20
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 00:34link do post | comentar

Amanhã realizam-se importantes eleições: na Carolina do Sul no Partido Republicano e no Nevada no Partido Democrata. Não são decisivas, mas podem ditar o afastamento da corrida de alguns candidatos no lado do Partido Republicano, e contribuir para que Bernie Sanders possa afirmar-se como sério candidato à nomeação. 

 

Primárias da Carolina do Sul - 50 delegados no Partido Republicano (urnas encerram às 01h00 Domingo) 

Os vencedores dos sete distritos ficam com três delegados em cada e 29 serão atribuídos ao vencedor do estado. Na prática, se um candidato vencer nos sete distritos fica com os 50 delegados. É esperada nova vitória de Donald Trump, pois lidera as últimas dez sondagens no Estado, mas nos últimos dias os seus números têm descido. Ontem foi publicada uma que colocava Ted Cruz a apenas cinco pontos e hoje outra que colocava Marco Rubio apenas a três pontos. Mas a maioria coloca Trump acima dos 30%, com Rubio e Cruz a disputarem o segundo lugar. Jeb Bush e John Kasich disputam o quarto lugar e Ben Carson aparece em todas em último lugar. As indicações que têm surgido nos últimos dias apontam para uma desistência de Jeb Bush, caso fique atrás de Rubio e Ben Carson poderá não continuar se o seu resultado ficar abaixo dos 5%. Kasich parece determinado continuar até às primárias do Midwest, que acontecerão lá para o inicio da Primavera. Se Trump tiver mais uma vitória confortável, ficará em excelente posição para vencer no Nevada no dia 23 deste mês e com caminho aberto para a Super Terça-feira. Depois do péssimo quinto lugar no New Hampshire, Marco Rubio parece ter recuperado na Carolina do Sul e com os importantes apoios da popular Governadora Nikki Haley e o Senador Tim Scott tem subido nas sondagens. A sua campanha está em crescendo, mas precisa de ter excelente resultado aqui, e desta vez, um terceiro lugar poderá não ser suficiente. Continua a ter hipóteses de ganhar a nomeação mas precisa urgentemente que Kasich e Bush se retirem para ficar como o candidato único do establishment. Ted Cruz espera repetir a surpresa do Iowa, e caso não o consiga, precisa de ficar em segundo. Um terceiro lugar atrás de Rubio coloca-o em maus lençóis.

 

Caucus do Nevada - 43 delegados no Partido Democrata (começam às 18h00 de Lisboa) 

Os delegados são atribuídos proporcionalmente aos resultados. As sondagens no Nevada não são muito fiáveis e há a longa tradição de falharem. Por exemplo, em 2008 Mitt Romney tinha uma vantagem de 5 pontos sobre John McCain e acabou por vencer por 30 pontos. Talvez por isso não há muitas sondagens no Nevada, mas as três que foram conhecidas depois das primárias do New Hampshire colocam Hillary Clinton e Bernie Sanders num empate técnico, com ligeira vantagem para a antiga Secretária de Estado. Isto é particularmente relevante pois em Dezembro, Hillary tinha uma vantagem que oscilava entre os 20 e os 30 pontos. Esta eleição é importante para Bernie, pois tem suscitado um enorme entusiasmo entre os mais jovens, mas não demonstrou ainda que consegue conquistar importantes grupos demográficos nas primárias democráticas: os negros e os hispânicos. Ora, é expectável que cerca de 30% dos eleitores sejam hispânicos e negros, o que pode ajudar Bernie a mostrar que também pode vencer entre as minorias. Até ao momento, Hillary Clinton acredita que tem a eleição controlada na Carolina do Sul (que se realiza na próxima terça-feira), pois o enorme apoio que têm entre os negros não dá mostras de quebrar aí. Olhando para os números conhecidos, creio que mesmo que Hillary Clinton perca no Nevada, vencerá facilmente na Carolina do Sul, onde a percentagem de negros ultrapassa os 50%. Além disso, esta semana saiu uma sondagem da PPP nos estados da Super Terça-feira, que colocava Hillary a vencer em 10 dos 12 estados. Se isso se mantiver assim, pode arrumar com a questão nesse dia. Mas tudo está em aberto e se Bernie vencer no Nevada e ficar próximo na Carolina do Sul, o resultado é imprevisível. Diria que Clinton continua a ser muito favorita, mas as coisas podem mudar um pouco depois dos resultados de amanhã.

