14
Out 15
publicado por Alexandre Burmester, às 15:30link do post | comentar

Dem debate.jpg

 

 

A "narrativa" das "classes palradoras" (tradução livre de "chattering classes") diz-nos que Hillary Clinton venceu o debate. Por acaso, a única amostra de opinião pública que até agora vi, diz que quem ganhou foi Bernie Sanders. Realmente, os debates eleitorais, seja onde forem, passaram a ser mais importantes pelo que os media depois deles dizem, que pelo que de substantivo neles possa ter ocorrido. Mas adiante.

 

Clinton teve, de facto, um desempenho firme, seguro e competente, embora por vezes ambíguo e evasivo. Convém, contudo, lembrar que a sua posição nas sondagens do campo democrático é bastante boa e que, na realidade, ela não precisava de deslumbrar. Jogava em casa. Acresce que um dos seus principais problemas, o caso dos e-mails, até lhe correu bem, quando Sanders, admitindo tratar-se de política fraca de sua parte, resolveu declarar que "o povo americano está farto do assunto do raio dos seus e-mails". O mesmo, claramente, não pensa Lincoln Chafee, que se referiu indirectamente ao caso, declarando, logo a abrir, "Eu não tenho escândalos. Eu sou honesto... Tenho padrões éticos elevados."

 

E-mails à parte, Clinton defendeu-se razoavelmente bem quando o moderador lhe perguntou, numa alusão à sua mudança de posição, no caso, entre outros, do acordo comercial Trans-Pacific Partnership, se ela diria tudo o que fosse necessário para ser eleita. Mas, como já referi, estava em casa, perante uma audiência de democratas que acham que só com ela terão possibilidades de manter a Casa Branca.

 

O estilo composto e disciplinado de Clinton é muito melhor em debates que o género mais comicieiro de Sanders, e isso notou-se bem ontem. Em questões caras aos corações liberais (em sentido anglo-saxónico), Clinton teve algumas afirmações que terão defendido o seu flanco esquerdo face a Sanders, mas que, numa eleição geral, a forçarão a mudar de posição (não que isso pareça constituir um problema para ela).

 

Uma palavra final para o apagado (em termos de sondagens) trio Martin O'Malley, Jim Webb e Lincoln Chafee: se estavam a contar com o debate de ontem para inverter as suas fortunas eleitorais, devem estar bem desiludidos a esta hora.

 

 


25
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:30link do post | comentar | ver comentários (6)

Segundo uma sondagem da Gallup, 46% dos americanos considera que Mitt Romney venceu os debates, enquanto 44% atribui a vitória a Barack Obama. Para a Rasmussen, Romney, com 49% saiu vencedor, contra 41% de Obama. A diferença está na amostra: enquanto a Gallup sondou todos os americanos, a Rasmussen apenas questionou os prováveis eleitores, um número mais friendly para Romney. Os estudos de opinião nacionais continuam a dar vantagem para Romney: Gallup +3, Rasmussen +3,  ABC/ Washington Post +3 e Associated Press +2 - enquanto Obama lidera na IBD/TIPP +2. Nos swing-states, Obama mantem-se ligeiramente à frente. 

 

Colin Powel, antigo Secretário de Estado de George W. Bush, repetiu hoje o apoio que dera a Barack Obama em 2008. Por outro lado, no campo dos endorsements dos jornais, uma velha tradicão da imprensa americana, o Washinton Post repetiu o apoio dado a Obama em 2008, enquanto o influente Detroit News do Michigan apoiou Mitt Romney. Também este não é surpresa, pois já em 2008 tinha apoiado John McCain. O mesmo aconteceu com o New York Post, que se manteve na coluna republicana. De notar que até ao momento não houve grandes alterações em relação a 2008. Entre os grandes jornais que já declararam o seu endorsement, apenas destaque da passagem do Houston Cronicle e do Orlando Sentinel do campo de Obama para Mitt Romney. 

 

A equipa de Mitt Romney anunciou hoje que angariou na primeira metade do mês de Outubro 111 milhões de dólares e lançou um apelo aos seus apoiantes para contribuírem com mais dinheiro. Será que vão expandir o investimento publicitário a outros estados, como defendeu Karl Rove na semana passada? 


23
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 09:32link do post | comentar | ver comentários (7)

As sondagens após o debate foram claras: Barack Obama foi considerado pelos eleitores como o vencedor do último debate. Como antecipei aqui, este debate era-lhe favorável pois Mitt Romney, como se viu ao longo da noite, não tem grandes discordâncias do que tem sido feito pela Administração Obama nesta frente, ao contrário na política interna. Por isso se percebeu a estratégia de Romney, que em vez de enfatizar as pequenas diferenças que tem com o Presidente, preferiu apresentar-se como um Comandante em Chefe aceitável perante o povo americano. Já Obama surgiu novamente ao ataque, tentando capitalizar este último confronto para o seu lado. E terá sido essa postura agressiva e de confrontação que lhe terá garantido a vitória. Aliás, se dúvidas houvesse sobre o estado da corrida antes do debate, as duas estratégias foram clarificadoras: Obama jogou ao ataque e Romney jogou para o empate. Há um claro sentimento de perda na equipa de Obama, enquanto os republicanos pensam que estão na frente. Só isso explica as duas estratégias. Se o "momentum" de Romney foi parado ontem à noite? Não sei.

 

Na semana passada, depois do debate e da pequena vitória de Obama, o pensamento convencional apontava para que as sondagens iriam mover-se no seu sentido. Tal não aconteceu. Desta vez será diferente? Olhando para as opiniões carregadas de wishfull thinking (e é o que mais se lê por aí), aconselharia prudência. No estudo conduzido após o fim do debate da CNN, que deu a vitória a Obama por 48-40, cerca de 24% dos inquiridos disseram estavam mais predispostos a votar no Presidente e cerca de 25% em Romney. No estudo da PPP (D) conduzido em sete swing-states, cerca de 53% deu a vitória ao Presidente, contra 42%  Romney. Mas também aponta para que os ganhos de Obama sejam marginais: 37% dizem que estão mais próximos de votar nele contrra 31%, enquanto 38% mais abertos em votar em Romney contra 35%. E entre os eleitores indecisos? 32% por cento está mais inclinado a votar em Obama contra 48%, e 47% mais favorável a votar em Romney e 35% menos.  O que isto quer dizer? Precisamente a tal prudência que refiria. O melhor será esperar até às sondagens do próximo fim de semana para ver quem realmente mais ganhou com este debate. Porque, como já vimos neste ciclo eleitoral, o importante não é ganhar as instant polls conduzidas após os debates, mas sim qual o real efeito no sentimento dos eleitores. E para mim, esse é incerto após a noite de ontem.


22
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:22link do post | comentar

Esta noite Mitt Romney e Barack Obama defrontam-se pela terceira e última vez, naquele que será, independemente do que acontecer a 6 de Novembro, o último debate da carreira política de Obama. Até ao momento Romney é o grande vencedor da época de debates. Depois de ter arrasado no inicio do mês, começou a subir nas sondagens, e hoje até lidera a maior parte das sondagens nacionais. No segundo debate, a crítica foi também unânime em atribuir a vitória a Obama, mas as sondagens desta última semana parecem indicar que houve pouco movimento em favor do Presidente. Aliás, algumas, como uma que foi publicada hoje pela Survey USA, até sugere que foi Romney quem ganhou mais com esse debate. Mas será que Romney parte como favorito esta noite? Muito pelo contrário. 

 

Hoje à noite na Florida o tema principal é a política externa, um campo em que o Presidente Obama tem liderado as preferências dos americanos de forma consistente. No debate da semana passada, foi precisamente nesta área que Obama esteve bastante melhor do que Mitt Romney, ao contrário deste, que pareceu incoerente e nem sempre conseguiu transmitir a sua visão. A sua pior intervenção foi mesmo sobre a Líbia, onde tinha alguma vantagem inicial. E como Mitt Romney, além de retórica, tem muito pouco de diferente para oferecer do que Obama fez neste último mandato (a excepção talvez seja a China), ele sentirá a necessidade de enfatizar demasiado as pequenas diferenças que o separam de Obama. Ora isso não é uma estratégia vencedora para Romney. Mas precisamente porque este debate é sobre um tema que neste momento pouco interessa aos eleitores, Obama não tem muito a ganhar, mesmo que saia vencedor, como é previsível que tal suceda. O melhor cenário para o Presidente? Uma performance desastrada de Romney, e que mostre aos eleitores que não está preparado para assumir o cargo de Comandante em Chefe. 


