03
Mar 16
publicado por Nuno Gouveia, às 22:37link do post | comentar | ver comentários (7)

 

A nomeação de Donald Trump ainda não é uma realidade, mas depois dos resultados que já obteve e das sondagens conhecidas, é difícil encontrar um cenário em que não seja ele a acumular mais delegados até Junho. Aliás, o cenário de outro candidato atingir os delegados necessários para obter a nomeação antes da convenção é quase impossível. A única forma de impedir Trump de ser o nomeado republicano na Convenção de Cleveland será impedir que ele atinja os 1237 delegados e partir para uma "Brokered Convention". Neste cenário, caso nenhum dos candidatos atinja esses votos na primeira votação, voltaria a repetir-se a votação, mas já sem a obrigação das delegações votarem conforme os resultados eleitorais das primárias. Esse é o cenário mais plausível (e mesmo assim, pouco provável) de derrotar Trump.

 

É com este cenário que começa-se a formar-se um bloco conservador anti-Trump, apelando ao voto nos restantes três candidatos - Marco Rubio, John Kasich e Ted Cruz. Hoje Mitt Romney, anterior nomeado republicano, discursou perante o povo americano (os canais noticiosos cobriram em direto a sua intervenção), fazendo um apelo ao voto nos três candidatos, mediante o estado em disputa. Num emotivo e duro discurso, Romney repetiu alguns argumentos populares na direita americana contra Trump, alertando para os riscos que o movimento conservador americano incorrerá caso Trump seja o nomeado. Romney afirmou que Trump é uma "fraude" que tenta fazer dos americanos parvos e que uma vitória sua colocaria os Estados Unidos em risco, criando uma guerra comercial e fazendo entrar o país em recessão. Não deixou de atacar também o carácter xenófobo e misógino de Trump, dando os exemplos dos ataques aos mexicanos, aos muçulmanos e às mulheres. Romney afirmou mesmo que a integridade e a decência da democracia americana está em causa nestas eleições. Minutos depois, John McCain, nomeado republicano em 2008, disse que concordava com Romney e apelou à derrota de Trump.

 

Vários republicanos já afirmaram em público que nunca irão votar em Trump nas eleições gerais. Alguns eleitos, como o Governador do Massachusetts, Charlie Baker e o Senador do Nebraska, Ben Sasse, diversos congressistas e antigos governadores, como Tom Ridge da Pensilvânia e Christine Todd do New Jersey e algumas personalidades dos media, como Glenn Beck, Bill Kristol, Erick Erickson ou Peter Wehner. E depois da intervenção de Romney, será virtualmente impossível que ele não se junte ao movimento criado nas redes sociais #NeverTrump. Parece-me que esta revolta que temos assistido nas últimas semanas tem tido o efeito de suster o crescimento de Trump. Apesar de tudo, tem tido melhores sondagens do que resultados e na Super Terça-Feira apenas teve 35% dos votos, enquanto as sondagens apontavam para resultados bem melhores. Mas a falta da união na frente anti-Trump tem-lhe permitido ganhar e provavelmente irá continuar a ganhar. Diria que esta revolta devia ter aparecido antes das eleições começarem, pois parece-me que agora é tarde para parar Trump. 

 

O que isto significa para o Partido Republicano? O cenário mais provável neste momento é uma nomeação de Trump, com um clima de guerra civil dentro do partido. Mesmo que muitos dos que se têm oposto publicamente (ou nos bastidores, como o Speaker Paul Ryan e o Líder da Maioria no Senado, Mitch McConnell) acabem por declarar o seu apoio a Trump mais lá para frente, será um partido profundamente dividido que enfrentará Hillary Clinton. Caso venhamos a enfrentar uma "Brokered Convention", os apoiantes de Trump irão criar um clima de guerrilha nas ruas de Cleveland, que já há muitos a recordar os tumultos de 1968 na Convenção Democrata de Detroit. Hillary Clinton tem bons motivos para sorrir perante este caos no Partido Republicano.


29
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:54link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Nos Estados Unidos há tradições que são para cumprir. Não há inimigos figadais, apenas adversários políticos. Pouco mais de um mês de Barack Obama derrotar Mitt Romney, um encontro na Casa Branca entre os dois, a convite do primeiro. Após a mítica campanha de 1960, John Kennedy convidou Richard Nixon para um encontro, tendo iniciado esta tradição do vencedor receber o vencido na Casa Branca. Hoje Obama e Romney deram seguimento a esse costume de Washington, reconfirmando a vitalidade da democracia americana. 