 


04
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:56link do post | comentar | ver comentários (8)

Cinco eleições e três vitórias. Um segundo lugar que valeu por uma vitória e uma derrota estrondosa. Este é o saldo até ao momento de Mitt Romney. Se não conhecesse o sistema eleitoral americano, diria que ainda faltam 45 estados votarem nestas primárias. Mas a realidade é bem diferente. Com a vitória de hoje no Nevada (só mais tarde haverá resultados finais), Romney fortalece o seu favoritismo para ser nomeado em Tampa no próximo Verão. Se as restantes eleições durante o mês de Fevereiro tiverem todas o mesmo desfecho - e esse é o cenário mais previsível - Romney poderá fechar a questão na super terça-feira em Março. Apesar das juras de Santorum e especialmente de Gingrich que vão competir até ao final destas primárias, será difícil terem o dinheiro para continuarem na corrida depois de Março. 

 

PS: Entretanto, Newt Gingrich convocou uma conferência de imprensa para esta noite. Correm rumores que poderá anunciar o abandono da corrida. Se tal se confirmar (o que me parece improvável nesta fase), Rick Santorum será o grande beneficiado. 


02
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:47link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Ontem ao final da noite surgiram os rumores: Donald Trump iria fazer um "major annoucement" hoje ao meio-dia. Imediatamente começou a especulação sobre o que iria dizer o milionário nova-iorquino que por um breve periodo liderou as sondagens nacionais do GOP e recentemente anunciara que se poderia candidatar como independente. Passado algumas horas parecia desfeita a dúvida: iria declarar o seu endorsement a Newt Gingrich. Mas como (quase) sempre sucede com Trump, ainda havia espaço para mais uma surpresa. E depois de vários artigos (NY Times, AP, Politico, NBC a darem como certo esse apoio e o que poderia significar para Gingrich, eis que Matt Drudge, sempre muito bem informado, "choca" o mundo: Donald Trump vai apoiar um candidato... mas este pode chamar-se Mitt Romney. Confusos? Também a generalidade da imprensa americana. Daqui a pouco veremos.

 

Adenda: Matt Drudge voltou a levar a melhor sobre os meios de comunicação social tradicionais. Donald Trump vai mesmo declarar o apoio a Mitt Romney.


01
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:35link do post | comentar

Depois da vitória na Florida, Mitt Romney é o grande favorito para os caucuses do Nevada, que se realizam já este Sábado. Com uma grande comunidade mórmon e vizinho do Utah, o Nevada apresenta-se como terreno fértil para Romney. Em 2008 venceu aqui. A seguir com atenção também a votação de Ron Paul no Nevada, que desde o New Hampshire que tem concentrada a sua atenção nos estados que vão realizar caucuses. Com uma afluência muito menor, este tipo de eleições favorece quem tem equipas no terreno mais organizadas e seguidores mais apaixonados. O Nevada atribui 28 delegados para a Convenção Nacional. 

 

O programa eleitoral para este mês:

Nevada caucuses - February 4

Maine caucuses - February 4-11

Minnesota caucuses - February 7

Missouri primary - February 7

Colorado caucuses - February 7

Arizona primary - February 28

Michigan primary - February 29


27
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 21:32link do post | comentar | ver comentários (2)

