27
Ago 12
publicado por José Gomes André, às 17:14link do post | comentar

Forças

- o "timing" não podia ser melhor: os dados da economia e desemprego são desanimadores para os Democratas; as sondagens mostram uma subida de Romney; e a nomeação de Paul Ryan animou a base conservadora. A Convenção pode ser a cereja no topo do bolo numa campanha em crescendo.

 

- uma Convenção focada nos temas económicos e fiscais, a principal preocupação dos americanos e o campo onde os Republicanos mais podem capitalizar com as fragilidades da Administração Obama.

 

- apesar das renitências iniciais do "establishment" em relação a Romney, a "máquina Republicana" conseguiu reunir as maiores figuras do Partido na Convenção, que terá como oradores Condoleezza Rice, John McCain, Marco Rubio, Rand Paul, Mike Huckabee, Jeb Bush, Christ Christie e Tim Pawlenty, entre outros. 

 

Fraquezas

- um azar chamado "Isaac": não é propriamente uma novidade, mas a coincidência entre a chegada do furacão ao Sudeste dos EUA e a realização da Convenção Republicana traz problemas organizacionais e também riscos mediáticos, uma vez que a "mensagem política" poderá ser parcialmente abafada pelas notícias sobre o furacão.

 

- a Convenção serve também para definir a "plataforma ideológica" do Partido, e neste caso os Republicanos vivem uma autêntica crise de identidade, presos entre facções que pouco têm em comum: libertários, "conservadores sociais", apoiantes do "Tea Party", neoconservadores, "conservadores fiscais" e elites financeiras. Não vai ser fácil transformar esta manta de retalhos num partido coeso.

 

- apesar do esforço para combater a imagem de partido "WASP" (white anglo-saxon protestant), os Republicanos continuam a prestar pouca atenção aos grupos minoritários; se exceptuarmos Condoleezza Rice e os casos peculiares de Rubio (um latino da linha dura) e Fortuño (Governador...de Porto Rico), não há praticamente na Convenção representantes significativos de grupos sócio-políticos cruciais, como negros, hispânicos e mulheres.


11
Ago 12
publicado por José Gomes André, às 16:18link do post | comentar | ver comentários (8)

Prós

 - jovem, bem-parecido, carismático

- reforça a base conservadora (nomeadamente do Tea Party)

- forte nos temas fiscais e económicos (questões essenciais desta eleição)

- inteligente e articulado, eleva a qualidade do debate político

- recoloca o Wisconsin em jogo e pode ter influência eleitoral no Midwest

 

Contra

 - impopularidade junto dos independentes

- posições polémicas em temas sensíveis (corte a apoios federais na saúde e privatização da segurança social)

- inexperiência na ocupação de cargos executivos

- inexperiência em segurança nacional e política externa (uma das fraquezas de Romney)

- ticket com um mórmon e um católico: como reagirão os evangélicos?

 

Dez vídeos para conhecer melhor as posições de Paul Ryan e o link do seu site oficial.


19
Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:51link do post | comentar

Desde que Mitt Romney garantiu a nomeação que as sondagens não têm tido grandes oscilações. Hoje foram publicadas cinco sondagens nacionais, onde Mitt Romney lidera em duas por 1%, Barack Obama está à frente em duas por 2 e 4%, enquanto numa estão empatados. Sem nunca perder a liderança da média do Real Clear Politics, a vantagem de Obama tem oscilado entre 3 pontos e 0,2. Estes números indicam que, apesar dos ataques, das gaffes ou dos períodos menos bons dos candidatos, as intenções de voto têm-se mantido relativamente estáveis. Significativo é também o número de incecisos, que andará à volta dos 10% e que não têm sofrido grandes modificações. O que signfica isto?

 

Como temos dito aqui,  e a menos que suceda algo de extraordinário até Outubro, esta eleição será itensamente disputada. Barack Obama tem a vantagem de ser o Presidente em exercício, e de, apesar das suas políticas serem impopulares, a sua personalidade continuar a grangear simpatia no eleitorado. Romney, pelo contrário, tem baixos indices de popularidade, mas tem apresentado vantagem na economia aos olhos dos eleitores. Em relação à rumo da campanha, há duas perspectivas antagónicas. Obama tentará transformar esta campanha num referendo ao passado de Mitt Romney, tentando caracterizá-lo como inelegível. Os recentes ataques à Bain Capital e à riqueza de Mitt Romney inserem-se nessa estratégia, sendo uma cópia, com as devidas diferenças, do que George W. Bush e os seus aliados fizeram a John Kerry em 2004. Pelo seu lado, o candidato republicano tentará que este seja um referendo às impopulares políticas do Presidente. Neste aspecto os indicadores económicos parecem favorecer Romney, pois as previsões apontam para que a situação económica se continue a degradar até Novembro. O facto desta ofensiva mediática contra Romney não estar a resultar, pelo menos segundo as sondagens, são sinais preocupantes para Obama, mas não invalida que ainda possa haver uma reviravolta nesta matéria. Até porque às vezes este tipo de imagem demora a colar a um candidato. Como temos vindo aqui a dizer, os indecisos normalmente costumam pender para o lado do challenger, mas os dados históricos nem sempre nos mostram o futuro. 

