24
Mar 16
publicado por Alexandre Burmester, às 17:50link do post | comentar

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As primárias e "caucuses" do dia 22 quase passaram despercebidas, mas não foram assim tão insignificantes, pelo menos em certos aspectos:

 

- pela primeira vez, um candidato republicano teve mais de 50% dos votos: Ted Cruz no Utah, com 69%, seguido de John Kasich com 17% e Donald Trump com 14%. Ao ultrapassar os 50% neste estado, Cruz angariou a totalidade dos respectivos delegados (40).

 

- no Arizona, estado que atribui todos os delegados (58), na primária republicana, ao vencedor, Trump venceu com 47%, para 25% de Cruz e 10% de Kasich. De notar que, dada a votação antecipada que já ocorrera antes da desistência de Marco Rubio, o senador pela Flórida angariou bastantes votos, os quais, contudo, mesmo que transferidos na íntegra para Ted Cruz (um cenário muito pouco plausível), apenas teriam mitigado a sua derrota. As posições anti-imigração de Trump foram decerto bastante populares entre os republicanos do Arizona, um dos estados mais directamente afectados pela imigração clandestina.

 

- entre os democratas, persiste o bom desempenho de Bernie Sanders, que neste dia conseguiu perto de 80% (!) tanto no Idaho como no Utah e 40% no Arizona, ganho por Hillary Clinton. Sanders arrecadou assim, nestes estados, mais delegados que Clinton.

 

No dia 26 há três "caucuses" democráticos mas, depois disso, teremos de esperar por 5 de Abril para a próxima primária, de ambos os partidos, no Wisconsin, onde a corrida republicana parece estar renhida entre Trump e Cruz.

 

Em termos de delegados, a contagem está assim: 

 

Republicanos: Trump 739, Cruz 465, Rubio 166, Kasich 143

Democratas: Clinton 1.690, Sanders 946


16
Mar 16
publicado por Alexandre Burmester, às 17:17link do post | comentar | ver comentários (2)

32016-Elections-What-Are-Primaries-and-Caucuses-65

 

Das cinco primárias ontem disputadas (Florida, Ohio, Carolina do Norte, Illinois e Missouri), Donald Trump venceu quatro. Um "score" assinalável é certo, mas:

 

- No Missouri venceu apenas por 0,2% 

- Na Carolina do Norte venceu apenas por 3,4%

 

Nestes dois estados, segundo as sondagens à boca das urnas, Ted Cruz (segundo em ambos), teria sido o vencedor se Marco Rubio tivesse já saído da corrida (fê-lo ontem á noite). No Missouri ainda não está feita totalmente a atribuição de delegados (alguns estados que atribuem todos os delegados ao vencedor fazem-no círculo a círculo, além de atribuirem delegados a nível estadual, o que significa que um candidato derrotado no estado, caso vença num ou mais círculos, angaria também delegados). A Carolina do Norte atribui-os proporcionalmente, pelo que a diferença de delegados entre Trump e Cruz foi de apenas dois (29-27).

 

- No Ohio, estado que atribui todos os delegados ao vencedor, sem consideração por círculos eleitorais, John Kasich, ao vencer, angariou a totalidade dos 66 delegados do estado.

 

Já na Flórida e no Illinois, o êxito do magnata de Nova Iorque foi assinalável em termos de delegados mas, mais uma vez, e muito principalmente no segundo desses estados, beneficiou da divisão entre os seus adversários (votação no Illinois: Trump 39%, Cruz 30%, Kasich 20%, Rubio 9%).

 

A percentagem média de votos de Trump teve ontem uma boa subida (na Flórida, por exemplo, teve 46% dos votos - Kasich conseguiu 47% no Ohio, já agora). A sua média no total de primárias e "caucuses" já disputados está agora nos 37%. Este número explica também por que motivo Trump continua aquém de um número de delegados que lhe permita desde já cantar vitória, embora, depois de ontem, as suas perspectivas tenham melhorado. De facto, conquistou até agora cerca de 47% dos delegados, precisando, portanto, de conquistar 54% dos ainda por atribuir. Daqui para a frente há terreno que se lhe tem revelado desfavorável e terreno onde tem tido bons resultados. Tudo dependerá também do modo como se articular a oposição a Trump, ou seja, dos votos tácticos e da permanência ou não do Governador do Ohio na corrida.

 

Parece, pois, bastante provável, que Trump chegue à convenção republicana em Cleveland com o maior alfobre de delegados, mas continua a ser incerto que lá chegue com a maioria deles, ocorrendo assim a tão falada "brokered convention". O próprio Trump não parece muito seguro de obter a maioria, pois já recentemente disse que o partido deveria nomear quem tivesse mais delegados e ontem advertiu para o perigo de motins em Cleveland, caso não seja ele o nomeado.

 

Entre os democratas, Hillary Clinton venceu as cinco primárias, embora, tal como no campo republicano, o resultado no Missouri tenha sido muito renhido (os mesmos 0,2% de diferença!), e no Illinois tenha ganho por apenas 2%. Mas depois do "susto" do Michigan, conseguiu evitar semelhante desfecho em estados com semelhanças, como os dois que referi. Bernie Sanders está, claramente, cada vez mais numa luta inglória.

 

Termino com a situação actual em termos de delegados, dos dois lados:

 

Republicanos (1.237 dão maioria): Trump 661, Cruz 406, Rubio 169 (campanha suspensa), Kasich 142

Democratas ( 2.382 dão maioria): Clinton 1599, Sanders 844 

 

 

 


09
Mar 16
publicado por Alexandre Burmester, às 18:45link do post | comentar

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Algumas notas sobre as primárias de ontem.

