02
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 10:18link do post | comentar | ver comentários (8)

1 - O Partido Republicano suspirou de alívio ontem depois da derrota de Donald Trump. Apesar do vencedor, Ted Cruz, ser também um político odiado, a derrota de Trump e o forte terceiro lugar de Marco Rubio alivou muita gente. A votação recorde no Iowa demonstrou também que houve uma grande mobilização para derrotar Trump, o que pode ser replicado noutros estados. Essa foi a grande notícia para a máquina republicana. 

 

2- Ted Cruz e Marco Rubio emergiram como grandes vencedores nos caucuses do Iowa. Este estado, que nos dois anteriores ciclos eleitorais deu vitórias a evangélicos, manteve a recente tradição e deu uma vitória inesperada a Cruz. Rubio ao conseguir um terceiro lugar, muito perto de Trump, solidifica a sua posição como candidato do establishment e pode, já na próxima semana, “arrumar” com Jeb Bush, Chris Christie e John Kasich, os adversários neste campo. Se é verdade que desde 1964 os republicanos optam sempre pelo candidato melhor posicionado para as eleições gerais, este ano poderá não ser diferente.

 

3 - Donald Trump afinal é um "perdedor", palavra que ele detesta. Se até há uns meses atrás, a esmagadora maioria dos analistas (e eu também) não acreditava nas suas hipóteses de obter a nomeação, nos últimos tempos essa percepção foi alterada. A sua derrota no Iowa coloca novamente em causa essa possibilidade, e atira uma enorme pressão para cima dele no New Hampshire. À entrada para esta semana, ele liderava confortavelmente as sondagens aí, mas até como vimos no Iowa, elas podem falhar e os movimentos de última hora, podem-lhe retirar a vitória. Se não vencer no New Hampshire, a sua candidatura estará praticamente terminada. 

 

4 - Marco Rubio irá agora competir no New Hampshire, não propriamente para ganhar, mas para eliminar a concorrência próxima. Ficaria surpreendido se a vitória no New Hampshire não fosse discutida entre Rubio e Trump. Ontem foi anunciado que o popular senador negro da Carolina do Sul, Tim Scott, irá declarar-lhe o seu apoio e nos próximos dias devemos ver um movimento de figuras do Partido Republicano a colocarem-se ao seu lado. Depois desta vitória, e acreditando que alguém tão conservador como Ted Cruz dificilmente terá uma hipótese no moderado New Hampshire, este irá deslocar-se rapidamente para a Carolina do Sul. Aí, podemos ter uma luta a três (se Trump vencer no New Hampshire) ou a dois, caso Rubio consiga ganhar. Tudo em aberto, mas para o resultado final, apostava em Marco Rubio para nomeado republicano. 

 

5 - No lado democrata, a confusão está instalada. Hillary Clinton já se declarou vencedora com 49,9% contra os 49,5% de Bernie Sanders, mas este ainda não aceitou a derrota. Uma vitória é uma vitória e Hillary Clinton ter-se-á salvado de nova derrota no Iowa, depois de há quatro anos ter sido esmagada por Barack Obama e John Edwards. Um resultado que não pode deixar descansado o campo de Hillary, pois há um ano tinha uma vantagem de mais de 50% sobre Sanders neste estado.

 

6 - Para a próxima semana, Bernie Sanders poderá obter uma vitória confortável no New Hampshire. Os resultados do Iowa não darão "momentum" a Hillary Clinton. Mas parece-me que Bernie precisava de vencer aqui para transformar-se num candidato nacional, o que não sucedeu. Muita gente a comparar com o que aconteceu com Obama, que quando chegou ao Iowa também estava atrás de Hillary em quase todos os estados e nas sondagens nacionais. Mas foi essa vitória que o fez crescer. Parece-me muito complicado para Sanders replicar. A seguir ao New Hampshire, segue-se a Carolina do Sul, onde Hillary Clinton é super favorita. 

 

7 - Caso não exista nenhum movimento extraordinário pró-Sanders nas sondagens nacionais e noutros estados, Hillary Clinton poderá fechar a nomeação na super terça-feira em Março. Mas entrará relativamente frágil nas eleições gerais. Ontem os jovens votaram de uma forma avassaladora em Sanders, e com os problemas todos que Hillary tem tido, não terá vida fácil em Novembro. A sua campanha tem dado sinais que o candidato que mais a preocupa é Marco Rubio. Precisamente aquele que parece emergir do outro lado. 


