13
Mar 16
publicado por Alexandre Burmester, às 16:49link do post | comentar | ver comentários (1)

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Numa altura em que a actualidade anda a ser dominada pelos confrontos em comícios de Donald Trump, ocorreu-me a maior manifestação de violência política na América do pós-guerra, a Convenção Democrática de 1968, em Chicago.

 

Norman Mailer imortalizaria o episódio no seu livro "Miami and the Siege of Chicago" (em Miami tinha tido lugar a Convenção Republicana, que nomeara Richard Nixon como candidato do GOP).

 

https://www.youtube.com/watch?v=1Iye1NQy1NY

 

 


02
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 10:18link do post | comentar | ver comentários (8)

1 - O Partido Republicano suspirou de alívio ontem depois da derrota de Donald Trump. Apesar do vencedor, Ted Cruz, ser também um político odiado, a derrota de Trump e o forte terceiro lugar de Marco Rubio alivou muita gente. A votação recorde no Iowa demonstrou também que houve uma grande mobilização para derrotar Trump, o que pode ser replicado noutros estados. Essa foi a grande notícia para a máquina republicana. 

 

2- Ted Cruz e Marco Rubio emergiram como grandes vencedores nos caucuses do Iowa. Este estado, que nos dois anteriores ciclos eleitorais deu vitórias a evangélicos, manteve a recente tradição e deu uma vitória inesperada a Cruz. Rubio ao conseguir um terceiro lugar, muito perto de Trump, solidifica a sua posição como candidato do establishment e pode, já na próxima semana, “arrumar” com Jeb Bush, Chris Christie e John Kasich, os adversários neste campo. Se é verdade que desde 1964 os republicanos optam sempre pelo candidato melhor posicionado para as eleições gerais, este ano poderá não ser diferente.

 

3 - Donald Trump afinal é um "perdedor", palavra que ele detesta. Se até há uns meses atrás, a esmagadora maioria dos analistas (e eu também) não acreditava nas suas hipóteses de obter a nomeação, nos últimos tempos essa percepção foi alterada. A sua derrota no Iowa coloca novamente em causa essa possibilidade, e atira uma enorme pressão para cima dele no New Hampshire. À entrada para esta semana, ele liderava confortavelmente as sondagens aí, mas até como vimos no Iowa, elas podem falhar e os movimentos de última hora, podem-lhe retirar a vitória. Se não vencer no New Hampshire, a sua candidatura estará praticamente terminada. 

 

4 - Marco Rubio irá agora competir no New Hampshire, não propriamente para ganhar, mas para eliminar a concorrência próxima. Ficaria surpreendido se a vitória no New Hampshire não fosse discutida entre Rubio e Trump. Ontem foi anunciado que o popular senador negro da Carolina do Sul, Tim Scott, irá declarar-lhe o seu apoio e nos próximos dias devemos ver um movimento de figuras do Partido Republicano a colocarem-se ao seu lado. Depois desta vitória, e acreditando que alguém tão conservador como Ted Cruz dificilmente terá uma hipótese no moderado New Hampshire, este irá deslocar-se rapidamente para a Carolina do Sul. Aí, podemos ter uma luta a três (se Trump vencer no New Hampshire) ou a dois, caso Rubio consiga ganhar. Tudo em aberto, mas para o resultado final, apostava em Marco Rubio para nomeado republicano. 

 

5 - No lado democrata, a confusão está instalada. Hillary Clinton já se declarou vencedora com 49,9% contra os 49,5% de Bernie Sanders, mas este ainda não aceitou a derrota. Uma vitória é uma vitória e Hillary Clinton ter-se-á salvado de nova derrota no Iowa, depois de há quatro anos ter sido esmagada por Barack Obama e John Edwards. Um resultado que não pode deixar descansado o campo de Hillary, pois há um ano tinha uma vantagem de mais de 50% sobre Sanders neste estado.

 

6 - Para a próxima semana, Bernie Sanders poderá obter uma vitória confortável no New Hampshire. Os resultados do Iowa não darão "momentum" a Hillary Clinton. Mas parece-me que Bernie precisava de vencer aqui para transformar-se num candidato nacional, o que não sucedeu. Muita gente a comparar com o que aconteceu com Obama, que quando chegou ao Iowa também estava atrás de Hillary em quase todos os estados e nas sondagens nacionais. Mas foi essa vitória que o fez crescer. Parece-me muito complicado para Sanders replicar. A seguir ao New Hampshire, segue-se a Carolina do Sul, onde Hillary Clinton é super favorita. 

 

7 - Caso não exista nenhum movimento extraordinário pró-Sanders nas sondagens nacionais e noutros estados, Hillary Clinton poderá fechar a nomeação na super terça-feira em Março. Mas entrará relativamente frágil nas eleições gerais. Ontem os jovens votaram de uma forma avassaladora em Sanders, e com os problemas todos que Hillary tem tido, não terá vida fácil em Novembro. A sua campanha tem dado sinais que o candidato que mais a preocupa é Marco Rubio. Precisamente aquele que parece emergir do outro lado. 


