20
Abr 16
publicado por Alexandre Burmester, às 18:37link do post | comentar

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A primária do Estado de Nova Iorque não trouxe propriamente surpresas. Mas a verdade é que, pela primeira vez, Donald Trump conseguiu a maioria dos votos num estado, com uns retumbantes 61% (não é de menosprezar o factor casa) e pelo menos 89 dos 95 delegados em disputa. Este número de delegados está em linha com o que o site analítico FiveThirtyEight calcula seja necessário Trump ir angariando para conseguir uma maioria, ou seja, esta sua vitória não melhorou nem piorou as suas perspectivas do ponto de vista estrito dos números.

 

Na próxima terça-feira, há mais uma série de primárias em estados do Nordeste, onde são previsíveis novos sucessos de Trump: Connecticut, Delaware, Maryland, Pensilvânia e Rhode Island. Estarão em disputa um total de 172 delegados, com o importante pormenor, contudo, de o prémio maior, a Pensilvânia, apenas vincular ao vencedor no estado 17 dos seus 71 delegados, sendo os restantes livres de votarem como entenderem na convenção. É verdade que um bom número dos potenciais delegados deste último estado já disse que votará no vencedor, mas daqui até Cleveland muita água passará debaixo das pontes.

 

Depois da próxima semana, as hostilidades serão retomadas numa primária que promete ser decisiva para as aspirações de Trump: Indiana e seus 57 delegados, a 3 de Maio. Uma vitória de Ted Cruz aqui (os delegados vão inteiramente para o vencedor em cada círculo eleitoral) será um sério e quase definitivo revés para o magnata novaiorquino na sua luta pelo mágico numero de 1.237 delegados. E o Indiana tem algumas semelhanças com o Wisconsin (e o mesmo método de atribuição de delegados), onde Cruz conquistou 36 dos 42 delegados em disputa. Não tem havido sondagens públicas no "Hoosier State", mas aparentemente há sondagens privadas que colocam Trump pouco acima dos 30%. A luta pela nomeação republicana ainda vai dar muito que falar.

 

Hillary Clinton, por seu lado, teve, além de uma vitória folgada (58%-42%) uma firme confirmação da inevitabilidade da sua nomeação. Mais uma vez, Bernie Sanders continuará na corrida, naquilo que é há muito uma luta inglória, mas valorosa.

 

 

Foto: Donald Trump após a sua vitória em Nova Iorque (Reuters/Shannon Stapleton)

 

 


19
Abr 16
publicado por Alexandre Burmester, às 17:49link do post | comentar

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Realiza-se hoje a primária do estado de Nova Iorque, tanto do lado Republicano, como do lado Democrático. Esta primária, juntamente com as que se realizam na próxima semana (Connecticut, Delaware, Maryland, Pensilvânia e Rhode Island) disputa-se em terreno favorável a Donald Trump, que deverá emergir com um bom pecúlio de delegados, embora isso, muito provavelmente, não lhe venha a resolver o problema de chegar à convenção de Cleveland sem a maioria.

 

Em anos normais, por esta altura já está decidido o vencedor de cada partido, mas este ano, dado o facto de nenhum republicano ter conseguido impôr-se e de Bernie Sanders ter tido uma galharda e imprevista campanha, as coisas, do lado republicano, estão longe de estar decididas e, do lado democrático, embora na prática estejam, a campanha continuará até ao fim.

 

Isto faz com que primárias a que normalmente pouca gente prestava atenção, por já nada decidirem, estejam este ano a ser foco de atenções concentradas. Nunca tanta gente esteve a par das peculiaridades e características próprias das primárias de cada estado.

 

Nova Iorque atribui os seus delegados do seguinte modo: três por cada círculo eleitoral da Câmara dos Representantes. O estado tem 27 círculos eleitorais. O vencedor em cada círculo ganha dois delegados, e o segundo classificado ganha um. Contudo, se o vencedor tiver pelo menos 50% dos votos, açambarcará os três delegados. Do mesmo modo, os candidatos que não atinjam 20% dos votos, não terão direito a qualquer delegado. Além disso, são atribuidos proporcionalmente  14 delegados a nível do estado, aplicando-se também aqui a regra dos 50% e dos 20%.

