25
Abr 16
publicado por Alexandre Burmester, às 21:45link do post | comentar

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O Senador Ted Cruz e o Governador John Kasich anunciaram no domingo um acordo que tem o óbvio objectivo de impedir Donald Trump de alcançar a maioria dos delegados à convenção republicana: Kasich não fará mais campanha no Indiana (que vota a 3 de Maio) e Cruz retribuirá na mesma moeda no Novo México e no Oregon (17 de Maio e 7 de Junho, respectivamente).

 

Basicamente, a questão é esta: o Indiana atribui os seus delegados (57) ao vencedor a nível do estado e dos seus círculos eleitorais. Uma derrota aí, impossibilitará praticamente Trump de atingir o número mágico. Houve, até agora, poucas sondagens no "Hoosier State", mas a média das que houve dá uma ligeira vantagem a Trump, ultrapassável nem que apenas metade dos que dizem tencionar votar em Kasich vire o seu voto para Cruz.

 

Este acordo Cruz-Kasich não deixa, contudo, de ser ambíguo, pois o Governador do Ohio já declarou contar na mesma com os seus votos no Indiana, apenas suspendendo a sua campanha naquele estado. No Novo México e no Oregon a atribuição de delegados é proporcional, pelo que aí o impacto da "ausência" de um dos dois candidatos será menor.

 

Para alguns, nomeadamente o campo de Trump, trata-se de uma manobra desesperada; para outros, mormente gente chegada ao movimento #NeverTrump, só peca por tardia.


11
Fev 16
publicado por Alexandre Burmester, às 16:33link do post | comentar | ver comentários (2)

John_Kasich_meets_Nixon.png

 

 

"Deixa-me escrever acerca deste homem, antes que ele desapareça de cena", assim iniciou, um dia, o jornalista Murray Kempton - homem provido de um refinadíssimo sentido de humor - um artigo acerca de um candidato que acabara de ganhar surpreendentemente uma eleição primária.

 

Cito isto porque nesta fase da campanha é prematuro dizer-se se John Kasich, segundo na primária republicana de New Hampshire, veio para ficar, ou se brevemente "desaparecerá de cena". Uma coisa é certa: com o resultado obtido, Kasich tornou-se um novo possível foco do "establishment" republicano na sua, cada vez mais difícil, tarefa de apoiar um candidato que possa derrotar não só Donald Trump, mas também Ted Cruz.

 

Debruço-me aqui um pouco, portanto, sobre a carreira de Kasich, a qual contém ingredientes que o tornam um interessante candidato, com experiência executiva e legislativa, e com credibilidade.

 

Já como estudante na Ohio State University, Kasich demonstrava um agudo interesse pela política, e em 1970, com 18 anos,  teve até a ousadia de, através do presidente da universidade, fazer chegar uma carta ao Presidente Nixon, pedindo-lhe para o receber em audiência. Surpreendentemente, o presidente, provavelmente impressionado com a desenvoltura do jovem, acedeu e recebeu-o para uma audiência de vinte minutos (na foto que encima o artigo). 

 

A carreira política de Kasich teve início com a tenra idade de 26 anos quando, em 1978, se candidatou ao Senado do Estado do Ohio, derrotando o senador estadual democrático contra quem se bateu, e tornando-se o mais jovem senador da história desse estado. Em 1982 deu mais um passo em frente, candidatando-se à Câmara dos Representantes e derrotando, de novo, o respectivo membro em funções. Assim teve início uma carreira de dezoito anos na câmara baixa do Congresso, pois Kasich seria reeleito oito vezes (e sempre com votações de, pelo menos, 64%).

 

Na Câmara dos Representantes, Kasich teria um papel proeminente, tendo sido membro, durante os seus dezoito anos no lugar, da Comissão das Forças Armadas, na qual adquiriu uma imagem de falcão, mas também de combatente dos gastos supérfluos nas forças armadas. Nessa capacidade, foi um dos participantes mais activos na lei que reorganizaria o Departamento da Defesa, o Goldwater-Nichols Act de 1986. Em 1993 passou também a ocupar o lugar de representante da minoria na Comissão do Orçamento. Aí, chegou a apresentar um plano de reforma da saúde em oposição ao plano elaborado, e eventualmente frustrado, pela então Primeira Dama, Hillary Clinton. Em 1994, foi um de 42 republicanos que apoiaram uma lei anti-armas da Administração Clinton, o Federal Assault Weapons Ban.

 

Com a conquista das duas câmaras do Congresso pelos republicanos em 1994, Kasich passou a presidente da Comissão do Orçamento, lugar em que atingiu notoriedade nacional, ao tornar-se o principal autor de um acordo com a Administração Clinton, em 1997, que equilibraria o orçamento federal pela primeira vez desde 1969, marco de que Kasich justamente se orgulha, gostando até de dizer que foi "a última pessoa a equilibrar o orçamento".

 

Entre 2001 e 2009, Kasich voltou à vida privada, escreveu livros e desempenhou vários cargos executivos, incluindo sete anos como director no Lehman Brothers, onde permaneceu até à falência daquela instituição bancária. Deste aparente calcanhar de Aquiles, Kasich defendeu-se dizendo que não ocupava um lugar de destaque e que culpá-lo de alguma coisa seria como culpar um distribuidor da General Motors numa terreola qualquer pelo colapso daquele. gigante da indústria automóvel.

 

Em 2010, Kasich regressou à vida política ao concorrer - e ganhar - ao lugar de Governador do Ohio, detido pelo democrata Ted Strickland. Mais uma vez, derrotaria um adversário em funções. Foi reeleito em 2014, com 64% contra 33% do seu rival democrático.

 

Kasich é geralmente considerado um conservador do ponto de vista fiscal e também em questões sociais (tomou várias medidas restritivas do aborto enquanto governador), mas pôs em prática no Ohio medidas que proibem a discriminação com base na orientação sexual. Embora originalmente apoiado pelo Tea Party, a sua implementação de partes do Obamacare criou-lhe adversidades nesse campo. O seu currículo e experiência são talvez os mais completos de todos os candidatos republicanos (ou até, de todos os candidatos, tout court). Mas o seu pragmatismo e os seus instintos independentes criam-lhe barreiras em alguns sectores republicanos. 

 

Perante as dificuldades de Marco Rubio após New Hampshire, a falta de afirmação eleitoral de Jeb Bush, e a desistência de Chris Christie, John Kasich será talvez, neste momento, o candidato que o "establishment" republicano mais se inclinará a apoiar. Mas, para isso, o seu desempenho nas próximas primárias, em terrenos que lhe não são muito propícios, será colocado sob especial escrutínio.

 

 

 


23
Nov 15
publicado por Nuno Gouveia, às 23:07link do post | comentar

O establishment republicano está preocupado com a ascensão de Donald Trump. E tem boas razões para isso. A super PAC de apoio John Kasich anunciou hoje que vai investir 2,5 milhões de dólares a divulgar este anúncio. Mais anúncios de outras candidaturas devem-se seguir a este.  


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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