02
Fev 14
publicado por Nuno Gouveia, às 19:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Obama tem ainda mais três anos na Casa Branca, mas a sua sucessão já está na ordem do dia. É óbvio que tudo o que se diga por esta altura é altamente provável de ser desmentido pela realidade, e bastará recuar até ao inicio de 2006 para nos recordarmos o que se dizia então: Hillary Clinton era a quase nomeada pelo Partido Democrata e Rudy Giuliani era o favorito do lado republicano. Atualmente, diria que do lado democrata, a história repete-se: a antiga Primeira Dama é a grande favorita à nomeação, enquanto do lado republicano, depois do escândalo que afectou Chris Christie, não há favorito. 

 

Se é verdade que o Partido Democrata poderá ser prejudicado pela previsível impopularidade da Administração Obama em 2016, neste momento apresenta o candidato mais forte. Hillary Clinton continua muito popular, e, sinceramente, não se vê ninguém do lado democrata capaz de a derrotar nas primárias. Neste momento não existe nenhuma estrela em ascensão no partido e nenhum dos potenciais candidatos, como Joe Biden ou Andrew Cuomo, não têm o star power de Obama em 2006. Hillary tem a máquina (que já está no terreno), tem o apoio da base e tem ainda outra coisa: há uma espécie de remorso ente muitos do partido por não a terem eleito em 2008, e desta vez não haverá muitos políticos conhecidos do Partido Democrata a apoiar outro candidato, como sucedeu em 2008 com Obama. Mesmo que o Presidente chegue a 2016 muito impopular, é provável que Hillary se apresente na condição de favorita para ser eleita Presidente. É óbvio que irá deparar-se com muitas dificuldades, Bill Clinton pode ser uma nuvem sombria, como o foi em 2008, o escândalo de Benghazi vai andar por aí, e depois haverá sempre a condicionante do nome republicano. Dito isto, o que acontecerá se Hillary não se candidatar? Haverá muitos mais candidatos e a corrida será completamente imprevisível. Num cenário sem Hillary, o Partido Democrata estará muito mais fragilizado e o nível de popularidade de Obama poderá ser muito mais decisivo na eleição. Além dos nomes já citei, fala-se da senadora do Massachusetts, Elisabeth Warren, do antigo governador do Montana, Brian Schweitzer ou do governador de Maryland, Martin O'Malley. Mas nenhum destes candidatos tem um nome nacional (nomeadamente na base democrata). A eleição de um Presidente democrata será bem mais difícil  neste cenário (os democratas não ganham três eleições seguidas desde Truman em 1948 – na verdade tinham ganho cinco).

 

No Partido Republicano há uma certeza: depois de 2012, onde apenas Mitt Romney era qualificado para ser Presidente (os restantes candidatos não tinham estatuto para isso e muitos foram mesmo confrangedores durante a corrida), no próximo ciclo eleitoral haverá certamente muita qualidade no terreno. Neste momento há poucas certezas, mas Chris Christie, governador de New Jersey (se sobreviver ao atual escândalo de New Jersey), Scott Walker, governador do Wisconsin, o senador Marco Rubio da Florida, Paul Ryan do Wisconsin ou Jeb Bush, antigo governador da Florida serão todos eles nomes capazes de vencer as primárias e chegar à Casa Branca. Quando a máquina republicana começar a despejar dinheiro num candidato, qualquer um destes pode ser o seu escolhido. Apesar de tudo o que se tem dito nas últimas décadas sobre o Partido Republicano, o vencedor das primárias tem sido sempre a escolha do establishment e aquele que se apresenta durante as primárias como o mais bem preparado para ser Presidente. Na ala mais populista e libertária, Rand Paul ou Ted Cruz são nomes a ter em conta, sobretudo porque são políticos muito hábeis e poderão constituir uma ameaça aos candidatos mais mainstream. Entre outros potenciais candidatos, fala-se do governador do Ohio, John Kasich, Bobby Jindal, governador da Louisiana, da senadora do New Hampshire, Kelly Ayote ou novamente de Mike Huckabee, do Arkansas. Depois de oito anos de Obama, diria que um governador terá mais hipóteses de ser o nomeado pelo Partido Republicano, pois apresentará experiência executiva, algo que Obama não teve antes de ser Presidente. No Congresso, diria que Marco Rubio, apesar de ter perdido apoio na base conservadora depois de se ter envolvido activamente na reforma da imigração, é o que tem mais hipóteses, pois consegue bem fazer a ponte entre os sectores mais à direita com a máquina republicana. Chris Christie era considerado o favorito antes dos problemas no seu estado, e tem já um estatuto nacional. Se ultrapassar esta fase menos positiva, poderá ser um candidato fortíssimo. Jeb Bush poderá ser um candidato forte, apesar do seu apelido constituir um problema.  


29
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 16:51link do post | comentar | ver comentários (7)

 

O governador de New Jersey perdeu popularidade entre o movimento conservador americano após a sua actuação no pós furacão Sandy. Nos últimos meses o seu nome desapareceu do radar conservador, não tendo sido inclusive convidado para a CPAC deste ano. Mas ninguém pense que desapareceram as suas possibilidades para 2016. Ele vai ter a reeleição em Novembro deste ano, e é aí que as suas atenções estão concentradas. As sondagens atribuem-lhe uma vitória esmagadora contra a sua opositora democrata. O que poderá querer dizer isto para 2016?

 

Christie é neste momento um político extremamente popular num estado profundamente democrata. Se garantir a reeleição com facilidade, será normal que as suas atenções redireccionem-se para a arena nacional. Até Novembro poucas ou nenhumas intenções dará sobre as suas ambições presidenciais, mas após isso, poderá começar a construir uma possível campanha para as primárias republicanas. Christie é um moderado com um profundo apelo no eleitorado independente e até democrata, e até há bem pouco tempo, nos conservadores. Isso faz dele um candidato de sonho para o Partido Republicano. Mas, já encontramos outros candidatos do género que chegaram às primárias e desfizeram-se. Lembram-se de Rudy Giuliani? O que Christie precisará de fazer para ter hipóteses de vencer a nomeação? Se for o candidato moderado, como foi Jon Huntsman em 2012 ou o próprio Giuliani em 2008, terá poucas hipóteses. Mas se conseguir apresentar-se no estilo de Mitt Romney ou John McCain, procurando apoios entre as diversas facções do partido mais relevantes, como os moderados, os fiscal conservatives, os tea partiers e a direita religiosa, aí sim, poderá ser um candidato fortíssimo. Porque o nomeado tem sido alguém que consegue reunir apoios de todo o lado, mesmo que em alguns sectores tenha dificuldades de penetração, e, acima de tudo, ter apoio de uma parte importante do establishment. Os republicanos vão chegar a 2016 desesperados por uma vitória e não acredito que escolham alguém inviável para as eleições nacionais. Esse é o meu cepticismo para as possibilidades de um dos nomes do momento: Rand Paul. Pelo contrário, Marco Rubio, que tem as mesmas raízes de Paul, tem muitas mais possibilidades de sucesso, porque não se tem confinado à direita mais conservadora, pois tem angariado aliados em diversos sectores do partido. 


