21
Mar 16
publicado por Nuno Gouveia, às 21:35link do post | comentar | ver comentários (4)

As primárias republicanas de 2016 podem terminar com uma "convenção contestada", algo que não sucede desde 1976, quando Gerald Ford chegou à convenção de Kansas City sem os delegados necessários para obter a nomeação na primeira votação. No Partido Democrata, a última vez que tal aconteceu foi em 1980, numa disputa ganha pelo Presidente Jimmy Carter contra o senador Ted Kennedy. Se na era moderna da política americana este fenómeno é muito invulgar, até à introdução generalizada das primárias da década de 70, depois da reforma McGovern-Fraser, era mais comum. As lendárias convenções decididas pelos "party bosses" em "smoke-filled room" eram habituais, com as decisões a serem tomadas à porta fechada*. Para tal acontecer este ano, nenhum candidato pode atingir os 1237 delegados, o que é possível, pois ao contrário de outros anos, Donald Trump vai ter oposição até ao final das primárias. Apesar de me parecer que Trump deverá mesmo chegar muito perto desse número, se não o ultrapassar mesmo, este é um cenário em que vários republicanos do movimento #NeverTrump estão a trabalhar para impedir o milionário nova iorquino de se transformar no líder republicano. Se Trump não conseguir obter os 1237 delegados na primeira votação na Convenção de Cleveland, então os seus delegados vão se libertando da obrigação de votarem nele e tudo pode acontecer. Mesmo nomear um candidato que não tenha tido a votos nestas primárias. Improvável mas não impossível. E é nisso que apostam os seus opositores no Partido Republicano. 

Em 1976, o presidente Gerald Ford chegou à convenção à frente mas sem os 1130 delegados necessários para vencer a nomeação à primeira votação. Ronald Reagan, antigo governador da Califórnia, chega a Kansas City com a aspiração de derrotar o Presidente e anuncia que o seu candidato a vice presidente seria o senador da Pensilvânia, Richard Schweiker, para convencer a ala moderada do partido a apoiá-lo. O problema para Reagan foi que os conservadores não gostaram da sua escolha e muitos deles decidiram apoiar Ford, que ganhou a nomeação com 1187 delegados contra os 1070 de Reagan. Depois de perder a votação, Reagan declarou o apoio a Ford, terminando com a frase "There is no substitute for victory, Mr President". Gerald Ford perdeu para Jimmy Carter e passado quatro anos, na convenção de Detroit, tentou negociar a sua entrada no ticket republicano como Vice Presidente de Reagan. O acordo chegou mesmo a estar quase concluído, mas Reagan à última hora optou por George H. Bush. 

1952 foi um ano em grande para as convenções contestadas. No lado do Partido Republicano, Robert Taft e Dwight Eisenhower defrontaram-se na Convenção de Chicago, não para escolher o nomeado republicano, mas sim para escolher o Presidente. Depois de 20 anos de domínio democrata e com a popularidade do Presidente Harry Truman pelas ruas da amargura, era quase certo que o Partido Republicano iria recuperar a Casa Branca. Foi também um confronto entre os centristas e os conservadores, uma réplica da história da década anterior e posterior no GOP. Thomas Dewey, nomeado republicano em 1944 e 1948, optou por não se candidatar, mas conseguiu convencer o herói da II Guerra Mundial, o general Dwight Eisenhower, a candidatar-se pela ala moderada (curiosamente, também tinha sido "namorado" pelo Partido Democrata). Robert Taft, representante da ala conservadora do partido, tentou pela última vez ser o nomeado contra os moderados. Esta foi uma convenção cheia de truques de ambos os lados, com Einsenhower a ganhar na primeira votação com 845 votos contra 280 de Taft. No entanto, no inicio da Convenção o número de delegados era muito equilibrado, mas as manobras na convenção fizeram pender a vitória para o general. Para equilibrar o ticket, o Einsenhower nomeou um jovem senador da Califórnia, Richard Nixon. Também em Chicago, o Partido Democrata reuniu-se para escolher o sucessor de Harry Truman. E foi a última vez que nenhum partido escolheu o seu candidato à primeira. Nas duas primeiras votações, o senador do Tennessee, Estes Kefauver liderou, sem no entanto chegar à maioria dos delegados. Mas o governador do Illinois, Adlai Stevenson, que nem sequer era candidato no inicio da convenção, cedeu aos esforços de alguns party bosses e avançou para a luta pela nomeação. Apesar de destroçado popularmente, o apoio de Harry Truman viria a ser decisivo para a vitória de Adlai Stevenson na terceira votação. Passado quatro anos, voltaria a ser candidato e derrotado nas presidenciais de 1956. 