01
Fev 16
publicado por Era uma vez na América, às 15:16
Nuno Gouveia às 15:32link do post | comentar

Sem Título.pngOntem escrevi que o movimento nas sondagens em favor de Rubio não indicavam que fosse suficiente para chegar ao segundo lugar. Mas há pouco estive a consultar as sondagens e  verifiquei que houve, de facto, um movimento em prol de Rubio nos últimos dias. Na sondagem da Opinion Savvy, Rubio surge mesmo empatado com Ted Cruz e apenas a um ponto de Donald Trump. E na Emerson, aparece apenas quatro pontos atrás de Cruz e cinco de Trump. Quer isto dizer que pode ganhar? Muito, muito improvável. Mas o segundo lugar já não está assim tão distante. A acompanhar de perto nesta próxima madrugada. 

 

PS: no lado democrata, o ligeiro favoritismo de Hillary Clinton mantém-se. 


31
Jan 16
publicado por Nuno Gouveia, às 12:57link do post | comentar | ver comentários (3)

Depois de meses de campanha, de sondagens e de casos, os americanos começam amanhã a escolher os nomeados dos dois partidos para disputarem a sucessão de Barack Obama. E as coisas não podiam começar de forma mais surpreendente, com Hillary Clinton numa eleição competitiva e Donald Trump a liderar as sondagens republicanas. A verdade é que nem Hillary tem a nomeação garantida e Trump, ao contrário do que muitos vaticinaram (como eu), tem mesmo uma real hipótese de obter a nomeação, isto se não for já o favorito.  A última sondagem publicada no Iowa, do credível Des Moines Register, coloca Hillary três pontos à frente de Bernie Sanders e Trump cinco pontos à frente de Ted Cruz. Mas antes de perspectivar cenários em ambos os partidos, uma nota histórica:

Há quatro anos, a mesma sondagem dois dias antes dava os seguintes resultados: Mitt Romney 24%, Ron Paul 22% e Rick Santorum 15%. O vencedor acabou por ser Rick Santorum, com 25%, que nunca tinha liderado nenhuma sondagem e acabou por fazer uma grande recuperação nos últimos dias da campanha. Em 2008, a última sondagem dava a Barack Obama 32%, a Hillary Clinton 25% e a John Edwards 24%. Aqui a sondagem ficou muito próxima, com Obama a ter 37% e Clinton com 32%. Do lado republicano, a sondagem do DMR colocava Micke Huckabee com 32%, Mitt Romney com 26%, John McCain com 13% e Fred Thompson com 9%. No final, Huckabee venceu com 34%, Romney com 25%, Thompson com 13% e Mccain em 4º com 13%. 

Esta última sondagem, até pela proximidade dos candidatos, deixa ainda espaço para surpresas de última hora, mas a acreditar nestes números, Clinton poderá confirmar o favoritismo que tem tido ao longo desta campanha, e Trump poderá mesmo vencer no Iowa e tornar-se um pesadelo do establishment e das elites do partido. Acredito que se Trump vencer no Iowa e na semana seguinte, no New Hampshire (onde também tem liderado as sondagens), a sua candidatura poderá mesmo tornar-se muito forte de parar. 

Hillary Clinton tem tudo para ganhar, pois apesar do entusiasmo que tem gerado Bernie Sanders, tem no terreno uma máquina muito eficaz e, segundo a sondagem do DMR, os seus apoiantes são os que estão mais motivados a participarem nos caucuses. Como tem sido dito na imprensa americana, no final isto tudo vai ser definido pela afluência, e aí, Clinton poderá ter vantagem. Até porque estão previstas fortes tempestades de neve amanhâ à noite no estado do Iowa, o que poderá fazer com que os eleitores menos comprometidos poderão ficar em casa. 

Essa pode também ser uma ameaça para Donald Trump, que segundo a mesma sondagem, tem os apoiantes menos "comprometidos", apesar da liderança na sondagem, e quer Ted Cruz, quer Marco Rubio têm uma hipótese. Juntando as primeiras e segundas opções, Cruz tem 40% e Rubio 35%, o mesmo valor do que Trump. Nas últimas semanas falou-se muito de um crescimento de Rubio no Iowa, e apesar de na média de sondagens haver uma subida do senador da Florida, parece-me curto para sequer chegar ao segundo lugar.