Mitt Romney tem-se mostrado bastante vulnerável nestas primárias. Numa era dominada pelo soundbites estridentes e pelo conservadorismo exacerbado da base republicana, Romney ainda não arrancou para uma liderança incontestável nas sondagens. Mesmo tendo sido sempre, de longe, o melhor candidato em todos os debates já realizados. Olhando para as fraquezas de todos os candidatos, e Romney também apresenta bastantes, nomeadamente as mudanças de posição em relação a temas chave no Partido Republicano, como aborto e reforma da saúde, acredito que será, quase inevitavelmente, o adversário de Obama. Jon Huntsman, o mais moderado, não consegue descolar, e por isso, é difícil encará-lo como credível para vencer a nomeação. Bachmann e Santorum são simplesmente inelegíveis. Newt Gingrich, apesar das inegáveis qualidades intelectuais que possui, é considerado como uma figura do passado e encarado com desprezo pelo eleitorado independente e moderado. Herman Cain, apesar de liderar neste momento algumas sondagens nacionais, tem apresentado debilidades inacreditáveis e evidenciado confusões no seu pensamento político, que aliados à total ausência de experiência política, o desqualificam como candidato ao cargo mais importante dos Estados Unidos. Por fim, Ron Paul, está muito desfasado do pensamento mainstream do Partido Republicano para poder ser o nomeado. Resta Rick Perry, que com o currículo de governador do Texas ao longo dos últimos 11 anos, poderia ser considerado uma boa alternativa. Mas estes primeiros dois meses de campanha destruíram, talvez definitivamente, a sua credibilidade nacional. Com prestações risíveis nos debates, declarações bombásticas e até patéticas - recentemente afirmou que tinha abordado o assunto da certidão de nascimento de Obama porque... era divertido gozar com o Presidente - Perry afundou-se nas sondagens e dificilmente conseguirá recuperar. Neste leque de candidatos, resta Mitt Romney, que apesar de não encantar nem galvanizar a base conservadora, tem mantido números interessantes nas sondagens e poderá ser um adversário temível para Obama nas eleições gerais. Com um candidato a VP que entusiasme a base, e isso não será difícil de conseguir (Rubio? Christie? Ryan?), Romney terá o caminho livre para conquistar o eleitorado independente e moderado. 

 

Apesar das sondagens nacionais terem muito destaque nos media, a história ensina-nos que o mais importante é estar atento ao que vai acontecendo no Iowa (IA), New Hampshire (NH), Carolina do Sul (SC), Florida (FL) e Nevada (NV), os primeiros estados a votarem. Basta recordar 2008. Hillary Clinton teve sempre grandes vantagens nas sondagens nacionais sobre Barack Obama, mas tudo mudou depois de ser derrotada por Obama no Iowa. Ao mesmo tempo, Rudy Guiliani teve sempre boas sondagens nacionais, mas depois de ter maus resultados no Iowa e New Hampshire, a sua campanha desabou. Ontem a Time publicou sondagens dos quatro primeiros estados a irem a votos (Iowa, NH, SC e FL), onde Romney aparecia à frente em todas. Se a dinâmica da corrida não se alterar muito, acredito que depois destas cinco eleições, Romney estará bem posicionado para obter a nomeação. A minha previsão é que fique perto da vitória no Iowa, muito próximo do opositor mais conservador. Neste momento Cain ocupa o lugar mas Rick Perry ainda pode regressar ao topo. E curiosamente, se nenhum destes se destacar, ainda poderemos ver Gingrich a brilhar. Depois deverá ter uma vitória confortável no New Hampshire, e terá um bom resultado na Carolina do Sul, onde poderá disputar a vitória. Finalmente, deverá vencer na Florida e no Nevada. Com estes resultados, a nomeação dificilmente escapará a Romney. Neste momento, diria que Romney tem mais de 75% de possibilidades de ser o opositor de Barack Obama nas eleições gerais. 


14
Set 11
publicado por Nuno Gouveia, às 12:15link do post | comentar | ver comentários (1)

Ontem o distrito 9 de Nova Iorque foi a votos para escolher o sucessor do congressista Anthony Weiner. Desde 1923 que este lugar não era ocupado por um republicano, mas ontem foi um que venceu a eleição, roubando o lugar aos democratas. Num distrito onde a popularidade de Obama é de 31 por cento, Bob Turner, o novo congressista, conseguiu transformar esta eleição num referendo às políticas da Administração. As posições de Obama em relação a Israel também foram um foco desta campanha. Com uma comunidade judia bastante numerosa, a questão de Israel foi bastante explorada pelos republicanos, e vários judeus proeminentes de Nova Iorque envolveram-se ao lado do republicano. O antigo Mayor de Nova Iorque, o democrata Ed Koch, foi um dos apoios mais estridentes a pedir uma severa derrota para Obama. Estas eleições lançam dois avisos: o voto da comunidade judia americana, que desde sempre tem sido maioritariamente democrata, está mesmo em perigo em 2012; Obama poderá mesmo ter de preocupar-se com distritos e estados tradicionalmente democratas. Conforme já li algures, esta vitória republicana faz lembrar algumas vitórias democratas em distritos conservador na última fase da Administração Bush. Muito más notícias para o Presidente. 

