29
Mar 13
Por Nuno Gouveia, às 16:51 | comentar | ver comentários (7)

 

O governador de New Jersey perdeu popularidade entre o movimento conservador americano após a sua actuação no pós furacão Sandy. Nos últimos meses o seu nome desapareceu do radar conservador, não tendo sido inclusive convidado para a CPAC deste ano. Mas ninguém pense que desapareceram as suas possibilidades para 2016. Ele vai ter a reeleição em Novembro deste ano, e é aí que as suas atenções estão concentradas. As sondagens atribuem-lhe uma vitória esmagadora contra a sua opositora democrata. O que poderá querer dizer isto para 2016?

 

Christie é neste momento um político extremamente popular num estado profundamente democrata. Se garantir a reeleição com facilidade, será normal que as suas atenções redireccionem-se para a arena nacional. Até Novembro poucas ou nenhumas intenções dará sobre as suas ambições presidenciais, mas após isso, poderá começar a construir uma possível campanha para as primárias republicanas. Christie é um moderado com um profundo apelo no eleitorado independente e até democrata, e até há bem pouco tempo, nos conservadores. Isso faz dele um candidato de sonho para o Partido Republicano. Mas, já encontramos outros candidatos do género que chegaram às primárias e desfizeram-se. Lembram-se de Rudy Giuliani? O que Christie precisará de fazer para ter hipóteses de vencer a nomeação? Se for o candidato moderado, como foi Jon Huntsman em 2012 ou o próprio Giuliani em 2008, terá poucas hipóteses. Mas se conseguir apresentar-se no estilo de Mitt Romney ou John McCain, procurando apoios entre as diversas facções do partido mais relevantes, como os moderados, os fiscal conservatives, os tea partiers e a direita religiosa, aí sim, poderá ser um candidato fortíssimo. Porque o nomeado tem sido alguém que consegue reunir apoios de todo o lado, mesmo que em alguns sectores tenha dificuldades de penetração, e, acima de tudo, ter apoio de uma parte importante do establishment. Os republicanos vão chegar a 2016 desesperados por uma vitória e não acredito que escolham alguém inviável para as eleições nacionais. Esse é o meu cepticismo para as possibilidades de um dos nomes do momento: Rand Paul. Pelo contrário, Marco Rubio, que tem as mesmas raízes de Paul, tem muitas mais possibilidades de sucesso, porque não se tem confinado à direita mais conservadora, pois tem angariado aliados em diversos sectores do partido. 


07
Nov 12
Por Alexandre Burmester, às 15:35 | comentar | ver comentários (22)

 Os níveis de afluência de um lado e de outro terão acabado por ser determinantes, embora a afluência global nestas eleições tenha ficado aquém da de 2008. O notável, sem dúvida, foi como a coligação democrática se aguentou, como o Nuno já referiu. O peso eleitoral de jovens e minorias manteve sensivelmente a mesma força relativa que em 2008, e poderá ser um factor a manter-se no futuro. A diminuida margem de vitória do Presidente Obama (um caso raro em eleições presidenciais, como o Nuno também referiu), de 52/45 para 51/49, terá ficado a dever-se aos melhores números de Mitt Romney junto dos independentes em comparação com John McCain, já que a afluência republicana não terá sido muito diferente, proporcionalmente, da de 2008. Digo isto tudo tendo apenas visto os números por alto, mas parece-me serem estas as conclusões.

 

Assim sendo, há que tirar o proverbial chapéu às sondagens estaduais, pois a grande maioria delas sempre previu a manutenção da afluência da coligação democrática, ao contrário das sondagens nacionais de empresas como a Gallup e a Rasmussen. A primeira, que chegou a dar vantagens de 5/6 pontos a Romney antes do Furacão Sandy, previa uma superioridade republicana na afluência, e a segunda trabalhou com base numa média entre a afluência de 2008 e a de 2004.