 

Nota sobre os caucuses:

* É um sistema bastante complexo, que elegerá 50 delegados no Partido Democrata e 30 delegados do lado republicano. As votações começam às 19h00 (2h00 de Lisboa). Os caucuses são reuniões dos comités eleitorais locais dos partidos em que um candidato é escolhido sem uma votação propriamente dita. Neste sistema, os eleitores de cada partido encontram-se em várias reuniões, para debaterem a nomeação dos delegados e escolherem os seus representantes. Estas reuniões ocorrem em igrejas, escolas ou casas particulares. Qualquer pessoa pode participar, desde que esteja inscrito nos cadernos eleitorais como republicano ou democrata, conforme for o caso. Nos Estados Unidos, em alguns estados, o recenseamento eleitoral implica ficar registado como Republicano, Democrata ou Independente. Durante estas reuniões, os participantes debatem política e as suas opções, escolhendo os seus representantes, que depois, a nível distrital irão escolher os delegados para a convenção estadual, que finalmente irão nomear os delegados para a convenção nacional do partido. 


28
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:42link do post | comentar | ver comentários (3)

O Ohio, estado onde tudo se pode decidir, permanece uma grande incógnita. Hoje o Cincinnati Enquirer, um dos maiores jornais do estado, publicou uma sondagem com um empate a 49%.  Quer isto dizer que a corrida está empatada? Penso que Obama continua com vantagem, pois a última vez que foi publicada uma sondagem com Romney à frente foi no dia 12 de Outubro. Segundo o Real Clear Politics, ainda surge com uma média superior de 1,9% e este número tem sido relativamente estável nos últimos dias. O governador republicano do Ohio, John Kasich disse hoje que as sondagens internas têm colocado Romney à frente, mas sabemos que isso pode não ser verdade. Para Romney vencer terá começar a apresentar melhores números. 


Os endorsements dos jornais normalmente têm pouca relevância. Mas há alguns mais importantes do que outros. O Des Moines Register, o maior jornal do Iowa e normalmente conotado com os democratas, declarou hoje o seu endorsement a Mitt Romney, um movimento que terá surpreendido até os próprios republicanos. Desde 1972, quando apoiaram Richard Nixon, que o jornal de Des Moines declarava o apoio a candidatos democratas? Terá grande influência no estado? Duvido, mas numa corrida renhida, mal não fará a Romney. 

 

Barack Obama teve ontem a oportunidade de fazer algo em campanha que o seu adversário não pode: beber uma cerveja com apoiantes. Num bar no New Hampshire, Obama foi desafiado a brincar com apoiantes, algo que não negou. Tentativa de captar o "beer vote", um segmento do eleitorado enorme nos Estados Unidos? 

 


04
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 08:15link do post | comentar | ver comentários (6)

 

1- Mitt Romney (24,6%)

2- Rick Santorum (24,5%)

3- Ron Paul (21,4%)

4- Newt Gingrich (13,3%)

5- Rick Perry (10,3%)

6- Michele Bachmann (5%)

7- Jon Huntsman (1%)

 

Duas notas breves: pela primeira vez desde 1976 um candidato republicano pode vencer os caucuses do Iowa e as primárias do New Hampshire (Romney é o grande favorito). Não sei como Romney pode perder a nomeação. Rick Perry já anunciou que vai para o Texas reflectir. Ou seja, vai desistir. Para mais tarde fica uma análise aos resultados.


publicado por Nuno Gouveia, às 03:08link do post | comentar | ver comentários (1)

 

A noite já vai longa e parece que tão cedo não haverá resultados. No entanto, e pelo que se pode observar pelos números já conhecidos (nesta altura 48% dos votos contados), Mitt Romney, Rick Santorum e Ron Paul - não particularmente por esta ordem - ficarão nas três primeiras posições. Mas mais interessante do que saber a ordem, interessa apontar os derrotados da noite: Michele Bachmann, que irá ficar em último, Rick Perry, em penúltimo e Newt Gingrich em quarto. De qualquer forma, nenhum candidato sairá do Iowa com uma grande vitória (por volta dos 23%/25%). Mas se for Santorum ou Paul, isso irá ajudá-los imenso na angariação de fundos nos próximos dias. Já em relação a Mitt Romney, um resultado que não seja o primeiro não o ajudará muito. Mas tem já na próxima semana as primárias do New Hampshire para recuperar. Durante o dia deixaremos aqui uma análise aos resultados desta noite. 