 

No Nevada, também decorreu uma eleição especial para substituir o agora senador republicano Dean Heller. Sem surpresa, o nomeado republicano venceu com mais de vinte pontos o adversário democrata. No entanto, este distrito, que é tendencialmente republicano, costuma ter resultados mais renhidos. Uma má noite para os democratas. 

 

Adenda: Deixo aqui, em complemento, este excelente comentário do Alexandre Burmester:

 

Este impressionante resultado no nono distrito eleitoral do Estado de Nova Iorque (é que nem sequer foi renhido: 54%-46%) vem na linha das vitórias de Chris Christie em New Jersey em 2009 e Scott Brown no Massachusetts em 2010 - já para não falar na onda republicana de Novembro passado.

Mesmo tendo em consideração a particular constituição demográfica deste distrito, com um forte bloco judaico (cerca de 25%), agora motivado contra Obama , não deixa de ser um resultado péssimo para os democratas e, em especial para o Presidente Obama . É que este círculo eleitoral é essencialmente um círculo de classe trabalhadora branca, o bastião dos últimos Archie Bunker, como Sean Trende pitorescamente refere num comentário no realclearpolitics.com . E a queda abrupta de apoio entre este sector do eleitorado foi sempre fatal para os democratas (vide George McGovern em 1972 e Michael Dukakis em 1988).

Finalmente, este tipo de eleição (as chamadas "special elections ", destinadas a preencher um lugar vago no Congresso) não pode, apesar de tudo, ser lido como um barómetro eleitoral presidencial; apenas fornece indicações de tendência.



29
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:45link do post | comentar

Provavelmente na próxima terça-feira à noite ficaremos sem saber o resultado final de muitas eleições. Recordo o que aconteceu em 2008 no Minnesota, que foi preciso esperar meses para saber que Al Franken derrotou o incumbente republicano Norm Coleman. Há várias eleições que podem ter o mesmo destino, dada a proximidade existente entre os candidatos. Estas deverão ser aquelas que vamos mesmo de ter de esperar pela contagem, e possivelmente, recontagem dos votos até ao fim.

Alaska – Joe Miller ou Lisa Murkowski? Um deles será o próximo senador do estado, mas com as sondagens a apontar para um empate entre eles, acredito que se irá repetir o que sucedeu nas primárias republicanas deste ano: esperar uns dias para saber quem ganhou. Se fossem eleições normais, apostaria em Murkowski, mas como os eleitores terão que escrever o nome dela no boletim, tudo pode acontecer.

 

Washington – A senadora Pat Murray (D) liderou durante muito tempo as sondagens, mas nas últimas semanas Dino Rossi (R) recuperou terreno e empatou a corrida. Todos os votos vão contar neste estado, mas a minha previsão vai para uma vitória da democrata.

 

Nevada – Aqui a minha aposta vai para a republicana. Sharron Angle tem liderado nas últimas sondagens, embora por curta margem, mas acredito que ambos os candidatos ficarão muito próximos.

 

Illinois – Mark Kirk (R) e Alexis Giannoulias (D) não são candidatos que entusiasmaram o eleitorado. Com um candidato dos Verdes na corrida a poder chegar aos 5 por cento, aposto numa vitória do republicano. Mas a vitória será sempre por alguns milhares de votos.

 

Colorado – Ken Buck, candidato do tea party, chegou a ser o claro favorito. Apesar de continuar a ser essa a minha previsão, os números de ambos vão ser muito próximos. O senador Michael Bennet, muito impopular no estado, beneficiou das gaffes e declarações insólitas do republicano.

 

West Virgínia – Joe Machin (D) fez campanha como um republicano conservador contra o verdadeiro republicano, John Raese. Em condições normais, Manchin, governador do estado e com índices de aprovação superiores a 60 por cento, venceria esta eleição com facilidade, mas o sentimento anti-Obama no estado é muito elevado. Apesar de acreditar numa vitória democrata, esta será sempre muito renhida.



