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Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:08link do post | comentar

À medida que Sarah Palin vai emergindo como possível candidata presidencial, as críticas começam a subir de tom dentro do Partido Republicano. Hoje foi Joe Scarborough, antigo congressista e actual apresentador do Morning Joe, da MSNBC, a lançar ferozes críticas a Sarah Palin e a fazer um apelo a outros republicanos para fazerem o mesmo. Deixo aqui uma breve passagem do seu artigo, onde critica Palin por ter atacado George H. Bush.


I suppose Palin’s harsh dismissal of this great man is more understandable after one reads her biography and realizes that, like Bush, she accomplished a great deal in her early 20s. Who wouldn’t agree that finishing third in the Miss Alaska beauty contest is every bit as treacherous as risking your life in military combat? Maybe the beauty contestant who would one day be a reality star and former governor didn’t win the Distinguished Flying Cross, but the half-termer was selected as Miss Congeniality by her fellow contestants.

 


É esta, Nuno, a sua ideia de «equilíbrio»? Eu diria que tem algo de «Dr. Jekyll & Mr. Hyde» mas, enfim, é sempre melhor do que nada… N’«O Cachimbo…» você, e muito bem, divulga as (enormes) «gaffes» de Obama, utilizando, e muito bem, as «pistas» dadas por Sarah Palin naquele texto dela no Facebook. Aqui, no «EUVNA», continua a lançar «farpas» a SP, agora recorrendo a um artigo de Joe Scarborough…

Nuno, vou dar-lhe uma «novidade»: o facto de o «Morning Joe» estar «against» Sarah Palin não quer dizer que o GOP esteja «against» ela… JS tem hoje pouca ou nenhuma credibilidade no Partido Republicano, para muitos ele é pouco mais do que uma anedota… Fazer dele uma «voz autorizada» do GOP e/ou dos conservadores americanos faz tanto sentido (isto é, nenhum) como atribuir o mesmo «estatuto» a Andrew Sullivan, como o Henrique Raposo costuma fazer.

E lá por George Bush (pai) ser uma pessoa, e um político, que merece respeito, acha que ele está acima das críticas? Já se esqueceu (ou então você é muito novo para se lembrar…) da famosa frase «Read my lips: no more taxes»? E as críticas que Sarah Palin fez à família do 41 e do 43 têm a ver com a «sugestão» feita por Barbara Bush durante uma entrevista (com o marido ao lado) de que a «Mama Grizzly» é «muito bonita e deveria ficar no Alaska» - uma frase muito infeliz, «venenosa»… e algo invejosa. E «quem não se sente»…
Octávio dos Santos a 30 de Novembro de 2010 às 17:34

Octávio,

Você confunde um bocadinho as coisas. Eu defendi Sarah Palin de uma critica injusta que lhe fizeram. Como defenderei sempre, apesar de não gostar da senhora. E como faria com Barack Obama. Sobre o que decido escrever, isso é comigo.

Quando o mundo é encarado a preto e branco, as análises são simplistas. Na Europa há os bons e os maus. Os bons são os democratas e os maus são os republicanos. Você faz precisamente ao contrário. No fundo é a outra face da mesma moeda.

Só um aspecto: não sou dono da verdade nem pretendo se-lo. Mas não preciso de lições e novidades suas.

Nuno, serei eu que estou a confundir «um bocadinho as coisas»? Antes de mais, não ficou claro que fiquei satisfeito, e que o felicito por isso, por ter «defendi(do), (…) como defenderei sempre» (frase sua) Sarah Palin?

Vou passar por cima do que me pareceu ser uma insinuação, a roçar o insulto, de que eu sou «simplista» (ou simplório?), e que, portanto, não consigo apreender a «complexidade» dos assuntos, ao contrário de você. Mas digo-lhe que tem razão num ponto: sim, para mim, e assumindo que não há «pureza a 100%», os republicanos são (maioritariamente) os «bons» e os democratas são (maioritariamente) os «maus». Creio ter vindo a demonstrar isso – com factos – no Obamatório, e esta minha certeza é também o resultado de muitos, muitos anos (antes de você ter nascido) a observar com interesse, mas à distância, a política e a sociedade dos EUA. Já escrevi no meu blog, e reafirmo-o: para começar, nada melhor do que avaliar a origem e a evolução histórica dos dois partidos – o Republicano é o de Lincoln, foi fundado para combater a escravatura, enquanto o Democrata é o dos três, ou quatro, «S’s» (slavery, secession, segregation… social security). Lá por, sem dúvida, existirem várias tonalidades de cinzento, isso não significa que não existam… o preto e o branco.

Creio também já ter escrito, e também o reafirmo: você tem talento, qualidades, sensatez. Mas ainda é muito novo. Pelo que tem, claro, ainda «lições» para aprender - mas, obviamente, não serei eu a dá-las.

Octávio,
Não confundo as minhas convicções políticas, as minhas motivações ideológicas (estarei muito mais próximo do Partido Republicano do que do Partido Democrata) com as análises que faço. Pelo menos assim tento fazer. E não considero que em política haja bons e maus, apenas ideias diferentes. De ambos os lados encontramos bons e maus políticos, honestos e desonestos. Não preciso de relembrar o número de republicanos que foram presos nos últimos anos. Por exemplo, ainda recentemente o antigo líder da maioria republicana foi condenado por lavagem de dinheiro.

As raízes históricas são importantes, mas não dizem tudo. Se quisermos ir atrás na história, temos de admitir que foi o Partido Democrata (não o do Sul) que liderou as batalhas legislativas na década de 60 para acabar com a segregação racial no Sul. Se o GOP foi o Partido do fim da escravatura, os Democratas assumiram a bandeira do fim da segregação.