03
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:00link do post | comentar

Este gráfico do Buzzfeed mostra-nos que nem sempre o dinheiro conta em política. Rick Perry, que gastou 10 vezes mais do que Rick Santorum, está na cauda das sondagens. Mitt Romney, que há quatro anos, investiu 10 milhões de dólares no Iowa, desta vez fica-se por pouco mais de 4 milhões, e ainda assim, contando com o que ao sua Super Pac gastou (quase tudo com o objectivo de destruir Newt Gingrich).


publicado por Nuno Gouveia, às 16:33link do post | comentar

Mitt Romney - Passou grande parte da campanha a ignorar o Iowa. Ao contrário de há quatro anos, Romney não investiu tempo nem recursos no Hawkeye State. Mas neste último mês tudo mudou, e Romney direccionou para as suas atenções para o Iowa. Nesta última semana passou os seus dias no estado e investiu muito dinheiro nas televisões. É muito difícil que Romney saia ferido destes caucuses. Se vencer, a nomeação fica mais próxima. Se ficar em segundo ou num terceiro próximo dos dois primeiros, também partirá para o New Hampshire em boa forma. Especialmente se ficar atrás de Paul e Santorum. Um desastre para Romney seria ficar abaixo do terceiro lugar ou atrás de Gingrich ou Perry, os candidatos que têm mais recursos para fazer a vida negra a Romney. 

 

Ron Paul - Já é um dos vencedores destes caucuses, pois a sua mensagem está a ganhar tracção no eleitorado. Não tendo hipóteses de obter a nomeação, Paul está a criar um património no Partido Republicano que poderá ser aproveitado pelo seu filho Rand já em 2016 ou 2020. O seu mérito foi ter colocado os libertarians mais próximos do mainstream republicano. Uma vitória no Iowa, onde investiu forte, daria ainda mais ânimo aos seus apoiantes para os próximos combates eleitorais. Mas um segundo ou até um terceiro lugar não será mau resultado do congressista do Iowa. Abaixo disso será uma derrota de Ron Paul, que tem a melhor máquina no terreno. 

 

Rick Santorum - Ninguém lhe ligou nada até há uns dias, quando os evangélicos começaram a colocar-se atrás dele. Foi o candidato que mais investiu no Iowa, mais parecendo que se estava a candidatar a governador do Iowa do que a Presidente dos Estados Unidos. Se ficar à frente de Gingrich, Perry e Bachmann, está bem colocado para fazer de Mike Huckabee de 2008. Não acredito que represente grande perigo para Mitt Romney, mas Santorum, que tem qualidades políticas, pode surpreender Romney em alguns estados do Sul. Mas, e como disse sobre Gingrich, não sei se o Santorum consegue sobreviver a uma rajada de ataques negativos das Super Pacs de Romney. Tudo acima do terceiro lugar será uma vitória. 

 

Newt Gingrich - Quando há um mês liderava as sondagens nacionais e no Iowa, muitos apontavam-no já como o presumível nomeado. Na altura alertei que Newt era facilmente destruível por um conjunto de ataques com verdades sobre a sua carreira. Sem surpresa, chega ao Iowa a lutar pela sobrevivência. Se não conseguir chegar ao terceiro lugar, fica em grandes problemas para a Carolina do Sul, onde tem liderado as sondagens. Se ficar atrás de Rick Perry e de Santorum, a sua candidatura está quase terminada. 

 

Rick Perry - As últimas sondagens davam-lhe 10 por cento, sempre em quinto lugar. Se concretizar-se este resultado, não sei com que capacidade Perry irá para a Carolina do Sul travar o seu último combate político nestas primárias. Se há quatro anos tivemos um Fred Thompson, que entrou na corrida como frontrunner e acabou destroçado logo nas primeiras eleições, este ano teremos Rick Perry. 

 

Michele Bachmann - A congressista do Minnesota disse que espera um milagre. Talvez mesmo só com a intervenção de Deus Bachmann consiga fugir do último lugar e da irrelevância total nestas primárias. Se tal suceder, irá cantar vitória. Mas o mais certo é mesmo que fique em último (Huntsman não conta). Se desiste já ou vai até à Carolina do Sul é a grande dúvida.