17
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 23:31link do post | comentar | ver comentários (3)

 

A Conservative Political Action Conference (CPAC) é tradicionalmente (pelo menos nos últimos anos) um palco onde brilham mais políticos mais conservadores do Partido Republicano. Esta conferência, que se realizou neste último fim de semana, é palco para os activistas mais empenhados do partido. Desta vez não foi excepção, e Rand Paul e Marco Rubio foram as grandes estrelas da convenção, perspectivando desde já um duelo para 2016. Chris Christie não foi convidado (e ele até agradecerá, pois tem a batalha da reeleição para vencer este ano no democrata New Jersey), Paul Ryan teve uma passagem bastante discreta, provando que a sua candidatura a Vice Presidente terá prejudicado o seu status nos corações conservadores, e Jeb Bush, que tem sido um dos possíveis nomes para 2016, teve uma reacção fria. O mais discreto governador do Wisconsin, Scott Walker, também teve uma boa recepção, tendo até afirmado publicamente que estará disponível para uma candidatura em 2016. Bobby Jindal, governador da Lousiana, teve uma passagem discreta pela CPAC e está longe do fulgor que lhe anteviam em 2009. O que quer dizer este primeiro parágrafo: os republicanos terão, de certeza absoluta, um leque de candidatos com muito mais qualidade do que em 2012 e mesmo em 2008. Este leque de políticos garante por si um debate de qualidade para 2016, sendo para mim certo que estarão aqui os principais candidatos à nomeação em 2016. 

 

Há também uma luta pela direcção do partido, onde Rand Paul e Marco Rubio, dois políticos eleitos com apoio do Tea Party na vaga de 2010, se destacaram. Paul é o herdeiro (político) da facção libertária do seu pai Ron Paul, onde se destaca um discurso mais agressivo em relação ao papel do estado na sociedade, sendo que no campo das liberdades civis e sociais, se aproximará mais da esquerda americana. Também na frente externa há mais divisões, com Rubio a defender uma via mais em consonância com o legado republicano dos últimos 30 anos, mais intervencionista, e, se quisermos, próximo dos neoconservadores. Por outro lado, temos uma facção mais moderada, representada em Jeb Bush e talvez Chris Christie, que possui um discurso mais inclusivo em relação às minorias (onde é acompanhado por Rubio) e representa o conservadorismo mais tradicional, na linha de George W. Bush, John McCain, Bob Dole ou Ronald Reagan. A força de Rubio é que poderá granjear apoios em quase todas as facções do GOP. Rand Paul venceu a Straw Poll, mas isso quer dizer muito pouco. O seu pai também a venceu várias vezes e nem por isso chegou a ser um candidato sério à nomeação. Rand é um político de uma estirpe diferente e poderá ser um osso duro de roer. Mas os principais candidato para 2016, para mim, continuam a ser três: Marco Rubio, o favorito a esta distância, Paul Ryan, pela capacidade de reunir apoios entre as elites republicanas e Chris Christie, que tem andado arredado das hostes conservadores, mas que deverá estar de volta após garantir a reeleição em Novembro deste ano. Mas diria que pela primeira vez talvez desde 1964, não haverá nenhum candidato claramente favorito no Partido Republicano. E diria mais: se Hillary Clinton não for candidata, o mesmo acontecerá no Partido Democrata. Umas eleições e campanha que promete. 


03
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 18:32link do post | comentar

 

No inicio de Março entraram em vigor cortes efectivos na despesa federal, incluindo na defesa, que irão contabilizar 1,2, mil bilhões de dólares na próxima década. Em 2011, no acordo bipartidário que permitiu aumentar o limite do endividamento federal, estava incluída uma cláusula que dizia que se o Congresso não aprovasse um orçamento até ao final de Fevereiro, estes cortes entrariam em vigor em Março. Como aconteceu. Obama e os republicanos não se entenderam onde cortar esta soma, pelo que os cortes são automáticos. Obama voltou a pedir aos republicanos para aumentar impostos, para fazer com que que os cortes fossem menores, mas não conseguiu formalizar nenhum acordo.

 

Desde que foi reeleito, Barack Obama tem agido como se o sistema político americano de repente tivesse sido reinventado. Já não seria preciso negociar com os adversários, e bastariam apenas golpes de mágica para obter tudo o que desejaria. Com um Partido Republicano em grave crise após a derrota de Novembro, e com as sondagens favoráveis, Obama tem actuado de forma arrogante e pouco capaz de gerar consensos. Obviamente do outro lado encontram-se republicanos também eles pouco dispostos a cederem. Mas na verdade, nos últimos tempos permitiram o aumento de impostos para os mais ricos e o aumento do limite do endividamento sem cortes nenhuns, situações que sempre tinham negado no passado. Como um dos sectores mais afectados pelos cortes é precisamente o Departamento de Defesa, Obama contou que isso faria com que os republicanos cedessem. Obama apostou que os republicanos iriam novamente ceder, mas parece que a fragilidade dos republicanos tem limites. As negociações entre os dois lados continuam, e há quem pense que neste caso será Obama a ceder, ou seja, a negociar um pacote de cortes na despesa sem novos aumentos de impostos. O que este caso demonstra é que a política e os jogos de bastidores irão continuar a dominar Washington, e que Obama não terá sempre tudo o que desejar do Congresso. Se é que alguém ainda tivesse dúvidas disso. Fica a lição para futuras batalhas legislativas. 