01
Fev 15
publicado por Nuno Gouveia, às 21:21link do post | comentar | ver comentários (2)

O Partido Republicano nos últimos anos tem tido direito a um verdadeiro freak show nas suas primárias,  a terem vários candidatos que apenas se apresentam na corrida para ganhar dinheiro ou estatuto mediático. O ano de 2012 foi disso o maior exemplo, com apenas um candidato a ter reais hipóteses de ser Presidente, Mitt Romney, enquanto os restantes nunca foram considerados reais candidatos. Longe vão os tempos de 1980, quando Ronald Reagan venceu as primárias a antigo diretor da CIA, George H. Bush, ao líder republicano no Senado, Howard Baker ou ao antigo governador do Texas, John Connaly. Nos últimos anos, têm aparecido vários candidatos/oportunistas, o que tem prejudicado imenso o Partido Republicano, pois normalmente adoptam posições coladas ao extremo político e arrastam o debate para questões laterais e que não interessam à grande maioria dos americanos. Em 2012, percebia-se que Romney era o único que poderia chegar a presidente, mas mesmo assim, teve de debater com candidatos como Rick Santorum, Newt Gingrich, Herman Cain ou Ron Paul. Rick Perry foi um desastre nos debates, Tim Pawlenty desisitiu ainda no Verão e Jon Hunstman era demasiado moderado para o GOP. 

A perspectiva para 2016, nesse aspecto, parece ser bem melhor, com "sérios" candidatos, como Marco Rubio, Jeb Bush, Chris Christie ou Scott Walker, isto para referir aqueles que me parecem terem mais hipóteses de obter a nomeação. E numa segunda linha, aparecem vários candidatos minimamente credíveis para manter um bom debate, como Rand Paul ou até Lindsey Graham. Onde está o problema? É que Ted Cruz, Mike Huckabee, Rick Santorum ou até mesmo Ben Carson também ameaçam concorrer, o que poderá provocar novamente um debate encostado à direita, prejudicando a imagem do GOP. Não que isso não suceda também no Partido Democrata, mas protegidos pelos media, os Democratas conseguem mais facilmente escapar deste tipo de debate. 

Ainda não temos um campo de candidatos totalmente definido, muita tinta vai correr até aos debates começarem, mas muito do que se passar nas eleições de 2016 poderá ser definido pelo rumo das primárias. Principalmente numas eleições que se preveem renhidas. Deixo apenas um exemplo: será que George W. Bush teria derrotado Al Gore se o seu principal adversário nas primárias não tivesse sido um moderado como John McCain?


02
Fev 14
publicado por Nuno Gouveia, às 19:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Obama tem ainda mais três anos na Casa Branca, mas a sua sucessão já está na ordem do dia. É óbvio que tudo o que se diga por esta altura é altamente provável de ser desmentido pela realidade, e bastará recuar até ao inicio de 2006 para nos recordarmos o que se dizia então: Hillary Clinton era a quase nomeada pelo Partido Democrata e Rudy Giuliani era o favorito do lado republicano. Atualmente, diria que do lado democrata, a história repete-se: a antiga Primeira Dama é a grande favorita à nomeação, enquanto do lado republicano, depois do escândalo que afectou Chris Christie, não há favorito. 

 

Se é verdade que o Partido Democrata poderá ser prejudicado pela previsível impopularidade da Administração Obama em 2016, neste momento apresenta o candidato mais forte. Hillary Clinton continua muito popular, e, sinceramente, não se vê ninguém do lado democrata capaz de a derrotar nas primárias. Neste momento não existe nenhuma estrela em ascensão no partido e nenhum dos potenciais candidatos, como Joe Biden ou Andrew Cuomo, não têm o star power de Obama em 2006. Hillary tem a máquina (que já está no terreno), tem o apoio da base e tem ainda outra coisa: há uma espécie de remorso ente muitos do partido por não a terem eleito em 2008, e desta vez não haverá muitos políticos conhecidos do Partido Democrata a apoiar outro candidato, como sucedeu em 2008 com Obama. Mesmo que o Presidente chegue a 2016 muito impopular, é provável que Hillary se apresente na condição de favorita para ser eleita Presidente. É óbvio que irá deparar-se com muitas dificuldades, Bill Clinton pode ser uma nuvem sombria, como o foi em 2008, o escândalo de Benghazi vai andar por aí, e depois haverá sempre a condicionante do nome republicano. Dito isto, o que acontecerá se Hillary não se candidatar? Haverá muitos mais candidatos e a corrida será completamente imprevisível. Num cenário sem Hillary, o Partido Democrata estará muito mais fragilizado e o nível de popularidade de Obama poderá ser muito mais decisivo na eleição. Além dos nomes já citei, fala-se da senadora do Massachusetts, Elisabeth Warren, do antigo governador do Montana, Brian Schweitzer ou do governador de Maryland, Martin O'Malley. Mas nenhum destes candidatos tem um nome nacional (nomeadamente na base democrata). A eleição de um Presidente democrata será bem mais difícil  neste cenário (os democratas não ganham três eleições seguidas desde Truman em 1948 – na verdade tinham ganho cinco).

 