17
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 09:59link do post | comentar | ver comentários (13)

No debate de ontem à noite surgiu um Barack Obama revigorado, constantemente ao ataque, tentando apagar a tímida imagem que tinha deixado no primeiro debate. E essa foi a sua grande virtude, pois uma prestação idêntica ter-lhe-ia sido fatal. Mitt Romney não destoou muito em relação ao que tinha feito em Denver, mas a verdade é que é bem diferente debater sozinho do que com um adversário pela frente. Não se pode dizer que foi uma vitória avassaladora do Presidente. O debate de ontem foi típico: as bases ficam contentes com a prestação do seu candidato, com os indecisos a quebrarem para um dos lados. Segundo as sondagens recolhidas logo após o debate, Obama levou a melhor, com 37%-30% na da CBS e 46-39% da CNN, mas bem longe dos números de Romney no primeiro debate (67%-25% na CNN). Diria que esta "curta" vitória de Obama poderá ser importante para reverter o "momentum" de Romney nas sondagens, mas tudo é ainda incerto, pelo que será melhor esperar pelos primeiros números, a serem conhecidos lá para sexta-feira. É inegável que a corrida irá manter-se renhida até ao fim, e todos os esforços serão relevantes. O debate da próxima segunda-feira, sobre política externa, será a última grande oportunidade para um dos candidatos transformarem a corrida em seu favor.


PS: Uma coisa parece certa depois de ontem: Candy Crowley não voltará a moderar um debate presidencial. Num dos piores momentos de Romney no debate, sobre a situação na Líbia (e onde ele teria a obrigação de fazer bem melhor), a jornalista da CNN interveio a corrigir Romney em favor de Obama, mas essa correcção estava ela própria errada. Presumo que nos próximos dias o campo republicano utilize a Líbia novamente para criticar o presidente, mas a verdade é que Romney, e apesar de Crowley, falhou.


14
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:40link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Mitt Romney lidera em quase todas as sondagens nacionais (por curta margem) e nos swing-states as coisas estão muito equilibradas. No entanto, o "momentum" está do lado do candidato republicano, e por isso Barack Obama precisa rapidamente de mudar novamente a narrativa desta campanha. E a melhor oportunidade que terá será no debate desta terça-feira, que será realizado no formato "Town Hall", com os candidatos a responderem directamente a perguntas do público. Como o terceiro debate será sobre política externa, esta é a melhor altura para Obama colocar Mitt Romney à defesa nas áreas mais frágeis. No pré debate de 3 de Outubro, o republicano estava encostado às cordas e a história que a equipa de Obama vinha a contar, sobre um predador milionário que está desligado dos problemas dos americanos estava a ter sucesso. Obama precisa de voltar a colocar esses narrativa na ordem do dia. Romney tentará manter a dinâmica de vitória que alcançou em Denver, demonstrando que a sua performance brilhante não foi um acaso. 

 

Não tenho dúvidas que Obama, depois da "debacle" do primeiro confronto, estará muito melhor. Vamos ver um Presidente ao ataque, a defender melhor o seu trabalho como Presidente e sem aquelas expressões de cansaço ou até irritação por estar a debater com Romney. Além disso, este é um debate com público. E a forma como os candidatos vão interagir com a audiência também será importante. E, neste ponto, penso que Obama leva vantagem. Mas isso pode não chegar, sobretudo se Romney conseguir uma prestação positiva. 


