31
Mai 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:10link do post | comentar

 

Comportando-se cada vez mais como uma pop star e menos como uma política, Sarah Palin iniciou esta semana uma tournée pela Costa Leste dos Estados Unidos, com passagens importantes por diversos locais históricos e tendo como destino o importante estado de New Hamsphire. Não se sabe verdadeiramente o percurso de Palin (não foi anunciado) nem foi explicado qual o significado desta "bus tour", mas a especulação em redor de uma possível candidatura presidencial tem vindo a ser alimentada pela própria nas últimas semanas. 

 

Uma coisa é verdade: se Palin se candidatar, o grande prejudicado será mesmo o Partido Republicano, que verá uma candidata com reduzidas hipóteses de vitória nas primárias a ocupar o palco principal do debate. A sua força mediática é incomparavelmente superior a todos os outros candidatos, e é provável que o "circo" que envolve todas as suas aparições públicas ofusque os restantes candidatos. Quando o Partido Republicano precisa de um sério debate entre os potenciais substitutos de Obama na presidência, Palin ameaça transformar esta campanha num verdadeiro espectáculo circense, onde o aparato e a forma substitui a discussão entre os candidatos.  

 

Sobre a sua aparição ontem no Memorial Day em Washington, que iniciou esta tour, deixo aqui esta reportagem da jornalista do Público, Kathleen Gomes.


12
Jan 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:55link do post | comentar | ver comentários (2)

Depois de vários dias a ver o seu nome atirado para a lama por uma parte da esquerda americana, Sarah Palin decidiu falar sobre o massacre de Tucson. E a resposta está, como tudo que Palin faz, a gerar bastante polémica. Não me parecendo que tenha cometido algum erro grave neste vídeo, Palin esteve ao seu estilo: agressiva e provocatória em relação aos seus adversários. Talvez não tenha sido um passo muito inteligente. Mas uma coisa é verdade: tudo que Palin faz recebe uma resposta negativa dos media.


05
Jan 11
publicado por José Gomes André, às 01:19link do post | comentar | ver comentários (4)

 

... obter a nomeação Republicana em 2012 são muitas, escreve Nate Silver. Dos vários factores que lhe podem ser favoráveis, destaco dois. Por um lado, o facto de as Primárias mobilizarem sobretudo as bases partidárias, os indefectíveis. E esses, no Partido Republicano, tendem a ser cada vez mais próximos de uma ala conservadora que se revê em Palin. Por outro lado, e ao contrário do que se possa pensar, Palin vai ter os media ao seu lado (pelo menos durante as Primárias). Goste-se ou não, Sarah Palin tem um apelo mediático colossal e um possível confronto com Obama - outro autêntico "icon pop" - seria ouro sobre azul para a comunicação social, permitindo um duelo com proporções "emocionais" e "mediáticas" quase épicas.

 

O que tem contra si? Para além da falta de talento político e intelectual (propriedades que valorizo, mas que estão fora de moda), julgo que o principal problema de Sarah Palin é mesmo o calendário eleitoral. No Iowa, onde tudo começa, Huckabee parte como favorito (venceu aí em 2008). Segue-se o New Hampshire, que em princípio terá uma Primária aberta (ou seja, na qual Democratas e independentes podem votar) e onde tradicionalmente ganham moderados (como McCain). E depois temos o caucus do Nevada, que Romney limpou em 2008 (51% dos votos, metade dos quais de mórmones). Mesmo que ganhe na Carolina do Sul (e cuidado com Huckabee), Palin arrisca-se a chegar a Março completamente encostada às cordas...

 


17
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:19link do post | comentar | ver comentários (2)

Na semana em que Sarah Palin regressou à antena dos mainstream media, uma sondagem explica o seu mal-estar: cerca de 60 por cento dos americanos coloca de parte a hipótese de votar nela para Presidente dos Estados Unidos. Este é o principal problema para uma candidatura presidencial de Palin: apesar da sua popularidade entre os conservadores americanos, os seus números entre independentes continuam miseráveis. Ao contrário de outros potenciais candidatos republicanos, que são completamente desconhecidos do povo americano, Palin tem um elevado grau de notoriedade. Palin nos últimos dois anos transformou-se numa figura altamente divisiva na sociedade americana, e dificilmente poderá reverter a situação com uma campanha presidencial ao seu estilo. Acredito que os seus conselheiros estarão neste momento a pensar na viabilidade de lançar-se à nomeação republicana em 2012. Porque Palin certamente não quererá transformar-se num George McGovern ou Walter Mondale do Partido Republicano.