 

Para variar, começo pelos democratas, pois foi aqui que se registou a grande surpresa do dia. De facto, Bernie Sanders, contra todas as sondagens e vaticínios, obteve uma das maiores surpresas eleitorais dos últimos anos, ao vencer a primária democrática do Michigan. Foi uma vitória por apenas 1,5% dos votos, é certo, mas todas as sondagens davam a Hillary Clinton vantagens muito folgadas.

 

Como foi esmagadoramente derrotado no Mississippi, o senador pelo Vermont acabou por recolher menos delegados que a sua adversária no dia de ontem. De qualquer modo, terminaram as primárias no "Deep South", terreno que se revelou especialmente favorável à antiga Secretária de Estado. Os olhos estão agora postos noutros grandes estados industriais, semelhantes, portanto, ao Michigan, onde se realizam primárias no próximo dia 15: Illinois e Ohio. Também aqui as sondagens não favorecem Sanders, mas a sua vitória no Michigan poderá dar uma nova dinâmica à sua campanha.

 

Clinton continua a ser, de longe, a favorita, até porque cerca de um terço dos delegados necessários à obtenção de uma maioria na convenção democrática (uns 700) estão na categoria dos chamados "super-delegados", e representam largamente a máquina partidária (o "establishment", para se usar um termo que tem vindo a ser muito aplicado na corrida republicana, bastante mais democrática neste aspecto, já agora). Além disso, tem já uma larga maioria no número de delegados conquistados. Mas, como já anteriormente referi, a permanência de Sanders na campanha representa um incómodo assinalável para Clinton.

 

Entre os republicanos, o fenómeno da divisão dos votos entre vários candidatos continua a favorecer Donald Trump, em termos de vitórias, que não em termos de delegados conquistados (ontem, voltou a angariar menos que a soma dos conquistados pelos seus antagonistas).

 

É certo que, perante os resultados do último sábado, Trump ontem conseguiu estancar uma aparente hemorragia. Venceu o estado mais importante do dia, o Michigan, mas com 37% dos votos, contra 25% e 24%, respectivamente, de Ted Cruz e John Kasich (a disputar, finalmente, terreno mais favorável para si). Juntou-lhe uma vitória no Mississippi e uma no Havai, este último um estado pouco importante em termos de delegados. Ted Cruz ficou em segundo em todos estes três estados e venceu no Idaho.

 

A próxima Terça-Feira apresenta-se, portanto, como um dia crucial para a corrida republicana. Se Marco Rubio e Kasich não vencerem os seus estados de Flórida e Ohio, respectivamente, é difícil ver como poderão manter-se na corrida, especialmente o primeiro, sobre cuja manutenção na corrida até esse dia vêm, inclusivamente, levantando-se dúvidas. E a partir desse dia, inclusive, a maior parte das primárias atribuirão a totalidade dos delegados ao respectivo vencedor.

 

Para terminar: sondagens nacionais dos últimos dias, com confrontos virtuais entre apenas dois dos candidatos republicanos, dão vantagem tanto a Cruz como a Rubio sobre Trump (Kasich não foi considerado). O "establishment" republicano, para grande parte do qual Ted Cruz também era, até há pouco, anátema (mais pelo seu estilo que pelas suas propostas políticas, diga-se), está, lentamente, a tentar acomodar-se à ideia de que Cruz poderá ser o último obstáculo à nomeação de Trump.


01
Mar 16
publicado por Nuno Gouveia, às 21:59link do post | comentar

Um comentário meu à Rádio Universitária do Minho sobre as eleições de hoje nos Estados Unidos. 


09
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 22:10link do post | comentar | ver comentários (2)

 

1 - Se parece haver poucas dúvidas sobre as vitórias de Bernie Sanders e Donald Trump (as sondagens levariam um rombo de proporções épicas), qual será a margem para ambos? Isso poderá ser importante para o que se vai dizer destes resultados. 

2 - Como irá Hillary Clinton reagir depois destas primárias? Será que vai anunciar alterações na sua estrutura de campanha? Vai mudar de estratégia e começar a atacar frontalmente Sanders? 

3 - Quem ficará em segundo lugar nas primárias republicanas? Há dias, Marco Rubio era o claro favorito, mas depois da sua prestação no debate do sábado passado, caiu nas sondagens. Diria que há três fortes candidatos, além de Rubio: John Kasich, que tem apresentado valores seguros, Jeb Bush, que apareceu ontem numa sondagem em segundo lugar e Ted Cruz, que manteve-se sempre próximo do segundo lugar. 

4 - Quem irá desistir depois desta noite? Apostaria em Chris Christie, que praticamente só fez campanha neste estado e se ficar atrás dos três governadores, nada mais terá a fazer nesta campanha. Carly Fiorina é também uma forte candidata se as sondagens se confirmarem. Ben Carson poderá tentar ficar, mas a sua campanha já está literalmente morta. Se Bush ou Kasich desiludirem, também dificilmente continuarão. Mas não apostaria nisso. 

5 - Qual será a grande surpresa desta noite? Já estamos habituados a surpresas em noites eleitorais de primárias e esta não deverá fugir à regra. Teremos esta noite um "comeback kid", como em 1992 com Bill Clinton ou em 2008 com John McCain? Se sim, o mais sério candidato será Jeb Bush, que pode renascer hoje. Mas atenção a John Kasich.


05
Fev 16
publicado por Alexandre Burmester, às 00:15link do post | comentar

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O Estado de New Hampshire (the Granite State) tem um longo e rico historial nas eleições presidenciais americanas. O facto de nele ter lugar a primeira primária propriamente dita contribui largamente para isso, como é óbvio.

 

Em New Hampshire, muitos candidatos criaram ilusões e ganharam confiança, e muitos também sofreram grandes desilusões.