12
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:38link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Joe Biden esteve melhor do que Paul Ryan, se considerarmos apenas o que foi dito por ambos os candidatos. Se eu tivesse lido apenas a transcrição do debate ou até ouvido na rádio, provavelmente diria que o actual Vice Presidente tinha ganho o debate. Mas o pior para a equipa democrata é que foi televisionado. As constantes interrupções, as gargalhadas fora de tempo (rir-se do assassinato do embaixador da Líbia?) e o tratamento condescendente em relação a Paul Ryan terão estragado a noite à equipa de Obama. Além disso, e apesar dos bons momentos de Biden, foi Paul Ryan quem teve atitude mais correspondente ao cargo de Vice Presidente. Notou-se a inexperiência neste tipo de confronto, e por vezes parecia demasiado complexo nas suas explicações. Mas a teatralidade exagerada do seu adversário tê-lo-á ajudado a ultrapassar este teste. Por isso concordo com a avaliação que o Alexandre fez deste debate: um empate. Mas este debate pouco ou nada contará nesta campanha. Ao contrario de há quatro anos, quando mais de 70 milhões de pessoas viram o embate entre Joe Biden e Sarah Palin, ontem apenas 46 milhões* de americanos o seguiram em directo. Portanto, nada de novo nesta corrida. 

 

PS: hoje as sondagens continuam a mostrar Mitt Romney na liderança a nível nacional, e com bons resultados em swing-states (New Hampshire, Virgínia, Florida e Colorado). Até ao debate da próxima semana, o republicano deverá continuar na frente da corrida, e até obter melhores números nos swing-states. 


*inicialmente escrevi 28 milhões, mas ao final do dia os números foram actualizados. 


05
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:25link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Os republicanos estavam verdadeiramente satisfeitos após o debate, como se pode ler nesta peça do correspondente da Lusa nos Estados Unidos, Paulo Dias Figueiredo (a quem aproveito para agradecer a referência). Segundo o Instituto Nielsen, o debate de quarta-feira teve uma audiência estimada em 67 milhões espectadores, um recorde nos últimos 20 anos. Curiosamente, depois do número de espectadores nas convenções ter descido substancialmente em relação a 2008, este primeiro debate teve mais audiência do que qualquer um de há quatro anos. Nestes números, não estão ainda incluídas as visualizações do debate através da Internet. Estes números são excelentes notícias para Mitt Romney, que obteve uma vitória assinalável contra Barack Obama. A grande questão é esta: que implicações terá este debate para a corrida?

 

Em relação às sondagens, talvez apenas no inicio da próxima semana possamos afirmar com segurança que tipo de movimento resultou deste debate. Até porque hoje o boletim do desemprego apresentou uma descida do desemprego de 8,1 para 7,8%, uma excelente notícia para Obama após o desastre de quarta-feira (palavras de Andrew Sullivan, um apoiante entusiasta de Obama). As primeiras indicações até são positivas para Mitt Romney, pois vi há pouco sondagens no Ohio (+1 BO e +1 MR), Florida (+3 MR, +3 MR), Virgínia (+1 MR e +3 MR) e Nevada (+1BO) que parecem indicar uma recuperação substancial do candidato republicano. Mas nesse aspecto, o mais prudente é esperar por mais números para comentar com mais segurança. 

 

Mas há vantagens claras que a campanha de Mitt Romney já retirou deste debate. Em primeiro lugar, acalmou completamente a base republicana, que suspirava por um candidato assim, inspirador, lutador e que apresentasse um projecto conservador à América com optimismo e visão sobre o futuro. Romney foi esse candidato no debate de quarta-feira. Depois, a sua prestação convincente aplacou por completo os críticos conservadores nos media, que nos tempos mais recentes vinham criticando, por vezes ferozmente, a prestação de Romney enquanto candidato presidencial. Com o debate de quarta-feira, Mitt Romney assegurou os apoiantes que está na corrida para ganhar. E esses agora acreditam bem mais do que há uma semana atrás. isso significa mais entusiasmo  para eleger Romney, mais dinheiro a entrar nos seus cofres e maior capacidade de choque para enfrentar o adversário. E como já se vota em alguns estados, prevejo que muitos destes comecem desde já a votar e a convencer indecisos a fazê-lo também. 