 

Finalmente: qual terá sido o verdadeiro efeito do "Sandy"? Bem, particularmente, acho que o espectáculo do "Furacão Christie" (o Governador republicano de New Jersey, Chris Christie) de braço dado com o Presidente Obama aquando da visita deste a a New Jersey terá tido um efeito mais importante que propriamente o furacão em si mesmo, ao permitir ao Presidente mostrar-se amistoso e cooperante com o partido adversário. Muitos republicanos não perdoarão a Christie - um potencial candidato nas primárias do partido em 2016 - mas há que não esquecer que o homem é o governador republicano de um estado acentuadamente democrático e que, daqui a um ano, enfrenta uma campanha de reeleição.


29
Ago 12
Por Nuno Gouveia, às 16:18 | comentar | ver comentários (3)

 

A noite de ontem teve duas partes bem distintas, destinadas a públicos diferentes, conforme se pode perceber pelo conteúdo dos discursos. As principais televisões nacionais (ABC, CBS e NBC) apenas transmitem em directo uma hora da convenção, pelo que é nesse período que são transmitidas as principais mensagens destinadas aos independentes e pessoas mais desafectas do processo político. Ontem os oradores nesse horário foram a esposa do governador republicano de Porto Rico, Luce Fortuño, Ann Romney e Chris Christie, governador de New Jersey. A primeira dama de Porto Rico, que introduziu Ann Romney, serviu essencialmente para dar um sotaque latino a este segmento. Como é tradicional, as esposas representam uma aposta das campanhas para apresentar o candidato de uma forma mais pessoal e emotiva. Foi isso que Ann Romney fez e, pelas reacções da sala, da imprensa e dos comentadores, saiu-se muito bem. Por vezes este tipo de discursos faz mais por um candidato que mil e um anúncios do género. Num momento mais político, e mais do meu agrado, seguiu-se a apresentação de Chris Cristie, um orador extraordinário que arrebatou por completo a audiência. O mais interessante é que não fez o típico discurso de "atack dog", que normalmente preenche o conteúdo do "Keynote speaker" da convenção, mas tentou transmitir uma mensagem optimista e de mudança para o futuro da América. E, como não podia deixar de ser, lançou excelentes soundbites. O meu preferido, sem dúvida: "Real leaders don't follow polls. They change polls". O país encontra-se perto de um abismo financeiro e os republicanos prometem tomar as decisões difíceis para alterar a situação. Bem, se o passado não os favorece muito, como a equipa de Obama tem tentado relembrar os eleitores, o presente, com diversos governadores republicanos como Chris Christie, que têm vindo a equilibrar os orçamentos nos seus estados, podem contribuir para dar essa força que Romney desesperadamente necessita. Christie, tal como outros governadores que falaram antes dele, tentou demonstrar que o estilo de governança de Romney será do género pós 2010 e não como George W. Bush. O que se pode retirar destes dois discursos? Os americanos gostam de líderes fortes capazes de tomar decisões difíceis e foi essa a mensagem que tentaram transmitir. Se as reacções foram muito boas para o republicano, o seu verdadeiro impacto também dependerá dos números de espectadores que estiveram ligados à televisão. 

 

A primeira parte da noite, mais destinada aos jornalistas presentes e aos espectadores de televisão por cabo que iam transmitindo alguns discursos, foi a parte mais desinteressante, mas também aquela onde se ouviram as mais ferozes críticas a Barack Obama. Arthur Davis, negro, antigo congressista democrata e desavindo com Barack Obama, fez um dos ataques mais aplaudidos, direccionado sobretudo aos eleitores que, como ele, ficaram desiludidos com o mandato do Presidente. Destaque para vários membros de minorias que discursaram, tentando apresentar um partido aberto às diferentes etnias que compõem os Estados Unidos: governadora de Carolina do Sul, Nikki Haley, descendente de indianos; Brian Sandoval, governador do Nevada, filho de mexicanos e Ted Cruz, candidato ao senado pelo Texas, filho de cubanos. De realçar que este é um Partido Republicano totalmente concentrado nos assuntos económicos e pouco disposto a discutir os assuntos sociais, como o aborto ou o casamento homossexual. A excepção? Rick Santorum, que foi bastante aplaudido quando relembrou que ainda bem que há um partidos nos Estados Unidos que é contra o aborto. De resto, os temas foram sobretudo económicos, pois é aí que os republicanos esperam vencer as eleições. A política externa esteve completamente ausente neste primeiro dia, uma das áreas que Obama tem recebido mais apoio do eleitorado americano. Hoje à noite será a vez de Paul Ryan subir ao palco, antecedido por Susana Martinez do Novo México e Condoleezza Rice. 