02
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:54link do post | comentar

Sem surpresa, as críticas vão aumentando de tom dentro do Partido Republicano sobre Sarah Palin. Se ela avançar para uma candidatura, a sua força irá residir especialmente nos movimentos populares e bem longe da cúpula partidária. O establishment, a máquina republicana e os profissionais da política estarão ao lado de outros candidatos. Ed Rollins, antigo conselheiro de Ronald Reagan e que trabalhou com Mike Huckabee na última campanha presidencial (este artigo não será totalmente desinteressado) junta-se a mais vozes do partido, como Chris Cristie, Karl Rove, Peggy Noonan, George. H. Bush ou Joe Scarborough, nas criticas públicas a Sarah Palin. Este é particularmente demolidor, com o título "Palin, I knew Reagan. You're no Reagan":

 

If you want to be a player, go to school and learn the issues. Put smart people around you and listen to them. If you want to be taken seriously, be serious. You've already got your own forum. If you want to be a serious presidential candidate, get to work. If you want to be an imitator of Ronald Reagan, go learn something about him and respect his legacy.



30
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:08link do post | comentar | ver comentários (6)

À medida que Sarah Palin vai emergindo como possível candidata presidencial, as críticas começam a subir de tom dentro do Partido Republicano. Hoje foi Joe Scarborough, antigo congressista e actual apresentador do Morning Joe, da MSNBC, a lançar ferozes críticas a Sarah Palin e a fazer um apelo a outros republicanos para fazerem o mesmo. Deixo aqui uma breve passagem do seu artigo, onde critica Palin por ter atacado George H. Bush.


I suppose Palin’s harsh dismissal of this great man is more understandable after one reads her biography and realizes that, like Bush, she accomplished a great deal in her early 20s. Who wouldn’t agree that finishing third in the Miss Alaska beauty contest is every bit as treacherous as risking your life in military combat? Maybe the beauty contestant who would one day be a reality star and former governor didn’t win the Distinguished Flying Cross, but the half-termer was selected as Miss Congeniality by her fellow contestants.

 


18
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:23link do post | comentar | ver comentários (1)

A confirmação da vitória de Lisa Murkoswki na eleição para o Senado no Alaska não pode deixar de ser considerada uma derrota pessoal de Sarah Palin, ainda por cima no seu próprio estado natal. Joe Miller ganhou a nomeação republicana depois da preciosa ajuda de Palin e do tea party, mas Lisa Murkowski, uma antiga adversária dos Palin no estado, não desistiu e avançou para uma candidatura "write in". Isto significa que o seu nome não constou no boletim de voto, mas que os eleitores podiam votar nela escrevendo o seu nome. Apesar da grande improbabilidade, a actual senadora derrotou o candidato oficial republicano e está de regresso a Washington, já tendo anunciado que se manterá na bancada republicana nos próximos seis anos.

 

Sarah Palin tem dado todos os sinais que vai mesmo avançar para uma candidatura presidencial em 2012, mas o seu caminho não será fácil. Considerada inexperiente, com poucos conhecimentos e não qualificada para o cargo pela maioria dos americanos, Palin conta com o apoio da base conservadora para obter a nomeação. Mas esta derrota, aliada à de Christine O´Donnell no Delaware, é um sério aviso às suas pretensões. A última sondagem no Alaska também a coloca em dificuldades, com o seu nome a aparecer apenas em quarto lugar nas preferências dos eleitores republicanos para a nomeação do partido. Nos últimos dias tenho lido sinais que muitos republicanos conservadores perceberam o sinal recebido nestas eleições intercalares: a mensagem é importante, mas também a qualidade dos candidatos. As derrotas dos candidatos "excêntricos" no Delaware, Alaska, Colorado e Nevada, lançaram um sinal de alerta: para vencer é preciso candidatos excepcionais e que consigam conectar com o eleitorado independente. Se estes candidatos tivessem todos vencido em 2010, Palin poderia ter o trabalho mais facilitado nas primárias.