 

A narrativa mediática mudou. Depois de um mês a ser destroçado nos media, Mitt Romney ganhou tempo para respirar depois de Denver. As comparações com Michael Dukakis, Bob Dole ou John Kerry repetiam-se sucessivamente, e estava a ser criada a sensação que era um "derrotado". Presumo que as comparações com Reagan voltarão aos escaparates dos media, e é sempre melhor ser comparado com vencedores do que com derrotados. As sondagens (principalmente as dos swing-states) indicavam que a sua capacidade para vencer estava a ficar cada vez mais reduzida, e eram cada vez menos os analistas que consideravam que Romney tinha grandes hipóteses de vitória. Como o próximo debate entre Obama e Romney apenas acontecerá daqui a duas semanas, o candidato republicano poderá agora explorar a seu favor esta nova situação. E, não tenhamos ilusões, a vitória de Mitt Romney coloca-o agora, mais do que nunca, como presidenciável aos olhos de muita gente que não o apoiava. Como disse antes do debate, Romney precisava de convencer os indecisos descontentes com Obama que ele é capaz de fazer melhor. Quarta-feira foi um excelente passo nesse sentido.  

 

Por fim, esta vitória de Mitt Romney coloca pressão no adversário. Acreditando que o debate entre Vice Presidentes não irá contar muito, mesmo que, por exemplo, Paul Ryan "aniquile" Joe Biden (o que eu não acredito até porque Biden, apesar das barbaridades que por vezes diz, até é bom em debates), o próximo grande momento da campanha será o debate em formato town hall meeting do dia 16 em Nova Iorque. E, desde o inicio da sua carreira na arena nacional em 2004, nunca Obama esteve sob pressão. Sempre liderou as suas eleições, e mesmo contra Hillary Clinton, Obama esteve sempre ao leme dos acontecimentos, e esta é uma situação nova para ele. Depois de ter passado ao lado do primeiro debate, haverá a tendência para Obama surgir ao ataque. Mas é muito complicado fazê-lo com eficácia, sem parecer vingativo ou zangado, como Mitt Romney conseguiu-o fazê-lo e bem esta semana. Nada será pior para o Presidente do que aparecer com um estatuto diminuído no próximo debate perante Romney. Aliás, desconfio que foi isso que fez com que os estrategas de Obama não quisessem que ele atacasse Romney em questões como os 47% ou o seu passado da Bain Capital. 

 

Considero que Obama permanece o favorito, mas depois do debate Mitt Romney recuperou imenso espaço. Mais tarde diremos se este foi um momento decisivo desta campanha, ou, pelo contrário, um balão de oxigénio que não chegou a encher totalmente. 


04
Out 12
publicado por José Gomes André, às 15:35link do post | comentar | ver comentários (7)

1. Um debate presidencial é sobretudo uma encenação mediática, onde o que importa é parecer melhor: mais confiante e assertivo, mais simpático e descontraído, mais bem preparado, mais "presidenciável". A forma ganha os debates, não o conteúdo.

 

2. Face a estes parâmetros, Mitt Romney foi um evidente vencedor. Face a um Obama surpreendemente cinzento, cansado, tropeçando nas próprias palavras, olhando para baixo enquanto ouvia o adversário, Romney surgiu como um orador talentoso, afirmativo, confiante. A sua linguagem corporal (olhando Obama como um predador olha a presa) mostrou um macho-alfa dominador. E as suas permanentes referências a histórias concretas e ao sofrimento do americano comum quebraram a sua imagem robótica, humanizando-o perante o eleitorado. 

 

3. Mas Romney ganhou noutros campos. Contrariando um dos (até aqui) maiores erros da sua campanha, Romney não se limitou a um discurso crítico do Presidente, como se "ser o outro" candidato bastasse para chegar à Casa Branca. Enviou portanto uma mensagem positiva ao eleitorado, insistindo nos méritos do seu próprio programa, focado na criação de emprego e na eliminação das "gorduras do Estado". Enquanto Obama se perdia em detalhes técnicos aborrecidos, Romney defendia o seu projecto político de forma articulada e sintética, sem soar demasiado abstracto.

 

4. Chegará, por si só, para ganhar a eleição? Provavelmente não. Os debates presidenciais são amplamente escrutinados e têm excelentes audiências, mas os dados mostram que a maioria dos eleitores atentos procuram apenas "confirmar" posições previamente definidas, sendo que muitos dos chamados "indecisos" confessam posteriormente à eleição ter prestado pouca ou nenhuma atenção aos debates. Em todo o caso, numa eleição renhida como esta, alterações em pequenas franjas do eleitorado podem ser decisivas. Além do mais, este debate tem desde já o condão de enfraquecer o optimismo reinante entre os Democratas e renovar o entusiasmo Republicano (tanto da base eleitoral como dos financiadores da campanha)...