18
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:01link do post | comentar | ver comentários (6)

Tenho escrito bastante sobre este movimento que revolucionou a vida política norte-americana. Uma vezes elogiando o seu papel no renascimento do Partido Republicano, que ainda há dois anos foi dado como morto, outras vezes criticando a sua influência nefasta em várias corridas eleitorais. E se considero que o saldo eleitoral acabará por ser amplamente favorável ao Partido Republicano, também é verdade que algumas das escolhas que foram feitas na época das primárias foram prejudiciais e que agora estão a revelar-se. E nem é vou falar novamente do caso de Christine O'Donnell, um errro crasso que entregou de mão beijada um lugar aos democratas. Mas há mais exemplos onde as coisas podem correr mal.

 

O Nevada é um caso sintomático: Sharron Angle até pode vencer Harry Reid e as sondagens até têm lhe dado uma ligeira vantagem nas últimas semanas. Mas com um outro candidato mais convencional, o destino do líder da maioria democrata já estaria traçado. Ainda na semana passada foi publicada uma sondagem que colocou o nome de Danny Tarkanian no boletim de voto em vez de Angle. O candidato derrotado nas primárias venceria confortavelmente Harry Reid. Angle simplesmente não tem jeito para a política, e algumas das suas intervenções continuam a ser, no mínimo, estranhas. Nunca na vida seria eleita Senadora dos Estados Unidos num ciclo eleitoral normal.

 

O Colorado é um swing state que neste momento tem dois senadores e um governador democrata, e votou em Barack Obama em 2008. Nos últimos anos, fruto da migração da California e dos hispânicos, este estado tem-se aproximado dos democratas. Mas 2010 é um ano diferente, e os republicanos têm/tinham grandes possibilidades de sucesso eleitoral. Para o senado escolheram um desconhecido, Ken Buck, mas apoiado pelo tea party. Uma eleição que deveria estar garantida contra o impopular senador Michael Bennet, neste momento encontra-se praticamente em empate técnico. E não sei se este tipo de declarações sobre a homosexualidade o vai ajudar neste combate.

 

No Alaska a situação também é problemática, apesar de não haver perigo deste lugar cair para os democratas. A senadora Lisa Murkoswki, que se candidatou depois de perder as primárias republicanas, já anunciou que se ganhar irá manter-se no caucus republicano. Joe Miller é um candidato articulado, mas que tem feito uma campanha ortodoxa. Depois de serem conhecidos alguns aproveitamentos pessoais que retirou do estado federal de programas que tem manifestado a sua oposição, disse que deixaria de falar com a imprensa sobre o seu passado. E este fim de semana, uns seguranças da sua campanha... prenderam um blogger que o tentava entrevistar durante uma acção de campanha. E a Primeira Emenda? Não é Joe Miller um defensor da Constituição Americana?

 

E porque será que no Kentucky, um estado tradicionalmente republicano, continua a ter sondagens que indicam alguma proximidade num ano como este? Aqui o caso é diferente, pois Rand Paul parece-me um candidato bem preparado e que, depois dos erros iniciais, tem feito uma boa campanha. E tenho poucas dúvidas que será senador a partir de 2011. Mas uma escolha mais convencional teria garantido esta vitória à partida e ninguém falaria desta corrida. E diga-se, o seu apelido Paul não é um grande suporte em certas franjas do eleitorado republicano e independente. Os milhões que estão a ser investidos neste Estado poderiam estar a ser gastos noutras corridas.


09
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:50link do post | comentar

As primárias de ontem ficaram marcadas pela ascensão de Meg Withman e Carly Fiorina como líderes do Partido Republicano na Califórnia. Pelo menos até Novembro. As suas vitórias já eram esperadas, mas a margem que conquistaram elevaram estas duas mulheres a estrelas dos republicanos para o próximo ciclo eleitoral. No estado de Richard Nixon e Ronald Reagan, duas das figuras mais poderosas do GOP no século XX, Withman e Fiorina podem conquistar um importante lugar para o futuro, caso consigam ser eleitas Governadora e Senadora, respectivamente. Isso não será fácil, pois os democratas na corrida – Jerry Brown e Barbara Boxer – tem liderado nas sondagens. Mas o ciclo eleitoral está a mostrar-se sorridente para novatos na vida política, e se Withman e Fiorina chegaram à política recentemente, o mesmo não sucede com os seus adversários. Jerry Brown foi governador da Califórnia na década de 70, e desde então tem estado na vida política do estado. Actualmente é o Procurador-geral. Barbara Boxer está em Washington desde 1993. A seguir atentamente.