10
Ago 12
Por Nuno Gouveia, às 15:10 | comentar | ver comentários (2)

Com o fim da silly season da campanha presidencial americana, vamos entrar na sua recta final, com os principais pontos de interesse: a escolha do VP de Romney, as convenções e os debates. Até ao momento, os sinais parecem favoráveis a Obama. Lidera ligeiramente nas sondagens nacionais e nos swing-states, e a sua estratégia de Verão tem corrido bem. Mas agora entramos na fase decisiva. Deixo de parte as convenções e os debates, e centro-me sobretudo na escolha de Mitt Romney para seu parceiro no ticket republicano. 

 

A opção de Mitt Romney, mesmo que não tenha grande impacto na decisão final de Novembro (e acredito que terá alguma), será sempre decisiva para a narrativa histórica que se fizer da sua campanha presidencial. E, apesar dessa narrativa revelar-se apenas depois do desempenho da sua escolha durante a campanha, a opção em si acarretará um significado simbólico. Considero que Mitt Romney tem três opções em cima da mesa, com vantagens e desvantagens, e que terão influência no resto da sua campanha. 

 

Convencional

Os nomes mais apontados para esta opção são Rob Portman, senador do Ohio, e Tim Pawlenty, antigo governador do Minnesota. Ambos enquadram-se naquilo que os analistas americanos consideram o "homem branco aborrecido e competente". Com muita experiência política, ninguém colocaria em causa as suas habilitações para ocuparem o cargo de Presidente, reforçariam o epíteto de uma candidatura pronta para governar e poderiam aumentar o apelo do ticket no Midwest. Portman seria uma ajuda para vencer o Ohio (nenhum republicano foi eleito Presidente sem vencer o estado) e Pawlenty poderia colocar o Minnesota em disputa, apesar dos republicanos não vencerem aqui desde 1972. Diria que analisando o percurso político e de vida de Romney, estas são as opções mais fortes.

 

Entusiasmo

Marco Rubio, Bobby Jindal, Chris Christie e Paul Ryan. Qualquer um destes nomes iria transformar esta eleição e iria introduzir uma dose enorme de energia na campanha de Mitt Romney. O senador da Florida, descendente de pais cubanos e favorito do Tea Party, tem uma história de vida formidável e, quase de certeza, ajudaria Romney a conquistar o seu estado natal. É carismático, tem o dom da oratória e tem apenas 41 anos. Seria muito atacado pela sua inexperiência, mas penso que seria extremamente positivo para os republicanos nos hispânicos em alguns swing-states (além do seu estado, Colorado, Nevada e Novo México). Com a mesma idade, Paul Ryan, congressista do Wisconsin, poderia ajudar a transformar o seu estado mais competitivo, e introduziria no debate temas como a reforma estrutural dos programas sociais e o combate ao défice. Os democratas gostariam desta opção, pois consideram que as suas propostas são impopulares no eleitorado independente. Mas Paul Ryan, um dos líderes intelectuais do GOP, teria um impacto extraordinário nesta campanha. Chris Christie, o bombástico governador de New Jersey, é um dos líderes desta nova geração de republicanos. Seria um acréscimo de qualidade no debate político, e o confronto político ganharia com a sua escolha. Além disso, poderia ajudar Romney no seu estado, apesar das possibilidades de vencer são diminutas. Os democratas pensam que poderiam ganhar pontos devido ao estilo conflituoso de Christie, mas basta observar os índices de popularidade dele no seu estado, tradicionalmente democrata, para pensar-se que talvez não seja bem assim. Por fim, Bobby Jindal, que não acrescenta grande coisa em termos regionais, pois a Louisiana, onde é governador, ou o Sul, é território seguro para os republicanos. Mas com a sua experiência aos 41 (já foi congressista, membro da administração e está no segundo mandato) fortaleceria Romney e iria receber amplo apoio da base conservadora. 