 

*titulo de um post que escrevi há quatro anos no Eleições Americanas de 2008, onde curiosamente acertei nos três primeiros resultados do Partido Democrata e nos dois primeiros do Partido Republicano. Apesar dos meus dotes adivinhatórios nem sempre funcionarem, deixo aqui uma previsão, cautelosa, dos resultados: Romney-Santorum-Paul-Gingrich-Perry-Bachmann-Huntsman.


02
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 21:03link do post | comentar

A menos que aconteça um milagre (Michele Bachmann já disse que espera um milagre amanhã no Iowa), o vencedor dos cacususes do Iowa sairão deste trio: Romney, Paul ou Santorum. Se o primeiro tem a vantagem de liderar a maior parte das últimas sondagens, Ron Paul tem uma imensa legião de apoiantes espalhados pelo estado que poderão fazer a diferença, especialmente se a participação eleitoral for baixa. Aliás, pelo que tenho lido, essa é a grande esperança para uma vitória de Paul. Rick Santorum pode ainda surpreender, pois a sua subida nestes últimos dias pode fazer com que apoiantes de Perry, Gingrich e Bachmann votem nele, na esperança de poderem parar Romney. Gingrich, que hoje concedeu a derrota no Iowa (esperto), nas sondagens publicadas hoje aparece em melhor forma do que nas anteriores, o que lhe dá ainda alguma esperança para amanhã. Em relação a Rick Perry, que investiu milhões no Iowa, parece condenado ao fracasso, tal como Michele Bachmann, que poderá mesmo desistir já esta semana. 


01
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:35link do post | comentar

 Como é tradicional, o influente Des Moines Registar publicou ontem a sua última sondagem antes dos caucuses do Iowa. E se ao primeiro olhar pensamos que Mitt Romney e Ron Paul são os favoritos, analisando a sondagem em pormenor, chegamos a outra conclusão. Rick Santorum tem uma efectiva hipótese de vitória, pois a sondagem confirma uma tendência. Nos dois últimos dias em que a sondagem foi realizada, Santorum obteve 21% contra 18% de Ron Paul, enquanto Romney manteve-se nos 24%. Isto mostra-nos que o antigo senador da Pensilvânia está a conseguir reunir o apoio dos evangélicos, apresentando-se como a alternativa conservadora a Romney no Iowa. Tal como Mike Huckabee em 2008, Santorum pode ultrapassar em cima da linha da meta os seus adversários e vencer os caucuses. Romney, apesar destes 24% que lhe dão a liderança, não tem nada assegurado. Mas sendo o seu objectivo ficar nos dois primeiros lugares, acredito que terá uma boa noite na terça-feira. Ron Paul, que tem a melhor máquina no terreno, está em queda nestes últimos dias. Depois de ter liderado as sondagens no Iowa, Ron Paul começou a ser alvo de ataques, o que lhe terá feito descer a popularidade. Mas duvido que fique abaixo do terceiro lugar, e é neste momento um dos três em condições de vencer.

 

De resto, esta sondagem sobressai ainda mais a queda abrupta de Newt Gingrich (quem é que diz que as campanhas negativas não resultam?) e a grande dificuldade de Rick Perry em ganhar tracção, apesar dos milhões investidos. Michele Bachmann, essa é uma sombra da candidata que venceu a Ames Straw Poll e não vejo como poderá continuar na corrida após terça-feira. Com o "momentum" de Rick Santorum, até é provável que estes três candidatos venham ainda a perder mais apoio. 

 

Para consumo interno, estamos a fazer no lado direito superior uma votação para questionar os nossos leitores sobre o vencedor no Iowa. Participem!


30
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 19:50link do post | comentar | ver comentários (1)

Em 2008 quando estava perto de ser destruída no New Hampshire por Barack Obama, Hillary Clinton soltou uma lágrima. Não sabemos o quanto ajudou essa lágrima, mas na verdade Hillary acabou por enganar todas as sondagens e ficar à frente no New Hampshire. Hoje foi a vez de Newt Gingrich "sacar" da mesma arma, a três dias dos caucuses do Iowa. Segundo as últimas sondagens, Gingrich está em quarto (Romney-Santorum-Paul-Gingrich) e em quinto (Romney-Paul-Santorum-Perry-Gingrich). Será que a lágrima o salva? 