 

E quais os momentos que poderão ser decisivos nesta campanha? Ao contrário do que o aparato mediático poderá levar-nos a pensar, a maioria dos americanos apenas começa a seguir com atenção a campanha presidencial a partir das convenções. Portanto, a forma como estas decorrerem, grandes espectáculos preparados sobretudo para os eleitores em casa, terá a sua importância. Depois haverá outros dois momentos relevantes. Numa campanha disputada, os debates terão dezenas de milhões de telespectadores. Nem sempre os debates são decisivos, mas podem ter a sua influência. Em 1980, Reagan e Carter estavam empatados até à realização do debate, uma semana antes das eleições, onde Reagan provou estar à altura do cargo que ocupava. Venceu em 44 estados. Em 2000, George W. Bush, apesar de não ser grande especialista e de nem ter estado particularmente bem, evidenciou qualidades que os eleitores apreciaram, ao contrário do robot Al Gore, que parecia ter estado uma vida à espera daquele momento. Ainda há quatro anos, o Barack Obama que já inspirava grande parte do eleitorado que lhe deu a vitória, utilizou os debates para convencer os americanos que a sua inexperiência não seria um obstáculo. Este ano, os três debates podem contribuir para o desfecho desta eleição, caso um dos candidatos consiga superar o adversário, o que poderá se consunstanciar num pormenor num dos debates ou, por exemplo, na consistência evidenciada no conjunto. Por fim, a forma como a campanha de ambos decorrer nas últimas semanas, sem gaffes e com uma mensagem bem direccionada para os indecisos nos swing-states, poderá fazer a diferença. Além disto, há sempre a possibilidade de uma October Surprise, um dos mitos de uma campanha presidencial americana. 

 

Adenda: Para Mitt Romney, haverá um momento também ele muito importante: a escolha do VP. O nome em si e o formato como decorrer a sua apresentação ao povo americano poderá ajudar a sua campanha. 


09
Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:42link do post | comentar | ver comentários (6)

Os números do desemprego revelados na sexta-feira foram muito maus para a Administração Obama. A economia continua a mostrar sinais de grande fragilidade e a popularidade de Barack Obama permanece abaixo dos 50%. No mesmo dia foi anunciado que Mitt Romney, juntamente com o fundo constituído pelo RNC, angariou mais de 100 milhões de dólares. E, no entanto, a corrida permanece com ligeira ascendência de Barack Obama. Hoje o USA Today publica uma sondagem em 12 Swing States que oferece uma vantagem de 2% a Obama e na média do Real Clear Politics tem também a liderança por 2,6%. A eleição continua bastante renhida e até Novembro tudo pode acontecer. Mas nesta última semana vários conservadores surgiram em público a criticar a estratégia de Mitt Romney e, sobretudo, a sua equipa de assessores. Bill Kristol, o editorial do Wall Street Journal e até Rupert Murdock pediram alterações substanciais na campanha de Romney. A principal crítica é que o candidato não tem respondido com eficácia aos ataques de Obama ao seu currículo e pode estar a perder uma oportunidade de ouro para derrotar o Presidente. As críticas de Obama à Bain Capital tem surtido algum efeito nos swing-states e Romney tem estado em silêncio. Hoje foi revelado que nos últimos meses, Obama e os seus aliados têm investido muito mais do que Romney, numa ordem de 3 para 1. Será isto mau sinal para Romney?

 

Jay Cost, na Weekly Standard, aborda hoje esta temática e defende que Mitt Romney está em boa posição para derrotar Obama. Em todas as campanhas há momentos em que parece que tudo está a correr mal e o abismo parece certo. Ainda há um mês muitos analistas, incluindo vários democratas, disseram o mesmo da campanha de Obama. Eu permaneço com a mesma opinião: esta vai ser uma eleição disputadíssima e até Outubro será difícil de fazer prognósticos factuais sobre o vencedor. As convenções e principalmente os debates terão um papel importante, mas será sobretudo o rumo da economia até Novembro que irá influir no resultado final. Esta última questão entrará em confronto com a forma como a equipa de Obama conseguir "pintar" Mitt Romney. Este, conforme temos visto, terá muito dinheiro nos cofres para começar a responder aos ataques que ainda vai sofrer. 