 

5. Faltam dois debates presidenciais, um debate entre candidatos a vice-presidentes e um mês de campanha. Continuo convencido que Obama é favorito e que Romney, apesar desta boa prestação, tem alguns problemas por resolver - nomeadamente a explicação cabal da revolução fiscal prometida, as alterações na Segurança Social e os cortes nos programas de saúde, temas de grande sensibilidade onde a dupla Romney/Ryan gera grande desconfiança. Todavia, se até aqui os eleitores viam Obama como um "mal menor", a excelente prestação de Romney terá pelo menos generalizado a ideia de que ele pode constituir uma alternativa credível. Conseguir isto em hora e meia é notável.


publicado por Nuno Gouveia, às 04:06link do post | comentar | ver comentários (5)

 

Vi todos os debates presidenciais desde as eleições de 2000. Não me recordo de assistir a uma vitória tão concludente de um candidato. Contrariamente às minhas previsões de ontem, Mitt Romney venceu claramente o debate desta noite. Se Mitt Romney conseguir superar as melhores prestações que já lhe tinha visto durante as primárias, a principal surpresa para mim foi Barack Obama, que apareceu completamente transformado. Com um ar consternado, sempre na defensiva e demonstrando até alguma irritação por estar ali, o Presidente ontem perdeu a aura de invencibilidade. Ao contrário do que é normal, os próprios apoiantes de Obama nem sequer tentaram disfarçar a derrota. Por todo o lado, desde activistas e analistas no Twitter, nos blogues ou nos canais de TV (a MSNBC parecia um funeral e a Fox News um casamento), todos declararam a vitória a Mitt Romney. As sondagens iniciais também (a da CNN dá 65% a Romney e 22% a Obama), e não há dúvidas que o candidato republicano teve ontem uma grande noite. 

 

Conclusões deste debate para a corrida? Não sei se será um game changer nesta eleição, mas parece-me que Mitt Romney irá recuperar alguns pontos nas sondagens até ao próximo debate, no dia 16 de Outubro. E, entretanto, a imagem de Obama sai chamuscada desta noite. Mitt Romney foi verdadeiramente assertivo na sua prestação, e ultrapassou as melhores expectativas que algum seu assessor poderia ter. Se ele conseguir arrancar mais duas noites destas, a Casa Branca poderá estar a seus pés. Mas também é verdade que os debates raramente definiram eleições presidenciais, e por isso, é preciso estar atento a outros fenómenos desta campanha. Para a semana debatem Joe Biden e Paul Ryan. Ao contrário do debate desta semana, o jogo das expectativas estará contra os republicanos, mas é difícil prever outro resultado que não a vitória de Ryan.

 

 


01
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:00link do post | comentar

Mais um grande momento de Ronald Reagan, desta vez no debate contra Walter Mondale em 1984. 


publicado por Nuno Gouveia, às 16:40link do post | comentar | ver comentários (7)

A dinâmica da corrida encontra-se claramente a favor de Obama. Na verdade, com mais ou menos distorções nas sondagens, o Presidente tem liderado a "corrida" desde há muito tempo. Apesar de ser uma vantagem quase sempre dentro da margem de erro das sondagens, Romney nunca nestes últimos meses conseguiu apresentar-se na frente. E isso não pode ser descurado numa análise realista a esta campanha. Mais, neste último mês, Obama parece ter "fugido" de Romney, com constantes sondagens a indicar-lhe uma vantagem mais confortável, principalmente em alguns swing-states. Se as eleições fossem hoje, provavelmente Mitt Romney venceria todos os estados de John McCain mais o Indiana e a Carolina do Norte, o que significaria uma vitória confortável de Obama. Isso coloca enorme pressão na sua prestação de quarta-feira, pois os media têm apresentado esta oportunidade como uma real possibilidade de reviravolta nesta corrida. Honestamente não espero que tal suceda. Com a excepção remota de um desastre de Obama no debate, o mais provável é que pouco ou nada mude após esta quarta-feira. O que pode contribuir para ajudar Romney? Três prestações aceitáveis nos debates (mostrando que está à altura da presidência), e que os eleitores indecisos e os que declaram que ainda podem mudar de sentido de voto, o escolham. Isso pode acontecer, se os debates lhe correrem relativamente bem, como disse, que Paul Ryan cilindre Joe Biden no seu debate, e que a sua campanha consiga acertar com a mensagem neste último mês, sobretudo focando-se nos problemas económicos do país. Não é uma tarefa impossível nem verdadeiramente herculeana. Mas há um mês a sua situação era mais fácil. 