 

Todas as sondagens conhecidas evidenciam que os eleitores republicanos não estão entusiasmados com as opções presidenciais mais fortes que neste momento existem: Palin, Romney, Huckabee e Gingrich. Mais do que nunca, há espaço para um candidato insurgente. Quem poderá ser esse nome?


04
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:42link do post | comentar | ver comentários (10)

Criou-se no imaginário dos media, americanos e europeus, que Sarah Palin é uma força imparável do Partido Republicano. Mas será que é mesmo assim? Será que Palin caminha a passos largos para ser a candidata republicana em 2012? Ou será apenas mais um dos muitos líderes que o Partido Republicano teve no passado, com um apelo muito forte a certas camadas da sociedade, mas sem conseguir penetrar na maior parte do eleitorado? Eu inclino-me fortemente para a segunda hipótese. Repare-se na prestação dos candidatos que ela apoio nestas eleições.

 

Segundo o Politico, para a Câmara dos Representantes, Palin apoiou 60 candidatos, mas apenas 15 desses venceram. No Senado o resultado é ainda pior, pelo mediatismo de algumas destas eleições. A começar pelo seu estado, onde o candidato que ela “criou”, Joe Miller, terá sido derrotado por Lisa Murkoswki, a actual senadora republicana. Se confirmar-se este resultado, terá sido uma derrota humilhante para Palin. As outras derrotas mais severas vieram de Sharron Angle e Christine O`Donnell, duas desconhecidas que venceram as nomeações depois de terem sido apoiadas por Palin. Estas estão na sua conta pessoal de derrotas.

 

Não tenho dúvidas que se Sarah Palin se candidatar, o circo mediático vai instalar-se em redor da sua candidatura. Atrai multidões, dá audiências às televisões e vende muitos jornais e revistas. Mas este espectáculo não lhe garantirá a nomeação. Uma straw poll realizada num evento do tea party na Virgínia, ou seja, dentro de um grupo de 2 mil activistas que supostamente a apoiariam facilmente, ela quedou-se no quarto lugar, atrás de republicanos como Chris Cristie e Mike Pence. O entusiasmo que ela gera não se transformará automaticamente em apoio eleitoral numas primárias republicanas.


01
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:31link do post | comentar

Este é o título de uma notícia do Politico que animou as últimas horas na política americana. Segundo a notícia, segundo fontes anónimas, líderes do Partido Republicano estão a preparar uma estratégia para impedir que Sarah Palin consiga ganhar a nomeação republicana. Não é novidade para ninguém que Palin é vista por muitos republicanos como "inelegível" numas eleições gerais. Como escrevi aqui, o establishment republicano não vai ficar quieto perante a possibilidade de Palin poder ganhar as primárias republicanas. Mas não me parece o mais correcto lançar este tipo de notícias para a opinião pública, que vitimizam Palin e ainda lhe dão mais força. Não por acaso, vários pré-candidatos, como Mitt Romney, Haley Barbour e Rudy Giuliani (sim, parece que o antigo Mayor de Nova Iorque está a pensar numa nova candidatura) já vieram a público criticar esta noticia. Uma coisa é verdade: neste momento ninguém parece querer afrontar Sarah Palin em público. A expecção tem sido Karl Rove. Isto também diz muito do estado do Partido Republicano, que apesar de estar perto de uma vitória histórica, parece estar refém de Palin. Não são boas notícias para as suas aspirações em derrotar Obama em 2012.


29
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:30link do post | comentar | ver comentários (3)

Em política tudo é possível. E há quem veja uma janela de oportunidade para Sarah Palin nas primárias de 2012. Mas sou daqueles que pensa que Palin tem pouco mais de zero possibilidades de chegar à Casa Branca. O seu percurso errático, a demissão do governo do Alaska, a sua postura mediática como a realização de um reality show sobre o Alaska (que vai passar no Discovery Channel) são motivos fundamentais. Mas esta sondagem da ABC News/Washington Post é reveladora: apenas 27 por cento dos americanos considera que ele tem as qualidades necessárias para ser Presidente, enquanto 67 pensa que Palin não as tem. Pior ainda para ela: estes números não mudaram nada desde o fim da campanha presidencial de 2008. Nos últimos dois anos ela demitiu-se de um cargo para que foi eleita e ganhou dinheiro, muito dinheiro. Transformou-se numa figura importante na ressurgência do Partido Republicano, ajudou a fazer a ponte entre o tea party e o GOP, e contribuiu para muitos candidatos vencerem as primárias. Mas isto não a transformou em presidenciável. Antes pelo contrário. Muitos são aqueles que gostam dela, mas que não a apoiam para Presidente. Ainda no mês passado numa sondagem no Iowa, Palin quedou-se em quarto lugar, atrás de Romney, Gingrich e Huckabee.