Muitas mais histórias de ambos os partidos haveria para contar. A mais conhecida do grande público, até pelo excelente livro de Doris Kearns Goodwin, Team Rivals, foi em 1860 na segunda convenção da história do Partido Republicano, quando o desconhecido Abraham Lincoln derrotou os favoritos William H. Seward, Salmon P. Chase e Edward Bates. A mais longa de todas foi no Partido Democrata em 1924, quando foram necessárias 103 votações para escolher John W. Davis, que derrotou o candidato apoiado pelo Ku Klux Klan William G. McAdoo, que chegou a ter 47% dos delegados na 77ª votação. Com uma furiosa oposição do governador de Nova Iorque, o católico Al Smith, Davis acabou por ser o candidato da reconciliação,

 

* Sobre este tópico aconselho o filme "The Best Man", escrito por Gore Vidal e realizado por Franklin Schaffner com Henry Fonda. 


13
Mar 16
publicado por Alexandre Burmester, às 16:49link do post | comentar | ver comentários (1)

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Numa altura em que a actualidade anda a ser dominada pelos confrontos em comícios de Donald Trump, ocorreu-me a maior manifestação de violência política na América do pós-guerra, a Convenção Democrática de 1968, em Chicago.

 

Norman Mailer imortalizaria o episódio no seu livro "Miami and the Siege of Chicago" (em Miami tinha tido lugar a Convenção Republicana, que nomeara Richard Nixon como candidato do GOP).

 

https://www.youtube.com/watch?v=1Iye1NQy1NY

 

 


20
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:22link do post | comentar | ver comentários (3)

 

O Partido Democrata anunciou hoje mais nomes que vão discursar na sua convenção, que se realiza em Charlotte entre os dias 3 e 6 de Setembro. Ao contrário dos seus adversários e até do que tem sido normal nos últimos anos, os democratas não apresentam grandes novidades nem oradores que entusiasmam a base democrata. Talvez com excepção dos anteriormente anunciados Elisabeth Warren, candidata ao senado no Massachusetts, e Julian Castro, o Keynote Speaker da convenção, e excluindo Obama e Bill Clinton, claro. Mas esses não constituem novidade nenhuma. 

 

Rahm Emanuel, Mayor de Chicago e antigo chefe de gabinete de Obama, John Kerry, candidato democrata de 2004, Deval Patrick, governador do Massachusetts, Tim Kaine, candidato ao senado na Vírginia, Kamala Harris, Procuradora Geral da Califórnia, Martin O'Malley, governador do Maryland e Ted Strickland, antigo governador do Ohio. A estes podemos juntar os anteriormente anunciados Bill Clinton, Jimmy Carter, e claro, Joe Biden, Michelle e Barack Obama. A esta lista, que ainda deverá crescer mais com democratas, fica a faltar o tão anunciado republicano que irá discursar em Charlotte. Este sim, poderá ser um nome interessante. 


16
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:59link do post | comentar

 

O nome de Arthur Davis não dirá muito à maioria das pessoas. Antigo congressista democrata do Alabama, foi candidato a governador deste estado em 2010, tendo perdido nas primárias. Há dois meses anunciou que abandonava o Partido Democrata, por este ter "virado demasiado à esquerda" e juntou-se ao Partido Republicano. Este tipo de movimentos são normais nos Estados Unidos. Mas o caso de Davis é especial, pois ele foi o primeiro congressista sem ser do Illinois a declarar o apoio a Barack Obama ainda em 2007. Fez parte da sua direcção de campanha e discursou na Convenção Nacional de Denver. Mas nos últimos anos afastou-se de Obama e declarou o apoio a Mitt Romney há duas semanas. 

 

Em 2008, Joe Lieberman, antigo democrata discursou na convenção republicana e em 2004, Zell Miller, antigo senador democrata da Georgia, também discursou na convenção republicana. Este ano, além de Davis, estão também na calha discursos de republicanos na convenção democrata, conforme já tinha adiantado aqui. Será que este tipo de discursos têm influência em algum eleitorado? Tenho as minhas dúvidas. 