 

De facto, embora seja muito importante a votação neste estado, há muitos casos de vencedores que acabaram por fracassar no objectivo da nomeação como candidatos do seu partido.

 

Alguns casos históricos (de notar que o peso das primárias nas convenções partidárias era menor até 1972 do que é agora):

 

- Em 1952 e 1956, o senador democrático Estes Kefauver venceu aqui, mas em ambos os anos, o candidato do partido foi Adlai Stevenson, antigo governador do Illinois;

- Em 1960, o Vice-Presidente Richard Nixon venceu o estado com 89% dos votos republicanos, o que deve constituir um recorde para um candidato que não fosse já presidente. Nixon seria o nomeado republicano.

- No mesmo ano, do lado democrático, John Kennedy teve 85% dos votos, mas provinha do vizinho estado de Massachusetts, o que é sempre uma ajuda.

- Em 1968, o New Hampshire foi determinante: o Presidente Lyndon Johnson foi desafiado pelo Senador Eugene McCarthy. Venceu, mas apenas por 50% - 42%. Essa vitória curta levaria Johnson a abandonar a corrida poucos dias depois.

- Ainda em 1968, Richard Nixon iniciou o seu regresso após as derrotas nas presidenciais de 1960 e na eleição para governador da Califórnia em 1962, com mais uma retumbante vitória (78% - aliás venceria todas as primárias a que concorreu). Em Novembro seria eleito.presidente.

- Em 1972, o Senador democrático Edmund Muskie, favorito à nomeação pelo seu partido, venceu a primária, mas acabaria por não ser o nomeado, Seria "vítima" de uma espécie de Bernie Sanders da época, o seu colega no Senado George McGovern.

- Em 1980, Ronald Reagan deu um passo firme na sua afirmação como potencial candidato republicano, ao vencer o estado com 50% dos votos contra 23% de George H. W. Bush.

- Em 1992, o Senador Paul Tsongas bateu o Governador do Arkansas, Bill Clinton (33%-25%), mas Clinton seria o nomeado pelos democratas.

- Em 1996, Pat Buchanan conseguiu uma vitória tangencial (27%-26%) sobre o Senador Bob Dole, mas seria este último o nomeado republicano.

- Em 2000, o Senador John McCain venceu o Governador do Texas George W. Bush (49%-30%), mas isso de nada lhe valeria, como sabemos.

- E, finalmente, em 2008, a Senadora Hillary Clinton venceu o Senador Barack Obama (39%-36%), mas também aí, isso de nada valeria,

 

Uma coisa é certa: o último presidente a ser eleito tendo perdido Iowa e New Hampshire nas primárias foi Bill Clinton. Este ano a coisa é capaz de se repetir.

 

 

 


02
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 10:18link do post | comentar | ver comentários (8)

1 - O Partido Republicano suspirou de alívio ontem depois da derrota de Donald Trump. Apesar do vencedor, Ted Cruz, ser também um político odiado, a derrota de Trump e o forte terceiro lugar de Marco Rubio alivou muita gente. A votação recorde no Iowa demonstrou também que houve uma grande mobilização para derrotar Trump, o que pode ser replicado noutros estados. Essa foi a grande notícia para a máquina republicana. 

 

2- Ted Cruz e Marco Rubio emergiram como grandes vencedores nos caucuses do Iowa. Este estado, que nos dois anteriores ciclos eleitorais deu vitórias a evangélicos, manteve a recente tradição e deu uma vitória inesperada a Cruz. Rubio ao conseguir um terceiro lugar, muito perto de Trump, solidifica a sua posição como candidato do establishment e pode, já na próxima semana, “arrumar” com Jeb Bush, Chris Christie e John Kasich, os adversários neste campo. Se é verdade que desde 1964 os republicanos optam sempre pelo candidato melhor posicionado para as eleições gerais, este ano poderá não ser diferente.

 

3 - Donald Trump afinal é um "perdedor", palavra que ele detesta. Se até há uns meses atrás, a esmagadora maioria dos analistas (e eu também) não acreditava nas suas hipóteses de obter a nomeação, nos últimos tempos essa percepção foi alterada. A sua derrota no Iowa coloca novamente em causa essa possibilidade, e atira uma enorme pressão para cima dele no New Hampshire. À entrada para esta semana, ele liderava confortavelmente as sondagens aí, mas até como vimos no Iowa, elas podem falhar e os movimentos de última hora, podem-lhe retirar a vitória. Se não vencer no New Hampshire, a sua candidatura estará praticamente terminada. 

 

4 - Marco Rubio irá agora competir no New Hampshire, não propriamente para ganhar, mas para eliminar a concorrência próxima. Ficaria surpreendido se a vitória no New Hampshire não fosse discutida entre Rubio e Trump. Ontem foi anunciado que o popular senador negro da Carolina do Sul, Tim Scott, irá declarar-lhe o seu apoio e nos próximos dias devemos ver um movimento de figuras do Partido Republicano a colocarem-se ao seu lado. Depois desta vitória, e acreditando que alguém tão conservador como Ted Cruz dificilmente terá uma hipótese no moderado New Hampshire, este irá deslocar-se rapidamente para a Carolina do Sul. Aí, podemos ter uma luta a três (se Trump vencer no New Hampshire) ou a dois, caso Rubio consiga ganhar. Tudo em aberto, mas para o resultado final, apostava em Marco Rubio para nomeado republicano. 

 

5 - No lado democrata, a confusão está instalada. Hillary Clinton já se declarou vencedora com 49,9% contra os 49,5% de Bernie Sanders, mas este ainda não aceitou a derrota. Uma vitória é uma vitória e Hillary Clinton ter-se-á salvado de nova derrota no Iowa, depois de há quatro anos ter sido esmagada por Barack Obama e John Edwards. Um resultado que não pode deixar descansado o campo de Hillary, pois há um ano tinha uma vantagem de mais de 50% sobre Sanders neste estado.

 

6 - Para a próxima semana, Bernie Sanders poderá obter uma vitória confortável no New Hampshire. Os resultados do Iowa não darão "momentum" a Hillary Clinton. Mas parece-me que Bernie precisava de vencer aqui para transformar-se num candidato nacional, o que não sucedeu. Muita gente a comparar com o que aconteceu com Obama, que quando chegou ao Iowa também estava atrás de Hillary em quase todos os estados e nas sondagens nacionais. Mas foi essa vitória que o fez crescer. Parece-me muito complicado para Sanders replicar. A seguir ao New Hampshire, segue-se a Carolina do Sul, onde Hillary Clinton é super favorita. 

 

7 - Caso não exista nenhum movimento extraordinário pró-Sanders nas sondagens nacionais e noutros estados, Hillary Clinton poderá fechar a nomeação na super terça-feira em Março. Mas entrará relativamente frágil nas eleições gerais. Ontem os jovens votaram de uma forma avassaladora em Sanders, e com os problemas todos que Hillary tem tido, não terá vida fácil em Novembro. A sua campanha tem dado sinais que o candidato que mais a preocupa é Marco Rubio. Precisamente aquele que parece emergir do outro lado. 


30
Out 15
publicado por Alexandre Burmester, às 16:28link do post | comentar

 

 

 

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De domingo a exactamente três meses - dia 1 de Fevereiro de 2016 - terão lugar os "caucuses" do Iowa, uma forma mitigada de eleição primária com a qual tem início a respectiva época. A principal questão que agora se coloca é como evoluirão as candidaturas nos próximos 90 dias, portanto.

 

No lado democrático não há grandes expectativas ou dúvidas, especialmente depois do recente anúncio do Vice-Presidente Joe Biden de que, definitivamente, se não candidatará (alegou, essencialmente, que é um pouco tarde para isso). A vantagem nacional de Hillary Clinton sobre Bernie Sanders é bastante confortável, e até a margem que este sobre ela vinha tendo em New Hampshire tem vindo a diminuir. Clinton passou razoavelmente incólume (pelo menos sob o ponto de vista dos "mainstream media") no crivo da sua deposição perante a sub-comissão da Câmara dos Representantes que investiga o caso Benghazi (acerca do ataque ao consulado americano naquela cidade líbia a 11/9/2012, de que resultou a morte de quatro americanos, incluindo o embaixador naquele país), e está visto que o eleitorado democrático não valoriza excessivamente aquilo que, eufemisticamente, poderia designar-se por "os seus traços de carácter" (já o eleitorado em geral valoriza-os bastante, com perto de dois terços dos auscultados a não a considerarem honesta ou digna de confiança). Como também poucos acreditam que o Departamento de Justiça lhe venha a mover uma acusação por causa do caso dos emails, a nomeação democrática parece não oferecer dúvidas.

 

No campo republicano as coisas continuam difusas, para não dizer confusas. Do lado dos "rebeldes", chamemos-lhes assim, Ben Carson surge agora mais ameaçador da posição cimeira de Donald Trump, liderando destacado, inclusivamente, na média de sondagens do Iowa. Em termos nacionais está também bem mais próximo agora, havendo inclusivamente uma sondagem recente que o coloca à frente de Trump.

 

Entre os restantes candidatos republicanos, o facto mais relevante é o declínio de Jeb Bush, o qual já foi inclusivamente forçado a cortes na sua campanha por motivos de ordem financeira (sinal de menor optimismo dos seus apoiantes financeiros). Marco Rubio, embora distante dos dois "insurgentes", continua em terceiro lugar a nível nacional e em Iowa e New Hampshire. No terceiro debate republicano, que teve lugar quarta-feira, Rubio teve uma excelente prestação - tal como Ted Cruz - e aguarda-se com alguma expectativa o impacto que tal desempenho possa vir a ter nas sondagens. Rubio tem várias vantagens sobre os seus rivais: consegue ser um candidato simultaneamente simpático para o "establishment" republicano e para as bases mais conservadoras do partido, e além disso é hispânico (filho de cubanos), um factor nada despiciendo. Já Cruz é um conservador puro e duro e as suas tácticas e posições no Senado não lhe têm propriamente granjeado a simpatia do "establishment". A sua estratégia tem sido posicionar-se de modo a colher os frutos de eventuais quebras, ou até desistências, de Trump e/ou Carson (o que, está visto, não acontecerá tão cedo).

 

Parece também claro que vários candidatos não permanecerão muito mais tempo na corrida, como são os casos de Rand Paul, George Pataki, Bobby Jindal, Lindsey Graham, Jim Gilmore e Mike Huckabee, embora possam tentar chegar ao Iowa, especialmente o último, que lá  venceu em 2008. John Kasich e Chris Christie vão-se aguentando, embora sem movimento nas sondagens, e Carly Fiorina deixou de ser novidade e parece também ter perdido impulso. As eventuais desistências de alguns ou todos estes candidatos poderão ter um impacto relevante no posicionamento comparativo dos restantes candidatos.

 

 

 

Foto: os principais candidatos republicanos antes do debate do dis 28, em Boulder, Colorado


02
Fev 14
publicado por Nuno Gouveia, às 19:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Obama tem ainda mais três anos na Casa Branca, mas a sua sucessão já está na ordem do dia. É óbvio que tudo o que se diga por esta altura é altamente provável de ser desmentido pela realidade, e bastará recuar até ao inicio de 2006 para nos recordarmos o que se dizia então: Hillary Clinton era a quase nomeada pelo Partido Democrata e Rudy Giuliani era o favorito do lado republicano. Atualmente, diria que do lado democrata, a história repete-se: a antiga Primeira Dama é a grande favorita à nomeação, enquanto do lado republicano, depois do escândalo que afectou Chris Christie, não há favorito. 