10
Jun 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:04link do post | comentar | ver comentários (9)

Barack Obama está muito diferente daquele candidato que vimos em 2008, que fez uma campanha extraordinária e quase isenta de erros. Defender um mandato é bem mais complicado do que atacar o que existe. A mensagem de há quatro anos era de mudança, agora é de status quo. John McCain em 2008 cometeu um grave erro no inicio da crise quando disse que "the fundamentals of our economy are strong", quando já era evidente que uma grave crise se estava a abater sobre os Estados Unidos. Na sexta-feira passada, Barack Obama teve o seu momento, ao proferir numa conferência de imprensa a frase assassina "The private sector is doing fine". Ora, esse não é o sentimento geral que os americanos têm, e com uma taxa de desemprego superior a oito por cento, ninguém poderá levar a sério isto que o Presidente disse. Mais tarde, Obama tentou corrigir o erro, ao dizer o contrário, mas já era tarde. Esta frase dominou os ataques republicanos e os debates na imprensa este fim de semana. Não sei se terá o mesmo impacto da gaffe de McCain em 2008, até porque essa foi proferida já numa altura muito próxima da eleição. Mas não deixa de ser mais um contratempo para Obama, que tem tido bastantes nas últimas semanas. 


07
Jun 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:21link do post | comentar | ver comentários (7)

Ao contrário do que fui lendo por aí, sempre entendi que Mitt Romney tem uma verdadeira hipótese de triunfar. As últimas semanas confirmaram esta minha asserção. Hoje foi anunciado o valor da angariação de fundos do mês de Maio e pela primeira vez Mitt Romney ultrapassou Barack Obama, conseguindo 76 milhões de dólares contra 60 do Presidente. Já no mês passado os valores foram muito semelhantes entre ambos. Um dos aspectos que sempre me pareceu incontestável é que Obama teria grande vantagem financeira sobre o seu adversário republicano. Algo que começa a parecer uma miragem. Se os números acompanharem este ritmo, não só Romney poderá possuir directamente mais dinheiro do que Obama, como poderá ultrapassar em larga medida os democratas se lhes juntarmos os valores das Super Pacs, onde os republicanos têm obtido grandes somas. Nem George Clooney ou Sarah Jessica Parker estão a salvar o Presidente nesta área. 

 

Por outro lado, este final da Primavera está a instalar nos republicanos um espírito de vitória. Ao contrário dos democratas, que ainda há poucos meses estavam convencidos da inevitabilidade da reeleição de Obama. Durante as primárias havia um sentimento entre o GOP que muito dificilmente Romney teria a capacidade para derrotar Obama. A economia mostrava sinais de recuperação, Romney passava por dificuldades para concluir as primárias com um leque de adversários muito fracos e os seus números na angariação de fundos eram banais. Ao mesmo tempo, Romney cometia erros infantis e havia um clima instalado nos media que a corrida não seria assim tão renhida como alguns analistas republicanos clamavam. As últimas semanas mudaram tudo. Romney desde que obteve a nomeação tem executado uma campanha isenta de erros, os principais ataques de Obama têm fracassado, muito com a ajuda de alguns democratas como Bill Clinton, Ed Rendell ou Cory Booker, o desemprego voltou a aumentar e para finalizar, a vitória de Scott Walker no Wisconsin. As sondagens nacionais continuam a dar uma ligeira vantagem a Obama, mas dois estados tradicionais que têm votado democrata nas últimas décadas podem estar em jogo: Wisconsin e Michigan. Se juntarmos a isso a vantagem que Romney já tem em estados que votaram Obama, como o Indiana e Carolina do Norte e a situação de empate técnico na Florida, Ohio, Iowa, Virgínia, Nevada e New Hampshire, estamos a falar numa eleição disputadíssima. 

 

Neste momento, apesar de estar à defesa, Obama ainda tem alguns trunfos para jogar. É o presidente em exercício, os modelos de previsão de resultados eleitorais continua a apontar-lhe um ligeiro favoritismo e tem um Verão todo pela frente para tentar "destruir" Mitt Romney. A imprensa continua a favorecê-lo e a geografia eleitoral permanece uma vantagem para ele. Se é verdade que estão muitos estados em jogo que ele venceu em 2008, ele ainda tem um "rumo" mais fácil para a vitória do que Mitt Romney. Mas se ainda não é tempo para Chicago estar em pânico, o clima de apreensão deve ter crescido imenso nestas últimas três semanas.

 


04
Jun 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:16link do post | comentar | ver comentários (2)

O facto de Bill Clinton manter-se no activo da política, como o Alexandre Burmester referiu no post anterior, não o impede de envolver-se em polémicas. Especialmente com o seu partido. Barack Obama lançou há duas semanas um forte ataque ao passado de Mitt Romney como líder da Bain Capital, o que atraiu severas críticas por parte de alguns democratas mais ligados às empresas de capitais de risco. Esses ataques já não estavam a correr muito bem, mas parece-me que Bill Clinton terminou com essa ofensiva, ao elogiar o passado de empresário de Mitt Romney. Segundo o anterior presidente, e citando, the man who has been governor and had a sterling business career crosses the qualification threshold, elogiando ainda a Bain Capital pelo seu sucesso. Se não houver nada de novo nesta matéria, diria que Romney ultrapassou com distinção esta ofensiva, devendo agradecer por isso aos vários democratas, incluindo Clinton, que surgiram em sua defesa. 


