09
Jan 16
publicado por Nuno Gouveia, às 23:30link do post | comentar

Devido ao espectáculo (ou tragédia) proporcionado pelas primárias do Partido Republicano e a campanha de Donald Trump, pouco ou nada se tem dito ou escrito sobre as primárias democratas. Nos Estados Unidos, mas também em Portugal, pouco se tem falado desta contenda.

 

Hillary Clinton permanece como a grande favorita para vencer a nomeação democrata (e se os republicanos não escolherem alguém credível, diria que, apesar de tudo, também para vencer as eleições gerais). Apesar de haver uma pequena margem de esperança para Bernie Sanders, as suas hipóteses são muito curtas. Mas vamos por partes.

 

Longe vão os tempos dos índices de popularidade elevados quando foi Secretária de Estado. Entretanto foi afectada por diversos escândalos e eles aparentam não querer ir embora. Quase todas as semanas têm sido divulgados novos pormenores que a colocam em grandes dificuldades e recordam os eleitores que Hillary é sinónimo de escândalos. Tivesse ela uma outra oposição, dentro e fora do partido, e provavelmente já não existia politicamente. Esta semana foram divulgados novos emails classificados que mais uma vez não a favorecem. Nas sondagens para as eleições gerais, Hillary está mesmo atrás de Ted Cruz e Marco Rubio e apenas ligeiramente à frente de Donald Trump (!). O senador da Flórida lidera mesmo sete das últimas oito sondagens. Apesar destas sondagens nacionais não serem muito relevantes nesta altura, indiciam nitidamente as enormes fragilidades de Hillary Clinton. Mas se enfrenta assim tantos obstáculos, porque é que quase ninguém considera credível o cenário dela perder as primárias?

 

A resposta estará mesmo na falta de competitividade na luta pela nomeação democrata. O antigo governador do Maryland, Martin O’Malley não conta e Bernie Sanders, que tem atraído milhares de pessoas aos seus comícios e já angariou mais de 73 milhões de dólares, terá muitas dificuldades em obter a nomeação. Além de ter já 74 anos, Sanders é considerado demasiado à esquerda para ser elegível em Novembro e tem quase todo o establishment do partido contra ele. Quais são as suas reais hipóteses? Bernie neste momento está bastante atrás no Iowa e lidera no New Hampshire. Para fazer frente a Hillary, o senador do Vermont precisaria de vencer logo nos caucuses do Iowa e derrubar Hillary nas primárias do New Hampshire, para se tornar como candidato credível e com capacidade de colocar em causa o super favoritismo de Hillary. Alguém acredita nisso? Neste momento muito poucos, mas milagres acontecem e com a descrença que existe também na base democrata em Clinton e os seus sucessivos escândalos, nunca se sabe. Além disso, a cólera neste ciclo eleitoral não é exclusiva da direita. Eu continuo a acreditar que, apesar de tudo, Hillary será entronizada a nomeada democrata rapidamente (talvez na super terça-feira), mesmo que perca no New Hampshire, como é bastante previsível. Depois nas eleições gerais, o seu futuro político dependerá muito de quem os republicanos designarem.


Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
ver perfil
ver posts
Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
ver perfil
ver posts
Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
ver perfil
ver posts
arquivos
2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog