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Out 15
publicado por Alexandre Burmester, às 15:22link do post | comentar

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Se "uma semana é muito tempo em política", como um dia afirmou o Primeiro-Ministro britânico dos anos '60/'70 Harold Wilson, sete meses, então, são uma eternidade. Vem isto a propósito das mudanças sísmicas ocorridas em ambos os campos eleitorais americanos desde que, em Fevereiro, aqui escrevi acerca das possibilidades de Scott Walker e da inevitabilidade de Hillary Clinton.

 

Deixarei o campo republicano para outra ocasião, e concentrar-me-ei no campo democrático, pois hoje tem lugar o primeiro debate entre democratas. O reduzido número desses debates em relação ao que tem sido normal tem, aliás, provocado murmúrios - e, por vezes, mais que murmúrios - de alguns dos candidatos, que acham que o Democratic National Committee estará  a proteger Hillary Clinton.

 

Basicamente, houve duas grandes alterações no campo democrático desde Fevereiro: o rebentar do caso do e-mail e servidor privados que Hillary Clinton, ao arrepio das normas em vigor, utilizou enquanto Secretária de Estado, e que tem dado origem a um lento "pinga-pinga" de revelações negativas, a pontos de uma maioria dos inquiridos em sondagens não considerarem a candidata pessoa digna de confiança, e a entrada em campo e posterior ascenção do auto-intitulado socialista, o Senador Bernie Sanders do Vermont. Clinton ainda lidera confortavelmente (mas com uma margem bem menor que há seis meses, quando rebentou o caso dos e-mails) as sondagens nacionais entre os democratas, mas, por exemplo, no crucial estado de New Hampshire, onde se realiza a primeira primária propriamente dita, Sanders lidera actualmente com uma margem de nove pontos. Estes problemas de Clinton terão sido a principal causa de o Vice-Presidente Joe Biden estar, também ele, a  considerar entrar na corrida, algo que os "clintonistas" quererão evitar a todo o custo.

 

Além de Clinton e Sanders, os candidatos democráticos são o ex-Governador do Maryland Martin O'Malley, o antigo Senador pela Virgínia Jim Webb, e o antigo Senador republicano e Governador de Rhode Island Lincoln Chafee, que aderiu ao Partido Democrático em 2013.

 

Que esperar do debate de hoje? Claramente incomodada pelos progressos do Senador Sanders, Clinton tem-se posicionado mais à esquerda que o seu habitual. Passou, inclusivamente, a opôr-se ao acordo comercial conhecido por Trans-Pacific Partnership, o qual envolve os EUA e uma séria de nações da zona do Pacífico, em cuja elaboração teve um papel importante como Secretária de Estado e que, segundo os media apoiou um total de 45 vezes(!). Decerto que Sanders e os outros candidatos não deixarão passar em claro este aparente oportunismo de Clinton.

 

Será também interessante ver-se até que ponto os seus rivais a atacarão por causa do caso dos e-mails (pelo qual a candidata, apesar de uma investigação em curso por parte do FBI, culpa basicamente os republicanos, algo em que decerto nem ela acredita) ou se a  deixarão tranquila nessa matéria. Seja como for, quem decerto não ficará silencioso perante o caso será o seu rival republicano em 2016, na hipótese, ainda, apesar de tudo, verosímil, de ela vir a ser o porta-estandarte democrático.

 

Sintonizemos então a CNN em Las Vegas esta noite.

 

 

 

 

 

 

 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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