no DN sobre o debate da imigração

 

Costuma-se dizer que qualquer norte-americano descende de imigrantes, herança cultural que torna a reforma da lei de imigração politicamente incontornável. Mas a razão porque ela voltou ao topo da agenda é outra. Dia 6 de novembro de 2012 o partido republicano bateu no fundo na captação do voto latino: Obama bateu Romney por 71%-27%, fator determinante para a derrota. O GOP tinha radicalizado o discurso sobre imigração (até contra George W. Bush) e nem conseguiu apontar o dedo à promessa não cumprida de Obama sobre flexibilização legislativa. A queda sustentada do eleitorado latino - Bush em 2004 (40%) e McCain em 2008 (31%) - provou ser impossível continuar a confiar cegamente no eleitorado branco (72% do total).


Revelou ainda que um candidato republicano com intenções de ganhar as presidenciais tem de construir soluções para a imigração que sejam próximas do consenso bipartidário e das múltiplas sensibilidades do Congresso. Foi isto que na noite eleitoral ficou claro na cabeça do senador republicano, Marco Rubio, um dos filhos da imigração cubana na Florida e estrela em ascensão para 2016. Rubio percebeu que não podia esperar pela iniciativa de Obama e que tinha de ser ele a liderar o debate no partido. Rubio sabe que a reforma legislativa será longa e debatida sem tréguas, que assentará no reforço do controlo da fronteira com o México e no cardápio de regras que um imigrante ilegal tem de alcançar para ter visto de residência e cidadania (desde a aprendizagem do inglês ao sucesso universitário).


Os 11 milhões de imigrantes ilegais são um problema social, político e cultural para os EUA. Mas são também um dos maiores desafios para democratas e republicanos: os dois vão poder mostrar quem percebeu as eleições, a demografia nacional, a segurança interna, o rigor da contratualização laboral, a própria herança cultural do país. Marco Rubio é o camisola amarela.


22
Jan 13
publicado por Nuno Gouveia, às 15:16link do post | comentar

 

 

Nos últimos dois meses Obama já tinha vindo a dar sinais desta viragem à esquerda, tendo ficado agora consumada com o discurso de tomada de posse. Num tom pouco habitual para estes momentos, Obama focou-se sobretudo em cinco áreas: armas, alterações climáticas, direitos dos gays, lei da imigração e defesa dos programas sociais. A América "liberal" rejubilou e os conservadores responderam com desdém. Agora falta o embate com a realidade, que não será assim tão dócil como o Presidente Obama desejaria, pois é difícil adivinhar como poderá ter sucesso em algumas destas suas invocações. Pelo menos nos próximos dois anos. Apesar da sua vitória clara de Novembro, a América continua a ser um país profundamente dividido, e as diferenças de opinião que existiam antes não terminaram. Além disso, nem Reagan nem Nixon, que tiveram vitórias com cerca de 60% dos votos, distantes do que Obama conseguiu, aprovaram tudo o que queriam. Precisamente porque não tinham a maioria no Congresso. Adivinho até que esta viragem à esquerda no discurso do Presidente poderá reanimar de novo as hostes conservadoras. Vamos por pontos. 

 

 

 


21
Dez 12
publicado por Alexandre Burmester, às 17:42link do post | comentar | ver comentários (4)

 

 

Parece iminente o anúncio da Casa Branca da nomeação do Sen. John Kerry como o próximo Secretário de Estado, na sequência da oposição republicana à nomeação da Embaixadora dos E.U.A. na ONU, Susan Rice.

 

A confirmar-se tal nomeação - que não deverá enfrentar problemas de maior no Senado, pois Kerry é respeitado em termos de política externa também por uma dose saudável de senadores republicanos - abrir-se-á uma vaga de Senador pelo Massachusetts, o que dará uma clara oportunidade a Scott Brown, derrotado em Novembro após cumprir a parte final do mandato do falecido Sen. Edward Kennedy, para regressar à câmara alta do Congresso.

 

As sondagens indicam que Brown - um republicano eleito por um estado largamente democrático - é visto favoravelmente por uma clara maioria de eleitores do Massachusetts. Embora ainda seja cedo para especulações, é bem possível que esta figura atípica do Partido Republicano não tenha dito adeus definitivamente ao Senado.


