20
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 00:34link do post | comentar

Amanhã realizam-se importantes eleições: na Carolina do Sul no Partido Republicano e no Nevada no Partido Democrata. Não são decisivas, mas podem ditar o afastamento da corrida de alguns candidatos no lado do Partido Republicano, e contribuir para que Bernie Sanders possa afirmar-se como sério candidato à nomeação. 

 

Primárias da Carolina do Sul - 50 delegados no Partido Republicano (urnas encerram às 01h00 Domingo) 

Os vencedores dos sete distritos ficam com três delegados em cada e 29 serão atribuídos ao vencedor do estado. Na prática, se um candidato vencer nos sete distritos fica com os 50 delegados. É esperada nova vitória de Donald Trump, pois lidera as últimas dez sondagens no Estado, mas nos últimos dias os seus números têm descido. Ontem foi publicada uma que colocava Ted Cruz a apenas cinco pontos e hoje outra que colocava Marco Rubio apenas a três pontos. Mas a maioria coloca Trump acima dos 30%, com Rubio e Cruz a disputarem o segundo lugar. Jeb Bush e John Kasich disputam o quarto lugar e Ben Carson aparece em todas em último lugar. As indicações que têm surgido nos últimos dias apontam para uma desistência de Jeb Bush, caso fique atrás de Rubio e Ben Carson poderá não continuar se o seu resultado ficar abaixo dos 5%. Kasich parece determinado continuar até às primárias do Midwest, que acontecerão lá para o inicio da Primavera. Se Trump tiver mais uma vitória confortável, ficará em excelente posição para vencer no Nevada no dia 23 deste mês e com caminho aberto para a Super Terça-feira. Depois do péssimo quinto lugar no New Hampshire, Marco Rubio parece ter recuperado na Carolina do Sul e com os importantes apoios da popular Governadora Nikki Haley e o Senador Tim Scott tem subido nas sondagens. A sua campanha está em crescendo, mas precisa de ter excelente resultado aqui, e desta vez, um terceiro lugar poderá não ser suficiente. Continua a ter hipóteses de ganhar a nomeação mas precisa urgentemente que Kasich e Bush se retirem para ficar como o candidato único do establishment. Ted Cruz espera repetir a surpresa do Iowa, e caso não o consiga, precisa de ficar em segundo. Um terceiro lugar atrás de Rubio coloca-o em maus lençóis.

 

Caucus do Nevada - 43 delegados no Partido Democrata (começam às 18h00 de Lisboa) 

Os delegados são atribuídos proporcionalmente aos resultados. As sondagens no Nevada não são muito fiáveis e há a longa tradição de falharem. Por exemplo, em 2008 Mitt Romney tinha uma vantagem de 5 pontos sobre John McCain e acabou por vencer por 30 pontos. Talvez por isso não há muitas sondagens no Nevada, mas as três que foram conhecidas depois das primárias do New Hampshire colocam Hillary Clinton e Bernie Sanders num empate técnico, com ligeira vantagem para a antiga Secretária de Estado. Isto é particularmente relevante pois em Dezembro, Hillary tinha uma vantagem que oscilava entre os 20 e os 30 pontos. Esta eleição é importante para Bernie, pois tem suscitado um enorme entusiasmo entre os mais jovens, mas não demonstrou ainda que consegue conquistar importantes grupos demográficos nas primárias democráticas: os negros e os hispânicos. Ora, é expectável que cerca de 30% dos eleitores sejam hispânicos e negros, o que pode ajudar Bernie a mostrar que também pode vencer entre as minorias. Até ao momento, Hillary Clinton acredita que tem a eleição controlada na Carolina do Sul (que se realiza na próxima terça-feira), pois o enorme apoio que têm entre os negros não dá mostras de quebrar aí. Olhando para os números conhecidos, creio que mesmo que Hillary Clinton perca no Nevada, vencerá facilmente na Carolina do Sul, onde a percentagem de negros ultrapassa os 50%. Além disso, esta semana saiu uma sondagem da PPP nos estados da Super Terça-feira, que colocava Hillary a vencer em 10 dos 12 estados. Se isso se mantiver assim, pode arrumar com a questão nesse dia. Mas tudo está em aberto e se Bernie vencer no Nevada e ficar próximo na Carolina do Sul, o resultado é imprevisível. Diria que Clinton continua a ser muito favorita, mas as coisas podem mudar um pouco depois dos resultados de amanhã.