 

Juntamente com Arthur Davis, foram também anunciados os nomes de Rob Portman, senador do Ohio, Kelly Ayotte, senadora do New Hampshire, o governador da Louisiana, Bobby Jindal e ainda Connie Mack, congressista da Florida. 


14
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 12:28link do post | comentar | ver comentários (3)

 

Começam a ser conhecidos os últimos nomes que vão discursar em Tampa Bay. Sem surpresas, o governador de New Jersey, Chris Christie, será o Keynote Speaker, que deverá decorrer na noite de terça-feira, dia 28 de Agosto. Este é o tradicional discurso de maior importância, exceptuando do candidato presidencial e do seu Vice Presidente, e que normalmente atrai as atenções do aparato mediático. Recordo que os democratas já anunciaram a sua opção para este ano, o Mayor de San António, Julian Castro. Também hoje foi anunciado que Marco Rubio, Senador da Florida, irá apresentar Mitt Romney na quinta-feira, discursando imediatamente antes deste. Grande destaque dado a estas duas novas estrelas do Partido Republicano, que emergiram à ribalta já durante o mandato de Barack Obama.

 

De todos os nomes conhecidos, pode-se dizer que há uma grande aposta na nova geração de republicanos, nomeadamente em Scott Walker, Susana Martinez, Rand Paul, Kelly Ayotte e Nikki Haley, também eles eleitos em 2010. Até ao inicio da próxima semana deverão ser conhecidos todos os nomes, bem como o horário das suas intervenções. No Partido Democrata, ainda não conhecidos muitos nomes, mas já se sabe que além de Barack e Michele Obama, Joe Biden, Julian Castro, irão intervir Bill Clinton, Elisabeth Warren, candidata ao senado no Massachusetts e ainda Jimmy Carter, através de uma mensagem de vídeo. Nas últimas semanas foi revelado que haverá em palco um republicano desavindo, sendo que os nomes mais referidos são os antigos senadores Chuck Hagel e John Warner.

 

 


07
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:21link do post | comentar

A equipa de Romney parece apostada em dominar as atenções mediáticas com as suas escolhas para a Convenção Nacional Republicana. Hoje foi a vez de anunciarem mais quatro nomes que vão discursar em Tampa: o antigo Governador da Florida, Jeb Bush, o candidato presidencial Rick Santorum, a governadora do Oklahoma, Marry Fallin e o Senador Rand Paul, do Kentucky. A escolha em destaque, apesar de esperada, é de Rand Paul, filho do candidato Ron Paul, que tem um enorme leque de seguidores e que ainda não declarou o seu apoio a Romney. Colocar Rand Paul no palco é um prémio à ala libertária do Partido, mas pode não chegar. Rand é um político diferente do pai, que tem tido o cuidado de não fugir muito das posições mainstream do partido. Mas este apoio não será o suficiente para captar o voto dos seguidores mais fervorosos de Ron Paul, que têm exigido um papel para o congressista do Texas na Convenção.

 

Colocar Ron Paul no palco de Tampa acarreta riscos, pois ele não é político para se submeter aos ditames do nomeado republicano. As Convenções são grandes espectáculos mediáticos, encenadas ao pormenores e destinadas a promover o candidato perante o povo americano. Para muitos eleitores, este é o primeiro momento em que olham para os candidatos com atenção e começam a definir o seu sentido de voto. Há quem pense dentro do Partido Republicano que colocar Paul em Tampa pode ser um desastre mediático, desviando as atenções da agenda de Romney. Ron Paul tem posições radicalmente diferentes de Romney em áreas como a política externa e alguns assuntos sociais, como a liberalização das drogas, e a sua visão libertária, apesar de ter conquistado influência dentro do GOP, é ainda ultraminoritária na sociedade americana. Em 1992 George H. Bush ofereceu um lugar na Convenção a Patrick Buchanan, seu adversário nas primárias, que proferiu um discurso polémico que terá sido prejudicial ao candidato republicano. A dúvida é se Romney irá querer arriscar: por um lado, se Paul tiver lugar na convenção, poderá ser uma surpresa positiva, se enfatizar apenas os temas em que concorda com Romney e declarar-lhe o seu apoio. Por outro lado, se não tiver estas garantias, é provável que Ron Paul fique fora da convenção. Mas atenção: com Rand Paul a posicionar-se no establishment republicano, não é de esperar nenhum movimento agressivo de Ron Paul perante Mitt Romney neste ciclo eleitoral, ao contrário de 2008, quando declarou o apoio a diversos candidatos radicais, da esquerda à direita.