29
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:44link do post | comentar

 

Como é tradicional, o leque de candidatos republicanos à nomeação deverá ficar reduzido depois da próxima terça-feira, após a realização dos caucuses do Iowa. Numas primárias nem todos os candidatos lutam para vencer. Uns querem vender livros, outros querem conseguir um lugar de destaque no partido e outros pretendem promover o seu próprio futuro político. Olhando para as sondagens, vejo três nomes óbvios que estão na linha da frente. 

 

A principal candidata à desistência é Michele Bachmann, que depois de ter vencido a Iowa Straw Poll em Agosto, nunca mais parou de descer nas sondagens. Apesar da media frenzy em redor da sua candidatura no Verão passado, facilmente se percebia já na altura que a congressista do Minnesota não tinha estofo para uma campanha presidencial. Se as coisas lhe tivessem corrido bem, poderia ter tido possibilidades de disputar a vitória no Iowa. Mas o seu apoio decresceu imenso e neste momento a sua campanha luta para sobreviver. Sem dinheiro e sem apoio, se ela não ficar nos quatro primeiro lugares, o mais certo é que abandone a corrida antes das primárias do New Hampshire.

 

Rick Perry é outro dos nomes a considerar. Tendo entrado muito forte na corrida presidencial, assumindo desde o inicio a liderança nas sondagens nacionais e no Iowa, as suas prestações desastrosas nos debates colocaram em evidência as limitações do governador do Texas. E se ao contrário de outros nomes, tem currículo suficiente para ser Presidente, não mostrou capacidade para enfrentar Barack Obama em Novembro próximo. Se não conseguir um dos primeiros quatro lugares, pode desistir já ou esperar para fazer um último esforço nas primárias da Carolina do Sul, no dia 21 de Janeiro.

 

Rick Santorum tem vindo a subir nas sondagens do Iowa e é possível que sobreviva aos caucuses. Apesar de não ter muito dinheiro, tal como Bachmann, um bom resultado no Iowa (nos três primeiros lugares), pode garantir-lhe a sobrevivência durante mais umas semanas. Não vai ser o nomeado, mas pode chegar até à Carolina do Sul, onde há muitos votos conservadores para disputar. Certamente que Mitt Romney agradecerá a manutenção de Santorum até lá, imitando Mike Huckabee em 2008, quando retirou votos conservadores a Romney, ajudando John McCain a vencer esta importante primária. Romney desta vez irá precisar que alguém "roube" votos dos social conservatives a Newt Gingrich. 

 

De resto não acredito que haja mais desistências. Mitt Romney obviamente pode sobreviver a um desastre no Iowa (ficar abaixo dos três primeiros), Ron Paul tem o apoio e dinheiro para continuar nas primárias até onde desejar e Jon Huntsman nem sequer está a competir neste estado. Diferente é a situação de Newt Gingrich. Depois de ter liderado as sondagens durante o mês de Dezembro, os últimos dias mostraram-nos uma quedra abrupta. Mas mesmo que fique em quarto lugar (neste momento o mais provável), Gingrich irá certamente competir na Carolina do Sul, onde lidera com algum conforto as sondagens. 


publicado por Nuno Gouveia, às 01:13link do post | comentar | ver comentários (3)

CNN Poll

Iowa: Romney 25; Paul 22; Santorum 16: Gingrich 14; Perry 11: Bachmann 9: Huntsman 1

New Hampshire: Romney 44; Paul 17; Gingrich 16; Huntsman 9; Santorum 4; Bachmann 3; Perry 2 

 

Olhando para a história recente das primárias, parece-me pouco possível este cenário, mas a verdade é que Mitt Romney tem uma hipótese de resolver bem cedo a nomeação. Se ganhar no Iowa (ou ficar em segundo lugar e o primeiro for Ron Paul) e vencer facilmente no New Hampshire, como é provável, Mitt Romney pode assegurar a nomeação já no dia 21 de Janeiro, nas primárias da Carolina do Sul. Surpreendente, ou talvez não, é a subida de Rick Santorum no Iowa. Com tantos eleitores ainda indecisos, é bem possível que haja uma surpresa na próxima terça-feira. Mas a vida parece correr bem a Romney. 