06
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 08:45link do post | comentar | ver comentários (9)

 

O futuro político destes dois homens decide-se esta terça-feira. Ambos já fazem parte da história americana. Barack Obama, que teve uma das mais meteóricas ascensões na política americana, depois de ter passado apenas sete anos no senado estadual do Illinois e quatro anos no Senado em Washington, foi eleito o primeiro negro Presidente dos Estados Unidos. Só isso já lhe assegurou um lugar na história. Mas o seu legado como Presidente irá ser necessariamente marcado pelo resultado que tiver nestas eleições. Se perder, será um novo Jimmy Carter, um Presidente que não conseguiu ser reeleito e recordado como um fracasso. Se vencer, terá tempo para cumprir algumas das promessas e deixar uma imagem positiva da sua governação. Muito do que se disser do seu legado será ditado pela reeleição ou não. Fez uma campanha eficaz, apostou em motivar a sua base eleitoral e, ao mesmo tempo, tentou desqualificar Mitt Romney. Se na primeira parte parece ter sido relativamente bem sucedido, na segunda, teve menos sucesso. Logo veremos se a afluência às urnas dos eleitores democratas será suficiente para estancar a previsível subida entre o eleitorado republicanos e os ganhos de Romney entre os independentes. Uma coisa é certa: ganhe ou perca, não parou de lutar. 

 

Mitt Romney com um longo percurso empresarial de sucesso, herói dos Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City, governador do Massachusetts e pela segunda vez candidato presidencial, pode estar no último dia da sua carreira política ou a iniciar o último percurso, o mais importante da sua vida. Como quase sempre sucede nos Estados Unidos, os candidatos presidenciais derrotados asseguram um lugar nos livros de história, mas presumo que Romney não fique satisfeito se juntar-se a nomes como John McCain, Bob Dole, Al Gore ou Michael Dukakis, só para recordar os últimos derrotados. Se vencer, poderá colocar em prática a sua experiência para recuperar a economia americana, como tem prometido, e assumir-se como o 45º Presidente, o primeiro mórmon. Mas Romney já conseguiu uma coisa: depois das tímidas imagens deixadas por Jonh Kerry em 2004 e Michael Dukakis em 1988, um político do Massachusetts voltou a realizar uma boa campanha presidencial. Se isso chegará para imitar outro conterrâneo do estado, o 35º Presidente, é algo que saberemos em breve. Esta terça-feira estará em Cleveland no Ohio e em Pittsburgh na Pensilvânia. A imitar Obama em 2008, quando no dia das eleições fez campanha no Indiana. E ganhou lá, constituindo a maior surpresa desse ano. Romney, tal como Obama, também não desistiu de lutar pela vitória.  Penso que ambos fizeram o que tinham que fazer para ganhar. Veremos agora o veredicto do povo americano. Porque só esse conta.


02
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:37link do post | comentar

As sondagens nacionais neste último mês deram ligeira vantagem a Mitt Romney, enquanto Barack Obama liderou as sondagens em alguns dos principais swing-states. Nos últimos dias, talvez à boleia do efeito Sandy, Obama voltou a empatar a corrida nacional. Atente-se à Gallup: nos últimos 15 dias em que publicou a sua tracking poll, Romney esteve sempre com mais de 50 por cento. Nas sondagens estaduais da Quinnipiac, e não só, Obama tem quase sempre aparecido com vantagem, principalmente no Ohio, Wisconsin e Iowa, três dos mais importantes estados para esta eleição. 

 

Qual é a principal questão relativa a estas sondagens? Elas podem estar todas correctas, mas a diferença é que tipo de eleitorado estão a prever. A maioria parte das sondagens estaduais prevê uma adesão às urnas de democratas semelhante a 2008, enquanto a Gallup prevê que o número seja mais ou menos idêntico entre democratas e republicanos. Em 2004 a percentagem de democratas que votou foi a mesma do que republicanos. Em 2008, numa eleição atípica, Obama conseguiu levar às urnas mais 8% de democratas em relação aos republicanos. Nas eleições intercalares de 2010, os republicanos ultrapassaram os democratas em termos nacionais.

 

Claro que não tenho certezas nenhumas, mas se considerarmos que a verdade estará no meio entre estas duas previsões, os democratas não terão a vantagem que tiveram em 2008, mas também não será equiparada a 2004, quando os republicanos “empataram” com os democratas. Hoje em dia há menores eleitores registados republicanos do que em 2004. Ou seja, pelos dados que tenho recolhido de diversas análises, o saldo final poderá ficar a meio termo, com ligeira vantagem dos democratas, até pelo facto que a demografia das minorias os favorece. Dado que a maioria dos estudos indica que Mitt Romney recolhe a maioria das preferências do eleitorado independente, que em 2008 deu vantagem a Obama em mais sete pontos, acredito que o desfecho destas eleições vai ser ditado pelo tipo de eleitorado vamos ter. Se os democratas representarem 3 ou mais pontos em relação aos republicanos, é provável que  Obama seja reeleito. Mas se a vantagem democrata for menor, e a superioridade entre os independentes que votar em Mitt Romney for significativa, como a esmagadora maioria dos estudos têm apontado, então acredito que este será eleito. 

 

Expectativas das campanhas:


Em 2008 o eleitorado foi composto por 76% de eleitores brancos, 12% de negros, 8% de hispânicos e de 2% de asiáticos, segundo números da Gallup. A esperança para Obama manter uma representação de eleitores democratas que lhe permita vencer, e que tem sido defendido pelos seus estrategas, é que o voto dos brancos irá baixar um ou dois pontos, com ganhos entre as minorias. Como este tipo de eleitorado tenderá a favorecer Obama, pode fazer a diferença e conter maior entusiasmo entre os republicanos. Por outro lado, esperam manter o nível de entusiasmo elevado entre os jovens e as mulheres, que impeça o natural crescimento dos republicanos. 