02
Jun 12
publicado por Nuno Gouveia, às 18:45link do post | comentar | ver comentários (14)

Barack Obama é o primeiro presidente Afro-americano. Mitt Romney deseja ser o primeiro mórmon a chegar à Casa Branca. Ambos estudaram na Universidade de Harvard, mas as semelhanças terminam aqui. Este é um dos poucos aspectos em comum destes dois homens que vão disputar o cargo político mais poderoso do mundo. Mas até aí encontramos diferenças. Mitt Romney esteve em Harvard a estudar Gestão enquanto Obama frequentou Direito. Obama é um político mais jovem, nasceu quando John F. Kennedy estava na Casa Branca e atingiu o topo da carreira política antes dos 50 anos. Com um currículo académico interessante, Obama demorou cerca de 10 anos a transformar-se total desconhecido nas ruas de Chicago até Presidente dos Estados Unidos. Mitt Romney nasceu quando as bombas da II Guerra Mundial ainda ecoavam na Europa, tendo primeiro investido na sua carreira empresarial para apenas depois se dedicar ao serviço público. As suas qualidades políticas não são inatas, como sucede com Barack Obama, mas compensa essa carência com uma dedicação e um profissionalismo que fazem dele um político eficiente. 

 


31
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:21link do post | comentar | ver comentários (7)

A maioria dos analistas políticos estão convencidos que estas eleições vão ser renhidas. Os números da Gallup de ontem davam um empate e é bem provável que essa previsão se mantenha durante muito tempo. Larry Sabato, professor da Universidade da Virgínia, deixa-nos hoje um exercício interessante sobre o significado das sondagens neste momento da corrida. A conclusão é simples: muito pouco. Sabato analisou as sondagens da Gallup no mês de Junho em todos os anos de eleições presidenciais desde 1980 e apenas por duas vezes o resultado das eleições se aproximou das sondagens de Junho.

 

Em Junho de 1980 Jimmy Carter liderava Ronald Reagan por 39%-32%, com John Anderson, um republicano de Illinois que se candidatou como independente, com 21%. Como Sabato recorda e bem, a campanha foi bastante renhida quase até ao fim, e uma semana antes das eleições, as sondagens apontavam para um empate técnico. Foi apenas nos últimos dias da campanha que Reagan disparou, acabando por vencer com 51%, seguido de Carter com 41% e Anderson com 7%. Na campanha da reeleição, as sondagens deste mês já deixavam antever uma vitória confortável de Reagan, que se confirmou com 59% contra os 41% de Walter Mondale. 

 

Em 1988 por esta altura Michael Dukakis liderava confortavelmente George H. Bush, com 52%-38%. O Vice Presidente de Reagan acabaria por vencer com 53% dos votos. Passado quatro anos, com Bush a afundar-se nas sondagens, era o independente Ross Perot quem liderava as preferências dos americanos, seguido de Bush com 31% e Clinton com 25%. O resultado de Novembro foi bem diferente: Clinton com 43%, Bush com 37% e Perot com 19%. Na campanha de reeleição, pela a última vez as sondagens voltaram a acertar em Junho, pois já nessa altura colocavam Clinton à frente com 49% contra 33% de Bob Dole e 17%  de Perot. O resultado final seria ligeiramente diferente, mas com larga vantagem para Clinton. 

 

Em 2000 George W. Bush liderava Al Gore com 5 pontos de vantagem por esta altura, mas sabemos como as eleições acabaram: Bush venceu os votos no Colégio Eleitoral mas perdeu no Voto Popular. Em 2004, por esta altura adivinhava-se uma Presidência Kerry, como Senador do Masshusetts a ter 49% das intenções de voto contra os 43% de Bush. Por fim em 2008, em Junho McCain liderava Obama por 46%-45%, num dos raros momentos em que esteve na dianteira (a outra foi depois da convenção republicana, antes da crise do Lehman Brothers rebentar). Por esta altura as sondagens pareciam indicar uma eleição bem disputada, mas Obama acabou por ser eleito com relativa facilidade. 

 

Dito isto, é provável que este ano seja um dos que a Gallup acerta em Junho. A menos que aconteça algo excepcional nesta campanha, diria que Obama e Romney vão ter entre 48% e 52%. E não ficaria nada surpreendido que voltassem a acontecer situações idênticas às de 2000.


25
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:14link do post | comentar

Ainda é cedo para dizer se a estratégia de campanha negativa de Obama está a resultar. As sondagens estão praticamente na mesma (empate técnico) e não há grandes indicações sobre o modo como os americanos estão a reagir a esta ofensiva do Presidente. Mas há sinais preocupantes para Obama, nomeadamente pelas reacções negativas que recebeu de companheiros de partido ou pela forma como a imprensa tem vindo a relatar esta fase da campanha. É esperado que nas próximas semanas prossiga esta estratégia da campanha, e lá para final Junho veremos se Obama conseguiu deslocar de Mitt Romney. Uma coisa é certa: Mitt Romney tem conseguido manter-se coerente e dentro da mensagem desde que as primárias terminaram (depois de ter cometido vários erros) e os seus números na angariação de fundos têm sido surpreendentemente positivos, ameaçando a vantagem financeira que Obama sempre teve.