09
Fev 13
publicado por Nuno Gouveia, às 12:07link do post | comentar | ver comentários (3)

 

A elevação ao Olimpo é uma das armadilhas que os media americanos habitualmente montam aos políticos jovens e carismáticos. Uns têm a sorte de a utilizar em seu favor, outros ficam inebriados pela áurea que envolve este tipo de endeusamento, e mais tarde ou mais cedo, acabam ser cair nela. A capa da Time desta semana é um exemplo disso. Marco Rubio parece perceber os perigos desta quase "divinização" e apressou-se a demonstrar o seu desconforto em público, ao afirmar no Twitter que não é salvador nenhum. Mas não tenho dúvidas: Marco Rubio é o republicano mais interessante do momento. O influente Ed Gillespie considerou-o o melhor comunicador do Partido Republicano desde Ronald Reagan, e também esta semana, Rubio foi escolhido para dar a resposta oficial ao discurso de Barack Obama sobre o Estado da União. E apesar de estarmos ainda a três anos dos caucuses do Iowa, os seus passos dos últimos tempos têm fornecido importantes pistas que já terá em mente as eleições presidenciais de 2016.

 

A sua história de vida tem tudo para gerar empatia no povo americano: filho de imigrantes cubanos, o pai empregado de restaurante, a mãe, empregada de hotel, estudou na Universidade de Miami e cedo começou a destacar-se na política local. Chegou a Speaker da Câmara dos Representantes da Flórida aos 35 anos, sob o patrocínio de Jeb Bush, na época governador do estado. Em 2009 avançou para a conquista da nomeação para o Senado contra o então poderoso e popular governador do seu partido. Cedo reuniu apoios dos sectores mais conservadores, mas ao contrário de outros candidatos apoiados pelo tea party, também de algumas personalidades do establishment, como Karl Rove ou Mitt Romney. Demorou pouco tempo até começar a subir nas sondagens, que tornou inviável a candidatura do adversário, que saiu do partido e candidatou-se como independente. Mais tarde, Rubio foi facilmente eleito senador.

 

Mas a vitória nas eleições para o Senado foi apenas o inicio de uma história, até ao momento, de grande sucesso. Após a dura derrota do GOP em Novembro, é já considerado por muitos como líder do Partido Republicano. Tem-se dedicado a construir uma máquina política através do seu gabinete no Senado, tem feito pontes com diversos republicanos e até democratas, e é já uma das vozes mais relevantes no debate político. Utilizando o seu capital político nas hostes conservadores, tem liderado o debate sobre a reforma da imigração, assumindo o papel de porta voz da mudança do GOP nesta matéria. Será que o carisma, a oratória e a telegenia de Rubio o colocam desde já como favorito para a nomeação de 2016? Se as eleições fossem daqui a um ano, talvez respondesse afirmativamente. Mas em política três anos é uma eternidade e muito ainda pode acontecer. Mas este é o republicano a seguir com muita atenção nos próximos anos. 


27
Jan 13
publicado por Nuno Gouveia, às 22:26link do post | comentar | ver comentários (2)

George W. Bush colocou na agenda do segundo mandato a reforma da imigração, cujo objectivo passava por abrir um caminho para a legalização de cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais a viver nos Estados Unidos. Após ter recebido mais de 40% do voto hispânico nas eleições de 2004, a concretização dessa reforma teria colocado o Partido Republicano no bom caminho para alcançar bons resultados eleitorais entre este segmento do eleitorado. A história é conhecida. A legislação introduzida por John McCain e o falecido Ted Kenney foi barrada no senado devido à oposição republicana, e desde então, até à última campanha eleitoral, o debate esteve contaminado por uma retórica agressiva contra os imigrantes ilegais. Barack Obama nem tentou passar a legislação nos primeiros dois anos do seu mandato, quando tinha maioria nas duas câmaras. Mas chegou a hora de resolver este problema. Os resultados eleitorais do Partido Republicano no eleitorado hispânico foram catastróficos, e poucos nesta altura acreditarão que haverá força das vozes oposicionistas para barrar legislação. 

 

Barack Obama já prometeu envidar esforços no sentido de criar um caminho para a legalização dos imigrantes ilegais neste mandato, e é bem possível que seja já no primeiro ano que o consiga fazer. Marco Rubio será um dos principais advogados do lado republicano, e já ganhou aliados importantes, como Paul Ryan, John McCain ou Lindsay Graham. Certamente haverá oposição de alguns republicanos, mas desta vez, ao contrário de 2007, não é de esperar um movimento tão forte de contestação à reforma. Do lado democrata, pouca ou nenhuma oposição deverá surgir. Um comité bipartidário do Senado está já a preparar legislação, onde estão presentes, além de Rubio, McCain do lado republicano, Dick Durbin e Robert Menendez do lado democrata. Será uma boa notícia para a América. 


17
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:27link do post | comentar

 

Tim Scott será o novo senador republicano da Carolina do Sul, anunciaram hoje fontes próximas da governadora do estado, Nikki Haley. Congressista desde 2011, Scott irá agora assumir o lugar entretanto deixado vago por Jim DeMint, que foi para a Heritage Foundation. Este será o primeiro senador negro dos estados do Sul desde a Reconstrução e, curiosamente, será o único negro no Senado na actualidade. Tim Scott foi desde logo apontado como o favorito para o lugar após a demissão de DeMint. Com 47 anos, tem boas relações com os sectores conservadores do partido, mas também com o establishment. Além disso, a tal diversidade que o GOP desesperadamente precisa de alcançar entre o eleitorado também já deixava de adivinhar este cenário. Um marco histórico a nomeação de Scott, no mesmo estado que teve Strom Thurmond como senador desde 1956 até 2003. 


11
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:35link do post | comentar | ver comentários (10)

Nas últimas semanas, após o anúncio que não iria cumprir o segundo mandato como Secretária de Estado, o nome de Hillary Clinton começou imediatamente a ser ventilado como possível sucessora de Barack Obama. Na verdade, poucos acreditam em Washington que Clinton não seja a nomeada, se ela for candidata. Mas recordo que quatro anos em política é uma eternidade, e o ambiente político será radicalmente diferente em 2016. Raramente um partido manteve a Casa Branca durante três ciclos eleitorais (o último foi o GOP após dois mandatos de grande sucesso de Ronald Reagan), e não se perspectiva que em 2016 os Estados Unidos vivam um período de optimismo e euforia como acontecia em 1988. Hillary Clinton atingiu o estatuto de política no activo mais popular, mas isso pode não quer dizer muito para 2016. 