 


16
Fev 16
publicado por Nuno Gouveia, às 22:21link do post | comentar | ver comentários (8)

Nunca na história moderna do sistema político americano - desde 1976, quando o sistema de primárias como hoje vigora foi instituído - nenhum republicano foi nomeado sem vencer uma das três primeiras eleições. Depois da vitória de Ted Cruz no Iowa e Donald Trump no New Hampshire, a menos de uma semana das eleições na Carolina do Sul, todas as sondagens dão uma confortável vantagem a Trump. Se isto fosse um ano normal, não tenho dúvidas que o candidato Trump estaria com a nomeação praticamente ganha se vencesse, como é esperado, na Carolina do Sul. Mas isto não é um ano normal nem Trump é um candidato convencional. As elites republicanas estão em choque com a possibilidade de entregar a liderança do seu partido ao multimilionário e, igualmente assustados, que Ted Cruz esteja em segundo lugar nestas primárias. Considerados inelegíveis por muitos, a nomeação de Trump (e em menor grau, de Cruz), significaria um duro revés para a credibilidade de um partido que nos últimos anos tem-se afastado para a direita (tal como o Partido Democrata para a esquerda, como se vê pela popularidade de Bernie Sanders). Nomear Trump seria entregar o partido a um oportunista xenófobo e populista, que em muitos discursos faz lembrar a extrema-direita clássica europeia. Nomear Cruz, que é detestado pelos seus colegas no Senado, poderia significar ter o candidato mais à direita desde 1964, quando Barry Goldwater foi arrasado nas urnas por Lyndon Johnson. 

 

Se olharmos para os resultados do New Hampshire, as votações conjuntas de Bush, Rubio, Kasich e Christie, a soma ultrapassaria Trump. Nas sondagens da Carolina do Sul, estariam mais ou menos empatados e nas nacionais o mesmo. O que isto quer dizer? Se quiserem derrotar Donald Trump, os republicanos vão ter de se unirem rapidamente em redor de um destes candidatos. Não quer isso dizer que haverá uma transferência imediata das intenções de voto para este candidato, mas essa é a melhor hipótese de travar Trump. O problema para o GOP é que até ao momento, nenhum destes três tem razões para abandonar a corrida, pois têm a legítima esperança de ser o último dos três. Rubio tem a melhor campanha, mais apoios e a legítima expectativa de ser o opositor de Trump. Kasich, depois do segundo lugar no New Hampshire, não pode desistir. E Bush, bem, depois de já ter gasto mais de 100 milhões de dólares nesta campanha, vai continuar enquanto houver uma esperança de derrotar os seus adversários directos. Se os resultados do próximo sábado forem próximos entre estes três, e nenhum desistir, então a super terça-feira arrisca-se a ser um passeio para Trump, e aí sim, poderá tornar-se imparável. A dinâmica das campanhas presidenciais americanas diz-nos que depois de obter tantas vitórias seguidas, é quase impossível parar esse candidato. E não sei se Trump emergir na super terça-feira como grande vencedor, o conseguirão parar, mesmo que a campanha a partir daí fique reduzida a três ou até a dois candidatos, caso Ted Cruz também abandone a corrida.

 

Trump não é imparável, e não será uma vitória no próximo sábado que irá mudar esse cenário. Mas só uma corrida a dois ou a três, poderá neste momento parar o nova-iorquino. E quanto mais rápido isso suceder, maiores as possibilidades de derrotar Trump.


06
Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:55link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Jim DeMint, senador da Carolina do Sul e um dos líderes do movimento conservador no Partido Republicano, anunciou hoje que vai demitir-se no inicio do próximo ano. A razão? Irá assumir a liderança da Heritage Foundation, umas das organizações conservadores mais influentes dos Estados Unidos. Jim DeMint é tido como um senador honesto e integro, no entanto, cede muito pouco espaço para o compromisso com os adversários. Nunca cedeu nos seus principios, e nas eleições intercalares de 2010 apoiou alguns dos candidatos "insurgentes" vitoriosos, como Marco Rubio, Rand Paul ou Mike Lee. Era uma das vozes mais importantes do sectores conservadores do Partido Republicano. As más línguas já dizem que troca de lugar para fazer dinheiro, já que o senador DeMint é dos membros do Senado mais "pobres" e o salário na HF é de 1 milhão de doláres por ano. Agora a governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, irá nomear um substituto para o lugar, que irá manter o cargo até 2014. O nome mais referido é o do congressista Tim Scott. 


