06
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 22:22link do post | comentar

Estamos a três dias das primárias do New Hampshire e já se podem retirar ilações dos resultados do Iowa. Esta noite ainda teremos, a partir das 01h00 (de Lisboa), um debate republicano transmitido pela ABC, mas mesmo acreditando que poderá haver alterações nos próximos três dias, será difícil que Bernie Sanders e Donald Trump não saiam vencedores na terça-feira. 

Bernie Sanders continua a surpreender, e depois do empate técnico que alcançou no Iowa, a sua situação melhorou. No New Hampshire, e apesar de uma ligeira recuperação de Hillary Clinton, deverá alcançar uma vitória confortável, que o poderá catapultar para outros voos. A sua vitória não parece estar  em causa, mas a diferença vai ser relevante para o seu futuro. Fala-se muito na firewall de Hillary Clinton na Carolina do Sul, mas há três semanas que não se fazem lá sondagens e em 2008 também havia esta segurança e depois foi o que se viu. Clinton continua a enfrentar muitos problemas devido ao caso dos emails e esta semana voltaram a ser referidos os chorudos pagamentos que recebeu de discursos que efectuou depois de sair do Departamento de Estado. Num estudo da Quinnipiac, foi colocada atrás sete pontos de Marco Rubio e a desconfiança dos americanos tem crescido. O entusiasmo neste momento está do lado de Sanders e Clinton precisa urgentemente de "perder por poucos" no New Hampshire e vencer na Carolina do Sul, para repor alguma normalidade nestas primárias. Caso contrário, deve mesmo preparar-se para uma longa campanha. 

No Partido Republicano, Marco Rubio cresceu, quer no New Hampshire quer a nível nacional, mas será muito difícil que possa vencer já na terça-feira. Donald Trump permanece como o grande favorito para vencer no New Hampshire, e outro resultado será um desastre para ele. Ted Cruz joga "fora de casa" e tentará obter um bom resultado para a seguir tentar vencer na Carolina do Sul, onde a demografia lhe é mais favorável. Mas as primárias republicanas, que chegaram a ter 15 candidatos, dificilmente não serão uma longa caminhada que se pode arrastar até Junho. Numas primárias republicanas existem sempre dois lados: os conservadores contra o establishment. Este ano surgiu uma linha diferente, com o populismo de Donald Trump. Do lado conservador, Ted Cruz já emergiu como vencedor (eliminando Huckabee, Santorum, Perry, Jindal, Paul e está prestes a acabar com Ben Carson). Marco Rubio precisa agora de fazer o mesmo com John Kasich, Chris Christie e Jeb Bush, e será esse o grande ponto de interesse destas primárias. Se, como esperado, Marco Rubio conseguir um bom segundo lugar, a corrida irá continuar a três: Donald Trump, Ted Cruz e Marco Rubio. E é aí que Rubio poderá emergir como potencial vencedor, apesar de previsivelmente não vencer nenhuma das duas primeiras eleições. Esta semana já recebeu o apoio de dois antigos concorrentes, Bobby Jindal e Rick Santorum, que por pertencerem à ala mais conservadora, poderão ajudá-lo na união das várias facções do partido. Isto, claro, se não houver surpresas na terça-feira

 


04
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 00:43link do post | comentar

Num ano normal, os endorsements de senadores, congressistas e governadores costumam ser um bom indicador para sabermos quem irá obter a nomeação. Estes são importantes para obter apoio nos diferentes estados, pois apesar dos políticos terem relativamente má imagem na generalidade da sociedade, os americanos gostam dos seus eleitos (as taxas elevadas de reeleição assim o provam). Esta campanha republicana tem sido atípica e não é por acaso que  tem havido poucos endorsements, comparativamente com outros anos eleitorais. Do lado democrata, Hillary tem uma vantagem avassaldora sobre Bernie Sanders.

 

Nate Silver tem um endorsement tracker e anunciou hoje que Marco Rubio passou para a liderança do lado republicano, depois de ter recebido o apoio do senador da Pensilvânia, Pat Toomey e de mais dois congressistas. O segundo classificado é Jeb Bush, apesar dos seus apoios terem sido quase todos recebidos na fase inicial desta campanha. Desde Dezembro apenas recebeu o apoio do senador Lindsay Graham, depois deste ter desistido da eleição. De resto, destaque para Donald Trump, que não tem um único apoio de eleitos republicanos, enquanto Ted Cruz apenas tem o apoio de congressistas. Marco Rubio recebeu hoje também o apoio de Rick Santorum, que anunciou a sua desistência da corrida presidencial. Do lado democrata, não há duvidas de que lado está o Partido: no ranking de Silver, Hillary Clinton tem 465 pontos contra dois de Bernie Sanders, que correspondem ao apoio de dois congressistas. Depois do New Hampshire, a sucessão de endorsements deverá aumentar, sobretudo do lado republicano. 