 

Os republicanos esperam que o maior entusiasmo que as sondagens têm indicado leve um número recorde dos seus eleitores às urnas, esbatendo a diferença de 2008. Por outro lado, se a vantagem nas preferências dos eleitores independentes for grande, do tipo de 5 ou mais pontos, isso poderá inclinar a corrida decisivamente para eles. Normalmente a maioria do eleitorado independente decide o vencedor. Excepção desde 1976? John Kerry, mas que apenas venceu por 1% neste segmento dos eleitores. 


28
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:56link do post | comentar | ver comentários (3)

Num post anterior comentei aqui que a Europa estaria numa fase de declínio, partindo da sua total ausência no debate de política externa entre Obama e Romney, e por arrasto, nesta campanha presidencial. O Bernardo argumentou que não será bem assim. O meu post era sobre a perda da centralidade da Europa na política externa americana, que vigorou nas últimas décadas e agora parece já não ser assim. Mesmo não sendo especialista nesta matéria, este debate intelectual suscita-me interesse, e apesar de confessar que tenho mais "simpatia" por um dos lados, também digo que tenho mais questões do que certezas.

 

O fim da União Soviética foi um factor preponderante, certo. A emergência de novas potências extra-atlântico também o será. As trocas comerciais entre a Europa e os Estados Unidos estagnaram nos últimos anos e os americanos têm aumentado trocas comerciais com outros mercados, como o México e Canadá, mas também com outras regiões do mundo como a Ásia. Nas instâncias internacionais a tendência é para os europeus perderem poder, enquanto os Estados Unidos vão aguentando a sua preponderância, ainda como potência dominante. O que a Europa representou para os Estados Unidos agora está dividido por outras regiões do globo. Era inevitável esta perda de influência? Talvez sim. Dava jeito à Europa arranjar uma voz que fosse respeitada em Washington, e não um Van Rompuy qualquer? Sem dúvida. David Cameron é considerado um anão político na Casa Branca? Provavelmente o líder britânico mais despeitado nas últimas décadas em Washington. Não temos hoje parcerias do estilo Reagn/Tatcher ou Clinton/Blair ou Bush/Blair? Penso que sim. A verdade é que nenhum líder europeu hoje tem grande influência no que os americanos dizem ou fazem. O inverso, se calhar, também será verdade. Ora, talvez a perda de influência seja de parte a parte. 

 

Outro ponto diferente, e aqui concordo com os argumentos do Bernardo, são as verdadeiras razões para a ausência da Europa na campanha presidencial. As preocupações dos americanos nos swing-states estão bem distantes da Europa. A China, devido ao comércio e crescente influência mundial, o Médio Oriente e o Norte de África, por questões de Segurança Nacional, e Israel, o velho aliado na região e pelo grande apoio que tem entre os americanos, são temas bem mais interessantes para Obama e Romney abordarem. Também concordo que a possibilidade de colapso da zona euro deveria preocupar mais os americanos. Mas a sensibilidade comum nos Estados Unidos é que esse um problema nosso e uma previsível derrocada não os afectará em grande medida. Nada mais errado, é certo, mas as campanhas movem-se pelos preocupações do eleitorado e nem sempre pelas razões correctas. Até penso que em termos puramente eleitorais, Romney teria algo a ganhar com a utilização da Europa como "exemplo a não seguir". Presumo que não o tenha feito muito veemente porque os seus conselheiros lhe disseram: "esqueça a Europa, aqui ninguém quer saber disso". Para o bem ou para o mal, ninguém está interessado em discutir a crise europeia e as suas consequências. Por fim, é lastimável é ir aos sites dos dois candidatos e não encontrar nada sobre a Europa. Romney fala sobre Israel, AF-PAQ, Médio Oriente, África, América Latina, Irão, Rússia e China, mas nada sobre a Europa. Obama é ainda mais vago. Foi assim no passado? Penso que não. 


23
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 09:32link do post | comentar | ver comentários (7)

As sondagens após o debate foram claras: Barack Obama foi considerado pelos eleitores como o vencedor do último debate. Como antecipei aqui, este debate era-lhe favorável pois Mitt Romney, como se viu ao longo da noite, não tem grandes discordâncias do que tem sido feito pela Administração Obama nesta frente, ao contrário na política interna. Por isso se percebeu a estratégia de Romney, que em vez de enfatizar as pequenas diferenças que tem com o Presidente, preferiu apresentar-se como um Comandante em Chefe aceitável perante o povo americano. Já Obama surgiu novamente ao ataque, tentando capitalizar este último confronto para o seu lado. E terá sido essa postura agressiva e de confrontação que lhe terá garantido a vitória. Aliás, se dúvidas houvesse sobre o estado da corrida antes do debate, as duas estratégias foram clarificadoras: Obama jogou ao ataque e Romney jogou para o empate. Há um claro sentimento de perda na equipa de Obama, enquanto os republicanos pensam que estão na frente. Só isso explica as duas estratégias. Se o "momentum" de Romney foi parado ontem à noite? Não sei.