 

Sobre a estratégia de Obama, aconselho este excente artigo do Politico

 

That’s the unmistakable reality for Democrats since Obama officially launched his re-election campaign three weeks ago. Obama, not Mitt Romney, is the one with the muddled message — and the one who often comes across as baldly political. Obama, not Romney, is the one facing blowback from his own party on the central issue of the campaign so far – Romney’s history with Bain Capital. And most remarkably, Obama, not Romney, is the one falling behind in fundraising. 


23
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:40link do post | comentar

 

Mitt Romney deu hoje uma entrevista a Mark Halperin na Time onde explora o seu argumento biográfico para derrotar Barack Obama. Segundo o republicano, enquanto ele teve 25 anos no sector privado, além dos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City e foi governador do Massachusetts, o currículo de Obama resume-se à política. Em tempos de crise, Romney pretende utilizar as suas credenciais económicas para convencer os americanos a entregarem-lhe as chaves da Casa Branca. Como defende Karl Rove, os candidatos devem ser atacados precisamente nos seus pontos fortes. É isso que Obama tem feito com estes ataques à Bain Capital. 

 

Ler entrevista

 

Ler comentário de Mark Halperin


16
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:43link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Na semana passada referi que Obama ia investir este mês 25 milhões de dólares em importantes swing states. Mitt Romney, com as contas da sua campanha depauperadas depois da época de primárias, e com muito menos dinheiro angariado do que Obama, tem estado fora das televisões. Mas, e como tenho repetidamente escrito por aqui, as Super Pacs vieram mudar tudo. Hoje a American Crossroads de Karl Rove anunciou que este mês irá igualar o investimento de 25 milhões de dólares de Obama em anúncios televisivos. Este já está a ser transmitido em 10 estados: Colorado, Flórida, Iowa, Michigan, Carolina do Norte, New Hampshire, Nevada, Ohio, Pensilvânia e Virgínia. Definitivamente este ano não vai acontecer o mesmo do que em 2008, quando Obama foi o verdadeiro "rei" das televisões. 


09
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:01link do post | comentar | ver comentários (2)

Foto Politico

 

Em plena campanha eleitoral, Barack Obama muda de opinião e declara-se a favor do casamento entre homossexuais. Apesar de não ser surpresa para ninguém, esta atitude não deixará de ser encarada como uma jogada política, pois este "flip-flop" surge numa altura em que pela primeira vez a maioria dos americanos declara-se a favor, segundo as mais recentes sondagens. Esta opção acarreta riscos mas também vantagens para o Presidente. Por um lado, Obama injecta energia na sua base eleitoral, maioritariamente a favor, fará com que aumentem contribuições financeiras da comunidade gay, enchendo os cofres da sua campanha, e coloca uma armadilha a Mitt Romney, lançando este assunto para a frente da agenda mediática e desviando as atenções da economia. Por outro lado, poderá ajudar a levar a base conservadora a ir ao encontro de Romney, termina com argumento que o nomeado republicano é "flip-flopper" e poderá afastar alguns eleitores de importantes swing-states - ainda ontem na Carolina do Norte, que Obama venceu em 2008 por 40 mil votos, os eleitores baniram o casamento gay em referendo. 


08
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:46link do post | comentar | ver comentários (8)

Analisando o que nos tem dito as sondagens até ao momento, e ressalvando que nestes próximos seis meses muito ainda vai acontecer, e que, de facto, os acontecimentos externos à campanha e a maneira como esta vai decorrer será decisiva para o desfecho das eleições, este é o momento de fazer um balanço. E, posso acrescentar, tanto Mitt Romney como Barack Obama têm motivos de apreensão e satisfação.

 

A avaliar pelo perfil dos candidatos: aqui a vantagem está neste momento do lado do Presidente. Apesar do seu índice de aprovação estar ligeiramente abaixo dos 50 por cento, um número perigoso para o presidente em exercício, os americanos continuam a gostar dele. Apesar de não aprovarem o seu trabalho, as sondagens mostram-nos que os americanos têm apreço por ele. Ao contrário de Mitt Romney, que tem níveis de aprovação menores do que Obama, e que surge aos olhos dos americanos como alguém distante e sem carisma. Em abono da verdade, apenas agora os americanos começarão a olhar com atenção para Romney, e ainda tem uma margem de progressão enorme, mas isso vai depender da forma como a campanha irá decorrer. Mas diria que se as eleições fosse apenas sobre as duas personalidades, Obama estaria reeleito.