Estou fora da luta política americana. Tenho uma visão exterior e não me limito a ler sites ou imprensa republicana, pois se me confinasse a ela, teria uma visão extremamente parcial da realidade política. Em democracia não há somente uma visão das coisas. Tento sempre não me esquecer disso.

Sobre as lições: óbvio que tenho muito que aprender. Todos temos. Mas quando me recorda uma promessa não cumprida de um antigo Presidente, ainda por cima uma das mais famosas frases dele, não acrescenta nada ao meu conhecimento. Certamente saberá muitas coisas que são novidade para mim, mas obviamente não era esse o caso.

«Ainda recentemente o antigo líder da maioria republicana foi condenado por lavagem de dinheiro.» Pode dizer o nome dele, Nuno: Tom DeLay. E daí? Se cometeu um crime, foi muito bem condenado. Esperemos agora que o mesmo aconteça, por exemplo, a dois democratas: Charles Rangel e Maxine Waters. E Barney Frank também já devia ter prestado contas à justiça, não apenas por aquele caso de prostituição masculina, mas principalmente pelo seu papel na ruína do Freddie Mac e da Fannie Mae.

E não foi tanto, no seu todo, «o Partido Democrata que liderou as batalhas legislativas na década de 60 para acabar com a segregação racial no Sul» mas mais… John Kennedy e Lyndon Johnson (que, assim, como que se «redimiram» pelas suas responsabilidades na intervenção no Vietnam). Foram muitos mais (em percentagem) os congressistas republicanos que nos anos 60 votaram a favor da lei dos direitos civis do que os democratas – e entre os «azuis» que votaram contra estava o pai de Al Gore (e esta, sabia?). Aliás, Kennedy e Johnson mais não fizeram do que receber a «tocha» das mãos de Dwight Eisenhower, que em 1957 mandou a Guarda Nacional para Little Rock, no Arkansas, para impor a decisão do Supremo Tribunal de terminar a segregação nas escolas.

Pode até ser involuntário, inconsciente, mas você continua a querer «marcar-me» como fundamentalista e sectário. Lá está, se você consultasse mesmo, com atenção, o Obamatório, saberia que eu «não me limito a ler sites ou imprensa republicana»: são várias as ligações que já fiz ao New York Times, ao Los Angeles Times, ao Washington Post, à ABC, à CBS, à NBC… Muitas mais, por exemplo, das que você já fez para a Fox.

E, Nuno, claro que há ideias diferentes, claro que «em democracia não há somente uma visão das coisas». Pois, só que.. há ideias e visões muito melhores do que outras! Acaso acha que eu nasci «neo-con»? Durante muitos anos fui simpatizante dos Democratas (é verdade, já fui um jovem estouvado). Mas abri os olhos, informei-me ainda mais e melhor… e ganhei juízo. Sou tendencioso, mas rigoroso. Pelo que as minhas posições resultam não de «pré-conceitos», de atitudes «apriorísticas», mas de conhecimentos que adquiri e de reflexões que fiz (faço) «a posteriori».

Você parece acreditar, Nuno, que fazer «eco» dos ataques a Sarah Palin lhe dá (e ao «Era uma vez…») credibilidade. É uma opção discutível, curiosa até para quem se diz «muito mais próximo do Partido Republicano do que do Partido Democrata»… mas é a sua. Porém, longe de mim querer «decidir sobe o que você escreve» - que, mesmo quando não concordo (o que acontece, sem dúvida, muito menos vezes do que quando concordo) leio sempre com muito gosto.

Pode acrescentar a esses casos também o falecido senador Ted Stevens, que apesar de condenado, também não passou um dia na prisão. Sobre corrupção estamos conversados: não há bons nem maus. Há corruptos em ambos os lados.

Coloquei o Partido Democrata do Sul fora destas contas, pois estes votaram maioritariamente contra. Se olhar para os números da votação da lei dos direitos civis de 1964, foram os congressistas e senadores sulistas (e a esmagadora maioria eram democratas) que votaram contra a lei. A Southern Strategy de Nixon serviu precisamente para receber o voto dos descontentes sulistas com esta lei. Não por acaso, e ao contrário do que sucedeu nas décadas seguintes à guerra civil, a comunidade negra tem votado maioritariamente no Partido Democrata.

Sobre Palin: o GOP é muito mais que Palin. Aliás, esta é um dos elos mais fracos do partido. Tantos bons políticos e figuras que o Partido tem e você diz-me que por não gostar de Palin não posso ser próximo do GOP? Além disso, é evidente que a considero incapaz de ocupar um cargo político, muito menos o cargo de POTUS. É uma celebridade, como muitas outras, só que neste caso é política. Basta ouvir uma entrevista da senhora e analisar a sua prestação para verificar que não consegue sair dos talking points que lhe passam. Já nem se arrisca a enfrentar um jornalista que lhe faz perguntas difíceis. Abandonou um cargo para ganhar dinheiro. Justo mas muito pouco para quem quer ser presidente. O seu estilo tem milhões de fãs nos EUA, mas os que não gostam dela são ainda em maior número, por isso não acredito que chegue a vencer sequer as primárias. O que nós dizemos aqui não conta para nada, mas é essa a minha opinião. Espero bem que o GOP faça outra escolha, pois tem muitas boas opções em cima da mesa.
Nuno Gouveia a 3 de Dezembro de 2010 às 16:30

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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