17
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:27link do post | comentar

 

Tim Scott será o novo senador republicano da Carolina do Sul, anunciaram hoje fontes próximas da governadora do estado, Nikki Haley. Congressista desde 2011, Scott irá agora assumir o lugar entretanto deixado vago por Jim DeMint, que foi para a Heritage Foundation. Este será o primeiro senador negro dos estados do Sul desde a Reconstrução e, curiosamente, será o único negro no Senado na actualidade. Tim Scott foi desde logo apontado como o favorito para o lugar após a demissão de DeMint. Com 47 anos, tem boas relações com os sectores conservadores do partido, mas também com o establishment. Além disso, a tal diversidade que o GOP desesperadamente precisa de alcançar entre o eleitorado também já deixava de adivinhar este cenário. Um marco histórico a nomeação de Scott, no mesmo estado que teve Strom Thurmond como senador desde 1956 até 2003. 


06
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:55link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Jim DeMint, senador da Carolina do Sul e um dos líderes do movimento conservador no Partido Republicano, anunciou hoje que vai demitir-se no inicio do próximo ano. A razão? Irá assumir a liderança da Heritage Foundation, umas das organizações conservadores mais influentes dos Estados Unidos. Jim DeMint é tido como um senador honesto e integro, no entanto, cede muito pouco espaço para o compromisso com os adversários. Nunca cedeu nos seus principios, e nas eleições intercalares de 2010 apoiou alguns dos candidatos "insurgentes" vitoriosos, como Marco Rubio, Rand Paul ou Mike Lee. Era uma das vozes mais importantes do sectores conservadores do Partido Republicano. As más línguas já dizem que troca de lugar para fazer dinheiro, já que o senador DeMint é dos membros do Senado mais "pobres" e o salário na HF é de 1 milhão de doláres por ano. Agora a governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, irá nomear um substituto para o lugar, que irá manter o cargo até 2014. O nome mais referido é o do congressista Tim Scott. 


07
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 12:53link do post | comentar | ver comentários (4)

Outro tema que irá consumir certamente espaço aqui no blogue nos próximos tempos. O Partido Republicano sai arrasado destas eleições. Mais do que Mitt Romney, que certamente irá ser muito criticado por ter perdido, apesar que continuo a pensar que fez uma boa campanha, foi o Partido Republicano o grande derrotado de ontem. As derrotas no Senado são devastadoras e ninguém pensaria que os republicanos acabariam por perder lugares. Nem mesmo a manutenção da maioria da Câmara dos Representantes irá manter a calma. Prevejo uma guerra civil nos próximos tempos. Vencedor da noite do lado republicano? Marco Rubio. Com mais tempo explicarei porquê. 


publicado por Nuno Gouveia, às 01:40link do post | comentar

Como era esperado, o Partido Democrata deverá manter a maioria no Senado. Até ao momento, terão ganho no Connecticut, Virginia, Indiana e Florida, quatro estados onde se pensava possível que os Republicanos pudessem vencer. Acrescidos com a vitória do Independente do Maine, que deverá juntar-se aos democratas, será quase impossível que os democratas percam a maioria. 

 

Errata: não mudo o que disse, mas a eleição na Virginia para o Senado anda está por decidir. Neste momento o republicano George Allen lidera com curta vantagem o democrata Tim Kaine. 


31
Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 17:05link do post | comentar | ver comentários (9)

 

 

 

 

Tinha dito que faria esta previsão, e há que ser rápido, pois pretendo antecipar-me ao Larry Sabato, já que não quero ser acusado de plágio!;-)

 

Pois bem: prevejo um empate no novo Senado, o que dará ao Vice-Presidente um voto de qualidade.

 

Assim sendo, prevejo que os republicanos, que actualmente detêm 47 lugares, conquistem lugares no Nebraska, Montana, North Dakota, Virgínia e Wisconsin. Isto levá-los-ia a um total de 52 lugares, mas em contrapartida prevejo que Scott Brown seja derrotado no Massachusetts, além da perda para um independente do lugar vagado no Maine.