30
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:56link do post | comentar | ver comentários (2)

Michael Dukakis foi o único candidato presidencial nas últimas décadas contra a pena de morte. A forma fria e calculista como respondeu a esta pergunta no debate contra George. H. Bush em 1988 terá contribuido para a sua derrota.  


29
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:53link do post | comentar

 

Debate entre Gerald Ford e Jimmy Carter em 1976. Uma gaffe monumental de Gerald Ford sobre o posicionamento geopolítico dos países de leste. 


28
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:50link do post | comentar | ver comentários (5)

Grande momento no debate de candidatos a Vice Presidente em 1988, entre Lloyd Bentsen e Dan Quayle. Não terá sido muito relevante na campanha, mas hoje todos o recordam. 


27
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 21:22link do post | comentar | ver comentários (3)

Este foi provavelmente o debate mais importante da história das eleições presidenciais americanas. Foi o único da campanha de 1980, sendo que antes dele, apenas uma semana antes das eleições, Reagan estava atrás de Carter e acabaria por vencer as eleições por 9%. "There you go again" ficou na história da política norte-americana. 


publicado por Nuno Gouveia, às 18:03link do post | comentar

O primeiro debate é já a 3 de Outubro (próxima quarta-feira), e ambas as campanhas já preparam caminho. E como sempre, as expectativas por vezes são muito relevantes para no final dos debates se "declarar" o vencedor. Claro que isso será sempre subjectivo, e em última análise, o facto mais relevante será a reacção dos eleitores, independentemente do que os comentadores digam. George W. Bush em 2000 entrou no debate com perspectivas de ser destroçado por Al Gore. Como acabou por ter uma prestação aceitável, acabou por sair vencedor. Em 2008 esperava-se o pior de Sarah Palin contra Joe Biden. Como tal não sucedeu, a opinião convencional foi que houve um empate entre eles. Este ano Obama parte como favorito, até pelo rumo da campanha. A expectativa mediática é que irá derrotar Romney. Além disso, não está tão pressionado como o seu adversário, e até pode bem dar-se o caso de sair "derrotado" nos debates e acabar por ser reeleito. Em 2004 foi mais ou menos convencional que John Kerry teve melhores prestações do que George W. Bush, mas isso nada lhe valeu. O "cómico" disto tudo: ambas as campanhas, de forma descarada, já andam a "elevar" os dotes de debate dos seus adversários. Hoje Jay Carney disse que "Obama tornou-se o nomeado do Partido Democrata em 2008, apesar da sua prestação nos debates" contra Hillary Clinton. Há uns dias, David Axelrod disse que Romney parte com muita vantagem, até porque já participou em imensos debates neste ciclo eleitoral e teve "excelentes prestações". Rob Portman, que está a fazer de "Obama" nos ensaios com Mitt Romney, elogiou as qualidades de Obama nos debates e disse que este era muito difícil de derrotar. Até 3 de Outubro, os elogios mútuos vão continuar, mas, se a expectativa é que Obama vença (ele que até nem é particularmente bom neste tipo de performances), é Mitt Romney quem tem mais a perder (ou a ganhar). E, diga-se, o primeiro debate deverá ser o mais relevante dos quatro. 


26
Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 10:35link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Foram ontem anunciadas as datas e locais dos debates presidenciais entre Mitt Romney e Barack Obama e o de Vice Presidentes. O formato é o normal, três debates entre os candidatos e um entre VPs, sendo que ainda não foram anunciados os moderadores. Este ano, os debates decorrem uma semana mais tarde do que em 2008, sendo que o último será 15 dias antes das eleições. Com uma eleição tão disputada como esta, serão momentos decisivos para o desfecho final e irão dominar as atenções do mês de Outubro.