 

Se é verdade que o Partido Democrata poderá ser prejudicado pela previsível impopularidade da Administração Obama em 2016, neste momento apresenta o candidato mais forte. Hillary Clinton continua muito popular, e, sinceramente, não se vê ninguém do lado democrata capaz de a derrotar nas primárias. Neste momento não existe nenhuma estrela em ascensão no partido e nenhum dos potenciais candidatos, como Joe Biden ou Andrew Cuomo, não têm o star power de Obama em 2006. Hillary tem a máquina (que já está no terreno), tem o apoio da base e tem ainda outra coisa: há uma espécie de remorso ente muitos do partido por não a terem eleito em 2008, e desta vez não haverá muitos políticos conhecidos do Partido Democrata a apoiar outro candidato, como sucedeu em 2008 com Obama. Mesmo que o Presidente chegue a 2016 muito impopular, é provável que Hillary se apresente na condição de favorita para ser eleita Presidente. É óbvio que irá deparar-se com muitas dificuldades, Bill Clinton pode ser uma nuvem sombria, como o foi em 2008, o escândalo de Benghazi vai andar por aí, e depois haverá sempre a condicionante do nome republicano. Dito isto, o que acontecerá se Hillary não se candidatar? Haverá muitos mais candidatos e a corrida será completamente imprevisível. Num cenário sem Hillary, o Partido Democrata estará muito mais fragilizado e o nível de popularidade de Obama poderá ser muito mais decisivo na eleição. Além dos nomes já citei, fala-se da senadora do Massachusetts, Elisabeth Warren, do antigo governador do Montana, Brian Schweitzer ou do governador de Maryland, Martin O'Malley. Mas nenhum destes candidatos tem um nome nacional (nomeadamente na base democrata). A eleição de um Presidente democrata será bem mais difícil  neste cenário (os democratas não ganham três eleições seguidas desde Truman em 1948 – na verdade tinham ganho cinco).

 

No Partido Republicano há uma certeza: depois de 2012, onde apenas Mitt Romney era qualificado para ser Presidente (os restantes candidatos não tinham estatuto para isso e muitos foram mesmo confrangedores durante a corrida), no próximo ciclo eleitoral haverá certamente muita qualidade no terreno. Neste momento há poucas certezas, mas Chris Christie, governador de New Jersey (se sobreviver ao atual escândalo de New Jersey), Scott Walker, governador do Wisconsin, o senador Marco Rubio da Florida, Paul Ryan do Wisconsin ou Jeb Bush, antigo governador da Florida serão todos eles nomes capazes de vencer as primárias e chegar à Casa Branca. Quando a máquina republicana começar a despejar dinheiro num candidato, qualquer um destes pode ser o seu escolhido. Apesar de tudo o que se tem dito nas últimas décadas sobre o Partido Republicano, o vencedor das primárias tem sido sempre a escolha do establishment e aquele que se apresenta durante as primárias como o mais bem preparado para ser Presidente. Na ala mais populista e libertária, Rand Paul ou Ted Cruz são nomes a ter em conta, sobretudo porque são políticos muito hábeis e poderão constituir uma ameaça aos candidatos mais mainstream. Entre outros potenciais candidatos, fala-se do governador do Ohio, John Kasich, Bobby Jindal, governador da Louisiana, da senadora do New Hampshire, Kelly Ayote ou novamente de Mike Huckabee, do Arkansas. Depois de oito anos de Obama, diria que um governador terá mais hipóteses de ser o nomeado pelo Partido Republicano, pois apresentará experiência executiva, algo que Obama não teve antes de ser Presidente. No Congresso, diria que Marco Rubio, apesar de ter perdido apoio na base conservadora depois de se ter envolvido activamente na reforma da imigração, é o que tem mais hipóteses, pois consegue bem fazer a ponte entre os sectores mais à direita com a máquina republicana. Chris Christie era considerado o favorito antes dos problemas no seu estado, e tem já um estatuto nacional. Se ultrapassar esta fase menos positiva, poderá ser um candidato fortíssimo. Jeb Bush poderá ser um candidato forte, apesar do seu apelido constituir um problema.  


20
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:41link do post | comentar

Chris Christie tem vindo a ganhar peso político dentro do Partido Republicano. Ainda há umas semanas ganhou uma straw poll (espécie de sondagem entre activistas) numa convenção do Tea Party na Virgínia. Christie não é um tipico político, e até pela sua imagem, diriamos que não se enquadra naquele leque de políticos modernos que temos visto recentemente a ganhar eleições. Mas a sua governação em New Jersey está-lhe a correr bastante bem, e através de uma reforma da educação, controlo do orçamento e capacidade de trabalhar com membros do Partido Democrata, o seu nome tem circulado como potencial candidato republicano em 2012. Neste momento ele é dos poucos que tem excelente imagem entre o establishment republicano e os activistas do tea party. Ele tem dito que não está interessado, e que ainda não tem as capacidades necessárias para ser Presidente. Mas já vimos outros políticos recuar neste tipo de declarações. Hoje o Today Show da NBC transmitiu esta perfil do republicano. Será que temos candidato?



15
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 18:54link do post | comentar | ver comentários (4)

Confirma-se a vitória de Kelly Ayotte nas primárias do New Hampshire, a candidata do establishment republicano. O congressista democrata Paul Hodes enfrenta assim Ayotte, a Procuradora-geral do estado, que nos últimas sondagens apresentava uma vantagem entre 8 e 13 pontos. Possivelmente, e ao contrário do que foi previsto depois da retirada do actual senador Judd Gregg (R), este lugar deverá manter-se no lado republicano.