22
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 00:02link do post | comentar | ver comentários (3)

 

O fúria de Newt Gingrich foi mais forte que a inevitabilidade de Mitt Romney na Carolina do Sul. Mal fecharam as urnas, algumas cadeias de televisão (FOX News, ABC, NBC) declararam o antigo speaker como vencedor destas primárias. Se isto se confirmar, significa que a corrida está lançada e irá decorrer, pelo menos, até à super terça-feira, dia 6 de Março. A dúvida destas primárias é se Rick Santorum continua na corrida. As exit polls indicam que está a disputar terceiro lugar com Ron Paul, mas se tal não suceder, dificilmente terá condições para continuar. Isso poderá favorecer Gingrich, numa corrida a três com Romney e Paul. No próximo dia 31 realizam-se as primárias na Florida, onde Romney tem liderado com larga vantagem as sondagens. Mas depois desta noite, tudo pode mudar. Esta vitória vem colocar alguma "normalidade" nestas primárias, pois até ao momento Romney parecia concorrer sem adversário visível. A minha aposta é que Romney continua o favorito, mas terá de "suar" para derrotar Gingrich. Uma nota histórica. Se é verdade que desde 1980 que todos os vencedores da Carolina do Sul foram os nomeados do GOP, também é verdade que nenhum candidato venceu a nomeação sem conquistar o Iowa ou New Hampshire, algo que Gingrich não conseguiu. De qualquer maneira, irá haver novidade histórica nestas primárias. 


21
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:41link do post | comentar

Newt Gingrich ou Mitt Romney: um deles irá vencer esta noite as primárias da Carolina do Sul. Desde 1980 que o vencedor desta primária acaba por ser o nomeado do Partido Republicano. Mas também é verdade que todos os vencedores aqui ganharam antes ou o Iowa ou o New Hampshire. As últimas sondagens dão todas vantagem a Gingrich, pelo que se espera uma vitória dele esta noite. Um outro resultado, especialmente depois destas expectativas criadas nos últimos dias, seria um desastre para ele. Romney pode hoje sofrer o seu primeiro revés nestas primárias. Mas ele sabe que tem um calendário, uma máquina, os apoios e a estrutura necessária para continuar na luta. Ao contrário dos seus adversários. Esta eleição afigura-se crucial também para Rick Santorum. Um quarto lugar, atrás de Ron Paul, pode ditar o fim da sua candidatura presidencial. A partir da meia noite (em Portugal) haverá novidades. 


20
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 21:27link do post | comentar

 

No que poderá ser mais um verdadeiro golpe de teatro nestas primárias, Newt Gingrich é agora considerado pelas sondagens o favorito para vencer amanhã as primárias da Carolina do Sul. Mitt Romney, que nestes últimos três dias perdeu a dinâmica de vitória imparável que parecia possuir, apresentou hoje um reforço de peso para esta campanha presidencial. O governador da Virginia (e por diversas vezes falado para candidato a Vice Presidente) declarou hoje o seu endorsement e estará a participar neste momento num evento em Charleston, juntamente com Romney e Nikki Haley, a governadora da Carolinad do Sul. Irá influenciar a votação de amanhã? Não, mas isto coloca mais uma vez em evidência que a esmagadora maioria dos eleitos do Partido Republicano já escolheu o seu candidato contra Barack Obama.


19
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:27link do post | comentar

Poucos dias terão tido tanta acção nesta campanha como este. Em primeiro lugar, e como o Alexandre já deu nota aqui, Rick Perry abandonou a corrida e declarou o apoio a Newt Gingrich. Depois, informações vindas do Iowa indicam que o vencedor dos caucuses do Iowa terá sido Rick Santorum e não Romney. Uma vitória que não muda dinâmica na corrida (Santorum está em clara queda), mas que coloca alguma normalidade nestes resultados eleitorais. Ao longo do dia, têm ainda sido avançadas várias sondagens que dão vantagem a Gingrich para as primárias de sábado na Carolina do Sul. Para acabar o dia teremos ainda a entrevista de Marianne Gingrich à NBC e mais um debate na CNN às 1h00 (de Lisboa), já sem Perry. Quando se pensava que estas primárias estavam perto do seu término, eis que um leque de acontecimentos inesperados voltam a dar ânimo à corrida. Dito isto, mantenho a minha forte convicção que Mitt Romney será o nomeado republicano para defrontar Barack Obama. Mesmo que saia derrotado este sábado. 


publicado por Nuno Gouveia, às 00:13link do post | comentar | ver comentários (2)

 

O debate desta semana (que não vi) correu de feição a Newt Gingrich, pelo que li na imprensa americana. Essa prestação, aliada a uma menos conseguida de Mitt Romney, que está a ser atacado por diversas frentes para divulgar publicamente as suas declarações fiscais, parece ter injectado um novo folego na campanha de Gingrich. Neste momento as sondagens indicam uma ligeira recuperação do antigo Speaker na Carolina do Sul, eleições essas que se realizam já no próximo sábado. Não sei se irá a tempo de vencer, mas pode fazer com que Gingrich fique num segundo lugar próximo de Romney que lhe possibilite continuar nas primárias para a Florida. 