 

Mas, imaginemos que chegamos ao final de 2014, o governo de Barack Obama é relativamente popular e vence as eleições intercalares. A pressão para Hillary Clinton avançar será enorme, e é bem possível que avance mais uma vez. Com 69 anos e uma popularidade enorme no Partido Democrata, Hillary deverá vencer facilmente as primárias. Não acredito que surja alguém capaz até 2016 de a derrotar internamente. O mais bem colocado, para mim, no campo democrata, Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque, poderá ser um candidato fortíssimo, se Hillary não for candidata. Se esta avançar, este "liberal" no campo social e moderado nos assuntos económicos (uma mais valia para as eleições gerais), até pode decidir ficar em casa e esperar próxima oportunidade. E vencida a nomeação democrata, quem terá pela frente Hillary Clinton? É difícil responder a esta pergunta, mas arriscaria que há quatro nomes mais fortes do lado republicano: Bobby Jindal, Marco Rubio e Paul Ryan (todos com 45 anos em 2016) e Chris Christie (54 anos). Com excepção do governador de New Jersey, teríamos provavelmente um choque de gerações, com um candidato jovem e conservador, provavelmente com enorme entusiasmo e a juventude do seu lado, contra uma velha senadora da política americana, respeitada e acarinhada pelo povo americano. Faz lembrar alguma eleição? Quer isto dizer que acho que Hillary Clinton perderia com um destes candidatos? Não. A esta distância é extemporâneo afirmar o que quer que seja sobre 2016. Pode-se especular, como o faço neste post, mas parece-me que serão sempre umas eleições muito disputadas.


06
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:55link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Jim DeMint, senador da Carolina do Sul e um dos líderes do movimento conservador no Partido Republicano, anunciou hoje que vai demitir-se no inicio do próximo ano. A razão? Irá assumir a liderança da Heritage Foundation, umas das organizações conservadores mais influentes dos Estados Unidos. Jim DeMint é tido como um senador honesto e integro, no entanto, cede muito pouco espaço para o compromisso com os adversários. Nunca cedeu nos seus principios, e nas eleições intercalares de 2010 apoiou alguns dos candidatos "insurgentes" vitoriosos, como Marco Rubio, Rand Paul ou Mike Lee. Era uma das vozes mais importantes do sectores conservadores do Partido Republicano. As más línguas já dizem que troca de lugar para fazer dinheiro, já que o senador DeMint é dos membros do Senado mais "pobres" e o salário na HF é de 1 milhão de doláres por ano. Agora a governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, irá nomear um substituto para o lugar, que irá manter o cargo até 2014. O nome mais referido é o do congressista Tim Scott. 


04
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:08link do post | comentar

Disputa-se neste momento o último combate político do ano em Washington. Se democratas e republicanos não chegaram a acordo, no dia 1 de Janeiro de 2013 os impostos irão aumentar para todos os americanos, entre os quais o imposto sobre rendimentos, o imposto sobre o trabalho e ainda o fim dos benefícios fiscais para as pequenas e médias empresas. Por outro lado, haverá cortes automáticos em diversos programas federais, incluindo no sector social e na defesa. Os analistas independentes indicam que estas medidas contribuirão para o aumento do desemprego e uma previsível recessão, apesar de reduzirem o decide em 500 mil milhões de dólares anuais. Portanto, temos os ingredientes para mais uma grande trapalhada em Washington. Por um lado, os democratas e Barack Obama pretendem que os cortes na despesa não sejam tão severos e que haja um aumento de impostos para os mais ricos. Os republicanos estão contra qualquer aumento de impostos, e pretendem mudar a essência dos cortes na despesa. Estas são as premissas iniciais do debate. Em baixo deixo uma breve análise sobre este período negocial, o até onde poderão ceder os lados e qual o papel que Paul Ryan poderá ter, agora que o GOP está sem líder aparente. 

 

No verão de 2011 passamos por uma situação semelhante, aquando do aumento do limite do endividamento federal, mas agora estamos num período da vida política americana muito diferente. Já não há possibilidade de derrotar Barack Obama e os republicanos estão em crise existencial. É verdade que Obama é o primeiro presidente da era moderna a ser reeleito com menos votos do que no primeiro mandato, mas a sua vitória foi bem mais confortável do que se chegou a pensar, e, acrescentando a isso, o Partido Democrata viu a sua maioria no Senado aumentar nas últimas eleições, além de terem conquistado alguns lugares na Câmara dos Representantes. Os Democratas viram assim “reforçada” nas urnas a sua legitimidade para governar os Estados Unidos. Além disso, o Partido Republicano está neste momento numa posição muito débil, sendo vistos pela maioria do eleitorado como mais inflexíveis do que os democratas. Obama conquistou no dia 6 de novembro um mandato para liderar, e os republicanos, se não querem ser mais penalizados pela opinião pública, terão de ceder mais do que no passado recente. Estou certo que Obama terá agora mais hipóteses para negociar o “grande acordo” que enfrente os problemas estruturais dos Estados Unidos: a dívida pública, os défices elevados e o fraco crescimento económico. Se ele vai existir, não sabemos. 

 

