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Jan 15
publicado por Nuno Gouveia, às 21:43link do post | comentar

América de 2016. Jeb Bush, irmão do Presidente 43 e filho do 41, disputa a presidência com Hillary Clinton, esposa do 42. Nas primárias, Hillary derrota os seus opositores com facilidade e Bush, após a mais dura campanha de primárias de que há memória no Partido Republicano, acaba por se impor devido à enorme vantagem financeira que conquistou em relação aos seus adversários. Quem irá suceder a Barack Obama? Clinton ou Bush? 

Qual é problema com este cenário? Bem, do ponto de vista de análise de possibilidades, nenhum. Diria mesmo que a esta distância, seria uma aposta relativamente segura (especialmente do lado de Hillary). Confesso que o meu problema é outro. Não haverá na política norte-americana outros nomes e famílias para conquistar o poder? Estaremos a assistir a uma aristocratização nos Estados Unidos? Na verdade, sempre existiram famílias poderosas na história política do país. Recordemos os Adams (presidentes John e John Quincy, pai e filho), os Roosevelt (presidentes Teddy e Frank, primos afastados), os Kennedy ou os Taft. E a nível regional, há exemplos diversos, como os Udall no Oeste, os Daley no Illinois ou os Rockefeller na costa leste. Mas nunca esta concentração foi tão evidente. Mesmo que só um deles se candidate, isso quererá dizer que nas 10 presidenciais entre 1980 e 2016, apenas em 2012 não terá havido um Bush ou Clinton a candidatar-se a presidente. Mais, nesses anos, apenas em 2008 e 2012 não terá existido nenhum num dos tickets presidenciais.

Não coloco em causa nenhum dos dois nomes: pelo contrário, ambos me parecem ter a experiência e qualidades políticas para chegaram à Casa Branca. Mas parece-me que a América dos Pais Fundadores merecia outros protagonistas para o século XXI. E até se pode dizer que há estrelas em ascenção em ambos os lados, como Elisabeth Warren no Partido Democrata, e especialmente no GOP, como Marco Rubio, Chris Christie, Rand Paul, Scott Walker ou Bobby Jindal. Se do lado republicano, e agora com o ressurgimento de Mitt Romney, a nomeação é muito incerta para Jeb Bush, Hillary Clinton, uma figura que está na vida política americana há mais de 20 anos, parece ter a nomeação bem encaminhada. Definitivamente a renovação parece não estar na ordem do dia nos Estados Unidos.

PS: Este post marca o meu regresso ao blogue, que foi relançado na semana passada com o post do Alexandre


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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