No Partido Republicano há uma certeza: depois de 2012, onde apenas Mitt Romney era qualificado para ser Presidente (os restantes candidatos não tinham estatuto para isso e muitos foram mesmo confrangedores durante a corrida), no próximo ciclo eleitoral haverá certamente muita qualidade no terreno. Neste momento há poucas certezas, mas Chris Christie, governador de New Jersey (se sobreviver ao atual escândalo de New Jersey), Scott Walker, governador do Wisconsin, o senador Marco Rubio da Florida, Paul Ryan do Wisconsin ou Jeb Bush, antigo governador da Florida serão todos eles nomes capazes de vencer as primárias e chegar à Casa Branca. Quando a máquina republicana começar a despejar dinheiro num candidato, qualquer um destes pode ser o seu escolhido. Apesar de tudo o que se tem dito nas últimas décadas sobre o Partido Republicano, o vencedor das primárias tem sido sempre a escolha do establishment e aquele que se apresenta durante as primárias como o mais bem preparado para ser Presidente. Na ala mais populista e libertária, Rand Paul ou Ted Cruz são nomes a ter em conta, sobretudo porque são políticos muito hábeis e poderão constituir uma ameaça aos candidatos mais mainstream. Entre outros potenciais candidatos, fala-se do governador do Ohio, John Kasich, Bobby Jindal, governador da Louisiana, da senadora do New Hampshire, Kelly Ayote ou novamente de Mike Huckabee, do Arkansas. Depois de oito anos de Obama, diria que um governador terá mais hipóteses de ser o nomeado pelo Partido Republicano, pois apresentará experiência executiva, algo que Obama não teve antes de ser Presidente. No Congresso, diria que Marco Rubio, apesar de ter perdido apoio na base conservadora depois de se ter envolvido activamente na reforma da imigração, é o que tem mais hipóteses, pois consegue bem fazer a ponte entre os sectores mais à direita com a máquina republicana. Chris Christie era considerado o favorito antes dos problemas no seu estado, e tem já um estatuto nacional. Se ultrapassar esta fase menos positiva, poderá ser um candidato fortíssimo. Jeb Bush poderá ser um candidato forte, apesar do seu apelido constituir um problema.  


27
Jan 13
publicado por Nuno Gouveia, às 22:26link do post | comentar | ver comentários (2)

George W. Bush colocou na agenda do segundo mandato a reforma da imigração, cujo objectivo passava por abrir um caminho para a legalização de cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais a viver nos Estados Unidos. Após ter recebido mais de 40% do voto hispânico nas eleições de 2004, a concretização dessa reforma teria colocado o Partido Republicano no bom caminho para alcançar bons resultados eleitorais entre este segmento do eleitorado. A história é conhecida. A legislação introduzida por John McCain e o falecido Ted Kenney foi barrada no senado devido à oposição republicana, e desde então, até à última campanha eleitoral, o debate esteve contaminado por uma retórica agressiva contra os imigrantes ilegais. Barack Obama nem tentou passar a legislação nos primeiros dois anos do seu mandato, quando tinha maioria nas duas câmaras. Mas chegou a hora de resolver este problema. Os resultados eleitorais do Partido Republicano no eleitorado hispânico foram catastróficos, e poucos nesta altura acreditarão que haverá força das vozes oposicionistas para barrar legislação. 

 

Barack Obama já prometeu envidar esforços no sentido de criar um caminho para a legalização dos imigrantes ilegais neste mandato, e é bem possível que seja já no primeiro ano que o consiga fazer. Marco Rubio será um dos principais advogados do lado republicano, e já ganhou aliados importantes, como Paul Ryan, John McCain ou Lindsay Graham. Certamente haverá oposição de alguns republicanos, mas desta vez, ao contrário de 2007, não é de esperar um movimento tão forte de contestação à reforma. Do lado democrata, pouca ou nenhuma oposição deverá surgir. Um comité bipartidário do Senado está já a preparar legislação, onde estão presentes, além de Rubio, McCain do lado republicano, Dick Durbin e Robert Menendez do lado democrata. Será uma boa notícia para a América. 


21
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 12:59link do post | comentar | ver comentários (1)

 

George McGovern morreu hoje aos 90 anos num hospital do Dakota do Sul, depois de ter sido internado na semana passada. Candidato presidencial pelo Partido Democrata em 1972, teve uma importância histórica na política norte-americana nem sempre reconhecida e valorizada. Apesar de ter sido verdadeiramente humilhado por Richard Nixon, que venceu em 49 dos estados da união, o seu legado é muito mais do que essa histórica derrota. McGovern ocupou um papel decisivo na viragem à esquerda do Partido Democrata nos últimos 40 anos e já é uma figura fundamental na história da política americana.

 

Piloto de bombardeiros durante a segunda guerra mundial, começou a destacar-se na política em 1948 quando decidiu apoiar o candidato progressista Henry Wallace contra o Presidente Truman. Na eleição seguinte voltou ao Partido Democrata para apoiar Adlai Stevenson e em 1956 foi eleito para a Câmara dos Representantes. Chega ao senado em 1962 e torna-se numa das vozes proeminentes contra a guerra do Vietname. Depois do assassinato de Robert Kennedy candidata-se à nomeação pela facção anti-guerra do Partido Democrata, mas não teve hipótese contra Hubert Humphrey, que dominava a máquina partidária. Essa derrota levou-o a liderar os esforços para alterar as regras de nomeação presidencial, levando a que as primárias e eleições directas conquistassem primazia no processo, retirando poder aos "party bosses". O Partido Republicano viria mais tarde a fazer o mesmo, iniciando-se a era das primárias competitivas, como as conhecemos hoje.

 