 

Pode haver variações, como o curioso caso do Missouri, onde Todd Akin, depois da sua famosa "gaffe", e talvez ajudado pelos excelentes números de Mitt Romney no estado, tem vindo a aproximar-se da Senadora Claire McCaskill. Mas acho que McCaskill se aguentará e mantenho a previsão de empate.

 

Quanto à Câmara dos Representantes, ninguém prevê outra coisa que não seja uma vitória republicana. Actualmente a maioria republicana na segunda câmara é de 50 lugares (241/191) - há alguns lugares vagos, o total de membros é de 435 - , pelo que a questão será apenas qual será essa maioria depois das eleições. Não creio que haja alteração de vulto e calculo que os republicanos fiquem com entre 236 e 240 lugares, e os democratas com entre 195 e 199.

 

 

Nota: o independente que será provavelmente eleito pelo Maine, Angus King, deverá alinhar com o grupo democrático no Senado.


22
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:16link do post | comentar

 

Mitt Romney a fazer vídeos para ajudar candidatos apoiados pelo Tea Party para ganhar eleições? Pois, se alguém dissesse isso ainda há seis meses atrás poucos acreditariam. Mas este anúncio efectuado em nome do candidato ao Senado pelo estado do Indiana, Richard Mourdock, prova que muito mudou desde então. Romney foi a besta negra dos tea partiers durante as primárias, e estes tudo fizeram para que ele não fosse o nomeado. Daí as diversas lideranças nas sondagens (Rick Perry, Rick Santorum, Herman Cain e Newt Gingrich) e as grandes dificuldades que Romney teve de ultrapassar, apesar de ter tido concorrentes muito fracos. Mas Mitt Romney acabou com as dúvidas na base conservadora, arrepiou caminho para o centro e manteve o flanco direito bem protegido até final da campanha. 


24
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:54link do post | comentar | ver comentários (5)

Em ano de presidenciais, as eleições para o Senado e Câmara dos Representantes são sempre quase "esquecidas" pelos media, mas são quase tão importantes como saber qual o nome do ocupante da Casa Branca. A pouco mais de um mês das eleições, diria que neste momento existe ainda uma indefinição grande ao partido que vai controlar o poder legislativo. Se existe a convicção que os republicanos vão manter a maioria na câmara dos representantes (apesar de não ser nada certo), embora com perda de lugares, o mesmo não se passa no senado, onde existe ainda indefinição. Vejamos então como está a luta pelo senado. 

 

Para os republicanos conquistarem a maioria, terão de conquistar quatro lugares aos democratas ou três, caso Mitt Romney seja eleito Presidente. Há em disputa 23 lugares actualmente ocupados por democratas e apenas 10 por republicanos. E estes números indicavam que seria bastante acessível para os republicanos roubarem a maioria. Mas uma série de erros na escolha de candidatos e escolhas muito pouco "sábias", a exemplo do que sucedeu em 2010 com alguns candidatos, as coisas ficaram bem mais complicadas. O maior exemplo foi no Missouri, onde era quase certo conquistarem o lugar, até emergir Todd Akin, que perdeu o apoio do establishment republicano e dificilmente será eleito. Outra má opção “eleitoral” foi no Indiana, onde Dick Lugar foi afastado, embora aqui haja a forte possibilidade de manterem o lugar.  

 

Lugares seguros:

Democratas (13): Califórnia, Washington, Minnesota, Nova Iorque, Rhode Island, New Jersey, West Virgínia, Delaware, Maryland, Vermont, Havai, Pensilvânia, Maine (R)

Republicanos (7): Texas, Mississippi, Tennessee, Wyoming, Utah, Arizona, Nebraska (D).