31
Jan 16
publicado por Nuno Gouveia, às 12:57link do post | comentar | ver comentários (3)

Depois de meses de campanha, de sondagens e de casos, os americanos começam amanhã a escolher os nomeados dos dois partidos para disputarem a sucessão de Barack Obama. E as coisas não podiam começar de forma mais surpreendente, com Hillary Clinton numa eleição competitiva e Donald Trump a liderar as sondagens republicanas. A verdade é que nem Hillary tem a nomeação garantida e Trump, ao contrário do que muitos vaticinaram (como eu), tem mesmo uma real hipótese de obter a nomeação, isto se não for já o favorito.  A última sondagem publicada no Iowa, do credível Des Moines Register, coloca Hillary três pontos à frente de Bernie Sanders e Trump cinco pontos à frente de Ted Cruz. Mas antes de perspectivar cenários em ambos os partidos, uma nota histórica:

Há quatro anos, a mesma sondagem dois dias antes dava os seguintes resultados: Mitt Romney 24%, Ron Paul 22% e Rick Santorum 15%. O vencedor acabou por ser Rick Santorum, com 25%, que nunca tinha liderado nenhuma sondagem e acabou por fazer uma grande recuperação nos últimos dias da campanha. Em 2008, a última sondagem dava a Barack Obama 32%, a Hillary Clinton 25% e a John Edwards 24%. Aqui a sondagem ficou muito próxima, com Obama a ter 37% e Clinton com 32%. Do lado republicano, a sondagem do DMR colocava Micke Huckabee com 32%, Mitt Romney com 26%, John McCain com 13% e Fred Thompson com 9%. No final, Huckabee venceu com 34%, Romney com 25%, Thompson com 13% e Mccain em 4º com 13%. 

Esta última sondagem, até pela proximidade dos candidatos, deixa ainda espaço para surpresas de última hora, mas a acreditar nestes números, Clinton poderá confirmar o favoritismo que tem tido ao longo desta campanha, e Trump poderá mesmo vencer no Iowa e tornar-se um pesadelo do establishment e das elites do partido. Acredito que se Trump vencer no Iowa e na semana seguinte, no New Hampshire (onde também tem liderado as sondagens), a sua candidatura poderá mesmo tornar-se muito forte de parar. 

Hillary Clinton tem tudo para ganhar, pois apesar do entusiasmo que tem gerado Bernie Sanders, tem no terreno uma máquina muito eficaz e, segundo a sondagem do DMR, os seus apoiantes são os que estão mais motivados a participarem nos caucuses. Como tem sido dito na imprensa americana, no final isto tudo vai ser definido pela afluência, e aí, Clinton poderá ter vantagem. Até porque estão previstas fortes tempestades de neve amanhâ à noite no estado do Iowa, o que poderá fazer com que os eleitores menos comprometidos poderão ficar em casa. 

Essa pode também ser uma ameaça para Donald Trump, que segundo a mesma sondagem, tem os apoiantes menos "comprometidos", apesar da liderança na sondagem, e quer Ted Cruz, quer Marco Rubio têm uma hipótese. Juntando as primeiras e segundas opções, Cruz tem 40% e Rubio 35%, o mesmo valor do que Trump. Nas últimas semanas falou-se muito de um crescimento de Rubio no Iowa, e apesar de na média de sondagens haver uma subida do senador da Florida, parece-me curto para sequer chegar ao segundo lugar.

 

Nota sobre os caucuses:

* É um sistema bastante complexo, que elegerá 50 delegados no Partido Democrata e 30 delegados do lado republicano. As votações começam às 19h00 (2h00 de Lisboa). Os caucuses são reuniões dos comités eleitorais locais dos partidos em que um candidato é escolhido sem uma votação propriamente dita. Neste sistema, os eleitores de cada partido encontram-se em várias reuniões, para debaterem a nomeação dos delegados e escolherem os seus representantes. Estas reuniões ocorrem em igrejas, escolas ou casas particulares. Qualquer pessoa pode participar, desde que esteja inscrito nos cadernos eleitorais como republicano ou democrata, conforme for o caso. Nos Estados Unidos, em alguns estados, o recenseamento eleitoral implica ficar registado como Republicano, Democrata ou Independente. Durante estas reuniões, os participantes debatem política e as suas opções, escolhendo os seus representantes, que depois, a nível distrital irão escolher os delegados para a convenção estadual, que finalmente irão nomear os delegados para a convenção nacional do partido. 


21
Jan 16
publicado por Nuno Gouveia, às 21:34link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Estamos a dez dias das primeiras eleições destas primárias, os caucuses do Iowa, onde no próximo dia 1 de Fevereiro os eleitores de ambos os partidos vão a votos. E as coisas não estão fáceis para os líderes partidários, com candidaturas insurgentes a terem fortes intenções de voto. Se o vencedor no Iowa nem sempre tem sido o nomeado, o resultado destes caucuses têm sido quase sempre fundamentais para o rumo das primárias. Se é verdade que há eleições iguais, é sempre útil conhecer a história. 

No Partido Democrata, a última vez que o vencedor do Iowa não foi o nomeado foi em 1988, quando Dick Gephardt ganhou, mas foi Michael Dukakis o eleito das primárias. Em 1992, o vencedor foi Tom Harkin, mas dado que era nativo do Iowa, Bill Clinton  e os restantes candidatos abdicaram de competir lá. Desde então, Al Gore em 2000 derrotou Bill Bradley e desfrutou um verdadeiro passeio nas primárias; em 2004, John Kerry derrotou o então favorito Howard Dean e acabou nomeado. Em 2008, a histórica vitória de Barack Obama catapultou-o para a nomeação, apesar de vir a perder na semana seguinte no New Hampshire para Hillary Clinton. 