A  primeira reacção de John Boehner após as eleições foi estender a mão a Obama, afirmando que o seu partido está pronto a negociar com o Presidente. A manutenção da maioria na Câmara dos Representantes foi a pequena vitória que os republicanos obtiveram, e isso mantém o partido como peça fundamental na governação. Até aqui os republicanos têm negado a possibilidade de um acordo com o Presidente que inclua o aumento de impostos. Mas essa plataforma saiu enfraquecida nas eleições, e já assistimos a influentes republicanos, como Bill Kristol da Weekly Standard, a dizer que aumentar impostos para os mais ricos não seria nada de extraordinário. O mesmo, por outras palavras, disse Bobby Jindal, governador da Louisiana e potencial candidato em 2016, que defendeu que os republicanos tinham de deixar de ser vistos pelos americanos como o partido das grandes empresas e dos ricos. Sente-se entre a maioria dos conservadores mais influentes que é necessário mudar de discurso para voltar a vencer eleições. Um dos grandes derrotados destas eleições foi precisamente Grover Norquist, que tinha conseguido que quase todos candidatos republicanos acedessem à sua plataforma de “não aumento de impostos “ sob todas as condições. Nesta matéria dos impostos, mas também noutras questões, como na reforma da imigração ou até na saúde, os republicanos deverão mudar de discurso no próximo ciclo da vida política americana. Mas isto não quer dizer que Boehner tenha carta branca para aceder à vontade do Presidente de aumentar os impostos para os mais ricos no imediato, até porque continuará a haver pressões dos sectores mais conservadores para não negociar nessa questão. A minha perspectiva é que algo será feito e a tal "fiscal cliff", não se concretizará. Isso pode passar por uma solução de curto termo, ou seja, negociar uma extensão, nem que seja de apenas seis meses, como sugeriu o senador republicano do Ohio, Rob Portman, de todos os cortes de impostos (Bush Tax Cuts, Payrool Tax Cuts e impostos sobre os pequenos empresários) e impedir ao mesmo tempo que os cortes na despesa programados para 2013 entrem já em vigor, ou uma solução mais duradoira, e aí sim, aumentar já os impostos para os que ganham mais de 250 mil dólares por ano, como tem defendido Obama, e negociar cortes na despesa que incluam despesas sociais e até militares. Os republicanos têm tentado que o aumento da receita do Estado Federal passe por cortes nas deduções fiscais (as tais loopholes de que se falava). O problema para eles é que mesmo isso é muito vago e de difícil execução, pois nunca foram específicos em apontar quais deduções queriam cortar. Além disso, vários democratas mais “liberais” estão contra essa solução. Se os republicanos cederem já no aumento de impostos, prevejo que irão querer que alguns dos seus planos para o corte da despesa federal entre em vigor já. Obama também poderá enfrentar alguma oposição na base mais à esquerda do seu partido se decidir cortar algumas das despesas sociais que os republicanos pretendem, mas acredito que acabará por impor o que quiser. Neste momento é o líder incontestado da vontade democrata no Congresso.

 

O Partido Republicano está neste momento sem líder. Paul Ryan, que viu crescer a sua aura de líder nesta última campanha eleitoral, poderá ter a tentação de envolver-se directamente nas negociações, até porque é presidente da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes. Mas a partir de agora, tudo o que Ryan fará estará condicionado pelo facto que provavelmente será candidato a Presidente em 2016. Ele precisa de assumir-se como parte da solução e não do problema. A grande dúvida é se irá desejar ficar ligado a um possível aumento de impostos, que pode enfraquecer a sua posição nas primárias de 2016. Por outro lado, se mantiver a uma postura de inflexível nestas negociações ou se não se envolver profundamente, poderá cimentar a imagem de não conseguir trabalhar com o Partido Democrata numa questão central como esta. A minha percepção é que Ryan irá tentar liderar este processo pelo lado dos republicanos, tentando obter o máximo de concessões do Presidente no que diz respeito aos cortes da despesa, e ceder o menos possível na questão do aumento de impostos, que poucos acreditam em Washington que não irá acontecer: já ou no próximo ano. Nesta questão, Obama mais tarde ou mais cedo irá alcançar uma vitória.


03
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:19link do post | comentar | ver comentários (3)

Depois de eliminar os maus porta estandartes que têm prejudicado a imagem do partido, e de apresentar novas faces perante a América, o Partido Republicano irá necessitar de adequar a sua mensagem aos novos tempos. Penso que aqui concordo com o que tem dito o governador da Louisiana, que tem defendido que o GOP não precisa de moderar-se, precisa sobretudo de modernizar-se. E isto implicará necessariamente alguns ajustes ao que têm defendido no passado recente. O Partido Republicano precisa urgentemente de deixar de ser visto como o partido dos ricos. Neste actual debate sobre a redução do défice, o GOP tem aparecido aos olhos dos americanos na defesa incessante do não aumento de impostos para os ricos, enquanto os democratas têm enfatizado a manutenção dos cortes fiscais para a classe média. Isto resume bem os problemas do partido nesta matéria. Como defender baixos impostos para todos e não entrincheirar-se na posição de defesa dos ricos? Talvez passe por deixar expirar os Bush Tax Cuts para os que ganham acima dos 250 mil dólares, como Obama pretende, forçando o corte na despesa que sempre têm defendido. É preciso flexibilidade na defesa de posições, fazendo jus à máxima de Reagan, que numa negociação deve-se obter o máximo de dividendos, sabendo-se que nunca se consegue tudo. Mais, estando o GOP na oposição, será aceitável que tal suceda. 

 

Nas questões sociais, o GOP não precisa de moderar a sua oposição ao aborto. Nunca como agora houve tantos pro-life nos Estados Unidos, pelo menos nas últimas décadas. Mas isso não implica deixar que a defesa desta posição esteja a cargo de extremistas como Todd Akin ou Richard Mourdock. Se o GOP for inteligente nesta matéria, ganhará certamente apoio no eleitorado tradicionalmente moderado. Por outro lado, e numa questão da moda, o casamento homossexual, também não considero que deva haver uma mudança abrupta. Não se devem mudar de convicções por motivos eleitorais, mas é preciso que o GOP deixe que o debate cresça também entre o partido, e que posições minoritárias não sejam tratadas como aberrantes. A Big Tent que Reagan sempre defendeu também deve incluir estes temas. Em relação à imigração, deve ser dado espaço a vozes como John McCain, Marco Rubio, Jeb Bush ou Susana Martinez, que defendem uma abordagem compreensiva ao tema. Há 12 milhões de ilegais a residir nos Estados Unidos e o GOP deverá ser tolerante para aceitar uma reforma da imigração que permita que os imigrantes que trabalhem e que contribuem para o desenvolvimento do país, alcancem um estatuto de legalidade. Na década de 80 Reagan fez o mesmo. 

 

Por fim, o GOP precisa de ter um discurso virado para as novas gerações. A questão da liberdade na Internet, que tem vindo a ser debatida nos Estados Unidos, pode ser uma grande bandeira para os republicanos, já que o Partido Democrata é está sob influência dos círculos liberais de Hollywood e da indústria de conteúdos. Este ano já vimos os republicanos no congresso a assumir esta bandeira, mas será necessário fazer mais. Reagan foi o último republicano a vencer no voto jovem, com a sua mensagem optimista e crente no futuro do país. O fiscal conservativism é cada vez mais popular entre os jovens, e terá que ser por aqui que os republicanos terão de atacar. 