 

As primárias deste ciclo eleitoral terminaram. Tempo de fazer um balanço e tentar perspectivar o que irá acontecer em Novembro, especialmente depois das surpresas que aconteceram em vários estados.


07
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 00:52link do post | comentar | ver comentários (9)

Alertado pelo Diogo Moreira, cheguei a esta notícia que dá conta que o RNC mudou as regras das primárias republicanas para 2012. A alteração das primeiras eleições para o mês de Fevereiro e fim do sistema Winner Takes All (WTA) em alguns Estados são as principais alterações aprovadas.

 

Depois do sucesso que foram as eleições primárias democratas, estas alterações eram consideradas urgentes por muitos analistas políticos americanos. Recordo que Barack Obama e Hillary Clinton arrastaram as primárias democratas até Junho de 2008, fazendo com que os candidatos tivessem de competir nos 50 estados. Além da publicidade que deu aos candidatos, especialmente ao nomeado, esta longa campanha permitiu a criação de uma estrutura de campanha em todos os estados mais cedo que John McCain, com óbvias vantagens de Barack Obama. Pelo contrário, John McCain "fechou" logo a nomeação em Fevereiro, depois de derrotar Mitt Romney e Mike Huckabee na Superterça-feira, em Fevereiro.

 

Com estas novas regras, e especialmente com o fim do WTA, é próvavel que a nomeação republicana de 2012 se arraste até ao fim das primárias, permitindo desta forma  aos republicanos ocupar o cenário mediático/político na primeira metade do ano eleitoral. Uma boa jogada do GOP, além de aumentar a democraticidade e a participação dos cidadãos no processo de nomeação.


16
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:18link do post | comentar

 

A Carolina do Sul é um estado conservador. Membros do Partido Republicano dominam os principais cargos estaduais e federais. O senador Jim DeMint, um dos políticos mais influentes do GOP, irá a votos em Novembro. Mas a primária democrata para o senado transformou-se numa das principais histórias “políticas” dos últimos tempos, com a nomeação de Alvin Greene, um perfeito desconhecido, para enfrentar DeMint.

 

Na noite em que foi conhecida a sua vitória, ninguém o conhecia. Nos jornais, nas televisões perguntava-se quem era esse Alvin Greene, que tinha obtido 59 por cento dos votos contra um juiz de Charleston, numas primárias onde votaram mais de 160 mil eleitores. Sem currículo politico, sem ter sequer um site de campanha ou desenvolvido alguma acção de campanha, ninguém o conhecia. Nos dias seguintes a imprensa revelou que Greene tem 32 anos, é um veterano do exército americano e desempregado desde que saiu do exército em 2009. Logo começaram as suspeitas sobre esta candidatura. Democratas declaram que este candidato foi um “esquema” dos republicanos para prejudicar as hipóteses o Partido Democrata na Carolina do Sul. E apontaram alguns indícios que tal poderá ter acontecido: como Greene terá arranjado os 10 mil dólares para se candidatar ao cargo? Como conseguiu vencer o outro democrata, num estado onde os republicanos podem votar nas primárias democratas e vice-versa? É pouco provável que tal tenha sucedido, pois o republicano sempre foi o favorito para vencer a eleição e é inverosímil que se tivessem dado ao trabalho para implementar um esquema destes.

 

Nas entrevistas que tem dado, Greene tem demonstrado inabilidade total para lidar com as questões, w uma total inaptidão para falar ou explicar a sua candidatura/campanha, que não existiu até ao momento. Alguns democratas  já lhe pediram para desistir e outros disseram mesmo que Greene tem problemas mentais. Uma coisa é certa: como é possível que os democratas só se tenham preocupado com ele depois das eleições? Muita incompetência.


09
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:50link do post | comentar

As primárias de ontem ficaram marcadas pela ascensão de Meg Withman e Carly Fiorina como líderes do Partido Republicano na Califórnia. Pelo menos até Novembro. As suas vitórias já eram esperadas, mas a margem que conquistaram elevaram estas duas mulheres a estrelas dos republicanos para o próximo ciclo eleitoral. No estado de Richard Nixon e Ronald Reagan, duas das figuras mais poderosas do GOP no século XX, Withman e Fiorina podem conquistar um importante lugar para o futuro, caso consigam ser eleitas Governadora e Senadora, respectivamente. Isso não será fácil, pois os democratas na corrida – Jerry Brown e Barbara Boxer – tem liderado nas sondagens. Mas o ciclo eleitoral está a mostrar-se sorridente para novatos na vida política, e se Withman e Fiorina chegaram à política recentemente, o mesmo não sucede com os seus adversários. Jerry Brown foi governador da Califórnia na década de 70, e desde então tem estado na vida política do estado. Actualmente é o Procurador-geral. Barbara Boxer está em Washington desde 1993. A seguir atentamente.


Também no Nevada uma mulher venceu as primárias para o Senado: Sharron Angle. Desconhecida até há bem pouco tempo, conseguiu ultrapassar os favoritos republicanos (Sue Lowden e Danny Tarkanian) nas últimas semanas, depois de ter obtido o apoio do Tea Party Express. Harry Reid deve ter sorrido perante este resultado, pois Angle é considerada pelos analistas como a adversária mais acessível. Apesar disso, os índices de popularidade de Reid são muito baixos, o que indica que haverá luta até ao fim. Também houve primárias para o cargo de governador. O hispânico Brian Sandoval derrotou o governador republicano Jim Gibbons, e vai defrontar o filho de Harry Reid, Rory.