 

Prováveis:

Democratas (4): Missouri, New Mexico, Ohio, Michigan

Republicanos (4): Indiana, Dakota do Norte (D), Montana (D), Nevada

 

Empates técnicos (4): Virgínia (D), Massachusetts (R), Wisconsin (D), Connecticut (D), Florida (D)

 

Neste aspecto, repare-se que os democratas roubam um lugar no Maine, com a vitória mais que certa de Angus King, um independente que se deverá juntar a eles, e no Nebraska, onde Deb Fischer deverá ser eleita senadora pelos republicanos. Depois os republicanos estão bem lançados para roubar dois lugares no Dakota do Norte e no Montana. Na coluna dos prováveis é bem possível que haja movimentações para empates técnicos, nomeadamente no Indiana, Montana, Nevada (R) e Missouri (D). Por incrível que pareça Todd Akin ainda não está completamente derrotado, apesar de ter perdido o apoio do Partido Republicano. Repare-se que uma boa parte destas eleições ainda não decididas discutem-se em swing-states e não é de descurar o papel do candidato a presidente nestas eleições, em estados como o Missouri, Ohio, Florida, Virgínia, Nevada e Wisconsin. Por outro lado, o facto de serem estados profundamente democratas (Massachusetts, Connecticut) ou republicanos (Indiana, Dacota do Norte, Montana) podem ajudar a decidir o desfecho da eleição em favor desses partidos. No entanto democratas parecem levar vantagem na manutenção da maioria, especialmente se Barack Obama for reeleito. Neste momento apontaria para um senado com 51-49 para o Partido Democrata. Mas, tal como há dois anos, chegamos perto das eleições e está tudo em aberto no Senado. Com a aparente vantagem que os republicanos levavam no número de lugares em disputa, isso não deixa de ser mau sinal para eles. 


21
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 12:40link do post | comentar | ver comentários (19)

Todd Akin era até Domingo passado um desconhecido candidato republicano ao senado pelo estado do Missouri, e com boas hipóteses de vitória contra a actual senadora Claire McCaskill. Tudo mudou depois de uma entrevista desastrada a um canal local, onde afirmou que as mulheres que sofrem violações legítimas (?) raramente engravidam. Uma frase impossível de explicar que gerou, como seria de esperar, reacções de ambos os partidos. A questão é simples: se Todd Akin não se afastar da corrida, McCaskill será reeleita, colocando a maioria no Senado bem mais difícil para os republicanos, e poderá colocar ainda o Missouri ao alcance de Barack Obama, que o perdeu em 2008 contra John McCain, e que, apesar de algumas sondagens indicarem uma vantagem curta de Mitt Romney, ninguém acredita que não cairia para a coluna republicana este ano. Os riscos são grandes, e, talvez por isso, as reacções mais veementes não foram de democratas. Houve críticas é certo, mas sem dúvida que é do seu interesse que Akin não se retire. 

 

A Super Pac de Karl Rove, Crossroads, anunciou que deixaria de investir no Missouri, o senador John Cornyn, responsável pelas campanhas senatoriais do GOP, disse que não iria apoiar financeiramente Akin na sua campanha, vários senadores, como Ron Johnson ou Scott Brown apelaram ao afastamento de Akin. O Tea Party Express, Sean Hannity da Fox News e a National Review em editorial fizeram o mesmo. Por fim, Mitt Romney condenou as palavras de Akin e sugeriu que este deverá afastar-se da corrida. Nos bastidores a pressão sobre Akin deverá ser ainda maior. Ao contrário do que sucedeu em 2010, quando perderam lugares no senado que deveriam ter ganho, como no Nevada com Sharon Angle e no Delaware com Christine O'Donnell, os republicanos desta vez tomaram uma posição. Um silêncio que pagaram caro em 2010 e que não querer repetir. Se Todd Akin não se retirar, será considerado um pária no partido, mas irá prejudicar a “marca” GOP no Missouri. Um caso a seguir com atenção nas próximas horas. 

 

Adenda (22.08.2012): Apesar do actual senador do Missouri, Roy Blunt, e de quatro antigos senadores, de um telefonema de Paul Ryan e de um apelo formal de Mitt Romney, Akin não desistiu ainda da candidatura. Será ainda possível ser substituído até ao dia 25 de Setembro. Este assunto deverá submergir nos próximos dias, mas é de esperar que a pressão para que ele desista continue. Hoje numa entrevista, o agora candidato pária do Partido Republicano deixou uma porta aberta à desistência. 