 

Surpresa

Sarah Palin em 2008 foi uma enorme surpresa e essa experiência é hoje considerada um fracasso. Não é de prever que Mitt Romney volte a optar num total desconhecido para o cargo, sendo que há duas opções, que têm sido muito pouco faladas e se enquadram nesta categoria: o governador de Porto Rico, Luis Fortuño e Kelly Ayote, senadora do New Hampshire. As hipóteses destes dois nomes são ínfimas, mas nunca se sabe se a campanha de Romney arrisca. Se a opção for de risco total, apostaria nestes dois nomes.  Outras surpresas seriam os nomes de Condoleezza Rice, do general David Petraeus ou do governador da Virgínia, Bob McDonnel. 


11
Out 11
Por Nuno Gouveia, às 22:33 | comentar

O único aspecto surpreendente deste apoio é o timming, pois já era esperado que Chris Christie fosse apoiar Mitt Romney. Sempre pensei que Christie fosse esperar mais algum tempo para tomar esta decisão. Olhando para o campo de candidatos, dificilmente Romney não levará com o grosso de apoios entre o establishment e republicanos do Congresso e governos estaduais. Este endorsement significa um apoio de peso para Mitt Romney, que vê assim reforçado o seu favoritivismo na corrida à nomeação, e afasta cada vez mais Rick Perry dos círculos poderosos do partido. Perry neste momento parece ter apenas força no Sul dos Estados Unidos, e os seus apoios fora dessa região contam-se pelos dedos. Outro aspecto a não desconsiderar é que pode fazer com que alguns tea partiers e eleitores conservadores, até ao momento muito desconfiados de Romney, comecem a olhar para ele de forma diferente. Afinal de contas, muitos dos incentivos que Christie recebeu para se candidatar vinham dos sectores mais conservadores do partido. Além disso, este apoio cimenta aquilo que já vinha acontecer desde a saída definitiva de cena do governador de New Jersey: os milionários republicanos vão começar a doar dinheiro, muito dinheiro, para os cofres de Romney. E este terá uma grande vantagem financeira durante as primárias. 

 

Esta noite haverá mais um debate republicano, onde as atenções estão viradas, mais uma vez, para Rick Perry, que tem tido debates decepcionantes. O debate irá realizar-se no Darmouth College e será emitido às 2h00 (de Lisboa) no Bloomberg e no site do Washington Post


04
Out 11
Por Nuno Gouveia, às 18:09 | comentar

 

Como sempre disse por aqui, e apesar da especulação das últimas semanas, Chris Christie anunciou há momentos que não irá candidatar-se presidência dos Estados Unidos. Christie sempre disse que não seria candidato e que não estava pronto para assumir tal compromisso. Este anuncio não será novidade para ninguém. Consequências? 

 

Os republicanos terão mesmo que se contentar com o actual leque de candidatos. O principal beneficiado desta decisão é Mitt Romney, qie ve reforçado o seu papel de favorito para enfrentar Barack Obama em 2012. Acredito que estes republicanos descontentes que andaram a pressionar Christie para avançar (tal como antes fizeram com Paul Ryan e Mitch Daniels) acabarão, na sua maioria, por engrossar as fileiras de apoiantes de Romney. Isto significa muito dinheiro e peso mediático para o antigo governador do Massachusetts. A disputa será, provavelmente, entre Romney e Rick Perry, não desconsiderando um Herman Cain que tem vindo a subir bastante nas sondagens nas ultimas semanas. 


03
Out 11
Por Nuno Gouveia, às 15:37 | comentar

Apesar de manter a convicção que Chris Christie não será candidato, continuam a chegar notícias que está seriamente a ponderar a hipótese de avançar. Como o Rui Calafate apontou aqui, neste momento uma equipa de assessores de Christie está a estudar as hipóteses de construir uma máquina eleitoral capaz de suportar a campanha do governador de New Jersey. Caso decida mesmo entrar na corrida, Christie irá contar com o poderoso apoio do establishment republicano, incluindo a máquina política e financeira que tem dominado o Partido nos últimos 20 anos. Além disso, poderá contar também com o apoio de alguns sectores do tea party, que o vêem como o político capaz de derrotar Barack Obama e mudar o rumo da história dos Estados Unidos. Mas não se pense que tudo será fácil. Uma entrada tardia na corrida será sempre difícil para Christie, e tendo apenas dois anos de governador, a sua inexperiência seria um factor importante. Além do mais, muito do agora entusiasmo que gera poderá sucumbir depois de ver as suas posições políticas (não esquecer que é um republicano da costa leste) questionadas pela base conservadora. Nunca se sabe o que poderá emergir numa campanha presidencial. 