 

No entanto, Mitt Romney tem outros problemas para a convenção. Ron Paul não é o único nome polémico. Há outros que certamente desejam um convite do nomeado republicano, nomeadamente Sarah Palin, Newt Gingrich, Donald Trump e Herman Cain. Qualquer um destes nomes tem o potencial de "estragar" os planos da equipa de Romney, pois são conhecidos pelos seus discursos explosivos. Não serão decisões fáceis para Romney. 


06
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 10:47link do post | comentar

Começam a ser conhecidos os nomes dos oradores da Convenção Republicana de Tampa Bay, com vários nomes que fazem parte da nova geração de líderes do GOP. Sem surpresa, podemos incluir as governadoras da Carolina do Sul, Nikki Haley e do Novo México, Susana Martinez ou os também eleitos em 2010, os governadores John Kasich do Ohio, Rick Scott da Florida. John McCain, o nomeado de 2008, irá intervir no Tampa Bay Times, tal como o seu adversário Mike Huckabee. Condoleezza Rice, antiga Secretária de Estado, irá estrear-se numa convenção este ano. Estes nomes irão ocupar espaço no prime-time, notando-se a ausência neste primeiro leque de óbvios candidatos a VP: Tim Pawlenty, Paul Ryan, Bobby Jindal, Marco Rubio, Chris Christie, Kelly Ayotte, Rob Portman e Bob McDonnell. Especula-se que poderá ser ainda esta semana que Mitt Romney anuncie a sua escolha para VP.

 

 


03
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:26link do post | comentar | ver comentários (19)

 

O Politico, em colaboração com o Tampa bay Times e o The Charlotte Observer, lançou um espaço dedicado às duas convenções, que se realizam na última semana de Agosto (Republicana) e primeira semana de Setembro (Democrata). A RCN realiza-se em Tampa Bay, na Florida e a DNC em Charlotte, Carolina do Norte. Recordo a todos os interessados que estarei presente na Convenção Nacional Republicana, onde terei a oportunidade de publicar as minhas impressões sobre o evento, por aqui e pelo 31 da Armada.


01
Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:04link do post | comentar | ver comentários (20)

Julian Castro: AP Photo/Pat Sullivan


Esta semana o nome de Julian Castro, mayor de San Antonio, no Texas, saiu do anonimato ao ser anunciado como Key Note Speaker da Convenção Nacional Democrata de Charlotte, que se realiza em Setembro. Com apenas 37 anos, este democrata formado em Stanford e Harvard, e descendente de mexicanos, é a grande aposta do seu partido para a convenção. Este discurso, se correr bem, poderá catapultar Castro para outros voos. Recordo que em 2004 ninguém conhecia o desconhecido Barack Hussein Obama quando foi convidado para John Kerry para proferir discurso idêntico na convenção. 

 

Ontem, Ted Cruz, descendente de cubanos e formado em Princeton e Harvard, venceu ontem no Texas a nomeação republicana para o Senado, o que na prática quer dizer que irá viajar para Washington em Janeiro do próximo ano para substituir Kay Bailey Hutchison no Senado americano. Solicitador-Geral entre 2003 e 2008, chegou também a fazer parte da Administração Bush, foi ganhou as primárias ao preferido pelo establishment estadual do GOP, mas obteve o apoio do Tea Party e das figuras mais proeminentes da ala conservador do Partido Republicano. Uma figura a ter em atenção no futuro.

 

A estes dois exemplos revelados esta semana junta-se Marco Rubio, o jovem senador da Florida que tem sido insistentemente apontado pelos media americanos como candidato a Vice Presidente de Mitt Romney; Susana Martinez, governadora republicana do Novo México e também ela tem constado na shortlist de Mitt Romney, Brian Sandoval, também ele eleito governador republicano do Nevada em 2008, Antonio Villaraigosa, mayor democrata de Los Angeles e provável futuro governador do estado. A ascensão de políticos hispânicos não surge por acaso: este é o grupo demográfico em maior crescimento no país e a sua influência na sociedade americana não vai parar de crescer nos próximos anos. Se os Estados Unidos elegeram pela primeira vez um afro-americano em 2010, não deverá estar muito longe a leição de um hispânico. Diria que, caso Obama seja reeleito, isso pode bem suceder já em 2016, com a provável candidatura de Marco Rubio. Destes nomes que referi, apenas Cruz nunca poderá candidatar-se ao cargo de Presidente, pois nasceu no Canadá, quando os seus pais estavam exilados de Cuba. 