 

O eleitorado republicano está concentrado nas áreas do chamado "Upstate New York", a norte de Nova Iorque, mas cada círculo atribui três delegados indepndentemente do número de republicanos nele registados. Isso significa que, por exemplo, em áreas maciçamente democráticas da cidade de Nova Iorque, como o Bronx, umas centenas de republicanos podem ser fulcrais na decisão local.

 

Donald Trump é o claro favorito republicano. A questão está em saber se atingirá os 50% (a maior parte das sondagens dizem que sim) e quantos cícrculos eleitorais vencerá.

 

 

Do lado democrático, pese embora ser de esperar um razoável desempenho de Bernie Sanders, Hillary Clinton é a clara favorita. Em todas as primárias democráticas vigora o sistema de atribuição proporcional de delegados.


24
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:36link do post | comentar

 

Depois da retirada de Rick Santorum, as primárias republicanas perderam o interesse, mas hoje realizam-se cinco eleições: Pensilvânia, Nova Iorque, Delaware, Rhode Island e Connecticut. A análise irá centrar-se sobretudo no número que Romney obter em cada um destes estados, pois é a primeira vez que não enfrenta competição. Nos últimos tempos o Partido Republicano tem vindo a unir-se em redor de Romney, mas será interessante verificar se essa união se materializa nas escolhas dos eleitores republicanos. Dos 209 delegados em disputa, Romney deverá acumular a esmagadora maioria, mas ainda não será o nomeado formal (isso talvez apenas em Junho). 


14
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:15link do post | comentar | ver comentários (1)

Ontem o distrito 9 de Nova Iorque foi a votos para escolher o sucessor do congressista Anthony Weiner. Desde 1923 que este lugar não era ocupado por um republicano, mas ontem foi um que venceu a eleição, roubando o lugar aos democratas. Num distrito onde a popularidade de Obama é de 31 por cento, Bob Turner, o novo congressista, conseguiu transformar esta eleição num referendo às políticas da Administração. As posições de Obama em relação a Israel também foram um foco desta campanha. Com uma comunidade judia bastante numerosa, a questão de Israel foi bastante explorada pelos republicanos, e vários judeus proeminentes de Nova Iorque envolveram-se ao lado do republicano. O antigo Mayor de Nova Iorque, o democrata Ed Koch, foi um dos apoios mais estridentes a pedir uma severa derrota para Obama. Estas eleições lançam dois avisos: o voto da comunidade judia americana, que desde sempre tem sido maioritariamente democrata, está mesmo em perigo em 2012; Obama poderá mesmo ter de preocupar-se com distritos e estados tradicionalmente democratas. Conforme já li algures, esta vitória republicana faz lembrar algumas vitórias democratas em distritos conservador na última fase da Administração Bush. Muito más notícias para o Presidente. 

 

No Nevada, também decorreu uma eleição especial para substituir o agora senador republicano Dean Heller. Sem surpresa, o nomeado republicano venceu com mais de vinte pontos o adversário democrata. No entanto, este distrito, que é tendencialmente republicano, costuma ter resultados mais renhidos. Uma má noite para os democratas. 

 

Adenda: Deixo aqui, em complemento, este excelente comentário do Alexandre Burmester:

 

Este impressionante resultado no nono distrito eleitoral do Estado de Nova Iorque (é que nem sequer foi renhido: 54%-46%) vem na linha das vitórias de Chris Christie em New Jersey em 2009 e Scott Brown no Massachusetts em 2010 - já para não falar na onda republicana de Novembro passado.

Mesmo tendo em consideração a particular constituição demográfica deste distrito, com um forte bloco judaico (cerca de 25%), agora motivado contra Obama , não deixa de ser um resultado péssimo para os democratas e, em especial para o Presidente Obama . É que este círculo eleitoral é essencialmente um círculo de classe trabalhadora branca, o bastião dos últimos Archie Bunker, como Sean Trende pitorescamente refere num comentário no realclearpolitics.com . E a queda abrupta de apoio entre este sector do eleitorado foi sempre fatal para os democratas (vide George McGovern em 1972 e Michael Dukakis em 1988).