 

A modernização que Bobby Jindal defendeu também passará por modernizar as técnicas eleitorais do partido. Como vimos nestas eleições, o famoso ground game de Obama permitiu-lhe vencer as eleições, pois no terreno a máquina democrata, assente sobretudo nos contactos pessoais e nas novas tecnologias, foi extremamente eficaz. O GOP tem alguns profissionais das novas tecnologias brilhantes, mas necessita de lhes dar voz e liberdade, que foi o que Obama e os democratas fizeram nestes dois últimos ciclos eleitorais. Basta ler os relatos sobre esta última campanha de Obama e de Romney para verificar isso. 


21
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:17link do post | comentar | ver comentários (20)

A derrota nas eleições presidenciais foi, mais do que um sintoma, uma consequência dessa crise. Nas últimas seis eleições presidenciais, os republicanos venceram apenas duas, sendo que numa tiveram menos votos. Após derrotas eleitorais é habitual os partidos passarem por profundos debates sobre a sua essência, e questionarem-se de que forma podem voltar a ganhar. Bem sei que agora que Mitt Romney foi derrotado, ele será apontado por muitos como a causa de todos os males, mas continuo a pensar que o GOP perdeu, apesar de Romney e não por causa dele. Não, ele não é um político brilhante nem carismático. Não, ele não fez uma campanha isenta de erros. Mas sim, o que ele fez e com as condicionantes económicas e as dificuldades do primeiro mandato de Obama, poderia ter sido suficiente para vencer. Mas a América mudou, e a demografia, que tem sido tão debatida por estes dias, acabou por ser decisiva para a derrota republicana. Como pode o GOP conquistar as minorias cada vez mais representativas na sociedade americana, sem mudar os seus princípios de governo limitado, segurança nacional forte e conservadorismo social? No último post sobre o tema, defendi que antes de debaterem sobre o futuro do partido, é necessário afastar os maus políticos da arena. Está certo que ter políticos competentes pode não chegar, no entanto, é importante o Partido Republicano ter novas caras que saibam articular o conservadorismo sem afastar as gerações mais novas e as minorias. 

 

E até há algo que o Partido Republicano já tem nas suas fileiras: políticos emergentes na arena nacional e com capacidade de introduzir mudanças na forma como os americanos olham para o Partido Republicano. Dois jovens governadores: Bobby Jindal (Lousiana) e Nikki Haley (Carolina do Sul), ambos descendentes de indianos e com 41 e 40 anos, respectivamente. O senador Marco Rubio, descendente de cubanos, com apenas 41 anos e que já lidera algumas bolsas de apostas para 2016. Ted Cruz, filho de mexicanos, que chegou agora ao senado com apenas 41 anos. Susana Martinez de 53 anos, descendente de mexicanos, governadora do Novo México, que fez fez um dos melhores discursos na Convenção de Tampa deste ano. Brian Sandoval, de 49 anos, filho de mexicanos e governador do cada vez mais democrata Nevada. Kelly Ayotte, senadora do New Hampshire, com apenas 44 anos. Estes são alguns dos nomes que ocupam cargos de responsabilidade nos Estados Unidos, que terão de contar para o futuro do Partido Republicano. E depois, também os típicos políticos "brancos", como Chris Christie, Bob McDonnell, Rand Paul, Paul Ryan ou Scott Walker, que também serão importantes nesta nova fase do GOP. Depois de afastar os "malucos", o GOP precisa de novas caras para falar com o povo americano. E depois sim, pode discutir o que fazer com a mensagem do partido. Será tema de próximo post. 


17
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 00:54link do post | comentar | ver comentários (2)

Após a derrota estrondosa que o Partido Republicano teve no passado dia 6 de Novembro, muito tem sido dito nos Estados Unidos sobre o futuro deste partido. Concordo basicamente com o que disse o Alexandre Burmester neste post. Não há maiorias eternas, e a democracia americana já nos ensinou que devemos ter cuidado com os óbitos apressados a partidos políticos. Mas há uma verdade inquestionável: o Partido Republicano enfrenta grandes desafios para os próximos anos, e algo terá que fazer para contrariar a evidente crise que enfrenta. Certo, há a questão demográfica, que terá sido decisiva para o desfecho final desta última eleição. O GOP terá de ter uma mensagem mais atractiva para as minorias étnicas, sobretudo para os hispânicos. Marco Rubio, Susana Martinez, Brian Sandoval, Ted Cruz ou Bobby Jindal terão certamente uma palavra importante no futuro. Mas parece-me que há outro problema, e este mais grave. E será aqui que devem atacar primeiro.

 

Nas duas últimas eleições para o senado, o GOP perdeu cinco lugares quase certos por terem escolhido nas primárias candidatos absurdos. Em 2010 no Colorado, Delaware e Nevada, aqui impossibilitando a derrota do líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, e este ano no Indiana e Missouri. Estes cinco lugares dariam o empate no Senado. Além disso, é evidente que a prestação nacional destes candidatos prejudicou imenso a performance do Partido. Ninguém poderá ficar insensível ao facto de terem nomeado uma Christinne O'Donnel ou um Todd Akin. Além disso, declarações bombásticas de alguns republicanos prejudicaram seriamente a brand do partido. Como disse esta semana Bobby Jindal, os republicanos precisam de modernizar-se, e isso inclui afastar definitivamente os "maluquinhos" da ribalta. Estes existem em ambos os partidos, mas no GOP eles têm-se destacado em grande medida. Mitt Romney conseguiu sistematicamente obter melhores resultados do que os candidatos ao Senado, o que também atesta das fragilidades do partido. Ao contrário do que tenho lido em alguns fóruns, isto não resulta necessariamente de mudar os princípios do conservadorismo do GOP. Está certo que em matérias da imigração ou até nas questões sociais, é preciso moderar a mensagem. Se George W. Bush tivesse conseguido aprovar a sua reforma da imigração, provavelmente Romney não teria tido apenas os 27% entre os hispânicos. Mas o que é necessário é afastar estas vozes sem qualidade da arena nacional. Republicanos conservadores como Marco Rubio, Bobby Jindal, Pat Toomey, Ron Johnson ou Rand Paul já demonstraram que o problema não é serem muito ou pouco conservadores. O problema é possuírem capacidades políticas ou não. É saber se conseguem ter uma intervenção positiva na discussão nacional ou não. Depois de resolverem o problema deste género de candidatos, aí sim, poderão começar a discutir que mensagem devem apresentar ao povo americano. 