 

Jay Cost refere na Weekly Standard (a revista de Bill Kristol tem sido o motor desta campanha para levar Christie a candidatar-se) similitudes entre o actual cenário e o que sucedeu há 100 anos, quando pela última vez um governador de New Jersey chegou à Casa Branca. Woodrow WIlson era um democrata infiltrado em território republicano, com apenas dois anos no cargo. Será que a história pode repetir-se? 


26
Set 11
Por Nuno Gouveia, às 22:10 | comentar | ver comentários (2)

AP Photo

 

Os rumores sobre uma candidatura presidencial de Chris Christie aumentaram consideravelmente desde o último debate republicano. Este 'buzz' todo reflecte o descontentamento que existe entre os republicanos com o leque de candidatos actual, o que não é alheia a péssima prestação de Rick Perry no debate da Florida. Olhando para os candidatos, facilmente se conclui que apenas dois deles têm hipóteses de obter a nomeação: Mitt Romney e Rick Perry. Mas este último tem desiludido bastante, e o último debate parece ter provado a muitos republicanos que não está preparado. Daí, viraram-se para Chris Christie, talvez a última grande esperança para enfrentar Mitt Romney. O problema para eles é que Christie tem dito consistentemente que não será candidato. Governador de New Jersey desde 2009, tem afirmado que não se sente preparado para ser Presidente. Mas na vida às vezes não se tem uma segunda oportunidade, e Christie estará a repensar a sua postura. A National Review refere hoje que o antigo governador de New Jersey confirma que Christie estará mesmo a pensar numa possível candidatura, e que as hipóteses de avançar são bem maiores do que há duas semanas atrás. 

 

Mas na verdade já vimos este filme neste ciclo eleitoral. O establishment republicano, grande parte dele desagradado com Mitt Romney, tem vindo a pressionar políticos para avançarem. Primeiro foi Mitch Daniels e ainda recentemente Paul Ryan. As negas destes políticos fizeram-nos acalmar e esperar para ver se a entrada de Rick Perry resolvia o problema. Mas passado três semanas, parece evidente que o governador do Texas não está preparado. Uma candidatura de Chris Christie representaria a possibilidade de unir o partido em torno de alguém excitante e que gerasse entusiasmo na base republicana. Sendo actualmente uma das grandes estrelas do Partido Republicano, juntamente com Marco Rubio, Christie poderia ter a seu lado os conservadores do tea party e os moderados ligados ao think tanks de Washington, bem representar uma poderosa força junto dos financiadores habituais do GOP, que até ao momento têm estado afastados desta campanha. Além do mais, sendo de New Jersey, teria grandes hipóteses nas eleições gerais de capturar o Midwest a Obama, algo que Perry, por exemplo, parece longe de conseguir. 

 

A minha previsão: a fazer fé no que Chris Christie tem vindo a dizer neste último ano, não irá a avançar. Estes rumores são positivos para a sua "marca" e eleva o seu estatuto dentro do partido. Mas uma entrada tardia para Christie na corrida não significaria sucesso garantido, e poderia destruir a sua carreira política, caso não estivesse à altura das expectativas. Acredito que Christie irá tentar ganhar a reeleição em 2013, e esperar por melhor oportunidade, em 2016 ou 2020. Quanto aos republicanos que pressionam Christie, terão de contentar-se com o actual campo, e acredito que a maior parte deles acabe por cair para o lado de Romney, como a opção mais credível para derrotar Barack Obama. Como aconteceu em 2008, quando acabaram por apoiar McCain, apesar da desconfiança que tinham. Se estiver errado, cá estarei para dar a mão à palmatória.


17
Ago 11
Por Nuno Gouveia, às 23:33 | comentar

Depois da entrada de Rick Perry e da saída de Tim Pawlenty, pensou-se que o campo republicano para 2012 estaria completo. Mas os rumores sobre mais candidatos continuam, sinal que ainda persiste descontentamento pelos nomes na corrida.