McGovern foi o primeiro beneficiado das novas regras, tendo conquistado a nomeação do Partido Democrata em 1972, o que na altura muito agradou Richard Nixon. Aliás, consta-se que o republicano tudo fez para ajudar McGovern a ganhar a nomeação, pois Nixon pensava que o seu radicalismo ideológico iria ajudá-lo a vencer. Como aconteceu. Essa campanha foi um verdadeiro desastre, pois McGovern não conseguiu unir o partido, cometeu muitos erros estratégicos, a começa pelo processo de Vice Presidente. Depois de ter recebido recusas de vários democratas, como Ted Kenney, Walter Mondale, Edmund Muskie ou Hubert Humphrey, optou pelo senador do Missouri, Thomas Eagleton. Mas a meio da campanha foi descoberto que tinha problemas psiquiátricos e McGovern, pouco depois de ter dito que tinha 100% de certeza que Eagleton ficaria no ticket, substituiu-o pelo cunhado de John Kennedy, Sargent Shriver, que não tinha experiência política nenhuma. Esta foi a campanha que ficou conhecida por "Amnistia, aborto e ácido", pois Mcgovern defendia a amnistia para quem tinha fugido à guerra do Vietname, a legalização do aborto e das drogas. Essa frase foi proferida por um senador "anónimo" ao colunista conservador Robert Novak durante as primárias, que lhe disse que McGovern estaria condenado quando a América descobrisse que a sua campanha era a favor de "Amnesty, Abortion and Acid". Em 2007 Novak anunciou que o senador que lhe tinha dito isso foi Thomas Eagleton, precisamente a opção de McGovern para VP. Mcgovern apenas venceu no estado do Massachussetts e em DC, e teve apenas 37 por cento dos votos, um dos piores resultados de sempre de um candidato dos dois partidos.

 

McGovern foi o primeiro democrata verdadeiramente "liberal" a ser nomeado candidato presidencial pelo Partido Democrata, abrindo caminho para outros como Walter Mondale, Michael Dukakis ou Barack Obama, que vieram precisamente da ala mais à esquerda do Partido Democrata. O seu principal legado é precisamente ter influenciado toda uma geração de políticos que cresceu com ele, tendo conquistado o poder e primazia no Partido Democrata. Se Goldwater é considerado o pai do conservadorismo moderno, McGovern cumpriu a mesma função para o "liberalismo" americano. 


24
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:54link do post | comentar | ver comentários (5)

Em ano de presidenciais, as eleições para o Senado e Câmara dos Representantes são sempre quase "esquecidas" pelos media, mas são quase tão importantes como saber qual o nome do ocupante da Casa Branca. A pouco mais de um mês das eleições, diria que neste momento existe ainda uma indefinição grande ao partido que vai controlar o poder legislativo. Se existe a convicção que os republicanos vão manter a maioria na câmara dos representantes (apesar de não ser nada certo), embora com perda de lugares, o mesmo não se passa no senado, onde existe ainda indefinição. Vejamos então como está a luta pelo senado. 

 

Para os republicanos conquistarem a maioria, terão de conquistar quatro lugares aos democratas ou três, caso Mitt Romney seja eleito Presidente. Há em disputa 23 lugares actualmente ocupados por democratas e apenas 10 por republicanos. E estes números indicavam que seria bastante acessível para os republicanos roubarem a maioria. Mas uma série de erros na escolha de candidatos e escolhas muito pouco "sábias", a exemplo do que sucedeu em 2010 com alguns candidatos, as coisas ficaram bem mais complicadas. O maior exemplo foi no Missouri, onde era quase certo conquistarem o lugar, até emergir Todd Akin, que perdeu o apoio do establishment republicano e dificilmente será eleito. Outra má opção “eleitoral” foi no Indiana, onde Dick Lugar foi afastado, embora aqui haja a forte possibilidade de manterem o lugar.  

 

Lugares seguros:

Democratas (13): Califórnia, Washington, Minnesota, Nova Iorque, Rhode Island, New Jersey, West Virgínia, Delaware, Maryland, Vermont, Havai, Pensilvânia, Maine (R)

Republicanos (7): Texas, Mississippi, Tennessee, Wyoming, Utah, Arizona, Nebraska (D).

 

Prováveis:

Democratas (4): Missouri, New Mexico, Ohio, Michigan

Republicanos (4): Indiana, Dakota do Norte (D), Montana (D), Nevada

 

Empates técnicos (4): Virgínia (D), Massachusetts (R), Wisconsin (D), Connecticut (D), Florida (D)

 

Neste aspecto, repare-se que os democratas roubam um lugar no Maine, com a vitória mais que certa de Angus King, um independente que se deverá juntar a eles, e no Nebraska, onde Deb Fischer deverá ser eleita senadora pelos republicanos. Depois os republicanos estão bem lançados para roubar dois lugares no Dakota do Norte e no Montana. Na coluna dos prováveis é bem possível que haja movimentações para empates técnicos, nomeadamente no Indiana, Montana, Nevada (R) e Missouri (D). Por incrível que pareça Todd Akin ainda não está completamente derrotado, apesar de ter perdido o apoio do Partido Republicano. Repare-se que uma boa parte destas eleições ainda não decididas discutem-se em swing-states e não é de descurar o papel do candidato a presidente nestas eleições, em estados como o Missouri, Ohio, Florida, Virgínia, Nevada e Wisconsin. Por outro lado, o facto de serem estados profundamente democratas (Massachusetts, Connecticut) ou republicanos (Indiana, Dacota do Norte, Montana) podem ajudar a decidir o desfecho da eleição em favor desses partidos. No entanto democratas parecem levar vantagem na manutenção da maioria, especialmente se Barack Obama for reeleito. Neste momento apontaria para um senado com 51-49 para o Partido Democrata. Mas, tal como há dois anos, chegamos perto das eleições e está tudo em aberto no Senado. Com a aparente vantagem que os republicanos levavam no número de lugares em disputa, isso não deixa de ser mau sinal para eles. 


07
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 01:24link do post | comentar | ver comentários (2)

Nestas primárias os democratas têm sabido retirar proveito da natural divisão do eleitorado republicano. Por um lado temos assistido aos estrategas democratas (ainda agora Joe Trippi na Fox News) a destacarem os bons resultados de Rick Santorum (no Michigan até fizeram campanha por ele) e a colocarem em evidência que Romney não consegue "fechar" a nomeação.

 

Por outro lado têm referido a grande vantagem financeira que Romney tem tido sobre os seus adversários, e nem por isso tem ganho em todo o lado. Como se tivessem esquecido que aconteceu o mesmo com Barack Obama em 2008 a partir da super terça-feira, quando investia muito mais do que Hillary nas primárias (muitas vezes de 4-1) e nem assim conseguia a nomeação.

 

E depois há críticas que não fazem muito sentido. Há pouco ouvi um democrata afirmar que Romney terá dificuldades no Sul nas eleições gerais, pois quer Santorum ou Gingrich têm vencido lá as primárias. Ora, qualquer candidato republicano irá vencer no Sul, pois do outro lado estará Obama. A união do partido pós nomeação não me parece preocupante. Como não foi em 2008 com o Partido Democrata, depois da luta acesa entre Hillary e Obama. Mais preocupante para Romney até é a dificuldade que tem sentido no Midwest, zona decisiva para as eleições gerais. Até ao momento perdeu no Iowa, Minnesota e Missouri (apesar de não contar para nada) e apenas venceu no Michigan. Talvez hoje ganhe no Ohio.

 

Por fim, um aspecto que os democratas têm destacado, e este parece-me certeiro: esta campanha republicana esta a desgastar Mitt Romney, bem mais do que sucedeu com Hillary e Obama. Porque ao contrário de há quatro anos no Partido Democrata, que foi uma campanha mais de personalidades, esta luta está a ser bastante ideológica, o que tem encostado o GOP demasiado a direita. E por isso, quanto mais longa for a campanha das primárias, maior dificuldade terá o nomeado em virar o discurso ao centro, e direccionar as suas atenções para o eleitorado independente. 


14
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 00:09link do post | comentar | ver comentários (3)

Já várias vezes critiquei aqui a retórica ou o estilo de alguns políticos republicanos. Ainda recentemente tive uma saudável discussão sobre Sarah Palin e Michelle Bachmann nesta caixa de comentários com o Octávio dos Santos. Mas também há políticos do mesmo nível (a minha opinião) no Partido Democrata. Nancy Pelosi é um desses exemplos. Hoje apanhei este discurso da líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, a dizer que os republicanos querem deixar as mulheres morrer no chão, isto a propósito de uma votação sobre o aborto. Se os políticos consideram que os seus adversários em democracia, sejam eles quais forem, pretendem a morte dos seus cidadãos, algo está mal com eles. Este tipo de argumentação não deveria ter lugar no debate político. 


14
Jun 11
publicado por Nuno Gouveia, às 00:01link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Anthony Weiner, até há bem pouco tempo uma das vozes mais populares da esquerda do Partido Democrata e favorito as eleições para Mayor de Nova Iorque em 2013, caiu em desgraça. Depois do escândalo que relatei aqui, as coisas pioraram muito para o congressista. Acusações de sociopata, mentiroso compulsivo e pedidos de demissão por parte de toda a liderança democrata. Depois de Nancy Pelosi, da chairwoman do DNC, Debbie Wasserman Schultz, hoje foi a vez do próprio Barack Obama pedir o seu afastamento. Num movimento muito particular em escândalos nos Estados Unidos, Weiner disse que ia pedir uma licença sem vencimento e "tratar" do seu problema com a ajuda de profissionais.

 

No entanto, a sua carreira política terminou. Pelo menos nos próximos anos. Mesmo que aguente até ao final do mandato e não se demita (improvável depois dos pedidos de demissão), o seu distrito irá desaparecer do mapa eleitoral. Nova Iorque perdeu dois congressistas e a legislatura estadual estava a estudar quais os dois que iria "apagar", sendo que havia o consenso que seria um democrata e um republicano. Sobre o distrito democrata a desaparecer, já não existem dúvidas. 

 

Este escândalo prejudicou o momento político para os Democratas. O partido nas últimas semanas tinha vindo a dominar o debate, com as acusações aos republicanos sobre plano de Paul Ryan. Mas tudo mudou com Weiner, agravado pelas más notícias da economia na semana passada. Além de ser uma distracção, permite que os republicanos mantenham-se na ofensiva na economia e os democratas, presos ao "caso Weiner", sem possibilidades de defesa. 


23
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 20:42link do post | comentar | ver comentários (5)

Foto Reuters

 

Rahm Emanuel foi ontem eleito Mayor de Chicago, com uma vitória expressiva sobre os seus rivais democratas. Numa cidade que os resultados finais se decidem no Partido Democrata (desde 1931 que Chicago não tem um Mayor republicano), este já era um resultado esperado para o ambicioso "Rhambo". Com apenas 52 anos, ninguém acredita que este seja o último cargo político que se candidate. Aliado de Bill Clinton primeiro, e depois de Barack Obama, acredito que voltará a Washington nos próximos anos. Uma carreira política a acompanhar.


18
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 15:58link do post | comentar | ver comentários (2)

Os Estados Unidos, como grande parte dos países europeus, incluindo Portugal, vivem uma grave crise das contas públicas. Lá, como cá, grande parte do debate público é sobre o combate a este problema. E como sempre sucede na luta política, ambos os partidos esgrimem argumentos pela conquista da opinião pública. Barack Obama anunciou esta semana o seu plano de combate ao défice, o que se consubstancia no orçamento federal para 2012. Mas, segundo os analistas, esta proposta é curta e não resolve nada.