 

PS: O Drudge Report está a anunciar que Marianne Gingrich, antiga esposa do republicano, deu esta semana uma entrevista à ABC News que poderá ser bombástica. Anteriormente, Marianne tinha dito que poderia acabar com a carreira de Gingrich num só entrevista. Ela foi a segunda esposa do candidato, que viu o seu casamento terminado quando o speaker a traiu com a actua mulher. Matt Drudge explica que há neste momento uma grande divisão na ABC se devem colocar no ar a entrevista antes das primárias da Carolina do Sul. A acompanhar este desenvolvimento. 


16
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:57link do post | comentar | ver comentários (2)

As sondagens continuam a indicar que é quase impossível que Mitt Romney perca a nomeação. Senão vejamos:

 

Carolina do Sul - A tendência das sondagens para as primárias que se realizam já no próximo Sábado não deixam margem para dúvidas: Romney é o claro favorito a vencer. E dificilmente irá perder a vantagem amealhada desde o New Hampshire. E com a saída de Huntsman da corrida, ainda irá subir mais uns pontinhos. 

 

Florida - Aqui a vantagem de Romney é ainda maior. Com as características deste estado a serem mais favoráveis, e com o potencial endorsement de Jeb Bush a caminho, não vejo como será possível ser derrotado aqui. 

 

Nacional - Também aqui Romney tem vindo a subir desde o New Hampshire. E agora, ao contrário de até Dezembro, estas já contam. Se por acaso vencer na Carolina do Sul e na Florida, Romney "arrisca-se" a ir até à super terça-feira sozinho com Ron Paul, o único candidato que parece ter capacidade para sobreviver a estas derrotas do mês de Janeiro. 

 

Tenho algumas dúvidas que esta vitória fácil que se está a desenhar seja favorável a Romney. Nunca na história moderna das primárias republicanas um candidato venceu tão facilmente. Nem Ronald Reagan, que perdeu várias primárias para George H. Bush, nomeadamente no Iowa. Terá tempo para preparar a campanha das eleições gerais, mas como se provou com Barack Obama em 2008, pode ser favorável competir nos 50 estados durante as primárias. Será que não haverá ninguém no campo de Romney a desejar um percalço na Carolina do Sul, até para espicaçar mais a corrida?

 

PS: Hoje, às 2h00 (de Lisboa) haverá mais um debate na Fox News, já sem Huntsman: Romney, Paul, Perry, Santorum e Gingrich. Está-se a prever mais uma sessão de tiro ao alvo a Romney. 

 


12
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:40link do post | comentar

 

Como já antecipava neste post, Mitt Romney recebeu hoje importantes reforços na conquista do eleitorado mais conservador. O ataque de Newt Gingrich, secundado por Rick Perry, ao seu passado de empresário na Bain Capital provocou um ricochete contra os críticos. Depois de Rush Limbaugh e Jim DeMint, hoje foi a vez de Rudy Giuliani, de Mike Huckabee, do Wall Street Journal e da National Review surgirem em público a defender o legado empresarial de Mitt Romney. A destruição criativa a que Schumpeter se referia foi um dos argumentos mais utilizados para a defesa veemente do sistema capitalista. Honestamente não percebo como Newt Gingrich, que está na arena política desde a década de 70, entrou numa linha de ataque deste género. Esperava-se que este tema fosse explorado (e deverá ser na campanha para Novembro) pelos democratas, mas nunca pelos seus colegas republicanos. Uma má entrada de Newt Gingrich na Carolina do Sul, onde tentará desacelerar a nomeação de Romney. 