Na segunda volta democrata para o Senado no Arkansas, a senadora Blanche Lincoln contrariou as sondagens e conquistou o direito de lutar pela reeleição em Novembro. Apesar dessa vitória, será muito difícil segurar o lugar em Novembro, pois neste momento está a 20 pontos do adversário republicano, o congressista John Boozman.

 

Outra das eleições que captou mais atenção mediática foi na Carolina do Sul. Nikki Haley venceu as primárias republicanas, mas irá disputar uma segunda volta ainda este mês. Se vencer, será a mais que provável governadora do estado. Podem consultar todos os resultados de ontem nesta página do Politico.


06
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:17link do post | comentar | ver comentários (3)

Na próxima terça-feira realizam-se primárias em vários estados para os partidos escolherem os seus candidatos aos diversos cargos estaduais e federais deste ciclo eleitoral. Destaque para as eleições na Califórnia, Nevada e Arkansas.

 

A Califórnia, o maior estado da união vai a votos para escolher os candidatos ao senado e ao governo estadual. E se no campo democrata, Jerry Brown (antigo governador na década de 70) e Barbara Boxer (actual senadora) deverão ser confirmados como os candidatos, no Partido Republicano ainda existem algumas dúvidas, apesar de Meg Withman e Carly Fiorina serem apontadas como as prováveis vencedoras. Na luta pela nomeação ao governo estadual, Meg Withman deverá vencer a luta contra o empresário Steve Poizner. Carly Fiorina, deverá ser a nomeada para concorrer ao senado contra Barbara Boxer, pois tem neste momento uma vantagem considerável contra Tom Campbell e o candidato apoiado pelo Tea Party, Chuck DeVore. Caso não haja surpresas, confirma-se a ascensão no Partido Republicano destas duas antigas CEOs (da eBay e HP), que surgiram na vida política como conselheiras económicas da campanha presidencial de John McCain em 2008.

 

No Nevada o Partido Republicano nomeará o adversário de Harry Reid em Novembro. Depois de meses a liderar as sondagens, Sue Lowden foi recentemente ultrapassada por Sharron Angle, a candidata apoiada pelo Tea Party. O outro actor principal desta eleição é Danny Tarkanian. A confirmar-se a nomeação de Angle, acredito que Harry Reid tenha a vida mais facilitada nesta eleição.

 

Por fim, no Arkansas haverá a segunda volta da nomeação democrata para o Senado, onde a incumbente Blanche Lincoln medirá forças com Bill Halter. Este último, candidato da ala esquerda do Partido Democrata, tem liderado por curta margem nas sondagens, mas tudo está ainda em aberto. Uma derrota de Lincoln constituirá o segundo fracasso para um incumbente do Partido Democrata, depois de Arlen Spector.


25
Mai 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:09link do post | comentar

 

No próximo dia 8 de Junho o estado mais populoso dos Estados Unidos vai a votos para escolher os seus candidatos ao Senado e ao Governo estadual. A atravessar uma grave crise financeira e política, o Golden State tem perdido influência e riqueza na última década e ambos os partidos têm responsabilidades. Daí que a palavra de ordem na Califórnia é "change", uma não-novidade na vida política norte-americana. Sendo um estado que vota democrata nas presidenciais desde 1992, e dominado por legisladores democratas, o actual governador é o republicano Arnold Schwarzenegger e durante a década de 90 teve outro republicano ao leme de Sacramento, Pete Wilson.


Do lado democrata, Barbara Boxer vai a votos para manter-se como a senadora júnior do estado, e é uma das incumbentes que tem o lugar em risco. Para o cargo Sacramento, Jerry Brown, que foi governador entre 1975 e 1983, deverá ser novamente candidato ao lugar. Resta referir que ambos os candidatos têm surgido com uma ligeira vantagem em relação aos seus potenciais opositores republicanos na esmagadora maioria das sondagens.


Do lado republicano a corrida está bem mais animada, se bem que esta semana as sondagens indicam que há duas favoritas. Nas primárias para o Senado, a antiga CEO da Hewlett-Packard, Carly Fiorina está com uma vantagem de mais de 20 pontos sobre o seu mais directo adversário, o antigo congressista Tom Campbell. O candidato preferido do tea party, Chuck DeVore está num distante terceiro lugar em todos os estudos de opinião. Para o cargo de Governador, a antiga CEO da eBay, Meg Whitman ganhou um novo fôlego contra Steve Poizner esta semana. Se não mudar o rumo dos acontecimentos até 8 de Junho, o GOP deverá apostar em duas empresárias de sucesso para derrotar os dois históricos do Partido Democrata. A sua tarefa não será fácil, mas pela importância da Califórnia na União e pelo perfil dos candidatos envolvidos, estas serão das eleições mais mediáticas do ciclo eleitoral.



19
Mai 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:58link do post | comentar | ver comentários (4)

Se alguma consequência podemos retirar das várias eleições de ontem é que os cidadãos estão furiosos com Washington. Neste momento poucos incumbentes podem considerar-se “safos” para as eleições para Novembro. Quanto mais próximo do círculo de poder, mais probabilidades existem de serem afastados nas urnas. Obviamente este sentimento é mais perigoso para os democratas, que neste momento detêm a maioria no Congresso e ocupam a Casa Branca. Daí que Novembro poderá ser um mês verdadeiramente desastroso para os políticos no poder. Vejamos o que aconteceu ontem.