27
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:11link do post | comentar | ver comentários (2)

 

No próximo ano as atenções vão estar essencialmente direccionadas para a eleição presidencial. Mas as eleições para a Câmara dos Representantes e especialmente para o Senado serão também elas fulcrais para o futuro dos Estados Unidos. E se em principio, a menos que uma hecatombe suceda ao Partido Republicano, a maioria na Câmara dos Representantes deve manter-se do lado do GOP, no Senado, o poder poderá mudar de mãos. 

 

Neste momento o Partido Democrata tem uma maioria de 53-47 sobre os republicanos, mas o número de lugares em disputa (23 Ds e 10 Rs) coloca esta vantagem em perigo. Os republicanos precisarão apenas de conquistar quatro lugares para assumirem a maioria no Senado, perdida em 2006. Hoje Ben Nelson, democrata conservador do estado do Nebraska, anunciou que não se vai recandidatar, atirando este lugar quase de certeza para a coluna republicana a partir de 2013. Outro lugar que deverá mudar de partido é o Dakota do Norte, onde o democrata Kent Conrad também já anunciou a retirada. De resto, considera-se que poderá haver eleições disputadas no Havai, Novo México, Virginia, Wisconsin, Florida, Michigan, Missouri, Montana, Ohio, Washington (ocupados por democratas) e Arizona, Massachusetts e Nevada (ocupados por republicanos). Considerando que os republicanos, em condições normais, poderão perder apenas o senador Scott Brown do Massachusetts, não é díficil encontrar cinco lugares facilmente conquistáveis. Não desprezando o efeito que as eleições presidenciais terão nestas corridas, é perfeitamente legítimo afirmar que os republicanos deverão ter maioria nas duas câmaras do congresso a partir de 2013. O que poderá facilitar imenso a vida a um Presidente republicano ou complicar a vida ao segundo mandato de Barack Obama. 


02
Ago 11
publicado por Nuno Gouveia, às 18:20link do post | comentar | ver comentários (4)

Sem surpresas, o Senado aprovou hoje a lei sobre o limite da dívida pública. Acabou a crise (política) em Washington e os representantes do povo americano podem regressar aos seus estados. Em Setembro começa uma nova "guerra", a do debate sobre o orçamento para o próximo ano. Para mais tarde fica uma análise sobre os vencedores e derrotados desta "batalha".


28
Mai 11
publicado por Nuno Gouveia, às 10:50link do post | comentar

Esta semana o Senado votou favoravelmente a extensão do Patriot Act até 2015, numa resolução que colheu amplo apoio bipartidário. Ao todo votaram a favor 74 senadores, com 13 a votarem contra (10 democratas e 3 republicanos) e ainda um voto de "presente" de Rand Paul (R). 12 senadores não participaram na votação. A lei anti-terrorista aprovada inicialmente por George W. Bush após o 11 de Setembro, que criou situações de excepção na luta contra o terrorismo, expirava esta semana.

 

O Patriot Act tem sido contestado por algumas associações dos direitos civis, como violadora da constituição americana. No entanto, até ao momento, a lei não foi colocada em causa pelo Tribunal Constitucional, e é considerada uma ferramenta fundamental na luta contra o terrorismo. Basicamente, esta lei, citando esta notícia da AFP, cria três mecanismos fundamentais: a "vigilância móvel" das comunicações de suspeitos que utilizam várias linhas telefônicas; o princípio do "lobo solitário", que permite investigar um suspeito de atividades terroristas por conta própria, e a possibilidade de acesso das autoridades a "todo dado tangível" relativo ao suspeito, incluindo e-mails.


19
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:24link do post | comentar

A longa carreira política de Joe Lieberman está a chegar ao fim. Segundo fontes democratas, o senador não vai recandidatar-se em 2012, o que não surpreenderá ninguém. Senador desde 1988, Lieberman assumiu grande protagonismo na vida política nos últimos anos. Primeiro, em 2000, ao candidatar-se a Vice Presidente no ticket de Al Gore. Quatro anos depois, ele próprio tentou a nomeação democrata, mas sem grande sucesso. A sua visão pró-guerra do Iraque valeu-lhe uma derrota nas primárias de 2006, mas Lieberman não desistiu e foi reeleito senador como Independente. Em 2008, num passo surpreendente, e talvez (não tenho a certeza disto) inédito para um antigo candidato a VP, apoiou o republicano e amigo de longa data John McCain para Presidente. Discursou na Convenção Republicana, foi muito bem recebido e chegou a ser apontado como o preferido para VP de McCain. Nos bastidores comentou-se que só não foi a escolha final porque a base conservadora ameaçou transformar a Convenção num inferno, o que fez com que McCain se virasse para Tim Pawlenty e finalmente para Sarah Palin.