No Wisconsin, o recente eleito governador Scott Walker, republicano, apresentou um plano de austeridade que prevê o aumento das contribuições dos empregados estaduais para a segurança social e para o plano de saúde. A resposta democrata e dos sindicatos não se fez esperar, com ruidosas manifestações nas ruas. A Casa Branca, numa medida arriscada, tomou as dores dos manifestantes na oposição ao governador.

Não sei quem vai ganhar a batalha pela opinião pública. Se os líderes que desejam enfrentar o problema de frente (e não são só republicanos, pois nos governos estaduais de Nova Iorque e Califórnia, liderados por Democratas, as medidas vão no mesmo sentido draconiano), ou se os Democratas de Washington, que parecem querer deixar o problema para lá de 2013. Os republicanos no Congresso têm manifestado vontade de avançar para grandes cortes nos sectores deficitários (saúde, segurança social e defesa), mas a verdade é que ainda não apresentaram um plano sustentado. Parece haver receio em Washington que quem avançar primeiro com cortes nestes sectores vá perder o apoio público. Se o descontrolo das contas públicas é uma ameaça real à estabilidade do país, talvez, digo eu, os americanos prefiram que se enfrentem os problemas com coragem. Será que haverá essa liderança em Washington, como alguns governadores têm demonstrado?


01
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:46link do post | comentar

 

Charlotte, na Carolina do Norte, foi a cidade escolhida para receber a Convenção Nacional de 2012, onde Obama será nomeado novamente candidato oficial do Partido Democrata. St. Louis, Missouri, Cleveland, Ohio e Minneapolis-St.Paul, Minnesota, foram as cidades relegadas. A convenção começa dia 3 de Setembro de 2012, uma semana depois da convenção do Partido Republicano, que vai realizar-se em Tampa, Florida.



09
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:57link do post | comentar | ver comentários (2)

O casal James Carville e Mary Matalin analisam na CNN as promessas de Barack Obama. Carville, estratega democrata, acusa o Presidente de "capitular" perante os republicanos na questão dos "Bush Tax Cuts". A sua esposa, estratega republicana, diz que Obama está a mover-se para o centro e prosseguir políticas centrais da Administração W. Bush.

 

PS: Este é sem dúvida o casal mais interessante da vida política norte-americano.


07
Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:04link do post | comentar | ver comentários (4)

Os últimos dois anos foram particularmente complicados para a democracia americana. Habituada a ter os dois partidos a trabalharem em conjunto para aprovarem legislação, praticamente tudo o que passou no Congresso teve apenas o apoio em bloco dos Democratas. E grandes medidas legislativas, como o Plano de Estímulos ou a Reforma da Saúde, foram aprovadas nestes últimos dois anos. Se olharmos para trás apenas 10 anos, verificamos que os grandes pacotes legislativos, como os “Bush Tax Cuts”, o “No Child Left Behind” ou o “TARP” tiveram apoio bipartidário. As grandes maiorias democratas no Congresso nos últimos dois anos, e a feroz oposição republicana, paralisaram os compromissos partidários. Barack Obama, diga-se, não contribuiu também para o regular funcionamento do Congresso. Este acordo anunciado ontem por Barack Obama marca o regresso ao bipartidarismo.

 

A vitória republicana do passado mês de Novembro já introduziu alterações na luta politica de Washington. Apesar dos novos congressistas ainda não terem entrado em funções, os dois partidos sentiram a necessidade de negociar e chegar a um acordo. Enquanto os democratas cedem na extensão dos cortes de impostos aos mais ricos, os republicanos concordaram em alargar o apoio aos desempregados. E se pode considerar-se que foi Obama quem mais cedeu (durante a sua campanha eleitoral tinha dito que nunca apoiaria o alargamento dos Bush Tax Cuts para os mais ricos), todos ganham alguma coisa. Os americanos estão fartos de retórica e de guerras partidárias sem fim. Votaram maioritariamente nos republicanos porque se cansaram da agenda democrata. Mas isso não significa carta branca para os republicanos. Ambos os partidos têm “pena suspensa” até 2012. Veremos quem mais faz para captar a confiança dos eleitores até lá.


05
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:04link do post | comentar | ver comentários (1)

O Partido Democrata e Barack Obama emergem destas eleições como os principais derrotados. Não há spin que consiga dar a volta a esta realidade. A sua agenda foi fortemente rejeitada pelos eleitores nestas eleições, mas a partir de agora passarão a ter alguém para partilhar as responsabilidades pelo que correr mal. Isto ainda se pode transformar numa força para 2012.


Nancy Pelosi, que irá deixar a posição de Speaker, perdeu em toda a linha. Ao perder mais de 60 congressistas na Câmara dos Representantes, e com vários democratas a fazerem campanha contra ela, é a cara da derrota nestas intercalares. Tem havido rumores que pretende manter-se como líder da minoria democrata, mas não sei se terá os votos necessários para tal. As derrotas de Blanche Lincoln no Arkansas e Russ Feingold no Wisconsin simbolizam também a queda dos Blue Dogs, a facção centrista do partido no Congresso. Estes resultados significam também que o Partido Democrata ficou mais à esquerda, com muitos centristas a serem corridos de Washington. Ted Strickland no Ohio e Alex Sink na Florida representam o enfraquecimento dos democratas ao nível dos governadores estaduais. Importantes swing states caíram nas mãos dos republicanos, o que poderá ter importantes repercussões em futuras eleições, nomeadamente nas presidenciais de 2012 e nas eleições para a Câmara dos Representantes da próxima década. Por fim, um dos grandes derrotados deste ciclo eleitoral: Charlie Crist na Florida. Apontado como potencial VP de John McCain em 2008, surgiu no inicio desta campanha como o quase certo senador da Florida e possível candidato presidencial no futuro. Ao ser derrotado por Rubio nas primárias, rasgou as vestes e assumiu-se como independente, muito próximo dos democratas. Acabou por ser severamente derrotado e destroçado, politicamente falando. Não tem futuro.