No Kentucky, um candidato republicano fortemente apoiado pelo aparelho e pelas figuras mais poderosas, foi derrotado por Rand Paul, que apesar de ter apoios importantes como Sarah Palin e do actual senador Jim Bunning, era considerado um verdadeiro outsider. Esta foi a primeira grande vitória do Tea Party Movement, o que aliás foi destacado por Paul no discurso de vitória. No Arkansas, a senadora Blanche Lincoln foi obrigada a disputar uma segunda volta com um candidato mais à esquerda neste estado conservador. E na Pennsylvania, Arlen Specter nem com Obama e Biden a seu lado conseguiu vencer. Noutra eleição disputada ontem, no 12º distrito da Pennsylvania, venceu um democrata. Mas repare-se que este candidato fez campanha contra Washington e contra a reforma da saúde aprovada no Congresso pelos democratas. E apenas teve uma figura nacional a seu lado - Bill Clinton. Neste momento, para vencer em grandes parcelas do território americano, é preciso atacar o governo e Washington.


As consequências disto para Novembro? A minha previsão é que haverá mais surpresas até lá. E algumas eleições que se pensam já definidas à partida poderão ficar em aberto. Uma coisa é certa: serão as intercalares mais disputadas deste 1994. E haverá muitos motivos de interesse aqui para o blogue.


publicado por José Gomes André, às 16:37link do post | comentar

Para além das eleições mediáticas no Kentucky (no lado Republicano) e na Pensilvânia (do lado Democrata), a que o Nuno aludiu, ontem houve ainda uma série de disputas em diversos Estados americanos. Destaquemos três casos importantes. No Kentucky, assistiu-se a uma eleição renhidíssima entre os Democratas, para a escolha do candidato ao Senado. Venceu o Procurador-Geral Jack Conway, por uma unha negra (mais 4 mil votos que Daniel Mongiardo, em 520 mil). Conway, um jovem político, tem uma base forte no eleitorado urbano e as suas posições centristas tornam-o um candidato viável em Novembro. Será o adversário de Rand Paul, numa disputa certamente interessante de seguir. As últimas sondagens davam ligeira vantagem ao (agora) nomeado Republicano: 1% (PPP) e 3% (Research2000).

 

No Arkansas tivemos também Primárias para o Senado, com o Republicano John Boozman a vencer confortavelmente, mas com a Democrata Blanche Lincoln (a actual senadora) a ficar-se pelos 45% do lado Democrata (contra os 43% de Bill Alter). As regras exigem uma maioria absoluta, e por isso haverá uma segunda volta entre os Democratas. Em todo o caso, a eleição geral (em Novembro) deverá ser ganha pelos Republicanos, pelo que o actual suspense do duelo Lincoln-Halter perde algum interesse.

 

Nota ainda para um curioso duelo no 12º distrito congressional da Pensilvânia, motivado pela morte de John Murtha, que representara os Democratas no Congresso durante vários anos. Previa-se uma disputa muito renhida, mas o Democrata Mark Critz venceu o Republicano Tim Burns por 7 pontos de diferença. Esta vitória foi muito celebrada nas hostes Democratas, pois temiam que as recentes derrotas em eleições especiais levassem à perda de mais um lugar na Câmara dos Representantes. Tal não sucedeu nesta ocasião, embora seja naturalmente precipitado retirar daqui consequências para as disputas nacionais de Novembro.

 


publicado por Nuno Gouveia, às 03:10link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Podia destacar a vitória de Joe Sestak, o congressista que venceu as primárias democratas da Pennsylvania. Mas Arlen Specter não é um político qualquer. Eleito pela primeira vez para o Senado em 1980 pelos Republicanos, manteve-se durante 29 anos ao serviço do partido de Reagan. Depois de em 2004 ter enfrentado e vencido Pat Toomey nas primárias republicanas por apenas um por cento, era certo que em 2010 iria perder a nomeação republicana. Em 2009 Barack Obama e Harry Reid convenceram-no a trocar de partido, contribuindo assim a maioria anti-fillibuster do Partido Democrata no Senado. Em troca, a promessa do apoio e empenhamento do establishment na sua nomeação como candidato à reeleição pelo Partido Democrata. As coisas não correram bem, e Joe Sestak venceu a nomeação democrata. Pela segunda vez nesta noite, os candidatos apoiados por Washington foram derrotados.

 

Do lado republicano o vencedor foi Pat Toomey, que apenas teve a oposição de um activista conservador. Com Sestak como candidato democrata, esta eleição promete ser disputada até ao último voto. As últimas sondagens apontavam para uma ligeira vantagem de Toomey, mas está tudo em aberto.


publicado por Nuno Gouveia, às 00:57link do post | comentar

Rand Paul venceu a primária republicana no Kentucky. Esta vitória representa a força do tea party movement, que apostou tudo neste candidato que afrontou o establishment do Partido Republicano. O líder da minoria no senado, Mitch McConnell, empenhou-se nesta corrida em favor do seu favorito, o Secretário de Estado Trey Grayson. Mas os resultados não deixam dúvidas: os republicanos do Kentucky queriam mesmo derrotar o candidato apoiado por Washington. Rand Paul é um candidato mais frágil que Grayson para a eleição geral, mas isso não significa que tem poucas hipóteses de eleição em Novembro.

 

O seu adversário deverá ser Jack Conway, Procurador-geral do estado, que nas duas últimas sondagens estava a apenas um e três pontos de Paul. Mas o Kentucky é um dos estados mais republicanos da União, e dado o ambiente anti-democrata que se espera para Novembro, muito dificilmente Paul perderá essa eleição. Mas para isso terá de se reunir com os líderes do Partido Republicano e conjugar esforços para a eleição geral. Ainda durante o dia de ontem, Paul falou várias vezes em união e que estava ansioso para reunir com McConnell. Sem obter o apoio empenhado do GOP, a possibilidades de vitória seriam bem mais reduzidas. Mas conhecendo o pragmatismo republicano, isso não deverá ser difícil de suceder. Sem o Kentucky, McConnell não tem hipótese de ser o próximo líder do Senado.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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