 


22
Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:02link do post | comentar | ver comentários (21)

 

Com o trágico massacre de Aurora, no Colorado, a campanha presidencial teve uma pausa neste fim de semana. Infelizmente, a barbárie voltou a atacar em solo americano. Nas próximas semanas a tendência será para desacelerar, entrando num período mais morno nesta campanha. Ambos os lados tinham "momentum" do seu lado: Obama vinha a aumentar a pressão sobre Romney devido ao seu passado na Bain Capital e devido às suas declarações de impostos, enquanto Romney estava a pressionar o Presidente por uma gaffe embaraçosa sobre o sucesso dos empresários. Estes temas voltarão certamente à campanha, mas veremos quem saiu a perder com esta interrupção. 

 

Já durante esta semana, Mitt Romney irá fazer uma viagem ao estrangeiro, onde estará no Reino Unido, Polónia e Israel. É de prever que a campanha irá centrar as atenções na política externa, uma área que não deverá ter este ano o impacto de outras corridas presidenciais. Na verdade, e se deixarmos a retórica de parte, não há neste momento grandes diferenças entre os candidatos. Já no final desta semana irão começar os Jogos Olímpicos, que deverão recolher grande parte da atenção mediática até 12 de Agosto. Nestas duas semanas, não haverá grandes movimentações dos candidatos, sendo de esperar um período mais morno. Mas a partir daí, a campanha irá decorrer a um ritmo frenético até 6 de Novembro. Até ao inicio da Convenção Republicana, que irá realizar-se entre 27 e 30 de Agosto em Tampa, Mitt Romney deverá anunciar o seu candidato a Vice Presidente, tendo aqui uma boa oportunidade para dominar as televisões. Na semana seguinte será a vez de Barack Obama ter toda a atenção, com a realização da Convenção Democrata em Charlotte, entre os dias 3 e 6 de Setembro. Os três debates entre Obama e Romney ainda não estão agendados, mas deverão realizar-se nas últimas semanas de Setembro e inicio de Outubro. Estes últimos dois meses, a acreditar no ritmo das sondagens, serão decisivos


30
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 13:37link do post | comentar

Mitt Romney ao vencer a primária do Texas ultrapassou ontem o número mágico dos 1141 delegados necessários para obter a nomeação, que apenas será formal na Convenção de Tampa, que irá decorrer neste próximo mês de Agosto. Mais tarde analiserei o que precisa de fazer Mitt Romney para vencer e quais os próximos passos da sua campanha.


15
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 12:12link do post | comentar

O libertário Ron Paul anunciou ontem o abandono da campanha para as restantes primárias republicanas que ainda faltam disputar. Sem vencer uma única eleição, e apesar de não ter provocado o terramoto político que chegou a ameaçar, o saldo final da sua candidatura ainda está por fazer. Com mais de 100 delegados eleitos, o ainda congressista (este ano não se recandidatará) texano terá deixado sementes para o futuro do movimento. Com 76 anos, esta terá sido provavelmente a sua última campanha eleitoral, mas as suas ideias estão hoje mais fortes dentro do Partido Republicano, e já até têm um novo líder: Rand Paul. Com uma postura mais próxima das ideias mainstream republicanas, não deixará de ser uma voz activa no futuro do partido, e será certamente candidato presidencial em 2016 ou 2020, dependendo de quem vencer as eleições gerais. Poderá Rand ser o nomeado? Muito dificilmente, até porque a concorrência no futuro, pelo que se pode observar pelas diversas estrelas em ascensão, será bem mais agressiva do que em 2012. Mas Rand Paul sabe que tem um exército de fiéis à sua espera. E isso foi alcançado pelo seu pai nestes últimos quatro anos. Uma tendência a acompanhar com muita atenção nestes próximos anos.

 

Em relação a Ron Paul, será também interessante de analisar a sua postura até à Convenção Republicana de Tampa. Ele tem reafirmado que será muito difícil de declarar o apoio a Mitt Romney, mas estou certo que este tudo fará para poder contar com Paul a seu lado. Os apoiantes de Ron Paul têm batalhado pela conquista de lugares no aparelho do GOP, e têm conseguido conquistar peso político para a convenção. Ron Paul, que há quatro anos não apoiou McCain e até realizou uma convenção própria em Minneapolis St- Paul durante a convenção republicana, poderá ser tentado a colocar-se ao lado de Romney com algumas compensações: discurso na convenção, inclusão de algumas ideias na plataforma do Partido Republicano e, especialmente, colocar Rand Paul mais próximo da máquina republicano. Não tenho dúvidas que Romney tentará cooptar Paul e os seus fiéis apoiantes. E numa eleição renhida, como se prevê, isso pode ser decisivo.


