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Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 14:39link do post | comentar

O antigo Presidente tem ocupado arena mediática esta semana. A promover o seu livro “Decision Points”, George W. Bush tem-se desdobrado em entrevistas em diversos canais de televisão e jornais. Tive a oportunidade de ver a sua entrevista a Matt Lauer, na NBC e a Sean Hannity, na Fox News. Não se pode dizer que Bush tenha oferecido grandes novidades, limitando-se a defender as decisões que tomou durante a sua presidência, nomeadamente em relação ao 11 de Setembro, às guerras do Iraque e Afeganistão, as medidas tomadas na luta contra o terrorismo, os erros assumidos em relação ao Katrina e crise financeira na parte final do seu mandato. Nota-se que Bush está em paz consigo próprio e satisfeito com a sua presidência. Numa altura em que a sua popularidade tem vindo a subir, Bush confia que o seu legado será avaliado de forma positiva no futuro pelos historiadores.


Duas notas breves: Bush será avaliado no futuro pela forma como lidou com o terrorismo e pelas suas intervenções no Iraque e Afeganistão. Se é verdade que após o 11 de Setembro os Estados Unidos não voltaram a ser atacados, a instabilidade no médio oriente é ainda enorme. A surge poderá ter salvo a face de Bush no pós invasão, mas não sei se será suficiente para lhe salvar o legado. E no Afeganistão, que passou a ser a guerra de Obama, as dúvidas são ainda maiores, com grande indecisão sobre o saldo final desta guerra. Por fim, na frente caseira. Bush fez reformas importantes no sector da saúde e da educação, e os Bush Tax Cuts estão na ordem do dia da discussão politica, gerando hoje um consenso alargado sobre a importância da sua manutenção. Mas Bush falhou na reforma da imigração e da segurança social. E a sua herança na economia foi muito pesada para Barack Obama. Mas apenas daqui a uns 50 anos saberemos como os historiadores avaliarão a Presidência Bush. Harry Truman e Ike Einsenhower ensinaram-nos que nem sempre a forma como são avaliadas as presidências no seu final persiste na história. Por motivos diferentes.  Harry Truman saiu da Casa Branca com taxas de aprovação fraquíssimas e foi posteriormente absolvido pelo seu papel enquanto líder. Pelo contrário, Einsenhower saiu da Casa Branca com uma popularidade elevada e hoje é apenas considerado como um presidente razoável.

 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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