 

As sondagens nacionais continuam a dar um empate técnico, e é provável que se mantenha dessa forma até ao Verão. Uma corrida renhida é o que se espera. Mas como tem alertado Dick Morris, o facto de Obama manter-se com níveis de popularidade abaixo dos 50% e quase nunca ultrapassar esse valor nas sondagens frente a Mitt Romney, é preocupante para o Presidente. Numa eleição deste género, os indecisos normalmente optam pelo challenger. Mas ao mesmo tempo, os estudos de opinião conduzidos nos swing states têm indicado, quase sempre, vantagem para o Presidente. Partindo da geografia eleitoral de 2008, a tarefa parece muito mais simples para Obama, que pode perder vários estados, como o Indiana, Virgínia, Carolina do Norte, Ohio e Florida, e ainda assim, sair vencedor. Romney precisará de vencer assente na estratégia que Karl Rove denominou de 3-2-1. Ou seja, recuperar os anteriormente estados republicanos Indiana, Carolina do Norte e Virgínia, ganhar nos tradicionais swing states Ohio e Florida e vencer um destes: New Hampshire, Nevada, Iowa, Colorado ou Novo México. Isto além de ganhar em todos os estados que ficaram na coluna de McCain. Um empreendimento nada fácil.

 

Se analisarmos com mais profundidade os conteúdos das sondagens, a situação fica ligeiramente positiva para Romney. Obama continua a ter vantagem nos grupos demográficos fundamentais para a sua eleição em 2008: as mulheres, os afro-americanos, os jovens e os hispânicos. Mas Romney leva vantagem no eleitorado independente, além de ter margem de progressão em algumas grupos, como os hispânicos e os jovens. Por outro lado, a natural desilusão de algum eleitorado de Obama de 2008 poderá fazer aumentar a abstenção em grupos chave. Por outro lado, se Obama leva vantagem em temas como a segurança nacional, a personalidade, a honestidade, o ambiente ou a política externa, é Romney quem surge à frente no decisivo tema da economia. 

 


01
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:39link do post | comentar

Barack Obama tem tentado encontrar um slogan que seja tão emblemático, como o "Yes we can". Mas a vida não está fácil para os estrategas da sua campanha. Esta semana lançaram um vídeo, com o simples título "Forward", onde evoca alguns dos momentos emblemáticos da sua administração. O problema? "Forward", que em português se poderá traduzir como "avante" ou "para a frente", é um slogan associado muitas vezes na história a movimentos marxistas. Em Portugal, Avante é o nome do jornal oficial do Partido Comunista Português, por exemplo. Desconfio que ainda não é desta que a campanha Obama acerta com um slogan. 


21
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:27link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Karl Rove saiu da Casa Branca em 2007, e os democratas respiraram de alívio. O abandono do republicano mais temido da cena política foi uma vitória para os democratas. Mas essa conquista durou pouco tempo. No ciclo eleitoral de 2008, Rove esteve afastado da ribalta (a sua relação com McCain sempre foi péssima desde as primárias da Carolina do Sul em 2000), mas lentamente Rove foi recuperando a sua influência. Através das colunas no Wall Street Journal e comentários na Fox News, o "Arquitecto", voltou ao activo.

 

A decisão do Supremo Tribunal "Citizens United V. Federal Election Commission" de permitir doações ilimitadas às Super Pacs criou a oportunidade para Rove voltar à ribalta do Partido Republicano. Ainda nessa ano fundou, com a ajuda de Ed Gillespie, hoje conselheiro de Mitt Romney, a American Crossroads e a Crossroads GPS, duas organizações que investiram milhões de dólares em diversas corridas nas eleições intercalares de 2010. E se os eleitores das primárias republicanas tivessem ouvido Rove (casos de Delaware e Nevada), provavelmente teriam ganho mais lugares no Senado. Até ao momento a Crossroads já angariou mais de 100 milhões de dólares para este ciclo eleitoral e esperam chegar aos 300 milhões até Novembro. Quando a equipa de Barack Obama anunciou que esperava angariar mil milhões de dólares para a sua campanha de reeleição, muitos republicanos ficaram apreensivos pela possibilidade de se repetir o cenário de grande desvantagem financeira que McCain teve em 2008. Mas com as Super Pacs a entrarem em jogo, é expectável que os números venham a ser equilibrados. 

 

O renascimento de Rove como uma força dentro do Partido Republicano, se é que algum dia o deixou de ser, evidencia a sua grande capacidade para operar a este nível. Apesar de nunca se ter imiscuído directamente nestas primárias, Rove foi lançando umas farpas na Fox News aos adversários de Romney. Quando Rick Perry surgiu na frente das primárias, foi Rove quem avisou primeiro para a inconsistência política do governador do Texas. Newt Gingrich liderava as sondagens nacionais e Rove lançou sinas de alerta para os esqueletos do antigo Speaker. Pelos seus comentários, Rove nunca acreditou em Santorum e desde o inicio se percebia que o seu homem nestas eleições era Romney. Agora, o seu velho companheiro Ed Gillespie está a aconselhar o nomeado republicano e estou certo que servirá de ponte entre Rove e Romney. E com um livro de cheques quase ilimitado, é de esperar que a sua máquina de anúncios ataque forte nos swing-states.