07
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 12:53link do post | comentar | ver comentários (4)

Outro tema que irá consumir certamente espaço aqui no blogue nos próximos tempos. O Partido Republicano sai arrasado destas eleições. Mais do que Mitt Romney, que certamente irá ser muito criticado por ter perdido, apesar que continuo a pensar que fez uma boa campanha, foi o Partido Republicano o grande derrotado de ontem. As derrotas no Senado são devastadoras e ninguém pensaria que os republicanos acabariam por perder lugares. Nem mesmo a manutenção da maioria da Câmara dos Representantes irá manter a calma. Prevejo uma guerra civil nos próximos tempos. Vencedor da noite do lado republicano? Marco Rubio. Com mais tempo explicarei porquê. 


24
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:54link do post | comentar | ver comentários (5)

Em ano de presidenciais, as eleições para o Senado e Câmara dos Representantes são sempre quase "esquecidas" pelos media, mas são quase tão importantes como saber qual o nome do ocupante da Casa Branca. A pouco mais de um mês das eleições, diria que neste momento existe ainda uma indefinição grande ao partido que vai controlar o poder legislativo. Se existe a convicção que os republicanos vão manter a maioria na câmara dos representantes (apesar de não ser nada certo), embora com perda de lugares, o mesmo não se passa no senado, onde existe ainda indefinição. Vejamos então como está a luta pelo senado. 

 

Para os republicanos conquistarem a maioria, terão de conquistar quatro lugares aos democratas ou três, caso Mitt Romney seja eleito Presidente. Há em disputa 23 lugares actualmente ocupados por democratas e apenas 10 por republicanos. E estes números indicavam que seria bastante acessível para os republicanos roubarem a maioria. Mas uma série de erros na escolha de candidatos e escolhas muito pouco "sábias", a exemplo do que sucedeu em 2010 com alguns candidatos, as coisas ficaram bem mais complicadas. O maior exemplo foi no Missouri, onde era quase certo conquistarem o lugar, até emergir Todd Akin, que perdeu o apoio do establishment republicano e dificilmente será eleito. Outra má opção “eleitoral” foi no Indiana, onde Dick Lugar foi afastado, embora aqui haja a forte possibilidade de manterem o lugar.  

 

Lugares seguros:

Democratas (13): Califórnia, Washington, Minnesota, Nova Iorque, Rhode Island, New Jersey, West Virgínia, Delaware, Maryland, Vermont, Havai, Pensilvânia, Maine (R)

Republicanos (7): Texas, Mississippi, Tennessee, Wyoming, Utah, Arizona, Nebraska (D).

 

Prováveis:

Democratas (4): Missouri, New Mexico, Ohio, Michigan

Republicanos (4): Indiana, Dakota do Norte (D), Montana (D), Nevada

 

Empates técnicos (4): Virgínia (D), Massachusetts (R), Wisconsin (D), Connecticut (D), Florida (D)

 

Neste aspecto, repare-se que os democratas roubam um lugar no Maine, com a vitória mais que certa de Angus King, um independente que se deverá juntar a eles, e no Nebraska, onde Deb Fischer deverá ser eleita senadora pelos republicanos. Depois os republicanos estão bem lançados para roubar dois lugares no Dakota do Norte e no Montana. Na coluna dos prováveis é bem possível que haja movimentações para empates técnicos, nomeadamente no Indiana, Montana, Nevada (R) e Missouri (D). Por incrível que pareça Todd Akin ainda não está completamente derrotado, apesar de ter perdido o apoio do Partido Republicano. Repare-se que uma boa parte destas eleições ainda não decididas discutem-se em swing-states e não é de descurar o papel do candidato a presidente nestas eleições, em estados como o Missouri, Ohio, Florida, Virgínia, Nevada e Wisconsin. Por outro lado, o facto de serem estados profundamente democratas (Massachusetts, Connecticut) ou republicanos (Indiana, Dacota do Norte, Montana) podem ajudar a decidir o desfecho da eleição em favor desses partidos. No entanto democratas parecem levar vantagem na manutenção da maioria, especialmente se Barack Obama for reeleito. Neste momento apontaria para um senado com 51-49 para o Partido Democrata. Mas, tal como há dois anos, chegamos perto das eleições e está tudo em aberto no Senado. Com a aparente vantagem que os republicanos levavam no número de lugares em disputa, isso não deixa de ser mau sinal para eles. 


31
Ago 12
publicado por José Gomes André, às 23:29link do post | comentar | ver comentários (5)

Embora extraordinária no aspecto mediático e formal, a Convenção Republicana deixou-me algo perplexo quanto à substância das propostas da dupla Romney/Ryan. Em síntese, os Republicanos propõem reduzir o desemprego, criar 12 milhões de postos de trabalho, revitalizar o crescimento económico, estimular as pequenas e médias empresas, diminuir os impostos aos mais ricos, criar um novo paradigma energético que não dependa da importação de petróleo (limitando contudo a indústria carbonífera e rejeitando igualmente as "energias verdes"), fortalecer o aparato militar (com maior apoio a Israel e um desafio explícito à Rússia de Putin), endurecer globalmente a política externa e reafirmar o poder americano no mundo.

 

Propõem fazer tudo isto sem criar novos impostos às classes médias, nem limitar os gastos militares (em Defesa e Segurança), reduzindo o défice orçamental e diminuindo a dívida pública (nomeadamente a contraída face à China), no meio da maior crise mundial económica e financeira dos últimos 80 anos. Espantoso.

 

Obama foi (justamente) criticado por prometer este mundo e o outro. Mas o que são as propostas de Romney/Ryan senão um programa de intenções absolutamente utópico, tão irresponsável quanto irrealizável?