publicado por Nuno Gouveia, às 13:59link do post | comentar

Newt Gingrich, que durante a campanha do Iowa criticou furiosamente os ataques negativos que sofreu de Mitt Romney e Ron Paul, prepara-se para lançar a ofensiva final na Carolina do Sul contra Romney. A sua Super Pac, que recebeu recententemente 5 milhões, irá direccionar esse dinheiro para a Carolina do Sul contra o líder da corrida. Gingrich, que assumiu esta semana que se Romney vencer na Carolina do Sul ele será o nomeado, disse hoje que se preparem, pois na Carolina do Sul vem aí um "'Armageddon' of attacks". A questão que ainda ontem coloquei no programa em que estive na Rádio Renascença é que, ao contrário do que aconteceu com Newt Gingrich no Iowa, Romney tem dinheiro para se defender. Além disso, a principal linha de ataque de Gingrich, o passado de empresário de Romney, não é propriamente popular na base eleitoral republicana. O apresentador conservador de rádio Rush Limbaugh, que ainda há pouco tempo elogiava Gingrich e criticava Romney, esta semana devastou esta linha de ataque do antigo Speaker. O senador Jim DeMint, que declarou que não iria apoiar ninguém, hoje também criticou duramente Gingrich e elogiou o discurso de ontem à noite de Romney. E isso tem sucedido um pouco por todo espectro conservador, que considera essa crítica uma atitude democrata e anti-capitalista. Além disso, Romney terá um leque de defensores na Carolina do Sul que o irá auxiliar nesse combate. A governadora Nikki Haley e a máquina do GOP no estado irão ser peças fundamentais no seu exército. 

 

Como tenho vindo a dizer, acredito que Romney tem todas as condições para vencer na Carolina do Sul, e esta vitória poderá carimbar definitivamente a sua nomeação, que deverá ser confirmada apenas na Super Terça-feira em Março. Paul, Santorum e Perry irão dividir o potencial eleitorado de Gingrich, o que só ajudará Romney. Mas serão dez dias muito intensos, até dia 21 de Janeiro. E pelo meio, teremos dois debates. 


06
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:30link do post | comentar

As sondagens são há muitos anos um elemento fundamental de qualquer estratégia política. Mas são sobretudo partes essenciais para o circo mediático que rodeia uma campanha. Sem elas, como iriamos avaliar quem vai a frente ou o que as pessoas estão a pensar sobre os candidatos? Apesar dos seus efeitos perversos (por vezes as sondagens são elas próprias elementos determinantes de um desfecho eleitoral, por exemplo), eu gosto de sondagens. E admito que, apesar de nem sempre lhes dar a importância que os media lhe atribuem, sou um fiel seguidor das sondagens. Até Novembro, os Estados Unidos vão ser inundados de sondagens, primeiro sobre as primárias e depois sobre as eleições gerais. E apesar de desvalorizar o sentido de alguma delas - nomeadamente para as eleições gerais nesta fase - elas servem para atestar o estado da corrida. 

 

Como o Alexandre Burmester deu nota no post anterior, Romney aparece à frente na Rasmussen na Carolina do Sul, mas com uma vantagem curta sobre Santorum. Outra da CNN/Time de hoje dá uma maior vantagem a Romney, com 37-19-18 sobre Santorum e Gingrich e ainda da American Research Group dá 31 a Romney e 24 a Santorum e Gingrich. Apesar de serem consideradas boas notícias para Romney, isto não desqualifica o facto que ainda pode haver uma aglomeração do voto conservador em Santorum ou Gingrich. Para isso, há dois factores que podem ser decisivos. Em primeiro lugar, as primárias do New Hampshire. O nome que ficar em segundo lugar (Romney deverá vencer) terá uma oportunidade para congregar esse apoio. Neste momento, Santorum e Gingrich estão à volta dos 10 pontos, atrás de Ron Paul e em alguns casos de Huntsman. O melhor cenário para Romney é que nem Santorum ou Gingrich se diferenciem muito na votação (e de preferência que seja Ron Paul a ficar em segundo), para que o voto conservador na Carolina do Sul continue dividido. O outro factor que pode determinar uma aglomeração de apoios poderá ser introduzido pelos debates. Neste fim de semana realizar-se-ão dois debates no New Hampshire e mais dois antes na Carolina do Sul. Uma prestação positiva ou um desastre de um deles poderá ser um factor determinante. Por fim, uma nota sobre Jon Huntsman. A sua única esperança resumia-se a ter uma grande prestação nas primárias de New Hampshire. Até ao momento, as sondagens indicam-nos que dificilmente isso irá acontecer. Nas sondagens desta semana aparece invariavelmente em quarto ou quinto lugar, o que significará o fim da sua aventura presidencial. Com um perfil de governador de sucesso no Utah, ainda por cima com um percurso conservador, tentar aparecer como o moderado nestes tempos eleitorais, foi um erro de proporções gigantescas. Terá tempo suficiente para reflectir. 