No Partido Republicano, as coisas nem sempre têm sido tão simples. A última vez que o vencedor do Iowa foi o nomeado foi em 2000, quando George W. Bush derrotou John McCain. Na verdade, desde 1976, o ano em que o Iowa tornou-se competitivo, apenas mais duas vezes o nomeado ganhou no Iowa: Gerald Ford em 1976 e Bob Dole em 1996. Nas duas últimas eleições: em 2008 Mike Huckabee venceu no Iowa, com o nomeado John McCain a ficar apenas em quarto, e em 2012, o vencedor foi Rick Santorum, com o Mitt Romney a ficar ligeiramente atrás. 

 

Olhando para as sondagens no Hawkeye State, ambos os partidos devem estar à beira de um ataque de nervos, especialmente no Partido Republicano.

Bernie Sanders, que tem poucas semelhanças com Barack Obama, está a "imitar" a campanha insurgente de 2008 e colou-se a Hillary Clinton nas intenções de voto. Hoje mesmo saiu uma sondagem que dá oito pontos de vantagem a Sanders no Iowa. Disse anteriormente que a única hipótese do senador do Vermont seria vencer nos dois primeiros estados e acabar com a inevitabilidade de Hillary. Se no New Hampshire é claramente o favorito, esta aproximação no Iowa está a colocar em estado de nervos a campanha Clinton e nos próximos dias podemos esperar num ataque fortíssimo contra Sanders. A dinâmica das primárias muitas vezes altera-se radicalmente depois destes primeiros dois estados a votar, e será mais complicado para Clinton derrotar Sanders se não vencer nenhum destes dois estados. Os líderes democratas não podem estar satisfeitos, pois estas primárias foram preparadas para ser um processo de coroação a Hillary Clinton, mas Sanders arrisca-se mesmo a estragar a festa. E se é verdade que neste momento Sanders apresenta excelentes números contra todos os candidatos republicanos, caso fosse o nomeado as suas posições mais esquerdistas, ainda desconhecidas do grande público, seriam facilmente exploradas pelos republicanos.

Em muito pior estado está o Partido Republicano no Iowa, “entalado” entre o populista e radical Donald Trump e Ted Cruz, um político brilhante mas detestado nas elites do partido pelas suas posições demasiado à direita e intolerantes. Nas sondagens no Iowa, o magnata nova iorquino recuperou a liderança nas últimas semanas, depois de Ted Cruz ter estado na frente nas últimas semanas. Quer um quer outro representam um perigo para as aspirações republicanas em recuperar a Casa Branca e nenhum candidato do pack "center-right" se tem destacado, de onde têm saído todos os nomeados nas últimas décadas. Donald Trump permanece também como favorito nas sondagens do New Hampshire, o que complica imenso as contas que a maioria dos analistas fazia até semanas atrás. Se as sondagens estiverem certas (e elas nas primárias em edições passadas têm falhado imenso), um dos dois vai ganhar no Iowa, e as elites republicanas podem mesmo confrontar-se com estes dois candidatos como os "finalistas" das primárias. Se o mainstream Partido Republicano quer derrotar o populismo e o extremismo, precisará de fazer muito mais. A primeira é unir-se em redor de um candidato logo após o New Hampshire. Que poderá ser Marco Rubio - que tem perdido algum elã nas últimas semanas; Chris Christie -que apenas tem feito campanha no New Hampshire; John Kasich - que está a crescer no New Hampshire; ou até Jeb Bush - que pode renascer, caso existam milagres na política (e às veze existem mesmo). O que não podem é ficar a assistir ao partido de Reagan ser entregue a um destes dois candidatos. Note-se que nem Cruz nem Trump tem nenhum senador ou governador a apoiá-los. O nova iorquino não tem mesmo nenhum político eleito a nível estadual o federal a seu lado.

 

PS: Nada mais elucidativo do que o endorsement de Sarah Palin esta semana a Donald Trump, mostrando, de facto, que a lunatic wing do partido está unida em redor de Trump. 


16
Dez 15
publicado por Nuno Gouveia, às 00:18link do post | comentar

 

William F. Buckley estaria horrorizado a assistir a esta campanha republicana. O intelectual que ajudou a "limpar" o movimento conservador americano da extrema-direita, colocando movimentos como a John Birch Society fora do âmbito de influência do Partido Republicano, ficaria, certamente, decepcionado. Não digo que Donald Trump vá ganhar. Continuo a acreditar que até nem deve ganhar uma só eleição. Mas temos assistido a coisas impensáveis ainda há poucos anos.

 

Quem acompanha a política norte-americana, e principalmente as primárias, saberá que normalmente aparecem candidatos "extremistas" que por vezes até surgem à frente nas sondagens. Mas, mal começam a ser conhecidos, ou a dizer barbaridades, desaparecem. Em 2012 tivemos o caso de Michelle Bachmann, por exemplo. Mas não este ano. Trump tem proferido mil e uma declarações que o desqualificam como candidato a Presidente dos Estados Unidos. Ideias racistas, misóginas ou simplesmente patetas, que derrubariam qualquer outro candidato. Se é verdade que há um grande descontentamento entre a base republicana com os líderes do partido, não é menos verdade que Trump é um demagogo que nem sequer representa o conservadorismo que essa base desafecta apregoa.