 

Na semana passada, depois do debate e da pequena vitória de Obama, o pensamento convencional apontava para que as sondagens iriam mover-se no seu sentido. Tal não aconteceu. Desta vez será diferente? Olhando para as opiniões carregadas de wishfull thinking (e é o que mais se lê por aí), aconselharia prudência. No estudo conduzido após o fim do debate da CNN, que deu a vitória a Obama por 48-40, cerca de 24% dos inquiridos disseram estavam mais predispostos a votar no Presidente e cerca de 25% em Romney. No estudo da PPP (D) conduzido em sete swing-states, cerca de 53% deu a vitória ao Presidente, contra 42%  Romney. Mas também aponta para que os ganhos de Obama sejam marginais: 37% dizem que estão mais próximos de votar nele contrra 31%, enquanto 38% mais abertos em votar em Romney contra 35%. E entre os eleitores indecisos? 32% por cento está mais inclinado a votar em Obama contra 48%, e 47% mais favorável a votar em Romney e 35% menos.  O que isto quer dizer? Precisamente a tal prudência que refiria. O melhor será esperar até às sondagens do próximo fim de semana para ver quem realmente mais ganhou com este debate. Porque, como já vimos neste ciclo eleitoral, o importante não é ganhar as instant polls conduzidas após os debates, mas sim qual o real efeito no sentimento dos eleitores. E para mim, esse é incerto após a noite de ontem.


22
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:22link do post | comentar

Esta noite Mitt Romney e Barack Obama defrontam-se pela terceira e última vez, naquele que será, independemente do que acontecer a 6 de Novembro, o último debate da carreira política de Obama. Até ao momento Romney é o grande vencedor da época de debates. Depois de ter arrasado no inicio do mês, começou a subir nas sondagens, e hoje até lidera a maior parte das sondagens nacionais. No segundo debate, a crítica foi também unânime em atribuir a vitória a Obama, mas as sondagens desta última semana parecem indicar que houve pouco movimento em favor do Presidente. Aliás, algumas, como uma que foi publicada hoje pela Survey USA, até sugere que foi Romney quem ganhou mais com esse debate. Mas será que Romney parte como favorito esta noite? Muito pelo contrário. 

 

Hoje à noite na Florida o tema principal é a política externa, um campo em que o Presidente Obama tem liderado as preferências dos americanos de forma consistente. No debate da semana passada, foi precisamente nesta área que Obama esteve bastante melhor do que Mitt Romney, ao contrário deste, que pareceu incoerente e nem sempre conseguiu transmitir a sua visão. A sua pior intervenção foi mesmo sobre a Líbia, onde tinha alguma vantagem inicial. E como Mitt Romney, além de retórica, tem muito pouco de diferente para oferecer do que Obama fez neste último mandato (a excepção talvez seja a China), ele sentirá a necessidade de enfatizar demasiado as pequenas diferenças que o separam de Obama. Ora isso não é uma estratégia vencedora para Romney. Mas precisamente porque este debate é sobre um tema que neste momento pouco interessa aos eleitores, Obama não tem muito a ganhar, mesmo que saia vencedor, como é previsível que tal suceda. O melhor cenário para o Presidente? Uma performance desastrada de Romney, e que mostre aos eleitores que não está preparado para assumir o cargo de Comandante em Chefe. 


publicado por Nuno Gouveia, às 20:16link do post | comentar

 

Mitt Romney a fazer vídeos para ajudar candidatos apoiados pelo Tea Party para ganhar eleições? Pois, se alguém dissesse isso ainda há seis meses atrás poucos acreditariam. Mas este anúncio efectuado em nome do candidato ao Senado pelo estado do Indiana, Richard Mourdock, prova que muito mudou desde então. Romney foi a besta negra dos tea partiers durante as primárias, e estes tudo fizeram para que ele não fosse o nomeado. Daí as diversas lideranças nas sondagens (Rick Perry, Rick Santorum, Herman Cain e Newt Gingrich) e as grandes dificuldades que Romney teve de ultrapassar, apesar de ter tido concorrentes muito fracos. Mas Mitt Romney acabou com as dúvidas na base conservadora, arrepiou caminho para o centro e manteve o flanco direito bem protegido até final da campanha. 


19
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:19link do post | comentar

 

Barack Obama e Mitt Romney fizeram ontem uma pausa na campanha agressiva e estiveram juntos no tradicional jantar de Al Smith (primeiro candidato presidencial católico, que perdeu em 1928 contra Herbert Hoover). O resultado foi positivo para ambos, onde tiveram a oportunidade de gozar com o adversário, mas também com eles próprios. 


publicado por Nuno Gouveia, às 00:06link do post | comentar | ver comentários (5)

A Gallup é provavelmente o nome mais credível no mundo das sondagens americanas. Hoje coloca Mitt Romney com uns surpreendentes 52% contra 45% de Obama. Ontem Karl Rove disse que nunca um candidato que teve uma vantagem tão grande na Gallup a meio de Outubro perdeu as eleições. Mas o "problema" com estes números é que as restantes tracking polls dão resultados bem diferentes, com a Rasmussen a dar dois pontos a Romney e a da Investor Bussiness Daily a dar empate. Além disso, nos Swing-states há um relativo equilíbrio, até com alguma vantagem para Obama no Ohio, Iowa, New Hampshire e Wisconsin, os estados que o Presidente parece mais apostar nesta recta final. Se Romney estivesse verdadeiramente sete pontos à frente, os resultados seriam diferentes nos swing-states. O mais certo é que seja um outlier, mas sendo da Gallup fica sempre no ar a dúvida. 