 

Lieberman é actualmente uma das vozes moderadas do caucus democrata no Senado, apesar do seu estatuto de independente. Nunca se passou para os republicanos, apesar das grandes divergências com os seus colegas democratas. A grande amizade com Harry Reid, que sempre o protegeu nestes últimos anos, manteve-o no mesmo lado. As suas perspectivas para 2012 seriam sempre difíceis. Se avançasse como Independente, desta vez era provável que tivesse uma oposição séria de um republicano, o que não aconteceu em 2006. A hipótese de vencer uma primária, republicana ou democrata, neste momento era meramente académica. Portanto, com o cenário de reeleição bastante reduzido, Lieberman optou pela retirada. Uma longa carreira que, indiscutivelmente, teve os seus méritos e deixou uma marca bem vincada na vida política americana.


22
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:09link do post | comentar | ver comentários (2)

Os Estados Unidos assinaram este ano um novo tratado START com a Rússia, mas para este entrar em vigor necessita da ratificação do Senado. O Presidente Obama já prometeu aos russos que tentará a sua aprovação ainda este fim de semana, mas os ventos que têm soprado de Washington indicam que poderá não o alcançar. Sendo que são precisos 2/3 dos votos, Obama precisa de garantir o apoio de 67 senadores, quando os democratas têm 59 senadores na sua bancada. Sem o apoio de alguns republicanos, este poderá não passar. Várias vozes republicanas, como o senador Dick Lugar do Indiana, já apelaram à sua aprovação, dado que está em causa a segurança nacional do país e as relações com a Rússia. No entanto, o número dois republicano no Senado, Jon Kyl, disse que provavelmente não haveria tempo para votar o tratado ainda este ano. No próximo ano, esta questão poderá transformar-se em mais uma batalha entre republicanos e democratas.

 

Os republicanos estão a fazer aqui um jogo perigoso. Em Lisboa todos os líderes europeus demonstraram apoio ao START, e se o GOP conseguir adiar a sua aprovação estarão a enfraquecer a imagem externa do Presidente. No entanto, poderão ficar mal na fotografia, fazendo “jogos políticos” com uma questão de segurança nacional e prejudicar a melhoria de relações com a Rússia, alcançada pela Administração Obama.  Em politica, nem sempre se pode ganhar pontos. Este tratado é importante para os Estados Unidos e para os seus aliados, e os republicanos deveriam “abraçá-lo” e não tentar retirar dividendos políticos. Depois não se queixem.


03
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:04link do post | comentar

O Partido Democrata manteve a maioria no Senado. Se confirmarem-se as vitórias de Pat Murray no estado de Washington e Michael Bennet no Colorado, os democratas ficam com 53 lugares, e não correm o risco de terem deserções para o GOP. Ben Nelson, do Nebraska e Joe Lieberman, do Connecticut, eram os nomes mais referidos. E ainda conseguiram aguentar Harry Reid, algo impensável há uns meses. Apesar do desastre na Câmara dos Representantes, esta perda de apenas seis lugares foi positiva para o Partido Democrata.

 

As notas mais negativas no Senado: o lugar que pertencia a Barack Obama foi conquistado por um republicano, Mark Kirk. No Wisconsin, Russ Feingold, um dos senadores mais respeitados das últimas décadas, caiu. Por fim, perderam em importantes swing states, como no Indiana, Pennsylvania, Ohio, New Hampshire, Florida, Wisconsin e Missouri. Destes, apenas o último votou em John Mccain nas últimas eleições presidenciais.


publicado por Nuno Gouveia, às 16:19link do post | comentar | ver comentários (4)

Muito se falou na influência do Tea Party nestas eleições intercalares. Não há dúvidas da energia, do entusiasmo e da motivação que este movimento introduziu nas campanhas republicanas. Da Costa Leste ao Pacífico, do Midwest aos estados do Sul, o tea party foi fundamental para esta vitória esmagadora conquistada pelo Partido Republicano. Mas a minha primeira nota vai para a sua influência negativa que se sentiu nas eleições para o Senado.