No Partido Republicano também há derrotados. A começar pelas escolhas pouco convencionais feitas em algumas primárias, como no Delaware, Colorado, Nevada e Alaska. Podia escolher os próprios derrotados, mas prefiro apontar para quem criou estes candidatos: Sarah Palin e Jim DeMint. Eles quiseram purgar o partido, afastando todos aqueles que se desviam da pureza ideológica. Apesar de terem contribuído para importantes vitórias, são os principais responsáveis pelos resultados aquém das expectativas no Senado. Com estas derrotas, não vão ter vida fácil no Partido a partir de agora. Que se preparem para a guerra com o establishment republicano. Por fim, as duas candidatas na Califórnia, Carly Fiorina e Meg Withman. Esta última gastou 160 milhões de dólares da sua fortuna pessoal, mas ficou muito longe de Jerry Brown. Pensou-se que estas duas mulheres poderiam fazer renascer o GOP no estado, mas os eleitores recusaram liminarmente as suas ideias.


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O Partido Republicano foi o grande vencedor destas intercalares. Ao conquistar uma maioria recorde na Câmara dos Representantes, e apesar de terem ficado abaixo das expectativas no Senado, os republicanos reconquistaram a influência perdida nos últimos dois ciclos eleitorais. Mas com a vitória vêm também as responsabilidades de governar e impor soluções legislativas aos Estados Unidos. A partir de agora não se podem limitar a apontar as falhas dos democratas.


Individualmente, destaco também alguns políticos e o que essas vitórias representam. Marco Rubio ganhou uma corrida a três na Florida, mostrando que é possível vencer com um discurso conservador num swing state, tornando-se numa das maiores estrelas do seu partido. O seu perfil politico coloca-o já num patamar bastante superior aos restantes eleitos para o Senado, vendo o seu nome assumir-se como potencial VP e até candidato presidencial no futuro. Rand Paul foi outro dos destaques, tendo sido um dos poucos candidatos mediáticos do tea party a vencer. A ala libertária do GOP conquista assim também influência em Washington. A vitória de Mark Kirk no Illinois assume também uma importância acrescida, em contraste com as derrotas de Angle, O´Donnell e Buck, candidatos do tea party. Para vencer em estados democratas, o GOP não pode apresentar candidatos demasiado conservadores. A vitória de Kirk, juntamente com Rob Portman no Ohio, Dan Coats no Indiana, John Boozman no Arkansas, Roy Blunt no Missouri, John Hoeven no Dakota do Norte e Kelly Ayote no New Hampshire, reforça o poder do establishment no Senado, ao contrário do que se chegou a prever quando se afirmava que seriam os candidatos insurgentes a constituir a maioria dos novos senadores. Os moderados não são uma espécie em extinção em Washington. John Boehner, Eric Cantor e Kevin Mcarthy, a nova liderança do GOP na Câmara dos Representantes, foram também os vencedores da noite, ao conquistarem a maior vitória desde 1938. Os olhares a partir de agora recairão muito sobre a acção destes três congressistas. Nas corridas dos governadores, destaque para a vitória de John Kasich no Ohio, talvez o mais importante swing state para 2012 e de Rick Scott na Florida, recuperando o estado para o GOP depois de Charlie Crist ter-se tornado independente. Nikki Haley, talvez a mais emblemática candidata do tea party nos governadores, tornou-se na primeira governadora da Carolina do Sul. Um nome a seguir nos próximos anos.


E como nem tudo foi mau para o Partido Democrata, também alguns surgem como vencedores. Harry Reid à cabeça, que foi dado como “morto” há muito tempo. Contra uma candidata fraca do tea party, Sharron Angle que ele ajudou a escolher durante o período das primárias republicanas quando atacou fortemente os outros candidatos, Reid venceu confortavelmente a reeleição e ainda viu o seu partido manter a maioria no Senado. Mérito para Reid e para a sua campanha. A eleição de Joe Manchin na West Virgínia dá também um importante sinal para eleições futuras: para ganhar em estados republicanos é preciso fazer uma campanha conservadora. Foi isso que Manchin fez e foi premiado pelos eleitores.


Da Califórnia vieram as melhores notícias para os democratas: Barbara Boxer mantêm-se como senadora e Jerry Brown foi eleito de novo governador, depois de ter ocupado o cargo na década de 70. Por fim destaque para Andrew Cuomo, novo governador de Nova Iorque. Está certo que a sua eleição ficou bastante facilitada por ter como opositor o “wacko” Carl Paladino. Mas esta vitória coloca-o como uma das figuras mais importantes do partido a nível nacional. Um possível candidato presidencial no futuro.



26
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:38link do post | comentar | ver comentários (2)

Será que os Estados Unidos estão perto de rebentar? Os dois principais partidos políticos parecem acreditar que sim, a acreditar nas declarações exacerbadas de alguns dos seus representantes. Do lado republicano, temos os gritos e apelos que o país caminha para a irrelevância e para o socialismo. Suportados por uma base de apoiantes estridentes que se tem manifestado nas ruas e cidades americanas, muitos candidatos republicanos têm feito campanha como se os Estados Unidos estivessem perto do abismo. Do outro lado, surgem igualmente apelos enraivecidos para o perigo de uma vitória republicana: tudo estará em causa, e o país pode ser tomado por extremistas que pretendem colocar em perigo a própria democracia. Mas será que não haverá um exagero de parte a parte?