 

Segundo uma sondagem da Pew Research, e a quatro dias do último debate sobre política externa, Mitt Romney recuperou terreno na percepção dos eleitores relativos a esta temática: 47% dos eleitores considera Barack Obama mais capaz de tomar decisões sobre política externa, enquanto 43% dá a Mitt Romney vantagem. Esta é uma grande alteração em relação ao passado recente. No último estudo da Pew, Obama tinha 15 pontos de vantagem sobre Romney. Segundo a Pew, é na China que Romney tem vantagem sobre Obama, o que se percebeu facilmente no último debate. Um aperitivo para o debate de segunda-feira. 

 

A revista Newsweek irá deixar de ser impressa em 2013, ficando apenas com presença no digital. A actual directora, Tina Brown, assumiu no ano passado a liderança da revista com a promessa de a revigorar. Depois de algumas capas bombásticas e uma viragem à esquerda, a revista não resistiu à crise que afecta quase todos os meios impressos. Não deixa de ser um sinal dos tempos, uma das publicações mais antigas dos Estados Unidos morrer desta forma. A partir de agora a Newsweek irá ser o Daily Beast


17
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:24link do post | comentar

 

E se Mitt Romney ganhou o debate da noite de ontem? Bem, mesmo sem ver as sondagens ontem disse no Twitter que Barack Obama teria vencido o debate (a minha opinião), o que foi confirmado depois pelos estudos publicados pelas diversas empresas. Mas depois de ler este post no Buzzfeed, onde é analisada ao pormenor a sondagem da CNN, que deu a Obama a liderança no debate, com 46% contra 39%. É que nos quatro principais assuntos desta campanha - economia, impostos, saúde e défice - foi Romney quem teve melhor avaliação do público. No final da semana teremos mais dados para avaliar isto. Se Obama inverteu o rumo das sondagens, se Romney mantém a tendência. 


publicado por Nuno Gouveia, às 09:59link do post | comentar | ver comentários (13)

No debate de ontem à noite surgiu um Barack Obama revigorado, constantemente ao ataque, tentando apagar a tímida imagem que tinha deixado no primeiro debate. E essa foi a sua grande virtude, pois uma prestação idêntica ter-lhe-ia sido fatal. Mitt Romney não destoou muito em relação ao que tinha feito em Denver, mas a verdade é que é bem diferente debater sozinho do que com um adversário pela frente. Não se pode dizer que foi uma vitória avassaladora do Presidente. O debate de ontem foi típico: as bases ficam contentes com a prestação do seu candidato, com os indecisos a quebrarem para um dos lados. Segundo as sondagens recolhidas logo após o debate, Obama levou a melhor, com 37%-30% na da CBS e 46-39% da CNN, mas bem longe dos números de Romney no primeiro debate (67%-25% na CNN). Diria que esta "curta" vitória de Obama poderá ser importante para reverter o "momentum" de Romney nas sondagens, mas tudo é ainda incerto, pelo que será melhor esperar pelos primeiros números, a serem conhecidos lá para sexta-feira. É inegável que a corrida irá manter-se renhida até ao fim, e todos os esforços serão relevantes. O debate da próxima segunda-feira, sobre política externa, será a última grande oportunidade para um dos candidatos transformarem a corrida em seu favor.


PS: Uma coisa parece certa depois de ontem: Candy Crowley não voltará a moderar um debate presidencial. Num dos piores momentos de Romney no debate, sobre a situação na Líbia (e onde ele teria a obrigação de fazer bem melhor), a jornalista da CNN interveio a corrigir Romney em favor de Obama, mas essa correcção estava ela própria errada. Presumo que nos próximos dias o campo republicano utilize a Líbia novamente para criticar o presidente, mas a verdade é que Romney, e apesar de Crowley, falhou.


14
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:40link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Mitt Romney lidera em quase todas as sondagens nacionais (por curta margem) e nos swing-states as coisas estão muito equilibradas. No entanto, o "momentum" está do lado do candidato republicano, e por isso Barack Obama precisa rapidamente de mudar novamente a narrativa desta campanha. E a melhor oportunidade que terá será no debate desta terça-feira, que será realizado no formato "Town Hall", com os candidatos a responderem directamente a perguntas do público. Como o terceiro debate será sobre política externa, esta é a melhor altura para Obama colocar Mitt Romney à defesa nas áreas mais frágeis. No pré debate de 3 de Outubro, o republicano estava encostado às cordas e a história que a equipa de Obama vinha a contar, sobre um predador milionário que está desligado dos problemas dos americanos estava a ter sucesso. Obama precisa de voltar a colocar esses narrativa na ordem do dia. Romney tentará manter a dinâmica de vitória que alcançou em Denver, demonstrando que a sua performance brilhante não foi um acaso. 