 

Rove não é popular em lado algum. A sua popularidade na base republicana anda pelas ruas da amargura e os democratas desprezam-no. A grande diferença de Romney para outros "génios" da comunicação política americana, como James Carville, Dick Morris ou Joe Trippi, é que atingiu o estatuto de um dos líderes do Partido Republicano, e a sua capacidade de influência é inquestionável. Por muito que isso cause ódio à esquerda e inveja à direita.

 


19
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:21link do post | comentar

O Twitter, uma rede social com menor número de utilizadores do que o Facebook, está a destacar-se nesta campanha como um dos locais centrais da batalha entre Mitt Romney e Barack Obama. Neste momento existem nos Estados Unidos perto de 110 milhões de contas, sendo que o número activo rondará os 30% desse valor. No entanto esta é uma rede que se destaca, tal como em Portugal aliás, pela capacidade de influenciar os líderes de opinião, mas sobretudo, a agenda mediática, enquanto o Facebook representa mais uma oportunidade de comunicação directa entre os políticos e os seus apoiantes. Daí que o Twitter está repleto de consultores políticos de ambos os lados a tentarem espalhar a "palavra" do seu candidato. Ainda recentemente, a propósito da polémica com uma estratega do Partido Democrata e Ann Romney, foi no Twitter que explodiu a controvérsia, partindo daí para os restantes media (blogues, outras redes sociais e por fim chegando ao media tradicionais). David Axelrod (@davidaxelrod) e Eric Fehrnstrom (@EricFehrn) têm protoganizado interessantes discussões no twitter, e ambos os lados têm constantemente os próprios estrategas a tentar influenciar a agenda mediática. Com o apoio do exército de activistas, bloggers e colunistas partidários que pululam na rede. Como aponta o artigo que destaco no final deste post, até ao momento Mitt Romney parece estar a ter alguma vantagem sobre Obama nesta rede, mas não será aqui que alguém irá vencer as eleições. Mas se controlar a narrativa mediática numa longa campanha deste género é importante , o Twitter irá desempenhar um papel extremamente relevante para esse propósito.

 

Sobre este assunto, aconselho este artigo do BuzzFeed Politics


16
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 19:02link do post | comentar | ver comentários (5)

 

A Rasmussen e a Gallup são duas das empresas de sondagens americanas que normalmente realizam sondagens diárias. E se a Rasmussen já começou há mais tempo, hoje foi a vez da Gallup iniciar a sua tracking poll. E se considero que é demasiado cedo para começar com este tipo de sondagens (o Pedro Magalhães poderá dizer se estou certo ou não), com isto teremos aferições diárias até Novembro das intenções de voto dos eleitores americanos. 

 

Dados desta primeira sondagem da Gallup: Mitt Romney surge em boa forma depois das primárias, algo que foi até há pouco tempo bastante questionável (esta sondagem está de acordo com a de hoje do Rasmussen). Romney para ganhar em Novembro precisará de conquistar o eleitorado independente, o que consegue nestes números. Esta sondagem prova também que os Estados Unidos são hoje um país profundamente dividido. Praticamente todos os republicanos apoiam Mitt Romney, enquanto os democratas apoiam Barack Obama. Nem sempre foi assim na política americana. Nota interessante ainda da Gallup: Obama está hoje com uma taxa de aprovação de 45%, o mesmo valor nas suas intenções de voto, o que pode ser considerado como uma confirmação de que esta eleição será sobretudo um referendo ao mandato de Obama. 

 

Adenda: no mesmo dia a CNN/Opinion Poll publica uma sondagem que dá uma vantagem a Obama de... nove pontos. 


12
Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:06link do post | comentar

 

As esposas dos candidatos têm um papel a representar na cena política americana. Ann Romney tem estado discreta até ao momento, mas já era de esperar que agora que a campanha para Novembro vai acelarar saltasse para a ribalta. E Mitt Romney bem vai precisar da sua esposa para conquistar o voto do eleitorado feminino, que neste momento permanece maioritariamente ao lado de Obama. Ninguém esperaria é que a emergência de Ann Romney fosse devido a um erro não forçado da candidatura de Barack Obama. 

 

Ontem à noite uma conselheira do DNC, nomeada por Obama, Hillary Rosen, disse na CNN que Ann Romney não poderia falar pelas mulheres americanas porque nunca tinha trabalhado na vida. Se formalmente é verdade, pois Ann preferiu ficar em casa a educar os cinco filhos em vez de trabalhar, politicamente esta declaração é um erro grosseiro, e que contraria a visão que a esmagadora maioria dos americanos têm das mulheres que tomam essa decisão. Os principais conselheiros de Obama, como David Axelrod e  Stephanie Cutter, percebendo o efeito perverso dessas declarações, surgiram pouco depois no twitter a condenar Rosen. Mas o mal já estava feito, criando aqui uma abertura para a campanha de Romney. Além deste tipo de declarações provocarem a união dos conservadores em redor de Romney (o que está a acontecer), dão uma oportunidade a Ann Romney para aparecer nas luzes dos media a ajudar o seu marido. A campanha de Romney agradece. 