 

Parece agora ser claro que os democratas vão ficar com 53 lugares. E se isto sucedeu foi devido às escolhas duvidosas que o tea party, Sarah Palin e Jim DeMint fizeram durante o período das primárias. No Delaware, Mike Castle teria sido eleito. Jane Norton teria batido o senador Michael Bennet no Colorado. E por fim, Harry Reid teria sido reformado mais cedo com Danny Tarkanian como candidato republicano. E já nem falo do Alaska, onde o candidato oficial republicano, nomeado com o apoio de Palin e do tea party, terá sido derrotado pela senadora Lisa Murkoswki. Dos candidatos apoiados pelo tea party para o senado, apenas terão vencido Rand Paul e Mike Lee, em dois estados profundamenta republicanos (Kentucky e Utah) e Marco Rubio na Florida, este claramente de um campeonato superior aos restantes e com muitos apoios no establishment republicano (Karl Rove e Jeb Bush, por exemplo). Uma das questões que esses líderes republicanos terão de equacionar é se o purismo ideológico, a cegueira em relação às qualidades pessoias e políticas dos candidatos que apoiaram, valeu a pena. Uma lição para 2012.


publicado por José Gomes André, às 10:25link do post | comentar | ver comentários (2)

1. Os resultados ainda não são definitivos, mas é garantido que os Republicanos obtêm uma vitória estrondosa na Câmara dos Representantes, conquistando cerca de 65 lugares aos Democratas. A questão estrutural (os Republicanos partiam de um número anormalmente baixo de mandatos) não explica tudo: este foi manifestamente um voto maçico de protesto contra a agenda política Democrata e o Presidente Obama.

 

2. Os Democratas evitam um cenário eleitoral calamitoso devido a prestações razoáveis no Senado. Mantêm a maioria, o que bloqueará à partida qualquer tentativa dos Republicanos em operar uma revolução política a partir da Câmara dos Representantes.

 

3. Com maioria na câmara baixa e legitimidade política reforçada a partir do "voto popular", os Republicanos estão agora expostos à luz da ribalta. O povo americano puniu severamente os Democratas, mas não bastará aos Republicanos apregoar uma agenda meramente "oposicionista". Cabe-lhes apresentar medidas concretas para reduzir o défice federal, relançar a economia e combater o desemprego. Caso contrário, a fúria dos eleitores acabará por recair a médio-prazo no partido que ontem triunfou.

 

4. Obama tem agora a oportunidade - e o dever - de honrar uma das suas maiores promessas eleitorais: encetar lógicas de compromisso e de aproximação às forças Republicanas. O Presidente tem falhado rotundamente na sua missão de criar pontes de entendimento, mas será forçado a fazê-lo, pois a sua reeleição em 2012 dependerá em boa parte dessa sua capacidade conciliatória.

 

5. Em todo o caso - e por paradoxal que possa parecer - Obama não estará totalmente insatisfeito com os resultados. O cenário de divisão política gerado reforça o papel moderador do Presidente, entregando-lhe além disso de bandeja os temas de campanha para 2012: quando o processo legislativo avançar, sublinhará a sua capacidade de diálogo; se as políticas não resultarem, descreverá os Republicanos como "forças de bloqueio".

 

6. O Tea Party celebra, mas não efusivamente. Passa a ter representação específica no Congresso, mas não se consegue distanciar totalmente da imagem de algum radicalismo, o qual terá prejudicado as hipóteses Republicanas no Senado (vide o caso de Sharron Angle ou da famigerada Christine O'Donnell). As Primárias Republicanas de 2012 serão um teste decisivo à capacidade deste movimento, mas prevê-se a necessidade de controlar as franjas mais extremistas para que o mesmo venha de facto a marcar política e eleitoralmente os Estados Unidos.


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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