 

Não tenho dúvidas que Obama, depois da "debacle" do primeiro confronto, estará muito melhor. Vamos ver um Presidente ao ataque, a defender melhor o seu trabalho como Presidente e sem aquelas expressões de cansaço ou até irritação por estar a debater com Romney. Além disso, este é um debate com público. E a forma como os candidatos vão interagir com a audiência também será importante. E, neste ponto, penso que Obama leva vantagem. Mas isso pode não chegar, sobretudo se Romney conseguir uma prestação positiva. 


10
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 01:16link do post | comentar | ver comentários (12)

 

Como antecipei ontem, Mitt Romney lidera pela primeira vez desde Outubro de 2011 a média de sondagens do Real Clear Politics. Das quatro sondagens publicadas hoje, o republicano lidera em três e está em empatado na tracking poll da Rasmussen. Ao nível das sondagens estaduais, Romney aparece agora à frente em vários swing-states, e colocou estados como a Pensilvânia e Michigan em jogo. Se as sondagens a nível nacional mantiverem esta tendência, é bem provável que ultrapasse Obama na maioria dos swing-states, como no Ohio, Virgínia ou Florida. Deve a equipa de Obama entrar em pânico, como sugeriu ontem o apoiante do Presidente, Andrew Sullivan? Não me parece. 

 

Barack Obama está em maus lençóis e é provável que o rumo das sondagens continue a favor de Romney nos próximos dias. Mas a menos que aconteça uma grande surpresa, Barack Obama continua a ter um caminho mais acessível para a vitória, e ainda aparece muito competitivo nos swing-states. Os fundamentos da corrida mudaram ligeiramente a favor de Romney, mas apesar do seu "momentum", continua too close to call. Seria um erro estratégico para Obama cometer algum acto desesperado, o que normalmente acontece quando as campanhas entram em pânico. Neste momento deverão tentar inverter a tendência já no debate de quinta-feira entre Joe Biden e Paul Ryan (apesar que este debate nunca contará muito), mas sobretudo na próxima semana em Nova Iorque, quando Obama defrontar Romney pela segunda vez. Esta eleição vai ser disputadíssima, como sempre pensei, e tentar adivinhar um desfecho final continua a ser mais wishful thinking do que outra coisa. 


08
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:15link do post | comentar | ver comentários (3)

Começam a ser conhecidas várias sondagens realizadas após o debate presidencial de quarta-feira, e se não podemos concluir ainda sobre o seu efeito global, uma coisa é verdade: Mitt Romney inverteu o rumo desta campanha, e colocou enorme pressão sobre Barack Obama. Na média do Real Clear Politics Mitt Romney está a apenas 0,5% de Obama, e é bem provável que o republicano assuma a liderança durante o dia de amanhã, pela primeira vez desde Outubro de 2011. E, acrescido do facto que esta média contém duas sondagens da Gallup, uma delas que dá 5 pontos de vantagem a Obama e que inclui ainda três dias de recolha de dados antes do debate. A outra, que foi realizada após o debate, dá um empate a 47%. Nas várias sondagens dos swing-states que têm sido publicadas, Romney viu a sua desvantagem reduzida, e estados que já estavam considerados perdidos, como a Pensilvânia e Michigan, dão apenas uma curta vantagem a Obama. Mais, e não por acaso, hoje Paul Ryan realizou um comício no Michigan, de onde os republicanos tinham retirado no inicio de Setembro. A grande dúvida neste momento é o Ohio, mas amanhã deverão ser publicadas sondagens deste estado fundamental para os republicanos.

 

Estes números significam que Mitt Romney passou a ser o favorito? Não. A matemática nos swing-states continua a ser favorável a Barack Obama e ainda estamos a enfrentar a euforia dos republicanos pelo debate de quarta-feira, aliada a um pessimismo reinante nas hostes do Presidente. Mas ainda haverá mais dois debates, e a acrescer ao debate entre candidatos a vice-presidentes, nesta quinta-feira, que poderão contribuir para baralhar novamente as contas. A vitória de Romney na semana passada foi importante para abanar a corrida e elevar a sua candidatura. Desconfio que até Novembro não voltaremos a ler criticas vindas do campo republicano, agora que está unido em redor do seu candidato. Mas Romney precisa de provar que a sua prestação do debate não foi um caso isolado, e para isso, precisa de voltar a brilhar nos próximos debates. Obama continua com os cofres bem recheados (irá atingir em breve a fantástica soma de mil milhões de dólares) e ainda lidera na maioria dos swing-states. Mas se Romney for eleito Presidente, os livros de história irão todos eles apontar o debate de Denver como a principal momento dessa vitória. 