 

Adenda: Mais duas sondagens do New Hampshire, que confirmam a tendência. Romney à frente com larga vantagem e Ron Paul em segundo.

NBC News/Marist: Romney 40, Paul 21, Santorum 12, Huntsman 8, Gingrich 8

WMUR/UNH: Romney 44, Paul 20, Santorum 8, Gingrich 8, Huntsman 7


05
Jan 12
publicado por Nuno Gouveia, às 07:55link do post | comentar

Como suspeitei, Michele Bachmann foi a primeira vítima nestas primárias, não resistindo ao último lugar nos caucuses do Iowa (IA). Rick Perry, que sempre pensei que iria até à Carolina do Sul (SC), chegou a dar a entender que iria desistir, mas ontem tarde lançou um tweet onde anunciava precisamente o contrário. Quem deve ter ficado agradado com a manutenção de Perry foi Mitt Romney, que é agora cada vez mais o favorito à nomeação. Se vencer para a semana no New Hampshire (NH), como é amplamente esperado, Romney tornar-se-á o único republicano desde 1976 a vencer no IA e NH, algo que nem Reagan ou W. Bush conseguiram. Mas Romney ainda terá várias batalhas pela frente. A começar no próximo dia 21 de Janeiro na Carolina do Sul (SC), onde todos os nomeados republicanos da era moderna venceram. Romney precisará de uma vitória confortável no NH para partir para a SC com entusiasmo e folêgo necessário para ganhar aí. E é aí que entra Perry. Com a desistência de Bachmann, Romney precisa de que o voto conservador neste estado do sul se divida por vários candidatos, para poder vencer, a exemplo do que sucedeu com John McCain em 2008. Se Romney conquistar a SC, terá a nomeação quase na mão. Se por acaso for derrotado, terá na Florida (dia 31 de Janeiro) ou no Nevada (4 de Fevereiro) espaço para recuperar. Mas aí a contenda irá arrastar-se pelo menos até Março.

 

No entanto, há um facto escondido por estes dias através da espuma mediática. Todos os analistas credíveis consideram que muito dificilmente a nomeação escapará a Romney. Mas como os media precisam de contar uma história, é necessário baralhar as contas. E daí sucederem-se na imprensa americana artigos sobre uma eventual derrota de Romney. O que seria um acontecimento de proporções históricas. Em primeiro lugar nenhum nomeado dos dois partidos desde 1972 (data em que este sistema de primárias entrou em vigor) conseguiu a nomeação sem vencer no Iowa ou New Hampshire. E Romney quase de certeza ira averbar aqui duas vitórias. Por outro lado, se ninguém considerou Rick Santorum, que perdeu a reeleição por 18 pontos em 2006 para o Senado, fosse um sério candidato à presidência. As mais credíveis ameaças a Romney, Gingrich e Perry, estão neste momento destroçados e sem momentum, dinheiro ou apoio político. Jon Huntsman, que poderia ter uma hipótese, teima em não subir nas sondagens no New Hampshire. Mesmo um segundo lugar neste momento se afigura complicado para ele. É possível que Romney não seja o nomeado? Em política tudo é possível, mas é cada vez mais improvável.

 

  

Dos 98 participantes que votaram no nosso inquérito acerca do Iowa, cerca de 49% disseram que Mitt Romney iria vencer o Iowa, enquanto Ron Paul reuniu a preferência de 27% e Rick Santorum 14%. Agora está na coluna direita um inquérito sobre o New Hampshire, já sem Michele Bachman. Participem!


16
Dez 11
publicado por Nuno Gouveia, às 16:14link do post | comentar

 

Ainda recentemente referi aqui uma lista de dez políticos que podem fazer a diferença nestas primárias. E como suspeite na altura, as peças começaram a cair para o lado de Romney. Esta manhã, Nikki Haley, a governadora republicana da Carolina do Sul, declarou o seu apoio a Mitt Romney. Apesar de já ter tido melhores dias em termos de popularidade, Haley será um reforço importante para as primárias que se vão realizar no dia 21 de Janeiro, após o Iowa e New Hampshire. Desde 1980 que o vencedor desta eleição tem sido o nomeado republicano. Neste momento é Newt Gingrich que lidera as sondagens no estado, mas estas terão nesta fase pouco signifcado. Tudo poderá mudar depois do Iowa e New Hampshire. Em 2008 Mitt Romney ficou em quarto lugar, atrás de Fred Thompson, Mike Huckabee e John McCain. 


