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Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:37link do post | comentar

As novas revelações do site Wikileaks, que tiveram ampla cobertura pela imprensa mundial, são um grande revés para os Estados Unidos, com consequências imprevisíveis para as relações com os seus aliados. Uma das regras de ouro para a diplomacia é precisamente o segredo. Como pode o Departamento de Estado continuar o business as usual, se as suas comunicações são expostas ao mundo deste modo tão flagrante?


As informações nem serão assim tão relevantes, nem acrescentam grandes novidades. Mas representam um problema de credibilidade para os EUA. A revelação que os países árabes desprezam o Irão e que estão preocupados com a corrida às armas nucleares na região não constituí novidade. Mas como poderão estes países, acossados internamente por uma opinião pública anti-americana, confiar nos Estados Unidos se as suas confissões mais secretas são deste modo expostas ao mundo?


A primeira consequência deverá ser uma total remodelação do modo como as informações são partilhadas nos meios diplomáticos americanos. O sistema terá de ser totalmente modificado, para impedir que este tipo de informações seja divulgado desta forma. Hillary Clinton, que neste momento é a face do fracasso, terá de tomar medidas para impedir que a situação se repita. Mas não duvido que haverá uma perseguição total aos prevaricadores, sejam eles quem forem. Isto é um acto de espionagem, do mais grave que o mundo já assistiu, e a sua divulgação representa uma séria ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos e dos seus aliados. Nada ficará como dantes. Por outro lado, os responsáveis do Wikileaks deverão ser considerados inimigos dos Estados Unidos, por terem cometido um acto de terrorismo cibernético contra o país. A exposição de segredos de estado é ilegal e um crime, e estas revelações representam um ataque ao país. Disso não tenho dúvidas.


Felizmente que a sua opinião é irrelevante como a minha.
Acha que algum líder estrangeiro continuará a falar francamente com os americanos sujeitando-se à exposição pública?
Acha que os homens de mão dos americanos nos vários estados não vão ser afastados ou eliminados?
Acha que os informadores (traidores) dos americanos vão continuar a colaborar depois de verem alguns semelhantes a eles a aparecerem sem cabeça?
Acha que a juventude do Médio Oriente vai ficar quieta depois de perceber a extensão da colaboração dos seus líderes com os americanos?
Acha que os chamados grupos terroristas não vão receber milhares de voluntários da classe alta (com acesso à internet)?
Acha que esses grupos com toda esta informação não vão eliminar os alvo (pessoas, organizações, etc) como cúmplices dos EUA e divulgar o respectivo telegrama como justificação?
Acha que os srs do mundo, depois disto, vão deixar que a internet continue a existir como até agora?

Neste momento só foram disponibilizados 291 dos 251 MIL documentos. Falta saber se os EUA conseguirão parar esta hemorragia como estão a conseguir faz´-lo desde ontem?

Este cisne negro fará do 11 de setembro um grau de areia!
amsf a 1 de Dezembro de 2010 às 19:28

"Por outro lado, os responsáveis do Wikileaks deverão ser considerados inimigos dos Estados Unidos, por terem cometido um acto de terrorismo cibernético contra o país. A exposição de segredos de estado é ilegal e um crime"

Penso que isso é um bocado problemático; note-se que não conheço a legislação americana sobre o assunto, mas pelo que tenho lido:

- não é muito claro se um terceiro divulgar segredos de estado dos EUA é um crime ou se o crime é cometido pela pessoa dentro do aparelho de Estado que passa para fora as informações (note-se que há um processo contra o Bradley Manning mas ainda não há - que eu saiba - nenhum contra a wikileaks)

- também não é muito claro se essa lei se aplica a um australiano na Islândia, ou se se aplica apenas a actos cometidos ou por americanos, ou nos EUA (nesse caso apenas o New York Times - e eventualmente os blogs e sites dos EUA que comentaram o assunto com exemplos - terá cometido um crime).
Miguel Madeira a 2 de Dezembro de 2010 às 13:26

Miguel,
Pelo que tenho lido, o Departamento de Estado terá razões para acusar na justiça o Wikileaks. Não por traição, pois esse motivo apenas se aplica a cidadãos americanos, mas por espionagem, que é um crime aplicável a cidadãos estrangeiros.
Nuno Gouveia a 2 de Dezembro de 2010 às 14:38

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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