04
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 04:06link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Vi todos os debates presidenciais desde as eleições de 2000. Não me recordo de assistir a uma vitória tão concludente de um candidato. Contrariamente às minhas previsões de ontem, Mitt Romney venceu claramente o debate desta noite. Se Mitt Romney conseguir superar as melhores prestações que já lhe tinha visto durante as primárias, a principal surpresa para mim foi Barack Obama, que apareceu completamente transformado. Com um ar consternado, sempre na defensiva e demonstrando até alguma irritação por estar ali, o Presidente ontem perdeu a aura de invencibilidade. Ao contrário do que é normal, os próprios apoiantes de Obama nem sequer tentaram disfarçar a derrota. Por todo o lado, desde activistas e analistas no Twitter, nos blogues ou nos canais de TV (a MSNBC parecia um funeral e a Fox News um casamento), todos declararam a vitória a Mitt Romney. As sondagens iniciais também (a da CNN dá 65% a Romney e 22% a Obama), e não há dúvidas que o candidato republicano teve ontem uma grande noite. 

 

Conclusões deste debate para a corrida? Não sei se será um game changer nesta eleição, mas parece-me que Mitt Romney irá recuperar alguns pontos nas sondagens até ao próximo debate, no dia 16 de Outubro. E, entretanto, a imagem de Obama sai chamuscada desta noite. Mitt Romney foi verdadeiramente assertivo na sua prestação, e ultrapassou as melhores expectativas que algum seu assessor poderia ter. Se ele conseguir arrancar mais duas noites destas, a Casa Branca poderá estar a seus pés. Mas também é verdade que os debates raramente definiram eleições presidenciais, e por isso, é preciso estar atento a outros fenómenos desta campanha. Para a semana debatem Joe Biden e Paul Ryan. Ao contrário do debate desta semana, o jogo das expectativas estará contra os republicanos, mas é difícil prever outro resultado que não a vitória de Ryan.

 

 


03
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:41link do post | comentar | ver comentários (1)

O debate desta noite surge numa altura em que as sondagens indicam uma ligeira aproximação de Mitt Romney a Barack Obama. Hoje uma sondagem do National Journal coloca-os empatados a 47% e os recentes estudos de opinião, com a notável excepção da Gallup, parecem indicar que a corrida está mais próxima. No entanto, este aparente movimento nas sondagens em favor de Romney não lhe retira pressão, pois esta é considerada uma oportunidade para recuperar algum terreno. Todos os debates são importantes, mas o primeiro, onde se irá discutir sobretudo economia, temas sociais e saúde, poderá marcar o tom do mês de Outubro. Mas não tenhamos ilusões, nos próximos dois debates voltará a dizer-se o mesmo: "esta é a grande oportunidade para..."

 

Obama parte em clara vantagem: nas sondagens, no apoio dos media e sobretudo pelo seu estatuto de Presidente. Além do mais, a narrativa desta campanha presidencial tem-lhe sido amplamente favorável. Em vez de se discutir os resultados do seu mandato, os assuntos mais prementes têm incidido sobretudo em Romney: as suas declarações sobre os 47%, os seus impostos e riqueza, os seus planos económicos e sociais, e até a sua capacidade de liderança. Pelo contrário, lemos os jornais americanos e não se discute muito a situação do desemprego, o frágil crescimento económico, o impopular plano de saúde ou a recente situação na Líbia. Isto para não falar das próprias propostas de Obama para o próximo mandato, que têm estado arredadas da campanha. E reside aqui, talvez, a melhor oportunidade para Romney: terá de conseguir dar a volta à narrativa nestes debates, colocando o mandato de Obama no primeiro plano de discussão. Sem conseguir isso, provavelmente será derrotado.

 

O candidato republicano não é carismático, não é “agradável” aos olhos dos americanos e nem sequer é muito querido na base conservadora. Ora, os Estados Unidos já elegeram Presidentes de quem não gostavam propriamente, um deles duas vezes: Richard Nixon. Mas para o fazerem novamente, têm de estar convencidos de dois aspectos: que o incumbente fez um mau trabalho e que o challenger irá fazer melhor. Se a primeira parte parece relativamente conseguida, a segunda está ainda longe do alcance de Romney.

 

Já de Obama não se espera grandes alterações do que temos visto até aqui. Irá fazer uma defesa realista do seu mandato, tentará culpabilizar os republicanos por alguns dos seus falhanços e recordar alguns dos sucessos. Por outro modo, e sem parecer arrogante, irá reforçar a mensagem que Romney é inelegível para o cargo, explorando alguns pontos que temos visto.

 

No jogo das expectativas Barack Obama surge com vantagem. Com excepção dos apoiantes de Mitt Romney, todos na imprensa acreditam que o Presidente irá sair por cima do debate. O que por vezes prejudica o favorito. Mas a minha aposta também é essa. Mais logo saberemos quem “venceu”, sabendo que à partida, nem sempre isso é claro, mesmo depois das primeiras sondagens conhecidas. Por outro lado, vencer nos debates não é significado ganhar eleições. Perguntem ao presidente John Kerry o que ele pensa sobre isso. 