 

Por outro lado, o verdadeiro perigo de Trump é que as suas ideias têm trazido para o mainstream político aquelas correntes que Buckley afastou do GOP. Movimentos ligados aos White Supremacists têm elogiado abertamente Trump e o próprio foi entrevistado por Alex Jones, um conspiracionista muito popular entre os meios extremistas. Ontem, num comício, um apoiante gritou "sieg heil" e vários manifestantes têm sido agredidos por apoiantes de Trump, a lembrar tempos de má memória. Trump usa a retórica do ódio e do medo, assemelhando-se a um qualquer político da extrema-direita clássica. Um candidato que quer expulsar 12 milhões de ilegais, que diz que vai construir um muro em toda a fronteira com o México (e que vai colocar este a pagar) e que quer barrar a entrada nos Estados Unidos de todos os muçulmanos, incluindo cidadãos americanos que se tenham ausentado do país, não deveria ser levado a sério. Mas os seus 30% nas sondagens nacionais (que não são muito relevantes nesta fase), a sua liderança confortável no New Hamsphire e o empate com Ted Cruz no Iowa, indiciam o contrário. Neste momento, uma fatia considerável do eleitorado republicano a pensar em votar nele. E isso é uma desgraça.

 

A campanha mais parecida que há memória foi a do candidato segregacionista, o democrata George Wallace, que em 1968 se candidatou como independente, vencendo em cinco estados do Sul. Mesmo que campanha termine como é mais expectável (ou seja, com uma corrida entre Ted Cruz e Marco Rubio ou até Chris Christie, que parece renascer no New Hampshire), o Partido Republicano vai precisar de atacar as razões que permitiram a Trump granjear de algum apoio depois das barbaridades que tem dito. Caso contrário, um dia cairão mesmo nas mãos de um demagogo de extrema-direita.

 

(Post escrito antes do debate desta noite)


23
Nov 15
publicado por Nuno Gouveia, às 23:07link do post | comentar

O establishment republicano está preocupado com a ascensão de Donald Trump. E tem boas razões para isso. A super PAC de apoio John Kasich anunciou hoje que vai investir 2,5 milhões de dólares a divulgar este anúncio. Mais anúncios de outras candidaturas devem-se seguir a este.  


22
Nov 15
publicado por Nuno Gouveia, às 20:59link do post | comentar

Primeiro, como apontamento histórico, recordo aqui uma sondagem desta semana em 2007: Rudy Giuliani 27%, Fred Thompson 13%, Mitt Romney 12%, John McCain 11%, Mike Huckabee 10%. No final, Mccain foi o nomeado e teve como principais adversários Romney e Huckabee, que venceu no Iowa. Isto para dizer que devemos ter alguma reserva quando olhamos para as actuais sondagens. E de recordar que em 2008, os caucuses do Iowa foram logo no inicio de Janeiro. 

Dito isto, estamos a quase dois meses das primeiras eleições das primárias republicanas e, neste momento, a corrida está centrada em quatro políticos: Donald Trump, Ben Carson, Marco Rubio e Ted Cruz. O drama para o establishment republicano? Destes, apenas Marco Rubio é considerado elegível num confronto com Hillary Clinton. Apesar do que dizem algumas sondagens nacionais (e que valem pouco nesta fase da corrida), poucos acreditam que os inexperientes Trump e Carson, que têm cometido gafes atrás de gafes e com um discurso bombástico e muitas vezes de ódio, tenham capacidade de derrotar Clinton. Ted Cruz, mais jovem e acutilante, formado em Princeton e Harvard, é considerado demasiado radical para o eleitorado centrista que normalmente decide as eleições em estados decisivos como Ohio, Florida ou Virginia. O que resta destes quatro? Marco Rubio, talvez o mais brilhante político desta geração, mas que é considerado por muitos como demasiado novo e inexperiente. O descendente de cubanos é talvez o nome mais perigoso para a equipa de Hillary Clinton, como recentemente recordou James Carville.

Os republicanos tinham à partida vários nomes fortes e de créditos firmados: o governador do Wisconsin, Scott Walker; o governador do Ohio, John Kasich; o governador de New Jersey, Chris Christie; e o antigo governador da Florida, Jeb Bush. Mas tudo tem corrido mal com a revolta dos sectores mais à direita e anti-sistema, o que tem catapultado para a ribalta outros nomes. 

Depois da queda de Scott Walker, o próximo a cair pode mesmo ser Jeb Bush, que entrou nesta campanha como o principal favorito à nomeação. A descer abruptamente nas sondagens e com financiadores a abandonar a sua campanha, Jeb está em grandes dificuldades. Os outros potenciais candidatos do establishment, John Kasich e Chris Christie, ainda não sairam do fundo da tabela das sondagens. O governador de New Jersey foi mesmo afastado do último debate republicano. Dois meses são uma eternidade e muito ainda pode acontecer. Bush pode renascer e até Christie ou Kasich podem começar a subir. Mas se nada mudar, a minha previsão é clara: vamos assistir a uma aposta frontal do establishment e dos grandes financiadores em Marco Rubio e este, provavelmente, vai ter como grande opositor Ted Cruz. É uma aposta arriscada, olhando para todas as sondagens. Mas fica feita aqui a minha previsão. 

Deixo também uma nota do mercado de "previsões": Rubio é o favorito com 48%, Trump com 22% e Cruz com 14%. 