 

Estes debates são organizados pela Commission on Presidential Debates, que inclui representantes de ambos os partidos. Para poderem participar nos debates, os candidatos deverão ter pelo menos 15% nas intenções de voto, a razão porque têm participado apenas os candidatos dos dois maiores partidos. A excepção foi em 1992, quando Ross Perot teve lugar na mesa.

 

3 de Outubro - Denver, Colorado

Debate entre Romney e Obama sobre política interna, com seis segmentos de 15 minutos para cada tema.

 

11 de Outubro - Danville, Kentucky

Debate entre Joe Biden e o candidato a Vice Presidente de Romney, com 10 segmentos de 10 minutos, abordando política interna e externa.

 

16 de Outubro - Hempstead, Nova Iorque
Debate entre Romney e Obama, num formato de Town Hall Meeting, com cidadãos a questionarem directamente os candidatos com perguntas sobre política interna e externa. Serão eleitores indecisos, seleccionados pela Gallup, que estarão presentes neste debate.

22 de Outubro - Boca Raton, Florida
Debate entre Romney e Obama sobre política externa.


22
Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:02link do post | comentar | ver comentários (21)

 

Com o trágico massacre de Aurora, no Colorado, a campanha presidencial teve uma pausa neste fim de semana. Infelizmente, a barbárie voltou a atacar em solo americano. Nas próximas semanas a tendência será para desacelerar, entrando num período mais morno nesta campanha. Ambos os lados tinham "momentum" do seu lado: Obama vinha a aumentar a pressão sobre Romney devido ao seu passado na Bain Capital e devido às suas declarações de impostos, enquanto Romney estava a pressionar o Presidente por uma gaffe embaraçosa sobre o sucesso dos empresários. Estes temas voltarão certamente à campanha, mas veremos quem saiu a perder com esta interrupção. 

 

Já durante esta semana, Mitt Romney irá fazer uma viagem ao estrangeiro, onde estará no Reino Unido, Polónia e Israel. É de prever que a campanha irá centrar as atenções na política externa, uma área que não deverá ter este ano o impacto de outras corridas presidenciais. Na verdade, e se deixarmos a retórica de parte, não há neste momento grandes diferenças entre os candidatos. Já no final desta semana irão começar os Jogos Olímpicos, que deverão recolher grande parte da atenção mediática até 12 de Agosto. Nestas duas semanas, não haverá grandes movimentações dos candidatos, sendo de esperar um período mais morno. Mas a partir daí, a campanha irá decorrer a um ritmo frenético até 6 de Novembro. Até ao inicio da Convenção Republicana, que irá realizar-se entre 27 e 30 de Agosto em Tampa, Mitt Romney deverá anunciar o seu candidato a Vice Presidente, tendo aqui uma boa oportunidade para dominar as televisões. Na semana seguinte será a vez de Barack Obama ter toda a atenção, com a realização da Convenção Democrata em Charlotte, entre os dias 3 e 6 de Setembro. Os três debates entre Obama e Romney ainda não estão agendados, mas deverão realizar-se nas últimas semanas de Setembro e inicio de Outubro. Estes últimos dois meses, a acreditar no ritmo das sondagens, serão decisivos


23
Fev 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:53link do post | comentar | ver comentários (1)

Ontem à noite os candidatos republicanos defrontaram-se no Arizona e não se pode dizer que tenha sido um dos melhores momentos desta campanha. Acabou por ser Mitt Romney o mais favorecido, não porque esteve particularmente bem, mas terá estado bem melhor do que o seu principal adversário do momento, Rick Santorum. Acossado pela dupla Paul-Romney, o antigo senador da Pensilvânia passou a maior parte das duas horas a defender-se de críticas ao seu passado enquanto senador. Depois deste debate, ficaria muito surpreendido se Romney não vencesse as primárias do Arizona e Michigan do dia 28. Newt Gingrich voltou a estar em bom plano, o que talvez o volte a colocar em jogo. Apostaria que nos próximos dias veremos Romney a subir nas sondagens, juntamente com Gingrich, com Santorum a baixar. Onde é que já vimos este filme? 


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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