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Abr 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:56link do post | comentar | ver comentários (3)

Com a nomeação garantida para Mitt Romney, a campanha para as eleições de Novembro começou oficialmente. Barack Obama parte com alguma vantagem, mas o destino desta eleição está longe de estar definido. Se atendermos à história recente, nos últimos 40 anos tivemos de tudo. Richard Nixon foi reeleito com facilidade, tal como Ronald Reagan e Bill Clinton. George W. Bush acabou por ser reeleito à tangente, enquanto Gerald Ford, Jimmy Carter e George H. Bush foram copiosamente derrotados. Em termos de semelhanças, talvez coloque o mandato de Obama entre o de dois presidentes: Jimmy Carter e George W. Bush, mandatos com inúmeras dificuldades, sejam elas económicas, políticas ou militares. Portanto, e olhando para a história, dificilmente retiramos algumas ilações sobre o que vai acontecer.

 

A favor de Obama jogam as vantagens da presidência, entre muitas, uma importante: os eleitores americanos apenas derrotam um Presidente se sentirem que foi um mandato falhado. Apesar dos obstáculos, ainda é prematuro concluir isso a partir das sondagens. Obama foi reeleito envolto numa aura de magnetismo que, embora tendo sido quebrada, não desapareceu por completo. O eleitorado que o elegeu (os jovens, as minorias, as mulheres) permanece aparentemente a seu lado, e, apesar de algum descontentamento, isso fortalece a sua candidatura. É verdade que o mandato de Obama está a ser marcado por grandes dificuldades económicas e o desemprego permanece elevado. Mas os últimos meses forneceram boas notícias para a campanha Obama, com uma ligeira tendência de recuperação económica. Curiosamente algo que foi contrariado neste mês de Abril, com números negativos no crescimento do emprego. Esta questão será decisiva para a reeleição ou não de Obama. O aparato mediático, tal como em 2008, continuará a ser uma arma poderosa de Obama, com os gigantes de comunicação social (à excepção do grupo de Rupert Murdoch) a favorecem ostensivamente o presidente. Em termos financeiros, a campanha de Obama, tal como em 2008, terá uma grande vantagem sobre Mitt Romney, com o que isso representa na campanha nos swing-states. Nestas primárias observámos como essa superioridade financeira foi importante para Romney. Por outro lado, o seu adversário republicano é uma figura relativamente cinzenta e que não inspira grande emoção no seu próprio eleitorado. Além disso, estas primárias, pela agressividade verbal que envolveram, poderão ter provocado rupturas no eleitorado independente que está aberto a mudar de Presidente, nomeadamente em temas controversos como a emigração ilegal. Romney não poderá ganhar sem um substancial apoio dos hispânicos, o que neste momento parece difícil de alcançar. Não é um atraso irremediável, mas é relevante.

 

Mas a minha convicção é que Obama não terá a vida fácil para ser reeleito. E se Mitt Romney conseguir apresentar-se ao eleitorado como restaurador da grandeza americana, pode ser eleito Presidente.  A América atravessa uma grave crise de sustentabilidade económica e financeira, tal como a Europa. A médio prazo o país estará falido se nada for feito. No entanto, Obama tem tentado adiar esta discussão para 2013, enquanto os republicanos, através de Paul Ryan, apresentaram um plano que enfrenta este problema estrutural. A grande batalha destas eleições estará centrada nesta questão do combate ao défice e à divida. Obama está convencido que atacando o plano republicano obterá dividendos eleitorais. Por enquanto, as sondagens parecem indicar que tem razão, pois os republicanos pretendem alterar de forma significativa o funcionamento dos planos estatais da saúde e segurança social. Mas se contra um plano Obama apresenta zero, isso poderá transformar-se num verdadeiro calcanhar de Aquiles para a sua candidatura. Ao contrário do que sucedeu na Europa nos últimos anos, o eleitorado independente está muito preocupado com os défices galopantes e a falência iminente do país. O crescimento do Estado Federal nesta última década provocou uma crise de confiança por parte dos cidadãos em relação ao estado. A reforma da saúde de Obama, que foi a grande vitória legislativa do seu mandato, pode ser destruída este Verão pelo Supremo Tribunal. Além disso, esta lei permanece extremamente impopular no eleitorado americano. Romney, um tecnocrata moderado que não suscita grande entusiasmo na base conservadora, pode captar o voto dos independentes em estados cruciais como a Pensilvânia, Ohio, Virgínia ou Florida e recuperar a Presidência para o GOP. Para o fazer, precisa primeiro de fazer as pazes com o eleitorado conservador - colocar noticket um conservador que não afaste o eleitorado independente (Marco Rubio ou Paul Ryan por exemplo), e depois apresentar-se como o reformista económico que a América precisa. 

 

Quem convencer o eleitorado que é o mais capaz para resolver os problemas estruturais será eleito. Neste momento, e apesar das sondagens atribuírem ligeiro favoritismo a Obama, apostaria num 50-50 de hipóteses para cada lado. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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