Também no Nevada uma mulher venceu as primárias para o Senado: Sharron Angle. Desconhecida até há bem pouco tempo, conseguiu ultrapassar os favoritos republicanos (Sue Lowden e Danny Tarkanian) nas últimas semanas, depois de ter obtido o apoio do Tea Party Express. Harry Reid deve ter sorrido perante este resultado, pois Angle é considerada pelos analistas como a adversária mais acessível. Apesar disso, os índices de popularidade de Reid são muito baixos, o que indica que haverá luta até ao fim. Também houve primárias para o cargo de governador. O hispânico Brian Sandoval derrotou o governador republicano Jim Gibbons, e vai defrontar o filho de Harry Reid, Rory.


Na segunda volta democrata para o Senado no Arkansas, a senadora Blanche Lincoln contrariou as sondagens e conquistou o direito de lutar pela reeleição em Novembro. Apesar dessa vitória, será muito difícil segurar o lugar em Novembro, pois neste momento está a 20 pontos do adversário republicano, o congressista John Boozman.

 

Outra das eleições que captou mais atenção mediática foi na Carolina do Sul. Nikki Haley venceu as primárias republicanas, mas irá disputar uma segunda volta ainda este mês. Se vencer, será a mais que provável governadora do estado. Podem consultar todos os resultados de ontem nesta página do Politico.


06
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:17link do post | comentar | ver comentários (3)

Na próxima terça-feira realizam-se primárias em vários estados para os partidos escolherem os seus candidatos aos diversos cargos estaduais e federais deste ciclo eleitoral. Destaque para as eleições na Califórnia, Nevada e Arkansas.

 

A Califórnia, o maior estado da união vai a votos para escolher os candidatos ao senado e ao governo estadual. E se no campo democrata, Jerry Brown (antigo governador na década de 70) e Barbara Boxer (actual senadora) deverão ser confirmados como os candidatos, no Partido Republicano ainda existem algumas dúvidas, apesar de Meg Withman e Carly Fiorina serem apontadas como as prováveis vencedoras. Na luta pela nomeação ao governo estadual, Meg Withman deverá vencer a luta contra o empresário Steve Poizner. Carly Fiorina, deverá ser a nomeada para concorrer ao senado contra Barbara Boxer, pois tem neste momento uma vantagem considerável contra Tom Campbell e o candidato apoiado pelo Tea Party, Chuck DeVore. Caso não haja surpresas, confirma-se a ascensão no Partido Republicano destas duas antigas CEOs (da eBay e HP), que surgiram na vida política como conselheiras económicas da campanha presidencial de John McCain em 2008.

 

No Nevada o Partido Republicano nomeará o adversário de Harry Reid em Novembro. Depois de meses a liderar as sondagens, Sue Lowden foi recentemente ultrapassada por Sharron Angle, a candidata apoiada pelo Tea Party. O outro actor principal desta eleição é Danny Tarkanian. A confirmar-se a nomeação de Angle, acredito que Harry Reid tenha a vida mais facilitada nesta eleição.

 

Por fim, no Arkansas haverá a segunda volta da nomeação democrata para o Senado, onde a incumbente Blanche Lincoln medirá forças com Bill Halter. Este último, candidato da ala esquerda do Partido Democrata, tem liderado por curta margem nas sondagens, mas tudo está ainda em aberto. Uma derrota de Lincoln constituirá o segundo fracasso para um incumbente do Partido Democrata, depois de Arlen Spector.


14
Fev 10
publicado por Nuno Gouveia, às 22:49link do post | comentar | ver comentários (2)

Hoje surgiram notícias que terá sido constituído no Nevada o Tea Party, possibilitando uma corrida ao Senado contra Harry Reid. Este é um dos lugares mais ambicionados pelos republicanos nas Intercalares de Novembro. Os pretendentes à nomeação republicana, Sue Lowden e Danny Tarkanian, lideram com uma vantagem confortável Harry Reid em todas as sondagens. Se for verdade que o Tea Party avança no Nevada, a situação poderá ficar mais fácil para Reid. Mas, e como afirmei aqui, duvido que esta hipotética candidatura possa ter apoios de figuras nacionais do movimento conservador. Isso significaria a provável reeleição do Líder da Maioria Democrata no Senado, um dos ódios de estimação dos conservadores americanos. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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