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Nov 15
publicado por Nuno Gouveia, às 20:59link do post | comentar

Primeiro, como apontamento histórico, recordo aqui uma sondagem desta semana em 2007: Rudy Giuliani 27%, Fred Thompson 13%, Mitt Romney 12%, John McCain 11%, Mike Huckabee 10%. No final, Mccain foi o nomeado e teve como principais adversários Romney e Huckabee, que venceu no Iowa. Isto para dizer que devemos ter alguma reserva quando olhamos para as actuais sondagens. E de recordar que em 2008, os caucuses do Iowa foram logo no inicio de Janeiro. 

Dito isto, estamos a quase dois meses das primeiras eleições das primárias republicanas e, neste momento, a corrida está centrada em quatro políticos: Donald Trump, Ben Carson, Marco Rubio e Ted Cruz. O drama para o establishment republicano? Destes, apenas Marco Rubio é considerado elegível num confronto com Hillary Clinton. Apesar do que dizem algumas sondagens nacionais (e que valem pouco nesta fase da corrida), poucos acreditam que os inexperientes Trump e Carson, que têm cometido gafes atrás de gafes e com um discurso bombástico e muitas vezes de ódio, tenham capacidade de derrotar Clinton. Ted Cruz, mais jovem e acutilante, formado em Princeton e Harvard, é considerado demasiado radical para o eleitorado centrista que normalmente decide as eleições em estados decisivos como Ohio, Florida ou Virginia. O que resta destes quatro? Marco Rubio, talvez o mais brilhante político desta geração, mas que é considerado por muitos como demasiado novo e inexperiente. O descendente de cubanos é talvez o nome mais perigoso para a equipa de Hillary Clinton, como recentemente recordou James Carville.

Os republicanos tinham à partida vários nomes fortes e de créditos firmados: o governador do Wisconsin, Scott Walker; o governador do Ohio, John Kasich; o governador de New Jersey, Chris Christie; e o antigo governador da Florida, Jeb Bush. Mas tudo tem corrido mal com a revolta dos sectores mais à direita e anti-sistema, o que tem catapultado para a ribalta outros nomes. 

Depois da queda de Scott Walker, o próximo a cair pode mesmo ser Jeb Bush, que entrou nesta campanha como o principal favorito à nomeação. A descer abruptamente nas sondagens e com financiadores a abandonar a sua campanha, Jeb está em grandes dificuldades. Os outros potenciais candidatos do establishment, John Kasich e Chris Christie, ainda não sairam do fundo da tabela das sondagens. O governador de New Jersey foi mesmo afastado do último debate republicano. Dois meses são uma eternidade e muito ainda pode acontecer. Bush pode renascer e até Christie ou Kasich podem começar a subir. Mas se nada mudar, a minha previsão é clara: vamos assistir a uma aposta frontal do establishment e dos grandes financiadores em Marco Rubio e este, provavelmente, vai ter como grande opositor Ted Cruz. É uma aposta arriscada, olhando para todas as sondagens. Mas fica feita aqui a minha previsão. 

Deixo também uma nota do mercado de "previsões": Rubio é o favorito com 48%, Trump com 22% e Cruz com 14%. 

 

 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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