28
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 00:47link do post | comentar

Apesar de ter dito que não iria fazer campanha negativa, um revigorado Newt Gingrich surgiu hoje ao ataque aos seus principais adversários. No programa "Situation Room", Gingrich disse que provavelmente não conseguiria votar em Ron Paul numa eleição presidencial, acusando-o de ter posições racistas e anti-semitas, e que as suas ideias estão muito afastadas do mainstream americano. Uma entrevista muito dura, que se destina a retirar espaço ao candidato libertário, que subiu no Iowa nas últimas semanas muito à custa da descida de Gingrich. Noutra frente, o antigo Speaker, teceu duras críticas ao seu principal oponente à nomeação, Mitt Romney. Depois de semanas quase em silêncio a sofrer ataques de todas as frentes, Gingrich inverte a sua estratégia e ataca de frente os seus concorrentes directos. Será que chega para vencer no Iowa? 


23
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:37link do post | comentar

 

Era inevitável. Depois da subida de Ron Paul nas sondagens no Iowa, a atenção mediática virou-se para ele. E por enquanto, ainda são poucos os adversários que o têm atacado. Mitt Romney simplesmente ignora-o (dá-lhe muito jeito esta subida de Paul), Rick Perry e Newt Gingrich têm dedicado mais tempo a Romney e apenas Bachmann e Santorum têm falado mais de Ron Paul. Mas os media começaram agora um escrutínio ao passado de Ron Paul, nomeadamente sobre umas infames newsletters racistas enviadas na década de 90 em nome do candidato libertário. O assunto não é novo, mas agora que Paul tem hipótese de vencer os caucuses do Iowa, é esperado que temas destes, bem como posições mais afastadas do mainstream sejam exploradas pelos media. E na verdade, como diz Charles Krauthammer neste comentário, Ron Paul não tem reagido bem a este escrutínio público. Durante uma entrevista na CNN com Gloria Borger, Paul cometeu o "pecado" de deixar a comentadora a falar sozinha. Mas esta questão será suficiente para o abater no Iowa? Com a máquina que tem no terreno, e com a divisão do eleitorado tradicional do Partido Republicano por vários candidatos, Paul pode mesmo conseguir vencer com pouco mais de 20 por cento. E aí sim, os ataques à sua campanha começariam a sério, vindos de todos os lados. Até lá, acredito que Paul irá conseguir sobreviver. 

 

Algumas notícias negativas para a campanha de Ron Paul:


In ad for newsletter, Ron Paul forecast "race war", Reuters;

TNR Exclusive: A Collection of Ron Paul’s Most Incendiary Newsletters, The New Republic;

The Company Ron Paul Keeps, Weekly Standard;

Mark Steyn on Ron Paul’s worldview: ‘Sheer stupid, half-witted parochialism, Daily Caller.


21
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:42link do post | comentar | ver comentários (5)

Um europeu dificilmente compreende este aproveitamento das esposas numa campanha eleitoral. Mas nos Estados Unidos, é culturalmente e socialmente relevante esta participação política. E quando falamos numa campanha presidencial, as esposas ganham uma importância ainda maior. Esta semana foram lançados três anúncios nas televisões do Iowa de Mitt Romney, Rick Perry e Newt Gingrich com as suas esposas. As senhoras Romney e Perry aparecem sozinhas, enquanto Callista Gingrich aparece junto ao seu marido. Quem vencerá a batalha das esposas?

 

 


publicado por Nuno Gouveia, às 19:02link do post | comentar

O estado da corrida no Iowa, analisado por Charles Krauthammer, A.B. Stoddard e Stephen Hayes.


19
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 22:31link do post | comentar

 

Sem surpresa para mim, Newt Gingrich tem vindo a cair abruptamente nas sondagens. Não sendo nada de novo nestas primárias (antes Bachmann, Perry e Cain também sofreram do mesmo mal), é indicativo de duas características importantes destas primárias: a base republicana não é grande adepta do presumível nomeado - Mitt Romney - e o leque de candidatos é fraco.

 

Parece ser uma evidência que desde o inicio que Mitt Romney nunca granjeou grande apoio dentro do Partido Republicano. Numa primeira fase assistimos ao establishment do partido a procurar uma alternativa credível a Romney. Daí as potenciais candidaturas de Mitch Daniels, Harley Barbour, Paul Ryan ou Chris Christie, por exemplo. Falhadas essas tentativas de sectores poderosos do GOP, o establishment tem vindo a juntar-se ao lado de Romney, como a melhor alternativa para derrotar Barack Obama. Mas a base eleitoral ainda não está convencida. E por isso temos vindo a assistir a este desfilar de subidas e descidas de alguns candidatos ao estatuto de líder nas sondagens. E aí entra a segunda característica destas primárias: a maioria dos candidatos apresenta grandes debilidades, que não resistem ao escrutínio rigoroso que todos os líderes das sondagens sofrem nos media. E é isso que está a suceder a Newt Gingrich, o que era algo expectável dado o seu longo passado político. Neste momento é Ron Paul que parece ter algum momentum nos dois primeiros estados a ir a votos: Iowa e New Hampshire. Por enquanto, a máquina republicana tem deixado passar esta subida de Ron Paul. Até porque ajuda imenso Mitt Romney, o seu preferido. Mas se alguma vez Ron Paul emergir como um perigo, facilmente será abatido. Das suas posições de política externa extremamente impopulares para a maioria da base conservadora até a umas misteriosas newsletters racistas da década de 90 publicadas em seu nome, tudo irá servir para o derrubar eleitoralmente. Para se vencer umas primárias, republicanas ou democratas, é preciso ter capacidade para ultrapassar os violentos ataques que surgem numa campanha desta natureza. E poucos são os que o conseguem. Jon Huntsman poderia ter emergido como alternativa a Romney. Mas ao colocar-se na corrida pela esquerda de Romney, ele que até tem um currículo conservador no Utah, estragou essas hipóteses. E Tim Pawlenty? Onde estaria ele nesta altura, que não apresentava as debilidades de Gingrich, Perry, Bachmann ou Cain? Uma lição para o futuro: não desistir até os votos começarem. 


publicado por Nuno Gouveia, às 17:01link do post | comentar

Na era da Internet, a televisão continua a ser o principal custo de uma campanha política americana. Recordo que em 2008 Obama angariou muito dinheiro na Internet, mas os principais beneficiados desses investimentos foram os meios de comunicação social tradicionais. Este ano o cenário não mudou muito. Chuck Todd, jornalista da NBC, dá conta do valor dos investimentos para esta semana só no Iowa, o principal local de combate nas próximas duas semanas. Mitt Romney lidera, sem surpresas, com perto de 1 milhão de dólares combinados entre a sua campanha e a Super Pac que o apoia, enquanto Rick Perry investiu mais de 600 mil dólares. Mais atrás surgem Rick Santorum com 100 mil dólares, Ron Paul com 63 mil e Newt Gingrich com apenas 21 mil dólares. 

 

Uma dúvida que tenho é se estes valores avultados que se investem em anúncios televisivos continuam a ter a mesma eficácia na era da Internet do que tinham na era televisiva. Em 2008, Barack Obama teve muito mais dinheiro ao seu dispôr do que os seus adversários (Clinton e McCain), e de facto, segundo as leituras que fiz, isso deu-lhe alguma vantagem em certos swing states. Mas olhando para estes valores, será que Romney e Perry, ao investirem tanto dinheiro, irão transformar a vantagem financeira em votos nos caucuses? Recordo que há quatro anos, um Mike Huckabee, que praticamente não investiu financeiramente no Iowa, derrotou Mitt Romney, que nesse ciclo eleitoral apostou tudo no Iowa, inclusive 10 milhões de dólares. 

 

PS: Entretanto, mais um republicano junta-se à campanha de Mitt Romney. O senador Mark Kirk, do Illinois, irá declarar hoje o seu apoio ao antigo governador do Massachusetts, e cada vez mais favorito a vencer a nomeação republicana. 

 


18
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:19link do post | comentar

 

Mitt Romney recebeu ontem mais uma importante notícia vinda do maior jornal do estado do Iowa: o endorsement do Des Moines Register. Numa bela tradição americana, o jornal explica em editorial as razões do seu apoio a Romney, em detrimento dos outros candidatos. Mas quer isto dizer que Romney fica com uma vantagem para vencer os caucuses? Nem sempre. Apesar de lhe dar uma imensa publicidade positiva nos media americanos durante este fim de semana (o endorsement do DMR é noticiado por todo o lado), a história indica-nos que nas três últimas eleições não acertarem em nenhum vencedor. Será este ano diferente?

 

Outra nota. No mesmo jornal, ontem foi publicado um anúncio de Bon Dole a declarar o seu apoio a Mitt Romney na corrida presidencial. Dole, o candidato derrotado por Bill Clinton na sua campanha de reeleição, venceu duas vezes os caucuses do Iowa (1988 e 1996).


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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