A situação é muito complicada, e grave crise que afecta o país parece ter transformado a realidade político/partidária num caos permanente. Não têm razão os republicanos quando pretendem transformar Barack Obama no único e principal responsável pela situação actual. Não é verdade que quando tomou posse, o país já estava mergulhado numa profunda crise e que o desemprego já era bastante elevado? Quem ocupou a Casa Branca nos oito anos anteriores? Também não é verdade que sejam os republicanos os únicos culpados. Não foi Obama que prometeu que a situação seria hoje bastante melhor se fossem aprovadas, como foram, todas as iniciativas legislativas que pretendia? E o Partido Democrata não é detentor da maioria nas duas câmaras legislativas desde 2006? Tenho alguma dificuldade em fazer leituras do que ambos os partidos têm feito. Em períodos eleitorais é normal que as posições se radicalizem e que cada lado perca um bocado do bom senso que seria aconselhável. Obama, que foi eleito sob a promessa de ser um Presidente acima dos partidos, falhou claramente nesse desígnio. Ainda ontem afirmava que ele tem um lugar para os republicanos na condução dos destinos do país; mas que esse lugar era no “assento de trás”. Será essa uma atitude de um Presidente que deseja trabalhar com os dois lados? A resposta do outro lado não tem sido melhor. O líder da minoria republicana no Senado disse esta semana que o principal objectivo do seu partido é fazer com que Obama seja um Presidente de um mandato só. Será que o objectivo não deveria ser melhorar a economia e o estado do desemprego?


Independentemente do que vá suceder no próximo dia 2 de Novembro, a polarização e a radicalização partidária não deve parar. Como percebemos nos últimos dois anos, os Estados Unidos vivem num estado de permanente campanha eleitoral, e essa sim, é uma das maiores dificuldades para a governação de um país. Já a partir de Janeiro irá começar a campanha para as primárias republicanas, e o clima de guerrilha não vai parar. Os republicanos dificilmente assumirão uma postura mais negocial com os democratas. Apenas se o forem obrigados: pela opinião pública ou pela mestria dos democratas. Será que Obama vai conseguir dar a volta à situação e começar a governar realmente acima das questões partidárias? Se falhou na promessa de gerir acima dos partidos na primeira parte do mandato, quem sabe se não muda de estratégia e convida alguns republicanos a sentar-se ao seu lado na frente do veículo da governação?



21
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 21:17link do post | comentar

As últimas sondagens indicam que o Partido Republicano tem vindo a aumentar a sua vantagem no que diz respeito ao voto do eleitorado americano. A Pew Research Center divulgou hoje um estudo que oferece dá uma vantagem de 10 pontos (50-40). No mês passado a diferença era apenas de 7 pontos. Num estudo da Gallup a diferença é ainda maior, com 17 por cento com uma abstenção elevada e 11 por cento com grande afluência às urnas. A Rasmussen dá 9 pontos ao GOP. Por outro lado, há indicações claras que os republicanos perderam terreno nas últimas semanas nas eleições para o senado no Kentucky, Pennsylvania, Wisconsin e Colorado. Isto para não falar nas derrocadas em estados como Nova Iorque e Connecticut. Na Califórnia e Washington, quem tem perdido são os democratas. O que será que isto quer dizer?

 

Parece-me que a disposição das pessoas em votarem no Partido Republicano tem vindo a aumentar ligeiramente, que se traduz nas sondagens que indagam sobre o voto genérico. Mas cada eleição é também local. E isso traduz-se nas aproximações que alguns candidatos democratas têm vindo a conseguir em algumas eleições para o senado. Apesar do grande descontentamento com o partido no poder, alguns candidatos democratas têm conseguido aguentar-se bem nas suas campanhas. Por outro lado, alguns candidatos republicanos, como Pat Toomey (PA), Rand Paul (KY) e Ken Buck (CO) não conseguiram "cavalgar" na onda republicana que se tem vindo a formar. Ainda faltam duas semanas, e vamos ter muitas eleições a serem decididas por alguns milhares de votos. Tudo pode acontecer. Se parece inverosímil que os Democratas aguentem a maioria na Câmara dos Representantes, o mais provável é manterem a maioria no Senado. O que será a primeira vez a acontecer desde a década de 40 do século passado. Mas a história é apenas um dado estatístico: não tem grande peso na hora de contar os votos.


20
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:51link do post | comentar

O desespero em política normalmente traduz-se em desastre eleitoral. E os democratas têm manifestado sinais que já não sabem o que fazer para minorar os danos. Barack Obama é a prova desse desespero. E logo ele, que executou uma das mais brilhantes campanhas presidenciais que há memória. As suas declarações públicas no sentido de ajudar o seu partido têm minorado o seu papel de Presidente e enfraquecido os próprios candidatos. Há neste momento um problema de mensagem (os democratas simplesmente não têm nenhuma) e Obama tem contribuído para o caos comunicativo do partido. Passou o verão a atacar John Boehner, depois passou para Karl Rove e a Câmara do Comércio, e agora veio o ataque mais estapafúrdio de todos: a culpa é do... povo americano. Obama no passado fim de semana afirmou que as pessoas não estão a pensar correctamente sobre a situação do país e por isso estão  inclinar-se para o Partido Republicano. Em política nunca se pode acusar o povo de estar errado, e este argumento tem sido repetido por vários democratas. Não terá sido esse mesmo povo que os elegeu e os colocou no poder? Será que o povo só é inteligente e avalia bem a situação quando os elege?


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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