 

 


21
Out 15
publicado por Alexandre Burmester, às 15:38link do post | comentar | ver comentários (2)

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Em todos, ou quase todos, os ciclos eleitorais presidenciais nos EUA surgem candidatos não tidos por favoritos que dominam durante um certo período de tempo as sondagens do respectivo partido. Há quatro anos, por exemplo, tal sucedeu, no campo republicano, com a congressista Michelle Bachman e com o antigo "speaker" da Câmara dos Representantes Newt Gingrich. Há oito anos, o antigo mayor de Nova Iorque Rudy Giuliani ocupou essa posição durante largos meses. Todos acabaram por "desaparecer".

 

Daí que, perante a persistente posição cimeira do excêntrico e extravagante não-político Donald Trump muitos tenham vaticinado que essa bolha estouraria em devido tempo. Mas sucede que estamos agora a pouco mais de três meses dos "caucuses" do Iowa e da primária de New Hampshire, os tiros de partida na campanha oficial, e Trump permanece no topo das preferências republicanas, se bem que com menos percentagem que há uns meses e com outro "rebelde", o antigo neurocirurgião pediátrico Ben Carson, perto dele (27%/21% na actual média do site realclearpolitics.com, com o Senador Marco Rubio num distante terceiro lugar com 9%).

 

Muitos analistas e estrategas começam a ponderar seriamente a possibilidade de Trump durar para lá do início das primárias e até - quem sabe! - disputar a nomeação. Eu continuo a achar que a nomeação republicana acabará por decidir-se entre os dois candidatos da Florida, o Senador Rubio e o ex-Governador Jeb Bush, filho e irmão dos dois anteriores presidentes do mesmo nome.

 

Além de Trump e Carson, também a ex-CEO da Hewlett-Packard Carly Fiorina, que já em 2010 se candidatou, sem sucesso, a Senadora pela Califórnia, faz parte deste grupo de não-políticos em destaque entre o numeroso grupo de candidatos republicanos (uns quinze actualmente, depois das desistências do Governador do Wisconsin Scott Walker e do ex-Governador do Texas Rick Perry), embora Fiorina tenha vindo a perder gás, por assim dizer.

 

Como explicar esta popularidade de candidatos de fora do espectro partidário no campo republicano? Uma explicação por alguns avançada é a de que estamos perante uma crise de sucesso do Partido Republicano. Efectivamente, talvez nunca, ou raramente, o partido do elefante tenha exercido tanto domínio na cena política americana: 54 dos 100 senadores, 247 dos 435 membros da Câmara dos Representantes (a sua mais larga maioria desde 1928!) e 31 dos 50 governadores estaduais. Falta, portanto, apenas a Casa Branca. Perante isto, as bases mais conservadoras (alguns diriam "radicais") acham legítimo pensar que as suas políticas mais caras sejam postas em prática, mas vêem essa expectativa frustrada por aquilo que consideram ser a excessiva acomodação dos legisladores republicanos uma vez chegados a Washington. Daí as inúmeras revoltas que nos últimos anos têm ocorrido a nível de primárias do partido em eleições para as duas câmaras do Congresso, e daí, também, a popularidade dos candidatos anti-establishment na actual campanha. Surgiu até, entre as bases republicanas mais aguerridas, o acrónimo RINO ("Republican in name only") para classificar aqueles republicanos que essas bases consideram não serem fiéis aos princípios básicos que elas defendem.

 

O Partido Republicano tem a fama - e o proveito - de, na hora da verdade, escolher praticamente sempre o candidato com mais possibilidades de vencer. Mas uma coisa também não deve perder-se de vista: em sondagens com vista à eleição geral, Donald Trump tem também surgido bem posicionado face à provável (hesito cada vez mais em usar este adjectivo neste caso, mas isso é outro assunto) candidata democrática Hillary Clinton, embora aí Carson e Bush tenham melhores números que ele.

 

Não faltam muitos meses para termos respostas concretas a estas questões.

 

 

Foto: Donald Trump e Ben Carson

 


30
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 13:37link do post | comentar

Mitt Romney ao vencer a primária do Texas ultrapassou ontem o número mágico dos 1141 delegados necessários para obter a nomeação, que apenas será formal na Convenção de Tampa, que irá decorrer neste próximo mês de Agosto. Mais tarde analiserei o que precisa de fazer Mitt Romney para vencer e quais os próximos passos da sua campanha.


15
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 12:12link do post | comentar

O libertário Ron Paul anunciou ontem o abandono da campanha para as restantes primárias republicanas que ainda faltam disputar. Sem vencer uma única eleição, e apesar de não ter provocado o terramoto político que chegou a ameaçar, o saldo final da sua candidatura ainda está por fazer. Com mais de 100 delegados eleitos, o ainda congressista (este ano não se recandidatará) texano terá deixado sementes para o futuro do movimento. Com 76 anos, esta terá sido provavelmente a sua última campanha eleitoral, mas as suas ideias estão hoje mais fortes dentro do Partido Republicano, e já até têm um novo líder: Rand Paul. Com uma postura mais próxima das ideias mainstream republicanas, não deixará de ser uma voz activa no futuro do partido, e será certamente candidato presidencial em 2016 ou 2020, dependendo de quem vencer as eleições gerais. Poderá Rand ser o nomeado? Muito dificilmente, até porque a concorrência no futuro, pelo que se pode observar pelas diversas estrelas em ascensão, será bem mais agressiva do que em 2012. Mas Rand Paul sabe que tem um exército de fiéis à sua espera. E isso foi alcançado pelo seu pai nestes últimos quatro anos. Uma tendência a acompanhar com muita atenção nestes próximos anos.

 

Em relação a Ron Paul, será também interessante de analisar a sua postura até à Convenção Republicana de Tampa. Ele tem reafirmado que será muito difícil de declarar o apoio a Mitt Romney, mas estou certo que este tudo fará para poder contar com Paul a seu lado. Os apoiantes de Ron Paul têm batalhado pela conquista de lugares no aparelho do GOP, e têm conseguido conquistar peso político para a convenção. Ron Paul, que há quatro anos não apoiou McCain e até realizou uma convenção própria em Minneapolis St- Paul durante a convenção republicana, poderá ser tentado a colocar-se ao lado de Romney com algumas compensações: discurso na convenção, inclusão de algumas ideias na plataforma do Partido Republicano e, especialmente, colocar Rand Paul mais próximo da máquina republicano. Não tenho dúvidas que Romney tentará cooptar Paul e os seus fiéis apoiantes. E numa eleição renhida, como se prevê, isso pode ser decisivo.


25
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:47link do post | comentar

 

Já não se percebia muito bem porque razão Newt Gingrich se mantinha na corrida. Há muito que se sabe que Mitt Romney é o presumível nomeado e nas últimas semanas todos os republicanos influentes na hierarquia do partido tinham declarado apoio a Romney - Eric Cantor, John Boehner e Mitch Mcconnell. Mas Newt Gingrich, numa estranha obsessão (consta-se que tentou negociar com Romney auxilio para pagar dívidas de campanha), preferiu prosseguir na fantasia que iria até Tampa. Hoje finalmente deu sinais que está pronto para desistir, e segundo informações recolhidas junto de pessoas próximas dele, irá anunciar a desistência na próxima segunda-feira. Com estas movimentações, Romney conseguirá unir o partido ainda durante o Verão, tendo tempo para prepara-se para a luta de Novembro. 


publicado por Nuno Gouveia, às 12:16link do post | comentar | ver comentários (3)

Sem surpresa, Mitt Romney venceu ontem os cinco estados em disputa, com resultados que variaram entre os 56 por cento (Delaware) e 67 por cento (Connecticut). Na contagem de delegados, Romney terá conquistado quase totalidade deles. Consequências deste dia eleitoral? As primárias já estavam decididas, mas parece-me que após esta vitória de Romney vão acontecer duas coisas: Newt Gingrich irá desistir em breve e os media irão deixar de falar sequer nestas primárias. Romney deverá obter a nomeação formalmente no dia 22 de Maio, nas primárias do Kentucky e Arkansas. 

 

Mitt Romney lançou ontem as sementes para a sua estratégia para a campanha eleitoral de Novembro. E recorrendo ao slogan de Jamer Carville em 1992 com Bill Clinton, deixou um aviso à equipa de Obama: "It’s still about the economy …and we’re not stupid".


10
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:25link do post | comentar | ver comentários (3)

Justin Sullivan/Getty Images (roubada ao Mark Halperin)

 

 

Rick Santorum chegou onde provavelmente nunca esperou: ser o principal rival do nomeado republicano. Hoje vai anunciar o fim da sua candidatura presidencial. Com a sua retirada, as primárias republicanas de 2012 terminaram oficiosamente, pelo que se espera nas próximas semanas a união de todo o movimento conservador em redor de Mitt Romney. Fica para mais tarde uma análise à candidatura de Santorum.


09
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:10link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Agora que Mitt Romney é o presumível nomeado, deixo aqui alguns apontamentos sobre o que esta vitória representa para o Partido Republicano. Após as eleições intercalares de 2010 e a emergência do Tea Party como força política nacional, muitos se apressaram a caracterizá-lo como radical e definitivamente encostado às correntes mais conservadoras dos Estados Unidos. E, concluíram, o nomeado teria sempre de ser alguém da ala mais conservadora. Nem pensar que os republicanos iriam eleger um moderado para enfrentar Obama. Mas estas previsões falharam redondamente, o que evidencia também um desconhecimento do lado pragmático do Partido Republicano, que se tem manifestado quase sempre na era moderna da política americana. O influente William F. Buckley criou a "Buckley Rule", que diz que deve nomear-se o candidato mais conservador com hipóteses de ser eleito. E tem sido isso que o Partido Republicano anda a fazer desde 1964, quando nomeou Barry Goldwater. Desde então, o candidato melhor colocado para vencer as eleições gerais acaba sempre por ser o escolhido. Mesmo que não consiga vencer, como aconteceu com Gerald Ford, Bob Dole e John McCain. 