Finalmente, este tipo de eleição (as chamadas "special elections ", destinadas a preencher um lugar vago no Congresso) não pode, apesar de tudo, ser lido como um barómetro eleitoral presidencial; apenas fornece indicações de tendência.



20
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:21link do post | comentar

O estado de Nova Iorque está em grandes problemas. Não tanto como a Califórnia, mas é um dos estados da União que mais tem vindo a perder fulgor. O antigo governador eleito demitiu-se depois de um escândalo com prostitutas. O actual governador democrata é um dos mais impopulares do país, só ultrapassado pelo Governator da Califórnia. E o que fez o Partido Republicano do estado? Nomeou um louco, de seu nome Carl Paladino. Já ninguém o leva a sério e até os seus próprios apoiantes o têm vindo a denunciar publicamente. Os democratas escolheram um nome seguro, com fama no estado: Andrew Cuomo, filho do antigo governador de Nova Iorque, Mário. Apesar de não ser muito popular, tem a vitória garantida. O estado de Nova Iorque é um bastião dos democratas, mas num ano como este, os republicanos tinham uma hipótese. Mas Carl Paladino é simplesmente inelegível para um conselho de escola, quanto mais para o cargo de governador. Já ameaçou jornalistas (curiosamente do NY Post, um dos jornais nova-iorquinos que normalmente apoia os republicanos), tem tecido considerações absurdas sobre homossexualidade e até insultou o último governador republicano do estado, George Pataki, uma das figuras mais respeitadas do GOP a nível nacional. Numa eleição em que apenas precisava de manter a mensagem conservadora do momento (economia, economia, economia), Paladino transformou-se num palhaço eleitoral. Obviamente vai ser massacrado nas urnas.


23
Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:41link do post | comentar | ver comentários (7)

Este é um ano estranho. O resultado final das eleições para o Senado ameaçam tornar-se completamente impresíveis. Depois de tantas surpresas nas eleições primárias, de tantos estados em jogo que ainda há um ano eram impensáveis, Nova Iorque parece juntar-se à lista. Hoje foram publicadas duas sondagens que colocam a "hottest senator" Kirsten Gillibrand em risco. A SurveyUSA dá-lhe apenas um ponto de vantagem, enquanto a Quinnipiac aumenta para seis pontos. O candidato republicano, Joseph DioGuardi é amplamente desconhecido do eleitorado do estado, tendo sido congressista na longínqua década de 90. Esta aproximação entre os candidatos indica que tudo está em aberto, indo depender muito da forma como decorrer a campanha. Eu não arrisco um prognóstico, apesar de considerar que Gillibrand ainda mantém o estatuto de favorita.


14
Abr 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:08link do post | comentar | ver comentários (3)

Os anúncios que George Pataki e Tommy Thompson não vão concorrer ao Senado por Nova Iorque e Wisconsin são excelentes notícias para o Partido Democrata. Outrora considerados lugares seguros, nos últimos meses surgiram notícias que se esses dois republicanos se candidatassem tinham francas possibilidades de ganhar.

 

George Pataki, antigo governador de Nova Iorque, ao recusar avançar quase que oferece este lugar aos democratas, pois o outro nova-iorquino com possibilidades, Rudy Guiliani, há muito tinha deixado claro que não iria concorrer. Especula-se que Pataki poderá se candidatar à nomeação republicana de 2012, e talvez por isso, recuse neste momento tentar roubar o lugar a Kirsten Gillibrand. A confirmar-se esta notícia, não deverá haver surpresas nesta eleição.

 

Tommy Thompson, antigo governador do Wisconsin, está neste momento no sector privado e por lá deverá continuar. O senador Russ Feingold tem a vida mais facilitada, mas como já aqui defendi, o seu lugar pode continuar em perigo. O Wisconsin não é um Blue State como Nova Iorque, e o tempo que ainda falta até Novembro poderá ser aproveitado pelo candidato republicano. Mas sem dúvida que tudo seria mais complicado para os democratas com Thompson na corrida.


Depois de várias semanas a receber más notícias, o Partido Democrata pode finalmente respirar um pouco. E ontem ganharam a eleição especial para o Congresso na Florida, um resultado sem surpresas.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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