 

O próximo ciclo eleitoral será indubitavelmente influenciado pelo tea party. Não se consegue visualizar um nomeado que não tenha o apoio de pelo menos uma parte deste movimento. Mas isso não quer dizer que se vão ficar por Sarah Palin. Nos últimos tempos têm surgido várias figuras republicanas consideradas próximas do tea party que nem por isso são parecidos com Palin. Estou a lembrar-me de Cris Christie ou Marco Rubio, que dificilmente serão candidatos, mas que provam que o tea party pode apoiar um outro tipo de candidato, com um discurso mobilizador e conservador, mas que consiga penetrar no eleitorado independente. Repare-se nestes dados da sondagem: 82 por cento dos democratas, 70 por cento dos swing voters independentes e 77 por cento dos moderados não a consideram qualificada para o cargo. Ninguém pode ser eleito Presidente com estes números. Mesmo que Sarah Palin se candidate, o campo do tea party nas primárias estará tão dividido que haverá uma janela de oportunidade para um candidato com créditos conservadores, mas considerado elegível numas eleições gerais, poder emergir como candidato republicano.

 

Por fim o establishment republicano. Neste ciclo eleitoral vimos muitos candidatos a derrotar os apoiados por Washington. Em 2012 nenhum candidato vai querer ser conotado com Washington, e vamos assistir a vários a assumirem-se como outsiders. Essa será uma qualidade necessária para qualquer candidato. Mas isso não quer dizer que os insiders do Partido Republicano não vão ter uma palavra a dizer nessas primárias. Karl Rove tem dado o mote contra Palin e o tea party. Não que ele seja uma figura muito popular entre os activistas republicanos (que não o é). Mas ninguém duvide da força do establishment, que empura os vencedores desde 1968: Nixon, Ford, Reagan, H. Bush, Dole, W. Bush e McCain. A última vez que um candidato insurgente foi nomeado foi em 1964, quando Barry Goldwater bateu o preferido Nelson Rockefeller. Se em 2012 voltar a vencer um insurgente, aposto que esse nome não será Sarah Palin.


28
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:58link do post | comentar

Joe Miller, o candidato que Sarah Palin catapultou para a nomeação, está em grandes dificuldades para ser eleito. Segundo uma sondagem publicada hoje, está atrás do democrata Scott Adams e da senadora Lisa Murkowski, que derrotou nas primárias republicanas. Miller até começou bem a campanha, pensando-se na altura que dificilmente seria batido nestas eleições. Mas as gaffes e os problemas acumularam-se nas últimas semanas, com a prisão de um jornalista por parte de seguranças da sua campanha e a revelação que teria utilizado computadores do seu trabalho para questões políticas. Apesar desta sondagem suscitar grandes dúvidas relativamente à sua fiabilidade, como revela aqui Jim Geraghty, é um forte indicador que as coisas não estão a correr bem para Miller.

 

Miller é o mais recente candidato apoiado pelo Tea Party a sentir dificuldades nesta campanha. Depois do "crash" da campanha de Christine O´Donnell no Delaware, esta é mais uma eleição que pode fugir ao Partido Republicano. Infelizmente para o Partido Democrata, esta derrota não será em seu favor, pois a senadora Lisa Murkoswki, que se candidatou depois de perder as primárias, já assegurou que caso seja eleita se manterá fiel ao GOP no Senado.

 

Este é um dos problemas que muitos candidatos do tea party têm apresentado: candidatos sem experiência nem "background" suficientemente investigado para enfrentar uma dura campanha sob os holofotes da sempre vigilante imprensa. A derrota de vários destes candidatos até pode ser benéfica para o Partido Republicano, que pode enfrentar as primárias presidenciais de 2012 mais "livres" do espectro destes candidatos do Tea Party. Karl Rove já percebeu isso e ainda hoje é noticia novamente nos Estados Unidos por manifestar grandes dúvidas da elegibilidade de Sarah Palin para Presidente.



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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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