01
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:01link do post | comentar | ver comentários (2)

Em Portugal o nome de Andrew Breitbart não chamará a atenção de muita gente. Mas nos Estados Unidos, e especialmente no movimento conservador, Breitbart era um dos activistas mais relevantes nesta era dos novos media. Fundador de sites como o BigGovernment, BigHollywood, trabalhou anteriormente com Matt Drudge e ainda no inicio do Huffington Post. Uma personagem extremamente polémica, que ainda esta semana tinha estado na CNN a comentar as primárias do Arizona e Michigan. Faleceu hoje aos 43 anos. 


17
Ago 11
publicado por Nuno Gouveia, às 23:33link do post | comentar

Depois da entrada de Rick Perry e da saída de Tim Pawlenty, pensou-se que o campo republicano para 2012 estaria completo. Mas os rumores sobre mais candidatos continuam, sinal que ainda persiste descontentamento pelos nomes na corrida.

 

Ontem a Weekly Standard deu nota que Paul Ryan, o congressista do Wisconsin que tem liderado a batalha pelo controlo do défice estrutural dos EUA, estará a pensar em avançar. Apesar de ter apenas 41 anos, já está na Câmara dos Representantes há 12 anos, sendo uma das jovens estrelas em ascensão no Partido Republicano. O seu plano para o orçamento federal na próxima década granjeou-lhe popularidade nos sectores mais conservadores do partido, e é muito respeitado pelo establishment. Seria uma lufada de ar fresco nesta campanha. Hoje, uma notícia sobre o governador de New Jersey, Chris Christie. Apesar de ter negado sempre que poderia ser candidato, a verdade é que o nome de Christie continua a ser referenciado como potencial candidato. Apesar de não acreditar que avance, uma candidatura sua teria o enorme potencial de obter apoio em todos os sectores do Partido. Por fim, e acreditando que também não serão candidatos, os nomes de Sarah Palin e Rudy Giuliani continuam no leque de possíveis candidatos. Palin tem abordado isso várias vezes, apesar de não ser crível que avance, pois a nomeação seria quase impossível. 

 

Estas notícias indicam duas coisas: o establishment republicano continua não satisfeito com o leque de candidatos. Esperava-se que a entrada de Rick Perry pudesse captar a atenção da máquina. Mas o governador do Texas continua a gerar grande desconfiança, sobretudo no grupo de apoiantes de George W. Bush, que continuam à procura de um candidato às suas medidas. E como Mitt Romney ainda não obteve a sua atenção, as pressões para que surja uma outra alternativa continuam. É nesse parâmetro que enquadro as pressões que Paul Ryan e Chris Christie continuam a sofrer. Por outro lado, há muitos quem pensam que é possível derrotar Barack Obama, mas não acreditam que Rick Perry ou Mitt Romney sejam as melhores opções. E neste leque enquadro figuras tão relevantes do movimento conservador americano como Rush Limbaugh, Roger Ailes (o todo poderoso líder da Fox News) ou figuras da máquina, como Karl Rove, que persistem na demanda por um candidato. Até ao final de Setembro deveremos ter mais novidades. Uma coisa é certa: com este campo, será uma luta dura entre Romney e Perry, com Bachmann a poder fazer pender a balança para Romney, ao dividir o eleitorado conservador, ajudando a concentrar o voto moderado em Romney. 


27
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 11:39link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Este debate sobre o limite o endividamento tem demonstrado a falta de liderança de Barack Obama. Mas também colocou em evidência a total irresponsabilidade e incapacidade de governar de alguns membros do congresso, nomeadamente alguns republicanos da Câmara de Representantes. Repare-se que este debate está a ser feito sobretudo nos moldes dos conservadores: apenas haverá cortes na despesa, o aumento de impostos já está fora das negociações, e a dúvida agora é apenas sobre o número a cortar. Mesmo assim, alguns congressistas, como a irresponsável Michele Bachmann, têm dito que não votarão a favor do aumento do limite do endividamento. Estes republicanos, que utilizam sempre a Constituição em todos os discursos, parecem não perceber os fundamentos do sistema americano, feito de checks and balances e assente na divisão de poderes. Neste momento o GOP apenas controla metade de um "braço" do poder, a Câmara dos Representantes, com a outra componente do poder legislativo, o Senado, a pertencer ao Partido Democrata, bem como o poder executivo, a Casa Branca. Sendo que o Partido Republicano apenas controla 1/3 do poder, seria normal que houvesse cedências. Mas não para estes hard-liners, que só aceitarão um acordo que lhes dê vitória total.

 

John Boehner apresentou um plano para o aumento do limite do endividamento. A sua aprovação no Congresso seria uma grande vitória para o Partido Republicano. Se tal não suceder devido aos sectores do Tea Party na Câmara dos Representantes, as consequências poderão ser catastróficas para o próximo ciclo eleitoral. Em editorial, o Wall Street Journal, normalmente alinhado com os republicanos, ataca de frente o Tea Party e as suas vozes mais estridentes. Nesse artigo, uma expressão feliz que retive: This is the kind of crack political thinking that turned Sharron Angle and Christine O'Donnell into GOP Senate nominees. Depois não se queixem.

 

Uma nota para a posição dos candidatos republicanos: estão a demonstrar a mesma falta de liderança de Barack Obama. Romney elogiou o plano de Boehner, mas não disse que o apoiava. As inestimáveis Palin (que ainda não é candidata) e Bachmann criticaram a proposta do Speaker, e Pawlenty, que não pode perder de vista a sua colega do Minnesota, ficou-se pelos elogios à liderança de Boehner. Jon Huntsman, que não descola dos últimos lugares, foi o único que afirmou claramente o seu apoio a este novo plano. Estarão a imitar o papel dos senadores Barack Obama, Harry Reid e Joe Biden, que em 2006 votaram contra um aumento do limite do endividamento? Esta seria uma boa altura para provarem que estão à altura do cargo a que se candidatam. 


12
Jul 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:01link do post | comentar

O herói dos libertários americanos anunciou hoje que vai retirar-se do Congresso após 2012. Candidato presidencial à nomeação republicana, pretende deste modo concentrar todos os esforços na sua candidatura. Sem reais hipóteses de sucesso, pretenderá no entanto deixar uma marca mais forte neste ciclo eleitoral e provavelmente preparar o caminho para o seu filho Rand Paul em 2016 ou 2020. Uma longa carreira em Washington que irá desta forma terminar no próximo ano, depois de 12 mandatos como congressista do Texas. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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