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Dez 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:04link do post | comentar

Os últimos dois anos foram particularmente complicados para a democracia americana. Habituada a ter os dois partidos a trabalharem em conjunto para aprovarem legislação, praticamente tudo o que passou no Congresso teve apenas o apoio em bloco dos Democratas. E grandes medidas legislativas, como o Plano de Estímulos ou a Reforma da Saúde, foram aprovadas nestes últimos dois anos. Se olharmos para trás apenas 10 anos, verificamos que os grandes pacotes legislativos, como os “Bush Tax Cuts”, o “No Child Left Behind” ou o “TARP” tiveram apoio bipartidário. As grandes maiorias democratas no Congresso nos últimos dois anos, e a feroz oposição republicana, paralisaram os compromissos partidários. Barack Obama, diga-se, não contribuiu também para o regular funcionamento do Congresso. Este acordo anunciado ontem por Barack Obama marca o regresso ao bipartidarismo.

 

A vitória republicana do passado mês de Novembro já introduziu alterações na luta politica de Washington. Apesar dos novos congressistas ainda não terem entrado em funções, os dois partidos sentiram a necessidade de negociar e chegar a um acordo. Enquanto os democratas cedem na extensão dos cortes de impostos aos mais ricos, os republicanos concordaram em alargar o apoio aos desempregados. E se pode considerar-se que foi Obama quem mais cedeu (durante a sua campanha eleitoral tinha dito que nunca apoiaria o alargamento dos Bush Tax Cuts para os mais ricos), todos ganham alguma coisa. Os americanos estão fartos de retórica e de guerras partidárias sem fim. Votaram maioritariamente nos republicanos porque se cansaram da agenda democrata. Mas isso não significa carta branca para os republicanos. Ambos os partidos têm “pena suspensa” até 2012. Veremos quem mais faz para captar a confiança dos eleitores até lá.


Será?

http://thehill.com/blogs/blog-briefing-room/news/132313-sen-durbin-dems-could-walk-on-tax-cut-deal

http://thehill.com/blogs/blog-briefing-room/news/132383-leading-house-republican-has-reservations-about-tax-deal

Miguel Madeira a 7 de Dezembro de 2010 às 17:28

Certamente que haverá deserções em ambos os partidos. No entanto, duvido muito que chegue para colocar em causa a aprovação nas duas câmaras. Aguardo com expectativa :)
Nuno Gouveia a 7 de Dezembro de 2010 às 22:32

acho que o próprio Obama não pensava que iria ter dificuldades no congresso apos a vitoria esmagadora nas eleições de ha dois anos
Francisco Castelo Branco a 8 de Dezembro de 2010 às 18:17

Sim, na altura criou-se um sentimento que a "hope & change" seria uma força imparável nos próximos anos :)
Nuno Gouveia a 8 de Dezembro de 2010 às 22:15

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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