01
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:40link do post | comentar | ver comentários (7)

A dinâmica da corrida encontra-se claramente a favor de Obama. Na verdade, com mais ou menos distorções nas sondagens, o Presidente tem liderado a "corrida" desde há muito tempo. Apesar de ser uma vantagem quase sempre dentro da margem de erro das sondagens, Romney nunca nestes últimos meses conseguiu apresentar-se na frente. E isso não pode ser descurado numa análise realista a esta campanha. Mais, neste último mês, Obama parece ter "fugido" de Romney, com constantes sondagens a indicar-lhe uma vantagem mais confortável, principalmente em alguns swing-states. Se as eleições fossem hoje, provavelmente Mitt Romney venceria todos os estados de John McCain mais o Indiana e a Carolina do Norte, o que significaria uma vitória confortável de Obama. Isso coloca enorme pressão na sua prestação de quarta-feira, pois os media têm apresentado esta oportunidade como uma real possibilidade de reviravolta nesta corrida. Honestamente não espero que tal suceda. Com a excepção remota de um desastre de Obama no debate, o mais provável é que pouco ou nada mude após esta quarta-feira. O que pode contribuir para ajudar Romney? Três prestações aceitáveis nos debates (mostrando que está à altura da presidência), e que os eleitores indecisos e os que declaram que ainda podem mudar de sentido de voto, o escolham. Isso pode acontecer, se os debates lhe correrem relativamente bem, como disse, que Paul Ryan cilindre Joe Biden no seu debate, e que a sua campanha consiga acertar com a mensagem neste último mês, sobretudo focando-se nos problemas económicos do país. Não é uma tarefa impossível nem verdadeiramente herculeana. Mas há um mês a sua situação era mais fácil. 


27
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:03link do post | comentar

O primeiro debate é já a 3 de Outubro (próxima quarta-feira), e ambas as campanhas já preparam caminho. E como sempre, as expectativas por vezes são muito relevantes para no final dos debates se "declarar" o vencedor. Claro que isso será sempre subjectivo, e em última análise, o facto mais relevante será a reacção dos eleitores, independentemente do que os comentadores digam. George W. Bush em 2000 entrou no debate com perspectivas de ser destroçado por Al Gore. Como acabou por ter uma prestação aceitável, acabou por sair vencedor. Em 2008 esperava-se o pior de Sarah Palin contra Joe Biden. Como tal não sucedeu, a opinião convencional foi que houve um empate entre eles. Este ano Obama parte como favorito, até pelo rumo da campanha. A expectativa mediática é que irá derrotar Romney. Além disso, não está tão pressionado como o seu adversário, e até pode bem dar-se o caso de sair "derrotado" nos debates e acabar por ser reeleito. Em 2004 foi mais ou menos convencional que John Kerry teve melhores prestações do que George W. Bush, mas isso nada lhe valeu. O "cómico" disto tudo: ambas as campanhas, de forma descarada, já andam a "elevar" os dotes de debate dos seus adversários. Hoje Jay Carney disse que "Obama tornou-se o nomeado do Partido Democrata em 2008, apesar da sua prestação nos debates" contra Hillary Clinton. Há uns dias, David Axelrod disse que Romney parte com muita vantagem, até porque já participou em imensos debates neste ciclo eleitoral e teve "excelentes prestações". Rob Portman, que está a fazer de "Obama" nos ensaios com Mitt Romney, elogiou as qualidades de Obama nos debates e disse que este era muito difícil de derrotar. Até 3 de Outubro, os elogios mútuos vão continuar, mas, se a expectativa é que Obama vença (ele que até nem é particularmente bom neste tipo de performances), é Mitt Romney quem tem mais a perder (ou a ganhar). E, diga-se, o primeiro debate deverá ser o mais relevante dos quatro. 


26
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 11:55link do post | comentar | ver comentários (2)

À medida que entramos na fase dos debates, Barack Obama tem vindo a aumentar a vantagem conquistada na sua convenção. Se nas tracking polls a sua superioridade não é muito evidente, nas sondagens dos swing-states, Obama tem-se apresentado quase sempre na liderança, ora com vantagens curtas dentro da margem de erro, mas também, em algumas delas, com mais de 10 pontos. Diria que Romney naqueles estados considerados mais renhidos apenas estará à frente na Carolina do Norte, o que é indicativo das suas dificuldades, quando terá que ganhar pelo menos 6/7 desses estados. O que representam estes novos dados para a corrida? Ainda falta mais de mês, e já tivemos exemplos no passado de candidatos que conseguiram vencer apesar de uma desvantagem grande em Setembro. Mas é evidente que Obama tem conseguido superiorizar-se a Mitt Romney no importante mês de Setembro, altura em que os americanos começam a olhar com mais atenção para a campanha presidencial. Diria que Mitt Romney para vencer estas eleições terá de colocar em marcha a superioridade financeira que conquistou nos meses de Verão. Mas com um mercado televisivo inundado de anúncios de ambos os candidatos, isso não chegará. Sem ter prestações verdadeiramente convincentes nos debates ou algo de extraordinário aconteça até às eleições, Mitt Romney terá muitas dificuldades em vencer. E com uma importante achega: já começaram a votar em alguns estados, e se nesta primeira fase quem vota são essencialmente eleitores das bases partidárias, a partir do inicio de Outubro, começarão a votar outro tipo de eleitores. E quem estiver à frente nessa altura poderá começar já aí a vencer as eleições. Se há uns meses daria 50/50 de hipóteses de vitória para cada candidato, Obama hoje já estará na casa dos 60%. E a subir...


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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