27
Out 11
publicado por Nuno Gouveia, às 21:32link do post | comentar | ver comentários (2)

Mitt Romney tem-se mostrado bastante vulnerável nestas primárias. Numa era dominada pelo soundbites estridentes e pelo conservadorismo exacerbado da base republicana, Romney ainda não arrancou para uma liderança incontestável nas sondagens. Mesmo tendo sido sempre, de longe, o melhor candidato em todos os debates já realizados. Olhando para as fraquezas de todos os candidatos, e Romney também apresenta bastantes, nomeadamente as mudanças de posição em relação a temas chave no Partido Republicano, como aborto e reforma da saúde, acredito que será, quase inevitavelmente, o adversário de Obama. Jon Huntsman, o mais moderado, não consegue descolar, e por isso, é difícil encará-lo como credível para vencer a nomeação. Bachmann e Santorum são simplesmente inelegíveis. Newt Gingrich, apesar das inegáveis qualidades intelectuais que possui, é considerado como uma figura do passado e encarado com desprezo pelo eleitorado independente e moderado. Herman Cain, apesar de liderar neste momento algumas sondagens nacionais, tem apresentado debilidades inacreditáveis e evidenciado confusões no seu pensamento político, que aliados à total ausência de experiência política, o desqualificam como candidato ao cargo mais importante dos Estados Unidos. Por fim, Ron Paul, está muito desfasado do pensamento mainstream do Partido Republicano para poder ser o nomeado. Resta Rick Perry, que com o currículo de governador do Texas ao longo dos últimos 11 anos, poderia ser considerado uma boa alternativa. Mas estes primeiros dois meses de campanha destruíram, talvez definitivamente, a sua credibilidade nacional. Com prestações risíveis nos debates, declarações bombásticas e até patéticas - recentemente afirmou que tinha abordado o assunto da certidão de nascimento de Obama porque... era divertido gozar com o Presidente - Perry afundou-se nas sondagens e dificilmente conseguirá recuperar. Neste leque de candidatos, resta Mitt Romney, que apesar de não encantar nem galvanizar a base conservadora, tem mantido números interessantes nas sondagens e poderá ser um adversário temível para Obama nas eleições gerais. Com um candidato a VP que entusiasme a base, e isso não será difícil de conseguir (Rubio? Christie? Ryan?), Romney terá o caminho livre para conquistar o eleitorado independente e moderado. 

 

Apesar das sondagens nacionais terem muito destaque nos media, a história ensina-nos que o mais importante é estar atento ao que vai acontecendo no Iowa (IA), New Hampshire (NH), Carolina do Sul (SC), Florida (FL) e Nevada (NV), os primeiros estados a votarem. Basta recordar 2008. Hillary Clinton teve sempre grandes vantagens nas sondagens nacionais sobre Barack Obama, mas tudo mudou depois de ser derrotada por Obama no Iowa. Ao mesmo tempo, Rudy Guiliani teve sempre boas sondagens nacionais, mas depois de ter maus resultados no Iowa e New Hampshire, a sua campanha desabou. Ontem a Time publicou sondagens dos quatro primeiros estados a irem a votos (Iowa, NH, SC e FL), onde Romney aparecia à frente em todas. Se a dinâmica da corrida não se alterar muito, acredito que depois destas cinco eleições, Romney estará bem posicionado para obter a nomeação. A minha previsão é que fique perto da vitória no Iowa, muito próximo do opositor mais conservador. Neste momento Cain ocupa o lugar mas Rick Perry ainda pode regressar ao topo. E curiosamente, se nenhum destes se destacar, ainda poderemos ver Gingrich a brilhar. Depois deverá ter uma vitória confortável no New Hampshire, e terá um bom resultado na Carolina do Sul, onde poderá disputar a vitória. Finalmente, deverá vencer na Florida e no Nevada. Com estes resultados, a nomeação dificilmente escapará a Romney. Neste momento, diria que Romney tem mais de 75% de possibilidades de ser o opositor de Barack Obama nas eleições gerais. 


14
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 21:19link do post | comentar

Uma entrevista peculiar do candidato do Partido Democrata ao Senado na Carolina do Sul. "DeMint started the recession" poderia bem ser o lema de campanha de Green.


19
Jul 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:28link do post | comentar | ver comentários (3)

O mais exótico candidato deste ciclo cleitoral, o democrata Alvin Greene da Carolina do Sul, fez ontem a sua primeira aparição pública em campanha. E, mais uma vez, conseguiu surpreender. Um dos seus objectivos é livrar o país dos comunistas e terroristas.