21
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:13link do post | comentar | ver comentários (4)

Após a vitória de Romney ontem no Illinois (46%-35%) o establishment mediático americano parece finalmente convencido que o Partido Republicano já tem o seu nomeado - apesar de já ser óbvio há muito tempo. Ao ler os comentários nos jornais, nos blogues e nas televisões, o panorama traçado é o mesmo: Romney será o nomeado e não será necessário esperar até à nomeação. Por outro lado, os conservadores começam a ficar convencidos que terão de contar com Romney para derrotar Obama. Rush Limbaugh já disse que Romney é a alternativa conservadora... Romney, o influente blogger e comentador da CNN, Erick Erickson, admitiu que o GOP já tem nomeado e até na Weekly Standard (os que mais falaram numa convenção negociada), já se discute o parceiro de Romney no ticket republicano. Por outro lado, Jeb Bush que manteve-se até ao momento afastado, declarou o seu apoio a Mitt Romney e apelou ao partido para se unir em redor do presumível nomeado.

 

Formalmente estas primárias ainda não terminaram, e até é possível que os media voltem à carga. Rick Santorum tem uma boa oportunidade de vencer na Lousiana no Sábado, apesar que no dia 3 de Abril votam o Wisconsin, Maryland e DC, terreno fértil para Romney. Muito provavelmente nenhum dos adversários irá desistir a breve prazo, mas Romney coleccionará praticamente só vitórias até ao final e a atenção mediática irá ser cada vez menor. Dentro do estilo que se passou nas primárias democratas de 2008 depois do mês de Abril. Quanto a Romney irá virar as suas atenções para Obama, como o fez ontem no seu discurso de vitória (provavelmente o seu melhor desta campanha), e esperar pacientemente até alcançar os 1144 delegados. Foram umas primárias interessantes de acompanhar, mas desde que Tim Pawlenty desistiu no Verão passado que sempre disse que este caminho era inevitável. Romney teve o mérito de vencer apesar da grande desconfiança (que persiste) dos sectores conservadores, mas também é preciso dizer que teve adversários fracos. Esta longa campanha pode acabar por ser-lhe favorável na medida em que não teve a necessidade de desviar-se muito para a direita, mas principalmente porque passou meses a ser descrito nos media como o moderado. A tirada de Gingrich repetida mil e uma vez, "The Massachussetts Moderate" pode ser-lhe bastante útil quando começar a ser acusado de ser um ultra conservador pela máquina de Obama. 

 

Newt Gingrich e Ron Paul são nesta fase da corrida completamente irrelevantes. O primeiro ontem ficou atrás de Paul e neste momento apenas se arrasta pelas eleições. Já não é um factor e até pode ver-se ultrapassar em várias eleições por Paul, que tem uma legião de seguidores apaixonada. Paul chegou a prometer bastante, nomeadamente na tentativa de conquistar um leque de delegados que lhe permitisse ter peso na convenção, mas também parece ter fracassado nesse desígnio. Além disso, é o único candidato que não venceu nenhum estado.  


13
Mar 12
publicado por Nuno Gouveia, às 11:49link do post | comentar

 

Este fim de semana tive a oportunidade de ver o magnífico filme The Best Man, de Franklin J. Schaffner, com argumento de Gore Vidal. A história anda à volta de uma convenção negociada (Brokered Convention) numas eleições presidenciais, com dois candidatos a disputar a nomeação de um partido. Algo que desapareceu do léxico da política americana desde que as primárias assumiram a primazia no processo de nomeação presidencial, mas que em 1964, data do filme, era ainda uma realidade. E o que podemos observar neste filme é que, apesar de novas roupagens, dos métodos de comunicação terem evoluído e das campanhas serem radicalmente diferentes, a essência da política não se alterou substancialmente nestes últimos cinquenta anos. E se olharmos para a política norte-americana, então essa visão é ainda mais análoga.