 

Desde o Verão passado, quando Tim Pawlenty saiu da corrida presidencial, era óbvio que Mitt Romney, o antigo governador do Massachusetts, era o nome mais capaz de derrotar Obama. O que não significa que tal aconteça, claro. E até nem é propriamente por ser moderado, mas porque é o candidato que tem o currículo, a personalidade e a organização necessária para tal empreendimento. Por uns breves momentos, a entrada de Rick Perry, governador do Texas, introduziu alguma dúvida nesta minha certeza, pois também ele tinha o currículo e a organização para apresentar-se como um candidato credível. Algo que se dissipou imediatamente após a sua entrada na arena nacional,  revelando uma inabilidade gritante para competir a este nível. Além de Mitt Romney ser o nome mais bem preparado para ocupar a presidência, pode-se dizer que também teve bastante sorte, pois não teve adversários à altura, por muito que a imprensa tenha andado a vender o contrário. Além do já citado Rick Perry, quem foram os adversários de Romney? Jon Hunstman é demasiado moderado para vencer umas primárias republicanas, apesar de ter o currículo e o temperamento necessário. Newt Gingrich é uma personalidade instável e cheio de esqueletos no armário. Nunca teria chegado a Tampa. Herman Cain e Michele Bachmann nunca foram candidatos minimamente sérios. Ron Paul, por muito entusiasmo que tenha gerado nas camadas mais jovens, nunca correu para a nomeação. O seu objectivo sempre foi marcar uma posição. Por fim, Rick Santorum, que até teria o currículo, mas nunca teve uma máquina de campanha nem os apoios necessários para vencer as primárias. Além que está demasiado refém dos valores mais conservadores para poder vencer uma eleição nacional. Por isso foi fácil no inicio destas primárias ter prognosticado (acompanhado pelo Alexandre Burmester e José Gomes André) que Mitt Romney seria o nomeado republicano. E como já citei aqui uma vez, Democrats fall in love, republicans fall in line. E foi o que sucedeu nestas primárias, com os eleitores a escolherem o nome mais forte, devidamente apoiado pela máquina republicana, para as eleições gerais. 


04
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 09:39link do post | comentar

 

Mitt Romney venceu ontem as primárias de Maryland, DC e Wisconsin, amealhando a esmagadora maioria dos delegados em causa - 85 contra seis de Santorum, faltando ainda atribuir seis no Wisconsin. Com estas vitórias, Romney assegura ainda maior vantagem nestas primárias, confirmando que está cada vez mais próximo da nomeação. Já ninguém acredita noutro cenário, e a dúvida é apenas quando o conseguirá alcançar. Santorum continua a dizer que não desiste e irá prosseguir. O problema para Santorum? As próximas primárias, que se realizam a 23 de Abril, são quase todas favoráveis a Romney: Nova Iorque, Connecticut, Rhode Island e Delaware. Pensilvânia, o estado natal de Santorum, será a excepção. Mas se por acaso não conseguir vencer em casa, Santorum deixará de ter argumentos para continuar até às primárias de Maio.


29
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 09:04link do post | comentar | ver comentários (1)

 

"I am going to endorse Mitt Romney and the reason why is not only because he will be the Republican nominee, but he offers at this point, such a stark contrast to the president's record. I mean, look at the President's record. This is someone has run the country, not very well over the last 3 years, but has no experience beyond doing that"

"At the same time, he has no experience with the private sector or the free enterprise system. In Mitt Romney, we have a candidate, an alternative, in addition to being successful as a Governor running an important state in this country, he has also been successful in the private sector and offers a very clear alternative to the direction that this president's going to take our country," 

 

O endorsement de Marco Rubio era provavelmente o mais apetecível deste ciclo eleitoral. E foi com estas palavras que ontem à noite o senador da Flórida se colocou ao lado da candidatura de Mitt Romney. Depois do apoio de Jeb Bush, e a das palavras calorosas de Jim DeMint e Lindsay Graham, restam poucas dúvidas que Romney tem o caminho aberto para a nomeação. Depois de ter afirmado que não iria declarar o apoio a ninguém nestas primárias, Rubio volta atrás, precisamente num momento em que tem havido muita especulação que será o escolhido para candidato a Vice Presidente. E por muito que Rubio continue a negar essa possibilidade, sabemos que ninguém diz não a tal convite.

 

Ao contrário do que tem sido dito, incluindo por nós neste blogue, é possível que Romney consiga fechar a nomeação já em Abril, pois pode vencer todos os estados. O mais difícil, a Pensilvânia, pode ser decisiva caso Romney consiga derrotar Rick Santorum no seu estado natal. Ontem saiu uma sondagem que o colocava apenas dois pontos atrás.


21
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:13link do post | comentar | ver comentários (4)

Após a vitória de Romney ontem no Illinois (46%-35%) o establishment mediático americano parece finalmente convencido que o Partido Republicano já tem o seu nomeado - apesar de já ser óbvio há muito tempo. Ao ler os comentários nos jornais, nos blogues e nas televisões, o panorama traçado é o mesmo: Romney será o nomeado e não será necessário esperar até à nomeação. Por outro lado, os conservadores começam a ficar convencidos que terão de contar com Romney para derrotar Obama. Rush Limbaugh já disse que Romney é a alternativa conservadora... Romney, o influente blogger e comentador da CNN, Erick Erickson, admitiu que o GOP já tem nomeado e até na Weekly Standard (os que mais falaram numa convenção negociada), já se discute o parceiro de Romney no ticket republicano. Por outro lado, Jeb Bush que manteve-se até ao momento afastado, declarou o seu apoio a Mitt Romney e apelou ao partido para se unir em redor do presumível nomeado.