16
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 17:18link do post | comentar

 

A Carolina do Sul é um estado conservador. Membros do Partido Republicano dominam os principais cargos estaduais e federais. O senador Jim DeMint, um dos políticos mais influentes do GOP, irá a votos em Novembro. Mas a primária democrata para o senado transformou-se numa das principais histórias “políticas” dos últimos tempos, com a nomeação de Alvin Greene, um perfeito desconhecido, para enfrentar DeMint.

 

Na noite em que foi conhecida a sua vitória, ninguém o conhecia. Nos jornais, nas televisões perguntava-se quem era esse Alvin Greene, que tinha obtido 59 por cento dos votos contra um juiz de Charleston, numas primárias onde votaram mais de 160 mil eleitores. Sem currículo politico, sem ter sequer um site de campanha ou desenvolvido alguma acção de campanha, ninguém o conhecia. Nos dias seguintes a imprensa revelou que Greene tem 32 anos, é um veterano do exército americano e desempregado desde que saiu do exército em 2009. Logo começaram as suspeitas sobre esta candidatura. Democratas declaram que este candidato foi um “esquema” dos republicanos para prejudicar as hipóteses o Partido Democrata na Carolina do Sul. E apontaram alguns indícios que tal poderá ter acontecido: como Greene terá arranjado os 10 mil dólares para se candidatar ao cargo? Como conseguiu vencer o outro democrata, num estado onde os republicanos podem votar nas primárias democratas e vice-versa? É pouco provável que tal tenha sucedido, pois o republicano sempre foi o favorito para vencer a eleição e é inverosímil que se tivessem dado ao trabalho para implementar um esquema destes.

 

Nas entrevistas que tem dado, Greene tem demonstrado inabilidade total para lidar com as questões, w uma total inaptidão para falar ou explicar a sua candidatura/campanha, que não existiu até ao momento. Alguns democratas  já lhe pediram para desistir e outros disseram mesmo que Greene tem problemas mentais. Uma coisa é certa: como é possível que os democratas só se tenham preocupado com ele depois das eleições? Muita incompetência.


09
Jun 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:50link do post | comentar

As primárias de ontem ficaram marcadas pela ascensão de Meg Withman e Carly Fiorina como líderes do Partido Republicano na Califórnia. Pelo menos até Novembro. As suas vitórias já eram esperadas, mas a margem que conquistaram elevaram estas duas mulheres a estrelas dos republicanos para o próximo ciclo eleitoral. No estado de Richard Nixon e Ronald Reagan, duas das figuras mais poderosas do GOP no século XX, Withman e Fiorina podem conquistar um importante lugar para o futuro, caso consigam ser eleitas Governadora e Senadora, respectivamente. Isso não será fácil, pois os democratas na corrida – Jerry Brown e Barbara Boxer – tem liderado nas sondagens. Mas o ciclo eleitoral está a mostrar-se sorridente para novatos na vida política, e se Withman e Fiorina chegaram à política recentemente, o mesmo não sucede com os seus adversários. Jerry Brown foi governador da Califórnia na década de 70, e desde então tem estado na vida política do estado. Actualmente é o Procurador-geral. Barbara Boxer está em Washington desde 1993. A seguir atentamente.


Também no Nevada uma mulher venceu as primárias para o Senado: Sharron Angle. Desconhecida até há bem pouco tempo, conseguiu ultrapassar os favoritos republicanos (Sue Lowden e Danny Tarkanian) nas últimas semanas, depois de ter obtido o apoio do Tea Party Express. Harry Reid deve ter sorrido perante este resultado, pois Angle é considerada pelos analistas como a adversária mais acessível. Apesar disso, os índices de popularidade de Reid são muito baixos, o que indica que haverá luta até ao fim. Também houve primárias para o cargo de governador. O hispânico Brian Sandoval derrotou o governador republicano Jim Gibbons, e vai defrontar o filho de Harry Reid, Rory.


Na segunda volta democrata para o Senado no Arkansas, a senadora Blanche Lincoln contrariou as sondagens e conquistou o direito de lutar pela reeleição em Novembro. Apesar dessa vitória, será muito difícil segurar o lugar em Novembro, pois neste momento está a 20 pontos do adversário republicano, o congressista John Boozman.

 

Outra das eleições que captou mais atenção mediática foi na Carolina do Sul. Nikki Haley venceu as primárias republicanas, mas irá disputar uma segunda volta ainda este mês. Se vencer, será a mais que provável governadora do estado. Podem consultar todos os resultados de ontem nesta página do Politico.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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