 

Em relação aos grandes temas em discussão, nenhum dos abordados pelo filme (excepção para a segregação, que felizmente está hoje bem longe do debate político e da ameaça comunista) deixou de estar na ordem do dia. Já na época se discutia o poder do estado, a baixa de impostos ou os direitos dos estados. Uma campanha em que, mais do que discutir sobre as políticas em confronto, incidia sobretudo na resiliência de uma liderança forte e disposta a tudo contra um candidato idealista mas titubeante e indeciso. De um lado temos Henry Fonda, representando uma visão mais romântica da sociedade, um político com princípios mas ao mesmo tempo infiel e com um casamento de fachada, a contrabalançar entre a difícil decisão de destruir o seu adversário através de jogo sujo ou ser derrotado. Do outro, temos um Cliff Robertson implacável, moralista e sem escrúpulos, decidido a vencer a todo o custo, mas também com uma crença inabalável nas suas ideias políticas e na justiça das suas causas. Pelo meio, um antigo Presidente que manobra nos bastidores para ajudar a nomear o seu candidato. As traições, as reviravoltas e as inflexões de “momentum”, também não faltaram. Ou seja, os ingredientes indispensável para uma emocionante disputa política. Um filme que, em tempos de campanha presidencial americana, se aconselha. 


14
Fev 12
publicado por Alexandre Burmester, às 09:00link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

Uma convenção negociada ("brokered convention") é a expressão utilizada na política dos E.U.A. para descrever uma situação em que nenhum candidato consegue uma maioria dos delegados obtidos nas primárias e "caucuses" e, consequentemente, não consegue obter uma maioria de votos no primeiro escrutínio da convenção, mesmo contando os votos dos "superdelegados" (não escolhidos nas primárias e "caucuses").

 

Tal situação tornou-se rara a partir da "democratização" do processo de selecção nos anos '70, com um maior predomínio dos delegados escolhidos em primárias sobre as máquinas partidárias. De facto, é preciso recuar-se a 1952 (Partido Democrático com Adlai Stevenson) e a 1948 (Partido Republicano com Thomas Dewey) para encontrarmos convenções decididas desse modo, embora a Convenção Democrática de 1968, que escolheu o Vice-Presidente Hubert Humphrey como candidato, o qual não disputara qualquer primária, possa aproximar-se desse modelo.

 

Vem isto a propósito da Convenção Republicana deste ano, na qual, dada a situação actual da "recolha" de delegados, é possível voltar-se aos famosos tempos, já não das "salas cheias de fumo", devido às normas anti-tabagistas, mas, pelo menos, dos bastidores da intriga e da dura negociação.

 

Nos cenários históricos das "brokered conventions" ou um dos candidatos - não necessariamente aquele que originalmente mais apoio tinha - era escolhido, ou então surgia um "dark horse", alguém inesperado, para assumir a candidatura partidária à Casa Branca.

 

Não é ainda claro nem expectável que a Convenção Republicana de 2012 venha a preencher esse cenário, mas num ano eleitoral tão imprevisível como este tem sido, nada é de excluir.


01
Fev 11
publicado por Nuno Gouveia, às 17:46link do post | comentar

 

Charlotte, na Carolina do Norte, foi a cidade escolhida para receber a Convenção Nacional de 2012, onde Obama será nomeado novamente candidato oficial do Partido Democrata. St. Louis, Missouri, Cleveland, Ohio e Minneapolis-St.Paul, Minnesota, foram as cidades relegadas. A convenção começa dia 3 de Setembro de 2012, uma semana depois da convenção do Partido Republicano, que vai realizar-se em Tampa, Florida.



12
Mai 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:47link do post | comentar

Será hoje anunciado pelo Partido Republicano que a Convenção Nacional de 2012 será em Tampa, na Florida. As cidades relegadas foram Phoenix, Arizona e Salt Lake City, Utah. A escolha de Tampa já era aguardada pois a Florida é um crucial swing state.  A Convenção começa a 27 de Agosto de 2012.

 

A Convenção Democrata está prevista começar no dia 3 de Setembro, mas ainda não há decisão sobre a cidade escolhida. Tampa, também era candidata mas fica assim excluída da corrida. As outras cidades candidatas são Charlotte, Carolina do Norte, Dallas, Texas, Phoenix, Arizona e St. Louis, Missouri. Se for pelo critério meramente eleitoral, aposto em St. Louis. O Missouri nas últimas eleições presidenciais foi ganho por John McCain com uma vantagem de 4 mil votos.



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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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