 

Formalmente estas primárias ainda não terminaram, e até é possível que os media voltem à carga. Rick Santorum tem uma boa oportunidade de vencer na Lousiana no Sábado, apesar que no dia 3 de Abril votam o Wisconsin, Maryland e DC, terreno fértil para Romney. Muito provavelmente nenhum dos adversários irá desistir a breve prazo, mas Romney coleccionará praticamente só vitórias até ao final e a atenção mediática irá ser cada vez menor. Dentro do estilo que se passou nas primárias democratas de 2008 depois do mês de Abril. Quanto a Romney irá virar as suas atenções para Obama, como o fez ontem no seu discurso de vitória (provavelmente o seu melhor desta campanha), e esperar pacientemente até alcançar os 1144 delegados. Foram umas primárias interessantes de acompanhar, mas desde que Tim Pawlenty desistiu no Verão passado que sempre disse que este caminho era inevitável. Romney teve o mérito de vencer apesar da grande desconfiança (que persiste) dos sectores conservadores, mas também é preciso dizer que teve adversários fracos. Esta longa campanha pode acabar por ser-lhe favorável na medida em que não teve a necessidade de desviar-se muito para a direita, mas principalmente porque passou meses a ser descrito nos media como o moderado. A tirada de Gingrich repetida mil e uma vez, "The Massachussetts Moderate" pode ser-lhe bastante útil quando começar a ser acusado de ser um ultra conservador pela máquina de Obama. 

 

Newt Gingrich e Ron Paul são nesta fase da corrida completamente irrelevantes. O primeiro ontem ficou atrás de Paul e neste momento apenas se arrasta pelas eleições. Já não é um factor e até pode ver-se ultrapassar em várias eleições por Paul, que tem uma legião de seguidores apaixonada. Paul chegou a prometer bastante, nomeadamente na tentativa de conquistar um leque de delegados que lhe permitisse ter peso na convenção, mas também parece ter fracassado nesse desígnio. Além disso, é o único candidato que não venceu nenhum estado.  


20
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:57link do post | comentar

 

Hoje realizaram-se as primárias do Illinois, um dos maiores estados da União. Tradicionalmente democrata, não será este ano que o GOP irá competir no Illinois. Mas pela primeira vez em várias décadas, as primárias republicanas neste estado são competitivas e contam para a nomeação (desde 1980, quando Ronald Reagan bateu John Anderson por 49%-36% que tal não acontecia). Em jogo estão 54 delegados - o Illinois elege 69, mas 12 serão atribuidos na convenção estadual e ainda têm mais três superdelegados. É esperado que Mitt Romney vença esta noite, sendo a grande dúvida o tamanho da vitória. Segundo as exit polls que já circulam pela rede, a vitória será superior a dois dígitos. Um bom tónico para Mitt Romney, que poderá arrecadar maior vantagem e aproximar-se do número mágico dos 1144.

 

Olhando já para o calendário que se segue, Rick Santorum poderá já regressar às vitórias neste sábado, nas primárias do Lousiana, mas depois deverá ter um mês bastante complicado, com eleições em DC; Maryland, Wisconsin (dia 3 de Abril) e Connecticut, Delaware, Nova Iorque, Rhode Island e Pensilvânia (24 de Abril). Destas primárias todas, Santorum deverá vencer apenas no seu estado natal da Pensilvânia. 


18
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:19link do post | comentar

Mitt Romney venceu este Domingo as primárias de Porto Rico, arrecadando os 20 delegados em disputa (os restantes três são superdelegados). Esta vitória era esperada, mas os números surpreendem - ainda não estão contados os votos todos, mas deve ficar acima dos 80%. Rick Santorum, que cometeu um erro estratégico em ter-se deslocado a Porto Rico na semana passada, é assim "humilhado" eleitoralmente e terá reduzido as suas hipóteses de vencer na terça-feira no Illinois. O Estado Livre Associado de Porto Rico só vale 23 delegados, mas esta campanha teve muita atenção nacional desde que Santorum e Romney fizeram campanha na ilha. Nota final para estas primárias: Luis Fortuño, governador republicano de Porto Rico, tem sido apontado como um dos potenciais candidatos a Vice Presidente de Romney. Depois desta vitória, as suas possibilidades terão aumentado ligeiramente. A questão de Porto Rico passar a estado deverá ficar resolvida nos próximos anos. O referendo que se vai realizar em Novembro pode ser o inicio da anexação de Porto Rico como o 51º estado. Romney declarou-se abertamente a favor e terá na ilha muitos amigos para o futuro. 


17
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:19link do post | comentar | ver comentários (2)

Getty Images / Christopher Gregory

 

Amanhã realizam-se eleições em Porto Rico, território americano que só tem direito a voto nas primárias. Estão em jogo 20 delegados. Se um candidato obtiver mais de 50 por cento dos votos, arrecada todos os delegados. Mitt Romney é o grande favorito e ontem à noite teve um comício em San Juan que lhe terá corrido muito bem. Como explica esta peça do BuzzFeed, a máquina partidária local está a trabalhar para Romney, a começar pelo popular governador Luis Fortuño, e a vitória parece garantida. São esperados entre 300 a 400 mil eleitores, o que não deixa de ser um número muito aceitável para um território que normalmente não participa na vida política americana. Se Romney alcançar os 20 delegados, não deixará de ser um bom prenúncio para as primárias do Illinois, que se realizam na próxima terça-feira, e onde também lidera as sondagens. Depois das derrotas no Alabama e Mississippi, Romney bem precisa destas duas vitórias. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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