 

Ontem a Weekly Standard deu nota que Paul Ryan, o congressista do Wisconsin que tem liderado a batalha pelo controlo do défice estrutural dos EUA, estará a pensar em avançar. Apesar de ter apenas 41 anos, já está na Câmara dos Representantes há 12 anos, sendo uma das jovens estrelas em ascensão no Partido Republicano. O seu plano para o orçamento federal na próxima década granjeou-lhe popularidade nos sectores mais conservadores do partido, e é muito respeitado pelo establishment. Seria uma lufada de ar fresco nesta campanha. Hoje, uma notícia sobre o governador de New Jersey, Chris Christie. Apesar de ter negado sempre que poderia ser candidato, a verdade é que o nome de Christie continua a ser referenciado como potencial candidato. Apesar de não acreditar que avance, uma candidatura sua teria o enorme potencial de obter apoio em todos os sectores do Partido. Por fim, e acreditando que também não serão candidatos, os nomes de Sarah Palin e Rudy Giuliani continuam no leque de possíveis candidatos. Palin tem abordado isso várias vezes, apesar de não ser crível que avance, pois a nomeação seria quase impossível. 

 

Estas notícias indicam duas coisas: o establishment republicano continua não satisfeito com o leque de candidatos. Esperava-se que a entrada de Rick Perry pudesse captar a atenção da máquina. Mas o governador do Texas continua a gerar grande desconfiança, sobretudo no grupo de apoiantes de George W. Bush, que continuam à procura de um candidato às suas medidas. E como Mitt Romney ainda não obteve a sua atenção, as pressões para que surja uma outra alternativa continuam. É nesse parâmetro que enquadro as pressões que Paul Ryan e Chris Christie continuam a sofrer. Por outro lado, há muitos quem pensam que é possível derrotar Barack Obama, mas não acreditam que Rick Perry ou Mitt Romney sejam as melhores opções. E neste leque enquadro figuras tão relevantes do movimento conservador americano como Rush Limbaugh, Roger Ailes (o todo poderoso líder da Fox News) ou figuras da máquina, como Karl Rove, que persistem na demanda por um candidato. Até ao final de Setembro deveremos ter mais novidades. Uma coisa é certa: com este campo, será uma luta dura entre Romney e Perry, com Bachmann a poder fazer pender a balança para Romney, ao dividir o eleitorado conservador, ajudando a concentrar o voto moderado em Romney. 


24
Nov 10
Por Nuno Gouveia, às 22:28 | comentar

O governador de New Jersey, Chris Christie riu-se sobre a possibilidade de uma candidatura presidencial de Sarah Palin. Este é um político que tem apoiantes espalhados pelo sectores e conservadores do GOP. Cada vez mais mencionado como possível candidato presidencial em 2012, Christie tem sempre dito que não. E, pelo que dizem os analistas, podemos acreditar nele. Mas questionado sobre Sarah Palin Presidente, riu-se, disse não, acrescentando de seguida que tudo pode acontecer: "It´s an amazing world". Presumo que esta intervenção não irá cair muito bem em muitos republicanos, mas é mais um sinal que Palin irá enfrentar muita oposição no partido se avançar com uma candidatura presidencial.


20
Out 10
Por Nuno Gouveia, às 22:41 | comentar

Chris Christie tem vindo a ganhar peso político dentro do Partido Republicano. Ainda há umas semanas ganhou uma straw poll (espécie de sondagem entre activistas) numa convenção do Tea Party na Virgínia. Christie não é um tipico político, e até pela sua imagem, diriamos que não se enquadra naquele leque de políticos modernos que temos visto recentemente a ganhar eleições. Mas a sua governação em New Jersey está-lhe a correr bastante bem, e através de uma reforma da educação, controlo do orçamento e capacidade de trabalhar com membros do Partido Democrata, o seu nome tem circulado como potencial candidato republicano em 2012. Neste momento ele é dos poucos que tem excelente imagem entre o establishment republicano e os activistas do tea party. Ele tem dito que não está interessado, e que ainda não tem as capacidades necessárias para ser Presidente. Mas já vimos outros políticos recuar neste tipo de declarações. Hoje o Today Show da NBC transmitiu esta perfil do republicano. Será que temos candidato?



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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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